Você certamente já conheceu uma pessoa que não gosta do nome e que se tivesse a oportunidade trocaria, por uma série de fatores. Com a nova Lei de Registros Públicos, instituída em 2022, ficou mais fácil das pessoas conseguirem mudar de no documento de identidade (RG).
É o caso de um morador de Praia Grande.Porém o nome escolhido por ele não poderia chamar menos atenção que sua aparência: Michel Praddo virou “Diabão Faro do Prado”. Ele conseguiu mudar de nome no RG, depois de entrar na Justiça. A decisão saiu em abril deste ano e viralizou nas redes sociais.
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Vale destacar que Diabão já era conhecido pelo apelido, sobretudo na Baixada Santista, onde ele mora e trabalha como tatuador. A nova identidade apenas oficializou seu desejo.
Tatuagens e Guinness
Quem nunca olhou o Diabão, se impressiona com a quantidade de tatuagens e mudanças que ele tem no corpo. O morador de Praia Grande entrou no livro de recordes do Guinness, como a pessoa que teve mais modificações corporais do mundo. Dentre as mudanças que mais chamam a atenção estão, o corte do nariz e da orelha, além da implantação de chifres na testa.
Hoje, Diabão posta as atividades nas redes sociais. Para se ter uma ideia do sucesso, ele tem mais de 200 mil seguidores no Instagram. Em novembro de 2023, a equipe de reportagem da VTV acompanhou um dos últimos procedimentos estéticos de Diabão, na ocasião ele removeu um dos dedos.
Na reportagem, Diabão explicou que cada mudança passa por um estudo, sobretudo de como será a adaptação. “Eu me considero uma pessoa realizada e feliz, eu vivo o que quero viver e batalho muito para não ser o homem do amanhã, que sempre deixa as situações para depois”.
O Diabão adotou este nome, depois de sofrer preconceitos por conta de tatuagens e piercings. Ele é casado, com Carol Praddo, conhecida como “Mulher Demônio”, mas ela segue com seu primeiro nome no RG.
Revisão de programas sociais é prioridade para governo com expectativa de economizar até R$ 30 bilhões
A revisão dos cadastros dos programas sociais está no centro da agenda de controle de gastos do governo, que estima economizar cerca de R$ 20 bilhões em 2025, com um cenário otimista alcançando até R$ 30 bilhões, segundo informações obtidas pelo Estadão/Broadcast. O objetivo é identificar e eliminar benefícios indevidos.
A equipe econômica está atenta aos gastos com o seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), uma assistência para idosos ou pessoas com deficiência em situação de extrema pobreza. Este último foi destaque nas preocupações dos técnicos, já que as despesas aumentaram 17,6% no primeiro quadrimestre de 2024 em comparação com o mesmo período de 2023, mesmo após descontada a inflação.
O Grupo de Trabalho (GT) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), criado para otimizar os custos previdenciários, está trabalhando em duas frentes para melhorar as despesas com o BPC. A primeira é a revisão bienal obrigatória por lei, que reavalia as condições dos beneficiários. A segunda é a alteração no fluxo de cobrança para facilitar a recuperação de pagamentos indevidos. A gestão e regulação do BPC são de responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).
A revisão dos cadastros do Bolsa Família, programa social emblemático do governo, também está em destaque. O ministro do MDS, Wellington Dias, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou a continuação dos trabalhos de fiscalização de fraudes no programa.
Na quarta-feira, 19, Lula se reuniu com ministros da equipe econômica para discutir o aumento dos mecanismos de controle e combate a fraudes nos benefícios. Participaram do encontro os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Simone Tebet (Planejamento), Esther Dweck (Gestão), Carlos Lupi (Previdência), e Bruno Moretti, Secretário Especial de Análise Governamental da Casa Civil.
A Junta de Execução Orçamentária (JEO), composta por membros da Fazenda, Planejamento, Casa Civil e Gestão, está avaliando o cenário das despesas. Na última segunda-feira, 17, integrantes da JEO se reuniram com Lula para apresentar o panorama da evolução das receitas e despesas e os principais gastos com programas do governo.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (19), por 14 a 12 votos, relatório sobre projeto de lei que propõe a legalização de cassinos e jogos de azar, como bingo e jogo do bicho, no Brasil. O tema agora deve ser remetido ao plenário da Casa.
O PL 2.234/2022 veio da Câmara dos Deputados, onde foi aprovado, e tramita no Senado desde 2022. A proposta prevê a permissão para a instalação de cassinos em polos turísticos ou em complexos integrados de lazer, como hotéis de alto padrão (com pelo menos 100 quartos), restaurantes, bares e locais para reuniões e eventos culturais.
O projeto propõe ainda a possível emissão de uma licença para um cassino em cada estado e no Distrito Federal. Alguns estados teriam uma exceção, como São Paulo, que poderia ter até três cassinos, e Minas Gerais, Rio de Janeiro, Amazonas e Pará, com até dois cada um, se o projeto for aprovado. A justificativa foi o tamanho da população ou do território.
Durante a sessão da CCJ, a maioria das manifestações se deu por parte dos senadores contrários ao projeto. Um dos principais argumentos trazidos foi o do impacto sobre o sistema de saúde, que deverá lidar com o aumento do vício em jogos, disseram senadores de partidos como PL e Novo.
O senador Magno Malta (PL-ES) citou o exemplo dos Estados Unidos, onde a legalização de cassinos criou um ambiente favorável à prostituição, ao consumo de drogas e máfia. Ele afirmou que o vício em jogos causam “dano moral, dano psicológico, que destrói famílias, destrói pessoas”.
Marcos Rogério (PL-RO) reforçou o argumento. “Temos hoje uma pandemia [de vício em jogo]”, afirmou. “Nós já estamos diante de um cenário que já é ruim, e a minha preocupação é agravarmos o problema”, complementou. “A compulsão em jogos de azar acarreta problemas diversos para a saúde, incluindo ansiedade e depressão.”
A favor do projeto, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) frisou a importância econômica e cultural dos cassinos para diversos municípios brasileiros. “Sabemos a importância que o Cassino da Urca [que funcionou no Rio de Janeiro até a proibição da atividade no país] teve”, citou. “Quantas cidades perderam relevância, importância, porque esse tipo de organização da atividade do jogo foi proibido”, acrescentou. Ele ainda reforçou o argumento de que os jogos de azar devem ser regulados, para o Estado poder controlar e arrecadar impostos com a atividade.
Segundo o relator do projeto, senador Irajá (PSD-TO), a estimativa é que os cassinos podem gerar 700 mil empregos diretos e 600 mil indiretos, além de incrementar o turismo. “Qual, afinal de contas, o medo de enfrentarmos este tema?”, indagou Irajá.
A exploração de jogos de azar no Brasil é proibida desde 1946.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reagiu à declaração do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de que a tentativa de uma reeleição em 2026 é possível, “para evitar que trogloditas voltem a governar” o país.
As declarações do petista foram dadas em entrevista a Rádio CBN, na manhã desta terça-feira (18). Bolsonaro usou as redes sociais logo depois, referindo-se a Lula como “bandido”.
– Imagine esse país governado por um bandido? – escreveu o ex-chefe do Executivo.
A publicação ainda foi fixada no topo do perfil de Bolsonaro na rede social X.
Para justificar a possibilidade de reeleição, Lula citou indiretamente Bolsonaro, evitando mencionar o nome de seu antecessor.
– Mas não vou permitir que esse país volte a ser governado por um fascista, não vou permitir que esse país volte a ser governado por um negacionista, como nós já tivemos. Esse país precisa de muita verdade para se transformar num país maravilhoso que nós temos que construir – declarou.
Ao comentar sobre o projeto de lei que equipara o aborto após 22 semanas de gestação com crime de homicídio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que mulheres estupradas não devem ser obrigadas a dar à luz e sugeriu que o bebê fruto da violência sexual pode ser um “monstro”.
– Elas têm o direito de ter comportamento diferente e não querer o filho. Por que uma menina é obrigada a ter um filho do cara que estuprou ela? Que monstro vai sair do ventre dela? – questionou ele em entrevista à rádio CBN nesta terça-feira (18).
O presidente ainda indagou qual seria o posicionamento do autor do projeto, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), se a filha dele estivesse em uma situação semelhante.
– Queria saber se uma filha dele fosse estuprada, como ele iria se comportar – assinalou.
Ao longo da entrevista, o petista voltou a alegar ser pessoalmente contra o aborto, mas acrescentou que enquanto for chefe de Estado, tal assunto será tratado como “questão de saúde pública”.
– Você não pode continuar permitindo que a madame vá fazer aborto em Paris e a coitada morra em casa tentando furar o útero com uma agulha de tricô. Quem aborta são meninas [de] 12, 13, 14 anos; é crime hediondo um cidadão estuprar uma menina de 10, 12 anos e depois querer que mulher tenha o filho. É preciso, de forma civilizada, discutir. As crianças estão sendo violentadas dentro de casa – acrescentou.
O presidente indicou ainda que esse é um tema que não devia ser priorizado no atual debate político e social do Brasil.
– O aborto não deveria nem ter entrado em pauta. O tema do Brasil não é esse – avaliou.
No governo Lula, é o segundo ano seguido que o país perde posição
O Brasil está entre os quatro piores em custo de capital, legislação trabalhista, contas públicas e barreiras tarifárias, que compõem as políticas governamentais, mostra ranking | Foto: Reprodução/Pixabay
O Brasil caiu para a 62ª posição no ranking de competitividade global do Institute for Management Development (IMD), escola de negócios suíça. Com isso, o país está na frente apenas de Peru, Nigéria, Gana, Argentina e Venezuela. Singapura lidera a lista deste ano.
O país perdeu posições para África do Sul e Mongólia e recuou mais uma posição com a inclusão de Porto Rico no ranking. O Brasil só não caiu para os três últimos lugares devido à inclusão de Nigéria e Gana e à queda do Peru da 55ª para a 63ª colocação.
Critérios de avaliação do ranking de competitividade
A classificação considera indicadores estatísticos, que representam dois terços da nota, e em pesquisas de opinião com executivos e empresários. No Brasil, a Fundação Dom Cabral (FDC), parceira do IMD, entrevistou mais de cem executivos. São avaliados 336 indicadores no total.
Neste ano, houve uma avaliação positiva do desempenho econômico do Brasil, especialmente em termos de emprego e crescimento do PIB. No entanto, o país está entre os quatro piores em custo de capital, legislação trabalhista, contas públicas e barreiras tarifárias, que compõem as políticas governamentais.
Leis trabalhistas são consideradas uma dificuldade a mais para a competitividade; fachada do prédio do Tribunal Superior do Trabalho | Foto: Divulgação/TST
Desempenho do Brasil ruim em educação e acesso ao crédito
Na área de educação, tanto básica quanto superior, o Brasil ocupa a penúltima posição no ranking. Quanto ao acesso das empresas ao crédito, o país está na última colocação.
“Estamos caindo (no ranking) porque estamos asfixiando a cadeia produtiva brasileira, o custo de capital está cada vez maior e tem muito Brasília e pouco Brasil. Também não estamos focando em ciência, tecnologia, inovação e formação de mão de obra. Estamos deixando de lado essa agenda”, afirmou ao Estadão o professor Hugo Tadeu, diretor do núcleo de inovação e tecnologias digitais da Fundação Dom Cabral e líder da pesquisa no Brasil.
Histórico do Brasil na lista do IMD
Desde 2020, quando ocupava a 56ª posição, o Brasil caiu seis posições, seja pela inclusão de economias mais competitivas, seja por ter sido ultrapassado por países como Eslováquia, Jordânia e Croácia.
Os países com melhor posição no estudo — Cingapura, Suíça e Dinamarca neste ano — destacam-se por políticas públicas eficazes, infraestrutura avançada e educação básica sólida, criando um ambiente propício à inovação e aos investimentos.
A Fundação Dom Cabral avalia que os desafios do Brasil para melhorar a competitividade incluem a falta de programas de formação para gestores, ineficiência no setor público e burocracia excessiva.
“O olhar macro, do nosso crescimento, é satisfatório, mas quando vamos para o micro, há muitos desafios. Se não tivermos uma agenda estratégica para o país, vamos continuar amargando essas posições”, observa Tadeu.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o Decreto nº 12.051, publicado na quarta-feira (12) no Diário Oficial da União, autorizando canais comerciais e educativos a usar a multiprogramação na TV Digital. Este recurso é destinado a conteúdos de educação, ciência, tecnologia, inovações, cidadania e saúde.
Diferente do regulamento anterior que expirou em dezembro de 2023, este decreto tem vigência por tempo indeterminado e segue as diretrizes do Decreto nº 10.312/2020. Agora, emissoras como Globo, Record, SBT, RedeTV! e Band podem oferecer multiprogramação, antes exclusiva para emissoras públicas como a TV Brasil.
O ministro das Comunicações, Juscelino Filho, destacou que a multiprogramação permite um uso mais eficiente do sinal dos canais, oferecendo mais opções de conteúdo para os brasileiros. O Ministério das Comunicações aponta que essa tecnologia permite dividir um canal de televisão em várias faixas de programação simultâneas, podendo ser usada por um único radiodifusor ou compartilhada entre diferentes.
O decreto estabelece que até quatro faixas de programação simultâneas podem ser transmitidas, com sub-canais exibindo conteúdo em parceria com Municípios, Estados, Distrito Federal e União. A inserção de publicidade comercial continua proibida.
Essa iniciativa visa promover a transmissão de conteúdos educacionais e informativos, incluindo aulas, cursos e programas de formação profissional.
Em greve desde 15 de maio por decisão da categoria, servidores federais da Saúde no Rio de Janeiro protestam nesta segunda-feira (17/6) contra casos de assédio e desvio de função nas contratações de comissionados. A manifestação foi organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Previdência, Seguro Social e Assistência Social do Rio de Janeiro (Sindsprev/RJ).
Com faixas e cartazes, cerca de 300 servidores efetivos e comissionados realizaram uma passeata do Hospital dos Servidores do Estado (HSE) do Rio de Janeiro até a sede do Departamento de Gestão Hospitalar (DGH) do Ministério da Saúde, no Centro da capital fluminense.
De acordo com os servidores, profissionais contratados como auxiliares de enfermagem estão exercendo funções de técnicos em enfermagem. Eles também reclamam do corte de pontos dos servidores do Hospital Federal da Lagoa sem respaldo de qualquer decisão judicial que considere a greve abusiva.
“A greve foi motivada por condutas ilícitas da administração federal, que não cumpriu acordo de greve e obriga os servidores a trabalharem em desvio de função”, afirma a categoria.
Em abril, o governo federal trocou o comando do Departamento de Gestão Hospitalar no Rio de Janeiro, nomeando a médica Teresa Navarro Vannucci, que atuava como subsecretária municipal de Saúde, para o cargo.
O Rio de Janeiro conta com seis hospitais federais especializados em tratamentos de alta complexidade para pacientes de todo o país dentro do SUS (Sistema Único de Saúde).
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizou um aperfeiçoamento na urna eletrônica, conforme sugerido pela Controladoria-Geral da União (CGU). Essa mudança ocorreu após uma inspeção do código-fonte das urnas por três desenvolvedores da área de tecnologia da informação da CGU durante a última semana¹.
O desenvolvedor Everton Ramos, que já havia participado da inspeção em 2022, propôs uma alteração que foi avaliada e incorporada ao código pelo TSE. Essa modificação adicionou uma camada extra de validação na etapa de totalização dos votos, reforçando a segurança do processo¹.
A inspeção faz parte do Ciclo de Transparência – Eleições de 2024 e durou aproximadamente 35 horas, entre segunda-feira e sexta-feira. O objetivo é garantir a fiscalização do sistema eletrônico que assegura as eleições no país. Durante a inspeção, os técnicos do TSE abriram uma urna eletrônica para que a equipe da CGU pudesse observar o hardware em detalhes e conhecer as peças internas do equipamento e o seu sistema. Vale destacar que a urna possui quatro processadores e nenhuma conexão online¹.
Além da CGU, a Sociedade Brasileira de Computação (SBC), o Senado e o partido União Brasil também enviaram especialistas para testar e verificar as urnas destinadas às eleições municipais deste ano. Atualmente, o TSE possui 571.020 urnas aptas a serem utilizadas em sessões de votação em todo o Brasil¹. É um importante esforço para garantir a integridade e a confiabilidade do processo eleitoral.
Ruínas do Instituto Penal Cândido Mendes, em Ilha Grande (RJ) Imagem: Marcelo César Augusto Romeo/Memórias da Ditadura e Instituto Vladimir Herzog
A série “O Jogo que Mudou a História”, na Globoplay, retrata o surgimento das facções criminosas no Rio e os primeiros embates entre elas, na década de 1970. O enredo se desenvolve nas favelas fictícias de Padre Nosso, Parada Geral e Morro da Promessa, além do presídio de Ilha Grande.
‘Caldeirão do inferno’
O complexo penitenciário Cândido Mendes, em Ilha Grande, realmente existiu, ao contrário das favelas fictícias da série. Foi lá que nasceu, em 1979, o Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do país e que domina diversas áreas do Rio.
O local a mais de 100 quilômetros da capital do Rio de Janeiro foi construído em 1884. A prisão ganhou o apelido de “Caldeirão do inferno” ou “Caldeirão do diabo” por causa de cenas de violência que aconteceram no local.
Criação do presídio
Inicialmente, a ilha era usada, na época do império, para isolar pessoas com doenças contagiosas, como hanseníase. Ao longo do tempo, foram criados espaços na ilha para presos. Um deles foi o escritor Graciliano Ramos, que foi preso na penitenciária da ilha em 1936, por seu envolvimento político com a Intentona Comunista de 1935. Foi lá, aliás, que o romancista e cronista alagoano começou a rascunhar “Memórias do Cárcere” (1953).
Em 1963, o governador da Guanabara, Carlos Lacerda, criou a Penitenciária Cândido Mendes que depois passou a se chamar Instituto Penal Cândido Mendes. Na ditadura militar, o local recebeu presos políticos, como membros da ALN (Aliança Libertadora Nacional).A ideia era isolar os presos e dificultar as visitas.
Nascimento do CV
Presos comuns e presos políticos se juntaram, inicialmente, para cobrar melhorias no presídio de Ilha Grande. Depois, presos comuns iniciaram movimentos com greves de fome e denúncias de espancamento e maus-tratos. Também passaram a usar a experiência ilícita para mirar o mercado de drogas.
Essa organização dos detentos levou ao que foi chamado de Falange da LSN (referência à Lei de Segurança Nacional, pela qual os presos eram condenados). Depois, foi rebatizada de Falange Vermelha e, em seguida, Comando Vermelho. O nome da organização aparece pela primeira vez em um relatório policial em 1979.
No ano seguinte, em 1980, três presos fogem da ilha de barco. Entre eles, José Jorge Saldanha, o Zé Bigode. Ele consegue chegar ao continente e se esconder na Ilha do Governador. Lá, protagoniza uma troca de tiros contra 400 policiais por mais de 12 horas de confronto. O episódio foi retratado no filme “400 contra 1” (2010), que mostra o início da facção fora da ilha.
O CV passou a dominar os morros do Rio ao longo das décadas. O cenário começou a mudar a partir do avanço das milícias na primeira década dos anos 2000. A facção atualmente não é mais soberana, como mostram os dados do Geni-UFF (Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos, da Universidade Federal Fluminense). De acordo com os dados, a facção domina 24,2% dos bairros do Rio, ficando atrás do poder das milícias, que controlam 25,5% dos bairros cariocas.
O presídio da Ilha Grande foi desativado e implodido em 1994, há 30 anos. O acervo do Cândido Mendes integra o Museu do Cárcere, administrado pela Uerj.