Em 2020, o orçamento do clube foi de R$ 171 milhões, mas a receita realizada ficou em R$ 137 milhões em decorrência, principalmente, da pandemia
Foto: Felipe Oliveira / E.C Bahia
A um ponto da zona de rebaixamento, faltando duas rodadas para o fim da Série A, o Bahia projeta uma perda de receita R$ 63 milhões caso a equipe de Dado Cavalcanti não consiga evitar a queda. Os números foram apresentados na segunda-feira (15), à noite, em reunião do Conselho Deliberativo do clube. Caso permaneça na mesma divisão, o time baiano estima uma receita de R$ 171 milhões este ano. Na hipótese de ir para a Série B, o clube espera uma arrecadação de R$ 108 milhões.
Nos dois cenários, parte desta receita – entre R$ 15 milhões e R$ 22 milhões – se refere a direitos de televisão do Brasileiro de 2020, que será finalizado agora em fevereiro.
A conta com uma eventual queda será paga pelo próprio futebol profissional. Na elite, o Bahia pretende aplicar até R$ 107 milhões no elenco do time principal, recurso que cai para R$ 64 milhões se a competição for a segundona. Em 2020, o orçamento do clube foi de R$ 171 milhões, mas a receita realizada ficou em R$ 137 milhões em decorrência, principalmente, da pandemia de Covid-19.
O orçamento foi debatido em fevereiro, antes do término da temporada, por determinação do estatuto. O atual presidente, Guilherme Bellintani, foi reeleito em dezembro, e deve apresentar o plano de gestão ao conselho em até 60 dias depois de empossado.
Cantora criticou indiretamente o decreto publicado na última sexta que facilitou posse e porte de armas
Ivete Sangalo Foto: Divulgação
Após usar uma live de Carnaval, transmitida pelo canal Multishow, do Grupo Globo, no último sábado (13), para mandar um recado de forma indireta ao presidente Jair Bolsonaro, a cantora Ivete Sangalo recebeu uma resposta nada indireta de parlamentares contrários à atitude dela.
Ao adaptar a letra da canção Muito Obrigado Axé, Ivete criticou os decretos publicados na última sexta-feira (12), editados pelo presidente da República, que passaram a facilitar a posse e o porte de armas no Brasil. Em vez de cantar “Deixa as armas para lá. Faz a festa”, a cantora entoou “Deixa as armas para lá e traz a ciência”.
A mensagem imediatamente virou alvo de críticas nas redes sociais. Parlamentares que são favoráveis ao uso de armas por cidadãos comuns criticaram a incoerência da artista ao andar com seguranças armados enquanto critica a utilização do item pela população em geral.
– A cantora Ivete Sangalo desfruta de seguranças armados, carro blindado e casa em condomínio fechado. Às vezes a pessoa fica tão distante da realidade do povo que acha que o mundo é o “país das maravilhas” que seu dinheiro lhe proporciona – disse o deputado estadual Bruno Engler (PRTB-MG).
Outro a detonar a atitude da cantora foi o deputado federal Luiz Lima (PSL-RJ). Em uma postagem nas redes sociais, Lima corroborou o discurso de incoerência da cantora, levantado por Engler, e completou dizendo que a artista se posicionou dessa forma por conta do fim dos repasses da Lei Rouanet aos cantores mais ricos.
– Ivete, a mamata dos milhões para artistas famosos, usando a Lei Rouanet, acabou! Em relação às armas, fala para os seus seguranças jogarem as armas pra lá também! O seu lema é o velho ditado: “pimenta no fiofó dos outros é refresco!” – completou Luiz Lima.
Diferente dos últimos trabalhos, Mariana ficará à disposição para projetos do Jornalismo da Record
Mariana Godoy foi anunciada como a nova contratada da Record TV Foto: Record TV/Antonio Chahestian
A jornalista Mariana Godoy foi confirmada pela Record TV como a mais nova contratada da emissora. Ela esteve na tarde de segunda-feira (15) na sede da empresa, em São Paulo, onde assinou o contrato ao lado do Vice-Presidente de Jornalismo, Antonio Guerreiro.
De acordo com a Record, Mariana ficará à disposição para projetos do Jornalismo. Em uma breve declaração após a assinatura do contrato, Mariana disse estar “muito feliz” de fazer parte dos quadros do canal paulista e chamou a oportunidade de “um privilégio”.
– Estou muito feliz de fazer parte da Record TV, uma emissora conhecida pelo grande espaço que dedica ao noticiário. É um privilégio fazer parte de uma equipe que tem tantos talentos trabalhando para levar informação ao telespectador – disse.
Nascida em Itanhaém, no litoral paulista, Mariana é formada pela Casper Líbero e trabalhou nas principais emissoras de TV e rádio do país como repórter e apresentadora. Ela ainda atuou em veículos de destaque ao longo da sua carreira. Após um período como redatora em uma agência de publicidade, logo chegou à televisão.
Na TV, Godoy iniciou pela Gazeta. Depois, passou por diversas emissoras (Manchete, SBT, Globo, GloboNews, Rede TV! e Bandeirantes), além de ter atuado também em rádio (como na Nova Brasil FM, Rádios Globo e Bandeirantes). Na Rede TV!, trabalho de longo prazo mais recente da apresentadora, ela comandou o talk show Mariana Godoy Entrevista.
Apesar de o regimento prever que processos sejam retomados após duas sessões, alguns passam anos paralisados
Supremo Tribunal Federal tem quase 400 processos parados por pedidos de vista Foto: Reprodução
Apesar de mostrar rapidez em alguns processos, especialmente naqueles que envolvem o presidente Jair Bolsonaro, o Supremo Tribunal Federal não tem aplicado a mesma destreza e celeridade para julgar outras ações que tramitam na Corte, e não é pequeno o número de processos parados no STF por decisões dos próprios ministros.
Segundo um levantamento divulgado pelo jornal O Globo, 377 processos estavam paralisados por pedidos de vista até a última segunda-feira (15). Em grande parte dos atrasos, há um desrespeito inclusive ao próprio regimento interno do colegiado, que prevê que o caso retome sua tramitação em até duas sessões depois do pedido.
O mais comum, porém, é que os ministros levem meses (e até anos) para devolver os casos para julgamento. No caso da suspeição de Moro, por exemplo, o ministro Gilmar Mendes pediu vista do julgamento em dezembro de 2018, na Segunda Turma.
Até agora, Cármen Lúcia e Edson Fachin votaram a favor de Moro. Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski ainda não votaram, apesar de transcorridos mais de dois anos desde o pedido de Gilmar.
Atualmente, entre os pedidos de vista no STF, 207 são do plenário. Nesses casos, os 11 ministros participam do julgamento. Outros 90 são da Primeira Turma, formada por cinco ministros; e 80, da Segunda Turma, constituída por outros cinco magistrados.
Dos 377 pedidos de vista no STF, 152 já foram devolvidos, e, em tese, a votação pode ser retomada a qualquer momento, dependendo apenas de o presidente da Corte, Luiz Fux, incluir os processos na pauta. Entre os processos está o que versa sobre a criminalização do porte de drogas para consumo próprio.
Em setembro de 2015, o ministro Teori Zavascki pediu vista no julgamento. Com a morte dele, em janeiro de 2017, o seu substituto, o ministro Alexandre de Moraes, herdou o processo e, em novembro de 2018, devolveu o caso para ser analisado em plenário.
O então presidente do STF, Dias Toffoli, chegou a marcar o julgamento por duas vezes no ano seguinte, mas o retirou de pauta. Até agora, três ministros votaram: o relator Gilmar Mendes, que defendeu a descriminalização do porte para uso de todo tipo de droga, Fachin e Luís Roberto Barroso, que votaram pela descriminalização, mas só para o porte de maconha.
Num outro caso, em maio de 2012, o ministro Luiz Fux pediu vista no julgamento de uma ação da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra uma lei do estado do Rio de Janeiro que trata da organização do Tribunal de Justiça local e prevê, entre outros itens, algumas gratificações, como o auxílio pré-escolar.
Em dezembro de 2017, Fux devolveu o caso para julgamento. Um ano depois, Toffoli, então presidente a Corte, marcou o julgamento para março de 2019, mas, logo depois, retirou-o da pauta.
O pedido de vista mais antigo aguardando julgamento no plenário é do ministro Carlos Ayres Britto, que se aposentou em 2012. A interrupção do julgamento foi em agosto de 2006. Ele devolveu o caso para a pauta em fevereiro de 2012, mas a ação jamais voltou a julgamento.
O processo em questão trata do quórum necessário para o Legislativo deliberar sobre acusação contra governador por crime de responsabilidade. Também no plenário, Gilmar Mendes pediu vista de um processo em agosto de 2011 e ainda não o devolveu. O caso trata de execução extrajudicial no Sistema Financeiro de Habitação.
A assessoria de comunicação do STF divulgou nota defendendo o direito dos ministros de pedirem vista e ponderando sobre as dificuldades de elaborar a pauta de julgamentos.
-É prerrogativa dos ministros pedirem vista para estudarem melhor os processos em andamento na Corte. Em relação à pauta do plenário, que é elaborada pelo presidente da Corte, a definição dos julgamentos é feita em interlocução com os relatores dos casos, respeitando sempre que possível a prioridade por eles solicitada – disse.
São previstas 42,5 milhões de doses pelo Covax Facility
Agência Brasil- O cronograma do Ministério da Saúde para as entregas das doses das vacinas contra a covid-19 pelos laboratórios produtores prevê a remessa de 42,5 milhões de doses pelo consórcio Covax Facility, sendo 2,65 milhões da vacina AstraZeneca em março e de mais 7,95 milhões do mesmo imunizante até junho. O Brasil receberá ainda aproximadamente mais 32 milhões de doses de vacinas contra covid-19 produzidas por laboratórios de sua escolha até o final do ano, conforme cronogramas estabelecidos exclusivamente pelo Covax Facility.
A Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (Seas) do ministério destacou que o consórcio, coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), funciona como um centro de distribuição internacional de vacinas.
Em outras remessas, a Seas informou que a previsão é receber do Instituto Butantan, de São Paulo, 100 milhões de doses da vacina CoronaVac. Em janeiro, conforme a secretaria, foram entregues 8,7 milhões de doses. Em fevereiro serão mais 9,3 milhões. O cronograma tem previsões para os meses seguintes março (18,1 milhões), abril (15,93 milhões), maio (6,03 milhões), junho (6,03 milhões), julho (13,55 milhões), agosto (13,55 milhões) e a última entrega prevista é para setembro (8,8 milhões).
Já da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o cronograma estima o recebimento de 222,4 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca. Em janeiro, o ministério informou que recebeu 2 milhões de doses. Para fevereiro, a entrega prevista é de 4 milhões. Em março serão 20,7 milhões, em abril mais 27,3 milhões, em maio 28,6 milhões e em junho 1,2 milhão. Conforme a secretaria, a partir da incorporação da tecnologia da produção do IFA, a Fiocruz deverá produzir e entregar mais 110 milhões de doses no segundo semestre de 2021.
O cronograma prevê ainda a entrega das 10 milhões de doses da vacina Sputnik V do Instituto Gamaleya, importadas da Rússia, pela farmacêutica União Química. De acordo com a Seas, a previsão é de que o contrato seja assinado esta semana. Quinze dias após a assinatura, o ministério deve receber 800 mil doses. Em abril, com 45 dias após a assinatura do contrato, a entrega será de mais 2 milhões. Em maio outros 7,6 milhões, com 60 dias após a assinatura e a partir da incorporação da tecnologia da produção do IFA, a União Química deverá passar a produzir mais 8 milhões de doses por mês.
Já para a vacina Covaxin – Barat Biotech, a previsão é de receber 20 milhões de doses importadas da Índia e o contrato também deve ser assinado nesta semana. Devem chegar ao Brasil 8 milhões de doses com dois lotes de 4,0 milhões com 20 e 30 dias após a assinatura do contrato. Em abril mais 8 milhões também em dois lotes de 4 milhões com 45 e 60 dias após a assinatura do contrato e em maio 4,0 milhões de doses com 70 dias após o contrato assinado.
Rede social afirmou que irá desativar contas de quem promover “discurso de ódio”
Instagram irá monitorar mensagens privadas de usuários Foto: Pexels
O Instagram passará a ‘monitorar’ com mais rigor as conversas privadas de usuários na plataforma. Em comunicado, a rede social informou que pretende desativar as contas das pessoas que promoverem “discurso de ódio”.
A ideia do Instagram é desativar a conta de quem enviar mensagens do tipo pelo chat da plataforma e ainda apagar os perfis criados por usuários que tentarem “driblar” a medida.
O Instagram informou que a medida atinge “qualquer tipo de conteúdo que ataque pessoas com base em raça, etnia, nacionalidade, afiliação religiosa, orientação sexual, casta, sexo, gênero, identidade de gênero e doenças graves ou deficiências”.
Além disso, a plataforma explicou que o monitoramento será realizado por meio de tecnologias baseadas em inteligência artificial e também por revisores humanos.
O anúncio foi feito pela empresa na semana passada.
Mais de 100 milhões de contas de celular tiveram dados vazados
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
O Ministério da Justiça, por meio do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, deu 15 dias para que operadoras de celular prestem informações sobre o vazamento de dados de 103 milhões de celulares.
De acordo com informações do Jornal Nacional, a notificação foi enviada na segunda-feira (15) para Claro, Vivo, Tim e Oi. As empresas informaram que adotam controles rígidos no acesso às informações dos clientes, que não identificaram ocorrência de vazamento de dados e que estão colaborando com as autoridades.
Por meio de nota, a Secretaria Nacional do Consumidor, também atrelada à pasta, informou que está finalizando um acordo com a ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) para proteção de dados de consumidores.
Segundo o órgão, existem dezenas de casos sendo investigados envolvendo vazamento de dados ou compartilhamento de dados de milhares de consumidores brasileiros. A ANPD é responsável por fiscalizar a proteção de dados no Brasil.
Na última quinta-feira, o órgão oficiou a Polícia Federal e empresas envolvidas no vazamento de dados de celulares. As informações são da Folha de S.Paulo.
Para entender o VAR precisamos voltar atrás e refletirmos que o “V” de VAR vem de vídeo. E como se faz um vídeo? Com uma sequência de imagens. Precisamente, o que vemos nos canais de TV são 30 imagens por segundo. Cada uma dessas imagens são chamadas de “frames”. By Clever Advertising
No lance abaixo veremos três frames. Um desses será escolhido para definir se a jogada foi ou não impedimento. Quem define isso não é um computador. É um humano. E repare que na diferença de dois frames Fábio Santos dará ou não posição de impedimento ao jogador do Flamengo.
O simples fato da necessidade de escolha de frame já questiona a precisão do VAR, mas o problema é pior que isso. Como 30 imagens formam um segundo, cada frame representa um congelamento de 33 milésimos de segundo. Isso parece ótimo, mas não é nada na escala do esporte.
Em 33 milésimos de segundo (o tempo de um frame) um jogador de futebol consegue se mover cerca de 20 a 30 centímetros. Isso é o bastante para anular ou não um lance de impedimento. Curiosidade: Usain Bolt chegava a correr 12.1 metros por segundo, ou 41 centímetros a cada frame.
Isso é tão rápido que um fotógrafo, que precisa congelar um movimento com precisão nítida, chega a configurar seu equipamento para capturar a imagem em 1 segundo dividido por 1250, ou 0.8 milésimos de segundo (40 vezes mais rápido que a imagem da TV). Com muita luz e uma lente clara rola dividir um segundo por 2500, até mais.
No segundo lance do mesmo gol validado, que frame deveriam utilizar?
O VAR, pelo que parece, escolheu a segunda imagem.
E aí? Cancela o VAR? Não!
Antes do VAR havia erros absurdos como o gol contra o Corinthians feito pelo Santos, com três lances de impedimentos seguidos.https://www.youtube.com/embed/8Jw0duG7VGM
Ou o gol mal anulado do Jô, contra o próprio Flamengo, em 2017. Um erro de 3.3 metros que jamais seria cometido com o uso de VAR.
A conclusão que temos que tirar com isso é que o VAR é, sim, passível de falhas, mas provoca menos erros do que havia no passado.
Mas qual é a solução?
Na minha opinião, é necessário mais tecnologia. Câmeras de 480 frames por segundo. Laser na linha de fundo, câmeras em mais pontos do campo sincronizadas a nível de relógio atômico, e por aí vai.
Enquanto houver margem de erro, vai haver discussão.
Leninha Espírito Santo Wagner explica como neutralizar a dor e o medo para ajudar a superar o luto e a depressão
Traumas causados por perdas ou trágicos acontecimentos não são fáceis de serem superados, pois passar por situações como essas exigem força, resiliência e determinação para não deixar que o luto perdure para além do necessário.
O luto traz sensação de vazio, um “oco existencial”, gerador de dor e dúvidas. Trabalhar essas inseguranças, como por exemplo em uma “morte anunciada”, evita maiores perdas e adoecimentos por parte de quem “sobrevive a esse terremoto emocional”.
Esconder os sentimentos que foram sendo criados enquanto o marido adoecia e necessitava de cuidados fez com que a Neuropsicóloga Leninha Espírito Santo Wagner desenvolvesse sua própria enfermidade. “A mente tende a realizar realisticamente o que edificamos subjetivamente no inconsciente. Perdi meu marido no dia 19 de dezembro de 2020, depois de seis longos anos de doação total aos cuidados dele. Talvez, secretamente, eu tivesse medo de perder a saúde, e a perdi”, relatou a profissional.
“Enterrei meu marido dia 19 de dezembro de 2020 e dez dias depois recebi o diagnóstico de ‘Adenocarcinoma Tubular’, que é um câncer de intestino bastante agressivo e de difícil remoção cirúrgica. Naquele momento também fui submetida a uma cirurgia de emergência. Passado o primeiro momento, reflito. Sempre acreditei que precisamos identificar nosso maior ‘medo’. Para neutralizá-lo e não realizá-lo. O que me causava medo era perder a saúde e não conseguir cuidar de meu marido que estava acamado. Secretamente e de forma inconsciente realizei meu maior medo. Cabe a mim agora neutralizá-lo com ações positivas”, comentou.
“Neutralizar” o medo faz parte da técnica utilizada por ela para ajudar pacientes que estão na mesma situação a lidarem com as emoções. “O luto, seja de morte concreta ou subjetiva, tem um tempo singular e atravessa as cinco fases: Negação; Raiva; Negociação; Depressão e Aceitação. A perda de algum objeto amado traz, ainda que momentânea, a fragmentação e desestruturação do sujeito. O luto é um processo de reconstrução e reorganização diante de uma perda, desafio psíquico com o qual o sujeito tem de lidar”, salientou.
“Estou ainda elaborando meu luto, e arregimentando forças extras nesse pós operatório, enfrentando o tratamento e buscando novamente por ações e rotina saudáveis para recuperar minha saúde “, destacou ainda Leninha.
Segundo a neuropsicóloga, para esquecer é preciso lembrar. Neste processo, também é importante contar com a ajuda de amigos e familiares. “Tenha alguém para uma boa escuta, para que se possa esvaziar e deixar escorrer essa dor através de palavras ou lágrimas. Até sentir que pode ter novamente espaço nos pulmões para retornar a respirar vida”, orienta. “Os amigos e familiares precisam respeitar o tempo de cada um, sem negativar a expressão legítima de quem fica mais à flor da pele”, finaliza.
Lidar com as contingências da vida exige minimamente coragem e disciplina. “Coragem para enfrentar emoções negativas, entrar em contato com aquilo que lhe causa dor, pois lá você também encontrará a cura. Revendo posições, ações, interpretações. Se quiser resultados diferentes aja de forma diferente. Disciplina para manter no seu cotidiano hábitos mais saudáveis que possam ser sua nova rotina, criando uma forma mais adaptada, mais bem vinda, podendo ser mais bem aceito e feliz, nesse ineditismo da expressão do seu ser. Tudo o que carregamos na psique atravessa o comportamento, tornando o que é latente em manifesto. Na vida tudo é relação, estamos sempre na esfera do olhar do outro. Somos espelho e reflexo todo tempo”.
“Em Psicologia, utilizamos a escuta para criar espaço de singularidades, ouvindo o sujeito para entendê-lo e explicá-lo para ele mesmo. Criando de forma colaborativa diretrizes que o levem a identificar e modificar padrões de repetições, gerando novos paradigmas emocionais e comportamentais”, define Leninha.
É claro que o diagnóstico de câncer ainda é uma notícia que desestabiliza o emocional de qualquer um, ainda mais em meio a elaboração de um luto tão importante quanto o de um parceiro de vida. “Enfrentar medicação pesada, consultas periódicas, exames constantes e invasivos, anemia provocada pelas hemorragias constantes, baixo peso, queda abrupta de cabelo, que mexe demais com a autoimagem e autoestima, não é tarefa fácil. Mas sou prova viva que é possível!”, destaca.
“Quando transmutamos nosso ambiente emocional interno e secreto, quer dizer a emoção negativa em que um momento adverso foi criado, precisa passar por uma ressignificação, somos alquimistas emocionais. Só a partir do confronto com a verdade da “finitude” é que tomamos coincidência que a solução está na transformação desse momento negativo para um mais positivo. Quero viver antes de morrer. Aproveitando os dias de forma produtiva e positiva”, conta Leninha.
Atualmente, Leninha detalha sua rotina: “Já voltei a correr, a malhar, estou fazendo ozonoterapia e eletroterapia capilar para diminuir ou até evitar a queda do cabelo. Sigo a dieta necessária para manter a saúde do corpo, pois o trato intestinal mudou completamente com a retirada de um pedaço importante do intestino. Há dias difíceis, claro. Mas estou muito disposta a enfrentar o luto e o tratamento do câncer com ações positivas”.
Além disso, otimista, ela detalha sua nova vida neste início de 2021: “Voltei a estudar, continuo trabalhando e me cercando da família e dos amigos queridos. Tenho plena consciência que o jogo ainda não acabou, posso ganhar ou perder. Mas pensar positivo ou negativo, traz o mesmo gasto de energia”.
Diante deste desafio, ela completa: “Então opto por pensar e agir positivamente, a favor de mim mesma e valorizando a minha vida. Meu dia de partir chegará, mas não será agora, muito menos sem luta. A morte vai duelar comigo até o derradeiro suspiro”, finaliza Leninha.
Na fase escolar, é comum que algumas crianças e até mesmo jovens apresentem dificuldades para escrever, ler e calcular. Mas, em alguns casos, a situação pode indicar um transtorno específico de aprendizagem, ou seja, quando o cérebro não recebe, processa ou analisa as informações adequadamente. Essas pessoas podem ser chamadas de “preguiçosas” e “desinteressadas”, o que compromete a autoestima desde cedo.
Para Ellen Brandalezi, psicopedagoga da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, os transtornos de aprendizagem comprometem de forma bastante significativa o desempenho acadêmico do aluno. Por isso, ele apresenta resultados muito abaixo do esperado para seu nível intelectual e de escolaridade. “São alterações específicas do neurodesenvolvimento que afetam as habilidades de leitura, escrita e matemática, prejudicando o funcionamento escolar do indivíduo. Isso independe se o ambiente é adequado e favorável para a aprendizagem”.
Vale destacar que os transtornos de aprendizagem não estão associados à deficiência intelectual e diminuição da visão ou audição. Também não ocorrem devido a transtornos mentais, doenças, traumas neurológicos ou problemas sociais.
O cérebro dessas pessoas funciona de uma forma diferente. Para aprendermos, é necessário que ele realize uma série de conexões entre as diversas áreas, que compreende processos como atenção, percepção, memória, simbolização e conceituação. “Para quem tem um transtorno de aprendizagem, há uma ‘falha’ em algum desses processos e a pessoa precisa de ajuda específica para lidar com essa dificuldade”, explica Eliane de Moura, psicóloga, mestre em psicologia da infância e adolescência e professora do curso de psicologia da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).
A seguir, veja os principais transtornos de aprendizagem e seus sintomas.
Dislexia
Ocorre uma dificuldade de leitura e escrita. A pessoa apresenta problemas para reconhecer as palavras, decodificá-las, não consegue soletrar, troca letras por sons ou grafias parecidas e também há dificuldade em ler em voz alta e compreender o que leu. Por isso, é comum que o diagnóstico ocorra no período de alfabetização. Outros sintomas comuns são: atraso na fala, dificuldade para se expressar e vocabulário reduzido.
Estima-se que a dislexia atinja cerca de 17% da população mundial. É uma condição neurobiológica hereditária, ou seja, é comum que a criança ou jovem tenha um familiar disléxico.
Discalculia
Sabe aquela dificuldade com as operações matemáticas e a compreensão dos números? Pode ser discalculia, um transtorno de aprendizagem que afeta a habilidade de a criança ou jovem realizar cálculos matemáticos. Também atrapalha o entendimento de conceitos numéricos e são comuns as dificuldades para identificar os números.
Outros sintomas e sinais frequentes são: dificuldade de raciocinar quando há números e conceitos matemáticos, não entendem o significado dos números, não conseguem fazer contas simples, apresentam dificuldades para lidar com dinheiro e também para calcular o tempo.
Disortografia
É uma dificuldade de aprendizagem que afeta a capacidade da criança ou do jovem soletrar ou escrever corretamente. A pessoa não consegue escrever sem cometer erros ortográficos. Geralmente, omite ou inverte as letras e as sílabas, esquece as pontuações, substitui letras com sons e formas semelhantes. É comum que não consiga escrever um texto bem estruturado.
Disgrafia
Esse transtorno de aprendizagem também causa problemas na hora de escrever e a principal característica é uma caligrafia ilegível. Por isso, fica bastante difícil entender o que a criança escreveu. É comum que o aluno faça muito esforço para escrever, já que apresenta dificuldade com a ortografia, caligrafia e para conseguir se expressar.
Outros sintomas comuns são: misturar letras maiúsculas e minúsculas, escrever com tamanhos e formas irregulares, espaçamento muito grande entre as letras, não conseguir copiar as palavras, dificuldade para segurar o lápis ou caneta e falar muito enquanto escreve.
Como diferenciar uma dificuldade comum de um transtorno de aprendizagem?
É importante que pais e professores estejam atentos à persistência desses sinais e direcionem a criança para uma avaliação multidisciplinar. Somente desta forma os sintomas poderão ser identificados e definidos (ou não) como transtorno de aprendizagem.
Para Telma Pantano, psicopedagoga do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), o ambiente em que a criança estuda também deve ser levado em conta. “Problemas de aprendizagem são diferentes de transtornos de aprendizagem. O primeiro pode estar associado a questões pedagógicas como alguma deficiência no sistema de ensino aplicado nas escolas; já os transtornos ocorrem devido aos processos cerebrais das crianças, o que dificulta a assimilação de informações”, destaca.
O diagnóstico de um transtorno de aprendizagem geralmente só ocorre após a criança ingressar na escola. Para ele, é realizada uma avaliação neuropsicológica, que pode ser feita por uma equipe multidisciplinar (neuropediatras, psiquiatras, fonoaudiólogos, psicólogos, neuropsicólogos e psicopedagogos). São feitas diversas entrevistas com os alunos e os pais, para se observar o comportamento da criança, o histórico familiar e escolar. Não há exames específicos que determinem se a criança tem ou não um transtorno de aprendizagem, por isso a observação do comportamento é um fator determinante para o diagnóstico correto.
Vale destacar que, pelo fato de ser um transtorno (e não uma doença), não há cura, mas há diversas medidas terapêuticas efetivas que são recomendadas de acordo com a condição da criança ou jovem. “O ideal é ter o acompanhamento de um neurologista, psicopedagogo e/ou fonoaudiólogo, além de um psicólogo para trabalhar com as questões emocionais, como lidar com o sentimento de frustração e de incapacidade, por exemplo”, afirma Brandalezi.
Os pais não devem pressionar as crianças para melhorar o desempenho escolar ou diminuir seus esforços e os progressos. Já os professores, que muitas vezes são os primeiros a notar os sintomas, devem comunicar os pais sobre as dificuldades do aluno e orientá-los a procurar ajuda especializada. Durante as aulas, a recomendação é sempre conversar com o aluno de forma individual, para evitar uma exposição desnecessária.
“Forçar ou brigar só vai afetar ainda mais a autoestima da criança. É importante que os pais identifiquem a forma que seu filho aprende melhor e utilizem estratégias lúdicas como jogos e brincadeiras para deixar as atividades mais leves e prazerosas”, diz Moura.