
Durante o programa Domingão com Huck, na TV Globo, neste domingo (2), o apresentador Luciano Huck dedicou parte do encerramento da atração para comentar a megaoperação realizada no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 120 mortes nos complexos do Alemão e da Penha. Em um discurso de cerca de três minutos e meio, Huck criticou o modelo de segurança pública adotado no estado.
– E é uma tristeza ver o mesmo modelo de segurança pública se repetindo há décadas sem nenhum resultado. Quantas vezes eu já não parei um programa de televisão aqui na TV Globo para falar desse assunto? 120 mortos numa operação policial nos complexos do Alemão e da Penha. Por trás desse número tem 120 mães que enterraram seus filhos – declarou.
Huck afirmou que o combate ao narcotráfico deve ocorrer “com força total”, mas ressaltou que é necessário mais do que ações policiais.
– É preciso gerar oportunidade. Dar perspectiva para quem nasce nesses recortes da cidade do Rio de Janeiro. Oferecer boas referências, abrir caminhos, mostrar que existem outros futuros possíveis. Porque, quando o Estado se ausenta, outro poder ocupa esse lugar. E é justamente isso que precisa mudar – disse.
O apresentador também disse que a maior parte dos moradores das comunidades é refém da violência, e não cúmplice dela.
– Quem lucra de verdade com a criminalidade não está no Complexo do Alemão e nem na Penha. Aqueles fuzis, aqueles drones, aquelas armas de guerra não foram fabricados ali e não chegaram ali sozinhos – apontou.
Huck relatou ainda ter conversado com os filhos sobre o tema durante a semana e defendeu que a mudança é possível, citando exemplos internacionais.
– Em muitos lugares do mundo, com realidades muito parecidas, isto já aconteceu. Colômbia, aqui do lado. Medellín deixou de ser, de ter o título da cidade mais violenta do mundo nos anos 90. Década de 80, Nova Iorque tinha esse mesmo título. Hoje é uma das cidades mais seguras do mundo e mais visitadas do planeta – afirmou.
Ao final, o apresentador se dirigiu às famílias dos policiais mortos durante a operação e reafirmou seu apoio à “boa polícia”.
– Eu acredito na polícia pelos seus melhores exemplos e não pelas suas exceções. Os quatro policiais mortos em combate saíram de casa pra trabalhar e não voltaram. Essa também é uma parte devastadora dessa história. Eu espero que no futuro a gente não precise mais falar sobre isso desta forma. Nós, brasileiros, queremos paz e segurança – completou.
*Pleno.News
Foto: Reprodução/TV Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre Moraes determinou neste domingo (2) a “preservação e documentação rigorosa e integral” de todos os elementos materiais relacionados à execução da megaoperação policial da semana passada, no Rio de Janeiro, contra a facção criminosa Comando Vermelho.
Segundo Moraes, o Ministério Público ficará a cargo do controle e da averiguação das provas. O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), deverá ser intimado para garantir o respeito à decisão.
Moraes é o relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas. A decisão deste domingo (2) atende a pedido da Defensoria Pública da União. A operação resultou em pelo menos 120 pessoas mortas.
AUDIÊNCIAS
Moraes estará no Rio amanhã, em uma série de audiências com autoridades do estado para colher informações sobre a operação. Entre elas, estão reuniões com o governador Cláudio Castro, às 11h, e com o prefeito da cidade, Eduardo Paes (PSD), às 18h.
As reuniões foram agendadas no âmbito da determinação de Moraes, da última quarta-feira (29), para que Cláudio Castro preste informações sobre o cumprimento das diretrizes adotadas pela Corte na operação policial.
Além disso, hoje, Moraes designou audiência conjunta, na próxima quarta (5), às 10h, na Sala da Primeira Turma do STF, com diversos órgãos e entidades, incluindo o Conselho Nacional de Direitos Humanos; a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro; o Instituto Anjos da Liberdade; e a Associação Direitos Humanos em Rede – Conectas.
Os órgãos e entidades listados na decisão deverão indicar seus representantes à chefia de Gabinete até as 15h de terça-feira (4).
Na chamada ADPF das Favelas, o Supremo determinou, em abril deste ano, uma série de regras para reduzir a letalidade policial no Rio de Janeiro. A corte determinou a necessidade imperiosa de preservação de quaisquer vestígios relacionados à materialidade de operações policiais com vítimas fatais, bem como de execução de perícia efetiva e independente.
Na ocasião, as medidas foram classificadas como “malditas” por Castro e, segundo o governador, são responsáveis pelo avanço do crime organizado.
*AE
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Encarregado da relatoria da ADPF das Favelas, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes viaja ao Rio de Janeiro nesta segunda-feira (3) para uma audiência com o governador do estado, Cláudio Castro (PL). O objetivo é apurar se houve irregularidades na megaoperação policial que deixou 121 mortos nos Complexos da Penha e Alemão na última terça (28).
O encontro será realizado no Centro Integrado de Comando e Controle da Polícia Militar, no RJ, a partir das 11h. Além de Castro, também serão ouvidos o secretário de Segurança Pública do Estado, Victor Cesar Carvalho dos Santos; o comandante da Polícia Militar do Rio, Marcelo Nogueira; o delegado-geral da Polícia Civil, Felipe Curi; e o diretor da Superintendência-Geral de Polícia Técnico-Científica, Wladimir Reale.
Moraes requer que eles prestem esclarecimentos sobre como foi definida o grau de força considerada adequada, o uso de câmeras corporais nos agentes e em viaturas policiais, a confirmação sobre o número oficial de mortos, feridos, detidos, a quantidade de agentes envolvidos e a assistência dada às vítimas e famílias.
Também determinou a entrega de um relatório com detalhes sobre a operação e que o governo estadual comprove que obedeceu os termos da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), que estabeleceu regras para diminuir a letalidade policial no Rio.
Na parte da tarde, Moraes ouvirá ainda o presidente do TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), Ricardo Couto; o chefe do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), Antonio Moreira; e o defensor Público Geral do Estado do Rio de Janeiro, Paulo Vinícius Abrahão.
Moraes assumiu temporariamente a relatoria da ADPF após a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. A ação será entregue ao magistrado que substituir Barroso.
Informações Pleno News

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo (2) que duvida da possibilidade de seu país entrar em guerra com a Venezuela, mas reforçou que o regime de Nicolás Maduro no controle da nação sul-americana “tem os dias contados”. As falas ocorreram durante uma entrevista ao programa 60 Minutes, da rede americana CBS.
“Eu duvido. Eu não acho”, respondeu Trump, ao ser questionado sobre a possibilidade de guerra. “Mas eles têm nos tratado muito mal”, ponderou.
Trump voltou a confirmar que autorizou a Agência Central de Inteligência (CIA) americana a realizar ações secretas na Venezuela, o que reforça a leitura de que Washington mantém pressão híbrida sobre o governo Maduro, combinando operações militares, sanções econômicas e medidas de inteligência.
“Eu diria que sim. Acho que os dias dele estão contados”, respondeu Trump, quando questionado se Maduro ainda permaneceria no poder.
Ao ser indagado sobre a possibilidade de ataques em terra, o presidente evitou confirmar ou negar: “Eu não falo com repórteres sobre se vou atacar ou não a Venezuela.”
Apesar disso, ele acrescentou que o envio do porta-aviões USS Gerald Ford para Mar do Caribe, nas proximidades da Venezuela, não é necessariamente um prelúdio de intervenção, mas um movimento estratégico: “O porta-aviões tem que estar em algum lugar. É grande.”
“A Venezuela, em particular, tem sido ruim. Eles têm gangues, o Tren de Aragua — o mais violento do mundo.”
As declarações surgem em meio à escalada nas tensões entre os dois países, com os EUA tendo realizado 15 ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas nas últimas semanas no Mar do Caribe, como parte de uma ofensiva naval de Washington contra o narcotráfico.
O governo americano acusa Maduro de liderar o Cartel de los Soles, recentemente classificado por Trump como uma organização terrorista internacional. O presidente venezuelano, por sua vez, nega qualquer ligação com o tráfico de drogas e classifica os ataques americanos como uma violação da soberania da Venezuela.
Informações Bahia.ba

O acordo entre a Farmanguinhos, unidade da Fiocruz, e a farmacêutica EMS garantiu ao governo federal uma parceria para fabricar um novo tipo de caneta emagrecedora. Contudo, segundo o portal Metrópoles, o contrato de cinco anos favoreceu o laboratório que apresentou o maior preço entre as opções avaliadas.
A EMS superou a Biomm, sua única concorrente, mesmo tendo recebido nota inferior no quesito custo. A vantagem veio do fato de já ter solicitado o registro do medicamento à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, embora o processo ainda não estivesse concluído. O contrato prevê que o prazo de vigência comece com o fornecimento do primeiro lote ao Ministério da Saúde, criando um vínculo direto com a pasta, sem licitação formalizada.
Ao Metrópoles, o Ministério da Saúde afirmou que não participou da negociação e negou compromisso de compra do novo tipo de caneta emagrecedora, apesar de a previsão constar no Diário Oficial da União. Em agosto, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde rejeitou incluir o medicamento na rede pública.
Meses antes da escolha da EMS, o Ministério da Saúde havia descartado propostas de laboratórios ligados aos governos de São Paulo e de Goiás. As ofertas, apresentadas por meio das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), foram feitas pela Fundação para o Remédio Popular e pela Indústria Química do Estado de Goiás.
O Ministério da Saúde rejeitou ambos os projetos, alegando que eles não cumpriam exigências técnicas. A pasta cita a falta de transferência de tecnologia e a inclusão irregular de empresas terceiras.
O edital publicado pela Farmanguinhos em novembro de 2024 previa a celebração de uma PDP ou de um Programa de Desenvolvimento e Inovação Local, modalidades que passam por maior controle do Tribunal de Contas da União. No entanto, o contrato com a EMS foi formalizado como “parceria para pesquisa, desenvolvimento e inovação”, um formato mais flexível e menos rigoroso.
A Fiocruz informou que pretende submeter o acordo à avaliação do Ministério da Saúde na próxima chamada pública de PDPs. Ainda assim, defendeu a ideia de que a proposta da EMS, embora mais cara, seria mais vantajosa para a administração pública.
Informações Revista Oeste

O governo Lula tem ampliado o uso de influenciadores digitais para divulgar suas ações e fortalecer sua imagem, com o objetivo de alcançar diferentes segmentos da população. Essa prática, semelhante à adotada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Partido dos Trabalhadores (PT), intensificou-se no segundo semestre, quando produtores de conteúdo de estilos variados foram contratados para disseminar informações sobre políticas públicas e, em muitos casos, adotar posturas favoráveis à esquerda e críticas à direita.
O investimento em publicidade nas redes sociais cresce de forma expressiva, tornando o Governo Federal o principal financiador de conteúdo impulsionado sobre política na plataforma Meta, responsável pelo Facebook e Instagram. Em setembro, os gastos chegaram a R$ 8,4 milhões em anúncios, volume 360% maior que os R$ 4,7 milhões registrados nos dois meses anteriores.
Esse aumento nas despesas gerou questionamentos da oposição, que cobrou da Secretaria de Comunicação explicações sobre o real propósito dos contratos, principalmente em meio à análise do projeto que propõe isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil. Até o momento, a Secom não respondeu aos pedidos de esclarecimento sobre critérios, valores ou períodos dos acordos com influenciadores.
Entre os nomes escolhidos, há perfis que tratam de temas cotidianos, cultura regional e humor, sem menções explícitas à política, como o publicitário Paulo Victor “PV” Freitas e a atriz Isis Vieira, conhecidos por conteúdos sobre o Nordeste e o Norte, conforme noticiou o jornal Gazeta do Povo. Outros influenciadores preferem comentar questões políticas e econômicas do momento, adotando tom analítico, mas deixando suas posições ideológicas menos evidentes. Uma parcela significativa já apoiava o governo antes das parcerias ou mantinha postura crítica em relação à direita.
Os laços entre governo e influenciadores não se restringem às postagens patrocinadas. Alguns deles também colaboram com o Instituto Conhecimento Liberta (ICL Notícias), site de viés progressista. Em setembro, participaram do evento “Desperta 2025 – A Revolução Necessária”. Na semana passada, parte desse grupo esteve em um encontro promovido na Usina Binacional de Itaipu, ação organizada pelo governo federal.
A aproximação com influenciadores segue tendência dos últimos meses, como observado no convite do STF, que em agosto reuniu 26 criadores de conteúdo em Brasília, e no seminário PTech, realizado em outubro pelo PT, com o objetivo de aprimorar a atuação do partido nas redes sociais.
Lauany Schultz, especialista em Direito do Estado, possui 170 mil seguidores no Instagram. Inicialmente, publicava conteúdos sobre leitura, feminismo e comportamento, com críticas ao governo anterior. Atualmente, é parceira do ICL e divulga programas como Luz para Todos e o PL 1087/2025, que trata da isenção do IR. Suas críticas recentes a líderes religiosos e influenciadores cristãos a tornaram mais conhecida. Em relação a Lula, depois de um comentário polêmico, afirmou: “um senhor de 80 anos que às vezes acaba extrapolando, mas precisa se atualizar”, completando que mantém respeito às mulheres.
Carolline Sardá, publicitária catarinense de 28 anos, destaca-se por abordar temas feministas e direitos das mulheres, além de pautas progressistas como a defesa do aborto e críticas à direita. Desde março, passou a comentar polêmicas do momento em vídeos e, em seguida, foi contratada para divulgar o Luz para Todos.
Laura Sabino, criadora de conteúdo e autodeclarada marxista, soma 618 mil seguidores e utiliza suas redes para defender ideias progressistas, indicar livros e abordar temas políticos, sempre com crítica à direita. Ela já colaborou com o MST de Minas Gerais e o Sindipetro do Espírito Santo e participou de eventos como o Cria G20 e o G20 Social, além de apoiar propostas como mudanças no Imposto de Renda.
Thiago Foltran mantém um canal dedicado a políticas públicas de esquerda, com vídeos em defesa do governo e críticas à direita, especialmente a Nikolas Ferreira (PL-MG). Ele já manifestava apoio ao governo antes de ser contratado para promover o Luz para Todos e a isenção do IR. Em uma publicação, criticou um caso de nepotismo que envolvia o repasse de R$ 400 mil do PT ao filho do presidente do partido.
Beatris Brantes, atriz que ganhou notoriedade com vídeos de humor, já realizou publicidades para marcas como iFood, Bis e Itaú, além de ter participado de campanhas com o STF e, posteriormente, com o governo federal. Em uma interação, respondeu sobre o ministro Alexandre de Moraes: “É sim, e digo mais. A careca dele é tão hidratada e aparentemente macia que o brilho que reluz dela não é de oleosidade, é de hidratação”,. Ao ser questionada sobre Michelle Bolsonaro, afirmou: “Eu prefiro nadar no Tietê de boca aberta”, disse Beatris Brantes.
Martina Giovanetti, estudante de Relações Internacionais da Unifesp e natural de Belo Horizonte, produz conteúdos sobre geopolítica, economia e educação. Ela utiliza linguagem acessível para tratar de temas como o sistema eleitoral dos EUA e crises internacionais e já publicou um e-book sobre o Brics e lançou um podcast. Desde 2023, seus vídeos destacam acontecimentos internacionais sob perspectiva favorável ao governo Lula (PT-RS), mantendo posicionamento crítico à gestão anterior.
Informações Revista Oeste

Cientistas alemães identificaram um novo anticorpo capaz de neutralizar o HIV, vírus que já matou mais de 44 milhões de pessoas desde 1981, quando foi detectado pela primeira vez.
A equipe analisou amostras de sangue de 32 pessoas com HIV que desenvolveram, por conta própria e sem intervenção médica, uma resposta de anticorpos ampla e eficaz contra o vírus.
Entre mais de 800 anticorpos testados, um se destacou: o 04_A06. Ele bloqueia a área em que o HIV se liga às células, impedindo sua reprodução e evitando que o vírus enfraqueça o sistema imunológico.
Os pesquisadores afirmam que a descoberta pode ajudar pessoas já infectadas, uma vez que o anticorpo bloqueia o acesso do vírus às células. Eles também acreditam que ele possa prevenir novas infecções, funcionando como uma imunização passiva, quando os anticorpos são inseridos no corpo, e não produzidos por ele, como nas vacinas.
Em testes com camundongos, o 04_A06 neutralizou 98% das quase 340 variantes do HIV analisadas. A próxima etapa é avaliar o desempenho do anticorpo em testes com humanos.
Se os resultados forem positivos, os cientistas acreditam que o 04_A06 poderá marcar um novo capítulo na luta contra o HIV.
Informações Metro1

Foto: Divulgação/Policia Civil
Um homem de 49 anos, identificado como Valdomiro Conceição Silva, morreu no sábado (1º) após ingerir uma bebida alcoólica que havia sido separada para descarte no local onde trabalhava, no bairro Mangabeira, em Feira de Santana.
De acordo com informações da Polícia Civil, Valdomiro passou mal logo após consumir o líquido. Ele chegou a ser socorrido e levado para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não resistiu. O médico responsável pelo atendimento descartou, inicialmente, intoxicação por metanol.
A 1ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Feira de Santana) instaurou investigação para apurar as circunstâncias da morte. Guias para perícia e remoção do corpo foram emitidas, e os laudos do Departamento de Polícia Técnica (DPT) devem indicar a causa do óbito.
Informações Metro1

A Venezuela completou, neste sábado (1º), um ano sem números oficiais e atualizados sobre a inflação – que foi de 4% em outubro de 2024 -, o que faz com que “todos ajam às cegas” em relação ao seu planejamento financeiro e deixa os venezuelanos “desorientados” sobre o rumo da economia, disse à Agência EFE o professor universitário Jesús Palacios.
Sem números recentes sobre a inflação divulgados pelo Banco Central da Venezuela (BCV), é “difícil negociar aumentos salariais”, alertou Palacios. Portanto, as empresas não têm referências para planejar toda a sua estratégia financeira.
Na Venezuela, o salário mínimo e as pensões são de 130 bolívares, a moeda nacional, cerca de 0,60 dólares por mês, de acordo com a taxa de câmbio mais recente do BCV. Os funcionários públicos recebem bônus do governo de até 160 dólares, mas isso não afeta seus benefícios trabalhistas, por isso vários sindicatos reivindicam um salário digno.
INFLAÇÃO EM DÓLARES
Durante a hiperinflação de 2017 e 2021, a Venezuela adotou de fato o uso do dólar, e essa moeda se tornou a principal referência para a fixação de preços em todo o país. Outras moedas também são utilizadas — como o euro e, em menor escala, o peso colombiano — contra a inflação e a desconfiança no bolívar.
No entanto, os preços em dólares aumentam na Venezuela e as pessoas se referem a esse fato como “inflação em dólares”. Sobre isso, Palacios, que é economista de profissão, comentou que “os preços em dólares têm aumentado em comparação com anos anteriores” e isso “tem sido um fenômeno desde 2018, que foi muito acentuado até 2023, principalmente”.
Durante esses anos, “houve aumentos que levaram os preços a multiplicarem-se por cinco ou seis vezes o seu valor (em dólares) no final de 2018”, acrescentou o economista.
– Estamos falando de uma inflação em dólares acima de 20% nos últimos doze meses – precisou Palacios com base em estimativas independentes.
AJUSTE EXCESSIVO
Palacios explicou que os baixos salários, a “inflação em dólares” e a ausência de números inflacionários geram uma “falta de clareza e coordenação entre os agentes econômicos (indivíduos, famílias, empresas, etc.)”.
Ele acrescentou ainda que a soma das variáveis mencionadas favorece uma “perda de poder de compra dos consumidores”, bem como uma “redução das margens [de lucro] nos negócios ou uma queda nas vendas por ajustes excessivos” dos preços.
– Para as empresas, os comércios, para o produtor, é muito complexo calcular preços sem estimativas de inflação, assim como negociar com fornecedores. Isso tira uma medida de referência – destacou o professor.
O BCV não publica números sobre a inflação desde novembro de 2024, quando divulgou os dados referentes a outubro. Isso coincidiu com o aumento da diferença cambial entre o preço do dólar fixado pelo órgão emissor e o do mercado paralelo – muito acima do oficial -, uma situação que, segundo economistas, permanece até hoje devido à escassa disponibilidade de moeda estrangeira na Venezuela.
Enquanto isso, o governo garantiu em julho deste ano que a Venezuela está há mais de 17 trimestres consecutivos em crescimento econômico, embora não tenha divulgado números sobre a inflação.
*EFE

Moradores do Rio de Janeiro manifestaram apoio majoritário à megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, segundo pesquisa Genial/Quaest feita nos dias 30 e 31 de outubro. O levantamento aponta que 64% dos entrevistados aprovaram a ação, que resultou em 121 mortos, sendo quatro policiais, e mobilizou centenas de agentes das polícias Civil e Militar.
O estudo mostrou ainda que 98% das pessoas ouvidas estavam informadas sobre a operação, considerada a mais letal da história fluminense. Foram entrevistadas 1,5 mil pessoas, com 16 anos ou mais, em diferentes regiões do Estado. A pesquisa tem margem de erro de 3 pontos e nível de confiança de 95%.
Entre os entrevistados, 27% desaprovaram a ação policial, enquanto 6% não se posicionaram nem a favor nem contra, e 3% não souberam opinar. O levantamento também apontou que 73% defendem que operações semelhantes ocorram em outras comunidades do Estado, apoio que sobe para 85% entre homens e fica em 62% entre mulheres.
O índice de aprovação à operação foi maior entre os homens, com 79% declarando apoio, e 17% de desaprovação. Entre as mulheres, o apoio chegou a 51%, enquanto 36% desaprovaram. A pesquisa revelou ainda que a faixa etária de 31 a 50 anos foi a que mais aprovou a operação, com 68% de apoio.
Jovens entre 16 e 30 anos registraram 65% de aprovação à ação, enquanto 58% dos entrevistados com mais de 51 anos também apoiaram. A maior desaprovação foi observada no grupo acima de 51 anos, com 29% de insatisfeitos.
Em relação à renda, a aprovação chegou a 69% entre quem recebe entre 2 e 5 salários mínimos. Para os que ganham até 2 salários mínimos, 58% apoiaram a operação, enquanto 63% dos que recebem mais de 5 salários mínimos também aprovaram. A desaprovação alcançou 36% entre os que têm renda superior a 5 salários mínimos.
Aprovação foi mais expressiva entre pessoas com até o ensino fundamental, com 67%. Para quem tem ensino médio completo ou incompleto, o apoio foi de 66% e a desaprovação de 23%. Já entre os que possuem ensino superior incompleto ou mais, a aprovação caiu para 59%, com 39% de rejeição à megaoperação.
Na análise por região, a Baixada Fluminense liderou o apoio com 73%. Na capital, 68% aprovaram a ação. Em Niterói, São Gonçalo e Maricá, o índice ficou em 56%. No Sul Fluminense, na região Serrana, no Norte, Noroeste e Região dos Lagos, a aprovação foi de 57%.
O apoio à operação variou conforme a posição política dos entrevistados. Entre os apoiadores de Bolsonaro, 93% declararam aprovação, enquanto 92% da direita que não são aliados do ex-presidente também apoiaram. Entre lulistas, 35% aprovaram e 59% reprovaram. Na esquerda não lulista, a aprovação foi de 27% e a desaprovação de 70%. Entre independentes, 61% apoiaram e 24% desaprovaram.
Sobre os resultados da operação, 58% dos entrevistados consideraram a ação bem-sucedida, 32% disseram que foi um fracasso, 6% afirmaram que depende do ponto de vista e 4% não souberam responder. Entre homens, 73% avaliaram a operação como bem-sucedida, enquanto entre mulheres esse índice foi de 43% e 44% consideraram o resultado negativo.
Moradores entre 31 e 50 anos foram novamente os mais otimistas, com 61% avaliando a operação como um sucesso. Na faixa de 16 a 30 anos, 54% consideraram positiva, enquanto entre os acima de 51 anos o índice foi de 55%.
Informações Revista Oeste