
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou as redes sociais, nesta segunda-feira (31), para agradecer aos eleitores que votaram no atual presidente da República, Jair Bolsonaro (PL). O filho 01 do chefe do Executivo federal está no Palácio do Planalto desde a manhã e deve acompanhar o primeiro pronunciamento do pai após perder a reeleição para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio falou em resgate do patriotismo e disse que o país está dando certo. “Vamos erguer a cabeça e não vamos desistir do nosso Brasil! Deus no comando”, escreveu.
Obrigado a cada um que nos ajudou a resgatar o patriotismo, que orou, rezou, foi para as ruas, deu seu suor pelo país que está dando certo e deu a Bolsonaro a maior votação de sua vida! Vamos erguer a cabeça e não vamos desistir do nosso Brasil! Deus no comando!
Essa foi a primeira mensagem de agradecimento aos eleitores de Bolsonaro por parte da família. O presidente da República ainda não se pronunciou, mas deve quebrar o silêncio ainda hoje, em uma mensagem direcionada aos apoiadores.
*R7

A Prefeitura de Feira de Santana está lançando, na internet, o portal Conheça Feira, um guia digital com uma série de informações sobre a cidade, desde a história de suas origens até os diversos serviços oferecidos nas áreas de Comércio, Cultura, Saúde e Educação. O portal pode ser acessado pelo conhecafeira.com.br.
Produzido pela Secretaria Municipal de Comunicação Social, o portal traz mais de 80 textos sobre Feira de Santana, distribuídos pelas seguintes seções: História; Comércio, Indústria e Turismo; Esporte e Lazer; Patrimônio Arquitetônico; Patrimônio Artístico; Museus, Teatros e Bibliotecas; Eventos Populares e Culturais.
De navegação fácil e didática, com textos curtos e ilustrados por fotografias, o portal tem como objetivo fazer com que o feirense conheça mais a sua cidade, e também apresentá-la para moradores de outras terras que queiram vir a Feira de Santana para morar, fazer turismo ou realizar negócios.
Os textos são de autoria do jornalista Marcondes Araújo e a direção de fotografia é do fotojornalista ACM. O acervo do site é composto por imagens extraídas dos arquivos da Secretaria Municipal de Comunicação Social.
Rui Barbosa e o Beco é Nosso
Entre as diversas informações sobre a cidade, o Conheça Feira apresenta os hospitais públicos; as universidades; os museus; as bibliotecas; os teatros; as áreas e equipamentos de lazer e práticas esportivas; os monumentos artísticos e arquitetônicos; as festas populares, como a Micareta e o São João; os eventos culturais, como O Beco é Nosso e o Bando Anunciador; as tradições do nosso povo, como a Festa do Vaqueiro, o Reisado de Tiquaruçu e a Bata do Feijão. E, para quem gosta de História, tem a primeira foto tirada em Feira de Santana, pertencente à Coleção da Imperatriz Thereza Cristina Maria, e as fotos das visitas de Getúlio Vargas e Rui Barbosa à Princesa do Sertão.
Segundo a secretária interina de Comunicação, Renata Maia, o portal Conheça Feira é um instrumento de divulgação de Feira de Santana que estará sempre sendo atualizado, acrescentando novas informações, conforme a própria dinâmica de desenvolvimento da cidade.
“O site é de fácil navegação, que se ajusta automaticamente para computador e celular. A ideia é mostrar a história da cidade, apresentar aos internautas os atrativos de Feira de Santana, o potencial turístico do município, e os principais eventos”.
Para o prefeito Colbert Martins Filho, o portal é mais uma contribuição do governo à cultura e ao turismo de Feira de Santana.
“Precisamos divulgar cada vez mais nossa cidade, para mostrar a todos, feirenses ou não, o que Feira de Santana tem para oferecer a seus filhos e a todos que desejam ou precisam conhecê-la. E a internet é o grande canal para isso. Quem estiver no sul ou no norte do país, ou em qualquer lugar do mundo, basta acessar esse portal, para saber o que pode encontrar em nossa cidade, caso queira nos visitar”.
*Secom

Com César Oliveira
Avaliação do 2º turno das eleições

A vacinação contra a meningite segue disponível em todas as unidades de saúde para pessoas entre 1 e 19 anos de idade, além de trabalhadores da saúde com até 55 anos em Feira de Santana. Este ano, entre janeiro e outubro, 31.422 pessoas foram vacinadas contra a doença. Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde.
Para receber o imunizante, é necessário apresentar os documentos de identidade, cartão SUS e a caderneta de vacinação. No município são 104 salas de vacina, localizadas na zona urbana e rural.
É importante destacar que as unidades vinculadas ao programa Saúde na Hora, têm funcionamento ampliado das 8h às 21h. São elas: Campo Limpo I, V e VI; Liberdade I, II e III; Queimadinha I, II e III; Parque Ipê I, II e III; Videiras I, II e III; Rua Nova II, III e Barroquinha.
Sobre a doença
A meningite geralmente é causada por uma infecção viral das membranas que envolvem o cérebro, mas a doença também pode ter origem bacteriana ou fúngica. Dentre os sintomas mais comuns, estão dor de cabeça e febre. É uma doença grave e contagiosa, capaz de provocar sequelas e até mesmo a morte.
*Secom

Neste domingo (30), 28 pessoas foram conduzidas acusadas de cometerem crimes eleitorais em todo o estado da Bahia, na maioria dos casos pela prática de boca de urna. 23 ocorrências do tipo foram registradas nas cidades de Ibirataia, Jitaúna, Jequié, Salvador, Monte Santo, Rio Real e Inhambupe.
Em Jequié, um homem foi detido após ser flagrado fazendo o registro do voto na cabine com o celular. Também há duas conduções por agressão física, em Salvador, além de uma lesão corporal. As ocorrências foram monitoradas pelo Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), instalado no Centro de Operações e Inteligência, no CAB.
*Metro1

A vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comandar novamente o Brasil a partir de janeiro repercutiu entre aliados e adversários do petista, especialmente o ex-juiz federal e agora senador eleito Sergio Moro (União Brasil), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (PL).
Adversário de Lula, o ex-ministro da Justiça Sergio Moro afirmou que “o resultado de uma eleição não pode superar o dever de responsabilidade que temos com o Brasil”. Ele reforçou que estará “sempre do lado do que é certo” e garantiu que terá um papel de oposição no Congresso.
O governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que subiu ao palanque de Bolsonaro no segundo turno, desejou sucesso a Lula e afirmou que continuará “cobrando que Minas seja prioridade”. “Estarei aberto ao diálogo para que o Brasil possa crescer com trabalho, honestidade e respeito”, declarou.
O deputado federal eleito e ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro Ricardo Salles foi outro que lamentou o resultado das urnas. “O resultado da eleição mais polarizada da história do Brasil traz muitas reflexões e a necessidade de buscar caminhos de pacificação de um País literalmente dividido ao meio”, disse.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que declarou voto em Lula no segundo turno do pleito, comemorou o resultado das urnas. “Venceu a Democracia, venceu o Brasil”, escreveu ele.
Outra a comemorar a vitória do ex-presidente foi a senadora Simone Tebet (MDB-MS), terceira colocada do pleito no primeiro turno, com quase 5 milhões de votos. Ela enalteceu a vitória da democracia e do povo brasileiro. “A hora é de comemorar porque amanhã vai ser outro dia”, destacou.
O ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (PSDB-RJ) também comemorou a vitória de Lula, assim como a saída do ministro da Economia, Paulo Guedes, do governo. “O Nordeste garantiu nossa democracia”, afirmou, em referência à expressiva votação de Lula na região.
*R7

Em Feira de Santana, 13,64% dos eleitores não compareceram às urnas para votar no domingo passado (30). Lula e ACM Neto foram os mais votados em Feira.
Lula (PT) foi o candidato mais votado para a Presidência da República em Feira de Santana. Ele recebeu 221.406 votos, o equivalente a 64,03% do total do município. Jair Bolsonaro (PL) foi a escolha de 35,97% dos eleitores e recebeu 124.354 votos.
O presidente eleito Lula teve mais número de votos que no primeiro turno em Feira, quando recebeu 211.813 (61,70%). Bolsonaro também recebeu mais votos que no primeiro turno, em que registrou 107.271 votos, o equivalente a 31,25%. Ao todo, 5,89% dos eleitores do município votaram branco ou nulo para presidente.
GOVERNADOR
Para governador da Bahia, ACM Neto (UNIÃO) recebeu mais votos em Feira de Santana (BA). Foram 204.662 votos (58,95% do total). O governador eleito, Jerônimo (PT), teve a preferência de 41,05% dos eleitores feirenses e registrou 142.490 votos. Os votos brancos e nulos para governador em Feira de Santana somaram 5,4% do total. Ao todo, 13,64% dos eleitores aptos a votar no município não compareceram às urnas.
Informações O Protagonista

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu muitas melhorias na economia, mas deve enfrentar um cenário adverso, dizem especialistas ouvidos pelo UOL. As perspectivas para o próximo ano apontam para inflação global em alta e pouco espaço no Orçamento para o Poder Executivo investir em políticas públicas que estimulem a criação de empregos e o aumento da renda das famílias, afirmam.
Durante a campanha, Lula se comprometeu a manter o valor de R$ 600 do Auxílio Brasil e a promover outras ações de transferência de renda que foram reduzidas ao longo da gestão de Jair Bolsonaro (PL). Também falou em retomar a política de valorização do salário mínimo. O problema, dizem os economistas, é o quanto essas promessas vão custar e os desafios que vão gerar em termos orçamentários.
Segundo Maílson da Nóbrega, economista e ministro da Fazenda durante o governo de José Sarney (1985-1990), não há espaço no Orçamento, e insistir nos compromissos pode agravar o “já delicado” quadro fiscal do Brasil.
Marcelo Paixão, professor associado de Desigualdades Sociais e Raciais e Afroempreendedorismo da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, diz que o Brasil não vai ficar de fora do impacto da inflação internacional, com efeitos da guerra na Ucrânia e dos preços globais de combustíveis.
Renan Pieri, professor de economia da FGV-SP (Fundação Getúlio Vargas), destaca que o programa de governo de Lula, assim como o de Bolsonaro, não detalhava seus planos econômicos “para a gente diferenciar os impactos da eleição de cada um”.
Veja a seguir uma análise dos principais pontos da economia para o próximo ano:
Pobreza: Os economistas ouvidos pelo UOLafirmam que o combate à pobreza, que aumentou na pandemia, será prioridade do governo Lula. Grande parte do investimento deve ser feito em programas de transferência de renda, como o Auxílio Brasil, que vai voltar a se chamar Bolsa Família.
O desafio, diz Pieri, é “criar políticas públicas para além de transferência de renda, especialmente aquelas com foco em educação, para que as pessoas saiam da armadilha da pobreza estrutural, que passa pelas gerações e limita o potencial de ganho econômico das famílias”.
Auxílios: Ao longo da campanha, Lula prometeu manter o Auxílio Brasil em R$ 600 e pagar mais R$ 150 por criança de até seis anos. A proposta é redesenhar o programa, que voltaria a se chamar Bolsa Família.
Para especialistas, Lula deve manter a rede de cobertura, sem mexer tanto no número de beneficiários, mas sim em quem está sendo beneficiado. O valor mais alto, porém, é um “desafio orçamentário”, segundo Paixão.
Inflação: Para os economistas, pode haver uma aceleração na alta dos preços no início do novo governo. Essa inflação seria puxada pelo fim do teto do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) que incide sobre combustíveis e energia, medida adotada em junho e válida até dezembro, para conter a escalada dos preços.
Paixão afirma que uma mudança na política de preços da Petrobras, hoje atrelada ao mercado internacional, “pode fazer os combustíveis ficarem mais baratos no curto prazo e, por consequência, reduzir a inflação”.
Petrobras: A expectativa é de que a política de preços da Petrobras seja “abrasileirada” — isto é, deixe de ser atrelada às variações do petróleo no mercado internacional e à cotação do dólar.
Mas os especialistas dizem que a mudança pode resultar em queda no lucro e, consequentemente, uma distribuição menor de dividendos para os acionistas, o que impactaria nas ações da Petrobras na Bolsa.
“Acho que é uma maluquice”, diz Maílson da Nóbrega.
Lula também é contra a privatização da empresa e, por isso, deve fazer uma revisão no plano de venda das refinarias e subsidiárias. A medida foi apontada em seu programa de governo.
Privatizações: Além de ser contra a privatização da Petrobras, Lula prometeu reverter a venda da Eletrobras. A reestatização é possível, mas é uma operação delicada que pode afetar o mercado, como disseram especialistas ouvidos pelo UOL em junho.
Ainda assim, Lula deve ter um olhar favorável às concessões, afirma Paixão: “É um modelo que tem a participação do setor privado por um tempo e ajuda a manter a taxa de investimentos mais alta”.
Combustíveis: Com o fim do teto do ICMS em dezembro, o preço dos combustíveis —já defasado— pode voltar a subir no início do governo Lula. Os economistas dizem que não há espaço no Orçamento para manter o imposto em patamar mais baixo. Além disso, é provável que a medida não tenha o mesmo apoio do Congresso, já que os estados dependem muito da receita que arrecadam com o ICMS.
Mudar a política de preços da Petrobras pode fazer o preço dos combustíveis cair no curto prazo, mas pode gerar “problemas de caixa” no médio e no longo prazo, diz Pieri, da FGV.
Salário mínimo: A promessa é de que o salário mínimo volte a ter aumento real, isto é, acima da inflação. O senador eleito Wellington Dias, um dos coordenadores da campanha de Lula, disse que a nova regra de correção deve considerar o crescimento médio do PIB (Produto Interno Bruto) dos cinco anos anteriores, podendo chegar a 2% em 2023.
Os analistas dizem que não está claro de onde sairá o dinheiro para bancar esse aumento, exceto pelo fim da regra do teto de gastos.
Aposentadorias: Lula prometeu recriar o Ministério da Previdência e reajustar o salário mínimo acima da inflação, o que impacta diretamente nas aposentadorias e pensões. Assim, os economistas dizem que o tema depende da política definida para a nova regra fiscal e para o salário mínimo, que afeta os valores e pressiona o Orçamento.
Empregos: Espera-se que as políticas do governo Lula sejam focadas no emprego formal. Em paralelo, os economistas afirmam que a taxa de desemprego pode ser reduzida por meio de outras ações indiretas, como o controle das contas públicas e da inflação, que farão com que o país volte a crescer como um todo.
Funcionários públicos: Especialistas dizem que não haverá mudanças nas regras de remuneração do funcionalismo público ou na quantidade de vagas ofertadas, apesar de eventuais pressões da categoria. Na campanha, Lula prometeu “recomposição gradual” dos salários dos servidores públicos, atrelada ao crescimento da economia a partir de 2023.
Teto de gastos: Lula defende o fim do teto de gastos e, ao longo da campanha, foi muito cobrado a apresentar detalhes sobre a regra fiscal que vai substituí-lo. Até agora não se sabe o que o governo eleito deve fazer, mas é consenso entre os economistas que o modelo atual é inviável.
“[Lula] vai ser obrigado a recriar a âncora fiscal que foi destruída pelas seguidas violações do teto de gastos pelo governo Bolsonaro. É um dos grandes desafios do período. O novo presidente tem que ter consciência do tamanho do pepino que ele tem para resolver no ano que vem”, diz Maílson da Nóbrega.
Banco Central: Por ter autonomia, ao menos em tese, o Banco Central não deve sofrer influência do governo na política monetária.
Na campanha, no entanto, Lula disse que o BC deveria estabelecer metas de crescimento econômico e de geração de emprego, além de atuar no controle da inflação. A proposta foi criticada por ex-integrantes do BC na época e pelo presidente da instituição, Roberto Campos Neto.
Juros: O desafio, segundo especialistas, será reduzir os juros básicos da economia (Selic), hoje em 13,75% ao ano, a níveis pré-pandemia.
Economistas afirmam que será necessário um conjunto de ações para que os juros caiam. Além do controle da inflação, será importante adotar uma nova regra fiscal que diminua o tamanho da dívida, permitindo ao BC reduzir a Selic gradualmente. A campanha de Lula não adiantou detalhes sobre esses tópicos.
Dólar e Bolsa. É impossível prever como o mercado financeiro se comportará. Mas é consenso entre especialistas que a cotação do dólar e o desempenho da B3, a Bolsa de Valoresbrasileira, estará relacionado à capacidade de o presidente eleito resolver ou ao menos minimizar os problemas que vai herdar.
Adotar medidas “irresponsáveis”, diz Maílson da Nóbrega, pode levar a insegurança jurídica e queda da confiança, fazendo com que investidores deixem o Brasil. Essa fuga de capitais pressionaria o câmbio, fazendo o dólar disparar, o que também teria impacto na inflação.
Informações UOL

Segundo colocado na eleição presidencial, Jair Bolsonaro (PL) conseguiu ampliar sua votação a ponto de virar sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado do Amapá e em 248 cidades onde o petista havia vencido no primeiro turno. Isso representa 4,5% dos 5.570 municípios brasileiros.
Lula, por sua vez, não teve maioria em nenhuma cidade onde Bolsonaro prevaleceu na primeira rodada. No geral, Bolsonaro conseguiu encurtar a desvantagem em relação ao adversário de 6,2 milhões de votos no primeiro turno para 2,1 milhões nesta segunda rodada.
O crescimento foi insuficiente para garantir uma virada inédita no pleito. O atual presidente tornou-se neste domingo (30) o primeiro a não conseguir a reeleição no cargo. Segundo a apuração do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Lula alcançou 50,90% dos votos válidos, e Bolsonaro, 49,10%. Foi a eleição mais apertada desde a redemocratização.
No primeiro turno, Lula havia sido o mais votado em 3.376 cidades. Bolsonaro, por sua vez, saiu na frente em 2.191— houve empate em Coronel Sapucaia (MS), Alecrim (RS) e Ribeirão do Sul (SP). Prova da elevada polarização desde o início da disputa, os outros candidatos não conseguiram sequer o segundo lugar em nenhum município do país.
Com a disputa restrita aos dois finalistas, o petista acabou como o mais votado em 3.123 municípios neste domingo, e o atual presidente, em 2.445. Houve também dois empates, em Guará (SP) e Irati (SC).
Estado considerado estratégico pelas duas campanhas, por ter o segundo maior colégio eleitoral e o maior número de municípios do país –além de ser um espelho histórico da eleição presidencial–, Minas Gerais foi palco de 66 viradas pró-Bolsonaro.
A principal reviravolta bolsonarista aconteceu em Grupiara, no Triângulo Mineiro, onde o presidente saltou de 46% dos votos válidos no primeiro turno para 59,4% no segundo.
Minas recebeu seis visitas presenciais de Bolsonaro durante a segunda parte da campanha. Além de Belo Horizonte, Uberlândia e Governador Valadares, apostou também em três localidades onde havia perdido para Lula: Montes Claros, Teófilo Otoni e Juiz de Fora, palco da facada sofrida por ele em 2018.
Destas, só conseguiu reverter o resultado do primeiro turno em Montes Claros. A votação do presidente subiu de 44,9% para 51,2% na cidade-polo do Norte mineiro, região com perfil similar ao Nordeste brasileiro e marcada por vitórias petistas desde 2006.
Além do próprio presidente, a primeira-dama Michelle Bolsonaro, a ex-ministra Damares Alves (Republicanos), eleita ao Senado pelo Distrito Federal, e o vereador de Belo Horizonte Nikolas Ferreira (PL), campeão de votos para a Câmara dos Deputados neste ano, foram algumas figuras que reforçaram a campanha do presidente no estado.
Bolsonaro também contou com o apoio engajado do governador reeleito Romeu Zema (Novo), escalado para mobilizar os prefeitos mineiros. “Nenhuma região e nenhuma parte desse estado ficará para trás”, declarou Bolsonaro ao lado de Zema em Montes Claros.
Mesmo com um crescimento de 6,2 pontos percentuais no estado, o presidente não conseguiu reverter a vitória petista. O estado manteve a sua tradição de refletir os resultados da disputa nacional, com vitória de Lula por apertados 50,2%.
No maior colégio eleitoral do Brasil, Bolsonaro conseguiu 10,5 pontos de vantagem neste domingo (55,24% a 44,76%), o equivalente a 2,7 milhões de votos a mais entre os paulistas.
Foi pouco para compensar os 12,6 milhões eleitores a mais conquistados pelo petista entre os nordestinos. Depois de vencer no primeiro turno em apenas 15 das 1.794 cidades na região, Bolsonaro conseguiu aumentar esse número para somente 20 municípios no maior reduto lulista.
Na capital paulista, Bolsonaro aumentou sua votação em relação ao primeiro turno, de 37,9% para 46,5% dos votos válidos, mas voltou a ser derrotado, desta vez com uma diferença de 486,4 mil eleitores paulistanos a mais para Lula.
O PT não virou o resultado em nenhuma das cidades conquistadas pelo PL na primeira rodada. Garantiu a vitória nacional com aumentos, ainda que menos expressivos, nos locais onde conseguiu repetir as vitórias do primeiro turno.
“Foi a campanha mais difícil da minha vida”, declarou Lula ao discursar para seus eleitores que comemoravam a vitória do ex-presidente na avenida Paulista, no centro de São Paulo.
O maior salto de Lula foi observado em Sobral (CE), berço político de Ciro Gomes (PDT), quarto colocado no primeiro turno. O petista já havia vencido na primeira parcial e aumentou sua votação na cidade, de 55,4% para 69% na segunda rodada.
Nova Pádua (RS) manteve o título de cidade mais bolsonarista do país, com aumento de 83,97% dos votos no primeiro turno para 88,99% no segundo. Guaribas (PI) também conservou o posto de município mais lulista do Brasil. A votação do novo presidente eleito subiu de 92,14% para 93,85% na cidade piauiense.
Em nível estadual, Lula saiu vitorioso em 13 unidades da federação, uma a menos que Bolsonaro, contando o Distrito Federal. Considerando os três maiores colégios eleitorais, o resultado deste domingo repetiu o do primeiro turno. O petista venceu em Minas Gerais, e o atual presidente, em São Paulo e Rio de Janeiro.
Em mais um capítulo da polarização regional, Lula foi o mais votado em todos os estados do Nordeste, e Bolsonaro, em todos das regiões Sul e Centro-Oeste.
O Amapá, que também vinha refletindo os resultados nacionais desde a redemocratização ao lado de Minas Gerais e Amazonas, saiu dessa lista ao ser o único estado com virada bolsonarista neste ano em relação ao primeiro turno.
Em nível nacional, nunca houve uma virada entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais. Fernando Collor (1989), Lula (2002 e 2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014) também conseguiram confirmar a vitória após terem largado em vantagem nas edições anteriores decididas em duas rodadas.
No pleito realizado há quatro anos, apenas 147 das 5.570 cidades brasileiras (3%) haviam registrado vencedores diferentes entre a primeira e a segunda rodada da eleição presidencial, com 121 viradas a favor do então candidato petista Fernando Haddad, derrotado na ocasião por Bolsonaro.
FOLHA DE SP

Os ativos de grandes empresas brasileiras negociadas no exterior reagem negativamente ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais, em meio às incertezas sobre a política econômica do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e também com temores sobre intervenção nas estatais.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou o candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa presidencial, neste domingo, e voltará à Presidência pela terceira vez, impondo uma inédita derrota nas urnas a um ocupante do Palácio do Planalto que buscava um segundo mandato. Com 99,99% das seções eleitorais apuradas, Lula alcançou 50,90% dos votos válidos, contra 49,10%, sendo declarado vencedor pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na disputa mais acirrada da redemocratização.
De acordo com analistas ouvidos pelo InfoMoney no último domingo, a projeção já era de uma sessão negativa para o mercado nesta segunda-feira (31) pós-eleição, ainda que o movimento possa se atenuar à medida que haja menos incertezas com relação às políticas do eleito para a presidência.
Os ativos negociados no pré-market na Bolsa de Nova York já refletem o noticiário eleitoral. Às 7h30 (horário de Brasília) desta segunda, o o MSCI Brazil Capped ETF (EWZ), principal ETF (fundo de gestão passiva) atrelado à Bolsa brasileira caía 5,69% na NYSE, a US$ 29,66. Os ADRs (recibo de ações, na prática, ativos negociados das empresas brasileiras na NYSE) ordinários da Petrobras (PETR3) tinham baixa de 9,44%, a US$ 12,18, enquanto os PBR-A, relativos aos preferenciais PETR4 tinham queda de 8,98% no mesmo horário, a US$ 11,15.
A equipe de estratégia da XP Investimentos, liderada por Fernando Ferreira, destaca que, na semana passada, os ativos brasileiros tiveram desempenho fraco e inferior ao dos mercados globais. O Ibovespa caiu 4,5% e o real desvalorizou 2,5%, com o mercado precificando menores chances de reeleição do presidente Jair Bolsonaro. As ações das empresas estatais estiveram entre as maiores quedas, já que tanto a Petrobras quanto o Banco do Brasil (BBAS3) caíram mais de 13% durante a semana.
Por outro lado, as ações do setor de educação tiveram um forte desempenho, com Yduqs (YDUQ3) subindo 22% e Cogna (COGN3) 9%. Algumas ações do varejo e construtoras de baixa renda também tiveram bom desempenho, com o Magazine Luiza (MGLU3) com uma alta de 5,5% e MRV (MRVE3) com alta de 5,2%. “Esses são os setores que tendem a ser favorecidos na presidência de um governo do presidente Lula: varejo, construtoras de baixa renda e educação”, destaca a XP.
Para os analistas da casa, esse deve ser o tom do mercado nos próximos dias, e as ações das estatais devem continuar voláteis, dada a persistente incerteza em relação às suas políticas futuras.
“No caso do Banco do Brasil, essas questões giram em torno das linhas de concessão de crédito subsidiadas. Para a Petrobras, as principais questões são em relação à futura política de precificação de combustíveis, bem como seus programas de investimentos futuros, apontam os analistas.
Também vale atenção à volatilidade do Real em relação ao dólar nas próximas semanas, além da curva de juros futura, que precifica a trajetória da política monetária brasileira adiante, aponta.
A expectativa já era negativa, mas a continuidade deste movimento vai depender dos próximos dados a serem dados pelo presidente eleito, avaliam os analistas de mercado. Os investidores ficam de olho principalmente na composição da equipe econômica; um nome pró-mercado, como o de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central no governo Lula e ex-ministro da Fazenda no governo Michel Temer, seria bem recebido pelos investidores.
Além disso, a equipe do JPMorgan, liderada por Cassiana Fernandez, destacou em relatório preocupações com uma possível contestação eleitoral por parte do candidato derrotado. “Com um resultado tão apertado, reconhecemos que a tensão política pode aumentar no curto prazo, e estaremos monitorando de perto este risco nos dias à frente. Ainda assim, como sinalizamos há algum tempo, não vemos razão para acreditar Lula não tomará posse em janeiro de 2023.”
Analistas políticos reforçam ainda que, com diversos países reconhecendo rapidamente o resultado das eleições no Brasil, além de nomes do chamado Centrão, é improvável que eventuais contestações de resultado ganhem tração institucional.
Informações TBN