ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Brasil Economia

Abrasel defende medidas urgentes para amenizar prejuízos de bares e restaurantes

Reunião foi organizada pela Frente Parlamentar dos Setores Produtivos Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes...
LEIA MAIS

Política & Economia
Entenda como funcionava “A Turma”, grupo alvo da 6ª fase da Operação Compliance Zero
Bahia Notícias Polícia

Entenda como funcionava “A Turma”, grupo alvo da 6ª fase da Operação Compliance Zero

Lula zera ‘taxa das blusinhas’
Economia

Lula zera ‘taxa das blusinhas’

Brasil pode perder quase US$ 2 bilhões por ano com decisão da União Europeia
Economia

Brasil pode perder quase US$ 2 bilhões por ano com decisão da União Europeia

CDL lança campanha São João de Prêmios 2026 com palestra sobre vendas e comportamento do consumidor
Economia Feira de Santana Notícias

CDL lança campanha São João de Prêmios 2026 com palestra sobre vendas e comportamento do consumidor

Tesouro Nacional lança título com aplicação a partir de R$ 1
Economia

Tesouro Nacional lança título com aplicação a partir de R$ 1

Homem suspeito de envolvimento em homicídio é preso em Serrinha
Polícia

Homem suspeito de envolvimento em homicídio é preso em Serrinha

Encontro de combate ao crime organizado recebe autoridades de todo o Brasil
Polícia

Encontro de combate ao crime organizado recebe autoridades de todo o Brasil

Jurandy Carvalho discute segurança para a Festa do Vaqueiro de Ipuaçu
Feira de Santana Notícias Polícia

Jurandy Carvalho discute segurança para a Festa do Vaqueiro de Ipuaçu

Contrato de R$ 129 milhões era ponte para Moraes, admite Vorcaro
Brasil Notícias Polícia

Contrato de R$ 129 milhões era ponte para Moraes, admite Vorcaro

Mega-Sena sorteia prêmio acumulado em R$ 36 milhões nesta quinta-feira
Economia

Mega-Sena sorteia prêmio acumulado em R$ 36 milhões nesta quinta-feira


As seleções de Catar e Equador se enfrentaram no estádio Al Bayt na primeira partida da Copa do Mundo do Catar de 2022, neste domingo (20). Com gols de Valencia, capitão da equipe, os equatorianos venceram a primeira disputa da competição por 2 a 0 e são os líderes do Grupo A.

A vitória do Equador quebrou a invencibilidade dos países-sede nas estreias de Mundiais. Nunca uma seleção do país-sede havia perdido no primeiro jogo da competição, desde a primeira Copa do Mundo de 1930, no Uruguai.

Nos 15 minutos do primeiro tempo, Valencia arrancou com a bola em direção à área e sofreu uma falta do goleiro do Catar, Saad Al Sheeb. O juíz marcou o pênalti, que foi cobrado pelo próprio atacante, e inaugurou o placar para o Equador.

Ainda na primeira metade da partida, Preciado fez um cruzamento para o meio da área, e Valencia deu uma cabeçada na bola, marcando o segundo gol para a seleção do Equador.

No segundo tempo, o Equador continuou a apresentar a superioridade técnica e atacou mais vezes. No entanto, as finalizações não se transformaram em gols e o jogo terminou em 2 a 0 para os equatorianos.

A seleção catari volta a entrar em campo na sexta-feira (25), contra o Senegal, às 10h (de Brasília), no estádio Al Thumama. O Equador enfrenta a Holanda na sexta-feira, pelo Grupo A, às 13h, no estádio Internacional Khalifa.

*R7
FOTO: REUTERS/DYLAN MARTINEZ


O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (PSDB) foi cercado e xingado neste domingo (20) por alguns hóspedes bolsonaristas que estavam no mesmo hotel em que ele hospedado na Bahia.

Maia foi abordado em enquanto estava com a esposa e foi chamado de ladrão em coro pelo grupo durante o café da manhã. Em resposta, fez o sinal de L com a mão, sim bolizando Lula (PT), candidato que ele apoiou contra Jair Bolsonaro (PL) nas eleições.

“Infelizmente eles já não sabem o que é fato e o que é fake. Criaram uma narrativa contra aqueles que divergem do bolsonarismo. A bolha e a desqualificação da imprensa criaram isso”, afirma.

Ele diz ainda que “o desrespeito à divergência de opinião é um absurdo, mas que tem certeza de que vai passar”. Ele continua hospedado no mesmo local.

*Bahia.ba
Foto: Maryanna Oliveira/Agência Câmara


Reprodução do Vídeo

O deputado federal pelo Rio de Janeiro e ex-presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (PSDB), foi hostilizado no Tivoli Ecoresort, localizado na Praia do Forte, litoral norte da Bahia. Acompanhado pela esposa, o parlamentar tentava iniciar o café da manhã, quando foi atacado com xingamentos pelos demais hóspedes.

BNews recebeu vídeos da ação e nas imagens é possível ouvir os xingamentos de “ladrão” e “filho da p*uta”. Em certo momento, uma mulher se aproxima do casal e inicia os questionamentos. “É gostoso tudo que você roubou do país?”, pergunta e em seguida se direciona para a esposa de Maia. “É gostoso ser casada com bandido?”.

Ao perceber a proporção do tumulto, Maia desistiu do café da manhã e saiu do local, fazendo o “L”, em referência ao presidente eleito, Lula (PT). 

BNews tentou contato com a assessoria do Tivoli, que através de nota, lamentou o ocorrido nas dependências do resort. “O Tivoli Ecoresort Praia do Forte lamenta o episódio ocorrido dentro do hotel, na manhã de hoje, dia 20 de novembro, pois prezamos pela privacidade e tranquilidade na estada de nossos hóspedes. O hotel reforça ainda que está à disposição de todos, com objetivo de que tenham a melhor estada possível”.

Informações B News


Foto: Paula Fróes/ Correio

Só há seis anos, Edvaldo Mendes Araújo, 69 anos, consegue responder a uma pergunta que o atormentava desde os 10, quando imaginava suas origens no continente África. Tudo muda depois da revelação de quem se é. “Não sou filho de escravo. Sou filho de africano”, diz o arquiteto ao menino Zulu, apelido dado a ele pelos amigos na infância, na comunidade do Solar do Unhão.

No dia 20 de dezembro de 2015, Zulu Araújo, como ficou conhecido, desembarcou em Bankim, na República dos Camarões. Era o primeiro a refazer a rota entre Salvador e aquele ponto de partida das suas raízes familiares, manchadas pelo afastamento imposto pela escravidão. Zulu já tinha ido a sete países africanos, mas a viagem seria diferente.

Zulu foi a Bankim, nos Camarões, em 2015 (Foto: Ana Lúcia Albuquerque/CORREIO)

Recepcionado por 2,5 mil pessoas em uma cidade com, à época, 10 mil habitantes, o arquiteto e presidente da Fundação Pedro Calmon recebeu as honras do rei da etnia Tikar.

“Indo para lá eu reencontrei com meu passado, com meus ancestrais. Isso foi algo extremamente importante para a minha vida. Voltei mais tranquilo do ponto de vista antropológico, do ponto de vista da minha origem, do meu entendimento de mim mesmo. Eu voltei absolutamente tranquilo de que verdadeiramente eu não sou filho de escravo. Eu sou filho de africano. A tranquilidade que isso me deu foi fantástico”, conta. 

Em 300 anos de tráfico de africanos, capitaneado pela Coroa portuguesa entre os séculos 16 e 19, ao menos 4,9 milhões de pessoas embarcaram rumo ao terror no Brasil. Delas, 1,5 milhão desceram na Bahia, majoritariamente retiradas de países como Guiné Bissau, Togo, Benim, Nigéria, Congo, Angola e Moçambique. 

Das mais de 11,4 mil viagens, 9,2 mil delas terminaram no Brasil – 175 navios negreiros saíram de Camarões, onde Zulu redescobria sua identidade. Nenhum outro país do mundo recebeu quantidade tão expressiva de escravizados.

A escravidão foi revestida de tentativas de apagar de identidades, contra as quais resistiram os escravizados. É em busca dessa origem ofuscada que, hoje, negros brasileiros descendentes da diáspora africana partem em viagens ao continente africano. 

O reencontro: do apagamento à busca

Antes de serem embarcados em tumbeiros, homens, mulheres e crianças eram submetidos a um ritual chamado “árvore da lembrança”: todos contornavam árvores na saída dos portos em sinal de abandono do passado e da incorporação da fé católica. 

Nesta terra inventada como Brasil, africanos eram despidos de direitos, entre eles, nome e sobrenome, substituídos por novos, escolhidos por quem que se dizia dono de gente. De Kehindes passavam a Luísas. 

“O sobrenome é o que dá o nosso ‘de onde viemos’, que é perpassado pela família. Eu costumo dizer que os donos do poder da história do Brasil sabem muito disso e, por isso, disputam essa narrativa histórica muito forte, e a população talvez não tenha ainda se alertado de quanto é importante”, explica Clíssio Santana, doutorando em História Social

Não à toa estão aos montes no Brasil os da Silva, de Souza, e correlatos – a Associação dos Registradores Civis (Arpen) não estima quantos. A partícula ‘de’ remete à posse. Esse era um dos maiores incômodos de Zulu.

“Eu não conseguia entender porque todo mundo tinha seus sobrenomes alemães, ingleses, franceses e nós não sabíamos qual era a nossa origem. Meu sobrenome, por exemplo, Mendes Araújo, eu vim saber, já na minha adolescência, que era o sobrenome daqueles que escravizaram meu ancestrais. Eram sempre nomes que não tinham a ver com nossa origem, e o argumento era que não se sabia de onde tinham vindo os escravizados para o Brasil”, relembra Zulu.

Mas sabiam. Em 2013, ele descobriu, depois de ser convidado para integrar o projeto Brasil: DNA África, que submeteu 150 pessoas a exames de DNA – em Salvador, eles custam R$ 799. O filme homônimo, lançado em 2016, é resultado dessa pesquisa. O primeiro a rumar ao continente africano seria Zulu, dois anos depois, como descendente dos Tikar.  

Zulu, à esquerda, em Bankim (Foto: Acervo Pessoal/Zulu Araújo) 

Durante duas semanas, Zulu conversou com os moradores locais e fez perguntas ao rei Gain Brain. Uma delas, no primeiro café da manhã da estadia, chocou: “Que razões tinham levado a realeza de Bankim a vender os seus filhos ao continente americano?”.

A questão de Zulu ainda divide pesquisadores e o movimento negro. Há evidências da existência, no passado colonial, do comércio de pessoas por alguns africanos, mas em bem menor escala que o tráfico protagonizado por portugueses. A resposta esperada por ele veio no desjejum seguinte. 

“Me explicaram que era comum naquele reinado, que aqueles que eram derrotados na guerra, que cometiam crimes, que desobedeciam às regras serem punidos com a escravização, no próprio reino ou vendidos. Mas que o rei reconhecia que tinha sido um erro e que, portanto, a única forma que tinha de fazer a reparação era me acolher enquanto filho daquela realeza”, conta Zulu.

Reconhecido como filho, recebeu o direito de se casar no local e um terreno de dois hectares. Como não pretende residir em Camarões, o “terreno ficará para os descendentes”, brinca Zulu. Sobre a própria herança da viagem, ele fala em “duas certezas”: “a grande luta que a sociedade de forma coletiva precisa travar é antirracista e o aprofundamento do desenvolvimento humano é fundamental em qualquer civilização”.  

Escravidão: o ‘trauma cultural’ e a viagem de retorno

Em 1986, João Jorge, 66, visitou pela primeira vez um país africano – o Benin. Embarcou como diretor da Fundação Gregório de Matos. Depois iria ao Senegal, Costa do Marfim, Ilha da União, Gana e Egito. Em cada um deles, investigava os rostos, reparava nos gestos, buscava preencher um vazio pessoal – “a herança da falta de identificação deixada aos negros brasileiros”.

Nessa ausência, reside o que o sociólogo Ron Eyerman chama de “trauma cultural”, capaz de provocar sofrimento psíquico em comunidades sobre as quais pairam eventos traumáticos como a escravidão.

Três anos depois, João ainda se sente transformado por viagem a Gana (Foto: Paula Fróes/CORREIO)

O apagamento da memória coletiva é um dos motivos potenciais de aflição, aliviada em João apenas três décadas depois daquela ida ao Benim. Acompanhado do filho e da delegação do Olodum, do qual é presidente, viajou tendo em mãos um exame genético feito em 2013, no âmbito do Brasil: DNA África. Era descendente do povo Akan, de Gana. 

Em oito dias de viagem, visitou duas cidades. Não sentiu tristeza.

“Essa viagem, para mim, foi um retorno, um reencontro em que chorei, sorri, vibrei. Senti alegria por ter vencido a escravidão, o fato de eu estar vivo é uma vitória”, conta ele, que voltou ao Brasil tendo, no peito, uma nova sensação. Se pudesse traduzir, resumiria como “um cordão umbilical ligado de novo”.

A visita a Gana completou três anos em outubro. Por lá, o governo providencia um passaporte binacional para João, que seria reconhecido também como cidadão local, e aqui João guarda uma cópia do trono dourado e a cronologia do povo do qual descende. Mas há ainda uma falta: o sobrenome africano sequestrado e transformado em Rodrigues pelos portugueses.

Uma das irmãs de João, Rita, já tinha resgatados alguns pedaços destroçados da família. Guiada pela memória oral, ela quem descobriu o desembarque da bisavó, adolescente, no Brasil. Em 2006, Rita faleceu, antes de ver a expansão das suas descobertas.

João e o filho, em Gana (Foto: Acervo Pessoa/João Jorge)

A ida ou retorno de afro-brasileiros e africanos para as regiões de onde partiam navios negreiros aparece, na literatura ocidental, desde os anos 50. Em “Fluxo e Refluxo”, apresentada como tese de doutorado em 1966 por Pierre Verger na Universidade de Sorbonne, já há menção à “comunidade dos retornados”.

Os “retornados”, mencionados ainda em futuras pesquisas, tinham diferentes perfis: eram, em geral, deportados depois da Revolta dos Malês, em 1835, regressos pós-abolição do tráfico negreiro e aqueles que compravam a alforria. Em África, passavam a ser reconhecidos como “agudás”. 

“Depois, você ainda tem fluxos variados, como quem volta para ficar pouco tempo no continente africano, para absorver conhecimentos, como líderes do Candomblé em busca de conhecimentos rituais a aplicarem aqui”, adiciona o historiador Carlos Silva, professor de História das universidades Estadual de Feira de Santana e Federal da Bahia.

Os anos 2000 renovaram, conta ele, o interesse pelo tema: possibilidades de pesquisa mais modernas surgiram, com chances de cruzamento de dados online e histórias orais. Como costuma acontecer, o movimento acadêmico refletia também a vida aqui fora: os retornados, então, eram brasileiros ávidos em se reconhecer no continente africano. 

Destino: Continente ‘África’

Em 2015, Carina Santos passou três meses entre sete países europeus, onde se incomodou pela “falta de pessoas pretas viajando”. Três anos depois, por um “anseio de reconexão”, viajou à África do Sul. Na volta, agrupou as experiências nos dois continentes e propôs, a partir do turismo, reconexões históricas com territórios negros.

À época, a turismóloga coordenava o projeto Black Travelist, criado em 2016, e o Destino Afro, de 2019, reestruturados neste ano como a Afrotrip, sediada em Salvador. O propósito é levar pessoas a Moçambique, África do Sul e Egito e trazer africanos ao Brasil.

As únicas opções de rota entre Brasil e África partem de São Paulo a Addis Abeba, capital da Etiópia, ou Luanda, capital de Angola. Ida e volta custam até R$ 8 mil. O único trecho que partia de Salvador para Cabo Verde foi interrompido durante a pandemia da covid-19. Os voos diários para Portugal permaneceram.

“Partimos de um anseio de ir para o continente africano no sentido do pertencimento. De um modo geral, entendemos nossa origem, como pessoas pretas, a partir de África. Eu não fiz exame de DNA, me sinto pertencente aos 54 países do continente”.

O reflexo da busca pelas próprias origens africanas ainda é visto timidamente nas agências de viagem. De cinco delas ouvidas pela reportagem, três disseram que a maior busca ainda é a de curiosos por conhecerem savanas da Tanzânia, e duas perceberam aumento de interessados em pacotes que os conectem com suas ancestralidades.

Keity em Moçambique (Foto: Acervo pessoal/Keity Souza)

Em abril deste ano, Keity Souza, 35, desembarcou em Salvador vinda de um mês em Moçambique, inserida no tráfico de escravizados para o Brasil no século 18. Viajou a trabalho e retornou com pedaços de Mpingo, tipo de madeira preta, imãs, tecidos coloridos e uma sensação de pertencimento nunca sentida.

“Voltei com algo que acalmou meu coração: ver Moçambique, uma imagem de África, como ela era, sem ver só pobreza”.

A cada dia que passava por Maputo, via nos bairros a imagem de Salvador. “Foi uma grande sensação de se localizar no mundo”, continua. 

Keity não partiu com um exame de DNA em mãos, nem quis conhecer pontos antes utilizados para o tráfico de pessoas. “É doloroso”, ela diz, “estar em um lugar em que pessoas da minha origem foram sequestradas”. Entre a família, a única lembrança da trajetória entre África e Brasil é a existência da tataravó, trazida à força para o Brasil.

A ideia dela é criar sua própria história com o continente africano, uma narrativa de reconstrução e descobertas. Este será o legado dela para os sobrinhos: a nova memória de uma geração que pretende refundar o sentido de autorreconhecimento. Em dezembro de 2023, ela parte para o Egito, na companhia de 19 pessoas – seis delas, mulheres negras e baianas.

Crédito: Correio


O prefeito do município de Anguera, Mauro Vieira, publicou um vídeo neste domingo (20) celebrando os 61 anos de emancipação política da cidade.

No vídeo, o prefeito agradece por ter a oportunidade de comandar e trabalhar pelo povo de Anguera.

Veja o vídeo:


Muito menos racional do que aquele que orienta sua vida pelos tantos expedientes que só podem degringolar em insânia e maldade é quem espera algum resquício de sensatez em gente que entende a vida como um jogo sem regras, no qual tudo pode ser feito para chegar ao topo. Nascemos todos inexoravelmente mergulhados em questões muito nossas, cujo sentido revela-se apenas para nós mesmos — e não sem antes nos torturar pelo tempo necessário para que nos presenteie a vida com o estalo quase mágico do discernimento, atalho que, de quando em quando, o espírito toma à cata da razão —, mantidas como um raro tesouro a distância dos olhares morbidamente curiosos de quem nos odeia e da perplexidade muda e inconformada das pessoas que nos querem bem. Incertezas, dúvidas, questionamentos, dilemas, as encruzilhadas morais de todas as noites insones, eis os fantasmas mais aterrorizadores, porque mais perseverantes, a amaldiçoar a caminhada da humanidade, obsessa desde o princípio dos tempos pelos impasses que jamais a vão abandonar, por mais que se oponha.

A vida em sociedade se nos apresenta como um desafio a ser vencido todos os dias, porque, além de todo dia ter seus próprios obstáculos e as alegrias raras que valem por toda a angústia de existir, socorre-nos esse poder, o poder de simplesmente passar por cima de quem preferiria que não estivéssemos aqui. Depois de uma longa carreira diante das câmeras em filmes não exatamente densos, Jordan Peele se resolveu a dar vida às histórias que merecem ser contadas, e já não era sem tempo. Confrontando um dos temas mais urgentes do nosso tempo, “Corra!” (2017) tem o condão de arrastar o espectador para o centro de uma narrativa perturbadoramente sedutora, mas também exigente, que demanda dele atenção e sensibilidade em igual medida. Peele sabe muito bem do que está falando: o recrudescimento do pensamento racialista após uma brevíssima trégua, abordada em seu roteiro algumas vezes, vem a lume sob a forma mais delirantemente agressiva, momento em que o diretor-roteirista aproveita para ir mais fundo na discussão que torna seu trabalho tão relevante.

Centro das atenções no Festival de Cinema de Sundance de 2017 — onde estreou numa sessão exclusiva para convidados —, “Corra!” desde o princípio deixa muito claro que Peele não tem a intenção de aliviar nada. O possível romantismo de um casal que faz sua primeira viagem depois de cinco meses de namoro, a casa dos pais da garota, transforma-se logo numa fonte inesgotável de aborrecimento e paranoia, e o motivo está na cara. Pouco antes, ao longo da primeiríssima sequência, o personagem encarnado por Keith Stanfield anda tranquilo por uma rua de casas portentosas, até perceber que é seguido de muito perto por alguém num carro. Se havia uma hesitação quiçá justificada quando ao que o diretor quer dizer, essa bruma inicial de mistério se dissipa quando a ação corta para Chris e Rose, os protagonistas muito bem assumidos por Daniel Kaluuya e Allisson Williams, fazendo as malas para o tal passeio. Depois de uma conversa breve, fundada num possível estranhamento dos pais de Rose quanto ao fato de Chris ser negro, eles pegam a estrada.

O receio meio psicótico de Chris, como o de um animal indefeso que sente o cheiro do próprio sangue, se intensifica, numa escalada gradual e constante de diálogos que explicitam a animosidade entre os convivas, também ressaltada, colateralmente, pela fotografia de Toby Oliver em tons pesados como azul petróleo e verde musgo. O que acontece no terceiro ato, com referências a hipnose, lobotomia e transplante de cérebro — além de uma menção a Jeffrey Dahmer, o assassino em série que se notabilizou por seduzir, matar e canibalizar rapazes pretos, na boca de Rod, com o ótimo respiro cômico de LilRel Howery —, faz questão de lembrar que “Corra!” é um filme sério. E que Jordan Peele continua avesso a brincadeiras.


Filme: Corra!
Direção: Jordan Peele
Ano: 2017
Gêneros: Terror/Thriller
Nota: 9/10

Cultura: Elas Rodam a Baiana
20 de Novembro de 2022

Por Universa UOL

Como a vestimenta do candomblé marca um lugar de poder e prestígio para mulheres negras de terreiro

“O que é que a baiana tem? Tem pano-da-costa, tem! Tem bata rendada, tem! Pulseira de ouro, tem! Tem saia engomada, tem!” Há mais de 80 anos, Dorival Caymmi compunha uma de suas canções mais famosas em homenagem às mulheres afrodescendentes da Bahia. A vestimenta, ainda mais antiga do que a música, segue sendo símbolo de luta e tradição das brasileiras que têm o candomblé como religião.

E qual história essa roupa conta? Mais do que eternizada pelos versos do poeta, como manda o chavão, a indumentária das mulheres de terreiro fala sobre afirmação de identidade e resgate da autoestima como ferramenta de sobrevivência.

Paola Tauana Santos, 30 anos, cresceu frequentando o terreiro da nação Ketu fundado por sua avó, dona Aparecida Bispo de Xangô, no início dos anos 1990. Foi no Ilé Obá Asè OGODO, no extremo sul de São Paulo, que a auxiliar de logística fez sua iniciação nos ritos do candomblé há cinco anos —hoje, ela é uma yaô, nome que se dá às pessoas com menos de sete anos de “feitura”.

“Eu tinha 13 anos quando usei pela primeira vez a saia que foi da minha avó. Eu sempre a ajudava a colocar os sete saiotes [adereço que dá volume à vestimenta], ficava deslumbrada vendo ela com todos aqueles panos. Hoje, sempre que coloco o meu pano de cabeça, minha saia e meu pano da costa, fecho os olhos e lembro dela”, diz, exemplificando como a vestimenta é passada de geração em geração.

No fio da memória

Não existe livro sagrado ou cartilha que garanta os ensinamentos do candomblé. Tudo o que se sabe e o que se faz na religião é passado de forma oral há cerca de 200 anos, tempo que remonta à fundação dos primeiros terreiros da Bahia. É por isso que, no culto, o tempo de iniciação conta como cargo e posto: ao ouvir uma mulher de terreiro falar, é possível rememorar um século de história e costumes.

“Eu aprendi a fazer a goma e a engomar meus saiotes vendo a minha avó Maria José, mãe da minha mãe. Ela usava panela, água, amido de milho. Aprendi a ter o cuidado de deixar a goma no ponto certo, a quarar o saiote para engomá-lo branquinho e, depois, estender do jeito tradicional para ficar bem armado”, conta a yalorixá Vivian Basílio, 52 anos, sacerdotisa do Ilê Axé de Yansã, casa de candomblé da nação Angola, localizado na zona leste de São Paulo.

É desta forma que a vestimenta da baiana se mantém como costume —mesmo quando pensar em engomar uma anágua e escolher a renda que vai adornar o pano de cabeça parece roteiro de um filme de época. Para a yalorixá Luciana Bispo, 50 anos, mãe de santo do Ilé Obá Asè OGODO, trata-se de responsabilidade ancestral.

“O cuidado com a roupa é uma forma de revisitar a nossa ancestralidade, porque o candomblé é continuidade. Eu não posso deixar de ensinar a minha filha a cuidar da roupa dela, porque aprendi a cuidar da minha com as senhoras que me antecederam”, afirma.

Sinto que estou cumprindo com tudo o que elas fizeram para que tivesse, inclusive, liberdade de andar com a minha indumentária no metrô, ou no avião. Porque, por muito tempo, tínhamos que andar escondidas.

Luciana Bispo, yalorixá do Ilé Obá Asè OGODO

Vestimenta de liderança

Foi esse compromisso que possibilitou que a baiana se perpetuasse como um dos maiores símbolos da religião, perpassando a modernidade sem sofrer grandes modificações, de acordo com Daisy Santos, museóloga e pesquisadora das vestimentas de terreiro. Ela é yá kekerê (cargo de confiança do líder de uma comunidade de candomblé) do Ilê Asè Ojisé Olodumare, casa da nação Ketu situada em Barra de Pojuca, na Bahia.

A forma como a vestimenta se construiu conta a história de um tempo em que as mulheres africanas escravizadas precisavam realizar a manutenção dos elementos da sua cultura, entre os séculos 18 e 19, ressignificando-os à nova realidade. Além disso, agrega outros elementos de vestuário que elas conseguiram acessar, como a proposta de armação que dá volume às saias, herança europeia da colonização.

“Poder usar essa roupa é uma forma de recordar essas mulheres que encontraram estratégias de sobrevivência e conseguiram aglutinar as pessoas em quilombos urbanos, que são os candomblés. Então, estamos falando de uma vestimenta que é um investimento de liderança de mulheres extremamente inteligentes e com um poder de estratégia muito grande. Ao me vestir assim, eu sinto que estou carregando algo que é para além de mim”, afirma a pesquisadora.

A baiana, o samba e o carnaval

Um dos pontos de partida do samba carioca é o fundo do quintal de mulheres que migraram da Bahia para o Rio de Janeiro, no final do século 19, e levaram na bagagem a tradição do candomblé e a familiaridade com os tambores que ajudaram a construir o ritmo. Mas o que a roupa tem a ver com isso?

As tias do samba, como ficaram conhecidas, usaram a vestimenta tradicional como um trunfo de identidade e afirmação de território e é em homenagem a elas que existe a tradicional ala das baianas nos desfiles das escolas de samba, segundo Angélica Ferrarez, pós-doutora em sociologia política e pesquisadora da história social do samba e das mulheres no pós-abolição.

“Estamos falando de um Rio de Janeiro que, naquela época, estava bebendo dessa fonte de Salvador. E Salvador, por sua vez, estava bebendo de uma fonte da África. Essas mulheres foram para as ruas, para o comércio. E manter a vestimenta tradicional foi uma estratégia de marketing para elas venderem seus quitutes”, destaca Angélica.

Quando as indumentárias começaram a ser homenageadas no Carnaval, ainda não existia a festa como se conhece hoje, e a folia ficava por conta dos blocos que desfilavam em uma verdadeira disputa para proteger a bandeira-símbolo de cada um. Nesse cenário, a roupa à moda baiana era usada como uma proteção para que nenhum invasor chegasse ao estandarte.

“Essa roupa era vestida tanto por mulheres quanto por homens. E muitos deles eram, em sua maioria, capoeiristas. Dançavam e rodopiavam em um movimento de defesa da bandeira, alguns costuravam até navalhas nas saias, porque perder a bandeira era visto como uma desmoralização”, conta a pesquisadora.

Na Zona Portuária do Rio de Janeiro, conhecida como Pequena África, ficaram marcados nomes como o de Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, e de outras matriarcas que usaram suas habilidades sociais e políticas para dinamizar o samba na cultura brasileira, mesmo em um momento de repressão às expressões afrodescendentes.

“Elas são muito estratégicas no sentido de formar uma rede de apoio para existir. Para que esse quintal continue tocando o samba sem a batida da polícia, elas vão construindo conexões para além do terreiro. Precisavam ser amigas de uma sociedade mais ampla, como políticos e jornalistas”, pontua.

Hoje, a ala das baianas mantém a estrutura que reproduz o aspecto da saia rodada, mas as navalhas deram lugar às fantasias representativas de cada enredo.

O que veste a baiana

As peças que compõem a indumentária das mulheres no candomblé:

‘Minha roupa me lembra quem eu sou’

“Quando eu era criança, lembro que me chamavam de neguinha e de ‘nega lisa’ por causa da minha pele, mas nunca me deixei intimidar. Hoje, na minha família de axé, sempre sou chamada para usufruir o meu lugar de ebomi, para ficar altiva e reconhecer o meu valor”, diz Cristiane dos Santos, 54 anos, sinalizando como celebrar a autoestima, dentro das comunidades de terreiro, também é uma estratégia para resistir.

Para quem não é adepto do candomblé, no entanto, as denominações hierárquicas da religião, como yalorixá, ekedi, ebomi, yaô, abiã, podem confundir. Aqui, também é a vestimenta que marca o lugar e indica as posições sociais dentro do terreiro.

Abiã é toda pessoa que ainda não passou pelos ritos de iniciação. Já o yaô é o médium que entra em transe e que tem menos de sete anos de iniciado. Para ambos os grupos, a baiana segue parte da tradição entre as mulheres, mas sem tecidos ou rendas luxuosas, e mostra o lugar de quem chegou para aprender com a família de axé. Para os recém-iniciados, vestir apenas branco é parte essencial do primeiro ano de preceitos.

“A roupa me traz essa sensação de pertencimento e me ajuda a alcançar uma parte de mim que eu não sabia que existia. Dentro do terreiro, me elogiam porque minha baiana está bem armada, porque o torso [pano na cabeça] está bonito e sou incentivada diariamente a ser eu. Do lado de fora, sou ensinada que preciso ser menos negra e que tenho que me envergonhar da minha pele”, relata Maira Heloiza da Silva, 34 anos, iniciada há um ano como yaô no Ilê Axé de Yansã.

‘Meu ser mulher é potencializado’

A vestimenta tradicional, homenageada por Dorival Caymmi, representa um lugar de prestígio, senioridade e sabedoria dentro da religião. A baiana rendada, em tecidos com o tradicional bordado richelieu, a bata e o pano de cabeça amarrado com as abas proeminentes, é uma ebomi, médium com mais de sete anos de iniciação. A yalorixá, que é a mãe de santo da comunidade, também usa a indumentária.

“Quando se tinha aquela sociedade de séculos atrás, as mulheres brancas usavam aquelas armações embaixo do vestido, o cabelo bem arrumado, os brincos e os colares com aquele luxo. A baiana para nós, mulheres negras, também traz essa imposição. E o zelo de estar bonita e bem cuidada. Quando eu me visto bonita, com a saia bem armada, com os meus fios de conta, eu sou uma referência para os meus filhos e a minha família de axé”, destaca a yalorixá Vivian Basílio.

A ekedi é um cargo destinado às mulheres que não incorporam e cumprem uma função de cuidado com a comunidade, repassando os ensinamentos para aqueles que estão dando os primeiros passos na religião e também zelando pelos orixás que incorporam durante as festas e os ritos.

Para mim, a indumentária tem um significado muito importante, porque é a partir dela que as pessoas me reconhecem como uma referência que está à disposição para o orixá e para a comunidade. Quando coloco essa roupa branca, sou a mãe Fernanda.

Fernanda Sousa, 27 anos, ekedi do IIé Obá Asè OGODO

“Fora do espaço do terreiro, eu sou uma mulher lésbica que não se veste de acordo com a feminilidade. Mas, no terreiro, mesmo com a indumentária feminina, o meu ser mulher é respeitado e potencializado”, diz.

Para ela, a indumentária da baiana com rendas mais elaboradas também faz parte do vestuário, mas existem outros modelos indicativos do cargo, como o conjunto pareô, formado por uma bata com manga três quartos e uma saia envelope usada sem armação, ou mesmo o alaka, um tipo de túnica.

‘Criança fez o sinal da cruz para mim’

Na dimensão do terreiro, a existência dessas mulheres ganha novos significados e propósitos. Na rua, por outro lado, a roupa tradicional atrai olhares carregados de intolerância religiosa e racismo, que tentam subverter o significado da cultura resguardada por elas.

“Durante o período em que cumpria o meu preceito de iniciação, saía à rua com a minha indumentária e os meus fios de conta. Um dia, uma criança olhou para mim e fez o sinal da cruz, com os olhos arregalados. Tentei encontrar os olhos dela e sorrir, mas é muito triste quando as pessoas simplesmente decidem ofender todo o significado da religião e das vestes de alguém”, relembra a yaô Maira Heloiza.

Para a ekedi Mayara Sousa, 33 anos, do Ilê Axé de Yansã, isso acontece porque existe uma cultura que pormenoriza as religiões de matriz africana, como se elas não fossem sagradas o suficiente para serem respeitadas.

Dentro da casa de axé, o signo dessa roupa traz um status que nós, pessoas negras, não temos na rua. Usar essa vestimenta, mesmo que não seja a mais luxuosa, nos coloca em um lugar de rainhas. Para quem incorpora, é a roupa que a pessoa vai estar quando receber o deus dela no próprio corpo. Mas, muitas vezes, quem é de fora não dá a mesma importância que daria de primeira para a religião do colonizador, por exemplo.

Mayara Souza, ekedi do Ilê Axé de Yansã

‘É como entrar em um reino’

Apesar da tradição e do tempo que a indumentária da baiana está presente na cultura brasileira, são poucas as opções de lojas voltadas para esse segmento. Por isso, é comum que mulheres de terreiro que saibam o ofício da costura passem a confeccionar as roupas para a família de axé. Essa relação é vista, por alguns adeptos, como uma forma de conexão ancestral.

“Esse processo de ir comprar o tecido, levar para a costureira, é uma linha direta de fazer parte da família. A gente vai entendendo o candomblé ao fazer parte, não é algo que dá para saber como é antes de entrar. Então, até a entrega da roupa faz parte desses processos que vão criando conexão com a família”, afirma Jennifer Sabino, 28 anos, abiã do Ilê Axé de Yansã.

Com o e-commerce, as dificuldades para adquirir as vestimentas tradicionais da religião têm diminuído, mas ainda assim não é fácil encontrar lojas que ofereçam peças em pronta-entrega. No geral, é preciso encomendar, o que pode exigir semanas ou até meses de antecedências das festas de candomblé, segundo a yalorixá Elizabeth Passos, 43 anos, proprietária da loja Fire Rose Moda Afro, especializada nas indumentárias da religião e localizada na zona leste paulistana.

“É lindo quando entregamos a primeira roupa ou o primeiro enxoval da pessoa que está começando na religião. Ela fica muito emocionada, não vê a hora de colocar, porque é como se passasse a fazer parte de um reino. Eu incentivo outras mulheres a costurar roupa de candomblé, não tenho problema com concorrência, porque sei que dói não conseguir encontrar as nossas vestimentas em um shopping”, finaliza.


Neymar, Pedro, Rodrygo e Antony em chega da seleção brasileira ao Qatar para a disputa da Copa do Mundo -  Tullio Puglia - FIFA/FIFA via Getty Images
Neymar, Pedro, Rodrygo e Antony em chega da seleção brasileira ao Qatar para a disputa da Copa do Mundo Imagem: Tullio Puglia – FIFA/FIFA via Getty Images

A Copa do Mundo de 2022 terá seu início oficial hoje (20), a partir das 13h (de Brasília), quando a bola rolar pela primeira vez em Qatar x Equador. O pontapé inicial vai marcar o começo de um torneio tão histórico quanto polêmico: pela primeira vez, um Mundial é sediado por um país muçulmano no Oriente Médio, em meio a críticas intensas da imprensa ocidental e reação indignada das autoridades locais.

Desde que foi escolhido como sede oficial da Copa em 2010, em um processo marcado por denúncias de corrupção e venda de votos na escolha do país como palco do torneio mais importante do futebol, o Qatar entrou nos holofotes da imprensa europeia. Em foco, as más condições de trabalho oferecidas aos imigrantes, apontadas como análogas à escravidão, restrições a liberdades individuais e a direitos de mulheres e LGBTQIA+.

A Copa de 2022 no Qatar tem suas particularidades: pela primeira vez, o Mundial ocorrerá praticamente inteiro no perímetro de uma cidade, um raio de 30 km ao redor de Doha, capital do país. Também será inédito que tudo acontecerá em um palco com restrições ao consumo de bebidas alcoólicas, a alguns tipos de vestimentas e a demonstrações públicas de afeto.

Dentro de campo, há muito a ser discutido: o Brasil chega embalado depois da melhor campanha da história das eliminatórias Sul-Americanas e com ascensão de jovens jogadores como Vini Jr. Neymar vive grande fase no PSG e é o principal garoto-propaganda do Mundial. Nos rivais, Cristiano Ronaldo (Portugal) e Messi (Argentina) se preparam para a última dança em Copas.

Corrupção e desrespeito a direitos humanos no holofote

A escolha pelo Qatar como sede da Copa do Mundo 2022 é questionada desde sua origem, em 2010, com suspeitas de venda de votos por parte dos membros do Comitê Executivo da Fifa, seja por meio de dinheiro direto ou favorecimentos. Na principal denúncia, uma ex-assessora da candidatura do Oriente Médio afirmou que três dirigentes africanos (Issa Hayatou, Amos Adamu e Jacques Anouma) trocaram seus votos por US$ 1,5 milhão cada para as federações.

Além disso, os votos do Brasil, França e do presidente da Concacaf, Jack Warner, também estiveram sob suspeita. Enquanto isso, a avaliação do grupo técnico apontava o Qatar como a pior candidatura para 2022. O relatório investigativo feito por um ex-membro do FBI, Michael Garcia, no entanto, não apresentou dados conclusivos sobre subornos por parte do Qatar. Com isso, não houve nenhum movimento da nova diretoria da Fifa para retirar a Copa do Qatar.

Depois da escolha, o país passou a aparecer nos holofotes acusado de manter trabalhadores em condições desumanas, análogas à escravidão. Órgãos como Anistia Internacional e a Human Rights Watch publicaram, periodicamente, relatórios apontando que trabalhadores tinham seus salários retidos, moravam em alojamentos precários, sofriam problemas de saúde e até morte por causa das altas temperaturas. O jornal britânico Guardian publicou que 6500 trabalhadores morreram no Qatar desde a definição do país como sede da Copa, um número refutado pelas autoridades locais.

Nos últimos anos, o Qatar acenou com uma caminhada rumo à moderação — há dentro do próprio governo do país um embate entre forças conservadores e alas mais progressistas. A organização da Copa enfatizou que a população LGBTQIA+ era bem-vinda para assistir e participar da Copa, e criou algumas exceções para o consumo de álcool, proibido para os muçulmanos.

Trabalhadores no estádio - Tiago Leme/UOL - Tiago Leme/UOL
Trabalhadores que ajudaram na construção dos estádios no QatarImagem: Tiago Leme/UOL

Mesmo assim, as críticas da imprensa europeia não diminuíram, e alimentaram o ressentimento no país. Na reta final antes da Copa, em uma guinada conservadora, o Qatar baniu a cerveja que seria servida no entorno dos estádios nos dias de jogos, surpreendendo a Fifa e mostrando os limites de sua disposição em ceder nos seus costumes.

“As críticas pela Copa do Mundo são hipócritas. Pelo que nós, europeus, fizemos durante os últimos 3.000 anos deveríamos pedir perdão pelos próximos 3.000 antes de dar lições de moral aos outros. Estas lições de moral são simplesmente hipocrisia”none Gianni Infantino, presidente da Fifa, desabafando contra críticas à Copa do Qatar

Sociedade patriarcal que ainda não libertou população LGBTQIA+

Em uma primeira análise superficial, o Qatar mostra ares progressistas, principalmente se considerada sua posição no Oriente Médio tradicional muçulmano. Mulheres exercem as mais diversas profissões — compõem 37% do mercado de trabalho. Hoje, já há no país mais mulheres com diplomas universitários do que homens. A impressão, entretanto, não sobrevive a uma análise mais profunda.

Segundo relatório divulgado pela Humans Rights Watch, mulheres solteiras de menos de 25 anos são tratadas como dependentes e precisam de autorização de um tutor masculino para viagens para fora do país — há até aplicativos destinados para esse processo. Também é necessária autorização de um homem para o casamento. Também é frequentemente exigido delas um documento de um homem próximo para que assumam vagas de trabalho — isso é chamado de “certificado de não objeção”

“Tudo o que eu tenho que fazer está ligado a um homem”none, Noora, jovem qatari de 20 anos, à Human Rights Watch

A população LGTBQIA+ também convive com restrições. Pela legislação do Qatar, homossexualidade masculina é passível de até três anos de prisão — para muçulmanos, existe até a previsão de pena de morte (não há registro de nenhuma ocasião na qual ela tenha sido aplicada).

Há o contraste entre o discurso oficial da Copa do Mundo, de que todos são bem-vindos no país, e a postura de algumas das autoridades locais. Em entrevista no último dia 8 de novembro, o embaixador da Copa do Mundo de 2022, KhalidSalman, disse que a homossexualidade é um “problema mental”.

“No país, os LGBTs são vencidos pela cultura homofóbica, vivem no fundo do armário, pois têm medo ou estão no exílio”none, Nas Mohammed, médico qatari de 35 anos.

Dentro de campo, Brasil chega com força na briga pelo hexa

A preparação do Brasil para a Copa do Qatar foi excelente em termos de resultado. O Brasil bateu o recorde de pontuação nas Eliminatórias Sul-Americanas ao conquistar 45 pontos em 17 jogos —mesmo com uma partida a menos devido à confusão no duelo contra a Argentina que acabou cancelado.

No total, a seleção fez 50 jogos no ciclo para a Copa de 2022. Foram 37 vitórias, dez empates e somente três derrotas. A equipe de Tite marcou 111 gols —com 26 jogadores diferentes— e sofreu 19. Em apenas 17 jogos o Brasil foi vazado: foram 33 partidas sem sofrer gols.

No entanto, mesmo com excelentes números, o Brasil pareceu mudar de patamar após a chegada dos jovens a quem Tite se refere como “perninhas rápidas”. Se antes a seleção de Tite vencia, mas não convencia, a chegada de Vini Jr, Raphinha, Rodrygo e Antony mudou tudo.

Brasil nas eliminatórias - Lucas Figueiredo/CBF - Lucas Figueiredo/CBF
Casemiro durante Brasil x Chile pelas EliminatóriasImagem: Lucas Figueiredo/CBF

Com o crescimento de Lucas Paquetá e o sucesso no novo posicionamento de Neymar, que deixou de ser ponta após o advento dos “perninhas rápidas”, a seleção de Tite encontrou uma das coisas que ele mais buscava durante o ciclo: variação tática.

Hoje, o Brasil pode atuar com um centroavante ou sem, pode jogar com dois volantes ou apenas um, tem opção até mesmo para o caso de Neymar não estar disponível. Ao que parece, o time de Tite nunca esteve tão bem preparado quanto para a Copa do Qatar.

Personagens da seleção

Tite
O treinador chega para sua segunda Copa consecutiva. Com um trabalho ininterrupto, é algo que só Zagallo conseguiu na virada de 1970 para 1974. Será a “última dança” dele com a seleção, independentemente do que acontecer, pois já decidiu deixar o cargo. Com Tite, o Brasil passou por momentos de oscilação depois do Mundial da Rússia, ganhou uma Copa América e perdeu outra, em casa, diante da Argentina. Mas as Eliminatórias foram tranquilas. Ao longo do ciclo, ele testou variações táticas na seleção brasileira, que chega com duas plataformas de jogo bem consolidadas ao Mundial.

Neymar
Pode ser a última Copa do Mundo dele, segundo o próprio. Até por isso Neymar chega a esse Mundial com apetite. O craque começou mais cedo a preparação física –antes de a pré-temporada pelo PSG começar– e se mostra um líder dentro da seleção brasileira. Ele tem o papel de ser o elo entre os jovens e o bloco mais experiente. Tecnicamente, Tite o quer como organizador do time, atuando de forma centralizada, gerando ocasiões e tendo oportunidades de marcar também. O Neymar que chega ao Qatar é mais meia do que atacante.

Vini Jr.
É o melhor brasileiro na Europa, segundo eleição da revista France Football. Chega com o respaldo de ter feito o gol do título do Real Madrid na Liga dos Campeões, mas ainda precisa se consolidar em todas as variações táticas da seleção brasileira. De todo modo, é um dos representantes da ala jovem da seleção que aumentaram a dose de “magia” no futebol apresentado pela equipe brasileira.

Uma Copa chave para o maior jogador brasileiro da última década

Neymar disputará no Qatar a sua terceira Copa do Mundo. E, pela terceira vez, como a principal referência da seleção brasileira. A expectativa, agora, é começar e terminar o torneio com saúde. O camisa 10 chega ao Mundial em grande fase: são 15 gols e 11
assistências pelo PSG. O melhor início de temporada na Europa.

A primeira Copa de Neymar, em 2014, acabou com uma fratura na coluna, provocada pelo colombiano Zuñiga, nas quartas de final. Na segunda, em 2018, o atacante quebrou o quinto metatarso do pé direito e não chegou à Copa nas melhores condições.

Aos 30 anos, 121 jogos e 75 gols com a seleção, Neymar está perto de superar o recorde de Pelé. Segundo a Fifa, o Rei tem 77 gols oficiais pela amarelinha. Como o UOL Esporte mostrou recentemente, o recorde de Pelé é algo que Neymar considera ao mesmo tempo uma conquista e um fardo.

Ele evita tocar no assunto. Quando disse que “vai ser uma honra passar o Pelé”, a frase deu início a uma polêmica na internet. Neymar foi acusado de falta de empatia com o Rei que, naquela época, estava no hospital.

O sonho do hexa e a possibilidade de bater recordes podem ocorrer na última Copa do Mundo de Neymar. O astro já falou em mais de uma entrevista sobre a chance de não estar à disposição em 2026. A decisão final ainda não foi tomada.

A Copa do Qatar também pode recolocar Neymar na briga pelo prêmio de melhor do mundo. Em ano de Copa, o torneio tem um peso enorme em qualquer votação. Com uma marca estimada em R$ 1 bilhão e seu rosto em todos os lugares do Qatar, Neymar tem a chance de alcançar três feitos de uma só vez: ser campeão, melhor do mundo, e ainda superar o Rei Pelé.

Seleção em longo jejum tem rivais ameaçadores

Copa 2022 marca os 20 anos do pentacampeonato da seleção brasileira. E também duas décadas sem um título de uma nação sul-americana. Um jejum que pode estar perto do fim: Brasil e Argentina saem como favoritos, tanto nas casas de apostas quanto nas opiniões de treinadores e jogadores de outras seleções. De quebra, ainda parecem ter o apoio de muitos estrangeiros que viajaram ao país para o Mundial, como indianos, em grande número no Catar.

Messi na Copa América - Buda Mendes/Getty Images - Buda Mendes/Getty Images
Messi comemora título da Argentina na Copa AméricaImagem: Buda Mendes/Getty Images

Maiores rivais da seleção brasileira, os argentinos lutam pelo tricampeonato (1978 e 1986) e chegam a esta Copa em um clima diferente das edições anteriores. A pressão de não ganhar títulos deixou de existir após a conquista da Copa América de 2021, em pleno Maracanã. É com esse time mais leve que a Argentina lutará para dar um título mundial a Lionel Messi, que disputará o torneio pela quinta (e última) vez.

Se a América do Sul apresenta Brasil e Argentina como seus favoritos, a lista de europeus na disputa pela taça é mais ampla. A começar pela França, atual campeã. Com Kylian Mbappé como principal estrela, a equipe de Didier Deschamps chega à Copa com quatro baixas importantes: Karim Benzema, Presnel Kimpembe, N’golo Kanté e Paul Pogba, todos titulares, foram cortados por lesão. Ainda assim, a quantidade de bons jogadores de alto nível joga a favor dos bicampeões. Aurélien Tchouaméni, do Real Madrid, é um candidato a revelação da Copa por desempenhar funções que podem fazer o torcedor francês esquecer de Pogba e Kanté.

Campeãs em 2010 e 2014, respectivamente, Espanha e Alemanha são rivais no Grupo E e apresentam seleções jovens, renovadas e pouco badaladas. Os espanhóis têm como destaques os meio-campistas Pedri, 19, e Gavi, 18, ambos do Barcelona, em uma lista com outros 20 estreantes em Copas. Já os alemães apostam na base do Bayern de Munique, com sete convocados, para buscar o penta. Em um time sem grandes destaques individuais, a referência é Joshua Kimmich, que dita o ritmo no meio-campo. Os germânicos ainda se blindaram no noroeste do país, em um resort de luxo com isolamento e tranquilidade que lembra o Campo Bahia, onde o time teve sucesso em 2014.

Depois de bater na porta da final em 2018, a Inglaterra surge como candidata e se beneficia do crescimento da Premier League nos últimos anos. Todos os convocados jogam na liga local, e o técnico Gareth Southgate teve problemas para fechar a relação, pelo excesso de opções. Harry Kane é o capitão e a esperança de gols, agora ajudado por Phil Foden. No meio-campo, a dupla formada por Declan Rice e Jude Bellingham é candidata a revelação do Mundial.

Além das quatro campeãs históricas —a Itália caiu na repescagem—, Bélgica e Dinamarca também se apresentam como candidatas. Depois de eliminar o Brasil em 2018, os belgas não conseguiram renovar a seleção, mas têm a seu favor o fato de manter uma base sólida. A boa campanha vai depender da forma de Eden Hazard e Romelu Lukaku, ambos em nível mais baixo que na Rússia. De Bruyne, por outro lado, continua em alta e é um meia ainda mais perigoso. Já os dinamarqueses aparecem como candidatos a surpresa pela boa campanha na Eurocopa, quando foram semifinalistas. Em um time sem muitas estrelas, o destaque é Christian Eriksen, meia do Manchester United.

A última dança das lendas Messi e Cristiano Ronaldo

Capitão e líder nos dois únicos títulos da história da seleção portuguesa, a Eurocopa de 2016 e a Liga das Nações de 2019, Cristiano Ronaldo chega ao Qatar em baixa e rodeado de polêmicas. Dentro e fora das quatro linhas. Um cenário raramente visto numa trajetória praticamente imaculada, dos tempos de resiliência nas categorias de base do Sporting aos diversos momentos de glória no Real Madrid.

Cristiano Ronaldo - Pedro Fiúza/NurPhoto via Getty Images - Pedro Fiúza/NurPhoto via Getty Images
Cristiano Ronaldo em treino da seleção de Portugal em preparação para a Copa do MundoImagem: Pedro Fiúza/NurPhoto via Getty Images

A caminho da quinta Copa do Mundo, o craque há meses é contestado na equipe dirigida por Fernando Santos. Já não tem a explosão de antes e acaba por sobrecarregar os companheiros, que, quando estão mais soltos, costumam apresentar um futebol mais atraente e ofensivo, digno de uma das gerações mais ricas da história de Portugal, com Rúben Dias, João Cancelo, Bernardo Silva, Bruno Fernandes, entre outros.

No Manchester United, a situação do maior nome de todos os tempos do esporte português é pior. Não participou na pré-temporada, colecionou problemas de indisciplina e, um dia antes da apresentação oficial da seleção (14 de novembro), viu ser publicada no Reino Unido uma bombástica entrevista, onde, entre outras revelações, diz que não respeita o treinador holandês Erin ten Hag e se sente traído pelos dirigentes do clube.

Na Argentina, Lionel Messi anunciou em outubro deste ano que a Copa de 2022 vai ser a sua última. Aos 35 anos, estava com crédito de sobra para jogar tamanha bomba no mundo do futebol. Em 2021, depois de anos e anos de tentativas frustradas, conseguiu enfim um título pela seleção argentina: a Copa América, diante do arquirrival Brasil, em pleno Maracanã. Pouco meses depois, voltou a soltar o grito de campeão, com a conquista da Finalíssima, diante da Itália, em Wembley.

Sob o comando de Lionel Scaloni, Messi tem jogado em alto nível (dez gols nos últimos cinco jogos, por exemplo) e assumiu com maestria o papel de líder do vestiário, tendo deixado de ser “apenas” o centro das atenções em campo. Virou voz ativa no grupo e, principalmente, caiu de vez nas graças do apaixonado e exigente público argentino, que durante alguns anos sentiu uma certa “fria distância” entre eles.

A fase no PSG também é das melhores. Após uma primeira temporada de altos e baixos e a identificação ainda muito forte com o Barcelona, onde jogou desde os 13 anos de idade, o craque hermano cresceu de rendimento com a contratação do treinador francês Christophe Galtier, assim como os companheiros Neymar e Mbappé. Tem sofrido com alguns problemas físicos, entre eles uma inflamação do tendão de Aquiles, mas não chega a ser nada grave.

O caminho do Brasil até a final

Tite - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Tite e o auxiliar Cléber Xavier vão em busca do hexa para o BrasilImagem: Reprodução/Instagram

No caminho para o hexa, o Brasil já tem um grupo considerado “complicado” pelo técnico Tite. A chave G tem Camarões, Sérvia e Suíça. O time africano é elogiado, mas os principais rivais são os europeus.

Se avançar às oitavas de final, a seleção brasileira deve enfrentar uma pedreira. Portugal e Uruguai são os favoritos do Grupo H, que ainda conta com Coreia do Sul e Gana. Nas quartas, os adversários mais prováveis são Espanha, Alemanha, Bélgica ou Croácia. Em 2018, o Brasil caiu para os belgas justamente nas quartas de final.

A lista de possíveis adversários na semifinal é extensa, mas o Brasil pode encarar seleções como Argentina, França, Holanda e Inglaterra. Se Brasil, Inglaterra e França terminarem em primeiro em seus grupos, o Brasil ficaria de um lado da chave e Inglaterra e França do outro. Com isso, o time canarinho só poderia enfrentar uma dessas seleções em uma possível final. Uma sonhada semifinal com a Argentina tem chance de ser a “final antecipada” da Copa.

Informações UOL


Advogados criticam bloqueio de contas bancárias de 43 supostos financiadores de protestos de caminhoneiros ao redor do Brasil

Representações regionais da OAB acionaram o Conselho Federal da entidade

Dez seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se manifestaram contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de bloquear contas bancárias de 43 supostos financiadores (pessoas físicas e jurídicas) de protestos de caminhoneiros ao redor país.

No documento, as seccionais observam que, ao congelar os recursos, Moraes não notificou o Ministério Público Federal, previamente, tampouco os que estariam por trás das manifestações. “Dessa forma, houve afastamento dos consagrados princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório”, constataram as seccionais, em um documento enviado ao Conselho Federal da OAB, na sexta-feira 18, e obtido por Oeste.

Adiante, as seccionais lembram que a canetada do ministro afetou uma série de trabalhadores vinculados às empresas, que, agora, estão impedidas de realizar pagamentos de salários e honrar dívidas com fornecedores.

Também o documento menciona que os advogados dos alvos de Moraes não conseguem acesso aos autos do processo, de modo a entenderem o que está ocorrendo. Por isso, o pedido das seccionais afirma que as prerrogativas dos advogados estão sendo violadas no país, o que é totalmente inconstitucional.

Por fim, as seccionais pedem à OAB que analise, em regime de urgência, a constitucionalidade da decisão de Moraes, “considerando possível malferimento, em tese, de preceitos constitucionais consagrados, em especial os artigos 5º, LIV, LV e 93, IX da Constituição, bem como, do fundamento basilar da dignidade da pessoa humana, que também merece especial atenção”.

“Solicitamos que sejam avaliadas medidas para que se evitem violações às prerrogativas da advocacia, em especial no que se refere o acesso aos autos em que foram proferidas as decisões ora mencionadas, garantindo desta forma o amplo e irrestrito exercício profissional”, conclui o texto, assinado pelas seccionais do Acre, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rondônia.

Informações Revista Oeste


Na enquete realizada pelo bilionário, a maioria dos usuários votou pelo retorno do ex-presidente à plataforma

51,8% de mais de 15 milhões de votos foram a favor do retorno do ex-presidente Donald Trump à plataforma

O empresário Elon Musk, dono do Twitter, reativou neste sábado, 19, a conta do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, banido da rede social em janeiro de 2021.

“O povo falou. Trump será reintegrado”, escreveu Elon Musk, depois de saber o resultado final de uma pesquisa que fez com seus seguidores, na qual perguntava se Trump deveria voltar à rede social.

51,8% de mais de 15 milhões de votos foram a favor do retorno do ex-presidente à plataforma. “Voz do povo, voz de Deus, tuitou Musk, em latim.

Cancelamento de Trump

Trump foi banido permanentemente do Twitter em 8 de janeiro de 2021, dois dias depois que apoiadores do Partido Republicano invadiram o Congresso dos Estados Unidos. A plataforma justificou o banimento afirmando que houve análise criteriosa dos tuítes de Trump e que constatou “risco de mais incitações à violência”. Trump, que apontou a existência de fraude nas eleições norte-americanas em favor de Joe Biden, também teve as contas suspensas em outras redes sociais.

Na sexta-feira 18, Musk anunciou o retorno de algumas contas anteriormente banidas, como as do psicólogo clínico Jordan Peterson, da comediante Kathy Griffin e do portal de notícias e sátira conservadora The Babylon Bee.

Informações Revista Oeste