Aprovação à candidatura do petista recua e atinge 32%
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Levantamento Genial/Quaest divulgado nesta quinta-feira (5) aponta que 66% dos brasileiros acham que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deveria se candidatar à reeleição em 2026.
O percentual representa um aumento de quatro pontos em relação à pesquisa de março deste ano, quando 62% defendiam que o petista não tentasse um novo mandato.
Por outro lado, 32% afirmam que Lula deveria disputar a Presidência novamente — três pontos a menos do que os 35% registrados na rodada anterior. Outros 2% não souberam ou não responderam.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas presencialmente, entre os dias 29 de maio e 1º de junho, em todos os estados. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento reflete um cenário em que cresce a resistência à continuidade de Lula no Palácio do Planalto após 2026, enquanto o apoio à sua candidatura tem recuado de forma gradual desde o início do ano.
Depois de ser condenada a 10 anos de prisão pelo STF, a deputada anunciou o licenciamento do cargo e deixou o país
Carla Zambelli disse estar na Europa, mas não especificou o país | Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Depois de deixar o país sob a alegação de perseguição política por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), a deputada Carla Zambelli (PL-SP) se pronunciou sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou sua prisão. A deliberação foi publicada nesta quarta-feira, 4.
Zambelli anunciou seu pedido de licenciamento do cargo e ida para a Europa ao ter sido condenada a dez anos de cadeia por supostamente ter comandado a invasão a sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
“Nossa Constituição é clara: um deputado federal só pode ser preso em flagrante e por crime inafiançável”, declarou a deputada. “Nada disso ocorreu. Ainda assim, um único ministro decidiu, de forma monocrática, rasgar o devido processo legal, ignorar a imunidade parlamentar e violentar a democracia.”
A parlamentar também disse que “uma medida dessa gravidade jamais poderia ser tomada de forma monocrática”. Porém, que “o mais grave foi o ataque à minha família”.
Zambelli denuncia bloqueio de contas
A deputada federal Carla Zambelli, na Câmara, pouco depois da operação da PF em seu gabinete – 2/8/2023 | Foto: Mateus Bonomi/Estadão Conteúdo
Ainda ao se pronunciar sobre a decisão de Moraes, a deputada disse que a decisão do ministro determina o “bloqueio da conta de Instagram do meu filho, João Zambelli, um jovem de apenas 17 anos que está iniciando sua trajetória na vida pública”.
“Com isso, não atacou apenas a deputada ou a cidadã Carla Zambelli”, prosseguiu. “Ele atacou uma mãe.Não bastasse isso, mandou também bloquear as contas da minha mãe, Rita Zambelli, que é pré-candidata a deputada federal. Ao fazer isso, atinge não apenas a cidadã, mas também a filha.”
A parlamentar destacou que vai continuar denunciando “esse abuso, essa perseguição e essa escalada autoritária em todos os fóruns internacionais possíveis”.
“O mundo precisa saber que, no Brasil, ministros do Supremo agem como imperadores, atropelando leis, calando vozes, destruindo famílias”, declarou. “Essa perseguição política está apenas começando a ser exposta.”
A mais recente pesquisa do instituto Quaest, divulgada nesta quarta-feira (4), revelou que a desaprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu 57%, um ponto a mais em relação ao levantamento anterior feito no final de março. Apesar da oscilação estar dentro da margem de erro, este é o índice mais alto de reprovação desde o início do atual mandato.
A aprovação do presidente caiu para 40%, também dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. É o menor percentual registrado desde a posse de Lula em janeiro de 2023. No levantamento anterior, esse número era de 41%. Já o percentual de entrevistados que não souberam ou preferiram não responder permaneceu em 3%.
Pela primeira vez, os eleitores católicos que desaprovam o governo superam aqueles que o aprovam. Em janeiro, esse grupo mostrava maior apoio ao presidente. No levantamento anterior, havia um empate técnico. Entre os eleitores com ensino fundamental, o cenário também mudou: antes predominava a aprovação, agora há empate técnico entre aprovação e desaprovação.
A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e realizada entre os dias 29 de maio e 1º de junho. Foram entrevistadas 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em todo o território nacional. O nível de confiança do levantamento é de 95%.
Evair de Melo solicita ao presidente da Câmara autorização para atuação internacional do colega licenciado
Eduardo Bolsonaro está licenciado desde março e exilado nos EUA | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
O deputado federal Evair de Melo (PP-ES) enviou um ofício ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), solicitando que Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente licenciado, possa exercer o mandato fora do país. O parlamentar está nos Estados Unidos desde março, quando passou a ser alvo de um pedido do PT de cassação de seu passaporte diplomático.
No documento, Melo pede que Motta conceda uma “autorização excepcional” para que Eduardo possa “reassumir o exercício de seu mandato, desempenhá-lo a partir do exterior, em caráter temporário e justificado”. A duração seria “enquanto perdurar o estado de insegurança jurídica e risco à sua liberdade pessoal no território nacional.”
O deputado afirma que a solicitação busca garantir “a preservação do princípio da representatividade parlamentar e o respeito à liberdade de expressão e atuação política de deputados democraticamente eleitos”.
Para Melo, Eduardo está em missão política no exterior. Segundo ele, o colega mantém “diálogo com autoridades estrangeiras, organismos internacionais sobre questões relacionadas ao cenário institucional brasileiro”.
STF abriu inquérito contra Eduardo Bolsonaro
Em maio, o STF abriu um inquérito contra Eduardo Bolsonaro. A decisão atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão alega que o deputado licenciado fez publicações, nas redes sociais, pedindo punições a integrantes do STF, PGR e Polícia Federal.
Eduardo pode sofrer sanções que vão desde a cassação do passaporte até a proibição de relações comerciais com pessoas físicas e jurídicas ligadas aos EUA. O deputado diz que sofre perseguição do Judiciário brasileiro e que está trabalhando para denunciar internacionalmente os excessos cometidos pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.
Deputado federal licenciado afirma que há um ‘jogo de cartas marcadas’ para vencerem no ‘tapetão’
Eduardo Bolsonaro está nos EUA, onde denunciou decisões ilegais do STF | Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira, 2, que a investigação na Polícia Federal sobre uma eventual coação no curso do processo da suposta tentativa de golpe — com sua atuação nos EUA — tem o objetivo de impedir uma eventual candidatura dele no ano que vem.
“Tudo é jogo de cartas marcadas para me tirar das eleições de 2026. Estão jogando no tapetão. Do nada, passei a ser investigado no inquérito do plano de golpe da Disney. Inventaram um pretexto para fazer o ‘fishing expedition‘ [pesca probatória, procura especulativa]. Isso fica claro que não tem uma Justiça isenta no Brasil”, afirmou à CNN Brasil.
“No início, queriam o meu passaporte. Isso para me anularem internacionalmente. Não conseguiram. Agora, querem me anular politicamente. Querem me tirar das eleições de 2026”, acrescentou.
Eduardo Bolsonaro é citado como pré-candidato ao Senado por São Paulo, na chapa do governador do Estado Tarcísio de Freitas (Republicanos), e também poderia disputar a Presidência da República. Eduardo admitiu a possibilidade em entrevista à revista Veja. O principal nome da direita, Jair Bolsonaro, está inelegível até 2030, depois de duas decisões no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A declaração foi dada em resposta ao depoimento do deputado Lindbergh Farias (PT), nesta segunda-feira,2, à Polícia Federal. O líder do PT na Câmara depôs no âmbito do inquérito instaurado a pedido da Procuradoria-Geral da República, com autorização de Alexandre de Moraes.
O petista, no depoimento, pediu que a PGR bloqueie os bens e quebre o sigilo bancário de Jair Bolsonaro, em razão de o ex-presidente ter declarado estar mantendo Eduardo Bolsonaro nos EUA com recursos captados por doações de apoiadores.
O inquérito contra Eduardo Bolsonaro autorizado por Alexandre de Moraes
O inquérito instaurado no STF na última segunda-feira, 26, vai investigar se a atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA tenta atingir o Judiciário brasileiro.
O documento afirma que a atuação de Eduardo Bolsonaro tem como foco impor sanções aos ministros do STF. Moraes também determinou o monitoramento das redes sociais do deputado licenciado. O depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro deve ocorrer no próximo dia 5.
Alexandre de Moraes, durante sessão da 1ª Turma do sTF – 11/2/2025 | Foto: Foto: Gustavo Moreno/STF
Na noite da última quinta-feira, 30, o Bureau of Western Hemisphere Affairs (WHA), órgão do governo Trump, fez uma publicação em português no X em que afirma que “nenhum inimigo da liberdade de expressão dos norte-americanos será perdoado”.
Em seu perfil no X, Eduardo Bolsonaro afirmou que sua atuação é pública. “Não faço nada de ilegal.” Ele questiona: “Visitar deputado americano é crime? Perguntar a um secretário de Estado numa audiência da Câmara é ilegal? Ir ao MRE dos EUA (State Departament) é um delito? Se for, então vamos prender parlamentares do PT que se encontraram com Bernie Sanders e AOC também, não?”.
Carla Zambelli diz que atuará na Europa para denunciar ‘abusos do Judiciário’ | Foto:Deputada diz que atuará na Europa para denunciar ‘abusos do Judiciário’ Bruno Spada/Câmara dos Deputados
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP)revelou que está fora do Brasil e licenciada do mandato.
No exterior, Zambelli pretende seguir os passos deEduardo Bolsonaro (PL-SP), que também enfrenta investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) e, por isso, atua fora do país para denunciar o que classifica como abusos do Judiciário.
“É estranho abrir mão do que sempre foi meu lugar. O lugar que o povo me confiou”, afirma a deputada. “Mas no fundo eu sei que a minha voz vai ecoar ainda mais forte, porque não vai ter mais amarras.”
Embora não tenha revelado o destino, por razões de segurança, a deputada informou que pretende se concentrar na Europa — ela tem cidadania italiana. Segundo Zambelli, o objetivo é criar conexões, estabelecer diálogo com lideranças estrangeiras e, assim, atrair atenção internacional para o que considera perseguição política.
“Não fugi”, afirma Carla Zambelli
Desse modo, a parlamentar afirmou que deixou o Brasil para manter autonomia nas denúncias e apelos por “liberdade”. Ela destaca que não é fugitiva.
“Não fugi”, afirma. “Não há mandado de prisão contra mim.”
Além disso, Zambelli comentou a possibilidade de cassação. Conforme lembrou, qualquer decisão precisa passar, obrigatoriamente, pela Câmara dos Deputados.
“A cassação ainda precisa ser analisada pela Câmara”, disse. “A Câmara pode votar pela rejeição da cassação.”
Críticas ao STF e referência a Daniel Silveira
Na entrevista, a congressista voltou a criticar o Supremo. Como exemplo do que considera abuso de autoridade, mencionou o caso do ex-deputado Daniel Silveira, condenado por declarações contra ministros da Corte. Por esse motivo, Zambelli afirmou que pretende fazer, a partir do continente europeu, um contraponto às decisões do Judiciário.
“Assim, eu posso falar livremente”, disse. “Sempre trabalhei pela liberdade e pela democracia e quero continuar atuando dessa forma.”
Estratégia inspirada em Eduardo Bolsonaro
Na avaliação da congressista, a estratégia internacional é necessária. Ela citou, como referência, o trabalho realizado pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro nos Estados Unidos.
“O que o Daniel [Silveira] tem conseguido fazer pelo país, preso e calado? Se estivesse fora do país, talvez tivesse voz agora”, disse. “Como falo espanhol, inglês e um pouco de italiano, quero fazer isso da Europa. O papel do Eduardo nos Estados Unidos é superimportante e acho que a gente precisa ter uma conexão na Europa também.”
STF
Zambelli responde a uma ação no Supremo por suposta invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Recentemente, a 1ª Turma do STF condenou a deputada à prisão em regime fechado, à perda do mandato e à inelegibilidade por oito anos.
O ministro Cristiano Zanin, presidente da turma, assinou um ofício com a decisão e o encaminhou ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Confira a entrevista com Carla Zambelli
No que a senhora se baseou para se afastar do mandato e deixar o país?
Decidi pedir licença do mandato. Foi difícil, mas meu coração já sabia faz tempo que esse era o caminho. Eu estava presa ao cargo, com medo de soltar a mão do que conhecia. Agora sei que preciso dessa liberdade para ser quem sou de verdade. Voltar a ser aquela Carla que nunca se calou e que sempre acreditou que a luta é maior que qualquer cargo. Vou cuidar da minha família, vou seguir firme e vou continuar fazendo o que sempre fiz: lutar sem medo. É estranho abrir mão do que sempre foi meu lugar, mas no fundo eu sei que a minha voz vai ecoar ainda mais forte, porque não vai ter mais amarras… E eu sei que você vai estar comigo, como sempre esteve, me lembrando que é possível recomeçar mesmo quando tudo parece estar desabando.
A senhora se considera uma perseguida política?
Eles [ministros do STF] me ceifaram, mas quando acham que morri, é quando renasço das cinzas — como a fênix. Quando julgam que minha árvore da vida secou, é quando ela mais dará frutos. Nove ministros do STF imaginaram que, ao não ser mais parlamentar, eu seria finalmente combatida e silenciada. Mas o que não esperavam é que, ao me tirarem o cargo, me devolveram algo ainda mais precioso: minha essência de ativista. E é justamente nesse lugar que eu sempre fui mais forte e combativa. Sem as amarras de um mandato, sem precisar me preocupar se minhas palavras vão ferir a vaidade de uma Corte que perdeu seu poder constitucional, posso lutar ainda mais — por aquilo que é certo. Afinal, eles sentem prazer em causar dor, mas eu sinto força em resistir.
Como será sua atuação política a partir da Europa?
Daqui, posso falar livremente. Sempre atuei em defesa da liberdade e da democracia e, por isso, pretendo continuar trabalhando nessa direção, agora em solo europeu. Importante esclarecer: não fugi. Não há mandado de prisão contra mim. Além disso, a cassação ainda precisa ser analisada pela Câmara dos Deputados, que pode votar pela sua rejeição. Enquanto isso, vale refletir: o que o Daniel tem conseguido fazer pelo país, preso e calado? Talvez, se estivesse fora, pudesse ter voz agora. Por fim, falo espanhol e inglês e quero usar esses idiomas como ferramenta a favor da nossa causa. O papel do Eduardo [Bolsonaro] nos Estados Unidos é estratégico — e acredito que precisamos de uma articulação igualmente forte aqui na Europa.
Levantamento foi divulgado nesta sexta-feira (30) pela Pesquisa Atlas/Bloomberg
Foto: Ricardo Stuckert/PR
A desaprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou crescimento, chegando a 53,7%. A aprovação ficou em R$ 45,5%. O levantamento foi divulgado nesta sexta-feira (30) pela Pesquisa Atlas/Bloomberg.
De acordo com a pesquisa, a porcentagem de rejeição foi a maior registrada pelo levantamento desde janeiro de 2024. No levantamento anterior, o índice de desaprovação era de 50,1% contra 46,1% de aprovação.
Segundo o levantamento, 52,1% dos entrevistados consideram a administração de Lula como ruim ou péssima. 41,9% avaliaram como boa ou ótima, somando 41,9%. Outros 6% declararam ser regular.
Em comparação com o último levantamento, houve um salto de 4,4 pontos percentuais na avaliação negativa do governo. A pesquisa entrevistou 4.399 brasileiros, entre 19 a 23 de maio, com margem de erro de 1 ponto percentual para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.
Governador de São Paulo afirmou que o presidente ‘nunca tocou nesse assunto’ e apenas lamentou o resultado das eleições de 2022
O governador de SP, Tarcísio de Freitas, e o ex-presidente Jair Bolsonaro | Foto: Alan Santos/Arquivo/Secom
Em depoimento à 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), negou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tenha tratado sobre um golpe de Estado ao perder as eleições de 2022.
Durante a sessão na manhã desta sexta-feira, 30, o advogado Celso Vilardi, que integra a defesa de Bolsonaro, indagou Tarcísio se nas visitas ao ex-presidente houve o assunto do suposto golpe. O governador foi incisivo: “Jamais, nunca”.
“Assim como nunca tinha acontecido no meu período do ministério”, explicou Tarcísio, que foi o titular da Infraestrutura de 2019 a 2022. “Nesse período, em novembro e dezembro de 2022, o presidente jamais tocou nesse assunto. Ele estava triste e resignado. Na primeira visita tive a oportunidade de ver o seu estado de saúde. Esse assunto nunca veio à pauta.”
Bolsonaro tinha “preocupação óbvia com o futuro”
Ainda em depoimento, Tarcísio relatou que o “único comentário” de Bolsonaro sobre as eleições foi no sentido de “lamentar” e de demonstrar sua “preocupação de que as coisas desandassem”.
O governador explicou que os encontros com o presidente de honra do PL ocorreram em prol da “montagem do secretariado aqui em São Paulo”. “A gente sempre conversava sobre isso”, disse.
“O presidente sempre esteve comigo no sentido de orientar”, declarou. “Ele sempre procurou transmitir a experiência dele. Mas é claro que ele tinha uma preocupação óbvia com o futuro.”
Ao ser indagado em relação à transição do governo federal, Tarcísio sinalizou que Bolsonaro já havia designado o então ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, para liderar o trabalho. “Lembro até de uma live dele dizendo que a vida continuava”, acrescentou.
Tese é de que o andamento do processo hoje difere do contexto no qual houve a autorização da detenção
O ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A defesa do general da reserva Walter Braga Netto voltou a solicitar ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a revogação da prisão preventiva do militar. A tese é de que o andamento do processo hoje difere do contexto no qual houve a autorização da detenção.
O advogado José Luis Oliveira Lima protocolou o pedido nesta quarta-feira, 28. Segundo ele, depois de mais de 160 dias de prisão, não há justificativa para descartar medidas alternativas, já que a investigação não está mais em curso e não existe sigilo sobre a delação de Mauro Cid.
Argumentos da defesa do general Braga Netto ao STF
Ministro Alexandre de Moraes na Primeira Turma do STF | Foto: Fellipe Sampaio/STF
A defesa de Braga Netto argumenta que “atualmente, é incontestável que não há investigações em curso a serem protegidas, da mesma forma que, há meses, já não há mais qualquer sigilo sobre a delação premiada de Mauro Cid”.
“Ainda, já foram ouvidas as testemunhas de acusação, as testemunhas do colaborador e as testemunhas comuns entre acusação e defesa; estando a instrução em estágio avançado”, defende Oliveira Lima.
A prisão do general ocorreu em 14 de dezembro de 2024, sob a suspeita de ele tentar acessar a colaboração premiada do tenente-coronel Mauro Cid. Seu objetivo seria supostamente interferir nas investigações sobre o caso do suposto golpe de Estado, em 2022.
Os advogados destacam que Braga Netto, como militar da reserva, não apresenta histórico de desobediência judicial e nem condutas que justificariam medida tão rígida. A defesa acrescenta que, caso não haja a concessão do pedido de soltura, solicita que o agravo vá para a 1ª Turma do STF.
“Manter Braga Netto preso preventivamente sob o fundamento de uma situação fática supostamente inalterada a esta altura significa permitir que o agravante siga privado de sua liberdade para proteger o avanço de uma investigação já acabada, o sigilo de uma delação que já foi tornada pública pelo relator, ou a higidez de uma instrução processual que já avançou com a produção de toda a prova acusatória”, diz o documento.
No dia 22 de maio, Moraes rejeitou o pedido anterior da defesa. Nessa segunda negativa, o ministro destacou que a situação jurídica permanece igual à época da prisão e que a instrução criminal exige a manutenção da custódia do general para garantir a ordem processual.
Não houve mudanças em relação ao texto aprovado na Câmara dos Deputados, que segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Fachada do Congresso Nacional, a sede das duas Casas do Poder Legislativo brasileiro, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal | Foto: Leonardo Sá/Agência Senado
A autorização para reajuste salarial de servidores do Executivo federal avançou no Congresso depois de o Senado aprovar, nesta quarta-feira, 28, o projeto de lei que trata do tema.
A medida passou na Casa sem mudanças em relação ao texto aprovado pela Câmara dos Deputados, no dia 21 de maio. Agora, o projeto depende apenas da sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A proposição incorpora os termos de uma medida provisória (MP) editada pelo governo no fim do ano passado que formalizou 38 acordos com carreiras civis do funcionalismo federal durante 2024. A validade da MP se esgota no início de junho.
Senado aprova medida que tem impacto no Orçamento
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva decide se aprova ou rejeita medida | Foto: Ricardo Stuckert / PR
O reajuste aprovado contempla servidores ativos, aposentados e pensionistas da União, de modo a estabelecer os novos salários para 2025 e 2026. Entre 2023 e 2026, o aumento médio acumulado será de 27%, já incluindo os 9% concedidos em 2023. Para 2024, não houve reajuste.
De acordo com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o impacto previsto no Orçamento é de R$ 17,99 bilhões em 2025, R$ 26,76 bilhões em 2026 e R$ 29,17 bilhões em 2027.
Durante a votação na Câmara, houve a apresentação de mais de 60 emendas. Contudo, o relator, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), rejeitou a maioria delas. Segundo ele, “as emendas não integram o acordo político ou geram despesas obrigatórias contínuas”.