O ex-ministro Sérgio Moro (Podemos) pretende visitar a Bahia em janeiro, na busca por se viabilizar como candidato à presidência da República. O estado é visto como um reduto eleitoral de um dos seus principais rivais do político: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na Bahia, Moro será recebido pelo deputado federal Bacelar (Podemos), presidente da sigla no estado. “Irei sim. É um ilustre filiado do partido”, afirmou o parlamentar, em entrevista ao Bahia Notícias.
Ocorre que o partido, no contexto local, é aliado do PT, sendo base de apoio do governo Rui Costa (PT). Bacelar disse esperar, entretanto, que a chegada de Moro ao Podemos não atrapalhe a aliança construída na Bahia. “Espero que não [atrapalhe]. Estou trabalhando para isso”, comentou ao BN.
A visita de Moro à Bahia ainda não tem data confirmada. Outro estado nordestino pelo qual o político passará é o Ceará, em uma viagem articulada pelo senador Eduardo Girão (Podemos-CE).
Ex-juiz da Operação Lava Jato, Moro foi o responsável pelas condenações em primeiro grau do ex-presidente Lula. Porém, neste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou o ex-magistrado paranaense suspeito e anulou as decisões contra o petista.
Moro também foi ministro da Justiça e da Segurança Pública na gestão de Jair Bolsonaro (sem partido), mas saiu após acusar o atual presidente da República de tentar interferir em investigações da Polícia Federal.
Ex-ministro foi indicado por Jair Bolsonaro ao STF há mais de quatro meses
André Mendonça, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para uma vaga no STF Foto: PR/Carolina Antunes
O senador Davi Acolumbre (DEM-AP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), marcou para a próxima quarta-feira (1º), a sabatina de André Mendonça. O ex-ministro da Justiça foi indicado à vaga do Supremo Tribunal Federal (STF) aberta com a aposentadoria de Marco Aurelio Mello.
A decisão ocorre após Acolumbre travar a sabatina por mais de quatro meses, pois Mendonça foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro em 13 de julho. O esforço concentrado para a votação de autoridades foi marcado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para zerar a fila de indicações de autoridades.
A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) será relatora da indicação. O clima do Senado é de que o ex-AGU tem os votos necessários para ser aprovado.
Passando pela sabatina na CCJ, Mendonça precisa ter seu nome aprovado pelo plenário do Senado. Com o aval dos senadores, ele poderá enfim ocupar a 11ª cadeira do Supremo, em substituição ao ministro Marco Aurélio Mello.
Governador de São Paulo obteve 53,99% dos votos e superou Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul (44,66%) e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto (1,35%).
Doria vence as prévias do PSDB e será o candidato do partido a presidente da República
O governador de São Paulo, João Doria, venceu as prévias do PSDB em primeiro turno neste sábado (27) e será o candidato do partido à Presidência da República na eleição do ano que vem.
Ele obteve mais que a maioria simples (50% dos votos mais um) e superou nas prévias o governador Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto.
O resultado final foi o seguinte:
João Doria – 53,99% dos votos
Eduardo Leite – 44,66%
Arthur Virgílio – 1,35%
Governador de São Paulo, João Doria, posa para foto com apoiadores no domingo passado durante prévias do PSDB em Brasília — Foto: Alexandro Martello/g1
Esta foi a primeira vez que o partido recorreu à realização de prévias para escolher o candidato à Presidência da República.
Em razão de problemas no aplicativo de votação, as prévias iniciadas no último domingo tiveram de ser interrompidas durante quase uma semana e só foram concluídas neste sábado.
A disputa foi marcada por divergências entre os pré-candidatos, que dividiram posições dentro da legenda. Ao longo da pré-campanha, Doria e Leite trocaram farpas, e a demora para a conclusão da votação acabou agravando a crise entre os governadores.
No domingo, quando começou a votação, Bruno Araújo chegou a dizer que as prévias geram “racha”, mas que o vencedor terá de “lamber as feridas internas” e unificar o PSDB.
Após o anúncio do resultado, o ex-prefeito e ex-senador Arthur Virgílio afirmou que a prioridade agora será “unir o partido”.
“Vamos ter que romper qualquer laço do PSDB com o bolsonarismo. Não tem emenda que valha isso, não tem circunstância que valha isso. Nos temos que começar a fazer justiça aos nossos militantes”, declarou.
Eduardo Leite afirmou que o partido tomou a “decisão absolutamente soberana, que tem meu reconhecimento”.
“Desejo a ti toda a sorte, a força, para lutar a luta que tem pela frente”, disse, dirigindo-se a Doria.
No discurso após o anúncio do resultado, Doria ressaltou realizações de figuras do PSDB nos governos do partido e atacou rivais, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Jair Bolsonaro, prováveis adversários na eleição presidencial do ano que vem. Falou em vencer “a corrupção e a incompetência”.
Em relação a Lula, disse que a adoção de políticas sociais não justifica “o maior esquema de corrupção do qual se tem notícia”.
“Os governos Lula e Dilma representaram a captura do estado pelo maior esquema de corrupção do qual se tem notícia no país, a moralidade convertida em roubalheira. Fazer políticas públicas para os mais pobres não dá direito, a quem quer que seja, de roubar o dinheiro público. Os fins não justificam os meios. A péssima gestão da economia com Dilma nos legou dois anos de recessão e desemprego”, declarou.
Segundo Doria, Bolsonaro “vendeu um sonho e entregou um pesadelo”.
“Nosso fraterno Brasil se transformou no Brasil da discórdia, da desunião, do conflito, da briga entre familiares e amigos, da arrogância política. Da violência contra a democracia. Dos ataques à imprensa e a jornalistas”, disse.
João Doria tem 63 anos e foi eleito governador de São Paulo em 2018, com mais de 10,9 milhões de votos. Assim como Eduardo Leite, apoiou Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição, ocasião em que foi cunhado o slogan “BolsoDoria”.
Antes de ser governador de São Paulo, o tucano, que é formado em jornalismo e publicidade e atuava no ramo empresarial, foi prefeito da capital paulista, em 2016. Ele se filiou ao PSDB em 2001.
Nas prévias, o PSDB dividiu os votantes em quatro grupos:
filiados;
prefeitos e vice-prefeitos;
vereadores, deputados estaduais e distritais.
governadores, vice-governadores, ex-presidentes e o atual presidente da Executiva do partido, senadores e deputados federais.
Cada grupo representou 25% do total de votos. Ou seja, como o grupo 4 tem menos integrantes, na prática o voto de cada um teve um peso maior na contabilidade total da eleição.
A votação nas prévias começou no último domingo (21), mas teve de ser interrompida após falhas no aplicativo destinado à votação dos filiados — a cúpula da legenda suspeita que as prévias tenham sido alvo de ataque hacker.
Desde então, o partido realizou uma série de testes com novas empresas e, nesta sexta-feira (26), escolheu a BeeVoter.
A votação teve início às 8h deste sábado e se encerrou às 17h. Foram cerca de 30 mil votos entre os 44,7 mil filiados aptos a participar. Parte desses votos — 8% do total de filiados — já havia sido contabilizada no último domingo.
Embora o partido registre somente dois votantes no exterior, técnicos identificaram pela manhã 26 mil tentativas de acesso ao aplicativo oriundas de outros países. Por isso, bloquearam os acessos do exterior, a fim de evitar vulnerabilidades.
No fim da tarde, a assessoria do partido informou que foram registradas cerca de 30 milhões de tentativas de ataque ao sistema de votação, das quais 27 milhões somente na última meia hora.
Ativista afirmou que a revista “fez de boa amiga acolhedora” e que ela caiu “no conto”
Sara Winter Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Criticada após conceder uma entrevista à revista IstoÉ, a ativista Sara Winter decidiu voltar a falar sobre o assunto e rebater as críticas do que recebeu. Em entrevista ao site Brasil Sem Medo publicada neste sábado (27), ela explicou que falar com a IstoÉ “foi um erro” e que ela caiu no “conto do jornalista”.
As declarações de Sara Winter foram dadas à revista IstoÉ na semana passada e repercutiram nas redes sociais no último fim de semana. Ao veículo, Sara teria dito que foi orientada por Heleno a parar com os ataques à imprensa e ao então presidente da Câmara Rodrigo Maia. De acordo com ela, a ideia seria focar as críticas aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A revista ainda abordou a relação entre Sara e a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF).
Ao veículo, a ativista disse que à IstoÉ distorceu suas palavras.
– Minha entrevista para a IstoÉ foi um erro. Infelizmente cai no conto do jornalista que disse que me ofereceu o espaço para falar sobre minha carreira no futuro. Atribuo esse erro a minha ingenuidade momentânea e a certa carência pelos espaços para os presos políticos na direita. Me considero muito inteligente no que concerne à desinformação, mas nesse caso, errei – ressaltou.
Ela então disse que a revista se fez “de amiga” com ela.
– A IstoÉ se fez de boa amiga acolhedora, exatamente o papel que a direita deveria ter feito e eu caí direitinho. Se até eu que sou extremamente experiente cai no conto, imaginem quantos jovens ingênuos são cooptados com as mesmas técnicas – apontou.
Sara também foi questionada sobre em quem votaria nas eleições de 2022. Ela afirmou que, apesar dos erros de Bolsonaro, seu voto seria nele.
– Se o Abraham Weintraub ou o Ernesto Araújo fossem candidatos a presidente, eu votaria neles. Mas eles não serão. O que temos hoje é Lula, é Ciro, é Moro, é Bolsonaro. O presidente errou muito, mas se a eleições fossem hoje eu votaria em Jair Bolsonaro.
Decisão foi da Segunda Turma da Corte com os votos de Lewandowski, Gilmar Mendes e Nunes Marques
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) liberou, nesta sexta-feira (26), o desbloqueio dos bens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O placar final ficou em 3 a 1 a favor do petista, com os votos favoráveis dos ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Nunes Marques.
A análise estava acontecendo por meio do plenário virtual e teve início com o voto de Edson Fachin, que votou a favor de manter o bloqueio. A Segunda Turma da Corte está desfalcada após a aposentadoria de Marco Aurélio Mello e o pedido de transferência de Cármen Lúcia para a 1ª Turma.
Os advogados de Lula recorreram à Suprema Corte depois que o juiz Luiz Antônio Bonat, da 13ª Vara Federal de Curitiba, manteve o bloqueio do patrimônio de investigados nos processos relacionados ao triplex do Guarujá, ao sítio de Atibaia e ao Instituto Lula, mesmo após o envio das ações ao Distrito Federal.
A defesa de Lula alegou que o juiz não poderia manter os bloqueios, visto que o STF reconheceu a incompetência da Justiça Federal do Paraná para julgar os processos do ex-presidente. Porém, para a subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, a decisão do ministro Fachin invalidou os atos da Justiça do Paraná somente nas ações penais, sem menção às medidas cautelares.
A votação do pedido começou em 6 de agosto deste ano com o voto do relator, o ministro Edson Fachin, que rejeitou a solicitação feita pela defesa do petista. Dez dias depois, em 16 de agosto, o ministro Ricardo Lewandowski pediu vista, o que suspendeu o processo.
No dia 8 de novembro, Lewandowski devolveu o processo para julgamento, o que permitiu a retomada da votação do desbloqueio dos bens de Lula.
Presidente francês disse que premiê britânico não é “sério”
Boris Johnson e Emmanuel Macron Foto: EFE/EPA/ROBERT PERRY
O presidente da França, Emmanuel Macron, disse nesta sexta-feira (26), que o premiê do Reino Unido, Boris Johnson, deveria “levar a sério” a crise migratória no Canal da Mancha ou “permanecer calado”.
O dia de fúria de Macron começou após Johnson publicar um plano de ação com cinco pontos no Twitter, em vez de recorrer aos canais diplomáticos tradicionais.
– A comunicação de um líder com o outro, sobre questões tão graves, não pode ser feita por tuítes – disparou o francês.
No plano, Johnson sugere que a França receba de volta todos os imigrantes apreendidos em praias britânicas após a travessia do Canal da Mancha. Gabriel Attal, porta-voz do governo francês, chamou a carta do premiê britânico de “medíocre em termos de conteúdo e inapropriada no que diz respeito à forma”.
– Estamos cansados dessa conversa fiada e da terceirização de problemas do Reino Unido – disse Attal, em entrevista à BFM TV.
A irritação de Macron fez o tom de agressividade entre os dois vizinhos subir ontem mais um degrau. Mas não ficou apenas na retórica. A França também retirou o convite à ministra do Interior do Reino Unido, Priti Patel, para participar de uma discussão com vários países sobre o assunto no domingo.
O ministro do Interior francês, Gérald Darmanin, disse que a reunião com Holanda, Bélgica e Alemanha está de pé, mas sem a presença dos britânicos.
TRAGÉDIA A mais nova troca de acusações entre os dois países começou na quarta-feira (24), após a morte de 27 imigrantes que se afogaram perto de Dunquerque, a caminho da Inglaterra. Paris reclama que o Reino Unido atrai imigrantes ilegais com uma política frouxa de fiscalização. Londres diz que autoridades francesas não têm se empenhado em conter os botes que partem de suas praias.
Macron e Johnson, segundo analistas, estariam se aproveitando da crise para marcar pontos políticos. O presidente francês disputa a reeleição em abril e precisa conter o avanço da extrema-direita, que deve explorar a questão migratória na campanha.
O premiê britânico enfrenta um fogo de conservadores e nacionalistas, como Nigel Farage. Para eles, o objetivo do Brexit era retomar o controle das fronteiras. Em vez disso, milhares de imigrantes têm chegado às praias do país sob o olhar perdido de Johnson.
A oposição aproveitou a crise para atacar o premiê. Nick Thomas-Symonds, um dos líderes do Partido Trabalhista, disse que publicar uma carta no Twitter foi um “erro de julgamento grave”.
– Retirar o convite à ministra do Interior é uma humilhação para o primeiro-ministro, que perdeu completamente o controle da situação no Canal da Mancha – disse.
DISPUTAS A questão migratória é apenas um capítulo na rápida deterioração da relação entre os dois vizinhos. Nos últimos meses, França e Reino Unido vivem às turras em disputas relacionadas ao Brexit, principalmente sobre licenças de pesca.
Nesta sexta, pescadores franceses ameaçaram bloquear o acesso a três portos no Canal da Mancha, e também ao Eurotúnel, para exigir a concessão rápida de autorizações pesqueiras, previstas após a saída dos britânicos da UE.
Presidente falou sobre a variante Omicron e disse que o governo irá tomar medidas racionais
Presidente Jair Bolsonaro disse que o Brasil não aguenta um novo lockdown Foto: Isac Nóbrega/PR
O presidente Jair Bolsonaro comentou, nesta sexta-feira (26), sobre a nova variante da Covid-19 que vem causando preocupação pelo mundo, a Omicron.
Em conversa com a imprensa após participar de cerimônia militar no Rio de Janeiro (RJ), Bolsonaro afirmou que o Brasil “não aguenta mais um lockdown”. A informação foi dada pelo jornal Folha de S.Paulo.
A nova variante foi identificada na África do Sul, mas também está presente em outros países do continente africano, entre os quais Botsuana, Suazilândia, Lesoto, Namíbia e Zimbábue.
Ao falar sobre essa variante, Bolsonaro afirmou que serão adotadas “medidas racionais”.
– O Brasil não aguenta mais um lockdown. Conversei com o almirante Barra Torres [presidente da Anvisa], com o Ciro [Nogueira], da Casa Civil, discutindo Argentina. Quem vem da Argentina de carro para cá, sem problemas. Quem vier de avião tem que ficar quatro dias em quarentena. Vamos tomar medidas racionais – apontou.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já chegou a publicar uma nota recomendando que o Brasil adote medidas de restrição relativas a voos de viajantes destes seis países.
Pastor Eurico protocolou uma PEC sugerindo a medida
Desfile no Sambódromo do Rio no Carnaval de 2015 Foto: Reprodução/Google Street View
A comemoração do Carnaval pode ser cancelada em todo o Brasil no ano de 2022. Isso porque o deputado federal pastor Eurico protocolou nesta quinta-feira (25) um Projeto de Lei (PL) para impedir a realização do evento devido à pandemia de Covid-19.
O deputado defende que “cancelar a celebração do Carnaval em todo o país é uma medida sensata para evitar possíveis curvas invisíveis de contágio e o surgimento de novas variantes do vírus. Não podemos esmorecer agora, no final desta guerra, e permitir que a população de todo o Brasil seja exposta a esse risco”.
Se aprovado, o projeto proibirá a realização de “quaisquer festas, blocos carnavalescos ou eventos de pré-Carnaval, em ambientes abertos ou fechados, promovidos por iniciativa pública ou privada” durante o ano de 2022.
Deputado pastor Eurico, autor da proposta Foto: Câmara dos Deputados/Reila Maria
Durante a semana, o Carnaval foi mencionado por diversas autoridades que se manifestaram contra e a favor do evento. O presidente Jair Bolsonaro disse que, por ele, não haverá Carnaval. Houve municípios de São Paulo que anunciaram o cancelamento da festa. No entanto, a capital de São Paulo e a do Rio de Janeiro anunciaram que manterão às atividades relacionadas à festividade.
A CPI da Covid do Rio Grande do Norte, que investiga o caso dos respiradores, tem literalmente tirado o sono do governador Rui Costa (PT). Fontes do Palácio de Ondina revelaram que o petista tem tido dificuldades para dormir diante do avanço das investigações e da dimensão em termos de visibilidade que vem ganhando o trabalho conduzido por deputados potiguares. Para completar, cresceu um rumor de que a Polícia Federal prepara uma operação que deve atingir em cheio os supostos responsáveis pelo esquema, alguns deles ligados ao Governo da Bahia. Embora Rui diga que defende a apuração, aliados admitem que o governador baiano anda muito preocupado.
No rastro do dinheiro
Apesar de Rui tentar se isentar, o fato é que, segundo integrantes da CPI, pelo menos metade dos R$ 50 milhões, que foram pagos pelos estados do Nordeste e não foram devolvidos, foram destinados para propina a agentes públicos e estão agora nos bolsos de alguém. Com base em documentos sigilosos, os deputados que participam da comissão querem construir o caminho do dinheiro para identificar para onde foram os recursos desviados. Garantem ainda que os empresários que participaram do “negócio” estão doidos para abrir a boca e fazer delação, mostrando detalhadamente o caminho do dinheiro. Vai ser um Deus nos acuda!
Manda mais
Pelo que tem sido apontado até o momento, o ex-secretário Bruno Dauster é considerado o principal agente público operador do esquema. Segundo integrantes da CPI, ele teria pedido à Hempcare, empresa contratada para entregar os respiradores, para aumentar o valor do contrato e, assim, “crescer o bolo” da propina. Dizem ainda que o contrato foi feito somente para desviar recursos, uma vez que cláusulas de garantia foram retiradas.
Menino travesso
Além do ex-secretário Bruno Dauster, um dos alvos das investigações é uma figura com forte ligação com o senador Jaques Wagner (PT). Ele é considerado um importante intermediário na negociação feita entre o Consórcio Nordeste e as empresas que seriam responsáveis pela entrega dos respiradores. O cidadão já está no radar da CPI.
Presente indigesto
O relatório final da CPI deve ser apresentado e votado até meados de dezembro e, pouco antes do Natal, vai ser entregue à Procuradoria Geral da República (PGR). Líderes da comissão potiguar dizem que o presente de Papai Noel não vai ser nada agradável para os integrantes do Consórcio Nordeste, em especial aos baianos.
CPI na Bahia
Enquanto isso, deputados governistas na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) estão preocupados com a possibilidade de abertura de uma CPI no estado. Nas últimas semanas, alguns deputados da Oposição começaram a fazer sondagens sobre a criação de uma comissão para investigar o caso dos respiradores, uma vez que a Bahia está no centro das investigações. O movimento tem crescido e já ganha adeptos até mesmo entre parlamentares que, por enquanto, são aliados de Rui Costa. Se de fato uma CPI for aberta, o bambu vai gemer para a turma de Rui e Wagner.
Visita
Nesta semana, inclusive, um grupo de deputados estaduais da oposição foi ao Rio Grande do Norte para uma reunião com integrantes da CPI potiguar. Um deles revelou à coluna que voltou abismado com as informações e que o esquema é mais grave do que se imagina.
Virado na P
Um experiente deputado federal do PT tem soltado cobras e lagartos contra o governador Rui Costa. O parlamentar havia se comprometido a votar em Arthur Lira (PP) na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados e iria ganhar emendas extras, mas mudou o voto para Baleia Rossi (MDB) a pedido de Rui, que prometeu compensar com investimentos em bases do petista. Resultado: até agora nada para o deputado, que não tem escondido sua insatisfação.
Proeza
O líder do governo na ALBA, Rosemberg Pinto (PT), tem degradado gregos e troianos na CPI da Coelba, que ainda não emplacou no Legislativo. O petista quer emplacar presidência e relatoria do colegiado com deputados governistas, o que gerou revolta na oposição, que já ameaça retirar apoio ao colegiado. Até mesmo o deputado Tum (PSC), governista e autor do pedido de abertura da investigação, não está satisfeito e anda reclamando do desequilíbrio e teme uma perda de credibilidade da CPI. Vale recordar, dizem oposicionistas, que foi Rosemberg que propôs uma reunião a portas fechadas com a Coelba, ideia que foi refutada por Tum e pela oposição.
O dia D
O evento que vai oficializar, na próxima quinta-feira (2), a pré-candidatura do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (Democratas) ao governo do estado tem movimentado os bastidores da política do estado. O encontro, que deve reunir representantes de todas as 417 cidades da Bahia, terá a presença de integrantes dos partidos da base aliada de Neto. Também são esperadas algumas surpresas – leia-se: políticos que ainda não declararam formalmente apoio a Neto. O que se comenta é que a lista dos que vão ao lançamento da pré-candidatura já é grande, mas é também considerável a relação dos querem, mas ainda não podem. “Ainda”, ressalta um cacique. 2022 promete!
Reforços à vista
O burburinho também está entre deputados hoje aliados ao PT. Uma influente deputada estadual de um dos maiores partidos da base, por exemplo, já não esconde sua insatisfação com o governo e pretende em breve migrar para o grupo de Neto. Outro deputado federal do PP já é dado como certo no lado do ex-prefeito da capital.
O candidato a governador do estado, ACM Neto (DEM) e o possível candidato a vice-governador ou a senador, José Ronaldo (DEM), participaram do lançamento da pré-campanha de Marisete Bastos para o cargo de deputada federal e Karlúcia Macêdo para deputada estadual.
O evento foi coordenado pelo prefeito de Barreiras, Zito Barbosa e contou com a presença de lideranças políticas de toda região.