Psolista vai comandar pasta voltada à articulação com militantes
O líder do MTST, Guilherme Boulos, e o ex-presidente Lula, durante um ato político – 5/3/2018 | Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Nesta segunda-feira, 20, o presidente Lula escolheu o deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP) para ser ministro da Secretaria-Geral da Presidência.
Responsável pela articulação com movimentos sociais, a pasta vinha sendo comandada por Márcio Macêdo. “Márcio, a ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) e os ministro Rui Costa (Casa Civil) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social) participaram do encontro com o presidente”, informou o Planalto. “A nomeação de Boulos sairá publicada no Diário Oficial de amanhã.”
Boulos foi líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, ajuntamento conhecido por invasões que atua sobretudo na capital paulista.
O anúncio da troca de bastão era esperado desde o começo deste ano.
Escolha de Guilherme Boulos desagrada ala do PT
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em pronunciamento oficial para a cadeia nacional de rádio e televisão — 6/9/2025 | Foto: Reprodução/YouTube/@canalgov
De acordo com um interlocutor ouvido por Oeste,a decisão “passa a imagem de que é um governo do mais do mesmo”, sobretudo depois da nomeação de Gleisi Hoffmann para as Relações Institucionais.
Para os críticos, Boulos não agrega politicamente e, na prática, a movimentação serviu mais para atender aos interesses do próprio aliado que os do partido.
“Ele se tornou candidato uma vez, duas, entrou e saiu do mesmo tamanho”, observou a fonte. “Não cresce, tampouco se viabiliza para o Senado. Ainda admite nos bastidores que não tem perfil para o Parlamento.”
Partidos aliados aguardam a decisão de Jair Bolsonaro sobre quem será o candidato do bolsonarismo à Presidência em 2026 para definir alianças e chapas ao Senado. O ex-presidente quer indicar ao menos um nome por estado, priorizando o controle político da Casa
Partidos de direita aguardam a definição de Jair Bolsonaro (PL) sobre quem será seu sucessor na disputa pela Presidência em 2026 para definir chapas em estados considerados estratégicos para a eleição nacional.
O bolsonarismo tem candidatos competitivos ao Senado, seja do PL, seja de partidos aliados, em ao menos 13 estados -majoritariamente no centro-sul do país.
A Casa tem a prerrogativa de aprovar o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e foi eleita como prioridade por Bolsonaro, que sonha concentrar a maioria dos parlamentares para “ter mais poderes quer o próprio presidente da República”, como já afirmou.
Aliados do bolsonarismo apontam que alianças podem ser feitas ou desfeitas a depender de quem for o candidato ao Planalto -e de se for um nome também próximo de alguns partidos de centro, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), ou algum integrante da família Bolsonaro.
A indefinição se dá especialmente no PSD –que integra o governo Lula (PT), mas também o de Tarcísio em São Paulo. O governador tem mantido postura ambígua, mas freou a ofensiva presidencial nas últimas semanas e tem reforçado ser candidato à reeleição.
A ordem do ex-presidente é para que uma das vagas em cada estado seja de sua indicação, e a outra, de um partido aliado.
Apesar da prioridade dada por Bolsonaro, seu campo político precisaria de um desempenho eleitoral sem precedentes em 2026 para controlar a maioria das 81 cadeiras do Senado.
Em 2022, foram disputadas 27 vagas na Casa, e os aliados do ex-presidente conquistaram 56% delas. Em 2026, o Senado irá renovar as demais 54 vagas. Se o bolsonarismo repetir o índice de sucesso, conseguirá ocupar a maioria das cadeiras, 45, mas não chegará às 54 necessárias para conseguir a aprovação de um impeachment de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).
No Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal e Paraná, a definição da chapa do Senado para o ano que vem depende bastante do arranjo para a disputa presidencial.
No Rio de Janeiro, se Tarcísio for candidato ao Planalto, o prefeito e provável candidato ao governo Eduardo Paes (PSD) pode ficar neutro em relação à Casa, o que beneficiaria o PL, que pode ter dois candidatos no estado. Paes é aliado de Lula, mas o presidente do PSD, Gilberto Kassab, já disse que estará com Tarcísio caso o governador se lance à Presidência.
No Rio, além de Flávio Bolsonaro, o PL pode lançar ao Senado o governador Cláudio Castro, o senador Carlos Portinho ou até mesmo o líder da sigla na Câmara, Sóstenes Cavalcante.
O PSD hoje tem um pré-candidato próprio ao governo federal: Ratinho Jr., chefe do Executivo no Paraná. Ele manterá a candidatura caso o governador de São Paulo decida não concorrer. Caso contrário, poderá se lançar ao Senado. No estado, o bolsonarismo tem mais duas candidaturas: deputado Filipe Barros (PL-PR) e Cristina Graeml (Podemos).
Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, a indefinição preocupa aliados do governador e do ex-presidente. Um cenário se desenha com Tarcísio concorrendo à reeleição, o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), para uma vaga ao Senado e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) concorrendo para a outra -mas a presença dele nos EUA e as investigações que o atingem podem inviabilizá-lo.
Em outro cenário, o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), deixaria o cargo para concorrer ao governo ou o vice-governador Felício Ramuth (PSD) seria alçado ao posto.
Há ainda a possibilidade de o vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo (PL), considerado um empecilho para eventual saída de Nunes, ser candidato ao Senado no lugar de Eduardo, que não deve retornar ao Brasil.
Em Minas Gerais, estado do também presidenciável Romeu Zema (Novo), o Republicanos deve lançar para governador o senador Cleitinho, enquanto o chefe do Executivo estadual busca emplacar seu vice, Matheus Simões.
Para isso, Simões pode se filiar ao PSD, que hoje é casa do senador Rodrigo
Pacheco (MG), possível nome de Lula para governador no estado.
Santa Catarina, Distrito Federal e Rondônia são estados em que o PL deverá ter dois nomes concorrendo ao posto.
No primeiro caso, Carlos Bolsonaro deve ficar com uma das vagas. A segunda é disputada pela deputada Carol de Toni (PL-SC) e pelo senador Esperidião Amin (PP-SC), que busca a reeleição.
Os dois estiveram recentemente com Bolsonaro, preso em casa desde 4 de agosto. O ex-presidente disse à deputada que ela era um bom nome e deu aval para que tentasse se viabilizar. Já Amin afirmou à reportagem, após o encontro, que está cedo e há muita coisa para acontecer ainda.
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), tenta um arco amplo de alianças, mas poderia perder Amin e o PP -que se uniriam a uma candidatura do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD)- caso seu partido lance dois nomes ao Senado.
No Distrito Federal, o PL apresenta duas candidaturas eleitoralmente viáveis, mas o movimento pode pôr o partido em rota de colisão com aliados. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é vista como garantida em uma das vagas -caso não se lance numa eventual chapa à Presidência, mesmo que como vice.
A outra é postulada pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que busca firmar acordo com PL e PP. A ideia é que a vice Celina Leão (PP), amiga de Michelle, seja sua sucessora e a chapa contemple a ex-primeira-dama e ele.
Mas a deputada Bia Kicis (PL-DF) também se colocou para o cargo, após conversas com Bolsonaro no início do ano.
Em Rondônia, o PL também deverá ter dois candidatos: o senador Marcos Rogério, que tentará se reeleger, e o empresário e amigo do clã Bruno Scheid. Opções ao Senado competitivas ao bolsonarismo*
NORTE (3) – Acre: senador Márcio Bittar (PL-AC) – Rondônia: deputado federal Fernando Máximo (União Brasil-RO) – Pará: deputado federal Éder Mauro (PL-PA)
NORDESTE (1) – Rio Grande do Norte: senador Styvenson Valentin (Podemos-RN)
SUDESTE (3) – Minas Gerais: senador Carlos Viana (Podemos-MG) – São Paulo: secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP) – Rio de Janeiro: senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
SUL (2) – Paraná: Cristina Graeml (Podemos) – Santa Catarina: Carlos Bolsonaro (PL-RJ)
*Incluindo nomes do PL, partidos aliados ou notórios apoiadores de Bolsonaro que já estão bem posicionados em pesquisas locais para ao menos uma das vagas ao Senado
Ex-presidente está em prisão domiciliar desde agosto por determinação da Suprema Corte
Reprodução/X
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu, na quinta-feira (16), autorização para o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para fazer a festa de 15 anos da filha em sua residência. O político está em prisão domiciliar desde agosto e só pode receber qualquer tipo de visita, mediante a autorização da Suprema Corte.
Segundo o pedido feito pelos advogados do ex-presidente, a festa será reservada a amigos mais próximos da família Bolsonaro e pessoas que já frequentam a casa. A festa deverá ocorrer já neste sábado (18), durante o horário do almoço.
“O encontro será simples e reservado, contando com a presença de alguns amigos próximos da aniversariante e de amigos da família que habitualmente frequentam o local”, diz um trecho do pedido.
Entre a lista de convidados estão a madrinha da adolescente, assim como seus irmãos mais velhos que levarão as filhas que possuem idades próximas a da aniversariante. Além disso, também estão na lista a senadora Damares Alves (Republicanos), amigos e colegas de escola da filha de Bolsonaro, que não tiveram sua identidade revelada por serem menores de idade.
Em declaração conjunta, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, informaram que “mantiveram conversas muito positivas sobre comércio e questões bilaterais em andamento”.
Mauro Vieira e as autoridades norte-americanas reuniram-se nesta quinta-feira (16), na Casa Branca, em Washington, com foco principal nas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
O comunicado diz ainda que as autoridades estão empenhadas em marcar uma reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
“O Secretário Rubio, o Embaixador Greer e o Ministro Mauro Vieira concordaram em colaborar e conduzir discussões em várias frentes no futuro imediato, além de estabelecer uma rota de trabalho conjunto. Ambas as partes também concordaram em trabalhar conjuntamente pela realização de reunião entre o Presidente Trump e o Presidente Lula na primeira oportunidade possível”, diz a nota, divulgada em português e inglês.
No entanto, conforme informou o chanceler brasileiro em entrevista a jornalistas, as agendas dos presidentes devem determinar o momento mais adequado para a reunião.
A reunião entre Vieira e Rubio marca a retomada do diálogo entre os dois países após meses de tensão diplomática.
As relações entre Brasil e Estados Unidos atravessam um período de instabilidade desde que o governo Trump decidiu impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi justificada pela Casa Branca como uma resposta a uma suposta “politização” do Judiciário brasileiro e à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Além do tarifaço, Washington também aplicou sanções financeiras e consulares a autoridades brasileiras, incluindo o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. As ações foram vistas em Brasília como retaliação política.
O encontro entre Vieira e Rubio é o primeiro de alto nível desde que Trump reassumiu a Presidência dos Estados Unidos, em janeiro. A reunião sinaliza um esforço de reaproximação entre os dois países, iniciado após uma breve conversa entre Lula e Trump durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro, em Nova York.
Os jogadores e a comissão técnica do Vitória contaram com um combustível extra para o clássico Ba-Vi desta quinta-feira (16), às 21h30, no Barradão. Com um treino aberto para a torcida, o Leão finalizou a preparação para o duelo contra o Bahia válido pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Centenas de torcedores cantaram gritos de apoio aos jogadores rubro-negros durante as atividades comandas pelo técnico Jair Ventura, no campo do Barradão, palco da partida. Ao fim das atividades, os portões de acesso ao campo foram abertos e a torcida teve acesso aos jogadores.
Lesionados, o meia Romarinho e o volante Rúben Ismael foram as ausências do treino e devem desfalcar o Leão no clássico.
Após a atividade, 23 jogadores foram relacionados por Jair Ventura e começaram a concentração para a partida na chácara Vidigal Guimarães. O lateral-direito Paulo Roberto, das divisões de base, está convocado, junto com Fabri, recuperado de lesão muscular.
O Leão ocupa a 17ª colocação da Série A, com 25 pontos, três a menos que o Santos, primeiro time fora do Z4. Já o Bahia é o lugar, com 43 pontos.
Sessão estava prevista para esta quinta (16); presidente do Congresso não informou nova data. Planalto tenta evitar enfraquecimento da legislação ambiental às margens da COP30.
O senador Davi Alcolumbre durante sessão de uma comissão do Senado — Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Alcolumbre havia convocado uma sessão conjunta da Câmara e do Senado para apreciar os trechos vetados por Lula na proposta. Em comunicado à imprensa, o compromisso, inicialmente previsto para a manhã desta quinta, está cancelado.
Davi Alcolumbre não informou quando o Congresso voltará a se reunir para analisar os vetos. O presidente do Senado apenas explicou que o adiamento atendeu a um pedido da liderança do governo Lula no Congresso .
O governo tenta evitar um enfraquecimento das regras do licenciamento ambiental às vésperas da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que acontecerá em novembro, no Pará.
A versão do projeto aprovada pelo Congresso é classificada por ambientalistas como “PL da Devastação”. Por isso, a intenção de governistas é de ao menos atrasar a análise dos vetos.
Vetos de Lula
Em agosto, Lula vetou 63 pontos do texto aprovado pelo Congresso. Entre os vetos, estão trechos que simplificam a obtenção de licença por meio de autodeclaração dos empreendimentos de médio potencial poluidor, como uma barragem de rejeitos.
Também foram vetados dispositivos que enfraqueciam:
o regime especial de proteção da Mata Atlântica, impedindo corte de floresta nativa;
e o processo de consulta às comunidades indígenas e quilombolas no processo de reconhecimento de terras.
Dentro do Congresso, a tendência é da derrubada de quase a totalidade dos 63 trechos vetados por Lula em agosto. Davi Alcolumbre é um dos principais articuladores da rejeição dos vetos, que levaria à retomada da versão original do texto.
A derrubada dos vetos também é defendida em peso pela bancada do agronegócio, que avalia que a flexibilização das regras para licenciamento ambiental pode destravar obras de infraestrutura.
Técnicos da Casa Civil negociam com representantes da pauta do agronegócio, como a senadora Tereza Cristina (PP-MS), quais pontos o governo poderá salvar. A parlamentar é vice-presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), grupo formado por mais de 300 deputados.
Na terça (14), 89 entidades do setor produtivo entregaram uma carta a parlamentares defendendo que o Congresso derrube todos os vetos de Lula.
De acordo com a Coalizão das Frentes Produtivas, a versão do projeto aprovada pelo parlamento “assegura previsibilidade aos empreendedores” e promove uma “gestão ambiental descentralizada”, dando mais poder de decisão a estados e municípios.
Após o líder do PT na Câmara pedir à PGR que investigue supostos crimes ligados ao programa Pátria Voluntária, Michelle reagiu com deboche nas redes sociais. A provocação ocorre em meio à escalada de tensão entre petistas e bolsonaristas, que agora envolve também a primeira-dama Janja
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reagiu com ironia à notícia de que o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), apresentou uma representação criminal contra ela à Procuradoria-Geral da República. Em uma rede social, Michelle compartilhou a manchete sobre o caso e escreveu “Ele me ama”, acompanhando a frase com um emoji de risada.
A ação movida por Lindbergh pede que a PGR investigue Michelle por possíveis crimes contra a administração pública e por atos de improbidade ligados ao programa Pátria Voluntária, criado durante o governo de Jair Bolsonaro. O projeto, sob coordenação da então primeira-dama, tinha como objetivo promover ações de voluntariado em parceria com entidades privadas e organizações sociais.
A ofensiva contra Michelle ocorre em um momento de tensão política entre governo e oposição. Enquanto o PT pressiona por apurações envolvendo a gestão anterior, aliados do ex-presidente Bolsonaro intensificam críticas à atual primeira-dama, Rosângela da Silva, conhecida como Janja. Os ataques aumentaram após a publicação de um decreto que amplia o acesso de Janja ao gabinete presidencial, medida assinada pelo próprio presidente Lula.
Gleisi Hoffmann afirma que quem não aprovou a proposta ‘não pode permanecer’
Gleisi Hoffmann tem a confiança do presidente Lula | Foto: José Cruz/Agência Brasil
Diante da rejeição da Medida Provisória do IOF na Câmara, o governo Lula decidiu exonerar indicados de deputados que votaram contra a proposta. Dez aliados desses parlamentares já foram dispensados, de acordo com informações divulgadas pelo portal Uol na última segunda-feira, 13.
Em entrevista ao jornal O Globo, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, detalhou que o governo está reorganizando sua base na Câmara para evitar novos contratempos. Segundo a ministra, “quem votou contra a Medida Provisória, que era de interesse do país, não pode permanecer. Votou contra o governo”.
Ela explicou que a diretriz é afastar os indicados desses deputados e, depois, recompor a articulação política. “Nossa orientação é afastar os indicados de deputados que votaram contra”, afirmou. “Demitir, e depois a gente vai reorganizar a base. Já houve um revés com o decreto do IOF. Como teve a reincidência, temos não só o direito, mas o dever de reorganizar a base.”
Sobre as próximas etapas, Gleisi afirmou que o foco inicial é dialogar com deputados ausentes na votação, para, em seguida, tentar reaproximar quem eventualmente tenha reconsiderado sua postura. “Nosso primeiro foco são os que não estavam na votação. Num segundo momento, podemos falar com alguns que possam ter se arrependido, se justificado e façam o compromisso daqui para frente de votar as matérias com o governo.”
Ao comentar o desempenho do governo Lula no Congresso, Gleisi ressaltou conquistas como a aprovação da isenção do Imposto de Renda e da medida que desonera o consumo de energia elétrica até 80 KW. Apesar dos reveses, ela avaliou que a situação se tornou mais difícil para o Congresso do que para o governo e defendeu uma relação “franca, objetiva e leal” com os parlamentares.
Gleisi comenta planos do governo Lula para eleições
Durante a entrevista, Gleisi também criticou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por ter atuado contra a Medida Provisória. Segundo ela, “a postura do Tarcísio tem sido lamentável” e o governador deveria “se preocupar com São Paulo”.
“Já é a segunda ou terceira intervenção que ele faz em Brasília para tentar defender os interesses dele”, disse a ministra. “Teve uma grande intervenção na anistia e deu no que deu. Agora, de novo, operando contra o Brasil. É um desserviço o que esse governador está fazendo.”
O governo contava com a MP para ampliar a arrecadação | Foto: José Cruz/Agência Brasil
Questionada sobre uma possível candidatura presidencial de Tarcísio, Gleisi avaliou que “é difícil a gente prever quem vai ser candidato à Presidência. Nós só temos uma certeza: o Lula será.” Ela isse ainda que o governo pretende ampliar o apoio partidário a Lula. Gleisi lembrou que, em 2022, MDB e PSD já apoiaram o presidente, embora não integralmente.
Sobre a possibilidade de manter Geraldo Alckmin como vice-presidente, ela ressaltou que isso vai depender de um diálogo com Lula e os partidos. A ministra acredita que parte as siglas deve repetir o apoio em 2026 e mencionou articulações regionais, como a parceria com o União Brasil no Amapá e, potencialmente, no Pará.
“É muito importante que haja essa construção dos palanques. Em Minas, o presidente tem falado muito no Rodrigo Pacheco ser o candidato a governador. Ele [Lula] está convencido que, se for candidato, [Pacheco] vai ser eleito. Em São Paulo, nós temos nomes importantes: Haddad, Alckmin… O PT não ficará sem palanque bom”, declarou ao O Globo.
Nesta terça-feira (14), o deputado Lindbergh Farias (RJ), líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara, acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro. A medida ocorre após reação da oposição a um decreto que coloca os serviços do Gabinete Pessoal da Presidência da República à disposição da primeira-dama, Janja da Silva.
Após o decreto, parlamentares oposicionistas apresentaram 15 projetos de decreto legislativo contra a medida editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lindbergh, no entanto, disse que eles não têm base.
– Quero repelir veementemente a perseguição desnecessária e sem sentido contra a primeira-dama Janja Lula da Silva, com o protocolo de 15 PDL’s sem base jurídica e renovar que os ataques sofrerão retaliações olho por olho e dente por dente. (…) Logo, não há nada de ilegal no decreto da Presidência, ao contrário do que o grupo do Bolsonaro fez quando estava no poder – afirmou o petista.
Ao acionar a PGR, Lindbergh citou o programa Pátria Voluntária, comandando no governo passado por Michelle Bolsonaro, e citou questionamentos feitos pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
– O TCU apontou que houve ingerência política direta na escolha de organizações, destacando o caso da Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB), indicada pela ministra Damares Alves, sem processo seletivo regular. (…) Constatou-se que o programa operou sem amparo constitucional e legal, permitindo à Casa Civil gerir e destinar recursos financeiros privados arrecadados por meio de campanhas públicas, sem controle orçamentário, sem publicidade dos atos e sem critérios objetivos de seleção das entidades beneficiadas – disse.
*Pleno.News Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados
Durante jantar no Palácio da Alvorada, na noite de terça-feira (14), ministros do STF recomendaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que escolha um nome “firme” e “moderado” para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal. Estiveram presentes os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, além do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
Segundo informações da CNN Brasil, Lula ouviu mais do que falou durante o encontro e concordou com a avaliação dos magistrados sobre o perfil ideal para o novo ministro. O advogado-geral da União, Jorge Messias, é hoje o favorito do presidente, embora o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) também conte com apoio dentro da própria Corte.
Antes de definir o indicado, Lula deve se reunir ainda nesta semana com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A expectativa é que o anúncio do nome ocorra até a próxima semana, permitindo que a sabatina e votação no Senado aconteçam ainda em novembro.