Palestino das brigadas Izz el-Deen al-Qassam, braço armado do movimento Hamas, percorre túnel subterrâneo em Gaza Imagem: Mohammed Salem/Reuters – 19.ago.2014
Em guerra com Israel desde o último dia 7, o grupo extremista Hamas possui provavelmente a maior rede de túneis do mundo, com exceção das instalações subterrâneas da Coreia do Norte.
Especialistas apontam que essa rede subterrânea secreta é um dos maiores desafios de uma incursão israelense por terra em Gaza, que teve início ontem (22).
“A escala do desafio em Gaza, onde centenas de quilômetros de túneis cruzam o subsolo no enclave, é totalmente única”, diz John Spencer, presidente de estudos de guerra urbana do Modern War Institute, que faz parte da Academia Militar dos Estados Unidos – também conhecida como Academia de West Point.
“Este extenso complexo subterrâneo é um problema perverso que aguarda as forças terrestres israelenses e para o qual não existe uma solução perfeita.”
500 km de extensão e reféns
Estima-se que a rede de cerca de 1.300 túneis tenha uma extensão total de cerca de 500 quilômetros, e que alguns cheguem a 70 metros de profundidade. Informes sugerem que a maioria dos túneis tem apenas dois metros de altura e dois metros de largura.
Segundo especialistas, é provável que ali estejam localizados os quase 200 reféns que o Hamas fez após os ataques terroristas de 7 de outubro em Israel. Nos túneis também supostamente existem esconderijos de armas, alimentos, água, geradores, combustível e outros equipamentos. Os investigadores que estudaram os túneis acreditam que os líderes do Hamas provavelmente também estão nestas passagens subterrâneas.
Inicialmente, os túneis desta área eram usados para contrabandear mercadorias entre Gaza e o Egito e, mais tarde, entre Gaza e Israel. Com o tempo, devido ao aumento da vigilância aérea israelense em Gaza, com drones e outros equipamentos eletrônicos de espionagem, o Hamas começou a investir mão de obra e dinheiro na expansão da rede de túneis.
Mas foi só em uma operação militar em Gaza, em 2014, que o Exército israelense descobriu a verdadeira extensão dos túneis do Hamas. Depois disso, o governo israelense começou a desenvolver uma barreira ao longo da fronteira de Gaza que penetra no subsolo, para impedir o acesso por túneis ao lado israelense.
Não é fácil localizar os túneis, que podem estar sob edifícios de todos os tipos. Ainda assim, existem diversas maneiras de fazer isso, como o uso de radar e outras técnicas de detecção que medem padrões térmicos, magnéticos e acústicos.
Na maioria das vezes, no entanto, as passagens subterrâneas tendem a ser encontradas pelo trabalho de detetives humanos, como relatou o think tank Rand num relatório de investigação sobre o tema de 2017. Isto é, por soldados em patrulha, ou quando, por exemplo, o sinal telefônico de um agente do Hamas rastreado desaparece subitamente ao entrar num local subterrâneo.
Combate subterrâneo’
No passado, gás lacrimogêneo ou agentes químicos eram usados para “limpar” túneis, conforme explica o livro Underground Warfare, de uma das maiores especialistas mundiais nesta área, Daphné Richemond-Barak.
Também é possível bombardear túneis e Israel tem bombas “destruidoras de bunkers”, capazes de penetrar profundamente no subsolo.
Com apenas cerca de 40 quilômetros de comprimento por entre 6 e 14 quilômetros de largura, e com uma população de 2,2 milhões de pessoas bloqueadas por Israel desde 2007, a Faixa de Gaza é uma das áreas mais densamente povoadas do mundo. Portanto, mesmo que os militares israelenses soubessem onde estão os túneis, a situação no terreno tornaria esse tipo de bombardeamento extremamente difícil, se não impossível.
Além disso, não é fácil lutar nos túneis. O subsolo é mais escuro e muito mais frio, sons, como tiros, são amplificados, e o uso de armas também levanta poeira. Além disso, os túneis podem facilmente se tornar armadilhas explosivas. Na verdade, no passado, os soldados israelenses não eram autorizados a entrar nos túneis até receberem cobertura de equipes especializadas.
Chances limitadas de sucesso
John Spencer, da West Point, observa que nunca tinha visto nenhuma outra força militar fazer tanto trabalho preparatório na guerra em túneis quanto os militares israelenses.
Contudo, Richemond-Barak manifesta preocupação.
“Israel precisaria empreender uma operação aérea e terrestre prolongada e extensa para degradar esta infraestrutura subterrânea”, escreveu este mês artigo para o jornal britânico “Financial Times”.
O exército de Israel poderia derrubar, inundar ou destruir os túneis e selá-los, mas isso seria muito difícil, especialmente quando se está sob fogo em um ambiente urbano, e poderia levar meses. “Mesmo em um tal cenário, que teria um custo humano impensável, é improvável que toda a rede de túneis de Gaza seja destruída”, disse a especialista em guerra subterrânea.
No rescaldo das eleições presidenciais da Argentina, a candidata Patricia Bullrich, que representava a coalizão de centro-direita Juntos por el Cambio, reconheceu sua derrota no primeiro turno da corrida presidencial que ocorreu no domingo (22). Em seu discurso, Bullrich sinalizou que não deverá apoiar o ministro da Economia e candidato peronista, Sergio Massa, que disputará o segundo turno contra o libertário Javier Milei.
“O populismo empobreceu o país e não sou eu quem vai felicitar o regresso ao poder de alguém que fez parte do pior governo da história Argentina”, disse Bullrich, fazendo uma crítica severa ao governo atual. A ex-ministra da Segurança também criticou a gestão de Alberto Fernández, argumentando que o governo distribuiu dinheiro e endividou ainda mais o país. De acordo com Bullrich, sua coalizão não será cúmplice “das máfias que destruíram” a Argentina.
Ela acrescentou: “É por isso que, junto com todos que fazem parte desta força, vamos representar os valores dos que votaram em nós hoje. Nossos valores não podem ser vendidos nem comprados, não vamos negociá-los. Mesmo que não tenhamos vencido as eleições hoje, estaremos juntos com cada argentino nos tempos difíceis que estão por vir.”
Com 98,54% das urnas apuradas até as 09h desta segunda-feira (23), Sergio Massa, da Unión por la Pátria, estava à frente com 36,68% dos votos, enquanto Javier Milei, da La Libertad Avanza, seguia com 29,98%. Patricia Bullrich, de Juntos por el Cambio, obteve 23,83%, Juan Schiaretti, do Hacemos por Nuestro País, recebeu 6,78%, e Myriam Bregman, da Frente de Izquierda, conquistou 2,70% dos votos. A corrida presidencial na Argentina agora avança para o segundo turno.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmaram ter feito operações pontuais em terra no norte da Faixa de Gaza durante a madrugada desta segunda-feira (23). O anúncio foi feito à BBC News.
Autoridades de Israel informaram que as operações contemplaram áreas onde estavam reunidos integrantes do grupo terrorista Hamas e de outras organizaçãoes armadas palestinas.
De acordo com os israelenses, houve ataques de tanques e forças de infantaria para localizar e buscar informações sobre pessoas desaparecidas e reféns feitos pelo Hamas.
De acordo com as informações iniciais, não se trata ocupação por terra que o governo israelense vem anunciado desde o início da guerra.
De acordo com a BBC, o porta-voz da FDI, Daniel Hagari, falou nesta segunda sobre as ações na Faixa de Gaza: “Durante a noite, houve ataques de tanques e forças de infantaria. Esses ataques são ataques que matam esquadrões de terroristas que estão se preparando para a próxima fase da guerra. também localizar e procurar qualquer coisa que possamos obter em termos de inteligência sobre os desaparecidos e os reféns”.
No domingo, o Hamas afirmou que ataques no leste de Khan Younis, no sul de Gaza, foram identificados e que soldados israelenses cruzaram a cerca “por vários metros”.
O grupo terrorista palestino afirmou que, nessa incursão, foram destruídas duas escavadeiras e um tanque.
Além disso, soldados israelenses teriam deixado seus veículos e fugido a pé para leste da cerca.
Na madrugada de domingo, mais de 50 palestinos foram mortos em ataques aéreos à Faixa de Gaza.
A euforia no bunker de Javier Milei neste domingo (22) esteve longe da vista nas eleições primárias em que saiu vitorioso, em agosto. O ultraliberal, porém, fez questão de se mostrar feliz e esperançoso com o segundo lugar e a possibilidade de ser presidente da Argentina em 19 de novembro.
“Não deixemos de ter a real magnitude do evento histórico frente ao qual estamos. Em dois anos viemos a disputar o poder ao mais nefasto poder da história da democracia moderna”, disse ele, que teve 30,1% dos votos válidos, contra 36,4% do ministro da Economia e peronista Sergio Massa.
Ele também indicou que buscará uma aliança com a coalizão Juntos pela Mudança para o segundo turno: “Hoje eu venho a dar por terminado esse processo de agressões e ataques e estou disposto a fazer tábula rasa para terminar com o kirchnerismo”, discursou.
Já Patricia Bullrich, que está fora da disputa, ecoou o antikirchnerismo e admitiu erros. “Esta noite em que não alcançamos os objetivos que queríamos para a nossa Argentina, viemos para reafirmar com toda a força os valores de nossa causa […] Nossa causa vai além do momento eleitoral e de um momento de derrota. Hoje, a aceitamos.”
Próxima aeronave a regressar ao país será o VC-2 (Embraer 190), da Presidência da República, que aguarda autorização no Cairo (Egito)
Foto: Divulgação/FAB
O oitavo voo da Força Aérea Brasileira (FAB) que buscou repatriados em Tel Aviv (Israel) pousou às 4h (horário de Brasília) desta segunda -feira (23), no Rio de Janeiro (RJ).
A bordo da aeronave KC-30 (Airbus A330 200) estavam 209 pessoas e nove animais de estimação, retirados de áreas de conflitos próximas à Faixa de Gaza. Ao todo, 1.410 brasileiros, três bolivianas e 50 animais pets já foram trazidos de volta ao Brasil desde 10 de outubro, três dias após o Hamas dar início à guerra.
A próxima aeronave a regressar ao país será o VC-2 (Embraer 190), da Presidência da República, que está no Cairo, Egito, aguardando autorização para resgatar brasileiros.
No domingo (22), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou, em nota, que, “tendo em conta as condições locais atuais e a operação regular do aeroporto de Ben Gurion, não se preveem voos adicionais para brasileiros em Israel”.
Segundo o MRE, há um grupo de 30 brasileiros e familiares diretos que aguardam retirada da Faixa de Gaza abrigado nas localidades de Khan Younis e Rafah, nas proximidades da fronteira com o Egito. O governo brasileiro, por meio do Escritório de Representação do Brasil em Ramala, mantém permanente contato com eles.
A Câmara Eleitoral da Argentina informou há pouco que 74% dos eleitores aptos do país compareceram às urnas para registrar os votos na eleições gerais do país.
O acesso aos locais de votação foi fechado às 18h. A partir de agora, será iniciada a contagem de votos.
Os primeiros resultados parciais devem sair por volta das 22h. A expectativa é saber se haverá ou não segundo turno.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que um homem levanta uma bandeira em defesa do movimento LGBT em meio a uma manifestação pró-Hamas que acontecia em Londres. Logo após, ele é agredido pelos manifestantes.
Presidente dos Estados Unidos atrela o seu futuro ao desfecho da nova crise que incendeia o Oriente Médio
Os Estados Unidos vão implantar sistemas de defesa aérea em Israel e já instruíram a respeito suas forças destacadas para aquela região do Oriente Médio, anunciou o secretário de Defesa americano, Lloyd Austin. E justificou:
“Após discussões detalhadas com o presidente Joe Biden sobre as recentes escaladas do Irã, orientei uma série de medidas adicionais para fortalecer ainda mais a postura do Departamento de Defesa”.
A principal medida: os Estados Unidos vão colocar a serviço de Israel uma bateria do sistema de defesa antimísseis THAAD e várias baterias de mísseis Patriot “em resposta às tensões”.
Depois de vetar no Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução do Brasil que pedia pausas na guerra para permitir o acesso de ajuda a Gaza, os Estados Unidos esboçaram o seu.
O projeto afirma que Israel tem o direito de se defender e exige que o Irã pare de exportar armas para “milícias e grupos terroristas que ameaçam a paz e a segurança em toda a região”.
Pede a proteção dos civis, observa que os estados devem cumprir o direito internacional ao responder a “ataques terroristas”, e insta a “contínua, suficiente e desimpedida” entrega de ajuda a Gaza.
Não apela, porém, a qualquer trégua nos combates. Apela a todos os Estados para que tentem impedir que “a violência em Gaza se espalhe ou se expanda para outras áreas do Oriente Médio”.
Para ser aprovada pelo Conselho de Segurança, uma resolução carece de pelo menos nove votos a favor e nenhum veto da Rússia, China, Estados Unidos, França ou Reino Unido.
A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Linda Thomas-Greenfield, explicou o veto à resolução do Brasil dizendo que era necessário dar mais tempo para “a diplomacia no terreno”.
No dia do veto, Biden estava em Israel, onde discursou ao lado do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. E em conversa reservada com ele, disse como acha que a guerra deve ser conduzida.
Os seguintes pontos fazem parte da receita de Biden para enfrentar a guerra desatada pelo ataque terrorista de surpresa do grupo Hamas a Israel no último dia 7 de outubro:
* A prioridade: resgatar com vida a maioria dos reféns mantidos em cativeiro pelo Hamas em Gaza e compartilhados com outros grupos radicais palestinos. Dois já foram devolvidos;
* Não abrir uma segunda frente de batalha contra o Hezbollah, organização palestina financiada pelo Irã e sediada no Líbano. A guerra em duas frentes pode desencadear um conflito regional;
* A invasão terrestre à Faixa de Gaza deve empregar violência comedida para não se transformar em uma matança generalizada;
* A ocupação de Gaza pelas tropas de Israel não deve ser demorada para evitar o acirramento dos ânimos nos países árabes, a maioria deles retoricamente a favor dos palestinos;
* Por fim, a retomada das negociações para a criação de um Estado palestino deve acontecer de imediato ou a curto prazo.
Temeroso do futuro do seu governo, se é que tem algum, a receita de Netanyahu para a condução da guerra é pouco parecida com a de Biden e está sujeita a condições que ele não controla.
No caso dos reféns: o primeiro-ministro sempre criticou as concessões feitas pelos governos que antecederam ao seu para o resgate de prisioneiros. Não quer pagar um alto preço por isso.
Netanyahu está sob crescente pressão dos falcões do sistema de segurança de Israel para lançar um ataque preventivo contra “os animais”, como o ministro de Defesa denomina os palestinos.
Por mais de uma vez, Netanyahu já prometeu que a invasão a Gaza usará violência extrema. Será algo jamais visto. Quanto a ocupação de Gaza ser demorada ou não, nunca deixou claro o que pensa.
A retomada das negociações para a criação de um Estado palestino, por enquanto ou a perder de vista, está fora do radar do governo israelense. Netanyahu governa Israel há 12 anos.
Biden nunca gostou de Netanyahu, que nunca gostou de Biden. Mas Biden precisa do apoio econômico dos judeus para se reeleger, assim como Netanyahu precisa da proteção americana.
Em silêncio, mas sem disfarçar, Netanyahu torce para que Donald Trump, com quem mais se identifica, derrote Biden nas eleições de 2026. Só espera que seu próprio governo não desabe antes disso.
Uma avaliação da inteligência militar francesa aponta que a causa mais provável da explosão ao lado do hospital Al-Ahli, na Faixa de Gaza, foi provocada por um foguete palestino que falhou.
As informações foram confirmadas por um oficial militar francês à agência Associated Press. Ele foi autorizado a compartilhar a informação pelo presidente Emmanuel Macron, numa tentativa de ser transparente sobre as descobertas da inteligência francesa.
De acordo com o oficial, nenhuma das informações apontou para um ataque israelense.
A avaliação se baseia em imagens de satélite, inteligência compartilhada por outros países, informações confidenciais e de fonte aberta.
Ainda segundo a inteligência francesa, o tamanho da cratera no pátio do hospital tem cerca de um metro de comprimento, 75 centímetros de diâmetro e cerca de 30 a 40 centímetros de profundidade. Esses dados apontam para uma carga explosiva de cerca de cinco quilos. Foguetes do Hamas e da Jihad Islâmica carregam cargas explosivas com aproximadamente esse peso.
O oficial francês afirmou ainda que “de forma alguma que um foguete desse tamanho pudesse ter produzido 471 mortos“.
Como mostramos, as Forças de Defesa de Israel, FDI, publicaram na quarta-feira uma análise do local destruído ao lado do hospital. O vídeo traz diversas imagens feitas por drones e satélites, comparando a situação antes e depois da explosão provocada por um foguete da Jihad Islâmica.
A vice-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministra Cármen Lúcia, vai acompanhar o 1º turno das eleições para presidência da Argentina, realizado neste domingo (22.out.2023), informou a Corte Eleitoral. A magistrada integra o Programa de Convidados Internacionais organizado pela CNE (Câmara Nacional Eleitoral) e pela DINE (Direção Nacional Eleitoral). Na 6ª feira (20.out), Carmén Lúcia teve audiência com a vice-presidente do Conselho da Magistratura do Poder Judicial da Nação da Argentina, a juíza Agustina Díaz Cordero.