Capa da revista ‘Time’ mostra as realizações de Elon Musk — Foto: Ian Caldas/GloboNews/Reprodução
O bilionário Elon Musk estampa a próxima edição da revista americana “Time” com o título “Cidadão Musk — qual será o próximo tópico na lista de tarefas?”.
A capa traz os itens já cumpridos por Musk até agora, como “se tornar o homem mais rico do mundo”, “comprar o Twitter”, “lançar foguetes”, “fazer com que Donald Trump seja eleito” e “trabalhar de Mar-a-Lago”, onde o presidente eleito tem uma mansão.
Mas a lista ainda tem itens pendentes, como “reduzir US$ 2 trilhões”, meta dele no governo republicano, e “voar para Marte”.
O texto editorial questiona “Quem acabamos de eleger?”, e afirma que a chapa republicana era liderada por Donald Trump e J.D. Vance, mas um novo ator tomou o centro das atenções na corrida eleitoral e pode impactar o destino de milhões de americanos.
Agora, o escolhido de Trump para liderar uma comissão de “eficiência governamental” entra no domínio da política, liderando comícios e nomeações governamentais, moldando a agenda do próximo Presidente dos EUA.
A revista destaca que já conhecemos diversos papéis exercidos por Musk ao longo dos anos: o cara que comprou o Twitter e demitiu mais da metade da equipe, o inventor que trouxe de volta à vida o programa espacial, o fabricante de automóveis modernos.
Um dos homens poderosos do mundo, o bilionário já fez os mercados dispararem e despencarem com meras publicações nas redes sociais. Ele também é responsável por levar astronautas para fora do planeta em naves espaciais e auxiliar exércitos a avançar com os sinais de satélites desenvolvidos por empresas do bilionário.
A revista chega a recuperar capas antigas em que Musk também era o destaque da publicação. As capas de 2013, 2022 e 2023 destacam a influência de Musk, a escolha do bilionário como “personalidade do ano” e a influência dele em empresas de tecnologia.
Netanyahu discursa na Assembleia Geral da ONU, em 27 de setembro de 2024 — Foto: Reuters/Mike Segar/File Photo
Os mandados de prisão do Tribunal Penal Internacional para o premiê israelense Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant por crimes de guerra e contra a humanidade em Gaza ampliam de forma drástica o isolamento de Israel e o rótulo de pária no cenário internacional.
Na prática, o primeiro-ministro enfrentará severas restrições de viagem, semelhantes às do presidente da Rússia, Vladimir Putin, correndo o risco de ser preso se pisar num dos 124 países signatários do Estatuto de Roma, que criou o TPI.
A decisão unânime de três juízes contra líderes de um país democrático e aliado do Ocidente acaba por ser inédita nos 22 anos de existência da corte internacional.
O tribunal ordenou também a prisão de Mohammed Deif, líder militar do Hamas, que teria sido morto por Israel, sem confirmação da organização terrorista. Outros dois líderes do Hamas, Ismail Haniyeh e Yahya Sinwar, a quem o promotor do TPI, Karim Khan, pediu a prisão em maio passado, estão mortos.
Embora o TPI não tenha poderes para prender Netanyahu nem possa julgá-lo à revelia, já que para tanto depende da ação dos países-membros, a acusação de criminoso de guerra será como um fardo para o primeiro-ministro israelense.
Ele não será detido em Israel, EUA, Índia, China, Rússia e outros países que não integram o TPI, mas enfrentará constrangimentos para planejar cada viagem ao exterior, ainda que vá para países que o acolham.
Países europeus parceiros de Israel, como Alemanha, França e Reino Unido, serão obrigados a cumprir os mandados de prisão.Canadá, Holanda e Itália já fizeram saber publicamente que respeitarão a decisão do TPI.
O chefe de política externa da União Europeia, Josep Borrell, lembrou que os mandados de prisão são vinculativos para todos os estados-membros do bloco. Já o presidente da Argentina, Javier Milei, rejeitou a ação do TPI e foi solidário a Israel.
São remotas as chances de Netanyahu e Gallant acabarem sentados no banco de réus em Haia.Assim como parece ser irreal a probabilidade de o premiê ser derrubado do cargo pela ordem internacional de prisão.
Internamente ele saiu fortalecido, já que todos os partidos políticos israelenses condenaram, como injusta e infundada, a decisão do TPI. “Esses mandados são uma recompensa pelo terrorismo”, afirmou o líder da oposição, Yair Lapid, e um dos maiores desafetos do premiê.
O maior trunfo de Netanyahu ainda parece ser o apoio do maior aliado, os EUA, e a pressão que o governo americano poderá exercer sobre os países europeus para evitar que cumpram a ordem de prisão.
O premiê conta, sobretudo, com o respaldo do presidente eleito, Donald Trump, um crítico contumaz do TPI.
Em seu primeiro mandato, o ex-presidente americano autorizou sanções econômicas e restrições de viagem contra funcionários da corte internacional que investigaram tropas americanas por possíveis crimes de guerra no Afeganistão. As sanções, que incluíam o promotor Khan, foram suspensas pelo sucessor Joe Biden.
Sob esse aspecto, os EUA são o porto-seguro de Netanyahu para tentar esvaziar a ação do TPI. O atual e o ex-futuro presidente americano coincidiram na condenação dos mandados de prisão.
“Não há equivalência — nenhuma — entre Israel e o Hamas. Sempre estaremos com Israel contra ameaças à sua segurança”, afirmou Biden, com quem o premiê mantém uma relação desgastada.
Indicado por Trump para comandar o Conselho de Segurança Nacional, Michael Waltz adotou o tom ameaçador: “O TPI não tem credibilidade, e essas alegações foram refutadas pelo governo americano. Vocês podem esperar uma forte resposta ao viés antissemita do TPI e da ONU em janeiro”.
Procuradoria da Corte Internacional de Justiça pede prisão de Benjamin Netanyahu e líderes do Hamas
ABIR SULTAN/Pool via REUTERS
O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu nesta quinta-feira (21) um mandado de prisão internacional para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu por crimes de guerra.
O TPI também expediu mandados para Mohammed Deif, líder do Hamas que Israel diz já ter matado, e para o ex-ministro da Defesa de Israel Yoav Gallant, demitido há duas semanas por Netanyahu.
O TPI disse ter evidências suficientes de que todos condenados cometeram crimes de guerra por deliberadamente atacarem alvos civis, de um lado e de outro. As condenações também incluem os crimes de “indução à fome como método de guerra”, pelo lado de Israel, e “exterminação de povo”, pelo lado do Hamas.
Os mandados de prisão foram emitdos para todos os 124 países signatários do TPI — inclusive o Brasil — e significa que os governos desses países se compromentem a cumprir a sentença e prender qualquer um dos condenados caso eles entrem em territórios nacionais.
A senteça acatou um pedido da Procuradoria do tribunal feito em maio, o primeiro trâmite da Justiça internacional contra Netanyahu.
O premiê israelense ainda não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem, mas o líder da oposição, Yair Lapid, chamou o mandado de prisão a Netanyahu de “uma recompensa ao terorrismo”. O ex-primeiro-ministro israelense Naftali Benett, também criticou a decisão.
Esta reportagem está em atualização.
Pedido da Procuradoria
O pedido original de prisão de Netanyahu, Gallant foi feito em maio deste ano pelo procurador do TPI, Karim Khan, quetambém pediu a prisão emitida contra o presidente russo, Vladimir Putin. Na ocasião, Khan também pediu a prisão dos então três principais chefes do Hamas. Israel diz já ter matado os três, mas o Hamas só confirmou a morte de dois deles:
Yahya Sinwar, o ex-chefe do Hamas na Faixa de Gaza morto em Gaza por Israel;
Mohammed Deif, comandante da ala militar e quem arquitetou o ataque de 7 de outubro ao sul de Israel. Segundo o Exército israelense, ele morreu em um ataque em agosto;
Ismail Haniyeh, chefe político do grupo e que vivia no Catar, morto por Israel no Irã.
Segundo o procurador, do lado do Hamas, os seguintes crimes foram cometidos:
Exterminação de povo;
Assassinato de civis;
Sequestrar e fazer civis reféns;
Tortura;
Estupro e atos de violência sexual;
Tratamento cruel e desumano
Já do lado de Israel, Kham disse ter identificado os seguintes crimes:
Indução à fome como método de guerra;
Sofrimento deliberado na população civil;
Assassinato de civis;
Ataques deliberados a civis;
Exterminação de povo;
Perseguição e tratamento desumano.
“Agora, mais do que nunca, precisamos demonstrar coletivamente que o direito internacional humanitário, a base fundamental para a conduta humana durante o conflito, se aplica a todos os indivíduos e se aplica igualmente a todas as situações abordadas pelo meu escritório e pelo tribunal”, disse Khan.
As decisões feitas pelo TPI devem ser cumpridas por todos os 124 países signatários do acordo que criou a Corte — o Brasil é um deles.
No entanto, o tribunal não tem uma força policial que cumpra os mandados de prisão, e depende do comprometimento de cada Estado para prender um condenado que entre em seu território.
Tanto o governo de Israel quanto o Hamas criticaram a decisão do procurador do TPI.
Netanyahu criticou o pedido:
“Eu rejeito essa comparação nojenta do procurador em Haia entre a democracia de Israel e os assassinos em massa do Hamas. Que audácia você compara o Hamas, que matou, queimou, fatiou, decapitou, estuprou e sequestrou nossos irmãos e irmãs e os soldados das Forças de Defesa de Israel, que lutam uma guerra justa”.
Já o Hamas disse, em comunicado, que o pedido de Khan “iguala a vítima ao carrasco” e disseram querer que a Procuradoria anule a solicitação de prisão para seus líderes.
Outro desafio é que Israel e seu principal aliado, os Estados Unidos, não são membros do TPI, assim como a China e a Rússia.
Ao todo, 66 países decidiram não se posicionar, incluindo todos os integrantes do Brics
Brasil decidiu não se posicionar contra repressões do Irã | Foto: Foto: Ricardo Stuckert/Secom
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu se abster em uma resolução que condena o Irã pela repressão contra mulheres, pela violência usada para silenciar manifestantes e pela onda de penas de morte pelas autoridades em Teerã. Nenhum país do Brics votou por condenar o Irã na Organização das Nações Unidas (ONU).
Nesta quarta-feira, 20, a entidade analisou uma resolução de condenação apresentada por europeus e norte-americanos. O texto recebeu o apoio de 77 países e foi aprovado com os votos de outros governos de esquerda, como Chile, México, Espanha e Colômbia.
Integrante do Brics, o Irã observou que todos os seus parceiros no grupo de economias emergentes evitaram aprovar uma condenação relacionada à situação dos direitos humanos no país. Ao todo, 28 nações votaram contra a resolução, incluindo Rússia e China, que também fazem parte do bloco.
Outros 66 países decidiram pela abstenção, entre eles Brasil, África do Sul, Egito, Índia, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Arábia Saudita, todos integrantes do Brics.
No início do ano, o Itamaraty avaliou que o isolamento do Irã, defendido pelas potências ocidentais, apenas intensificaria o radicalismo em Teerã, além de acelerar o desenvolvimento de uma arma nuclear pelo país.
Em abril, por exemplo, o Brasil optou por se abster em uma votação da ONU que ampliava o mandato da entidade para investigar violações de direitos humanos no Irã, especialmente após os protestos liderados por mulheres a partir de 2022.
Essa iniciativa, contudo, foi aprovada no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, com 24 votos favoráveis, 15 abstenções e oito contrários.
Brasil justifica abstenção sobre Irã
Em um discurso nesta quarta-feira, a delegação brasileira explicou sua decisão de abstenção. Segundo o Itamaraty, o Brasil “reconhece os esforços do Irã para acolher uma das maiores populações de refugiados do mundo, com mais de 3,7 milhões de refugiados afegãos”.
O governo também mencionou a diretriz de novembro de 2023, a “Referência a convenções internacionais Convenções Internacionais de Direitos Humanos em Decisões Judiciais”.
O Itamaraty elogiou ainda “o envolvimento do Irã com os órgãos de tratados de direitos humanos, ao mesmo tempo em que reiteramos nosso apelo para que o governo iraniano também colabore com os procedimentos especiais do Conselho de Conselho de Direitos Humanos”.
Em explicação à abstenção, o Itamaraty acrescentou que “continua preocupado com os relatos de violações contra mulheres, defensores dos direitos humanos e minorias religiosas e étnicas”.
“Há também a necessidade de revogar as leis discriminatórias de gênero existentes e promover os direitos das mulheres e das meninas”, disse.
Apesar das preocupações, o Brasil optou pela abstenção.
“No entendimento de que o Irã está comprometido a fortalecer seus esforços para melhorar a situação dos direitos humanos no país, e no espírito de um diálogo construtivo, o Brasil se absterá”, completou.
Cidadãos norte-americanos estão em alerta; eles foram orientados a buscar abrigos
Embaixada dos Estados Unidos em Kiev, na Ucrânia, vai permanecer fechada nesta quarta-feira, 20 | Foto: Reprodução/X
Sob ameaça de um “forte ataque aéreo”, o governo dos Estados Unidos anunciou que a sua embaixada em Kiev, na Ucrânia, vai permanecer fechada nesta quarta-feira, 20. A medida consiste em um ato de precaução.
Um alerta de segurança foi emitido para cidadãos americanos em toda a Ucrânia, não apenas na capital, onde está localizada a representação oficial.
“A Embaixada dos EUA recomenda que os seus cidadãos estejam prontos para se abrigar imediatamente caso surja um alerta de ataque aéreo”, orienta o comunicado.
Orientações para os cidadãos dos Estados Unidos
Recentemente, um míssil russo atingiu o maior hospital infantil da Ucrânia. o alvo foram jovens pacientes com câncer | Foto: ZelenskyyUa/Fotos Públicas
Os cidadãos receberam orientações para acompanhar a mídia local para atualizações. Eles devem identificar locais de abrigo com antecedência e seguir as instruções das autoridades ucranianas e dos socorristas em caso de emergência.
Esse alerta ocorre depois de a Ucrânia ter usado mísseis ATACMS, artefatos de longo alcance com selo dos Estados Unidos, para atingir território russo. Houve parra isso a permissão do governo Joe Biden. A Rússia alerta o Ocidente sobre considerar o uso desses mísseis como um envolvimento direto da região na guerra.
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que responderia aos ataques feitos a partir de armas americanas.
Reações internacionais e ações militares
O Ministério da Defesa da Rússia informou que Kiev lançou seis mísseis ATACMS em direção a Bryansk, no sudoeste da Rússia, na madrugada de terça-feira, 19. Militares conseguiram interceptar cinco mísseis e destruir parcialmente o sexto. Apenas destroços caíram perto de uma área militar, causando um incêndio sem danos estruturais ou vítimas.
Fontes do governo americano e do Exército ucraniano confirmaram o ataque à agência de notícias Reuters. É comum Kiev não comentar alegações de ataques em solo russo.
Situação atual da guerra na Ucrânia
A guerra na Ucrânia completou mil dias na terça-feira 19, sem perspectiva de fim ou negociações de paz. Cerca de 20% do território ucraniano está sob controle russo, mas sem avanços significativos. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou um plano para expulsar tropas russas, mas não forneceu detalhes de como pretende executar o seu plano.
A atualização recente da doutrina nuclear da Rússia pelo presidente Vladimir Putin está causando grande repercussão no cenário internacional. Emitida nesta terça-feira (19), esta movimentação ocorre em um contexto de tensões globais crescentes, especialmente após a decisão dos Estados Unidos de permitir que a Ucrânia utilize armas fabricadas em solo americano. A reformulação da doutrina parece redefinir as condições sob as quais Moscou consideraria o uso de armas nucleares, aumentando preocupações sobre uma possível escalada militar.
As mudanças introduzidas ampliam a definição original de agressão, incluindo a possibilidade de resposta nuclear em caso de ataques convencionais, desde que estes tenham a participação de um país nuclear. Isso representa um ajuste significativo na política de dissuasão russa, ampliando as circunstâncias que poderiam desencadear uma resposta nuclear.
Como funciona a nova doutrina nuclear da Rússia?
Putin / Creative Commons
Com as atualizações mais recentes, a Rússia deixou claro que agressões de qualquer estado não nuclear, quando realizadas em conjunto com um país nuclear, serão vistas como um ataque unificado contra Moscou. Esse ajuste na doutrina reduz a barreira para o uso inicial de armas nucleares, algo que pode alterar drasticamente o equilíbrio estratégico internacional.
Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a Rússia agora reserva o direito de utilizar seu arsenal nuclear em resposta a ataques convencionais, tanto contra si mesma quanto contra aliados estratégicos como a Bielorrússia. Essa postura é vista como uma tentativa de reforçar a dissuasão nuclear, destacando a “inevitabilidade da retaliação” diante de uma agressão considerada crítica.
Como a nova doutrina pode impactar as relações internacionais?
Esta revisão na doutrina nuclear surge em meio à resposta da Rússia às recentes ações dos EUA na Ucrânia. O governo de Joe Biden permitiu que Kiev usasse armamento de longo alcance americano para atingir alvos dentro da Rússia, algo que o Kremlin classifica como uma escalada perigosa do conflito. Nesse contexto, a atualização na doutrina pode ser vista como uma reação preventiva de Moscou para desmotivar ações militares mais agressivas.
A ampliação dos critérios para uso das armas nucleares pela Rússia pode aumentar as tensões não apenas na região, mas globalmente, influenciando as relações entre potências nucleares. Esta mudança potencializa os riscos de mal-entendidos ou de ações precipitadas que possam resultar em conflitos escalonados.
Quais são as possíveis repercussões para a comunidade global?
A redefinição da estratégia nuclear russa levanta preocupações no mundo todo. Existe o risco de que, tendo uma doutrina mais flexível para o uso de armas nucleares, outros países com capacidade semelhante possam reconsiderar suas próprias políticas de dissuasão nuclear. Isso pode criar uma nova onda de corrida armamentista nuclear, comprometendo esforços vigentes de desarmamento e não proliferação.
Para a comunidade global, torna-se essencial uma abordagem diplomática reforçada para lidar com as implicações estratégicas dessa atualização doutrinária. Mantendo canais de diálogo abertos e promovendo entendimento mútuo entre nações, as potências mundiais podem trabalhar para evitar uma escalada militar que colocaria a segurança global em risco.
Decisão acontece 2 meses antes de o presidente eleito, Donald Trump, assumir a Casa Branca
Biden fez movimento pouco antes de deixar a Casa Branca | Foto: Jonathan Ernst/Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, autorizou o primeiro uso de mísseis de longo alcance fornecidos à Ucrânia para ataques em território russo. As informações são do jornal The New York Times.
Inicialmente, é provável que as armas sejam usadas contra tropas da Rússia e da Coreia do Norte para defender as forças ucranianas na região de Kursk, no oeste do país chefiado por Vladimir Putin.
A decisão de Biden representa uma mudança importante na política dos Estados Unidos e dividiu opiniões entre os assessores do democrata. O posicionamento acontece dois meses antes de o presidente eleito, Donald Trump, que prometeu limitar o apoio à Ucrânia, assumir a Casa Branca.
Permissão de Biden é resposta à decisão da Rússia
A autorização para uso de mísseis de longo alcance, conhecidos como Sistemas de Mísseis Táticos do Exército (ATACMS, na sigla em inglês), foi uma resposta de Biden à decisão da Rússia de trazer tropas norte-coreanas para o campo de guerra, segundo as autoridades.
O presidente norte-americano começou, então, a aliviar as restrições ao uso de armas fornecidas pelos Estados Unidos em solo russo. Isso ocorreu depois que a Rússia lançou um ataque transfronteiriço na direção de Kharkiv em maio, a segunda maior cidade da Ucrânia.
Para ajudar os ucranianos a defender Kharkiv, Biden autorizou o uso do sistema de mísseis Himars contra forças russas além da fronteira. No entanto, não permitiu o uso dos ATACMS, que têm alcance de cerca de 300 km.
Por mais que as autoridades digam que a mudança não deve alterar o curso da guerra, um dos objetivos dessa política é enviar uma mensagem aos norte-coreanos de que suas tropas estão vulneráveis e não devem enviar mais reforços.
Exilado na Espanha desde setembro, adversário de Nicolás Maduro afirma que voltará em janeiro para tomar posse como presidente
Edmundo González Urrutia em companhia de sua mulher, Mercedes López (esquerda), e sua irmã Mariana: exílio na Europa | Foto: Reprodução/Twitter/X
O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, disse nesta semana que a justiça local irá prender “imediatamente” Edmundo González Urrutia, caso ele retorne ao país. González foi candidato de oposição a Nicolás Maduro nas eleições de 28 de julho.
Em entrevista à agência de notícias France-Presse, Saab afirmou que a resposta do governo aos protestos depois das eleições evitou principalmente uma guerra civil. González está exilado na Espanha desde setembro.
González: “Vamos restaurar a democracia”
Na Europa, o opositor continua reivindicando a vitória nas eleições venezuelanas. Do mesmo modo, afirma que voltará ao seu país para tomar posse como presidente em 10 de janeiro. “Voltarei à Venezuela o mais rápido possível, quando restaurarmos a democracia em nosso país. Vou tomar posse como presidente eleito no dia 10 de janeiro”. A fala ocorreu em evento empresarial na Espanha em 4 de outubro.
Segundo Saab, se Edmundo González voltar à Venezuela, acabará detido. “Vamos prendê-lo assim que chegar”. A crise política venezuelana, marcada pelo regime ditatorial de Maduro, se agravou depois das eleições de julho. Houve troca de acusações sobre fraude e falta de transparência.
Diversos observadores internacionais e vários países contestam o resultado que, na teoria, reelegeu Maduro. Entre as nações que questionam a vitória do ditador estão Brasil, Estados Unidos e Argentina.
González Urrutia e a líder opositora María Corina Machado acusam o governo de manipulação eleitoral. Inclusive, passados mais de quatro meses depois da votação, até hoje cobra-se da justiça eleitoral venezuelana a apresentação das atas de votação.
Justiça venezuelana: perseguição a opositores
Assim como no Brasil, onde a justiça eleitoral praticamente proibiu qualquer manifestação que colocasse em dúvida a transparência das votações que elegeram Lula da Silva em 2022, na Venezuela, a Procuradoria-Geral iniciou investigações contra várias pessoas. Assim, as autoridades esperam intimidar opositores, como González e Maria Corina, atribuindo a eles supostos crimes relacionados à contestação dos resultados eleitorais.
Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão sob ordens de Maduro, González perdeu as eleições presidenciais para o ditador em julho. A oposição, contudo, diz que o processo de escolha sofreu fraude. Os líderes da oposição venezuelana afirmam ter vencido a disputa no país com 67% dos votos.
Os presidentes discutiram sobre a guerra na Ucrânia, na última quinta-feira, 7
Donald Trump e Vladimir Putin, durante encontro em 2018 | Foto: Shealah Craighead/Casa Branca
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, conversou pela primeira vez com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. O diálogo ocorreu na última quinta-feira, 7, logo depois da vitória do norte-americano no pleito.
Trump estava em seu resort, na Flórida. A imprensa divulgou a informação neste domingo, 10. Durante a ligação, o republicano aconselhou Putin a não intensificar o conflito na Ucrânia e destacou a presença militar dos EUA na Europa. O norte-americano afirmou ter interesse em continuar as discussões para resolver a guerra na região.
Na campanha eleitoral, Trump afirmou que acabaria rapidamente com o conflito na Ucrânia. Ele sugeriu, em particular, que a Rússia poderia manter territórios capturados.
Fontes próximas ao governo ucraniano afirmaram que Kiev foi informada sobre a conversa e não se opôs ao contato. Trump também dialogou com diversos líderes mundiais, o que inclui o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
A conversa ocorreu sem o apoio do Departamento de Estado, já que a equipe de transição ainda não firmou acordo com a Administração de Serviços Gerais.
Inicialmente, Moscou reagiu com frieza à vitória de Trump. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, afirmou que não havia planos de Putin ligar para o norte-americano e descreveu os EUA como um “país hostil”.
Posteriormente, o presidente russo parabenizou Trump publicamente. Putin elogiou a resposta do presidente eleito ao atentado que sofreu na Pensilvânia e manifestou-se pronto para diálogo.
Ucrânia analisa postura de Trump
A Ucrânia, que depende de apoio econômico e militar para enfrentar a Rússia, está apreensiva com a postura de Trump. As tensões aumentaram depois da visita de Zelensky a uma fábrica de munição na Pensilvânia, vista por aliados do norte-americano como um movimento político.
O presidente da Câmara dos EUA, Mike Johnson, pediu a demissão da embaixadora ucraniana em Washington, Oksana Markarova. Zelensky avalia possíveis substitutos.
A embaixada ucraniana em Washington não respondeu aos pedidos de comentário sobre a situação. Segundo fontes que presenciaram o telefonema entre Trump e Putin, o presidente eleito busca evitar uma nova crise na Ucrânia antes de assumir o cargo.
Ucranianos se abrigam dentro de estação de metrô em Kiev, no dia 11 de novembro de 2024, durante alerta de ataque aéreo russo — Foto: Alina Smutko/Reuters
A Ucrânia deixou o país no escuro e colocou toda a população sob alerta máximo após a ameaça de um grande ataque russo, nesta segunda-feira (11). Pelo menos dois mísseis e 39 drones foram abatidos.
A Força Aérea da Ucrânia chegou a informar que vários mísseis de cruzeiro haviam sido lançados pela Rússia. Os projeteis teriam sido disparados por aviões bombardeiros estratégicos. Apesar disso, cerca de duas horas depois, apenas dois haviam sido identificados.
Segundo a agência Reuters, blogs especializados em ações militares afirmaram que os aviões russos podem ter feito voos imitando um ataque maior, o que teria levado a Ucrânia a se preparar para um bombardeio em larga escala.
Sirenes foram acionadas em todo o país. Além disso, os moradores foram orientados a procurar abrigos imediatamente. Como medida de precaução, a energia elétrica também foi cortada.
Testemunhas ouvidas pela Reuters afirmaram que explosões foram ouvidas na região de Kiev. No entanto, o barulho pode ter sido provocado pelo sistema de defesa aéreo que estava ativado.
Por volta das 3h30, pelo horário de Brasília, a Ucrânia continuava sob o alerta de ataque aéreo.
O alerta na Ucrânia acontece poucas horas depois de a imprensa norte-americana informar que o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, conversou com o líder russo Vladimir Putin pelo telefone.
Na conversa, Trump pediu para Putin não escalar o conflito na Ucrânia, já que os Estados Unidos têm forte presença militar na Europa. O republicano afirmou na campanha presidencial que vai acabar com a guerra em pouco tempo, mas não disse como.
Trump já deu indícios de que poderia reduzir a ajuda militar dos Estados Unidos à Ucrânia. O presidente eleito sugeriu ainda que Ucrânia tenha que ceder parte do território à Rússia.
O governo ucraniano rejeita qualquer negociação que envolva a entrega de territórios e disse que dar concessões a Putin representaria um suicídio para toda a Europa.
Mais cedo, a Rússia afirmou que militares da Ucrânia tentaram sequestrar um helicóptero militar russo. A operação, no entanto, foi frustrada.