Regime afirma que processos fora do alcance da norma poderão ser analisados por novos programas ligados à reforma penal
Delcy Rodríguez, líder interina da Venezuela | Leonardo Fernandez Viloria/Reuters
A ditadora da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira, 23, o encerramento da Lei de Anistia, que previa a libertação de centenas de presos políticos. A declaração ocorreu durante evento oficial no Palácio de Miraflores, na capital, Caracas. No entanto, organizações governamentais que atuam no país afirmam que há pelo menos 473 presos políticos no país.
Segundo Rodríguez, os casos que ficaram fora do alcance da norma poderão ser analisados por outros mecanismos. Ela citou o Programa de Convivência Democrática e Paz e a Comissão Nacional para a Reforma da Justiça Penal como alternativas para encaminhar essas situações.
“Esta Lei de Anistia chega ao fim”, disse a líder chavista. “Para aqueles que não estavam contemplados ou, melhor dizendo, estavam expressamente excluídos na Lei de Anistia, há outros espaços onde podem ser encaminhados.”
A norma entrou em vigor em fevereiro, depois de aprovação da Assembleia Nacional. O texto previa beneficiar dissidentes processados ou condenados ao longo de 27 anos de repressão política.
O regime anunciou a medida depois da captura do ditador Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos.
ONGs e oposição criticam alcance limitado da Lei de Anistia
A Lei de Anistia resultou na libertação de apenas 186 de presos políticos na Venezuela, segundo a ONG Foro Penal. Outros cerca de 600 presos foram libertados de outras maneiras desde 8 de janeiro. A lei excluiu militares e opositores supostamente envolvidos em revoltas armadas contra o Estado, o que levou a críticas de inúmeras ONGs de direitos humanos.
Entidades como a Foro Penal revelaram que a aplicação da norma se restringiu a momentos específicos de crise política desde 2002. Com isso, diversos casos registrados ao longo dos anos ficaram fora do benefício.
O ex-deputado Juan Pablo Guanipa, por exemplo, criticou o modelo e afirmou que a lei não abrangia todos os dissidentes. Ele declarou, em entrevista, que a medida não tinha alcance suficiente e não atendia plenamente às demandas da oposição.
De acordo com o deputado chavista Jorge Arreaza, mais de 8 mil pessoas teriam recuperado a liberdade desde a entrada em vigor da lei. Segundo ele, o número inclui detidos e indivíduos submetidos a medidas cautelares.
Entretanto, dados da Foro Penal contestam os números apresentados por Arreaza e indicam um cenário semelhante ao descrito por Guanipa. A entidade informou que houve 768 libertações desde janeiro de 2026, sendo apenas parte delas vinculada diretamente à anistia.
Primeiro-ministro de Israel adiou divulgação do relatório médico em dois meses para evitar propaganda do regime iraniano
Netanyahu explicou que os médicos encontraram uma mancha de menos de um centímetro durante exames de rotina | Foto: PMO /Facebook
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou nesta sexta-feira, 24, que enfrentou um tumor maligno na próstata. O premiê publicou seu relatório médico anual com dois meses de atraso. Ele segurou os dados para impedir que o governo do Irã usasse a notícia como arma de propaganda no auge dos conflitos militares.
Netanyahu explicou que os médicos encontraram uma mancha de menos de um centímetro durante exames de rotina. O tumor estava no início e não se espalhou para outros órgãos. O líder israelense optou por um tratamento direto para remover o problema imediatamente em vez de apenas observar a evolução da doença.
Recuperação e rotina
O tratamento terminou com sucesso e não restam vestígios do câncer. Netanyahu afirmou que sua condição física atual é excelente e que continuou trabalhando normalmente durante as sessões médicas no Hospital Hadassah, em Jerusalém. Ele relatou que aproveitou o tempo dos procedimentos curtos para ler livros.
A vigilância médica sobre a saúde do premiê aumentou depois de uma cirurgia feita há um ano e meio. Naquela época, Netanyahu operou um crescimento benigno na próstata. Desde então, ele passa por monitoramento constante, o que permitiu a descoberta rápida da lesão maligna.
Mensagem à nação
O primeiro-ministro aproveitou o anúncio para pedir que os cidadãos israelenses cuidem da própria saúde. Ele reforçou a importância de realizar exames preventivos e seguir as orientações dos especialistas. Netanyahu disse que prefere encarar perigos logo que aparecem, tanto na vida pessoal quanto na política nacional.
O comunicado termina com uma mensagem religiosa e de apoio aos feridos na guerra. O premiê desejou um bom descanso de sábado aos judeus e afirmou que superou mais este desafio. O relatório oficial confirma que Netanyahu está apto para exercer todas as funções do cargo sem restrições.
Foram registradas apenas três travessias nas últimas 12 horas
Foto: Reprodução/X
O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz permanecia praticamente parado na segunda-feira (20), com apenas três travessias nas últimas 12 horas, de acordo com dados de navegação.
O petroleiro Nero, que está sob sanções do Reino Unido, deixou o Golfo e estava navegando pelo Estreito na segunda-feira, segundo análise de satélite dos especialistas em análise de dados SynMax e dados de rastreamento da plataforma Kpler.
Dois navios separados — um navio-tanque de produtos químicos e um navio-tanque de gás liquefeito de petróleo — navegaram para o Golfo através da hidrovia vital separadamente na segunda-feira, mostraram os dados.
Valor integra pacote total de US$ 20 bi desenhado com o objetivo de impulsionar a recuperação econômica argentina
Bandeira da Argentina | Foto: Reprodução/Pixabay
Em meio a esforços para estabilizar sua economia, a Argentina garantiu nesta quarta-feira, 15, a liberação de US$ 1 bilhão pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), de modo a reforçar o programa de apoio financeiro criado para o país.
O valor integra um pacote total de US$ 20 bilhões desenhado com o objetivo de impulsionar a recuperação econômica argentina.
Válido por quatro anos, o acordo em vigor foi firmado há cerca de um ano para substituir um empréstimo anterior, ainda maior, de US$ 44 bilhões. Esse novo entendimento marca o 23º acerto entre a Argentina e o FMI, evidenciando as dificuldades recorrentes do país em alcançar equilíbrio fiscal e evitar novas crises econômicas.
Avanços recentes e respaldo político na Argentina
O presidente argentino, Javier Milei | Foto: Divulgação/Governo Argentino
De acordo com o FMI, as ações recentes do governo argentino ganharam força principalmente depois de o presidente Javier Milei conquistar maior respaldo político. “As medidas do governo ganharam força nos últimos meses”, afirmou o organismo, destacando avanços no controle inflacionário e no gerenciamento da taxa de câmbio.
Tais avanços permitiram à Argentina recompor parte de suas reservas internacionais, que servem como proteção para pagamentos de dívidas e garantia da estabilidade econômica.
Segundo dados recentes, o Banco Central argentino adquiriu mais de US$ 5,5 bilhões em dólares ao longo de 2026. Ainda assim, o volume total de reservas permanece baixo, por causa do uso contínuo para quitação de débitos.
Medidas cambiais e desafios inflacionários
No contexto internacional, além do novo repasse de US$ 1 bilhão, a Argentina já havia recebido uma parcela inicial de US$ 12 bilhões em 2025, dentro do mesmo acordo, totalizando um apoio de cerca de US$ 42 bilhões por parte de organismos multilaterais. O governo também promoveu mudanças no regime cambial, permitindo maior oscilação do dólar em uma faixa estabelecida. Isso facilitou operações como importações e transferências de lucros para o exterior.
O êxito dessas iniciativas depende da capacidade argentina de fortalecer reservas e manter a confiança dos mercados. A inflação, que havia dado sinais de recuo em 2024, voltou a acelerar em 2025, atingindo 3,4% em março ante 2,9% em fevereiro, maior alta mensal em um ano. No acumulado de 12 meses, a taxa desacelerou para 32,6%, com os principais aumentos concentrados em educação, transporte, energia, habitação e alimentos.
O governo argentino mantém como meta reduzir a inflação para menos de 2% ao mês. Ela é considerada essencial para aprofundar a flexibilização cambial e consolidar a retomada econômica. O contexto atual reforça a vigilância do FMI e dos investidores sobre a sustentabilidade dessas medidas e o futuro das finanças do país.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o papa Papa Leão XIV, o chamou de “fraco” e declarou que sua atuação prejudica a Igreja Católica. Em publicação nas redes sociais neste domingo (12), o líder americano também declarou preferência pelo irmão do pontífice e rejeitou posições que, segundo ele, seriam tolerantes em temas internacionais.
“O papa Leão XIV é FRACO no combate ao crime e péssimo em política externa (…) Eu não quero um papa que ache que tudo bem o Irã ter uma arma nuclear. Não quero um papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela. E não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos”, disseTrump no Truth Social . No entanto, não há qualquer evidência de que o pontífice tenha defendido o uso de armas nucleares pelo Irã.
Pedido por paz
As críticas ocorreram após o papa reforçar apelos por paz no Oriente Médio. Mais cedo, Leão XIV afirmou solidariedade ao “amado povo libanês” e defendeu um cessar-fogo, em meio à escalada do conflito na região, que já dura semanas.
Trump também questionou a escolha do pontífice, sugerindo que sua eleição teria relação com a política americana. “Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante. Ele não estava em nenhuma lista para ser papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano — e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano”.
Em novas declarações, o presidente intensificou os ataques, dizendo que “não é um fã do papa Leão XIV” e o acusando de ter posições liberais. Ele também criticou encontros do pontífice com figuras ligadas a governos anteriores e afirmou que o religioso “deveria se recompor”, deixando a política de lado. Após a publicação, Trump divulgou ainda uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece em trajes religiosos.
Papa responde a críticas e pede diálogo
A bordo do avião para Argélia nesta segunda-feira (13), o papa Leão XIV respondeu às críticas feitas pelo presidente de Trump.“Não sou um político, não tenho a intenção de entrar em um debate com ele, a mensagem continua sendo a mesma: promover a paz”, disse. O líder religioso também destacou a importância da cooperação entre nações e voltou a pedir cessar-fogo em conflitos atuais. Segundo ele, decisões globais devem priorizar a vida humana e evitar escaladas de violência.
*Secom Foto: Official White House Photo by Daniel Torok
Nesta última sexta-feira (10), o conselheiro de Donald Trump, Jason Miller, compartilhou em suas redes sociais uma foto feita por inteligência artificial que mostra ele prendendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na legenda da publicação, Miller escreveu:
– Os haters vão dizer que isso é IA.
Miller faz várias críticas ao ministro brasileiro pelas redes, na última segunda (6), ele afirmou que Moraes é trapaceiro e será preso. Ele também disse que o presidente Lula (PT) é fantoche da China.
– Alexandre de Moraes é um vigarista e logo estará na prisão. O atual presidente Lula é um fantoche da China e está traindo o Hemisfério Ocidental – escreveu.
No mesmo post, o americano afirmou que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) “é o único que pode salvar o Brasil”.
Irã condiciona avanços à interrupção de ataques de Israel no Líbano, enquanto americanos rejeitam inclusão do tema
Foto: Reprodução/YouTube White House
A agência iraniana FARS informou, na manhã deste sábado (11), que tiveram início as negociações entre Estados Unidos e Irã em Islamabad, no Paquistão. O encontro ocorre em um cenário de tensão e incerteza entre as partes.
O governo iraniano insiste que Israel deve interromper os ataques no Líbano como condição para avançar nas tratativas, argumentando que o tema precisa fazer parte de um eventual acordo de suspensão dos combates. Apesar de sinalizar “boa vontade”, o principal negociador iraniano afirmou que Teerã ainda não confia nos Estados Unidos.
Por outro lado, autoridades americanas e israelenses rejeitam a inclusão do conflito no Líbano nas negociações. Nesta semana, forças israelenses realizaram os maiores ataques ao país vizinho desde o início da guerra, deixando mais de 350 mortos.
A delegação dos Estados Unidos é liderada pelo vice-presidente JD Vance e conta com a presença do enviado especial Steve Witkoff e de Jared Kushner. O grupo chegou na madrugada deste sábado (11), em aviões da Força Aérea americana, sendo recebido por autoridades paquistanesas, incluindo o chefe do Exército, Asim Munir, e o ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar.
Já a delegação iraniana, chefiada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, e pelo chanceler Abbas Araqchi, desembarcou no país um dia antes, na sexta-feira (10).
Essas conversas marcam um momento significativo nas relações entre os dois países, sendo as de mais alto nível desde a Revolução Islâmica de 1979 e as primeiras negociações presenciais oficiais desde o acordo nuclear firmado em 2015.
Secretário do Tesouro reuniu executivos de diversas instituições financeiras para tratar de uma tecnologia desenvolvida pela Anthropic
Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA | Foto: Magnus Lejhall/TT News Agency/via REUTERS
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, reuniu executivos de grandes bancos do país para tratar de riscos cibernéticos ligados a um novo modelo de inteligência artificial (IA) desenvolvido pela Anthropic. O encontro ocorreu nesta semana, em Washington.
Segundo o jornal Financial Times, que divulgou as informações, participaram da reunião representantes das instituições Bank of America, Citigroup, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Wells Fargo.
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, também participou da conversa. O presidente-executivo do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, recebeu convite, mas não compareceu.
A convocação reflete apreensão dentro do governo norte-americano sobre as capacidades da IA. A tecnologia apresenta alto nível de eficiência na identificação de vulnerabilidades digitais, o que pode facilitar tanto a proteção quanto a exploração dessas falhas.
Na terça-feira 7, a Anthropic lançou o modelo Claude Mythos Preview para um grupo de parceiros, incluindo Amazon, Apple e Microsoft. A proposta busca permitir que essas empresas identifiquem e corrijam falhas com antecedência.
Anthropic restringe acesso ao novo modelo
Esta é a primeira vez que a Anthropic limita o acesso a um dos seus modelos. Segundo a empresa, a decisão ocorreu devido ao nível avançado de tecnologia, capaz de superar a maioria dos especialistas humanos na exploração de falhas de software.
A companhia também afirmou que manteve diálogo com autoridades do governo norte-americano sobre as capacidades ofensivas e defensivas da ferramenta.
O lançamento restrito ocorreu depois de episódios de vazamento de dados envolvendo a startup. Entre os conteúdos expostos estavam documentos relacionados ao próprio modelo e partes do código do assistente Claude.
Representantes iranianos declararam que os recursos provenientes desses pagamentos serão destinados à reconstrução da infraestrutura nacional
O estreito de Ormuz visto do espaço | Foto: Divulgação/Nasa
Navios que cruzarem o Estreito de Ormuz, principal acesso ao Golfo Pérsico, passarão a pagar taxas ao Irã e a Omã, conforme acordo negociado durante o plano de cessar-fogo de duas semanas na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, segundo declarou uma autoridade regional na quarta-feira 7.
Segundo a fonte, o país utilizará as receitas provenientes dessas taxas no processo de reconstrução do país. No entanto, o destino dos valores arrecadados por Omã não foi detalhado pela mesma autoridade.
Mudança em rota estratégica e contexto do conflito no Irã
Tanto Omã quanto o Irã compartilham a soberania das águas do Estreito de Ormuz, até então considerado uma rota internacional livre de tarifas. A cobrança só foi mencionada depois do início do conflito do país com Israel e Estados Unidos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou ainda mais o tom das ameaças contra o Irã nesta terça-feira (7), ao afirmar que “uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser trazida de volta”. A declaração foi feita em meio ao prazo final imposto por Washington para um acordo envolvendo a reabertura do Estreito de Ormuz.
Pleno.News – 07/04/2026 10h06 | atualizado em 07/04/2026 10h29
Donald Trump Foto: EFE/EPA/YURI GRIPAS O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou ainda mais o tom das ameaças contra o Irã nesta terça-feira (7), ao afirmar que “uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser trazida de volta”. A declaração foi feita em meio ao prazo final imposto por Washington para um acordo envolvendo a reabertura do Estreito de Ormuz.
Em publicação na Truth Social, Trump disse não desejar esse desfecho, mas avaliou que ele “provavelmente” ocorrerá. Ao mesmo tempo, sugeriu que uma “mudança completa e total de regime” já estaria em curso no país, abrindo espaço para que “algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer”.
O presidente também classificou o momento como potencialmente decisivo.
– Vamos descobrir esta noite, um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim – escreveu.
As declarações vêm horas antes do prazo limite estipulado por Trump – 21h (de Brasília) desta terça-feira – para que o Irã avance em um acordo ou reabra o Estreito de Ormuz. Nos últimos dias, o republicano vinha indicando que não concederá novas extensões, após sucessivos adiamentos desde março.
O endurecimento do discurso ocorre após Teerã rejeitar a mais recente proposta de cessar-fogo, segundo a agência estatal IRNA, e em meio a advertências da ONU sobre a ilegalidade de ataques à infraestrutura civil.