Figura religiosa, Mojtaba Khamenei assumiu o posto depois da morte de seu pai, Ali Khamenei
O presidente russo, Vladimir Putin, participa de uma reunião com os vencedores do Prêmio Presidencial de Ciência e Inovação para Jovens Cientistas de 2024, no Kremlin, em Moscou – 6/2/2025 | Foto: Kristina Kormilitsyna/Reuters
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, manifestou nesta segunda-feira, 9, respaldo total ao novo líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, de 56 anos. O religioso assumiu o posto depois do assassinato de seu pai, Ali Khamenei, ocorrido no início da recente ofensiva militar de Israel e Estados Unidos no Oriente Médio.
Em mensagem ao iraniano, o líder russo reafirmou o compromisso de seu país com o aliado persa. “Gostaria de reafirmar nosso apoio inabalável a Teerã e nossa solidariedade aos nossos amigos iranianos”, afirmou Vladimir Putin.
Parceria de Putin e desafios para o novo líder do Irã
Mojtaba Khamenei segue a linha de seu pai | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
O presidente russo ainda destacou a parceria entre os dois países. “A Rússia tem sido e continuará sendo uma parceira confiável para o Irã”, acrescentou Putin. Ele concluiu a mensagem com destaque aos desafios do novo líder.
“Em um momento em que o Irã enfrenta uma agressão armada, sua gestão nessa posição tão elevada exigirá, sem dúvida, grande coragem e dedicação.”
A mídia estatal do Irã anunciou neste domingo, 8, que Mojtaba Khamenei é o novo líder supremo da República Islâmica. Filho do aiatolá Ali Khamenei, ele passa a ocupar o cargo mais poderoso do país, responsável pelas principais decisões políticas, militares e religiosas do regime.
Mojtaba é um clérigo de posição intermediária na hierarquia religiosa iraniana, mas mantém relações próximas com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), força militar criada para proteger o sistema político estabelecido depois da Revolução Islâmica de 1979.
Especialistas o consideram como um “linha-dura”, seguindo a filosofia de seu pai. Sua nomeação contrariou os Estados Unidos (EUA), em meio à guerra iniciada em 28 de fevereiro. “Colocar Mojtaba no comando é a mesma cartilha”, disse à Reuters Alex Vatanka, membro sênior do Middle East Institute.
Novo líder supremo foi escolhido pela Assembleia de Peritos após morte de Khamenei em bombardeio no fim de fevereiro
O Irã anunciou neste domingo (8) que definiu o sucessor do líder supremo Ali Khamenei, morto no fim de fevereiro durante um bombardeio realizado por Estados Unidos e Israel. A escolha foi feita pela Assembleia de Peritos, órgão responsável por eleger o líder máximo da República Islâmica, mas o nome ainda não foi divulgado. As informações são da Veja.
A informação foi confirmada pelo membro do conselho Ahmad Alamolhoda. Segundo ele, o anúncio oficial depende agora do chefe do secretariado da Assembleia de Peritos, Hosseini Bushehri, responsável por formalizar a decisão. A confirmação foi publicada pela agência de notícias iraniana Mehr.
Formada por 88 aiatolás, a Assembleia de Peritos tem a função de selecionar o líder supremo do país desde a Revolução Islâmica de 1979, que consolidou a atual estrutura de poder do Irã. Nos últimos dias, circularam vários nomes como possíveis sucessores, entre eles o de Mojtaba Khamenei, filho do líder falecido e considerado uma das figuras mais influentes do país.
Autoridades militares dizem que ofensiva vai atingir infraestrutura do regime e capacidade de produção de mísseis iranianos
Os Estados Unidos afirmaram que estão entrando em uma nova fase da guerra contra o Irã, com um “aumento drástico” do poder de fogo e novos ataques ao programa de mísseis de Teerã e à “infraestrutura do regime” dos aiatolás.
A declaração foi feita pelo almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA (Centcom), durante coletiva na quinta-feira (5).
“À medida que transitamos para a próxima fase desta operação, desmantelaremos sistematicamente a capacidade futura de produção de mísseis do Irã, e isso já está em andamento”, disse Cooper.
Segundo ele, forças norte-americanas destruíram mais de 200 alvos no Irã nas últimas 72 horas e já afundaram 30 navios de guerra iranianos desde o início do conflito, incluindo um navio porta-drones destruído na quinta-feira. Na quarta-feira, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, Dan Caine, afirmou que mais de 2 mil alvos iranianos já haviam sido atingidos.
O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que a próxima etapa da ofensiva terá bombardeios mais intensos e direcionados à estrutura do governo iraniano.
“O poder de fogo sobre o Irã está prestes a aumentar drasticamente. (…) Se vocês acham que já viram algo, apenas esperem. A quantidade de poder de fogo que ainda está vindo, combinada com as forças de Israel, vai se multiplicar sobre o Irã”, declarou.
De acordo com autoridades americanas, a nova fase também deve incluir ataques mais precisos com bombas gravitacionais de alta precisão, com ogivas de 225 kg, 450 kg e 900 kg.
Os Estados Unidos também afirmam ter estabelecido superioridade “total” no espaço aéreo iraniano em conjunto com Israel.
Hegseth disse ainda que Teerã comete um erro se acredita que Washington não conseguirá sustentar a guerra.
“O Irã espera que não possamos sustentar isso, o que é um erro de cálculo muito grave. (…) Não há falta de determinação americana. Não temos falta de munição e podemos continuar essa guerra pelo tempo que precisarmos. Nós definimos o cronograma”, afirmou.
Fala surge como uma reação direta aos planos da União Europeia de endurecer as sanções e limitar a compra de GNL russo
Foto: Presidência da Rússia
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou nesta quarta-feira (4) que Moscou estuda a possibilidade de interromper antecipadamente o fornecimento de gás natural para o continente europeu.
A fala surge como uma reação direta aos planos da União Europeia (UE) de endurecer as sanções e limitar a compra de GNL (gás natural liquefeito) russo nas próximas semanas, com o objetivo de eliminar a dependência energética da Rússia até 2027.
A estratégia russa consiste em antecipar o movimento de saída do mercado europeu para garantir posições dominantes em outras regiões que apresentam demanda crescente por energia.
Apesar do tom de advertência, Putin ressalvou que a medida ainda não foi convertida em decreto oficial, classificando a declaração como um “pensamento em voz alta”. O presidente determinou que o governo russo e as gigantes do setor energético, como a Gazprom, realizem estudos de viabilidade econômica antes de qualquer decisão final.
Em evento da ONU, petista questiona prioridades militares dos EUA
Lula da Silva discursa durante conferência regional para a América Latina | Foto: Divulgação/Gov.br
O presidente Lula da Silva criticou nesta quarta-feira, 4, a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reconstruir a Faixa de Gaza depois da ofensiva de Israel no território palestino. A declaração foi feita durante a abertura da conferência regional para a América Latina da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Brasília.
Em discurso, Lula questionou se teria “compensado destruir Gaza”, com mortes de mulheres e crianças, para depois apresentar um plano de reconstrução com caráter que, segundo ele, soaria como a criação de um “resort” sobre os escombros e cadáveres deixados pela guerra.
Lula reprova declarações sobre poderio militar
Em janeiro, Trump convidou o presidente brasileiro para integrar um Conselho de Paz voltado ao território. No mesmo período, o líder norte-americano apresentou a proposta de uma “nova Gaza”, com a transformação da área devastada em um complexo de arranha-céus à beira-mar no prazo de três anos.
Em outro trecho do discurso, Lula criticou declarações de Trump exaltando o poderio militar norte-americano. Para o presidente brasileiro, seria mais apropriado que os Estados Unidos destacassem sua capacidade produtiva e de combate à fome, em vez de enfatizar o tamanho de sua frota ou de seu Exército.
A fala ocorreu em meio à defesa de maior protagonismo internacional no enfrentamento da insegurança alimentar e das desigualdades globais. Sem citar diretamente ataques recentes envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, Lula também fez críticas ao papel da Organização das Nações Unidas na mediação de conflitos.
Segundo ele, a entidade estaria perdendo credibilidade por não cumprir integralmente os princípios previstos em sua carta de fundação. O petista mencionou ainda a guerra entre Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky, questionando a demora para uma solução negociada diante de um cenário que, na avaliação dele, já indicaria um desfecho previsível.
A eleição seguiu a recomendação da Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica
Mojtaba Khamenei, filho do defunto líder supremo, Ali Khamenei, eleito como seu sucessor | Foto: Tehran Times
A Assembleia de Peritos do Irã elegeu Mojtaba, filho de Ali Khamenei, como o novo líder supremo do Irã. A eleição ocorreu nesta terça-feira, 3, mesmo depois de bombardeio que atingiu prédio em que 88 aiatolás iranianos se reuniam.
Mojtaba Khamenei, eleito como sucessor de seu pai no comando da teocracia iraniana | Foto: Tehran Times
A eleição seguiu a recomendação da Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), os Pasdaran. A informação foi divulgada pelo veículo estatal iraniano Iran International, que citou fontes confiáveis. O jornal israelense Haaretz também noticiou o fato em sua versão on-line.
Quem é Mojtaba Khamenei?
Mojtaba Khamenei, nascido em 8 de setembro de 1969, em Mashhad, é o segundo filho de Ali Khamenei e de sua mulher, Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh.
Ao longo de décadas, Mojtaba se consolidou como uma figura poderosa nos bastidores da política iraniana, com forte conexão com facções conservadoras e com o IRGC.
Ele nunca ocupou cargos públicos eletivos nem teve um percurso formal de liderança religiosa, comparado a altos clérigos do regime, mas sua influência política e laços com a Guarda Revolucionária e milícias, como o Basij — que liderou atos durante a repressão às manifestações de 2009 —, o colocaram no centro das especulações sobre sucessão há anos.
Analistas ocidentais e especialistas em política iraniana tradicionalmente revelaram que, embora seu apoio entre segmentos conservadores seja forte, Mojtaba não tem tradição clerical — “a autoridade religiosa altamente qualificada” — suficiente, em tese, para ser uma liderança incontestável da posição segundo as regras formais de sucessão. Isso porque a Constituição do Irã exige que o líder supremo seja um jurista islamista respeitado e figura de grande peso religioso (marja’).
Contexto e controvérsias da eleição
A escolha de Mojtaba teria sido acelerada em um cenário de guerra e caos institucional, já que vários dos principais líderes, potenciais candidatos à sucessão, teriam morrido nos ataques recentes ou estão em posições estratégicas fragmentadas pelo conflito.
No contexto institucional, a Constituição iraniana prevê que a Assembleia dos Especialistas deve eleger o novo líder supremo, e que um conselho provisional (incluindo o presidente, o chefe da Justiça e um representante do Conselho dos Guardiões) assume temporariamente os poderes até a nomeação oficial.
O fato de um membro da família Khamenei assumir a sucessão representa um salto histórico no sistema político iraniano, que, apesar de teocrático e centralizado, não previa uma liderança hereditária semelhante a monarquias tradicionais desde a Revolução de 1979.
Essa nomeação pode acirrar tensões internas vivas, tanto entre reformistas quanto entre segmentos religiosos que veem a possibilidade de dinastia como contrária aos princípios do sistema de “velayat-e faqih” (guardião-jurista).
Ataque atingiu a sede da Assembleia dos Peritos em Teerã
O aiatolá Alireza Arafi, nomeado jurista membro do novo Conselho de Liderança do Irã | Foto: Mostafameraji/Wikimedia Commons
O Exército de Israel atacou, nesta terça-feira, 3, o prédio da Assembleia dos Peritos em Teerã, órgão máximo responsável pela sucessão do comando no Irã. Segundo informações do jornal The Jerusalem Post, os 88 aiatolás que compõem o colegiado estavam presentes no edifício no momento do bombardeio para deliberar sobre o sucessor de Ali Khamenei, morto no sábado 28.
Embora o governo iraniano ainda não tenha emitido um pronunciamento oficial sobre as baixas, agências de notícias locais relatam que o prédio foi “arrasado” pela ofensiva. Imagens divulgadas em redes sociais mostram colunas de fumaça e a destruição parcial da estrutura que sediava o encontro dos clérigos. Até o momento, as forças israelenses não detalharam o impacto sobre os membros da assembleia. Contudo, um veículo iraniano afirma que o prédio foi esvaziado antes do bombardeio.
O centro de poder em xeque
A Assembleia dos Peritos é a instituição que detém o poder de escolher e supervisionar o líder supremo desde a Revolução de 1979. O ataque atinge o coração do sistema teocrático no momento de maior fragilidade institucional das últimas décadas. A reunião dos 88 aiatolás era considerada urgente depois da morte de Khamenei em uma operação coordenada entre Estados Unidos e Israel no fim de semana.
A destruição da sede da assembleia com todos os seus integrantes no local pode inviabilizar o processo formal de sucessão previsto na Constituição iraniana. Enquanto o governo em Teerã silencia, o cenário na capital é de caos e incerteza sobre quem detém o controle das forças de defesa e das decisões políticas do país.
Ofensiva israelense
A operação na cidade de Qom sucede a ataques coordenados entre Israel e EUA realizados na noite desta segunda-feira, 2, contra a sede da Assembleia na capital iraniana, Teerã. As forças israelenses confirmaram ainda o bombardeio ao complexo presidencial e à sede do Conselho Supremo de Segurança Nacional. Em comunicado, o Exército classificou os alvos como “complexos de liderança do regime terrorista iraniano” e afirmou ter desmantelado instalações no coração da capital.
O complexo atingido em Teerã funcionava como o quartel-general mais central do regime. A nota oficial detalha que os mísseis destruíram o local de reunião do fórum responsável pelas decisões de segurança e a instituição de formação de oficiais militares. Israel sustenta que as instalações serviam também para avaliações estratégicas sobre o programa nuclear iraniano.
O Exército israelense afirmou que a ofensiva “enfraquece ainda mais a continuidade operacional dos sistemas de comando e controle do regime”. Os alvos incluíram locais onde altos funcionários de segurança se reuniam com frequência.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse, nesta segunda-feira (2), que o Irã estava reconstruindo locais que tornariam o programa de mísseis balísticos e o programa de bombas atômicas imunes a ataques em alguns meses.
Netanyahu não apresentou evidências sobre as afirmações, e fotos de satélite analisadas pela Associated Press mostram atividade limitada em dois locais que abrigavam instalação nucleares do Irã antes da guerra.
Em entrevista à Fox News, o premiê israelense afirmou ainda que o ataque iniciado no último sábado (28) criará condições para que o povo do Irã forme um governo democrático.
O governo do Irã afirmou nesta segunda-feira (2) ter realizado um ataque contra o gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. A informação foi divulgada pela agência de notícias AFP.
De acordo com a agência, a Guarda Revolucionária iraniana declarou ter lançado uma nova leva de mísseis com dois alvos principais: o gabinete de Netanyahu e o quartel-general do comandante da Força Aérea de Israel.
Até a última atualização desta reportagem, o governo israelense ainda não havia se manifestado oficialmente sobre a alegação iraniana nem confirmado eventuais danos ou vítimas decorrentes do suposto ataque.
O episódio ocorre em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, após confrontos recentes envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos, que resultou na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.
Ataque seria resposta à ofensiva coordenada entre Israel e Estados Unidos contra estruturas estratégicas iranianas.
Foto: Redes sociais
O governo do Irã revelou, nesta segunda-feira (2), que realizou um ataque direcionado ao escritório do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. As informações são da agência de notícias AFP.
De acordo com a publicação, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que, além do gabinete de Netanyahu, realizou um ataque com mísseis ao quartel-general do comandante da Força Aérea de Israel.
O governo israelense ainda não se pronunciou sobre o suposto ataque.
Os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no último sábado (28). O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que o ataque foi efetuado “para eliminar ameaças”, segundo Katz.
A ofensiva teve como alvo estruturas consideradas estratégicas para a segurança do Irã. O governo dos EUA revelou que a ação foi coordenada com Israel. O objetivo era neutralizar riscos iminentes à estabilidade regional.
Em resposta, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, disse que o governo iraniano não está aberto a negociações com os Estados Unidos após os ataques.