A voz rouca de Bonnie Tyler fez da cantora uma das artistas britânicas mais populares dos anos 1980. A artista morreu aos 75 anos em um hospital em Portugal, onde estava em tratamento para uma doença, segundo informou a família nesta quinta-feira (9). Bonnie estava internada em estado grave na UTI desde meados de junho, após sair de um coma induzido. Em maio, ela passou por uma cirurgia intestinal de emergência e, no dia seguinte, sofreu uma parada cardiorrespiratória. Batizada como Gaynor Hopkins, no País de Gales, Bonnie Tyler se tornou uma das artistas britânicas de maior sucesso comercial das décadas de 1970 e 1980. Ela transformou o timbre marcante em sua principal assinatura e construiu uma carreira baseada em baladas dramáticas e produções que misturavam rock, pop e influências country.
Filha de um mineiro de carvão, ela nasceu e cresceu em uma habitação social em Skewen, no sul do País de Gales, a cerca de 11 quilômetros de Swansea. A casa da família tinha banheiro externo, e ela dividia a infância com três irmãs e dois irmãos.
Antes da fama, Tyler cantava em bandas locais. Em 1976, precisou passar por uma cirurgia para remover nódulos nas cordas vocais. Durante a recuperação, desrespeitou a recomendação médica de permanecer em repouso e voltou a cantar antes do tempo. O esforço alterou permanentemente sua voz, dando origem ao timbre rouco que mais tarde se tornaria sua marca registrada.
Na época, ela se apresentava com o nome Sherene Davis e era vocalista de uma banda de soul. Foi descoberta pelo caçador de talentos Roger Bell, que a levou para Londres para gravar demos. Após um período em busca de uma gravadora, assinou contrato com a RCA, que também sugeriu a adoção do nome artístico Bonnie Tyler.
Seu álbum de estreia, The World Starts Tonight (1977), trouxe o primeiro sucesso comercial, Lost in France, e lhe rendeu uma indicação na categoria de artista revelação do Brit Awards. No ano seguinte, alcançou o terceiro lugar nas paradas britânicas com It’s a Heartache, consolidando seu nome internacionalmente.
Após um período de menor destaque, Tyler assinou com a Sony e buscou reinventar a carreira e passou a trabalhar com o produtor e compositor Jim Steinman. A parceria que daria origem, anos depois, ao maior sucesso de sua trajetória.
TOTAL ECLIPSE OF THE HEART Steinman apresentou a ela sua canção Total Eclipse of the Heart, que se tornaria o single de estreia de seu quinto álbum de estúdio, Faster Than the Speed of Night. O vídeo da canção foi gravado em um antigo e assustador manicômio gótico em Surrey, onde, aparentemente, os cães de guarda não entravam nos cômodos do andar de baixo, onde costumavam aplicar eletrochoques nos pacientes.
Embora nunca tenha repetido o sucesso estrondoso de Total Eclipse of the Heart, Bonnie Tyler manteve a carreira em evidência nas décadas seguintes. Entre seus trabalhos mais conhecidos desse período estão os singles Holding Out for a Hero, que integrou a trilha sonora de Footloose (1984), e Here She Comes, do filme Metrópolis (1984).
Em 2013, a cantora voltou às raízes country ao gravar, em Nashville, o álbum Rocks and Honey. Seu álbum mais recente de estúdio, Between the Earth and the Stars, lançado em 2019, reuniu duetos com Rod Stewart, Cliff Richard e Francis Rossi, vocalista da banda Status Quo. No mesmo ano, Bonnie Tyler também participou de um concerto de Natal no Vaticano diante do papa Francisco.
Em 2023, Tyler foi homenageada pelo rei Charles III com o título de membro da Ordem do Império Britânico (MBE, na sigla em inglês) por suas contribuições artísticas.
Na vida pessoal, a cantora era casada com Robert Sullivan, empresário do setor imobiliário e ex-atleta olímpico de judô.
BRASIL Bonnie Tyler também teve forte ligação com o público brasileiro. Em 1987, gravou ao lado de Fábio Jr. a música Sem Limites pra Sonhar, sucesso no país na década de 1980.
– Me lembro de ele [Fábio Jr.] ser um homem muito bonito que me deu um anel lindo de ouro com pedras cravejadas. Ele era absolutamente lindo. Não consigo me lembrar da música agora, mas éramos número 1 no Brasil. Isso foi muito empolgante – relembrou a cantora em entrevista ao Estadão realizada em 2022, quando ela realizou uma turnê brasileira comemorando 50 anos de carreira.
A Justiça dos Estados Unidos negou o pedido do governo brasileiro para acelerar a tramitação da ação movida pelas empresas Rumble e Trump Media, ligada ao presidente Donald Trump, contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Com isso, as companhias ganharam mais uma semana e terão até 14 de julho para apresentar suas manifestações no processo.
A decisão foi assinada pela juíza distrital Mary S. Scriven, da Flórida, contrariando solicitação da Advocacia-Geral da União (AGU), representante do Brasil na ação. O órgão defendia que a Justiça americana determinasse que Rumble e Trump Media respondessem ao pedido de extinção do processo até a última terça-feira (7).
Em junho, a magistrada já havia rejeitado o pedido das empresas para que Alexandre de Moraes fosse declarado em revelia, autorizando também o ingresso do governo brasileiro no caso e adiando a análise da solicitação da AGU para encerrar a ação.
As empresas sustentam que Moraes foi devidamente notificado por um meio reconhecido pela Justiça dos Estados Unidos e alegam que o ministro não apresentou resposta nem solicitou prorrogação do prazo. No entanto, Mary Scriven entendeu que, antes de avaliar um eventual reconhecimento de revelia, é necessário decidir questões preliminares levantadas pelo governo brasileiro, incluindo o pedido para extinguir o processo.
A ação foi protocolada em fevereiro no Tribunal Federal da Flórida. Rumble e Trump Media acusam Alexandre de Moraes de promover censura ilegal ao determinar a remoção de perfis de usuários ligados à direita brasileira.
O objetivo é fazer com que decisões judiciais expedidas por Moraes no Brasil sejam consideradas inválidas e sem efeito nos Estados Unidos.
*Pleno.News Fotos: EFE/EPA/REMKO DE WAAL e Carlos Moura/SCO/STF
O WhatsApp anunciou uma das atualizações mais aguardadas pelos usuários: a criação de nomes de usuário (usernames), ferramenta que permitirá iniciar conversas sem a necessidade de compartilhar o número de telefone. A novidade será disponibilizada gradualmente nos próximos meses e representa uma das maiores mudanças de privacidade já implementadas pela plataforma.
Antes mesmo do lançamento oficial, o aplicativo já começou a liberar a reserva de nomes de usuário para evitar disputas por identificações iguais entre os usuários.
Como vai funcionar
Quando o recurso estiver disponível, os usuários que optarem por criar um nome de usuário poderão conversar com pessoas e empresas sem exibir o número de telefone no primeiro contato. Segundo o WhatsApp, a ferramenta foi desenvolvida para facilitar a comunicação com colegas de trabalho, vizinhos, participantes de grupos e contatos conhecidos em eventos, sem a necessidade de compartilhar informações pessoais.
Embora o número de telefone continue vinculado à conta, ele deixará de ser exibido para novos contatos quando o nome de usuário estiver ativado. A empresa também informou que não haverá um diretório público de usuários, sendo necessário conhecer o nome de usuário exato para iniciar uma conversa.
Mais privacidade
A novidade promete reforçar a privacidade dos usuários, reduzindo a exposição do número de celular em conversas com desconhecidos. A mudança aproxima o WhatsApp de plataformas como o Telegram e o Signal, que já oferecem sistemas semelhantes de identificação por nomes de usuário.
A Meta ainda não anunciou uma data específica para o lançamento global da funcionalidade, mas informou que a distribuição ocorrerá de forma gradual nos próximos meses.
A líder da oposição tentou retornar ao país para acompanhar os resgates depois de dois terremotos destruidores
A líder opositora venezuelana María Corina Machado | Foto: Reprodução/ Redes sociais
A líder opositora María Corina Machado denunciou nesta segunda-feira, 29, que a ditadura de Nicolás Maduro fechou o espaço aéreo da Venezuela. A manobra do regime tenta impedir o retorno da política ao território nacional. María Corina publicou um pronunciamento em suas redes sociais para avisar que planejava pousar no país logo que soube da destruição provocada por uma sequência de fortes terremotos na última semana.
A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) confirmou que as autoridades de Caracas emitiram um alerta oficial para restringir todos os pousos e as decolagens internacionais no país caribenho. O bloqueio total dos voos vai durar até o dia 7 de julho sob o pretexto de controle interno. O palácio presidencial venezuelano evitou se manifestar sobre as acusações de perseguição política até o momento.
Terremotos mataram mais de 1,7 mil pessoas na Venezuela
O veto ao desembarque da opositora ocorre em meio a uma crise humanitária provocada por dois abalos sísmicos, de magnitude 7,2 e 7,5, na última quarta-feira, 24. Os tremores derrubaram dezenas de edifícios na capital Caracas e no Estado de La Guaira. O balanço oficial contabiliza 1,7 mil mortes confirmadas e 5 mil feridos, enquanto entidades civis calculam que o número de desaparecidos já passa de 40 mil pessoas.
María Corina Machado declarou no vídeo que o regime tenta isolar os venezuelanos e barrar a chegada de voluntários estrangeiros dispostos a colaborar com as buscas. A ex-deputada havia afirmado horas antes que tinha a obrigação moral de retornar à Venezuela para prestar solidariedade à população afetada pelas perdas civis e estruturais nas cidades atingidas.
Líder viveu na clandestinidade e deixou o país em operação secreta
A ditadura proibiu María Corina de disputar as eleições presidenciais de 2024 contra o ditador Nicolás Maduro. A ativista passou meses escondida no interior da Venezuela para escapar das ordens de prisão emitidas contra aliados. Ela abandonou o país em dezembro do ano passado com a ajuda de uma operação secreta montada pelo governo dos Estados Unidos para receber o Prêmio Nobel da Paz na Noruega.
A opositora intensificou as manifestações públicas sobre o desejo de retomar o trabalho de base em solo venezuelano nas últimas semanas. O movimento ganhou força com a destituição e a captura do ex-presidente do país. A líder liberal insiste em que a mudança no cenário político regional exige a presença das forças democráticas na linha de frente em Caracas.
País foi assolado por outros dois terremotos registrados na quarta
Terremotos do dia 24 de junho causaram grande destruição Foto: EFE/ Ronald Peña R
Um novo terremoto atingiu a Venezuela nesta sexta-feira (26), dois dias após os fortes tremores que devastaram diversas regiões do país. O novo abalo foi de menor intensidade, mas voltou a ser sentido por moradores de várias cidades.
Segundo o Centro Sismológico Euro-Mediterrânico (EMSC), o terremoto teve magnitude 4,9. Já o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou magnitude 4,7 e informou que o tremor ocorreu às 18h16, com epicentro a 54 quilômetros de El Limón, no estado de Aragua, e profundidade de 10 quilômetros.
Moradores de Caracas e Maracay relataram ter sentido o abalo. Nas redes sociais, também houve relatos de tremores nos estados de Carabobo, Aragua, Miranda, La Guaira e no Distrito Capital.
O novo terremoto ocorreu dois dias depois dos sismos de magnitudes 7,2 e 7,5 registrados na quarta-feira (24), que provocaram destruição em várias cidades venezuelanas.
De acordo com o balanço mais recente divulgado nesta sexta-feira pela administração federal e transmitido pela emissora estatal VTV, o número de mortos em decorrência dos terremotos subiu para 920. Equipes de resgate continuam trabalhando em áreas onde ainda há edifícios desabados e pessoas desaparecidas.
Desde a chegada dos primeiros judeus à colônia holandesa de New Amsterdam (atual Nova York) em 1654, a relação se mantém forte
População de judeus nos Estados Unidos é quase igual à de Israel | Foto: Nancy Siesel/ZUMA Press Wire/Reuters
A relação entre Israel e Estados Unidos, embora marcada por momentos de divergências, como a crítica de Donald Trump à política israelense em relação ao Hezbollah e ao Irã, é historicamente forte e se perpetua desde a chegada dos primeiros judeus à América em 1654. Organizações como a AIPAC desempenham um papel crucial na defesa dos interesses israelenses no Congresso dos EUA, apoiando candidatos alinhados à manutenção dessa aliança, presente na própria sociedade norte-americana como um todo.
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A aliança entre Israel e Estados Unidos vai muito além dos governos. A relação do governo de Donald Trump com o do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu passa por um momento de turbulência. Esta situação pode parecer surpreendente, em função da comoção com que Trump foi recebido no Knesset, em Jerusalém, depois do acordo que libertou todos os reféns em 2025. Naqueles dias, os elogios mútuos prevaleceram. Isso perdurou por alguns meses, até que Trump passasse a criticar Israel em relação à política contra o Hezbollah e às negociações envolvendo o Irã.
Distanciamentos deste tipo não são novidade. Até nos tempos do judeu Henry Kissinger, que foi secretário de Estado no governo de Richard Nixon (1969–1974), a primeira-ministra Golda Meir teve dificuldades em obter de Washington o apoio que desejava durante a Guerra do Yom Kipur (1973).
Depois, na invasão do Líbano, em 1982, foi a vez de o governo de Ronald Reagan se indispor com o de Menachem Begin (1977-1983), cujo ministro da Defesa era o linha-dura Ariel Sharon. Na década de 1990, o presidente George H. W. Bush pressionou o governo de Yitzhak Shamir (1986–1992) em razão da expansão de assentamentos. Em 2015, Benjamin Netanyahu discursou no Congresso dos EUA contra o acordo nuclear negociado pelo presidente Barack Obama com o Irã, num episódio que evidenciou as diferenças entre os dois governos.
Mas enquanto políticos debatem nos gabinetes, o dia a dia nos dois países realçam uma relação forte que se perpetua. Isso desde a chegada dos primeiros judeus à colônia holandesa de New Amsterdam (atual Nova York) em 1654, vindos de Recife, depois que Portugal tomou o controle da Holanda naquela região do país. Um dos que chegaram antes foi Asser Levy já em agosto de 1654, antes ou junto do grupo mais conhecido de 23 judeus vindos de Recife.
Levy foi o precursor da inserção judaica na sociedade norte-americana, ao lutar por direitos civis numa colônia que inicialmente impunha restrições aos judeus. O governador Peter Stuyvesant tentou impedir a permanência deles, mas a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais obrigou a aceitação, ainda que sob limitações e impostos adicionais.
A atuação de Levy se destacou pela defesa legal do grupo. Ele entrou com petições contra medidas discriminatórias, como a obrigação de pagar taxa militar sem direito de servir na milícia. Em 1655, ele contestou essa regra e conseguiu, depois de recurso às autoridades superiores da Companhia na Holanda, o direito de ser tratado como os demais cidadãos em serviço de guarda.
A partir de então, a comunidade judaica foi se integrando, a ponto de, em 1906, ser criado o American Jewish Committee (AJC). Esta se tornou uma das mais tradicionais organizações de direitos civis e de defesa dos interesses da comunidade judaica nos EUA. Já faz parte, inclusive, da rotina norte-americana, atuando em pautas mais amplas de direitos civis, liberdade religiosa, combate ao discurso de ódio e cooperação internacional.
Do ponto de vista político, o principal representante de Israel nos EUA passou a ser o American Zionist Committee for Public Affairs (AIPAC), fundada em 1963. Trata-se de um comitê para defender os interesses de Israel junto ao Congresso e ao governo dos EUA.
Nas eleições norte-americanas de 2024, por exemplo, a AIPAC apoiou formalmente 361 candidatos à Câmara dos Representantes e ao Senado. Destes, 326 foram eleitos. Na prática, mais de nove em cada dez candidatos endossados pela organização conquistaram mandato.
O alcance desse apoio chega a democratas e republicanos. Em cada ciclo eleitoral, entre 320 e 360 parlamentares recebem contribuições da entidade ou de estruturas ligadas a ela. Considerando que a Câmara dos Representantes possui 435 integrantes e o Senado possui 100, trata-se de uma presença que alcança uma parcela significativa do Congresso dos Estados Unidos.
Para as eleições de meio de mandato de 2026, grupos pró-Israel iniciaram a disputa com mais de US$ 100 milhões destinados a campanhas políticas, por meio do United Democracy Project, braço independente voltado à disputa eleitoral. O objetivo é apoiar candidatos alinhados à manutenção da relação entre Washington e Jerusalém e financiar campanhas contra adversários políticos considerados críticos a essa parceria.
A atuação também inclui o relacionamento direto com congressistas. Desde o final de 2023, o braço educacional da organização financiou viagens a Israel para pelo menos 26 deputados democratas e 52 republicanos. As delegações participam de encontros com autoridades, visitas a instalações militares e apresentações sobre segurança, política regional e cooperação estratégica.
A influência da relação entre os dois países também aparece em decisões concretas do Congresso. Em 2016, durante o governo Obama, EUA e Israel assinaram um memorando de entendimento que prevê US$ 38 bilhões em assistência militar ao longo de dez anos. Trata-se do maior compromisso de ajuda militar já firmado pelos EUA com outro país.
Parte desses recursos ajuda a financiar programas conjuntos de defesa. Um dos casos mais conhecidos é o Iron Dome, sistema de interceptação de foguetes utilizado por Israel. Ao longo dos anos, democratas e republicanos aprovaram sucessivos pacotes de financiamento para o programa, inclusive em momentos de forte polarização política interna nos EUA.
A cooperação também envolve inteligência, defesa antimísseis, tecnologia militar, segurança cibernética e desenvolvimento de equipamentos utilizados pelos dois países. Enquanto presidentes norte-americanos e primeiros-ministros israelenses discutem estratégias para guerras, negociações diplomáticas ou questões regionais, essas áreas continuam operando por meio de acordos, programas e estruturas já estabelecidas.
O trabalho do AIPAC aumentou desde o início da guerra contra o Hamas em outubro de 2023. Foi quando a AIPAC criou um super Political Action Committee (PAC), o United Democracy Project (UDP), que investiu somas recordes para apoiar seus adversários nas eleições primárias democratas de 2024.
Um super PAC arrecada e gasta valores ilimitados em campanhas independentes — como anúncios de TV, rádio, internet e mala direta — desde que não coordene essas ações com a campanha oficial do candidato. Ao contrário do PAC, só não pode doar dinheiro diretamente aos candidatos.
“As redes sociais e campanhas de propaganda bem financiadas espalharam falsidades em grande quantidade”, diz a Oeste o ex-oficial da Marinha dos EUA, Alan Slabodkin, 72 anos. “Dá a impressão, muitas vezes, que estamos vivendo em um país diferente daquele de poucos anos atrás, especialmente depois de 7 de outubro.”
Em função desta atuação, candidaturas verdadeiramente hostis a Israel, beirando o antissemitismo, foram derrotadas. Uma delas foi a de Jamaal Bowman, que buscava a reeleição para a Câmara dos Representantes dos EUA. Ele representava um distrito de Nova York e tornou-se um dos principais críticos da política israelense em Gaza. Nas primárias democratas de 2024, enfrentou o então executivo do condado de Westchester, George Latimer.
A disputa entrou para a história como a eleição primária para a Câmara dos Representantes mais cara já realizada nos EUA. Grupos ligados à AIPAC gastaram aproximadamente US$ 15 milhões em apoio a Latimer, que derrotou Bowman por algo em torno de 59% a 41%.
Poucas semanas depois, Cori Bush enfrentou situação semelhante no Missouri. Também integrante do grupo conhecido como The Squad, Bush defendia um cessar-fogo em Gaza e criticava a condução da guerra por Israel. O UDP investiu aproximadamente US$ 8,5 milhões em apoio ao promotor Wesley Bell, que derrotou Bush nas primárias democratas. Foi a segunda grande vitória eleitoral da AIPAC contra integrantes da ala hostil a Israel naquele ciclo eleitoral.
“Em alguns círculos, o apoio à guerra contra Israel passou a ser apresentado como apoio aos direitos de povos oprimidos”, acrescenta Slabodkin. “Tornou-se uma espécie de efeito manada tanto em partes da esquerda quanto da direita radical, e o nível de ignorância e incompreensão pode ser surpreendente. Muitas pessoas mal conseguem localizar Israel no mapa, quanto mais entender os múltiplos atores envolvidos no conflito.”
A AIPAC é financiada principalmente por doações privadas de cidadãos norte-americanos, incluindo empresários, investidores, profissionais liberais e outros apoiadores da relação entre EUA e Israel. Como organização de lobby, ela não recebe recursos do governo de Israel.
Judeus de Israel e dos Estados Unidos
Vale lembrar que, nos EUA, o conceito de lobby é diferente em relação ao Brasil. O lobby norte-americano é considerado uma forma legítima de participação política e está protegido, em grande medida, pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que garante aos cidadãos o direito de solicitar ações do governo e defender seus interesses.
Desta maneira, cidadãos norte-americanos, a maioria bilionária, se sentiram livres para realizar doações para a AIPAC. Entre eles, estão:
Bernie Marcus (1929–2024) – norte-americano. Cofundador da Home Depot. Foi um dos grandes financiadores de causas pró-Israel e de grupos políticos nos Estados Unidos, incluindo doações ao United Democracy Project.
Paul Singer – 81 anos, norte-americano. Gestor de fundos de investimento e fundador da Elliott Investment Management. Entre os principais doadores de organizações pró-Israel e de campanhas políticas nos EUA.
Jan Koum – 50 anos, norte-americano naturalizado (nascido na Ucrânia, então União Soviética). Cofundador do WhatsApp e um dos grandes financiadores individuais do United Democracy Project no ciclo eleitoral de 2024.
Michael Leffell – 75 anos, norte-americano. Investidor e filantropo, com atuação em organizações judaicas e iniciativas pró-Israel.
Joshua Harris – 61 anos, norte-americano. Investidor bilionário, cofundador da Apollo Global Management, com doações registradas a comitês políticos e causas ligadas ao UDP.
Já os críticos argumentam que o volume de recursos arrecadado pelo UDP e por outros comitês ligados à AIPAC lhes confere influência desproporcional sobre eleições, especialmente nas primárias para a Câmara dos Representantes. No entanto, a AIPAC não é única nesse aspecto. Nos EUA, diversos setores mantêm organizações de lobby e super PACs altamente financiados — como sindicatos, associações empresariais, grupos ambientais e entidades ligadas a diferentes causas políticas.
Iniciativas como esta, e a de entidades como o AJC, fortalecem a relação entre os dois países. A população judaica nos EUA é de 7,5 milhões, quase igual à de Israel. Esta relação institucional faz da população judaica, e dos representantes de Israel, uma parte da sociedade norte-americana. Imune, o máximo possível, a qualquer rusga entre governos. O objetivo, pelo menos, é esse: unir o God Bless America (Deus Salve a América) com o Am Israel Chai (O Povo de Israel Vive).
ONU alerta que total de mortos deve aumentar à medida que equipes avançam nas buscas por sobreviventes
Mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas após os terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira (24), segundo informou nesta sexta-feira (26) o chefe do Escritório de Ajuda Humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU), Tom Fletcher, à agência AFP.
“Trata-se de uma operação de resgate extremamente completa. Há mais de 50.000 pessoas desaparecidas e mais de 500 mortas. Portanto, buscar sobreviventes entre os escombros é uma tarefa colossal”, afirmou Fletcher. Ele acrescentou que considera provável que o número de mortos “aumente consideravelmente”.
O balanço oficial mais recente divulgado pelo governo venezuelano aponta 589 mortos e 2.980 feridos. As autoridades ressaltam, no entanto, que os números ainda são provisórios, enquanto a ONU e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estimam que o total de vítimas pode ser significativamente maior devido à intensidade dos tremores e à extensão dos danos.
Os terremotos, de magnitudes 7,5 e 7,2, atingiram a região norte do país e foram os mais fortes registrados na Venezuela em mais de um século. As equipes de resgate seguem trabalhando na busca por sobreviventes entre os escombros, enquanto a ajuda internacional começou a chegar ao país nesta sexta-feira.
A presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou a militarização do estado de La Guaira, uma das áreas mais afetadas, e informou que a região integra a zona de desastre decretada pelo governo. Segundo o Parlamento venezuelano, ao menos 250 edifícios desabaram ou sofreram danos estruturais.
Tremores de magnitude 7,2 e 7,5 causaram destruição
Terremoto deixou mais de 700 feridos na Venezuela | Foto: Reprodução/ Redes sociais
Dois terremotos praticamente consecutivos sacudiram a Venezuela na quarta-feira 24. As autoridades informaram nesta quinta-feira, 25, que os tremores provocaram pelo menos 164 mortes e deixaram mais de 900 feridos. O fenômeno causou destruição de edifícios e cenas de pânico em Caracas e outras regiões.
O primeiro tremor registrou 7,2 graus de magnitude às 18h04 (19h04 de Brasília). O epicentro ocorreu 21 km ao oeste de Morón, no norte do país. Quase um minuto depois, um segundo sismo de 7,5 graus de magnitude atingiu a região a alguns quilômetros de distância. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) divulgou as informações na rede social X.
Os terremotos também foram sentidos na Colômbia. O país vizinho chegou a acionar algumas sirenes de alerta. A Venezuela registra tremores frequentemente. Os terremotos mais fortes das últimas décadas aconteceram em 1997 em Cariaco, com 73 mortos, e em 1967 em Caracas, com 236 mortos.
Impactos do terremoto em La Guaira e Caracas
La Guaira é a área mais afetada pelos tremores. A cidade fica a 40 minutos de Caracas e abriga o aeroporto internacional de Maiquetía. As ruas permaneceram no escuro durante a noite. Moradores pediam ajuda e tentavam resgatar as pessoas presas nos escombros.
O governo interino da Venezuela decretou estado de emergência em todo o país e declarou La Guaira como uma “zona de desastre”. Vários pontos da cidade ficaram sem energia elétrica.
Os tremores danificaram parte das instalações do aeroporto internacional de Maiquetía. O terminal foi fechado “por graves danos em sua infraestrutura”, afirmou Rodríguez em seu pronunciamento. A capital conta com o aeroporto militar de La Carlota, localizado na zona metropolitana.
De todos os vídeos que vi do terremoto na Venezuela, esse é sem dúvida o mais angustiante. Parece filme de terror. Quanto mais desce, mais o prédio tá quebrado, aí o desespero bate pra sair logo. 😱 pic.twitter.com/r70rnyxurd— Bruno Brezenski (@bbbrezenski) June 25, 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os dois terremotos provocaram uma “quantidade devastadora” de mortes na Venezuela. Os EUA consideram o país um aliado desde que Trump ordenou a captura, em uma operação militar, do então presidente Nicolás Maduro. “Estaremos lá para nossos novos e grandes amigos”, escreveu o republicano nas redes sociais. “Os primeiros relatos não são bons.”
The two major earthquakes that just hit the great people of Venezuela are both massive in scale and have left a devastating number of deaths. The U.S.A. stands ready, willing, and able to help! I have instructed all agencies of our government to get ready to move quickly. We will… pic.twitter.com/KdDxoLKCEA— Commentary Donald J. Trump Truth Social Posts On X (@TrumpTruthOnX) June 25, 2026
A presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, agradeceu ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pela ajuda. “Agradecemos esta expressão de solidariedade para com a Venezuela numa etapa tão complexa, marcada pelo impacto da catástrofe natural que tem afetado várias regiões do território nacional”, publicou no X.
Agradecemos esta expresión de solidaridad hacia Venezuela en una etapa tan compleja, marcada por el impacto de la catástrofe natural que ha afectado a varias regiones del territorio nacional.— Delcy Rodríguez (@delcyrodriguezv) June 25, 2026
Muitos países da América Latina, assim como Espanha, Itália, China e Índia, também ofereceram ajuda.
Além disso, a líder opositora e Nobel da Paz, María Corina Machado, enviou uma mensagem de incentivo. Ela está fora da Venezuela desde novembro. “Meu coração, meu abraço infinito e minhas orações estão com cada lar venezuelano nestas horas de angústia”, escreveu no X.
Mi corazón, mi abrazo infinito y mis oraciones están con cada hogar venezolano en estas horas de angustia.
Que la fortaleza, la serenidad y la solidaridad prevalezcan entre nosotros ante este difícil momento.
Que Dios proteja a cada venezolano, a nuestras familias y a…— María Corina Machado (@MariaCorinaYA) June 24, 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou o mandatário brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de muito volátil e afirmou não pensar no gestor. A declaração ocorreu em entrevista ao The Axios Show, divulgada nesta sexta-feira (19).
Perguntado sobre Lula, o republicano demonstrou indiferença e afirmou ter observado mudanças recentes de postura.
— Não sou fã dele, nem desgosto. Para ser sincero, não penso nele. Não me importo. Mas ele é uma pessoa diferente agora. Muito volátil. Assisti a um discurso dele. Foi muito volátil — afirmou.
O comentário do líder estadunidense ocorreu em meio a uma resposta sobre outros líderes globais. Trump citou o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, como referência quando se fala em liderança firme e duradoura. O nome de Lula é mencionado como um comparativo entre perfis de gestão.
Apesar da crítica, Trump destacou que todos os políticos que chegam ao cargo máximo do Executivo de um país devem ser considerados inteligentes.
— Quando você fala sobre líderes e sobre tudo o que eles têm em comum, eles são todos inteligentes. Não se chega a esse nível sem inteligência. Esse presidente da China, Xi Jinping, é um homem muito inteligente. Não é todo dia que se chega a esse nível de governar um país; mesmo que seja pequeno, é preciso ter algo especial. (…) Não é uma tarefa fácil — afirmou.
Na última quarta-feira (19), Trump afirmou que o Brasil se tornou um país “difícil politicamente” ao comentar, durante a Cúpula do G7, a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo.
Na ocasião, o chefe da Casa Branca foi indagado por uma jornalista como havia sido sua interação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o encontro internacional.
– Eu passei bastante tempo com Lula, na verdade. E o país está ficando um pouco difícil, né? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente. Tem sido feio – declarou o republicano.
Na sequência, Trump mencionou ter chegado ao seu conhecimento que a Justiça brasileira quer prender um dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Trump se referia à decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
A sentença aplicada foi de quatro anos e dois meses de prisão e a oito anos de inelegibilidade pelo crime de coação no curso do julgamento em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi condenado por tentativa de golpe de Estado. A decisão foi unânime, com os votos dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
XAH0001. RIYADH (ARABIA SAUDÍ), 29/05/2025.- Fotografía de archivo fechada el 13 de mayo de 2025 de Elon Musk, director ejecutivo de SpaceX y xAI, asistiendo a un panel en el Foro de Inversión Saudí-Estadounidense en Riad (Arabia Saudita). Musk, el rey del ‘multitasking’, le dijo adiós a su papel de reparador de fugas en el Gobierno de Donald Trump, después de cuatro meses intentando ahorrarle dinero a la Administración desde el Departamento de Eficiencia Gubernamental (DOGE). EFE/EPA/ALI HAIDER /ARCHIVO
A histórica entrada da SpaceX na bolsa de valores Nasdaq – principal bolsa de tecnologia dos Estados Unidos – consolidou Elon Musk como o primeiro trilionário do planeta. O marco foi alcançado após a oferta pública inicial (IPO) da companhia de transporte aeroespacial, que movimentou 75 bilhões de dólares (R$ 381 bilhões) com ações precificadas a 135 dólares (R$ 686) cada.
Essa movimentação de mercado elevou o valor da participação de Musk na SpaceX para cerca de 866 bilhões de dólares (R$ 4,4 trilhões), fazendo com que seu patrimônio líquido total — que também engloba fatias na Tesla e em outros negócios — ultrapassasse a impressionante marca de 1,1 trilhão de dólares (R$ 5,6 trilhões).
Antes da abertura de capital, o empresário já liderava o ranking de pessoas mais ricas do mundo da revista Forbes, com uma fortuna estimada em 780 bilhões de dólares (R$ 3,9 trilhões), posicionando-se à frente de Larry Page, cofundador da Alphabet.
O salto bilionário reflete o otimismo do mercado em relação ao ecossistema robusto construído pela SpaceX. Para especialistas, a empresa se transformou em uma potência de telecomunicações, impulsionada principalmente pela Starlink.
Além do setor aeroespacial e de conectividade, a SpaceX engloba a xAI, startup de inteligência artificial responsável pelo chatbot Grok, concorrente direto de plataformas como o ChatGPT e o Claude.