Segundo o Ministério da Defesa russo, foram realizados ataques a alvos militares em 74 locais do território ucraniano
Foto: redes sociais
A Rússia voltou a bombardear o território ucraniano nesta segunda-feira (21), marcando o fim da frágil trégua humanitária proposta por Moscou durante o fim de semana da Páscoa ortodoxa. Segundo o Ministério da Defesa russo, foram realizados ataques a alvos militares em 74 locais da Ucrânia, apesar de ambos os lados terem prometido respeitar o cessar-fogo.
Na cidade de Dnipro, no centro do país, o governador regional Sergiy Lisak afirmou que drones russos atingiram uma residência, além de causar um incêndio em uma fábrica de alimentos — sem deixar feridos. Na região sul de Mykolaiv, o governador Vitali Kim também confirmou a retomada dos ataques aéreos, com mísseis disparados na madrugada, mas sem registro de vítimas.
A trégua proposta pelo presidente Vladimir Putin havia começado às 18h de sábado (20) e se estendido até a meia-noite de domingo (21h em Brasília). O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky declarou que respeitaria a pausa nos ataques, mas no domingo acusou a Rússia de violar a trégua mais de 2 mil vezes, mesmo com a ausência de alertas de ataque aéreo generalizados no país.
Zelensky também propôs estender o cessar-fogo por 30 dias, sugerindo uma suspensão total do uso de drones e mísseis de longo alcance contra infraestrutura civil. Em resposta, Putin acusou o governo ucraniano de esconder alvos militares em áreas civis, mas não descartou a possibilidade de retomar negociações sobre uma nova trégua, mencionando que a situação está “sendo analisada com cuidado” e que decisões podem ser tomadas “bilateralmente”.
Camerlengo assume tarefas administrativas enquanto cardeais organizam Conclave
Durante a ausência de um papa, o camerlengo ocupa temporariamente o Palácio Apostólico e organiza as etapas do Conclave | Foto: Reprodução/Flickr
A morte do papa Francisco, nesta segunda-feira, 21, marca o início de um dos períodos mais importantes do Vaticano: a Sé Vacante. Durante essa fase, a Igreja Católica permanece sem liderança até a escolha do novo pontífice.
O cardeal irlandês Kevin Joseph Farrell, camerlengo da Santa Sé, assume interinamente a administração dos bens do Vaticano. Nesse sentido, cabe a ele, entre outras funções, atestar oficialmente a morte do papa e coordenar os preparativos para a eleição do sucessor.
Durante a ausência de um papa, o camerlengo também ocupa temporariamente o Palácio Apostólico e organiza as etapas do Conclave — o processo secreto que definirá o novo líder da Igreja. O Vaticano prevê que as votações comecem em até 20 dias depois da morte do pontífice.
Enquanto isso, parte da cúpula do Vaticano deixa seus cargos. Permanecem em suas funções apenas figuras específicas, como o Penitenciário-Mor, o Vigário-Geral para a Diocese de Roma, o Arcipreste da Basílica de São Pedro, o Vigário-Geral para a Cidade do Vaticano e o Esmoleiro Apostólico.
O Colégio dos Cardeais, composto por 252 membros de todo o mundo, é responsável pela eleição. Destes, 138 têm menos de 80 anos e estão aptos a votar. O Brasil conta com sete representantes entre os eleitores.
Além disso, antes da votação, os cardeais se reúnem diariamente em sessões chamadas de “Congregações Gerais”, onde discutem questões administrativas e preparam os detalhes do Conclave.
Conclave na Igreja segue regras rígidas de isolamento e sigilo
O Conclave ocorre na Capela Sistina. Durante o processo, os cardeais ficam isolados e proibidos de manter qualquer contato com o exterior. A Igreja adota esse sistema para evitar interferências na eleição.
Cada cardeal precisa de dois terços dos votos para ser eleito. Como resultado, se não houver consenso depois de vários dias de votação, os dois mais votados disputam uma última rodada. No entanto, mesmo nessa fase, continuam valendo os dois terços como critério mínimo de escolha.
Novendiales antecedem anúncio do novo pontífice
Durante os “novendiales”, série de nove dias de missas em memória do papa, os cardeais também escolhem o dia em que levarão o corpo à Basílica de São Pedro para a visitação dos fiéis. A tradição precede a eleição e mobiliza os líderes da Igreja em torno da organização da sucessão.
Quando um novo papa é eleito, ele veste as roupas litúrgicas na chamada Sala das Lágrimas e, em seguida, é apresentado ao mundo da sacada da Basílica. É quando se ouve a famosa frase em latim: “Habemus Papam”.
Pontífice abençoou fiéis na Praça São Pedro no domingo de Páscoa; morte foi comunicada nesta segunda-feira, 21
Papa Francisco enfrentava problemas de saúde | Foto: Guglielmo Mangiapane/Reuters
O mundo se despede nesta segunda-feira, 21,de Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, de 88 anos. O Vaticano comunicou nesta manhã, às 7h35 (horário de Roma), que o pontífice “retornou à casa do Pai”. O anúncio foi feito pelo Cardeal Kevin Farrell por meio do seu canal do Telegram. Ele estava se recuperando de uma doença pulmonar.
O pontífice ficou internado por 38 dias neste ano, em razão de um quadro de pneumonia. Ele recebeu alta em 23 de março e se recuperava, restringindo ao máximos as atividades públicas. Neste domingo de Páscoa, 20, apareceu na Praça São Pedro e abençoou os fiéis.
“O Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja. Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados. Com imensa gratidão por seu exemplo como verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, recomendamos a alma do Papa Francisco ao infinito amor misericordioso do Deus Trino”, diz comunicado oficial do Vaticano sobre a morte do papa.
Francisco, o papa argentino
Jorge Mario Bergoglio nasceu em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires, na Argentina. Filho de imigrantes italianos, teve uma infância simples e formou-se como técnico em química antes de ingressar no seminário. Em 1958, entrou para a Companhia de Jesus e foi ordenado sacerdote em 1969.
Bergoglio tornou-se arcebispo de Buenos Aires em 1998, quando sucedeu o cardeal Antonio Quarracino. Durante seu período no cargo, adotou um estilo de vida simples: além de evitar luxos, utilizava transporte público para se locomover pela cidade. Também ficou conhecido por seu trabalho pastoral voltado para as periferias e comunidades mais vulneráveis.
Em 2001, foi nomeado cardeal pelo então papa João Paulo II. No consistório realizado em 21 de fevereiro daquele ano, recebeu o título de cardeal-presbítero de São Roberto Belarmino. Sua atuação no Colégio dos Cardeais foi marcada pela discrição, mas também pela defesa dos pobres e críticas à desigualdade social.
Durante o Conclave de 2005, que elegeu Bento XVI, relatos indicam que Bergoglio teria sido um dos cardeais mais votados nas primeiras rodadas.
Depois da renúncia do papa Bento XVI, em fevereiro de 2013, Bergoglio foi um dos cardeais presentes no Conclave realizado em março daquele ano. No dia 13 de março de 2013, foi eleito o 266º papa da Igreja Católica, tornando-se o primeiro pontífice jesuíta, o primeiro das Américas e o primeiro a escolher o nome Francisco, em referência a São Francisco de Assis.
Desde o início do pontificado, Francisco implementou uma série de reformas no Vaticano, incluindo mudanças na administração financeira da Santa Sé e medidas contra abusos sexuais dentro da Igreja. Além disso, buscou aproximar a Igreja das questões sociais, defendendo os direitos dos mais pobres, criticando desigualdades econômicas e promovendo o diálogo inter-religioso.
Papa Francisco se dedicou à Igreja Católica desde jovem | Foto: Reprodução/X
Seu papado também foi marcado por visitas a diversos países, como Brasil, Estados Unidos, Cuba, Israel, Palestina e Emirados Árabes Unidos — este último foi um marco por representar a primeira visita de um papa à Península Arábica. Além disso, atuou diretamente em negociações diplomáticas, como o restabelecimento das relações entre Cuba e Estados Unidos, mediado pelo Vaticano em 2014.
Polêmicas
Desde o início de seu pontificado, Francisco fez declarações que geraram repercussão mundial. Em relação à comunidade LGBT+, afirmou em 2013: “Se uma pessoa é gay e busca a Deus, quem sou eu para julgar?”
Posteriormente, em 2023, disse que “ser homossexual não é crime”, mas reiterou a posição da Igreja de que atos homossexuais são considerados pecado.
Sobre o aborto, Francisco reforçou a visão da Igreja Católica ao compará-lo a práticas históricas de eliminação de vidas indesejadas: “É justo eliminar uma vida humana para resolver um problema?”, perguntou, em 2018. Em outra ocasião, afirmou que “o aborto nunca pode ser apresentado como um direito humano”.
O pontífice também defendeu o cessar-fogo entre Israel e Palestina e cobrou uma solução diplomática para a região. Em 2023, depois de uma escalada de violência, declarou: “O terrorismo e os extremismos não ajudam a alcançar uma solução para o conflito entre israelenses e palestinos”.
Alinhamento político
Francisco tinha um discurso progressista, que o aproximou de lideranças políticas de esquerda ao redor do mundo. O pontífice argentino fez críticas ao sistema econômico global, além de defender pautas como a justiça social e o combate à desigualdade, o que ressoou com ideologias socialistas e comunistas.
Francisco teve encontros e demonstrou afinidade com figuras como o ex-presidente boliviano Evo Morales, que chegou a presenteá-lo com um crucifixo esculpido sobre uma foice e um martelo, símbolos do comunismo. Além disso, manteve relações com líderes latino-americanos como Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Gustavo Petro.
Evo Morales presenteou o papa Francisco com um crucifixo esculpido sobre uma foice e martelo | Foto: Reprodução/X
Suas encíclicas, como Fratelli Tutti (2020), reforçaram sua crítica ao “capitalismo desenfreado” e defenderam um modelo econômico solidário e inclusivo. Embora o papa tenha negado qualquer alinhamento ideológico específico, sua postura gerou críticas de setores conservadores da Igreja, que o acusaram de se aproximar excessivamente de agendas políticas da esquerda global.
Luigi Mangione matou Brian Thompson no dia 4 de dezembro do ano passado
Luigi Mangione Foto: EFE/EPA/OLGA FEDOROVA
Um júri federal dos Estados Unidos indiciou Luigi Mangione, nesta quinta-feira (17), por homicídio doloso qualificado pela morte do CEO da seguradora de saúde UnitedHealthcare, Brian Thompson, em 4 de dezembro do ano passado. A decisão do grande júri, que analisa um caso e determina se há provas suficientes para uma acusação, coincide com o pedido apresentado pela Promotoria de Nova Iorque.
Quatro acusações foram apresentadas: uma de assassinato com arma, uma por uso de arma e duas por perseguição. O documento de acusação reflete a acusação inicial da promotoria: que Mangione, de 26 anos, viajou do estado da Geórgia para Nova Iorque por volta de 24 de novembro com o objetivo de acossar, intimidar e matar Thompson, o que ele conseguiu usando uma arma de fogo com silenciador.
Thompson, de 50 anos, estava a caminho de um encontro com investidores da UnitedHealthcare, a maior seguradora de saúde privada dos EUA, quando Mangione supostamente atirou em suas costas do lado de fora de um hotel no centro de Manhattan.
Os investigadores encontraram evidências – incluindo cápsulas de balas na cena do crime e textos recuperados em sua mochila após a prisão, cinco dias depois, na Pensilvânia – que refletiam o ódio de Mangione pelo ramo de planos de saúde e mostravam que Thompson era seu alvo.
No início deste mês, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, ordenou que os promotores de Nova Iorque buscassem a pena de morte para Mangione se ele fosse condenado, e seus advogados tentaram tornar essa punição impossível e advertiram que seu cliente estava sendo privado do “devido processo legal”.
Bondi disse que se tratava de um “assassinato premeditado e a sangue frio” contra um CEO e pai de família, o que, segundo os advogados, não respeita a presunção de inocência. Mangione deve comparecer a um tribunal federal em Nova Iorque nesta sexta (18) e é possível que as acusações sejam lidas para que ele possa se declarar inocente ou culpado.
Mangione também foi indiciado pela Promotoria Distrital de Manhattan por 11 acusações, incluindo uma de assassinato em primeiro grau que pode ser considerado um “ato terrorista” e acarretar uma sentença máxima de prisão perpétua – ele se declarou inocente.
Presidente da Ucrânia disse que provará afirmação na próxima semana
Volodymyr Zelensky Foto: EFE/EPA/SERGEY DOLZHENKO
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse em uma coletiva de imprensa em Kiev nesta quinta-feira (17) que a China fornece armas à Rússia, ressaltando que estaria pronto para apresentar evidências na próxima semana.
– Finalmente recebemos informações de que a China está fornecendo armas à Federação Russa. Estamos preparados para falar disso em detalhes. Até agora, temos informações gerais dos serviços de segurança, da inteligência, sobre pólvora e artilharia – afirmou Zelensky, segundo a agência de notícias “Ukrinform”.
O presidente ucraniano falou em “produção de certas armas em território russo”.
– Acredito que poderemos discutir isso em detalhes na semana que vem, especialmente em relação às informações que nos levam a acreditar que representantes chineses estão envolvidos na produção de certas armas em território russo – acrescentou.
Zelensky declarou ainda que apresentará “alguns documentos” comprovando essa colaboração na próxima semana.
Juíza federal de Boston decidiu que gestão não pode revogar legalidade de mais de 530 mil pessoas; entenda
O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com jornalistas no gramado sul, antes de embarcar no Marine One na Casa Branca, em Washington, DC – 28/2/2025 | Foto: Nathan Howard/Reuters
Uma juíza federal de Boston, nos Estados Unidos(EUA), determinou que o governo do presidente Donald Trump não pode revogar o status legal de mais de 530 mil imigrantes de países como Venezuela, Cuba, Nicarágua e Haiti. A medida, que estava programada para entrar em vigor no dia 24 de abril, teria permitido a deportação dessas pessoas.
Um programa especial de imigração iniciado pelo ex-presidente Joe Biden, em outubro de 2022, beneficiou mais de meio milhão de estrangeiros. A iniciativa democrata permitia a entrada mensal de até 30 mil migrantes de países com mau histórico em direitos humanos.
Depois de receberem asilo, os beneficiários obtinham visto de residência e podiam entrar nos EUA por via aérea.
Interpretação da lei de imigração dos EUA
Justiça dos EUA entende que governo Trump interpretou lei e/de modo equivocado | Foto: Divulgação/Pixabay
A decisão judicial afirma que a proposta do governo Trump de revogar o status legal desses imigrantes se baseou em uma “interpretação equivocada” da lei de imigração. A tentativa era deportar rapidamente indivíduos que tinham autorização para estar no país.
Em março deste ano, a gestão republicana anunciou a intenção de realizar a maior deportação em massa já registrada nos Estados Unidos. Essa proposta teria impacto nos imigrantes que entraram legalmente sob o programa de Biden, ao perderem sua proteção legal e ficarem sujeitos à deportação.
Essa decisão representa um revés aos planos de Trump, que prometeu deportar milhões de imigrantes sem documentos durante sua campanha eleitoral do ano passado. Recentemente, ele deportou integrantes da gangue venezuelana Tren de Aragua para uma prisão em El Salvador.
Até o momento, o governo dos Estados Unidos não se pronunciou oficialmente sobre a decisão judicial.
A universidade se recusou a adotar as medidas exigidas pela força-tarefa da Casa Branca contra o antissemitismo
A Universidade de Harvard é a universidade mais antiga e rica dos EUA | Foto: Stephanie Mitchell/Harvard University
O Departamento de Educação dos Estados Unidos anunciou, nesta segunda-feira, 14, o congelamento de US$ 2,26 bilhões em verbas para a Universidade de Harvard, depois de a instituição resistir às exigências do governo para mudar sua estrutura de governança.
As medidas se relacionam com a campanha de enfrentamento ao o antissemitismo no campus que o governo tem promovido. A universidade, entretanto, alega que a Casa Branca está extrapolando sua autoridade.
“A Universidade não abrirá mão de sua independência nem renunciará a seus direitos constitucionais”, disse o diretor de Harvard, Alan Garber, em carta à comunidade da escola, conforme noticiado pelo jornal norte-americano The Wall Street Journal.
Horas depois da resposta da universidade, o Departamento de Educação anunciou o congelamento de US$ 2,2 bilhões em subsídios e US$ 60 milhões em contratos plurianuais. “A interrupção do aprendizado que afetou os campi nos últimos anos é inaceitável”, diz a nota oficial do governo. “O assédio a estudantes judeus é intolerável.”
O governo Trump também afirma que a resposta da escola “reforça a preocupante mentalidade de privilégio que é endêmica nas universidades e faculdades mais prestigiadas do país — de que o investimento federal não vem acompanhado da responsabilidade de cumprir as leis de direitos civis”.
Governo Trump enviou duas cartas à diretoria da universidade
Em carta enviada a Harvard no início de abril, a força-tarefa do governo Trump contra o antissemitismo pediu nove ações “que consideramos necessárias para a continuidade da relação financeira da Universidade de Harvard com o governo dos Estados Unidos.” Uma nova carta, enviada na última sexta-feira, 11, ampliou a lista de exigências.
A maioria das demandas diz respeito ao funcionamento da universidade. O governo solicita a proibição abrangente do uso de máscaras, mudanças na governança, liderança e admissões e o fim dos programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI).
O governo também exigiu “mudanças necessárias” nas salas de aula para “lidar com preconceitos, promover diversidade de pontos de vista e encerrar a captura ideológica”, fatores que, segundo a carta, alimentam o assédio antissemita.
Além disso, houve o pedido para que Harvard denunciasse imediatamente estudantes estrangeiros que cometessem violações de conduta e por auditoria das opiniões do corpo discente, docente e de funcionários.
Nota oficial do governo dos EUA sobre o corte de verbas para Harvard | Foto: Reprodução/ED
O diretor da universidade classificou as demandas apresentadas pela força-tarefa como, em sua maioria, “regulação direta das ‘condições intelectuais’ em Harvard por parte do governo”.
Advogados dizem que Harvard já fez avanços contra o antissemitismo
Na carta enviada nesta segunda-feira ao governo, os advogados da universidade disseram que “Harvard já realizou e continuará realizando mudanças estruturais, políticas e programáticas duradouras e robustas para garantir que a universidade seja um ambiente de aprendizado acolhedor e de apoio”.
No entanto, os advogados afirmam que as exigências da força-tarefa violam a Primeira Emenda e ignoram o devido processo legal.
Protestos pró-Palestina eclodiram em universidades de todo o país durante meses no ano passado. Muitos protestos descambaram para vandalismo e violência abertamente antissemitas, o que gerou insegurança entre estudantes e professores judeus.
Os advogados de Harvard afirmam que a instituição fez avanços significativos nos últimos 15 meses para lidar com essas questões. Um deles seria a aplicação de sanções significativas para quem viola as políticas da universidade e a promoção da diversidade ideológica.
“Como resultado, Harvard está hoje em uma situação muito diferente daquela de um ano atrás”, diz a universidade.
Associação de professores processa governo dos EUA por corte de verbas
A Universidade Columbia cedeu às exigências do governo no mês passado, na tentativa de restaurar US$ 400 milhões em cortes de financiamento, embora as negociações ainda estejam em andamento e a devolução dos recursos não esteja garantida.
Outras instituições com financiamento congelado ou sob revisão incluem Brown, Princeton, Northwestern e Cornell. Algumas universidades ficaram sabendo das ações contra elas por meio da imprensa.
Na sexta-feira, a divisão de Harvard da Associação Americana de Professores Universitários (AAUP) processou o governo Trump em um tribunal federal, com a acusação de explorar leis de direitos civis para enfraquecer a liberdade acadêmica e a liberdade de expressão.
A AAUP entrou com um processo semelhante em relação aos cortes de financiamento da Columbia. Historicamente, cortes de financiamento federal por questões de direitos civis são raros.
As ações judiciais argumentam que o governo Trump está contornando o procedimento padrão para lidar com antissemitismo ou outras questões de direitos civis em campus universitários — que normalmente envolve abrir uma investigação sob o Título VI da Lei dos Direitos Civis, emitir conclusões e buscar uma resolução voluntária.
Segundo a acusação da AAUP, as ações do governo federal “buscam abertamente impor à Universidade de Harvard visões políticas e preferências de políticas públicas promovidas pelo governo Trump, o que compromete a universidade a punir discursos desfavorecidos”.
Nesta terça-feira (8), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que a tarifa adicional de 50% que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia ameaçado impor à China entrará em vigor na quarta-feira (9), o que eleva para 104% a sobretaxa total a produtos chineses.
A tarifa extra será adicionada a partir de meia-noite a outra taxa de 24% que Trump havia anunciado há uma semana, aos 20% com as quais o governo dos EUA já tributava exportações chinesas por considerar que o país asiático não se esforçava o suficiente para impedir a entrada de fentanil em território americano e a outros 10% que a Casa Branca ativou no último sábado sobre todos os seus parceiros comerciais.
O governo chinês tem dito que não cederá a Trump em matéria de política comercial e anunciou que responderia com tarifa de 34% sobre exportações americanas como resposta às taxas anunciadas pelos EUA em 2 de abril. Porém, o presidente americano ameaçou aplicar mais 50%, o que concretizou hoje, confirmando uma escalada na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.
– Foi um erro a China retaliar o presidente: quando os Estados Unidos são atingidos, eles respondem com mais força. É por isso que, à meia-noite, as tarifas de 104% contra a China entrarão em vigor – explicou Leavitt em entrevista coletiva.
Horas antes, Trump havia dito que Pequim quer “desesperadamente” um acordo sobre as tarifas, mas considerou que não sabe “como começar” a negociar e ressaltou que a Casa Branca estava esperando uma ligação do presidente chinês, Xi Jinping, algo que a porta-voz repetiu em sua coletiva.
– O presidente acredita que Xi (Jinping) e a China querem chegar a um acordo. Eles só não sabem como iniciar o acordo. E o presidente também quer que eu diga a todos que, se a China fizer uma abordagem para chegar a um acordo, ele será incrivelmente generoso, mas fará o que for melhor para o povo americano – acrescentou.
Nas possíveis negociações futuras entre Pequim e Washington também está o futuro do aplicativo TikTok nos EUA, que o governo Trump exigiu que se desvincule de sua empresa matriz, a chinesa ByteDance, para poder atuar em território americano.
A decisão foi baseada em uma lei do século 18, que permite a aceleração do processo de remoção
Policiais de El Salvador perto de membros da gangue venezuelana Tren de Aragua, recentemente deportados pelo governo dos EUA – 16/3/2025 | Foto: Secretaria de Prensa de la Presidencia/Reuters
A Suprema Corte dos Estados Unidos, em uma decisão de cinco a quatro, permitiu que o governo de Donald Trump prosseguisse com a deportação de supostos membros de gangues venezuelanas para uma prisão em El Salvador, levantando a ordem que bloqueava essas deportações.
A decisão baseou-se na Alien Enemies Act, uma lei do século 18 utilizada para acelerar as remoções.
O tribunal determinou que os detentos têm o direito de serem notificados sobre a remoção e de contestá-la em um tribunal federal no Texas, próximo ao local onde estão detidos.
Esta decisão veio depois de litígios liderados pelo juiz distrital James Boasberg, que havia inicialmente bloqueado as remoções, levando o presidente Donald Trump a pedir seu impeachment.
Transferências para El Salvador
Transferência de criminosos para El Salvador começou com o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos | Foto: Ganhe McNamee/Reuters
Depois de uma proclamação presidencial, o governo Trump começou a transferir alguns migrantes para o Centro de Confinamento de Terrorismo em El Salvador.
Os detidos não foram informados sobre seu destino ou tiveram a oportunidade de assistência legal antes da deportação. A chegada dos migrantes foi amplamente divulgada nas redes sociais pelo presidente salvadorenho.
Os juízes John Roberts, Clarence Thomas, Samuel Alito, Neil Gorsuch e Brett Kavanaugh salientaram que a questão era tecnicamente sobre a escolha do tribunal adequado para contestar as remoções, através do processo de habeas corpus no distrito de detenção.
A maioria afirmou que “para toda a retórica das dissidências”, a decisão foi uma questão técnica.
Dissidências e críticas à decisão
A juíza Sonia Sotomayor, com apoio de Elena Kagan, Ketanji Brown Jackson e, em parte, Amy Coney Barrett, criticou a rapidez da decisão da Suprema Corte. Sotomayor escreveu: “Como nação e tribunal, precisamos ser melhores que isso”.
Esse é o terceiro caso ligado à política de Trump decidido por uma maioria apertada de 5 a 4. Em dois deles, o governo venceu com decisões emergenciais; no outro, perdeu. Os votos de Roberts e Barrett foram fundamentais — os quatro conservadores votaram com o governo, e os quatro liberais, contra.
O caso envolvia uma ordem de deportação baseada em segurança nacional, um tema que a Suprema Corte costuma tratar com muita seriedade. Trump usou a Alien Enemies Act, associando a gangue Tren de Aragua a um governo inimigo, o que gerou novas discussões legais. A ACLU criticou essa abordagem, dizendo que tratar a migração como um ato de guerra era errado e que muitos venezuelanos foram confundidos com membros de gangues.
Desde o início do processo, nenhum migrante foi solto. Alguns seguem detidos nos EUA, outros foram deportados pelos meios tradicionais. A primeira decisão judicial travou uma ação do governo que queria passar uma mensagem dura aos migrantes e acalmar preocupações sobre segurança nacional.
Desde o início da gestão Trump, a Casa Branca já vinha buscando formas de contornar os tribunais de imigração, especialmente em ações contra grupos como a gangue MS-13 de El Salvador.
Duas mulheres usavam spas como fachada para promover programas em Lisboa
Regina Episcopo e Jacimara Berwig: dois anos depois de investigações, presas pela operação ‘Last Massage’, em Lisboa | Foto: Reprodução/Redes sociais
Autoridades da polícia de Lisboa prenderam duas brasileiras nesta semana na capital portuguesa. Agentes descobriram que a dupla usava spas de fachada para encobrir uma rede de prostituição. Conforme notícia do site g1, Regina Episcopo, conhecida como DJ Rebeka Episcopo ou Beka, e Jacimara Berwig comandavam o esquema.
Investigações descobriram o crime por meio da operação “Last Massage”. Conforme a comissária de polícia Carina Alves, responsável pelas apurações do caso, a operação durou mais de dois anos no país europeu até chegar às brasileiras. A Polícia de Segurança Pública de Portugal foi responsável pelas prisões.
Grupo também sonegava impostos, diz polícia
De acordo com os agentes policiais, além da prática de exploração sexual, o grupo no qual Regina e Jacimara eram líderes tem acusações de sonegação fiscal contra o sistema previdenciário de Portugal. Carina acrescentou que as brasileiras eram sócias de espaços cuja finalidade era de servir exclusivamente à prostituição.
A estratégia para mascarar a atividade, no entanto, era identificar o estabelecimento como uma casa de massagens. “Foi um longo período de investigação até conseguirmos confirmar o caso. A rede de prostituição era difundida como spa até mesmo nas redes sociais”, explicou a agente.
Nas redes sociais, o spa que funcionava como casa de prostituição dizia unir o bem estar físico e mental. Do mesmo modo, oferecia terapias de relaxamento com “experiências sensoriais intensas”.
Regina e Jacimara respondem por lenocínio, que é uma prática criminosa pela qual o objetivo é facilitar ou promover a prostituição de pessoas ou ainda tirar proveito das vítimas. O caso segue sob processo de investigação no país europeu até o julgamento, cuja data está indefinida.