Como esperado, russos e chineses criticaram decisão dos EUA
Vladimir Putin e Xi Jinping Foto: EFE/EPA/ALEXEI DRUZHININ / KREMLIN / SPUTNIK
Os governos da Rússia e da China se pronunciaram após os Estados Unidos entrarem diretamente no conflito entre Israel e Irã com o ataque americano contra três instalações nucleares iranianas realizado neste sábado (21). Em seu pronunciamento, a Rússia classificou os ataques dos Estados Unidos como “irresponsáveis” e exigiu “o fim da agressão”.
O– A decisão irresponsável de submeter o território de um Estado soberano a ataques com mísseis e bombas, independentemente dos argumentos utilizados, viola gravemente o direito internacional, a Carta das Nações Unidas e as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, que classificam tais ações como inaceitáveis – disse o Ministério das Relações Exteriores russo em comunicado.
A pasta disse ainda que “é especialmente alarmante que os ataques tenham sido realizados por um país membro permanente do Conselho de Segurança da ONU” e pediu uma pronta avaliação da situação e uma resposta “honesta” da direção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que monitorava o programa nuclear do Irã.
Em um tom parecido com o dos russos, o Ministério das Relações Exteriores da China disse, em nota, que os ataques dos Estados Unidos a instalações nucleares iranianas “exacerbaram as tensões no Oriente Médio” e “violam seriamente os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e a legalidade internacional”.
– A China apela às partes em conflito, e a Israel em particular, para que alcancem um cessar-fogo o mais rápido possível, garantam a segurança dos civis e iniciem o diálogo e a negociação – diz o texto divulgado pela chancelaria chinesa.
O comunicado acrescenta ainda que a China está preparada “para trabalhar com a comunidade internacional para unir esforços, defender a justiça e trabalhar para restabelecer a paz e a estabilidade no Oriente Médio”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que aviões de combate americanos bombardearam três instalações nucleares importantes do Irã, o que marca uma importante escalada na guerra em curso entre Irã e Israel, à qual Teerã respondeu, até o momento, atacando novos alvos israelenses.
Donald Trump, presidente dos EUA, na Casa Branca, em Washington, D.C. (22/5/2025) | Foto: Reuters/Evelyn Hockstein
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado, 21, ataques aéreos contra três instalações nucleares no Irã. De acordo com a postagem, os alvos atingidos foram os locais de Fordow, Natanz e Esfahan, que historicamente estão associados ao programa nuclear iraniano.
“Completamos nosso ataque muito bem-sucedido aos três locais nucleares no Irã, incluindo Fordow, Natanz e Esfahan”, afirmou Trump. Em seguida, ele informou que todas as aeronaves participantes da operação “já estão fora do espaço aéreo iraniano”.
Segundo o comunicado, a principal carga explosiva foi lançada sobre Fordow. “Uma carga completa de bombas foi lançada no local primário, Fordow”, detalhou o presidente. Ele ainda destacou que “todas as aeronaves estão a caminho de casa em segurança”.
A mensagem também incluiu um agradecimento às forças armadas norte-americanas envolvidas. “Não há outro exército no mundo que poderia ter feito isso”, declarou Trump, que faz um apelo por estabilidade: “AGORA É HORA DE PAZ.
Trump amplia participação no conflito do Oriente Médio
Os ataques anunciados por Trump ocorrem em meio a um conflito em curso entre Israel e grupos armados apoiados pelo Irã, como o Hezbollah no Líbano, o Hamas na Faixa de Gaza e os houthis no Iêmen. Desde o começo de 2024, Israel tem intensificado suas operações militares em resposta a lançamentos de foguetes e ataques coordenados por essas milícias.
Desde abril de 2025, o governo Trump reforçou sua postura ao afirmar que possui controle aéreo sobre o território iraniano e que mantém capacidade de ataque a lideranças do regime. Na última terça-feira, 17, Trump declarou que “os EUA sabem onde Khamenei está escondido” e exigiu a “rendição incondicional” do Irã.
Três dias depois, ele presidiu uma reunião com seus principais assessores de segurança nacional. No G7, o presidente reafirmou o apoio a Israel e intensificou o posicionamento norte-americano contra o Irã como fonte de instabilidade regional. Ao mesmo tempo, destacou que mantinham canais diplomáticos ativos, por meio de enviado especial e intermediários como o Catar.
O Irã é acusado de fornecer armas e apoio logístico a essas organizações. As instalações em Fordow, Natanz e Esfahan — citadas no comunicado de Trump — são conhecidas por abrigar parte do programa nuclear iraniano e, por isso, são monitoradas por agências internacionais.
Conflito entre os dois países começou na sexta-feira passada (13), quando forças israelenses iniciaram uma operação para eliminar o programa nuclear iraniano
Foto: Reprodução/Redes Sociais
O governo do Irã afirmou nesta sexta-feira (20) que não discutirá a possibilidade de encerrar seu programa nuclear enquanto estiver sob ataques de Israel. O posicionamento ocorre enquanto líderes europeus tentam atrair Teerã de volta à mesa de negociações, e em meio ao possível envolvimento dos Estados Unidos no conflito.
Segundo matéria da Folha de São Paulo, o exército israelense, por sua vez, anunciou a realização de ataques a dezenas de alvos militares no Irã durante a madrugada desta sexta, incluindo a Organização de Inovação e Pesquisa Defensiva, que estaria envolvida no desenvolvimento de armas nucleares do país.
De acordo com informações da mídia iraniana, uma planta industrial do local, onde são realizadas pesquisas de produção de armas, foi destruída. Porém, ali não havia pesquisas nucleares, mas sim produção de fibra de carbono, usada na confecção de mísseis.
Israel iniciou os ataques contra o Irã na sexta-feira passada (13), sob o argumento de que seu objetivo era impedir que o país, adversário de longa data do governo israelense, desenvolvesse armas nucleares. O Irã retaliou com ataques de mísseis e drones, e afirma que seu programa nuclear é pacífico.
Governo norte-americano afirma que militares aguardam ordem de Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante a cerimônia de posse do enviado especial Steve Witkoff, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC – 6/5/2025 | Foto: Kent Nishimura/Reuters
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou na quarta-feira 18, que as Forças Armadas estão prontas para cumprir qualquer decisão do presidente Donald Trump em relação ao Irã. A declaração indica que os norte-americanos podem adotar uma posição mais definida nos próximos dias.
Diante do Comitê de Serviços Armados do Senado, Hegseth adotou uma postura reservada. Evitou confirmar se o Pentágono já elaborou planos específicos de ataque contra o regime iraniano, mas admitiu que os militares estão preparados para qualquer ordem.
Hegseth também deixou claro que Teerã deveria ter aceitado as propostas de Trump para firmar um acordo nuclear antes do início dos ataques realizados por Israel na sexta-feira 13.
“Eles deveriam ter feito um acordo, a palavra do presidente Trump significa algo”, disse Hegseth ao Comitê de Serviços Armados do Senado. “O mundo entende isso. E no Departamento de Defesa, nosso trabalho é estar pronto e preparado com opções e é exatamente isso que estamos fazendo.”
Trump se recusou a responder se pretende autorizar um ataque contra o Irã ou suas instalações nucleares
Quando questionado sobre os objetivos da atual estratégia norte-americana, principalmente no que se refere à dissuasão — termo militar que representa ações para impedir ofensivas do inimigo —, respondeu que essa meta já foi alcançada em vários aspectos. Acrescentou ainda que os desdobramentos se definirão nos próximos dias.
Trump, na mesma quarta-feira, se recusou a responder se pretende autorizar um ataque contra o Irã ou suas instalações nucleares. Segundo ele, o regime iraniano tentou abrir negociações, mas afirmou que “é muito tarde para conversas”.
“Há uma grande diferença entre agora e uma semana atrás”, afirmou Donald Trump à imprensa do lado de fora da Casa Branca. “Ninguém sabe o que eu vou fazer.”
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, se recusou a aceitar a exigência de rendição incondicional feita pelos Estados Unidos
O chefe da Casa Branca também revelou que o Irã sinalizou interesse em negociar, mas preferiu não divulgar detalhes. Aproveitou para classificar o país persa como totalmente indefeso, sem sistemas de defesa aérea eficientes, enquanto os bombardeios de Israel chegavam ao sexto dia.
Fontes ligadas à administração norte-americana confirmaram que Trump e sua equipe analisam diferentes alternativas. Uma delas inclui o apoio direto aos israelenses em possíveis ataques contra as instalações nucleares iranianas.
Mesmo sob intensa pressão internacional e militar, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, se recusou a aceitar a exigência de rendição incondicional feita pelos Estados Unidos.
A escalada dos ataques provocou uma corrida desesperada nas estradas que saem da capital iraniana. Milhares de pessoas tentaram fugir de Teerã diante dos sucessivos bombardeios. Israel informou que, no ataque mais recente, destruiu o quartel-general do serviço de segurança interna do Irã.
Manifestação ocorre depois da decisão da Justiça que colocou ex-presidente em prisão domiciliar
A mobilização está prevista para começar às 10 horas, no Bairro Constitución, onde Kirchner mora | Foto: Reprodução/Flickr
O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu enviar o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) para participar do ato de solidariedade à ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, nesta quarta-feira, 18.
O protesto ocorre em Buenos Aires e reúne apoiadores da peronista, condenada por corrupção. Em nota oficial, o PT classificou Kirchner como vítima de perseguição política e judicial. A legenda comparou o caso argentino ao processo da Operação Lava Jato no Brasil. Pimenta vai representar a direção nacional no evento e destacou a importância do ato.
“Somos solidários a ela, nesse momento em que mais uma vez querem tirar da vida política uma grande liderança popular, assim como fizeram com Perón no seu tempo e com Lula mais recentemente”, disse Pimenta. “Por isso, estarei no ato desta quarta-feira, que certamente será histórico!”
A mobilização está prevista para começar às 10 horas, no Bairro Constitución, onde Kirchner mora. Os manifestantes devem percorrer ruas do centro da capital argentina até o fim da tarde.
A Justiça determinou que a ex-presidente cumpra pena de seis anos em regime domiciliar, monitorada por tornozeleira eletrônica e dispositivo de vigilância no apartamento.
Entre as condições impostas estão permanecer no endereço, salvo autorização, evitar atitudes que perturbem os vizinhos e apresentar uma lista prévia de visitantes. As restrições visam a garantir a execução da pena e a segurança de Kirchner, conforme apontaram os promotores.
Justiça condena Kirchner por desvio de verbas em obras na Patagônia
Kirchner foi condenada por desviar recursos públicos em contratos para construção de rodovias na Patagônia. O esquema favoreceu empresas ligadas ao empresário Lázaro Báez, aliado da família Kirchner.
Segundo a acusação, o rombo causado ao Estado supera US$ 1 bilhão. Parte das obras nem sequer foi concluída. A Suprema Corte da Argentina rejeitou recurso apresentado pela defesa da ex-presidente e manteve a sentença.
A movimentação busca garantir alternativas estratégicas caso as tensões entre Israel e Irã se intensifiquem
Donald Trump, presidente dos EUA, na Casa Branca, em Washington, D.C. (22/5/2025) | Foto: Reuters/Evelyn Hockstein
Conforme fontes ouvidas pela CNN internacional, os Estados Unidos enviaram cerca de 30 aviões-tanque ao Oriente Médio nas últimas semanas, para dar ao presidente Donald Trump opções, diante do conflito recente entre Israel e Irã. Os israelenses são aliados históricos dos norte-americanos.
Ainda segundo o jornal, a movimentação busca garantir alternativas estratégicas caso as tensões regionais se intensifiquem. Integrantes do governo dos EUA afirmam que o reforço na região visa a oferecer ao presidente Trump, assim como ao Comando Central dos EUA, diversas alternativas para uma eventual ampliação do envolvimento militar no Oriente Médio.
Entre essas possibilidades está o apoio ao reabastecimento aéreo de caças israelenses em missões sobre o Irã.
Ataques conjuntos e alternativas militares a Trump
Bandeiras do Irã em local atacado pela Força Aérea de Israel | Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS
Uma das fontes detalhou que o Comando Central apresentou a Trump a alternativa de realizar ataques conjuntos. Eles poderiam ocorrer entre forças dos Estados Unidos e de Israel contra instalações nucleares do Irã, caso seja necessário responder a uma escalada militar.
No fim de semana, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, determinou o envio de novos recursos militares ao Centro de Comando das Forças Armadas. Entre eles, houve o encaminhamento do grupo de ataque do porta-aviões USS Nimitz, de modo a ampliar a capacidade operacional da presença norte-americana na região.
No dia 13 de junho, Israel iniciou uma ofensiva aérea contra o Irã, para atacar instalações nucleares e militares iranianas em Teerã, Isfahan e Natanz. A operação, que envolveu mais de 200 aeronaves e cobertura de drones e inteligência artificial fornecida pela Mossad, derrubou sistemas de defesa aérea, destruiu dezenas de lançadores de mísseis e eliminou integrantes do alto-comando da Guarda Revolucionária Iraniana.
Do lado iraniano, houve uma represália imediata, com disparo de mísseis e drones contra o território israelense. A ação contou com o apoio de milícias e terroristas aliados, como Hezbollah e Houthi, além de tentativas de atingir aeroportos e infraestruturas civis.
Ex-presidente da Argentina foi condenada por corrupção na licitação de obras rodoviárias
Cristina Kirchner, ex-presidente da Argentina Foto: EFE/ Juan Ignacio Roncoroni/Archivo
A condenação de seis anos de prisão imposta a Cristina Kirchner por corrupção na licitação de obras rodoviárias entrou em vigor nesta terça-feira (17), após a Justiça conceder a prisão domiciliar à ex-presidente argentina e anular seu comparecimento perante os tribunais previsto para esta quarta-feira (18).
– Cabe estabelecer que, a partir de hoje, Cristina Elisabet Fernández de Kirchner se encontra, na qualidade de detida sob a modalidade de prisão domiciliar, cumprindo a pena definitiva de seis anos de prisão, inelegibilidade especial perpétua para exercer cargos públicos, obrigações legais e as custas do processo que lhe foram impostas nesta causa – indica a resolução judicial emitida pelo juiz Jorge Gorini.
DECISÃO JUDICIAL FOI COMEMORADA POR MILEI O presidente argentino, Javier Milei, saudou, nesta última quinta-feira (12), a ratificação de uma sentença de seis anos de prisão para a ex-presidente Cristina Kirchner e disse que isso era um sinal da independência do Judiciário.
– Não tenho nenhum mérito no fato de que o sistema judiciário definitivamente agiu de acordo com a república, é tudo mérito do judiciário, da Suprema Corte – afirmou Milei durante uma palestra na Universidade Hebraica de Jerusalém.
Emenda agora continuará sua tramitação na Câmara dos Lordes
Câmara britânica vota por descriminalização do aborto na Inglaterra e no País de Gales (Imagem ilustrativa) Foto: Pixabay
Nesta terça-feira (17), a Câmara dos Comuns do Parlamento do Reino Unido votou a favor de uma emenda ao Projeto de Lei sobre Delinquência e Polícia para descriminalizar o aborto na Inglaterra e no País de Gales em qualquer fase da gravidez, sem que a mulher esteja sujeita à pena de prisão.
A emenda, considerada histórica, foi debatida e submetida a votação na Câmara dos Comuns, onde foi aprovada com 379 votos a favor e 137 contra, e agora continuará sua tramitação na Câmara dos Lordes, a câmara alta do Parlamento.
Por se tratar de uma questão ética e de consciência, os deputados puderam exercer seu voto de acordo com suas crenças pessoais e não sob a disciplina de voto de seus respectivos partidos.
A legislação atual em Inglaterra e País de Gales permite o aborto nas primeiras 24 semanas de gestação, mas a Lei de Crimes contra a Pessoa de 1861, que a sustenta, tipifica que, fora dessas condições, continua sendo um delito penal e pode levar à prisão perpétua, exceto em casos específicos em que se comprove que a vida da mãe está em perigo.
De acordo com os últimos dados oficiais, mais de 250 mil abortos foram realizados em Inglaterra e País de Gales em 2022.
A emenda, apresentada pela deputada trabalhista Tonia Antoniazzi e agora apoiada pela Câmara dos Comuns, visa modificar a lei para evitar que as mulheres sejam investigadas, presas, processadas ou encarceradas por interromperem suas gestações além do limite legal.
A chamada “cláusula Antoniazzi” não implica, no entanto, mudanças na lei em matéria de prestação de serviços de aborto, limite de tempo, telemedicina, motivos para o aborto ou exigência de aprovação de dois médicos.
Ao expor seus argumentos, a parlamentar destacou que quase 99% dos abortos ocorrem antes da 20ª semana de gravidez, deixando o restante 1% das mulheres “em circunstâncias desesperadoras”.
Antoniazzi classificou como “farsa” os três casos em que algumas mulheres foram presas por crimes de aborto ilegal entre 1861 e 2022. Ela afirmou que a legislação até agora em vigor, proveniente da época vitoriana e aprovada em um Parlamento composto exclusivamente por homens, estava “obsoleta”, e era cada vez mais usada contra mulheres e meninas “vulneráveis”.
Entre os opositores à emenda estavam a líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, e outros deputados de seu partido, como Caroline Johnson, que afirmou que quanto mais tarde na gravidez ocorre o aborto, mais complicações médicas a mulher que se submete ao procedimento pode sofrer.
A Sociedade para a Proteção das Crianças Não Nascidas afirmou que a emenda é uma “proposta extrema e perigosa” que “efetivamente descriminalizaria os abortos”.
Força Aérea israelense interceptou mísseis e atacou alvos militares em Isfahan durante quatro dias de confrontos
Foto: Reprodução/X
As Forças de Defesa de Israel (FDI) declararam que destruíram mais de 120 lançadores de mísseis iranianos ao longo de quatro dias de conflito no Oriente Médio. Segundo os militares israelenses, isso representa aproximadamente um terço do arsenal total do Irã.
Na noite de domingo (15), a Força Aérea de Israel eliminou mais de 20 mísseis terra-terra antes que fossem lançados contra o território israelense, conforme informou nesta segunda-feira (16) a porta-voz das FDI, Effie Defrin.
Ela explicou que cerca de 50 caças e aeronaves foram mobilizados para atacar aproximadamente 100 alvos militares localizados em Isfahan, região central do Irã.
“Durante essas ações, mais de 20 mísseis foram atingidos ao mesmo tempo, minutos antes de serem lançados contra o Estado de Israel”, destacou Defrin.
Até agora foram confirmadas 11 mortes em solo israelense; porta-voz do Exército diz que uma mesquita foi atingida
Ataque de Irã em zona residencial de Israel | Foto: Reprodução/X/@israelpolice
No quarto dia de conflito entre Israel e Irã, o número de civis mortos em solo israelense chega a 11. Nos últimos ataques, bairros militares e até uma mesquita foram atingidos. Segundo o porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), Rafael Rozenszajn, o Irã mira alvos civis.
“O Irã já lançou em direção ao Estado de Israel mais de 200 mísseis balísticos em dois dias. Esses mísseis visam alvos civis, zonas residenciais. Inclusive, um dos locais atingidos por um dos mísseis iranianos foi uma mesquita, onde, infelizmente, morreram pessoas de uma família de árabes muçulmanos israelenses. Ou seja, o Irã não mede suas consequências quando lança seus mísseis em direção ao Estado de Israel”, declarou Rozenszajn à CNN Brasil. “Tentem imaginar o que aconteceria neste momento no Estado de Israel se o Irã tivesse em suas mãos uma bomba atômica.”
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, visitou uma das áreas atingidas, em Bat Yam. “Hoje à noite, mais uma vez, o regime iraniano atacou deliberadamente civis israelenses enquanto eles dormiam: oito pessoas mortas, incluindo quatro crianças. Mais de 200 feridos. 35 ainda desaparecidos. Famílias desfeitas”, escreveu o premiê.
Tonight, once again, the Iranian regime deliberately targeted Israeli civilians as they slept.
8 people killed, including 4 children. Over 200 injured. 35 still missing. Families torn apart.
Iran targets innocents. Israel targets nuclear and military sites – to stop the world’s… pic.twitter.com/PEkGvDOef8
Netanyahu ressaltou que Israel mira apenas alvos militares e instalações nucleares. “O Irã tem como alvo inocentes. Israel tem como alvo instalações nucleares e militares para impedir que o regime terrorista mais perigoso do mundo adquira as armas mais perigosas do mundo. Faremos tudo o que for preciso para defender nosso povo. Israel está fazendo o que deve ser feito.”
איראן תשלם מחיר יקר מאוד על רצח אזרחים, נשים וילדים שהם עשו בכוונת תחילה.
אני נמצא פה בבת ים עם כוחות פיקוד העורף, כוחות ההצלה. בשם עם ישראל כולו אני מביע צער על אובדן הנפש שקרה כאן. ליבנו עם המשפחות.
— Benjamin Netanyahu – בנימין נתניהו (@netanyahu) June 15, 2025
Irã ameaça a existência de Israel
Em entrevista à CNN Brasil, Rafael Rozenszajn, porta-voz das IDF, reafirmou que a intenção de Israel, ao atingir o Irã, é garantir sua existência, como país, já que o regime revolucionário tem como meta eliminar o território e o povo judeu. “A grande missão do Irã nesse mundo é apagar o Estado de Israel do mapa. Nós não podemos permitir que o regime mais perigoso do mundo tenha em suas mãos o armamento mais perigoso do mundo.”
Além disso, ressaltou que “o Irã estava a um passo de conseguir pelo menos 15 bombas atômicas”. “O Irã já conseguiu enriquecer urânio para formar 15 bombas atômicas. Tudo o que estava faltando era uma simples decisão de ir um passo para frente.”
O militar disse que até agora o sucesso de Israel contra o Irã “foi enorme”. “Nós atingimos usinas nucleares do Irã, atingimos lideranças militares do Irã, eliminamos o chefe do Estado-Maior do regime iraniano, o chefe da Guarda Revolucionária, o comandante da Força Aérea do Irã. Nós eliminamos 11 líderes militares do regime iraniano. Nós eliminamos pelo menos nove cientistas que estavam envolvidos na produção do armamento nuclear. Nós atacamos também as fábricas de produção de mísseis balísticos. E nós estamos atuando para que o Irã não continue sendo essa ameaça tão existencial para o Estado de Israel.”
Alvos de Israel são militares, não civis
Falando em português, o oficial das IDF lembrou que o Estado de Israel tem um território de apenas 22 mil km², do tamanho do Sergipe. “O Irã tem um território de 1,6 milhão de km², ou seja, o Irã é 5,5 vezes maior do que Israel.”
Isso causa uma dificuldade adicional para eliminar as instalações nucleares, que “estão espalhadas e escondidas por diversos locais do Irã.” Porém, informações do serviço de inteligência e treinamento específico devem permitir a destruição desses locais. “Todos os nossos alvos são alvos militares.”
Rozenszajn também lembrou que as IDF sempre comunicam os moradores previamente sobre os locais que serão atacadas, para permitir a evacuação dos civis. “Nós fazemos tudo o que podemos para minimizar danos a civis e para que os danos colaterais sejam os menores possíveis nessa guerra, porque essa guerra não é travada contra o povo iraniano. Essa guerra é travada contra o regime iraniano, que é um regime tão cruel e tão totalitário contra o seu próprio povo”, declarou.