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Estados Unidos iniciarão vacinação contra a Covid-19 na segunda-feira |  Jovem Pan

O governo dos Estados Unidos anunciou, neste sábado (12.dez.2020), que iniciará o processo de vacinação da população na próxima 2ª feira (14.dez).

A medida vem depois de a FDA (Food and Drug Administration) –órgão equivalente a uma “Anvisa americana”– aprovar o uso emergencial da vacina das farmacêuticas Pfizer e BioNTech.

O início da imunização foi anunciado pelo general do Exército Gustave Perna, chefe da operação de vacinação norte-americana.

“Hoje é realmente um dia histórico. Por 7 meses nós realizamos a maior parceria público-privada dos tempos modernos”, afirmou Perna. Ele ainda citou o esforço coletivo de pesquisadores, cientistas, médicos e “muito outros trabalhadores” pelo mesmo propósito, de salvar vidas e acabar com a pandemia.

O general afirmou que as vacinas já passaram a ser distribuídas nos Estados e serão entregues em 145 locais do país no início da próxima semana. Na 3ª e na 4ª feira, mais 491 receberão cargas do imunizante. O governo pretende ter em 3 semanas a distribuição completa no país, em todas as unidades de saúde.


Foto: EFE/Ben Birchall/POOL

A agência regulatória do Reino Unido fez um alerta, nesta quarta-feira (9), para que pessoas com “histórico de reação alérgica significativa” a vacinas, remédios ou alimentos não devem tomar a vacina da Pfizer contra Covid-19, cuja aplicação foi iniciada na terça-feira (8) no país. As autoridades registraram dois casos de reação alérgica ao imunizante, mas os pacientes passam bem.

No comunicado, a agência determinou que reações alérgicas significativas podem ser definidas como aquelas semelhantes à anafilaxia – um tipo de reação alérgica grave e potencialmente fatal – e estendeu a recomendação a pessoas que precisam carregar adrenalina autoinjetável. Além disso, determinou que a vacinação deve ser feita apenas onde houver possibilidade de reanimar os pacientes.

Stephen Powis, diretor médico do NHS, o serviço público de saúde britânico, disse que “como é comum com as novas vacinas, a MHRA aconselhou, por precaução, que pessoas com histórico significativo de reações alérgicas não recebam esta vacina”.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, os pacientes que tiveram a reação são servidores do NHS. O serviço de saúde disse que todos envolvidos com o programa de vacinação foram informados do ocorrido – e, por isso, todos com previsão de receber a vacina nesta quarta serão questionados sobre históricos de reações alérgicas.

Informações: Pleno News


O Reino Unido iniciou nesta terça-feira (8), a campanha de vacinação da população contra a Covid-19 com a vacina desenvolvida pela farmacêutica Pfizer e pala alemã BioNTech. O país é o primeiro a iniciar a vacinação em massa com o imunizante desenvolvido pelas duas empresas.

A primeira pessoa a se vacinar foi a idosa Margaret Keenan, de 90 anos, que afirmou se sentir “privilegiada” pelo fato. Margaret também chamou a imunização de “presente de aniversário antecipado” e disse que agora vai poder passar mais tempo com a família.

– Sinto-me muito privilegiada por ser a primeira pessoa vacinada contra a Covid-19. É o melhor presente de aniversário antecipado que eu poderia desejar porque significa que posso finalmente esperar passar um tempo com minha família e amigos no Ano Novo, depois de estar sozinha na maior parte do ano – disse.

Maiores de 80 anos, funcionários de saúde na linha de frente e funcionários e moradores de casas de repouso terão prioridade na primeira fase da vacinação. A imunização dos britânicos com mais de 50 anos, além dos adultos com alguma doença pré-existente, deve acontecer em 2021.

A vacina da Pfizer, desenvolvida em parceria com a empresa BioNTech, é uma das quatro que estão sendo testadas no Brasil. O país ainda não fez acordo para adquirir a vacina, mas, em meados de novembro, o governo recebeu executivos da Pfizer para, segundo o Ministério da Saúde, “conhecer os resultados dos testes em andamento e as condições de compra, logística e armazenamento”.

Informações: Pleno News


Em votação esvaziada e somente 31% do eleitorado comparecendo às urnas, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, venceu as eleições parlamentares do país, realizadas no domingo (6).

Segundo os resultados iniciais divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) no início da madrugada desta segunda (7), a coligação de partidos governistas Grande Polo Patriótico obteve 67,7% dos votos e terá a maioria dos assentos na Assembleia Nacional.

A posse dos novos deputados será em 5 de janeiro “O povo, enfrentando todas as dificuldades, saiu para eleger a sua Assembleia Nacional”, afirmou Maduro em pronunciamento após a divulgação dos resultados.

Na comparação com as últimas eleições parlamentares, em 2015, a queda foi brusca. Segundo a Folha de S.Paulo, na época, 71% da população participou da votação.

Informações: Bahia.ba


Reino Unido aprova vacina da Pfizer contra Covid-19 e inicia aplicação na próxima  semana | Jovem Pan

O Reino Unido aprovou a vacina contra a Covid-19 das farmacêuticas Pfizer e Biontech e prevê iniciar a vacinação na semana que vem. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (2) pelo ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, que classificou a notícia como “fantástica”.

“No início da próxima semana, começaremos um programa de vacinação de pessoas contra Covid-19 aqui neste país”, disse ele à rede Sky News.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse que a aprovação da vacina contra o coronavírus da parceria Pfizer e BioNTech vai resgatar vidas e a economia do país.

“É a proteção das vacinas que vai finalmente nos trazer de volta às nossas vidas e fazer a economia andar novamente”, escreveu em uma rede social.

O Reino Unido anunciou que um primeiro lote com 10 milhões de doses será disponibilizado pelo NHS, serviço público de saúde britânico, ainda em 2020. Profissionais da saúde estarão entre os primeiros a serem vacinados – as campanhas acontecerão em hospitais, por conta do armazenamento do imunizante.

A vacina da Pfizer e BioNtech precisa ser armazenada a -70ºC. No Brasil, o plano de imunização elaborado pelo Ministério da Saúde não prevê o uso de imunizantes que exijam baixíssimas temperaturas de armazenamento.

Na terça-feira (1º), o secretário de Vigilância em Saúde da pasta, Arnaldo Medeiros, disse que o governo brasileiro deseja um imunizante que possa ficar armazenado em temperaturas de 2ºC a 8ºC, pois essa é a temperatura da rede de frio usada no sistema de vacinação brasileiro.

Em entrevista à GloboNews, o infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) Renato Kfouri comemorou a aprovação e disse que é um marco na história do desenvolvimento de vacinas – mas também reconheceu o armazenamento e transporte da vacina como um desafio.

“Uma das limitações é o transporte, por conta do congelamento, mas o fabricante tem estudado alternativas, com gelo seco, em que ela pode ficar fora de freezers por até 15 dias”, disse Kfouri.

O especialista disse que o preço também pode ser m impeditivo para a aplicação em massa no país, uma vez que a vacina da Pfizer é, segundo estimou, até 5 vezes mais cara que a vacina de Oxford, que será produzida no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Fonte: https://g1.globo.com/bemestar/vacina/noticia/2020/12/02/


A vacinação em Moscou já começou.
Fonte:  Freepik 

A Rússia começou a imunizar a população contra covid-19 nesta segunda-feira (30), antes da conclusão da fase 3 de testes da Sputnik V. O primeiro lote da vacina foi liberado para o Hospital Central de Domodedovo, em Moscou, de acordo com a Reuters.

Na última terça-feira (24), o governo russo confirmou que o imunizante apresentou 92% de eficácia após a aplicação da segunda dose. No entanto, os resultados do ensaio clínico ainda não foram publicados em revistas científicas nem revisados por outros médicos, deixando a pesquisa em aberto.

Mesmo sem a revisão do imunizante desenvolvido pelo centro de pesquisas Gamaleya, o presidente Vladmir Putin determinou o início da vacinação de mais de 400 mil soldados do exército da Rússia. Agora, o produto começa a ser disponibilizado aos civis, no momento em que o número de casos volta a crescer no país.

Segundo a agência de notícias, os interessados em se proteger contra o novo coronavírus, nesta primeira etapa, precisam se registrar em um sistema do governo, além de apresentar documentos no momento da aplicação e o resultado de um teste de covid-19, confirmando não ter sido infectado pelo Sars-CoV-2.


O agente funerário que preparou o corpo de Diego Maradona para seu velório foi demitido após tirar uma foto com o cadáver do ídolo. O registro viralizou em grupos de Whatsapp na Argentina durante a cerimônia, realizada nesta quinta-feira, 26, na Casa Rosada, sede do governo argentino na capital Buenos Aires. A confirmação da veracidade do registro veio de Matías Morla, advogado de Maradona, que ficou revoltado com a situação e que o ato custará caro ao responsável.

“Dada a viralização de uma imagem de Diego em seu leito de morte, vou cuidar pessoalmente de encontrar o canalha que tirou aquela foto. Todos os responsáveis por tal ato de covardia pagarão”, disse Morla, que continuou, revelando a identidade do responsável: “Diego Molina é o canalha que tirou uma foto ao lado do caixão de Diego Maradona. Pela memória do meu amigo, não vou descansar enquanto ele não pagar por tal aberração”.

Em resposta ao advogado, usuários do Twitter postaram outra foto na qual é possível ver duas pessoas com as mãos no caixão de Maradona. Entretanto, até o momento, os responsáveis não foram identificados pelas autoridades. O episódio acontece um dia depois da morte do ídolo argentino, vítima de uma parada cardiorrespiratória na última quarta, 25. O velório foi realizado hoje e contou com a participação de milhares de argentinos, que fizeram filas para se despedir do ídolo. Houve um tumulto entre fãs de Maradona e a polícia, o que levou a cerimônia a ser suspensa.


O início do velório do jogador Diego Maradona, que morreu no início da tarde de quarta-feira (25) em sua casa na cidade de Tigre, na Argentina, foi marcado por um tumulto na frente da Casa Rosada, sede do governo federal do país, que fica na capital Buenos Aires.

Segundo a imprensa argentina, houve empurra-empurra no momento da abertura das portas do local, com confusão entre os fãs do ex-jogador e alguns policiais, que chegaram a se esconder na casa do governo. Mesmo em meio à pandemia, várias aglomerações foram registradas, mas a situação se normalizou minutos depois.

Aos que foram e vão até a Casa Rosada, está sendo permitido passar rapidamente perto do caixão para se despedir do maior ídolo do futebol argentino até as 16h de hoje. A previsão é de que mais de um milhão de pessoas se dirija ao local até sábado, como havia sido anunciado pelo governo do país, mas o velório foi reduzido a pedido da família.

A realização da cerimônia na sede do governo é considerada uma grande honraria na Argentina. A última personalidade a ser velada no local foi o ex-presidente Néstor Kirchner, em 2010. Os colegas de equipe de Maradona na seleção campeã do Mundo em 1986 terão um momento a sós com o ex-atleta durante uma parte da cerimônia.

A MORTE DE MARADONA
Considerado o maior jogador da história do futebol argentino, Diego Armando Maradona morreu na quarta-feira (25) aos 60 anos. Segundo o jornal argentino Clarín, Maradona sofreu uma parada cardiorrespiratória em sua casa em Tigre, cidade que fica próxima de Buenos Aires. A autópsia preliminar feita no ex-jogador indicou morte por insuficiência cardíaca aguda.

O ex-jogador sofreu uma delicada cirurgia no cérebro no começo do mês de novembro e recebeu alta oito dias depois. O campeão mundial da Copa de 1986 passou por uma cirurgia para drenar uma pequena hemorragia no cérebro. O médico Leopoldo Luque afirmou na ocasião que a cirurgia era considerada simples, mas que havia preocupação pela condição de saúde do ex-jogador.

Maradona nasceu em 30 de outubro de 1960 em Lanús, na província de Buenos Aires, e era atualmente técnico do Gimnasia y Esgrima. Apontado como um dos maiores jogadores da história do futebol mundial, ao lado de Pelé, o craque argentino começou a sua carreira no Argentinos Juniors, clube onde foi revelado e atuou entre 1976 e 1981.

Logo depois, jogou um ano no Boca Juniors e se transferiu para o Barcelona, onde atuou entre 1982 e 1984. De lá, foi para o Napoli, na Itália, onde ganhou uma Copa da Uefa, dois Campeonatos Italianos, uma Copa e uma Supercopa da Itália.

Na seleção argentina, Diego conquistou a Copa do Mundo de 1986, campeonato em que ele marcou o famoso gol de mão nas quartas de final contra a Inglaterra que ficou conhecido como “La Mano de Dios”, A Mão de Deus em português. Ao todo, Maradona marcou 34 gols em 91 jogos pela equipe nacional.

Informações: Pleno News
Foto: Juan Ignacio


Homem salva cachorro de crocodilo (23.nov.2020)

Um homem lutou contra um jacaré para salvar seu cachorro, na Flórida. Ao perceber que seu animal de estimação corria perigo, ele entrou no lago e abriu a boca do réptil para soltar o cão.

Apesar do susto, o cachorro não teve ferimentos graves e passa bem. A família do animal disse que não quer que nada de ruim aconteça com o jacaré, já que entende que ele estava apenas fazendo o que o precisa para sobreviver na natureza.

Um homem lutou contra um jacaré para salvar seu cachorro, na Flórida. Ao perceber que seu animal de estimação corria perigo, ele entrou no lago e abriu a boca do réptil para soltar o cão.

Apesar do susto, o cachorro não teve ferimentos graves e passa bem. A família do animal disse que não quer que nada de ruim aconteça com o jacaré, já que entende que ele estava apenas fazendo o que o precisa para sobreviver na natureza.


Idosos estão entre os que mais sofrem com a crise no país

Em 1980, a velhice era algo muito distante para Norma Mujica [foto]. “Eu tinha 27 anos, e dançava salsa com meu marido nas discotecas. Gostávamos muito do Oscar de León e da Célia Cruz (cantores latinos). Às vezes, comíamos comida chinesa em um restaurante, e nos fins de semana íamos à praia”, lembra ela com nostalgia.

Aos 67, seus dias passam de uma forma muito diferente do que ele imaginava. Sua aposentadoria, que começou no valor equivalente a R$ 925 ao mês, agora representa apenas R$ 7 devido à contínua desvalorização do bolívar, a moeda venezuelana.

Sua casa, no topo de uma subida íngreme e mal pavimentada, tem um telhado de zinco, paredes de concreto lascadas pela umidade e decoradas com cartazes de Jesus, piso de ladrilhos e móveis com madeira lascada. Uma máquina de lavar velha, um fogão a gás e cortinas gastas preenchem o espaço.

Norma caminha lentamente, vestida com uma túnica um tanto surrada, arrastando um sapato que imita a marca Crocs, que usa com meias de lã. Ela se senta em uma pequena cadeira de plástico e conta que vive na Freguesia 23 de Janeiro, uma área popular de Caracas, desde que nasceu.

“Meu pai tocava tímpano (um instrumento de percussão) em uma orquestra, aqui sempre havia muita salsa e merengue”, conta.

“Comprei esta casinha com meu marido e, aos poucos, fomos fazendo melhoras. Quando fiz 40 anos, Deus me ouviu, e eu tive meu único filho, demorei muito para engravidar. Ao meu filho, nunca faltou nada.”

Seu marido, Rafael Alcalá, trabalhava como auxiliar no departamento de sistemas de um banco, e ela trabalhou em um órgão público, o Instituto de Previdência e Assistência Social do Ministério da Educação. O instituto presta assistência médica a professores que trabalham para o Estado.

“Eu me formei como técnica de prontuário e fiz de tudo, fui secretária, mensageira. Entrava às 10h e saía às 21h”, conta Norma, que começou a trabalhar aos 19 anos.

Em 2000, ela estava no emprego quando sofreu um acidente vascular cerebral, uma obstrução ou redução brusca do fluxo sanguíneo em uma artéria do cérebro, o que causa a falta de circulação na região. Quando a pessoa não morre, ela pode ficar com sequelas sérias.

capa economia

ECONOMIA
Crise na Venezuela: ‘Nunca pensei que passaria fome na velhice’ – o drama de viver com aposentadoria de R$ 7
O colapso econômico no país fez com que a qualidade de vida da grande maioria dos idosos diminuísse violentamente, deixando-os altamente vulneráveis.
Víctor Salmerón – Especial para BBC News Mundo em Caracas
22 NOV 2020 15h50atualizado às 16h02
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Idosos estão entre os que mais sofrem com a crise no país
Idosos estão entre os que mais sofrem com a crise no país
Foto: Oswer Diaz Mireles / BBC News Brasil
Em 1980, a velhice era algo muito distante para Norma Mujica.

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“Eu tinha 27 anos, e dançava salsa com meu marido nas discotecas. Gostávamos muito do Oscar de León e da Célia Cruz (cantores latinos). Às vezes, comíamos comida chinesa em um restaurante, e nos fins de semana íamos à praia”, lembra ela com nostalgia.

Aos 67, seus dias passam de uma forma muito diferente do que ele imaginava. Sua aposentadoria, que começou no valor equivalente a R$ 925 ao mês, agora representa apenas R$ 7 devido à contínua desvalorização do bolívar, a moeda venezuelana.

Sua casa, no topo de uma subida íngreme e mal pavimentada, tem um telhado de zinco, paredes de concreto lascadas pela umidade e decoradas com cartazes de Jesus, piso de ladrilhos e móveis com madeira lascada. Uma máquina de lavar velha, um fogão a gás e cortinas gastas preenchem o espaço.

Norma caminha lentamente, vestida com uma túnica um tanto surrada, arrastando um sapato que imita a marca Crocs, que usa com meias de lã. Ela se senta em uma pequena cadeira de plástico e conta que vive na Freguesia 23 de Janeiro, uma área popular de Caracas, desde que nasceu.

Norma guarda o dinheiro da aposentadoria para comprar remédios
Norma guarda o dinheiro da aposentadoria para comprar remédios
Foto: Oswer Diaz Mireles / BBC News Brasil
“Meu pai tocava tímpano (um instrumento de percussão) em uma orquestra, aqui sempre havia muita salsa e merengue”, conta.

“Comprei esta casinha com meu marido e, aos poucos, fomos fazendo melhoras. Quando fiz 40 anos, Deus me ouviu, e eu tive meu único filho, demorei muito para engravidar. Ao meu filho, nunca faltou nada.”

Seu marido, Rafael Alcalá, trabalhava como auxiliar no departamento de sistemas de um banco, e ela trabalhou em um órgão público, o Instituto de Previdência e Assistência Social do Ministério da Educação. O instituto presta assistência médica a professores que trabalham para o Estado.

“Eu me formei como técnica de prontuário e fiz de tudo, fui secretária, mensageira. Entrava às 10h e saía às 21h”, conta Norma, que começou a trabalhar aos 19 anos.

Em 2000, ela estava no emprego quando sofreu um acidente vascular cerebral, uma obstrução ou redução brusca do fluxo sanguíneo em uma artéria do cérebro, o que causa a falta de circulação na região. Quando a pessoa não morre, ela pode ficar com sequelas sérias.

“Minha pressão subiu muito, caí no chão e fiquei gravemente doente”, lembra Norma.

Com o tempo, ela recuperou a fala e voltou a andar com a ajuda de uma bengala, mas não pôde voltar a trabalhar. O Estado concedeu-lhe uma aposentadoria por invalidez, que antecipou sua aposentadoria por velhice.

Naquela época, o que Norma recebia era equivalente a R$ 925 por mês, o que lhe permitia cobrir todas as suas necessidades básicas.

“Comprava comida, pagava o telefone, os remédios, e meu marido também trabalhava”, conta.

O ex-presidente Hugo Chávez havia promovido uma reforma da Constituição em 1999 que incluía a obrigação do Estado de pagar um salário mínimo que cobria as necessidades básicas das pessoas, e as aposentadorias seguiam essa mesma regra.

Em 2015, o marido de Norma morreu e a sua aposentadoria passou a ser sua única renda.

Remédios são a prioridade de Norma, para que ela não corra o risco de sofrer outro AVC

Colapso

Formalmente, o sistema previdenciário na Venezuela é uma modalidade em que os trabalhadores ativos contribuem com uma porcentagem de seu salário para pagar as pensões da população em idade de aposentadoria — da mesma forma que no Brasil.

Mas a contribuição hoje é muito pequena, porque muitos trabalhadores, principalmente os mais qualificados, deixaram o país. Além disso, os salários são baixos, o bolívar está desvalorizado e boa parte dos empregos está no setor informal da economia, que não contribui para o sistema.

Portanto, o custo das aposentadorias de 4,5 milhões de venezuelanos recai sobre o Estado. E as contas não batem.

A principal fonte de renda é o petróleo, de onde vem nove em cada dez dólares que entram no país. E a extração caiu drasticamente desde 2017. Essa é uma das causas do Estado estar empobrecido, sem recursos, ao que se soma à maior inflação do mundo

Nesse ambiente, há três anos, o Banco Central da Venezuela vem cortando continuamente a oferta de dólar, ao qual os venezuelanos recorrem para tentar poupar. Isso fez o preço da moeda norte-americana subir muito.

O colapso fez com que a qualidade de vida da grande maioria dos idosos diminuísse violentamente, deixando-os altamente vulneráveis.

Nicolas Madura (foto) assumiu a presidência definitivamente após a morte do ex-presidente Hugo Chavez

Vivendo com quase nada

Depois da supervalorização do dólar, os bolívares que Norma recebe como aposentadora equivalem a R$ 7 por mês.

Ela também recebe um adicional para aposentadoria e títulos que o governo distribui para tentar amenizar a deterioração. Mas ao somar toda a sua renda, o que ela recebe não chega a R$ 27 por mês, o que dá para comprar um quilo de carne.

Entre suas prioridades, entretanto, não está a carne, mas os remédios que toma diariamente para regular a pressão arterial.

Ela consegue o remédio no sistema governamental de distribuição de medicamentos, mas nem sempre os remédios são entregues no prazo. Portanto, ela guarda dinheiro para essa eventualidade.

“Não consigo comprar uma caixa cheia, mas pelo menos compro meia caixa, que dá 20 comprimidos”.

Ela explica que os médicos alertaram para a importância de ela regular a pressão arterial para minimizar o risco de outro derrame.

“Graças a Deus, estou sem remédio há apenas alguns dias. Às vezes, meu filho faz um esforço e compra para mim. Quando não tomo, não consigo dormir, fico assustada”, conta Norma.

Para chegar à farmácia, ela caminha com sua bengala cerca de um quilômetro e meio até a estação de metrô mais próxima. Ao sair de casa, se depara com uma descida íngreme, na qual é fácil perder o equilíbrio.

Em seguida, ela atravessa calçadas com buracos e declives, ocupadas por vendedores ambulantes e sacos de lixo. Ao retornar, a descida se torna uma subida que a obriga a parar para descansar várias vezes.

No metrô, gratuito para idosos, ela percorre três estações. “Tenho que andar. Se ficar em casa, vou ficar na cama e não quero isso. Às vezes, meu pé dói, porque há um tempo caí e torci o tornozelo, está inchado, mas eu ando”, diz Norma.

Faz muito tempo que Norma não come carne, frango ou leite

Pouca comida

A alimentação de Norma depende exclusivamente das cestas básicas que o Estado distribui para as pessoas de baixa renda.

“A cesta chega a cada mês e meio. A última veio com dois quilos de arroz, dois pacotes de farinha para fazer arepas (um tipo de panqueca), dois quilos de macarrão, alguns pacotes de grão de bico e café. Desta vez, não veio açúcar”, explica Norma.

“Hoje vou comer um pãozinho de farinha no café da manhã, um café e um ovo que me deram. Ao meio-dia, grão-de-bico com um pouco de arroz e à noite de novo grão-de-bico. Faz muito tempo que não como carne, frango, leite. Nunca pensei que passaria fome na minha velhice e não estou sozinha, muitos no bairro são iguais”, acrescenta.

Seu filho não pode ajudá-la agora, diz. “Ele tem 25 anos, é casado e tem dois filhos. Até recentemente trabalhava em um restaurante, onde pagavam um salário mínimo, mas com a pandemia ele teve que sair. Para comer, está vendendo bolos com a esposa.”

O bairro onde ela mora tem sofrido com constantes cortes de luz e de água

Luzes fracas e água amarela

Norma tem uma velha máquina de lavar que ainda funciona, uma geladeira e uma televisão que serve de distração — relíquias da época em que ela podia comprar eletrodomésticos.

Seu medo é que as variações na voltagem da eletricidade e os cortes de energia, que se tornaram recorrentes no país, danifiquem os aparelhos. “Foi assim que meu micro-ondas quebrou, não liga. Agora está impossível comprar outro”, diz preocupada.

E não foi só o serviço de energia elétrica se deteriorou no bairro.

“Quase sempre fico sem água dois dias por semana. Felizmente, quando meu marido era vivo, comprou uma caixa d’água de plástico que tenho no banheiro. Mas a água está ficando muito suja, amarela, por isso tenho que ferver.”

Norma esquiva-se da questão política, evita falar sobre se apoiou ou não o ex-presidente Hugo Chávez em algum momento ou se votará nas eleições parlamentares marcadas para dezembro deste ano.

Ela está resignada, sem expectativas de uma mudança que amenize seu dia a dia. “Não espero mais nada de bom, tudo é sempre pior.”

Reportagem: BBC News | Fotos: BBC News

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