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Olimpíadas acontecem em julho deste ano, em Tóquio, no Japão

Foto: Tânia Rego/ Agência Brasil
Foto: Tânia Rego/ Agência Brasil

Os atletas olímpicos e paraolímpicos que vão participar dos Jogos de Tóquio em julho deste ano devem ser vacinados antes da viagem. De acordo com a coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo, o Comitê Olímpico do Brasil vai enviar os nomes dos integrantes da comitiva para o Ministério da Defesa.

Além dos atletas, a publicação afirma que os integrantes das comissões técnicas e colaboradores também devem ser imunizados. Ainda não há detalhes de quando acontecerá a aplicação das vacinas nas cerca de 2 mil pessoas, porque o país enfrenta um atraso na entrega de imunizantes.

Informações Bahia.ba


Crews work on the SpaceX Crew Dragon, attached to a Falcon 9 booster rocket, as it sits horizontal on Pad39A

O terceiro voo tripulado da SpaceX com destino à Estação Espacial Internacional foi lançado hoje (23) do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, Estados Unidos. O lançamento ocorreu após um adiamento devido às condições meteorológicas.

Pela primeira vez, a cápsula espacial Crew Dragon integra um astronauta europeu.

O Falcon 9 decolou do centro espacial Kennedy, na Flórida, Estados Unidos, às 5h49 (hora local), depois do adiamento do lançamento por um dia devido às condições meteorológicas adversas, tornando-se o terceiro voo tripulado de uma cápsula espacial da SpaceX, empresa privada dirigida pelo magnata norte-americano Elon Musk.

Na Crew Dragon seguem o francês Thomas Pesquet, que cumprirá a sua segunda missão na Estação Espacial Internacional, os norte-americanos Shane Kimbrough e Megan McArthur (comandante e piloto de voo, respectivamente) e o japonês Akihiko Hoshide. A tripulação dessa missão ficará seis meses na estação, onde a Crew Dragon deverá acoplar neste sábado (24) de manhã.

Informações Agência Brasil


Foto: Reprodução/Instagram

A rainha Elizabeth 2ª completa 95 anos hoje (21), marcando a primeira de suas celebrações sem o príncipe Philip, que morreu no último dia 9, aos 99 anos. A data não será comemorada em respeito à perda do duque de Edimburgo.

Ainda assim, de acordo com o The Telegraph, espera-se que Elizabeth desfrute de um “almoço tranquilo” com parentes próximos no Castelo de Windsor.

A celebração mais íntima acontece apenas quatro dias após o funeral de Philip e segue as restrições em meio à pandemia do novo coronavírus. Os detalhes do encontro, porém, permanecem privados.

Os tabloides britânicos também especulam que a rainha não marcará seu aniversário com uma nova foto oficial.

Embora tenha nascido em abril, as celebrações públicas do aniversário da monarca acontecem em junho, e a data oficial da celebração muda a cada ano. Em 2021, o tradicional desfile chamado “Trooping the Colour” foi cancelado por causa da pandemia e planos alternativos estão sendo considerados.

Confira algumas curiosidades sobre o aniversário da rainha Elizabeth 2ª:

Quando a rainha nasceu?

A Rainha Elizabeth 2ª nasceu em 21 de abril de 1926.

Ela foi a primeira filha do rei George VI e de sua esposa, a rainha-mãe Elizabeth Bowes-Lyon.

Por que ela tem dois aniversários?

2 - Getty Images - Getty Images
Rainha ElizabethImagem: Getty Images

O desfile de aniversário da rainha Elizabeth, chamado “Trooping the Colour”, geralmente ocorre em junho, e não no mês real de seu nascimento. A razão é o clima imprevisível do Reino Unido.

A tradição começou em 1748, quando o rei George 2º decidiu — o que não é surpresa para muitos britânicos — que seria muito frio para o evento acontecer na data real de seu aniversário, em novembro.

Quem participa neste ano?

Alguns membros da família real devem se revezar para visitar a rainha em seu aniversário.

Segundo o The Sun, comparecerão ao Castelo de Windsor a princesa Anne, Sofia (Condessa de Wessex), o príncipe Andrew, a princesa Eugenie e seu filho recém-nascido, August, entre outros nomes.

Uma fonte garantiu ao The Mirror: “A rainha não estará sozinha.”

Já o envolvimento do príncipe Harry neste plano é incerto. Segundo a imprensa britânica, o filho mais novo de Diana e Charles atrasou seu retorno aos Estados Unidos após o funeral do avô para passar o aniversário ao lado de Elizabeth.

A notícia surge em meio aos rumores de que Harry, William e Charles teriam conversado por duas horas após seu retorno para o Reino Unido.

Por que não haverá salva de tiros?

Pelo segundo ano consecutivo, foi cancelada a salva de tiros no Hyde Park e na Torre de Londres no dia 21 de abril.

Em 2020, a ação foi anulada devido às restrições do Reino Unido diante da pandemia. Neste ano, não haverá a saudação em respeito ao luto após a perda do duque de Edimburgo — que se estende até sexta-feira (23).

Como é o “Trooping the Colour”?

1 - James Devaney / Getty Images - James Devaney / Getty Images
8.jun.2019 – Rainha Elizabeth 2ª durante o desfile “Trooping the Colour”Imagem: James Devaney / Getty Images

O desfile de aniversário do monarca vai do Palácio de Buckingham, em Londres, até a Horse Guards Parade. Nele, membros da família real desfilam em cavalos e carruagens.

De acordo com o site do Royal Household, organização que dá suporte ao monarca em suas atividades oficiais, o evento conta com mais de 1.400 soldados desfilando, 200 cavalos e 400 músicos em uma exibição de grande precisão militar.

Recentemente, o Palácio anunciou que o evento também seria cancelado pelo segundo ano consecutivo. No entanto, planos alternativos para o desfile estão sendo considerados para este ano.

Informações TV e Famosos UOL


Time era um dos seis da Inglaterra a ingressar em novo torneio europeu

Gabriel Jesus comemora gol do Manchester City
Foto: Reuters/Carl Recine/Direitos Reservados

Reuters | O líder da Premier League, Manchester City, se tornou o primeiro dos 12 clubes fundadores a desistir da recém-criada Superliga Europeia, nesta terça-feira (20).

O Chelsea, de acordo com a BBC, está preparando documentação para se retirar da polêmica nova competição, mas o City já confirmou sua decisão de forma oficial.

Uma breve nota em seu site informou: “O Manchester City Football Club confirma que promulgou formalmente os procedimentos para se retirar do grupo que desenvolve planos para uma Superliga Europeia”.

O City foi um dos seis clubes ingleses a ingressar na nova liga, anunciada no domingo (18), gerando uma série de condenações dentro e fora do futebol e ameaças de sanções por parte da Uefa, órgão que controla o futebol europeu.

A mudança foi rapidamente saudada pelo presidente da Uefa, Aleksander Ceferin.

“Estou muito satisfeito por receber o City de volta à família do futebol europeu … É preciso coragem para admitir um erro, mas nunca duvidei que eles tivessem a capacidade e o bom senso para tomar essa decisão. O City é um verdadeiro trunfo para o esporte”, disse ele em um comunicado.


Manifestantes protestam em Nova York após a morte de George Floyd em Mineápolis
Foto: CAITLIN OCHS

O ex-policial de Mineápolis Derek Chauvin foi condenado nesta terça-feira (20) por homicídio no episódio de prisão e morte de George Floyd, um marco na história racial dos Estados Unidos e uma repreensão ao tratamento dado pela polícia aos negros no país.

O júri de 12 membros considerou Chauvin, de 45 anos, criminalmente responsável pela morte de Floyd, após três semanas de depoimentos de 45 testemunhas, incluindo transeuntes, policiais e especialistas médicos. Os jurados iniciaram suas deliberações na segunda-feira (19).

Em um confronto mostrado em vídeo, Chauvin, que é branco, pressionou o joelho no pescoço de Floyd, um homem negro de 46 anos algemado, por mais de nove minutos, no dia 25 de maio de 2020, quando ele e três colegas policiais detiveram Floyd, que foi acusado de usar uma nota falsa de US$ 20 para comprar cigarros em um supermercado.

A morte de Floyd gerou protestos contra o racismo e a brutalidade policial em muitas cidades dos Estados Unidos e ao redor do mundo no ano passado. O tribunal de Mineápolis foi cercado por barricadas e vigiado por agentes da Guarda Nacional.

Por Agência Reuters – Mineápolis


Sputnik V, vacina
Foto: Reuters/Direitos Reservados

Reuters | Cientistas russos concluíram que a vacina Sputnik V contra a covid-19 tem eficácia de 97,6% no “mundo real”, de acordo com uma avaliação envolvendo 3,8 milhões de pessoas. O anúncio foi feito pelo Instituto Gamaleya, de Moscou, e o Fundo de Investimentos Diretos da Rússia (RDIF) nessa segunda-feira (19). O estudo no “mundo real” é mais amplo e apresenta evidência científica mais clara e confiável para mudança no padrão de tratamento.

A nova taxa de eficácia é mais alta que a de 91,6%, destacada em resultados de um estudo em grande escala com a Sputnik V, publicado na revista médica The Lancet no início do ano, e é favorável em comparação com dados sobre a eficiência de outras vacinas contra a covid-19.

Os novos dados correspondem a 3,8 milhões de russos que receberam tanto a primeira dose quanto uma dose de reforço, como parte do programa nacional de vacinação com a Sputnik V. 

“Esses dados confirmam que a Sputnik V tem uma das melhores taxas de proteção contra o coronavírus entre todas as vacinas disponíveis”, disse Kirill Dmitriev, diretor do fundo soberano RDIF que está apoiando o desenvolvimento do imunizante.

A incidência de infecções foi calculada a partir do trigésimo quinto dia após a primeira aplicação, diz a nota, mostrando uma taxa de incidência de 0,027%.

A incidência de infecção entre adultos não vacinados, durante um período considerável após o lançamento do programa de vacinação em massa na Rússia, foi de 1,1%, diz a nota, sem especificar o intervalo de datas utilizado. 

Os novos dados serão publicados em uma revista médica no mês que vem.

Os dados foram reunidos a partir de uma base de informações mantida pelo Ministério da Saúde do país e que registra pessoas vacinadas, assim como de uma base de dados de pessoas infectadas pela covid-19 no país, segundo o comunicado.


Margaret e Elizabeth II
Margaret e Elizabeth II || Créditos: Reprodução

Muito antes de Meghan Markle e do príncipe Harry, quem causava na monarquia do Reino Unido eram a rainha Elizabeth II e sua irmã, a princesa Margaret. E a conflituosa relação das duas, que voltou a despertar o interesse do público por conta da série “The Crown”, também é tema do novo livro de Andrew Morton, um correspondente real britânico acostumado a tirar esqueletos dos armários dos Windsors (também é dele a mais famosa biografia da princesa Diana que, dizem, foi escrita com a ajuda da própria).

Recém-lançado no hemisfério norte, “Elizabeth & Margaret” resgata muitas das histórias vividas pelas sisters e bffs  desde a infância, dando maior destaque aos tempos de ambas como princesas, mas também colocando luz na relação delas a partir da ascensão ao trono da atual chefe da Casa Real de Windsor, evento que foi um divisor de águas em suas vidas e por motivos diferentes.

Nunca foi novidade para ninguém que Margaret, que morreu em 2002, tinha uma certa inveja da posição de destaque ocupada por sua irmã, que por sua vez preferiria ter nascido plebeia e bem longe dos holofotes. Mas Morton dá um novo tempero a isso ao mostrar a falecida “royal” como uma pessoa sensível, que sofreu de depressão profunda durante a maior parte da vida.

Bastante elogiado pela crítica especializada, “Elizabeth & Margaret” já é um dos livros de não-ficção mais vendidos tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos, em parte porque nunca houve tanto interesse na família real mais famosa do mundo, seja por causa de sua abordagem pela Netflix (que produz e exibe “The Crown”) ou pelas confusões que Meghan, Harry e companhia continuam causando, suficientes para mantê-los nas manchetes e como objeto de fascínio do público. (Por Anderson Antunes)

O novo livro de Andrew Morton
O novo livro de Andrew Morton || Créditos: Reprodução

Informações Glamurama


O presidente dos Estados Unidos é mais ambicioso do que os líderes europeus na busca de soluções para reativar a economia com um programa de estímulos sem precedentes

O presidente norte-americano, Joe Biden, na Casa Branca, em Washington, em 7 de abril.
O presidente norte-americano, Joe Biden, na Casa Branca, em Washington, em 7 de abril.Leigh Vogel / EFE

A economia é um gênero arrítmico, quase jazzístico. Funciona em um ritmo impossível para dançar: lento, mais lento, um pandemônio repentino quando a crise chega, e sempre chega. Esse ziguezague ocorre até no campo das ideias: todos os grandes movimentos da política econômica são acompanhados por correntes na direção oposta, golpe-contragolpe, avanço-retrocesso, heresia-apostasia. A terceira lei de Newton ―para cada ação sempre se opõe uma reação― teve uma correlação quase perfeita na economia política do século passado. A Grande Depressão foi seguida pelo consenso keynesiano, uma revolução passiva do capitalismo para corrigir os excessos do laissez faire que 30 anos gloriosos deixaram. Quando se esgotou essa onda, com a terrível doença econômica dos anos setenta combinando estagnação econômica e inflação elevada, apareceram Ronald Reagan, Margaret Thatcher e sua revolução conservadora, um neoliberalismo que praticamente cabia em um guardanapo de coquetel ―a megafamosa curva de Laffer― e em um decálogo chamado Consenso de Washington, que se resume em desregulamentação, menos impostos, privatizações, globalização e, finalmente, o poder magnético dos mercados eficientes acima de quase tudo. A revolução conservadora resistiu entre nós com diferentes roupagens; sua evolução mais recente é o trumpismo, mas antes também encontrou seu caminho até mesmo na social-democracia, especialmente com o charlatanismo associado à Terceira Via, ou no ordoliberalismo alemão de Merkel e companhia. Nisso, veio a Grande Recessão e o entrave lúgubre na forma do Grande Confinamento. Todas as grandes crises acabam causando convulsões políticas, e esta não seria menor: um ar de mudança de regime flutua na política econômica global.

O artífice dessa convulsão é um homem de quase 80 anos que virou o mundo de cabeça para baixo contra todas as probabilidades. O democrata norte-americano Joe Biden, nascido politicamente no paraíso fiscal de Delaware, votou com entusiasmo a favor dos cortes de impostos de Reagan na década de 80 e serviu como vice-presidente do grandiloquente Barack Obama, que poderia ter protagonizado uma mudança de paradigma há uma década, mas ficou na metade do caminho pela feroz oposição republicana e de Wall Street e acabou deixando Trump como um legado. Biden chegou à Casa Branca com essa aura de político moderado, quase entediado, que costuma contratar um alto funcionário do Goldman Sachs quando tem que abrir a boca. “Por acaso eu pareço um socialista radical?”, dizia, olhando para a câmera em plena campanha. E, no entanto, não há altos funcionários do Goldman Sachs em seu Governo, e Biden surpreendeu seu partido, incluindo a sonolenta ala esquerda, e a Deus e o mundo com 100 dias tremendos que provocam a tentação de falar em mudança de paradigma.

Essa mudança de paradigma começou a tomar forma em 2009, mas se acelerou com a covid-19. Na fase mais aguda da pandemia, Governos em todo o mundo aprovaram estímulos fiscais e monetários em uma escala que só havia sido vista em guerras mundiais. Biden dobra ou triplica essa aposta: os Estados Unidos, além de vacinar a toda velocidade, aprovaram um primeiro pacote de estímulo de quase 2 trilhões de dólares (11,2 trilhões de reais) para reforçar a recuperação da economia no curto prazo, que incluiu cheques de 1.400 dólares (7.850 reais) para os norte-americanos, o equivalente ao que os economistas costumam chamar de “jogar dinheiro de um helicóptero”.

Ele anunciou logo em seguida um segundo pacote, mais estrutural, com uma perspectiva de longo prazo. São mais 2 trilhões para os próximos oito anos, com medidas destinadas a resolver alguns dos problemas que a maior potência mundial acumula há décadas: desigualdade, pobreza, educação, saúde, clima, investimento em infraestrutura, combate aos monopólios tecnológicos, um retorno ao multilateralismo e, nunca visto em duas gerações, uma proposta para um aumento global de impostos corporativos, anátema até ontem mesmo, bem como um aceno ao sindicalismo, algo incomum na América do Norte. Combinado com o que já estava na mesa, este é um estímulo do tamanho de um daqueles enormes porta-aviões que navegam pelo Pacífico Sul: cerca de 5 trilhões, um quarto do PIB dos Estados Unidos. “É uma sacudida brutal no sistema que busca causar efeitos imediatos nas vidas dos americanos”, resume o professor Peter Praet.

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Os livros didáticos dizem com clareza meridiana que em meio a um choque externo de grande magnitude, como o causado pela covid-19, é preciso fazer políticas fiscais ultraexpansionistas e políticas monetárias que acompanhem os estímulos. Mas ninguém ―ninguém― tinha se atrevido a tanto.

Economistas e governantes de todos os matizes, de direita e de esquerda, há anos levam longe demais sua adoração (ou medo) dos mercados. É claro que, quando uma crise se aproximava, todos tiravam da cartola um keynesianismo dos grandes, mas, assim que vinha a estiagem, voltava-se automaticamente ao mesmo lugar neoclássicão: usando as taxas de juros e a política monetária para domar os ciclos de econômicos, ficar sempre de olho no déficit e confiar na magia do mercado. Essa magia começou a se desfazer com o crash do Lehman Brothers: “Todo o edifício intelectual desabou”, sentenciou então um descontente Alan Greenspan, sumo sacerdote dessa fé econômica, que disse encontrar-se “em um estado de total incredulidade e espanto” quando o castelo de cartas desmoronou.

Obama não quis ou não pôde então dar o golpe radical que prometia, e as águas voltaram ao seu curso. Mas a semente estava plantada, e a combinação da terra arrasada dos anos Trump e o choque pandêmico nos convidam a cometer esse pecado econômico que consiste em pensar que desta vez pode ser diferente: “O estímulo de Biden é o despertar de uma nova era”, escreveu o historiador econômico Adam Tooze. “É a ruptura definitiva com o neoliberalismo”, segundo a análise de J. W. Mason, do Roosevelt Institute. “A pandemia é a oportunidade de fazer uma mudança que devolva o protagonismo ao Estado”, sentencia Mariana Mazzucato, do University College. Até o FAES, o think tank liberalíssimo de José María Aznar, falava às claras esta semana “do canto do cisne dos supply siders [os economistas da oferta, pouco amigos do keynesianismo], que desde o tempo de Reagan vinham dominando o debate”.

Ao jornalismo tende a cair maravilhosamente o advérbio de cautela talvez: diante da inauguração permanente da história, é preciso sempre lembrar um aforismo de Rafael Sánchez Ferlosio, “a nova era, a velha desventura”. Mas a dezena e meia de economistas consultados aponta para algo como uma mudança de guarda na política econômica não isenta de riscos.

Amores e revoluções, mesmo econômicas, precisam da pessoa certa, no lugar certo e na hora certa; a vida, entretanto, quase nunca consegue reunir tal adequação. Biden pode conseguir? “Velhos que têm pressa são uma coisa boa”, diz, por telefone, James Galbraith, economista da Universidade do Texas e um dos poucos acadêmicos de esquerda com uma voz poderosa e midiática. Biden chega ao lugar certo, uma Casa Branca abalada pelos excessos histriônicos de Trump, em meio a uma crise que, como diz a direita, é sempre uma oportunidade, “e com os democratas conscientes de que só têm dois anos antes do próximo ciclo eleitoral para mudar as coisas e evitar a volta do populismo”, diz o filho do mítico John K. Galbraith. “A questão é se a academia e a política, em parte como consequência do pânico, dão ao pensamento econômico o impulso definitivo para acabar com o neoliberalismo. Mas ainda falta muito jogo”, frisa.

Algo se move

Esse ceticismo é a norma em uma profissão acostumada a novos amanheceres que nada mais eram do que aldeias Potemkin: palavras de verniz e decorações de papelão duro. E, no entanto, é inegável que algo está se movendo. O ex-economista-chefe do FMI Maurice Obstfeld aponta que o Plano Biden “é muito mais ambicioso do que as propostas de Obama”, embora deixe no ar se representa a prometida nova era ou a ferlosiana velha desventura. Simon Johnson, que também esteve no FMI, qualifica esse pacote como “brilhante esforço para estimular a economia no curto prazo para acelerar a recuperação pós-covid-19” e, ao mesmo tempo, “pensar na economia americana no longo prazo com medidas audazes e ambiciosas”. “Eu não chamaria essas políticas de esquerda ou direita, nem as classificaria como velho ou novo paradigma: simplesmente são o caminho adequado para reconstruir a economia onde as duas últimas crises mais a golpearam. E talvez sirvam de inspiração em outros lugares”, acrescenta Johnson.

Essa “inspiração” para “outros lugares” é uma forma educada —eufemística— de se referir à Europa, que tem sido muito menos arrojada do que os EUA. Mas essa alusão vamos tentar esclarecer alguns parágrafos abaixo. Porque, para além da comparação com a Europa, o fato é que a política econômica de Biden apresenta riscos, e nem muito menos foi adotada por consenso. Larry Summers, o guru econômico de Obama, oráculo de Wall Street e prima donna do suposto progressismo economicista norte-americano, é quem mais claramente destacou que o novo Executivo dos Estados Unidos foi longe demais, apesar de até dois dias atrás ter defendido abertamente os estímulos para tirar a economia global da armadilha da estagnação secular. O prestigiado economista francês Olivier Blanchard segue Summers de perto: “Biden foi muito longe; existem riscos de superaquecimento e inflação”, explica por e-mail. “Muitos economistas pensam como Summers e Blanchard: Biden está descartando a ciência e substituindo-a por seus objetivos políticos e popularidade”, diz Tyler Cowen, autor de The Great Stagnation e influente professor da Universidade George Mason.

Diante dos maçantes teóricos do universo que vão atrás do glamour intelectual do pessimismo, Simon Wren-Lewis destaca em Oxford que Biden “mostra o caminho a seguir”. “O Reino Unido e a Europa foram tímidos demais: as preocupações com o déficit estão fora de lugar. Mas também os riscos inflacionários podem ser superados.” Não fazer nada, com os velhos demônios à espreita, não era mais uma opção: “Isto não é o fim do neoliberalismo, que vai além da política econômica, mas é de esperar que seja o começo do fim daqueles que se preocupam com o déficit ―ou a inflação― em meio a uma depressão, ou de uma armadilha econômica de baixo crescimento e taxas de juros e inflação na zona zero como na que encalhamos”.

Muitas vezes, acontece com os economistas algo semelhante ao que se deu com Napoleão em Guerra e paz: sua capacidade de decidir os rumos da economia é limitada. Armados com fantásticos modelos matemáticos, um grandioso plano de batalha cujo objetivo é simplificar a realidade e que lhes promete uma vitória quase certa, “a obsessão de teorizar” dos cientistas sociais acabou se tornando “um obstáculo à compreensão”, deixou escrito Albert Hirschman, cujo nascimento acaba de completar 100 anos. Dani Rodrik, economista de Harvard, diz que a profissão levou longe demais “sua adoração pelos mercados” e “sua crença nos modelos”. A economia é espelho e ao mesmo tempo expressão de uma era: o Estado de bem-estar social foi a tradução social-democrata do roteiro do pós-guerra e a revolução conservadora a resposta à crise do petróleo, com uma estagnação preocupante e uma inflação galopante. Mas agora os problemas são outros: a mudança climática, a hiperglobalização, o peso excessivo do setor financeiro nas economias avançadas e o impacto da revolução tecnológica sobre os trabalhadores não são devidamente tratados pelos modelos. O neoliberalismo perdeu brilho devido aos excessos dos últimos 15 anos de monopólios tecnológicos, às loucuras das finanças ―a Pottersville de A felicidade não se compra― à galopante desigualdade e ao rastro de crises dos últimos tempos. “Ao contrário dos acidentes aéreos, as crises financeiras tornaram-se mais frequentes, não menos: o avião é mais perigoso”, resume Mervyn King, ex-governador do Banco da Inglaterra.

A resposta adequada diante desse panorama é o Plano Biden, esse bidenomics? O historiador econômico Barry Eichengreen, de Berkeley, tem suas dúvidas. “Os EUA responderam com muito mais munição do que a Europa aos novos problemas econômicos, associados à covid, e aos não tão novos que se acumulam em todo o Ocidente. Mas agora há um rico debate sobre se Washington fez demais, criando significativos riscos de inflação”. “O estímulo de Biden é várias vezes maior do que a brecha de produção [a diferença entre a velocidade de cruzeiro da economia e o potencial de crescimento], e há ainda mais estímulos à vista. Do lado monetário, o Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, deixou claro que não vai mudar sua política ultraexpansionista até pelo menos 2023. É melhor se recuperar a toda velocidade e arriscar-se a um retorno da inflação? Ou é preferível algo mais lento para evitar esses riscos? Biden prefere a primeira opção; a Europa, a segunda”, aponta.

Os Estados Unidos ultrapassaram a Europa pela direita depois de 2008. Quando as coisas ficaram realmente muito ruins, Washington reuniu os maiores bancos do país e os fez pedir emprestadas grandes somas de dinheiro (que depois devolveram com juros), e inovou com a política monetária e fiscal: a Europa optou pela austeridade e as coisas quase acabaram mal. Agora Biden ultrapassa os europeus pela esquerda: a Europa também optou pelos estímulos desta vez, mas em uma escala muito menor.

“A zona do euro, ao contrário dos EUA, parece satisfeita com uma recuperação incompleta”, critica o economista Ángel Ubide. “Joe Biden acaba de atrasar o declínio de seu país; os líderes europeus parecem dispostos a acelerar o deles”, escreveu o analista Martin Sandbu no Financial Times. “A comparação é equivocada porque na Europa temos estabilizadores automáticos, os heróis anônimos da política econômica moderna”, matiza Benedicta Marzinotto, da Universidade de Udine. O FMI, porém, considera que o estímulo europeu é insuficiente: o Fundo acredita que a Europa teria de injetar 3% do PIB em sua economia. Cerca de 400 bilhões a mais de uma tacada só.

Europa versus EUA, enfim, mais uma vez. Blanchard intervém nesse debate com finezza: “O plano de Biden é provavelmente demasiado grande, e os planos europeus demasiado pequenos, mas talvez não tão pequenos. Isso dependerá do que acontecer com a demanda privada: o otimismo em relação às vacinas e as poupanças retidas em empresas e famílias poderiam provocar um boom também na Europa”. Outros especialistas se queixam dos atrasos acumulados tanto nas vacinas quanto no Fundo de Recuperação de 750 bilhões aprovado um ano atrás em Bruxelas, mas do qual o dinheiro novo só começará a fluir no final de 2021.

“O Fed dos EUA comprou 2,6 trilhões de dólares em ativos desde janeiro de 2020; o BCE, 320 bilhões de euros (380 bilhões de dólares), sete vezes menos. E a política fiscal conta uma história semelhante: o estímulo europeu é mais ou menos a metade do norte-americano. Não estamos repetindo os erros da crise passada, ao menos desta vez a Europa vai na direção certa, mas em termos de volumes estamos repetindo os erros: sairemos mais tarde e com mais dificuldades”, destaca Paul De Grauwe, da Universidade de Leuven. “O contraste entre o paradigma neoliberal e o que Biden fez mostra uma mudança fundamental: os governos estão recuperando um papel central na luta contra a crise”, acrescenta. Charles Wyplosz, do Graduate Institute, concorda. E acusa aqueles que criticam a ambição de Biden pelo risco inflacionário que corre. “Parecem-me críticas incrivelmente fora de lugar. Durante uma década lamentamos os efeitos perversos de uma armadilha de baixo crescimento, taxas de juros negativas e inflação baixíssima. Se a inflação finalmente aumentar e obrigar os bancos centrais a agir, pelo menos teremos escapado da maldição dos últimos anos.” “Pela primeira vez em décadas, um Governo realmente tenta fazer algo por aqueles que acabaram sendo, por puro desespero, eleitores de opções populistas. Eu rio dessas críticas diante de um passo deste calibre”, vocifera Wyplosz. Vítor Constâncio, ex-vice-presidente do BCE, também aplaude a coragem norte-americana: “Washington está tentando fazer experiências com políticas para superar completamente a crise, enquanto a Europa languidesce sob o peso dos seus fantasmas e temores”, escreveu recentemente.

As épocas felizes são páginas em branco nos livros de história, mas aquilo de “que você viva tempos interessantes” dos chineses é uma maldição. Quando assumiu o cargo em 1933, Franklin D. Rooseveltdesvalorizou o dólar, obrigou os norte-americanos a lhe venderem, por um preço tabelado, todo o ouro que tinham adquirido desde o início da crise e fechou os bancos durante 28 dias: os EUA começaram a cimentar com o new deal ―e com a Segunda Guerra Mundial― uma hegemonia que chega até hoje. Biden não vai a tanto, mas em menos de 100 dias anunciou uma injeção de vários bilhões de dólares na economia e patrocina inclusive um aumento global de impostos para as grandes corporações. No fundo, a luta pela hegemonia global continua: o presidente dos EUA, em pleno momento Roosevelt, afirma que seu plano “nos coloca em posição de ganhar competitividade com a China”. Para além dessa luta, Washington viu as orelhas do lobo do populismo; o que faz Biden é uma tentativa quase desesperada de evitar o retorno do trumpismo. E a pressa também tem uma explicação mais prosaica: o Partido Republicano está grogue depois da última derrota, mas Biden tem apenas dois anos até as eleições para o Senado, que poderiam acabar com sua pequena maioria e turvar o resto de seu mandato.

Expectativas

As crises não são um acontecimento, mas um processo; um processo que em certos lugares, lugares desafortunados, ainda não terminou. Os anglo-saxões precisariam de outro Dickens para descrever as cicatrizes em algumas regiões dos Estados Unidos e do Reino Unido, mas Victor Hugo também poderia reescrever Os miseráveis em muitas partes da Europa. Sairemos dessa, porque não há vírus ou crise que dure 100 anos, e sairemos mais cedo do que tarde. Mas esse será o momento mais perigoso: as pessoas não se rebelam quando as coisas estão ruins, mas quando suas expectativas são frustradas. Se Biden estiver certo e a Europa arrastar os pés, é muito possível que o mal-estar cresça daquele lado do Atlântico; se Washington tiver ido longe demais, podemos estar diante da enésima fase da revolução conservadora e a mudança de regime teria sido uma miragem. Enfrentamos uma incerteza radical através dos relatos, construindo narrativas: Biden está executando a sua, e a Europa, no momento, as vê chegar.

Cavafis escreveu isso, como sempre, melhor: a cidade inteira se reuniu para esperar os bárbaros e reinava o medo, o tremor, a esperança de que essa irrupção mudasse suas vidas.

Informações El País Brasil


Casos deste domingo se somam a outros dois que ocorreram na mesma semana no país

Foto: reprodução/NBC
Foto: reprodução/NBC

Ao menos seis pessoas foram mortas em dois tiroteios em dois estados diferentes dos Estados Unidos. Os crimes ocorreram neste domingo (18). Um deles foi em Kenosha (Wisconsin), onde 3 foram mortos em uma briga de bar. O outro ocorreu em Austin (Texas), que também deixou 3 mortos nas proximidades de um centro comercial.

O caso em Wisconsin foi o primeiro registrado e ocorreu nesta madrugada. Além das mortes, duas pessoas ficaram gravemente feridas. De acordo com a polícia, o suspeito teria sido convidado a deixar o bar onde estava, mas voltou logo depois e atirou nas pessoas que estavam no local.

Já o segundo caso, no estado do Texas, aconteceu perto de um prédio de escritórios. Segundo a polícia de Austin, a identidade do atirador já foi descoberta e a suspeita é que o caso seja “uma situação doméstica isolada e não há risco para o público em geral”. O homem também está foragido.

Os casos deste domingo se somam a outros dois que ocorreram na mesma semana no país. Na sexta-feira (16), ao menos oito pessoas foram mortas durante um ataque a tiros em um escritório da FedEx – empresa americana de entregas – em Indianápolis. O atirador se matou logo em seguida. A motivação do ataque e a identidade do atirador ainda são investigadas.

O outro caso aconteceu na escola secundária Austin-East Magnet, em Knoxville (Tennessee) e deixou uma pessoa morta. Além disso, um policial foi atingido por um tiro no quadril. A polícia não detalhou o caso, mas informações ainda não oficiais alegam que a vítima seria um adolescente. Existe ainda a suspeita que o jovem tenha sido o atirador. Conforme o jornal “Knoxville News-Sentinel”, um dos suspeitos foi detido, mas a polícia não confirmou.

Informações Bahia.ba


Uefa logo - logo
Foto: Reuters/Denis Balibouse/Direitos Reservados

 A Uefa, entidade administrativa do futebol europeu, alertou que clubes relacionados à Superliga serão banidos de competições domésticas e internacionais caso organizem uma competição concorrente à Liga dos Campeões.

Em um comunicado conjunto com as ligas e federações de Espanha, Inglaterra e Itália, a Uefa afirmou que considerará “todas as medidas”, incluindo ações judiciais e banimentos de ligas domésticas, em oposição aos planos de uma competição paralela.

A Uefa afirmou que ficou sabendo que clubes daqueles países “podem estar planejando anunciar a criação de uma chamada e fechada Superliga”.

“Se isso acontecer, queremos reiterar que nós… (e) também a Fifa e todas as nossas federações permanecerão unidas na tentativa de interromper este projeto cínico, um projeto que se baseia no interesse próprio de alguns poucos clubes no momento em que a sociedade precisa de mais solidariedade do que nunca”, disse a Uefa. “Vamos considerar todas as medidas disponíveis, em todos os níveis, judiciais e esportivos, para impedir que isso aconteça. O futebol é baseado em competições abertas e méritos esportivos; não pode ser de qualquer outra maneira”, acrescentou o comunicado.

Em janeiro, a Fifa afirmou que uma competição independente não seria reconhecida e que “qualquer clube ou jogador envolvido nesse tipo de torneio não poderia participar de qualquer competição organizada pela Fifa ou por sua respectiva confederação” – o que significa que os jogadores seriam banidos da Copa do Mundo.

O comunicado deste domingo (18) da Uefa disse: “Os clubes em questão serão banidos de qualquer outra competição, em nível doméstico, europeu ou mundial, e pode ser negada aos jogadores a oportunidade de representar suas seleções nacionais”.

“Agradecemos os clubes em outros países, especialmente de França e Alemanha, que se recusaram a participar disso. Convocamos todos os amantes do futebol, torcedores e políticos, a se unirem a nós na luta contra um projeto desse tipo, caso ele seja anunciado. Esse persistente auto-interesse de poucos está em andamento há tempo demais. Chega”.

Informações Agência Brasil

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