Olhar ao redor e ver-se no espelho, ver o outro, a literatura, os espaços, o passado, o presente e o futuro. E assim, finalmente, se reconhecer e conhecer a história de quem está ali. Com o de intuito de valorizar as raízes, a autoestima e a produção negra, diversas escolas da Educação Municipal promovem esta semana atividades em alusão ao Dia da Consciência Negra, celebrado neste sábado, 20.
Na Escola Municipal Dr. Antonio de Freitas Borja, localizada no distrito de Maria Quitéria, os ambientes foram todos decorados com a temática: “A África que mora em mim”. Inclusive, os estudantes colocaram a mão na massa para construir painéis sobre o tema.
Além disso, a unidade de ensino promoveu rodas de conversa, contação de histórias africanas e também estimulou o estudo e o debate a partir de textos sobre o racismo e o preconceito.
Todos os colaboradores da escola se engajaram na causa, incluindo Edileuza Lima, que trabalha no apoio. Quando viu a decoração e a programação a funcionária logo se identificou: tirou fotos, saiu ‘de sala em sala’ para conversar com os estudantes e falou sobre sua vivência e a importância da aceitação dos cabelos crespos e cacheados.
“Temos uma grande diversidade de crianças em nossa escola. E ali pode ter alguma que não se aceita, não entende a beleza do seu black, da sua cor. Precisamos dar valor a nossa negritude, então, quis passar para eles o que penso: que elas são lindas, inteligentes e podem ser o que quiser”, argumenta Edileuza.
A diretora da escola, Cristine Cardim, contou que essas ações são trabalhadas cotidianamente na unidade de ensino, pois os estudantes são majoritariamente negros e essas atitudes são essenciais para “ajudar na formação identitária das crianças e da comunidade escolar”. Para ela, esta é uma “luta diária que precisa ser trabalhada constantemente”.
Entre as mais de 100 atividades previstas na programação deste ano da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), que começa nesta quarta-feira (17), há espaço também para a música, o teatro, artesanato e a gastronomia.
De hoje (17) a domingo (21), quase uma centena de escritores, artistas, chefes e quituteiras convidadas pela Fundação Casa de Jorge Amado ocuparão os 123 espaços do Centro Histórico de Salvador (BA), destinados a celebrar a cultura, estimular a leitura e incrementar o turismo e o comércio na capital baiana. Este ano, o evento homenageia o escritor alagoano Graciliano Ramos (1892-1953), autor de Vidas Secas, São Bernardo e outros clássicos brasileiros.
Entre os escritores que confirmaram presença nas mesas de debates, bate-papos, saraus e apresentação de novos livros estão Itamar Vieira Júnior, autor do romance Torto Arado, que se tornou um recente fenômeno de vendas, e a ensaísta e crítica literária Heloísa Buarque de Hollanda, de Explosão Feminista e vários outros títulos, além de Ronaldo Correia de Brito, que, este ano, publicou o livro de crônicas A Arte de Torrar Café.
As atrações musicais estarão a cargo de Margareth Menezes, Paulinho Boca de Cantor (Novos Baianos), Jau (ex-Olodum) e a banda Sertanília, conhecida por fundir ritmos tradicionais do sertão (coco, maracatus, sambadas e terno de reis) à música erudita.
O acesso a todos os eventos presenciais será gratuito, mas quem não puder ir ao Pelô poderá acompanhar pelo canal do evento no YouTube – incluindo parte da programação infantil que, entre outras atrações, reservou espaço para a contação de histórias.
No Centro Histórico, 28 bares e restaurantes vão integrar a chamada Rota Gastronômica Amados Sabores, oferecendo pratos exclusivos, inspirados no tema Amado Sertão – Comida Sertaneja da Bahia, a preços entre R$ 23 e R$ 69. A programação culinária contará ainda com oficinas gastronômicas a cargo do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Uma das oficinas, Vidas Secas: Comida de Sustança, tem relação com a obra mais famosa de Graciliano Ramos, abordando o preparo de pratos típicos como efó, farofa d´água, rabada e sarapatel. A conversa acontecerá na plataforma Microsoft Teams, nos dias 18 e 19.
Já a Rota das Artes será composta por dez ateliês de artistas visuais que atuam e vivem no Centro Histórico de Salvador. Percorrendo-a, o público interessado poderá apreciar, gratuitamente, pinturas, mosaicos e esculturas, com diferentes técnicas. Os ateliês participantes ficarão abertos ao público durante todos os dias da Flipelô, a partir das 10h.
A programação completa do evento está disponível em https://flipelo.com.br/programacao/.
Mudança de data, alterações no cronograma da festa (com desfiles de trios e blocos começando mais cedo), ampliação do Esquenta Micareta com mais atrações estão entre as sugestões apresentadas pelos segmentos envolvidos na Micareta. O planejamento da festa, diante da possibilidade de realização em 2022, vem sendo discutido pela Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (Secel).
Na manhã desta quarta-feira, 10, foi realizado mais um encontro. Desta vez, com representantes de grupos afros, bandas e barraqueiros. Segundo o titular da pasta, Jairo Carneiro Filho, a realização da festa momesca no próximo ano, aguarda posicionamentos das autoridades sanitárias que monitoram a retomada das atividades econômicas e culturais, em virtude da pandemia.
Contudo, o secretário considera necessário antecipar as discussões entre o poder público e a sociedade civil para garantir a organização do evento.
“O poder público se coloca à disposição para dialogar sobre a Micareta e estamos tendo o cuidado em debater com os setores envolvidos. No entanto, a festa só vai ocorrer quando tivermos segurança”, afirma ao observar que “esse será o grande evento que vai oxigenar o setor cultural”.
As sugestões e demandas pontuadas serão encaminhadas ao prefeito Colbert Filho, a fim de contribuir em uma possível tomada de decisões.
Ainda nesta quarta, à tarde, haverá mais uma reunião com representantes da Associação Comercial, Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e da Central da Micareta.
No Dia Nacional da Cultura, esta sexta-feira, 5, o titular da pasta Jairo Carneiro Filho presta uma homenagem a todos aqueles que participam ativamente na construção e fomento desta importante área em Feira de Santana.
São poetas, artistas plásticos, compositores, atores e atrizes, músicos, artistas de palco, anônimos ou popularmente [re]conhecidos, pessoas que trocam o dia pela noite trabalhando para proporcionar, ao outro, diversão e entretenimento. É uma categoria inspirada em fazer da profissão o real sentido de vida.
“Neste dia parabenizo todas as pessoas que se envolvem diretamente e movimentam a cultura em nosso município”, diz o secretário de Cultura, Esporte e Lazer, Jairo Filho.
Arte de Viver
A Prefeitura de Feira retomou as atividades presenciais na área cultural com uma apresentação nesta quinta-feira, 4, para alunos da rede municipal. O evento marcou o retorno das apresentações do programa Arte de Viver.
O Neojiba-Núcleo Territorial de Feira de Santana com o apoio da Prefeitura Municipal, realizará uma apresentação de “Os Saltimbancos” no próximo dia 16 de outubro.
O evento é realizado através da Fundação Municipal Egberto Costa-Funtitec e acontecerá às 10h, sendo transmitido ao vivo do palco do Teatro Municipal Margarida Ribeiro pelo canal da Funtitec no Youtube.
O padre Lázaro Muniz celebra missa na paróquia Santa Cruz, em Salvador (BA) Imagem: Aurelio Nunes/UOL
São 7h no bairro Engenho Velho da Federação, em Salvador. Escondida pelos fios, ladeada por uma pilha de lixo depositado na calçada, a igreja da Paróquia Santa Cruz quase passa despercebida no vaivém de carros na ladeira da avenida Apolinário Santana. No interior do templo, um grupo de pouco mais de 50 fiéis se reúne. São quase todos negros — em contraste com as imagens das esculturas do altar e dos painéis que decoram uma das paredes, santidades brancas, de cabelos castanhos e olhos claros.
A paróquia Santa Cruz, em Salvador (BA)Imagem: Aurelio Nunes/UOLA paróquia Santa Cruz, em Salvador (BA)Imagem: Aurelio Nunes/UOL
Duas horas depois, estamos no bairro Federação. Apartada do burburinho da avenida Cardeal da Silva por um recuo de 100 metros e por um corredor de árvores frondosas está a Capela Nossa Senhora da Piedade. Colossal para uma capela, foi construída em 1874 para ser a igreja oficial do Cemitério do Campo Santo. A lembrança dos mortos está por toda parte — nos jazigos construídos em seu entorno e nas pedras do piso que estampam os nomes daqueles que tiveram seus restos mortais ali sepultados. É para celebrar a memória de seus antepassados que os pouco mais de 40 fiéis, brancos em sua maioria, estão ali presentes.
Uma vez por semana, o padre Lázaro Silva Muniz, 55, sai de uma região com os piores índices de homicídios de Salvador e vai a outra, a 3 km de distância, que abriga uma classe média alta e o maior campus da UFBA. O papel de mediação entre as duas faces da mesma cidade foi iniciado há menos de 10 anos. Em 2012, ao assumir a paróquia da Catedral Basílica de Salvador, Lázaro herdou, por tabela, a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Centro Histórico. Ali, acolheu como nenhum de seus antecessores os fiéis de dupla pertença — adeptos de mais de uma religião.
Chamou os representantes dos terreiros para um encontro. Queria entender por que encomendavam tantas missas no Rosário dos Pretos. Não recebeu reivindicações, apenas ouviu que as celebrações eram parte de suas obrigações religiosas. Com o canal aberto, o sacerdote não só passou a visitar terreiros, centros espíritas e de umbanda e templos evangélicos, mas também a atrair seguidores de outras crenças para suas missas. Com eles, padre Lázaro passou a promover celebrações inter-religiosas — em especial com católicos candomblecistas, que se sentiram mais à vontade para se expressar nos cultos com a sua forma própria de cantar, de dançar e de se vestir.
A capela Nossa Senhora da Piedade, em Salvador (BA)Imagem: Aurelio Nunes/UOLA capela Nossa Senhora da Piedade, em Salvador (BA)Imagem: Aurelio Nunes/UOL
Nunca houve uma proibição formal dentro do Rosário contra isso, tampouco abertura para um culto tão cantado, dançado e com tanta gente vestida com os torsos e batas brancas quanto naquele momento. A música, entoada com atabaques e agogôs, a oferenda cantada ao ritmo dos afoxés, a decoração da igreja com mais folhas, sementes e água e menos flores dão o toque de africanidade à missa do Rosário.
“Muitas vezes eu saí da homilia de padre Lázaro chorando de emoção. Ele nos trata como gente. Mostrou que irmandade e acolhimento existem de verdade”, contou ao TAB a socióloga Sandra Maria Bispo, 67, ex-priora da Irmandade dos Homens Pretos e yakekere do terreiro Casa de Oxumarê. “Eu tinha muitas diferenças para com a Igreja Católica. O exemplo de Padre Lázaro serviu para que eu me reconciliasse com ela”, diz.
Para o religioso, o sincretismo não é mais necessário, mas ainda merece respeito. “Essas pessoas foram criadas na crença de que para ser boa filha de santo, para viver bem no seu ilê, no seu axé, ela precisa visitar sete igrejas dedicadas a Nossa Senhora. A gente vai cortar isso? Vai matar e vai decepar essa tradição?”, questiona. “Isso seria injusto, desumano até. Precisamos reconhecer e respeitar o sincretismo como um movimento de resistência”, diz o sacerdote.
“A disposição ao diálogo inter-religioso foi onde Lázaro mais se destacou. Entre todos os padres que passaram pelo Rosário, foi aquele que mais se permitiu essa doação e essa entrega ao verdadeiro Cristo”, opina William Justo, 28, primeiro secretário da Irmandade dos Homens Pretos.
O padre é um dos personagens da série Preto à Porter do UOL, que destaca a participação de personalidades negras na luta contra as desigualdades provocadas pelo racismo. Assista ao episódio aqui.
Mudança de hábito
O anúncio da transferência de padre Lázaro do Rosário dos Pretos, em dezembro de 2018, teve um impacto inédito. Os fiéis enviaram um ofício à Arquidiocese de Salvador pedindo a permanência do pároco. Além disso, criaram uma campanha com a hashtag #ficapadrelazaro, que rapidamente viralizou nas redes sociais, ganhou apoio de artistas e intelectuais e repercussão na mídia. De nada adiantou. Lázaro deixou o Rosário dos Pretos em 21 de fevereiro de 2019, com uma missa campal celebrada no Pelourinho, na presença de irmãos católicos, de dupla pertença e lideranças de outras religiões.
Oficialmente, a igreja promove um rodízio entre os padres. Não há um tempo determinado para isso, mas a tradição é de que a dança das cadeiras paroquiais ocorra no período entre seis e nove anos. padre Lázaro ficou sete anos no Rosário dos Pretos. Tem gente que até hoje não se conforma com sua transferência.”Sincera e honestamente, eu acho que foi mais por despeito, porque nunca se viu uma igreja tão mesclada e tão lotada como era com ele na terça-feira da benção”, opina Sandra Bispo.
De fato, a popularidade de Lázaro junto aos fiéis do Rosário dos Pretos cresceu na mesma proporção em que as denúncias anônimas chegavam ao arcebispo primaz de então, D. Murilo Krueger. “Criticavam porque tinha muita dança. Criticavam a devoção dos pães na terça-feira da benção. Mas o que há de pecado nisso? Não tinha nada de objetivo”, diz o religioso.
Quando toca no assunto, padre Lázaro não muda o tom sereno de voz, mas a fala ganha contundência. Até hoje o religioso não sabe quem são seus detratores, mas conhece muito bem suas motivações. “A intolerância religiosa é um processo intimamente ligado às religiões de matriz africana, de desrespeito à negritude. Existem brigas internas das outras religiões cristãs, mas sempre na perspectiva de corrigir, estruturar, consertar. Com o candomblé, é diferente: querem exterminá-lo”, diz ao TAB.
O padre Lázaro Muniz, na capela Nossa Senhora da Piedade, em Salvador (BA)Imagem: Aurelio Nunes/UOL
Caruru
Soteropolitano, Lázaro nasceu e foi criado com nove irmãos às margens da avenida Vasco da Gama, bem próxima à sua paróquia atual. O pai, Osvaldo, era servidor público; a mãe, Maria de Lurdes, católica e baiana de acarajé.
A pior das lembranças da infância pobre foi aos 11 anos, quando a família ficou alojada no ginásio Antonio Balbino, anexo à antiga Fonte Nova, depois que a casa foi inundada em uma enchente; as melhores envolvem todos os anos em que era escolhido como um dos sete meninos para comer o Caruru completo — um banquete composto por sete pratos oferecidos aos orixás que, antes de ser compartilhado, precisa ser servido a sete crianças, representando os ibejis, gêmeos sincretizados com os santos católicos Cosme e Damião.
Foi nesse ambiente carente em recursos financeiros, mas rico em diversidade cultural e religiosa que o sacerdote cresceu. Ingressou no seminário em 1987, incentivado por um amigo. Na época, achou que não duraria nem um mês, mas quem acabou saindo mais cedo foi o colega, que lhe pediu para fazer seu casamento assim que se ordenasse, o que acabou acontecendo 10 anos depois. Passou por várias paróquias, mas foi somente quando assumiu o Rosário dos Pretos que se transformou em uma referência de diálogo inter-religioso.
“Na condição de porta-voz de grupos religiosos discriminados e mal entendidos, padre Lázaro foi alçado à condição de representante da face de um Jesus que é a expressão do povo negro, uma representatividade não só política como social”, define a historiadora Solange Palazzi, 54, coordenadora da Rede Nacional das Irmandades Negras e da Pastoral Afro de Ouro Preto (MG). “Ele tem essa característica bonita de ser sereno até no momento mais complicado. Saber que ele é uma pessoa amorosa, acolhedora e que ao mesmo tempo faz um movimento sério e incisivo é algo que nos encanta e que faz dele uma liderança muito boa pra congregar”, resume.
Sem erguer a voz, Lázaro segue sua peregrinação entre os contrários, os que não se cruzam, como uma espécie de missionário da tolerância.
Quatro projetos estão na pauta da sessão semipresencial deliberativa desta terça-feira (14) no Senado, entre elas a Lei Paulo Gustavo. De autoria do senador Paulo Rocha (PT-PA), o projeto viabiliza ações emergenciais de auxílio à cultura, como a liberação de R$ 4,3 bilhões ao setor até o final de 2022.
O valor, oriundo do Fundo Nacional da Cultura (FNC), deverá ser repassado para estados e municípios distribuírem por meio dos fundos estaduais e municipais de cultura. O relator, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), acatou cinco emendas e apresentou um substitutivo. Uma das emendas, da senadora Rose de Freitas (MDB-ES), veda o recebimento simultâneo dos auxílios da nova lei e de uma anterior, a Lei Aldir Blanc (Lei 14.017/2020), que também visava assistência à cultura durante a pandemia.
O Projeto de Lei Complementar (PLP) 73/2021 já esteve na pauta nas últimas semanas, porém sua votação foi adiada. O nome escolhido é uma homenagem ao ator Paulo Gustavo, que morreu, em maio deste ano, vítima da Covid-19.
Quem passar pela avenida Getúlio Vargas em Feira de Santana, na região da Praça de Alimentação Gilson Pereira, vai se deparar com a Feira Popular do Livro – e o melhor: a preços acessíveis, custando a partir de R$5. A feira segue até domingo (12), e funciona das 8h às 20h.
Tem clássicos da literatura brasileira, romance, drama, ficção, livros infantis e infanto-juvenis e entre outros gêneros. A iniciativa tem parceria com a Prefeitura de Feira, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer – em contrapartida, os organizadores da feira irão doar 100 exemplares às bibliotecas municipais, na sede e nos distritos.
“Ações como essa são importantes para fomentar a leitura cada vez mais. Com esta parceria, estaremos diversificando o conteúdo nas bibliotecas, aumentando também as opções de livros nos distritos”, destacou o secretário de Cultura, Esporte e Lazer, Jairo Carneiro Filho.
A data se mantém firme em todo nordeste brasileiro
Foto: Carol Garcia/Gov-BA
Quando falamos em São João é inevitável lembrar das quadrilhas de dança, diferentes sabores de licor, forró tocando em todas as casas, a diversidade de comidas típicas, o acolhimento e a reunião familiar ao redor da fogueira. Mas você conhece a origem da festa?
A festa de São João é uma celebração do calendário cristão em comemoração ao nascimento de João Batista, responsável pelo batismo de Jesus Cristo. A data demarcada em 24 de Junho, aponta para o evangelho bíblico de Lucas que afirma que João nasceu seis meses antes de Jesus.
O professor de história Cauã Liberato, conta que as festas juninas são celebradas pelos católicos desde a idade média e foram incorporadas ao Brasil na colonização e processo de catequização. Celebrados em datas muito próximas no mês de junho, Santo Antônio, São Pedro e São João, são, respectivamente, Ogum, Xangô e Oxóssi, nas celebrações do candomblé.
“As ligações entre os santos e os Orixás não representam conexões características entre estes, pois o sincretismo foi ferramenta de resistência no período de colonização e Império, quando os negros escravizados eram obrigados a rezar para santos católicos. O sincretismo surge como resolução do problema, na medida em que as imagens de santos católicos eram equiparadas aos orixás”, explica Cauã.
Impossível não perceber a chegada dos alimentos principais para preparação das comidas típicas nesta época do ano. O comércio se rodeia de amendoim, milho e mandioca. Isso porque em junho, com a chegada do inverno, chove mais nas regiões de seca do nordeste. “Os pratos encontram espaço nessa celebração incorporada ao calendário que coincide com a época de chuvas nessas regiões”, conta o professor.
Foto: Divulgação/Assessoria
Quanto às fogueiras, Cauã relata que a tradição foi trazida da Europa e já fazia parte da celebração católica fora do Brasil. “A fogueira é símbolo do nascimento de João Batista para os católicos, mas aos poucos também incorpora outros sentidos na celebração que acontece no Brasil, afinal, quando falamos de junho, de inverno e consequentemente temperaturas mais baixas para muitas regiões, a fogueira é fonte de calor e aconchego nessas celebrações”, diz.
As tradições juninas se mantêm fortes há séculos no nordeste brasileiro e mesmo com a pandemia, as famílias se organizaram para preservar os costumes. Cauã acrescenta que é interessante pensar que à medida que as capitais se afastaram dessas tradições, a celebração nas cidades do interior passaram a ser fonte de turismo e renda para as regiões, mantendo anualmente grande esforço e preparo desses locais para a ocasião.
“É justo assinalar também, a relação entre o nordeste e o forró. Luiz Gonzaga popularizou e nacionalizou os ritmos, que para os nordestinos, são muito representativos desde as temáticas das músicas, até a habilidade de dançar o forró em pares”, completa o professor.
Pelo segundo ano consecutivo, as festas juninas na capital e no interior baiano foram suspensas devido a pandemia causada pelo novo coronavírus. Desde então os cantores brasileiros vem promovendo shows no formato de lives.
Decorar a casa para o São João passou de diversão para atividade escolar. Para não perder a tradição e valorizar a riqueza dos festejos juninos, o professor Márcio Anunciação, da Escola Municipal Antônio Brandão de Souza, que fica no distrito de Humildes, propôs atividades interdisciplinares sobre a temática para os estudantes.
Neste período tão atípico, inclusive no contexto da Educação pública, os professores estão se reinventando. É o caso de Márcio Anunciação. Com criatividade, ele aliou na mesma proposta princípios da arte, das ciências e da cultura regional. “A ideia foi construir bonecos caipiras e porta-retratos com o tema junino”, conta o educador.
Márcio conta que decidiu aproveitar que “todos os alunos estão em casa para fortalecer os vínculos familiares”. “Brincar com a cultura e elementos que circundam esse contexto. Isso é muito forte e precisa ser abordado”, destaca o professor.
Para ativar a memória afetiva dos estudantes, foi proposta a produção de porta-retratos com desenhos que ilustrassem suas lembranças da festa junina. Já os bonecos propostos pelo professor foram feitos com papelão, plástico e materiais reutilizados que as crianças tinham em casa.
“Foi muito interessante fazer os bonecos de material reciclado. E mais interessante ainda porque representa o São João, já faz dois anos que não contamos com a festa por causa da pandemia. Era muito legal quando nossa festinha era na escola, mas agora curtimos como dá”, conta Naylla Mendes, aluna do 5º ano b.