O candidato a deputado federal Zé Chico defendeu a implantação de uma operação de cargas no Aeroporto Governador João Durval Carneiro, em Feira de Santana, como uma das estratégias para ampliar a capacidade logística do município e estimular a chegada de novos investimentos.
Zé Chico destacou a localização estratégica de Feira de Santana e afirmou que o aeroporto precisa ser aproveitado para além do transporte de passageiros.
“Feira de Santana é um dos maiores entroncamentos logísticos da Bahia. Nós temos uma localização privilegiada e precisamos transformar essa posição estratégica em desenvolvimento, em emprego e em renda para a nossa população. Um aeroporto de cargas pode ser uma peça importante nessa engrenagem”, afirmou.
Para Zé Chico, uma estrutura voltada ao transporte aéreo de mercadorias poderia beneficiar empresas instaladas no município e na região, especialmente aquelas que dependem de agilidade para receber ou distribuir produtos. O transporte aéreo também pode ser utilizado para mercadorias de maior valor agregado e produtos que exigem rapidez na entrega.
“Quando uma empresa escolhe onde vai investir, ela olha infraestrutura, logística e capacidade de distribuição. Se Feira oferecer diferentes caminhos para transportar mercadorias, vamos aumentar nossa capacidade de atrair empresas e gerar oportunidades”, declarou.
A discussão ganha relevância diante da posição de Feira como importante polo logístico da Bahia. Dados do Plano Diretor de Logística de Transporte do Estado apontam que mais de 70% das cargas passam pelo município pelo modal rodoviário e destacam o potencial da cidade para abrigar plataformas logísticas com integração entre diferentes meios de transporte.
Zé Chico também defendeu a ampliação da oferta de voos comerciais e a conexão de Feira de Santana com novos destinos. Segundo ele, melhorar a infraestrutura aeroportuária pode beneficiar não apenas os passageiros, mas também o setor produtivo.
“Não podemos olhar para o aeroporto apenas como um lugar de embarque e desembarque. Precisamos enxergar o que ele pode representar para a economia de Feira. Mais voos, mais conectividade e uma estrutura para cargas significam novas possibilidades para quem produz, para quem empreende e para quem quer investir na cidade”, disse.
Para o candidato, o debate sobre o futuro do aeroporto deve estar conectado a um projeto mais amplo de desenvolvimento econômico para Feira de Santana e para o Portal do Sertão.
“Feira já tem empresas, comércio forte, indústria e uma localização que nos coloca em uma posição diferenciada. O que precisamos é criar as condições para que essa estrutura gere ainda mais oportunidades. O aeroporto de cargas pode ajudar Feira a dar um novo passo e ocupar cada vez mais espaço como centro de distribuição e negócios”, concluiu.
Pablo Marçal anunciou uma mudança de posição na corrida presidencial nesta terça-feira (29). Fora da disputa pelo Palácio do Planalto, o empresário declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) e confirmou que vai participar da campanha do senador nos últimos dias antes da votação.
A aproximação foi apresentada durante um encontro realizado em uma academia de jiu-jítsu, em São Paulo. Segundo Flávio, Marçal deverá contribuir principalmente na discussão de propostas relacionadas ao empreendedorismo e à mobilidade social.
Flávio afirmou que a atuação do empresário está relacionada à defesa de políticas voltadas ao incentivo ao empreendedorismo e à autonomia financeira. O candidato também disse que mantém conversas com outros nomes em busca de apoio para sua candidatura.
Durante o anúncio, Marçal declarou confiança em Flávio e pediu apoio ao candidato nas urnas. O empresário também fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que pretende trabalhar pela candidatura do senador.
A decisão ocorre depois que Marçal foi retirado da disputa presidencial. O Tribunal Superior Eleitoral indeferiu o registro de sua candidatura em setembro.
Com a mudança, Marçal deixa de atuar como candidato e passa a participar diretamente da campanha de outro presidenciável. A eleição terá o primeiro turno realizado neste domingo (4).
O anúncio também acontece em meio às articulações dos candidatos na reta final da campanha. Segundo Flávio, sua equipe conversa com outros grupos e nomes que tenham convergência com as propostas apresentadas pela candidatura.
O instituto Ideia, em parceria com o Canal Meio, divulgou nesta quarta-feira (30) uma nova pesquisa com as intenções de voto para presidente da República nas eleições 2026.
No cenário estimulado de primeiro turno, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem empatados dentro da margem de erro. O petista tem 39,4% das intenções, enquanto o candidato do PL soma 38,4%.
Na simulação de segundo turno entre os dois, o cenário é parecido. Lula tem 48,5% e Flávio vai a 48%, ambos empatados tecnicamente.
Pesquisa Meio/Ideia para presidente da República em 2026 O instituto Ideia fez pesquisa espontânea (quando os nomes não são apresentados) e um cenário estimulado (quando são mostrados os nomes) para presidente da República.
Na pesquisa espontânea, 17,5% ainda não sabem em quem votar Lula (PT): 31,5% Flávio Bolsonaro (PL): 30,5% Escritor Augusto Cury (Avante): 4% Zema (Novo): 3,5% Ronaldo Caiado (PSD): 3,1% Renan Santos (Missão): 1,7% Hertz Dias (PSTU): 0,2% Samara (UP): 0,2% Clariana Barão (DC): 0,1% Leonardo Avalanche (PRTB): 0,1% Veterinário Wilson Grassi (Democrata): 0,1% Edmilson Costa (PCB): 0,1% Outros: 0,4% Ninguém/Branco/Nulo: 7,5% Não sabe: 17,5% Lula e Flávio Bolsonaro empatam tecnicamente no cenário estimulado Lula (PT): 39,4% Flávio Bolsonaro (PL): 38,4% Escritor Augusto Cury (Avante): 6,7% Renan Santos (Missão): 4,5% Ronaldo Caiado (PSD): 4,4% Zema (Novo): 3,5% Samara (UP): 0,4% Clariana Barão (DC): 0,3% Hertz Dias (PSTU): 0,3% Veterinário Wilson Grassi (Democrata): 0,1% Leonardo Avalanche (PRTB): 0,1% Rui Costa Pimenta (PCO): 0,1% Edmilson Costa (PCB): 0,1% Ninguém/Branco/Nulo: 0,7% Não sabe: 1,5%
Registros encontrados no celular de Daniel Vorcaro mostram a organização de um almoço exclusivo oferecido pelo dono do Banco Master para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a quem chamou de seu “convidado mais importante”. O banquete ocorreu em um hotel em Campos do Jordão (SP) no final de dezembro de 2023.
Embora estivesse ausente no encontro, o ex-banqueiro supervisionou cada etapa do almoço, que contou com iguarias como foie gras, wagyu, vieiras, trufas e caviar beluga, além de rótulos de vinhos raros de sua adega pessoal, como Haut-Brion e La Tâche.
Vorcaro se dedicou pessoalmente à escolha dos vinhos e chegou a reclamar de que não havia garrafas mais antigas em sua adega para fornecer ao magistrado. Ele também demonstrou preocupação com as latas de caviar beluga, que são avaliadas no Brasil entre R$ 830 a R$ 4,5 mil.
– Essas latas de caviar já na mesa não tá deixando muito pomposo, não? Quero almoço espetacular mas sem forçar a barra de aparecer. Não sei. Era melhor levar na hora – disse Vorcaro ao chef, que respondeu prometendo que ajustaria o serviço para garantir a melhor experiência.
Na ocasião, Vorcaro ordenou ainda discrição absoluta à equipe durante o atendimento, instruindo o responsável a “evitar falar nome, até o meu, pra não constranger o convidado principal”.
– Só se ele perguntar algo de mim, aí pode falar normalmente. But [mas], caso contrário, deixa o momento ser algo como se fosse dele perante os demais convidados. Assim, evita constrangê-lo – adicionou Vorcaro.
A recepção durou cerca de quatro horas e meia, e terminou com vinhos de presente e charutos. Um mês depois, o escritório de advocacia da esposa do ministro, Barci de Moraes, firmou um contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master.
Nesta terça-feira (29), o vereador de São Paulo, Lucas Pavanato, entrou com uma denúncia no Senado Federal contra o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o candidato a deputado federal, o magistrado teria cometido crime de responsabilidade por tentar interferir nas eleições.
No documento, Pavanato pede que a Casa apure a atuação do ministro em uma decisão que liberou publicações relacionadas a Nossa Senhora Aparecida. Na ocasião, Dino derrubou uma determinação do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que barrou as publicações deve uma notícia falsa envolvendo o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.
O vereador aponta que Dino tomou a decisão “sem distribuição do processo, sem contraditório e sem ouvir o relator do TSE ou os demais envolvidos, além de ter determinado o restabelecimento de outras publicações que haviam sido removidas pelo mesmo fundamento”. Pavanato pede que Dino perca o cargo e fique impedido de exercer função pública por um período de oito anos.
De acordo com o candidato a deputado, Dino teria cometido crimes de responsabilidade previstos nos itens 3 e 5 do artigo 39 da Lei nº 1.079/1950: exercício de atividade político-partidária e procedimento incompatível com a honra, dignidade e decoro das funções.
Em um eventual segundo turno para a Presidência da República nas eleições de 2026, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece numericamente atrás na disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo os dados do instituto Gerp divulgados nesta terça-feira (29), Flávio Bolsonaro alcança 50% das intenções de voto, enquanto o atual presidente anota 43%.
Como a diferença entre ambos é de sete pontos percentuais e a margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos, o cenário aponta vantagem estatisticamente significativa para o parlamentar. Os eleitores que declaram voto em nenhum deles somam 5%, e os que não sabem totalizam 1% da amostra.
A pesquisa Gerp entrevistou 2.400 eleitores, entre os dias 24 e 28 de setembro, por meio de entrevista por telefone. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95,55%.
O levantamento foi realizado com recursos do próprio instituto e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-03929/2026.
Com a proibição das casas de apostas esportivas, por meio da medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (25), as TVs brasileiras já estão em busca de novos patrocinadores para minimizar o prejuízo. A Rede Globo e a TV Bandeirantes, especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, já procuraram marcas de varejo em busca de anúncios para suprir a falta das publicidades das bets.
No Rio de Janeiro, a Globo inseriu propagandas do Supermercado Guanabara, um dos mais populares do estado fluminense, em espaços que estavam previstos para bets desde domingo (27). Segundo a coluna Outro Canal do portal Metrópoles, o Guanabara comprou o espaço que seria destinado a chamadas da Superbet, que possui forte presença na capital, patrocinando a transmissão do Campeonato Carioca na Globo desde 2025.
A Globo também estaria procurando alternativas para as transmissões em território nacional de futebol, já que as casas de apostas eram as patrocinadoras das transmissões da Copa do Brasil e do Brasileirão. A emissora está negociando um chamado “contrato tampão” até dezembro com as empresas.
Já a Band foi atrás da Magalu, empresa de varejo comandada por Luiza Trajano, porém não conseguiu fechar nenhum acordo. As bets patrocinavam os dois principais programas esportivos da emissora, o “Jogo Aberto” e “Os Donos da Bola”.
A situação do canal fechado ESPN também é considerada grave. O canal esportivo realiza reunião nesta segunda-feira (28) para discutir o assunto e definir os rumos do canal da Disney. A área de marketing e comercial da empresa também tenta vender espaços deixados pelas casas de apostas para empresas de outros setores.
Entre o início do ano de 2024 e agosto de 2026, as empresas de apostas que atuavam no mercado regulado investiram R$ 23,6 bi em mídia, segundo dados do Ibope. A maioria dos investimentos das bets está na televisão, concentrando 74 % dos recursos do setor em 2025.
Neste domingo (27), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou uma ordem de André Mendonça sobre publicações envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida. Em vídeo, Nikolas afirmou que a decisão mostra o que, segundo ele, poderia ocorrer caso Lula volte à Presidência e indique novos ministros para a Corte.
– Isso daqui é só um gostinho do que vai acontecer se o Lula ganhar e indicar mais quatro ministros do STF. Você sabia que o André Mendonça derrubou todas as postagens que estavam de forma caluniosa e falsa divulgando uma fake news sobre Flávio Bolsonaro tirar Nossa Senhora como padroeira do Brasil? – disse Nikolas.
O deputado afirmou ainda que a informação falsa teria começado nas redes sociais e citou a atuação da GloboNews no episódio. A emissora reconheceu um erro relacionado ao caso e se retratou. Nikolas também criticou a decisão tomada posteriormente por Dino.
– E agora o Flávio Dino derruba a decisão do André Mendonça. Ou seja, ele tá validando uma fake news. Posso falar uma coisa? Se você votar no Lula pra ele poder indicar mais quatro Flávios Dinos, mais quatro Alexandre Moraes, não vai ter Brasil, meu amigo, pra poder lutar não – afirmou.
Dino cassou neste domingo a decisão de Mendonça, que havia determinado a retirada de publicações associando Flávio Bolsonaro a uma suposta iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A medida de Mendonça também alcançava conteúdos com a mesma narrativa em textos, imagens, vídeos e memes.
O caso chegou a Dino após um pedido do humorista Antonio Tabet, que teve uma publicação removida por determinação do TSE. O ministro do STF considerou que não era possível concluir, sem análise mais aprofundada, que a expressão usada por Tabet se referia diretamente a Flávio. Por isso, determinou o restabelecimento do conteúdo.
Dino também apontou que a retirada poderia atingir as liberdades de expressão e religiosa. Segundo o ministro, críticas sobre propostas políticas relacionadas à religião fazem parte do debate público e não deveriam ser impedidas por uma decisão judicial nas circunstâncias analisadas.
Nikolas, porém, interpretou a decisão como parte de uma disputa sobre a composição do STF e pediu votos para o candidato que apoia. Ao comentar a eleição, ele também afirmou que pretende ver uma mudança na composição da Corte.
– Ou a gente afunda o 22, ou senão não vai ter mais Brasil pra lutar. E posso falar uma coisa? Isso que o Flávio Dino fez chama-se desespero. Porque o Flávio vai ganhar essas eleições, eles vão perder esse poder que tem no STF. Nós vamos equilibrar o jogo, beleza? – declarou.
No fim do vídeo, Nikolas voltou a falar sobre a composição do Supremo e afirmou que o poder da Corte deve estar ligado à população. Ele também convocou seus apoiadores para o dia da votação.
– Eu te espero, se Deus quiser, dia 4 de outubro, a vitória, pra botar esses petistas pra chorar. E nós vamos ganhar o STF, porque o STF não é de Flávio Dino nem do Moraes, não. O poder emana do povo – completou.
*Pleno.News Fotos: Bruno Spada| Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), avalia liberar o julgamento sobre o relatório com as mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes apenas após o segundo turno. O magistrado manifestou a interlocutores e colegas de corte que não faria sentido retomar a discussão nas vésperas das eleições, sob risco de a crise da corte interferir na definição do pleito.
Dino tem até dezembro para devolver o caso ao plenário, considerando o prazo de 90 dias contados desde a sessão histórica de 15 de setembro. Ele pediu vista —mais tempo para análise— da proposta de Gilmar Mendes para reunir a análise do caso de Moraes e a acusação feita por este contra André Mendonça de condução irregular dos processos do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Há, ainda, uma avaliação política sobre o tema que envolve, além dos ministros do STF, aliados do presidente Lula (PT) e a campanha de Flávio Bolsonaro (PL). A leitura convergente é a de que o foco da crise do Supremo prejudica o petista e beneficia o senador pela associação feita por parte do eleitorado entre o governo e Moraes.
Além de prejudicar a imagem de Lula, aliados de Flávio Bolsonaro entendem que as revelações de contatos, voos e do contrato milionário de Vorcaro com a mulher de Moraes, Viviane Barci, evitam que o escândalo do Master tire mais pontos do presidenciável do PL.
Ainda no cenário de definir a situação em novembro, aliados tentarão convencer Edson Fachin, presidente do STF, a pautar para os mesmos dias as sessões sobre Moraes e Mendonça. Seria uma forma de equilibrar o desgaste. O presidente da corte tem resistido. Ele marcou sessões separadas sobre Moraes e Mendonça, tendo cancelado a segunda após o pedido de vista de Dino.
Fachin agendou o caso poucos dias após as primeiras decisões dadas para conter a crise sem precedentes enfrentada pela corte. Nos bastidores, o ministro dizia que o tribunal precisava dar uma resposta sobre a crise. Desde então, ele sofreu pressão para rever a data ou o formato da sessão, aberta e transmitida pela TV Justiça.
A sensação entre os ministros, sobretudo aqueles mais ligados a Moraes, grupo do qual Dino, Gilmar além de Cristiano Zanin fazem parte, foi a de que o prazo para análise de tema de alta sensibilidade foi curto. Para eles, o material da investigação é amplo e é necessário tempo adequado para a análise cuidadosa dos elementos reunidos no processo.
Apesar do objetivo de dar uma resposta à sociedade sobre a disputa entre os ministros, Fachin também vinha dizendo não querer lidar com a questão de forma apressada. Com base nesse entendimento, o presidente afirmou a interlocutores que vai aguardar a devolução do processo por Dino.
O ministro que pede vista pode usar o período regimental que tem à disposição, mas, como Dino chegou a votar na sessão, foi ventilada a expectativa de que ele pudesse liberar o caso antes ou de que o presidente tentasse conversar com o colega para adiantar a retomada do julgamento num prazo mais curto.
A ala de Moraes aponta que Mendonça age politicamente, direcionando a investigação e os vazamentos contra adversários enquanto poupa aliados. Para o grupo, a ofensiva às vésperas da eleição ocorreu para ajudar Flávio Bolsonaro na corrida pela Presidência da República.
Nesse sentido, para evitar o recrudescimento de uma disputa que consideram ser pró-Flávio Bolsonaro, o grupo próximo a Dino deseja que a sessão ocorra a partir de novembro, com a eleição presidencial decidida.
Mendonça rechaçou a acusação de que atua politicamente. A aliados ele avaliou que gostaria de ver definida a situação de Moraes o quanto antes, sob o argumento de que não é salutar estender a crise do STF. Ainda, que diante de elementos passíveis de suspeita, o calendário eleitoral não deveria ser determinante para o andamento da análise, para encaminhamento à apuração —ou ao arquivamento.
O relator tem, ao lado dele, de forma mais firme, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. Até aqui, os dois referendaram as decisões de Mendonça ao longo do processo. Mas Kassio se declarou impedido para participar da sessão do dia 15 e não votou na questão de ordem de Gilmar.
Como mostrou a Folha, o magistrado tem considerado rever seu afastamento do caso. Isso porque a decisão decorreria apenas pela função de presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Kassio e aliados têm avaliado que a motivação foi pontual e, portanto, reversível, especialmente com o fim da disputa eleitoral.
Na sessão, Cármen Lúcia se posicionou contra a proposta do grupo de Moraes pela junção dos processos. Edson Fachin tem tentado se manter neutro, mas sua condução na corte é vista como mais favorável ao grupo de Mendonça.
Segundo interlocutores, nos dias que antecederam a decisão, Dino conversou com Fachin e aconselhou o presidente do STF a não marcar a sessão sobre Moraes para o último dia 15, apontando o risco de contaminação e direcionamento eleitoral. A realização de uma audiência fechada, sem transmissão, também foi sugerida, sem sucesso.
Na avaliação da ala de Dino, Fachin acertou em boa parte das medidas tomadas para conter a crise, como na suspensão de decisões sobre o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal e das decisões de ministros contra colegas.
O grupo também entendeu a necessidade do afastamento de Moraes da condução do inquérito das fake news como parte do pacote do momento —ainda que Moraes tenha ficado insatisfeito com essa derrota, afirmando ter sido pego de surpresa, mas aceitado a opção de Fachin.
A crítica é que faltou tempo para maturar o debate sobre a atuação de Moraes, com a devida análise do celular de Vorcaro. Para esse grupo, o ideal seria que a presidência do tribunal tivesse instruído melhor o processo, aberto espaço para o diálogo reservado entre os ministros e dilatado os prazos antes de levá-lo a plenário.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou, em uma proposta de delação premiada que o grupo político ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) recebia cerca de R$ 3 milhões por mês em supostas vantagens indevidas relacionadas à operação do cartão de crédito consignado Credcesta, na Bahia.
O relato consta em um dos anexos da proposta de delação. Segundo o UOL, Vorcaro afirmou que não presenciou diretamente o suposto acordo, mas que tomou conhecimento dele por meio de seu então sócio Augusto Lima. No entanto, a proposta de delação foi recusada pela PF e pela PGR por falta de elementos de corroboração suficientes. De acordo com a publicação, Vorcaro afirmou que os supostos pagamentos eram realizados de diferentes maneiras.
Uma parcela de aproximadamente R$ 2 milhões mensais seria repassada pelo Banco Master à PKL One, empresa ligada à operação do Credcesta, por meio de contratos que o ex-banqueiro afirma serem fictícios. Outros R$ 1 milhão seriam pagos mensalmente em espécie.
Ainda de acordo com o relato, haveria outras formas de repasse, como distribuição de lucros e dividendos da PKL One e contratos de prestação de serviços. Vorcaro afirmou que pessoas ligadas ao grupo político de Wagner teriam participação oculta na estrutura societária da empresa.
As acusações, porém, não foram acompanhadas de elementos considerados suficientes para que o acordo de colaboração fosse firmado. Em junho, a PGR rejeitou a proposta depois de a PF também ter recusado a delação pela segunda vez. Segundo a Procuradoria, os relatos apresentados continham informações sem elementos novos ou comprovação suficiente.
As defesas de Jaques Wagner e Augusto Lima negaram as acusações e destacaram a ausência de provas que sustentem o relato. A defesa de Vorcaro, por sua vez, afirmou repudiar a divulgação dos anexos e disse não reconhecer a autenticidade e a integridade do material.
CREDCESTA E PKL No centro do relato apresentado por Vorcaro está a PKL One, empresa que detém os direitos de exploração do Credcesta. O cartão de crédito consignado era destinado a servidores públicos e se tornou um dos principais negócios relacionados ao grupo Master.
Segundo o ex-banqueiro, o acordo envolvendo o Credcesta teria sido estabelecido em 2018, quando o Banco Master adquiriu participação na empresa responsável pela operação do cartão. Na versão apresentada por Vorcaro, Augusto Lima teria afirmado que precisou recorrer a políticos baianos para viabilizar a aquisição da operação do Credcesta e, por isso, teria cedido participação societária na PKL.
O relato também relaciona a operação à privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal que controlava o Credcesta. Segundo Vorcaro, Lima teria se unido a políticos baianos para direcionar o processo de venda da empresa e manter o controle sobre a operação do cartão.
A Ebal foi arrematada pela NGV Empreendimentos por R$ 15 milhões. De acordo com o relato de Vorcaro, Augusto Lima seria o proprietário de fato da empresa, embora ela estivesse formalmente registrada em nome do investidor espanhol Ignácio Morales, apontado no documento como uma pessoa interposta.
Na época do leilão, Jaques Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, durante o segundo mandato do então governador Rui Costa (PT). Rui Costa é citado no relato de Vorcaro, mas o documento não atribui diretamente a ele nenhum dos supostos pagamentos mensais descritos pelo ex-banqueiro.
Dezesseis dias após o leilão, dois decretos assinados por Rui Costa alteraram as regras de exploração do Credcesta e seu enquadramento no sistema de consignações. Posteriormente, a NGV transferiu os direitos de exploração do cartão para a PKL One Participações.
PARTICIPAÇÃO DE GUILHERME SODRÉ Vorcaro aponta o empresário Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga, como um suposto operador ligado a Jaques Wagner. Segundo o documento, ele teria participado das articulações relacionadas à privatização da Ebal.
A estrutura societária da PKL One era formada por uma cadeia de fundos de investimento. Conforme a proposta de delação, entre os beneficiários finais estariam Augusto Lima, Guiga e representantes ligados a outros grupos políticos. Documentos obtidos pela CPI do Crime Organizado indicam que Guilherme Sodré detinha 22,45% do fundo Gardênia até dezembro de 2018. O fundo possuía participação indireta na PKL One.
A partir de maio de 2019, a participação passou a aparecer em um fundo ligado à Entre Investimentos, empresa de Antônio Carlos Freixo Júnior, apontado nas investigações como operador financeiro de Vorcaro. Os documentos confirmam a presença de Sodré na estrutura societária, mas não comprovam que ele detivesse a participação em nome de Jaques Wagner.
PAGAMENTO DE R$ 2 MILHÕES Segundo Vorcaro, o contrato firmado entre a PKL One e o Banco Master previa o pagamento mensal de aproximadamente R$ 2 milhões, classificados como “despesas operacionais”. O ex-banqueiro afirma que os recursos eram utilizados para realizar os supostos pagamentos indevidos a políticos. Segundo ele, o dinheiro chegava aos destinatários por meio de contratos fictícios de consultoria, firmados com pessoas que seriam usadas como intermediárias, e por empresas que disponibilizavam recursos em espécie.
Vorcaro afirmou ainda que, com a expansão do Credcesta para outros estados, ele e Augusto Lima teriam decidido alterar a composição societária da operação. A permanência de Guiga na estrutura, segundo o relato, passou a ser considerada um risco.
A participação teria sido então transferida para a Entre Investimentos, de Antônio Carlos Freixo Júnior. Vorcaro classificou o contrato de compra da participação como fictício e afirmou que, a partir desse momento, teria sido acertado um pagamento mensal de R$ 1 milhão em dinheiro vivo a Guiga. Segundo o ex-banqueiro, os pagamentos teriam continuado até a liquidação do Banco Master.
DINHEIRO EM ESPÉCIES Para obter os valores em espécie, Vorcaro relatou a existência de contratos com sobrepreço firmados com correspondentes bancários ligados a Augusto Lima. Entre as empresas citadas está a Blue Pay, que, segundo o relato, devolveria parte dos valores pagos.
O documento também menciona a The Pay, que teria vendido R$ 80 milhões em notas comerciais a fundos da Reag, gestora ligada ao Master. Vorcaro afirma que parte desses recursos teria sido convertida em dinheiro vivo. Ainda segundo o relato, os valores em espécie eram entregues ao motorista de Vorcaro, que, conforme o documento, não saberia a finalidade do dinheiro, mas faria a entrega dos pacotes ao ex-banqueiro ou a Augusto Lima.
Além dos supostos pagamentos mensais, a proposta de delação menciona distribuição de lucros e dividendos da PKL One e contratos que Vorcaro afirma terem beneficiado pessoas indicadas por Wagner. Entre os contratos citados está um acordo envolvendo uma filha do senador e uma empresa no exterior ligada a João Carlos Falbo Mansur, empresário relacionado à Reag.
*Bahia Notícias Foto: Reprodução. Carlos Moura/Agência Senado