A nova delação de Daniel Vorcaro, entregue no início de junho à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, mencionou o investimento feito pelas empresas do banqueiro ao filme Dark Horse, que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O banqueiro indica que não houve nenhuma irregularidade no processo.
Vorcaro afirmou que a relação foi “republicana” e que não houve nenhum tipo de compensação ou privilégios ilícitos em benefício do banqueiro. A informação, divulgada pelo portal Metrópoles, reafirma a idoneidade do processo, defendida pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O assunto veio à tona após o site The Intercept Brasil divulgar mensagens entre Vorcaro e Flávio sobre um investimento de R$ 60 milhões na produção do longa-metragem. A publicação ocorreu no dia 13 de maio.
No dia 19 de maio, o instituto AtlasIntel divulgou uma pesquisa sobre as intenções de voto para presidente da República. O levantamento mostrou uma queda de seis pontos percentuais com relação à última aferição.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no entanto, considerou que a pesquisa foi contaminada, fazendo uso de áudios para induzir o voto dos participantes. Como consequência, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, ordenou nesta segunda-feira (8) a retirada imediata dos dados da pesquisa das redes sociais e site oficial da instituição.
— Há indicativos de que a pesquisa possa ter extrapolado os limites da regular aferição estatística — declarou o ministro.
A decisão ocorreu após análise de outras 27 pesquisas realizadas pelo instituto. Em nenhuma delas os pesquisadores fizeram uso de arquivos de mídia, como no levantamento suspenso pelo tribunal, o que foi considerado um excesso.
*Pleno.News Fotos: Ana Paula Paiva/Valor/Agência O Globo e André Coelho/EFE
A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial do país em 2026 subiu de 5,09% para 5,11%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (8) pelo Banco Central. A estimativa supera o teto da meta de inflação, fixado em 4,5%, e foi elevada pela 13ª semana seguida.
De acordo com analistas, a guerra no Oriente Médio tem pressionado os preços dos combustíveis e contribuído para a alta das projeções. Em abril, o IPCA registrou inflação de 0,67%, acumulando 4,39% em 12 meses, ainda dentro do intervalo de tolerância da meta. O resultado de maio será divulgado pelo IBGE na próxima sexta-feira (12).
Para controlar a inflação, o Banco Central utiliza a taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano. O mercado passou a projetar juros de 13,5% ao ano no fim de 2026, acima da estimativa anterior de 13,25%.
O Boletim Focus também elevou ligeiramente a previsão de crescimento da economia brasileira neste ano, de 1,9% para 1,91%. Já a expectativa para o dólar foi mantida em R$ 5,15 ao final de 2026.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou acordo de não persecução penal (ANPP) firmado entre a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o deputado estadual Sargento Rodrigues (PL-MG). Ele foi denunciado por sua participação nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Com a validação do acordo na última sexta-feira (5), a ação penal em curso contra o parlamentar fica suspensa enquanto ele cumpre as condições estabelecidas. O caso pode ser arquivado ao final do período previsto, caso todas as exigências sejam atendidas.
Segundo relatório do STF, mais de 550 entre os cerca de 1.400 réus responsabilizados pelo episódio firmaram o ANPP, encerrando os casos mediante confissão dos investigados e cumprimento alternativo de penas.
Para aderir ao acordo, Rodrigues reconheceu a prática dos delitos apontados pela acusação: incitação à animosidade das Forças Armadas contra os Poderes constituídos, ataques à integridade do sistema eleitoral e associação criminosa.
A denúncia da PGR, recebida pela Primeira Turma do STF em dezembro do ano passado, sustenta que o deputado participou de uma “atuação coordenada para desacreditar o processo eleitoral por meio das redes sociais e incentivar uma intervenção militar”.
Ao homologar o acordo, Moraes afirmou que, apesar da gravidade das acusações, o instrumento jurídico era cabível no caso.
– Em que pese a gravidade dos crimes imputados ao réu, uma vez que a Constituição Federal não permite a propagação de ideias contrárias à ordem constitucional e ao Estado Democrático (CF, artigos 5º, XLIV; e 34, III e IV), com a consequente instalação do arbítrio, cabível o oferecimento do ANPP – escreveu o ministro.
Entre as obrigações assumidas pelo parlamentar estão a prestação de 150 horas de serviços à comunidade ou a órgãos públicos, com carga mínima de 30 horas por mês, e o pagamento de R$ 5 mil a título de indenização, valor que será destinado à entidade indicada pelo juízo responsável pela execução do acordo.
O deputado também concordou em não utilizar redes sociais abertas enquanto durar o cumprimento das medidas, frequentar presencialmente um curso de 12 horas sobre democracia, Estado de Direito e golpe de Estado, além de se comprometer a não praticar novos crimes nem responder a outras ações penais durante o período.
Previsto no Código de Processo Penal desde 2019, o acordo de não persecução penal evita o processo judicial tradicional ao garantir que o réu não será criminalmente condenado se cumprir as condições legais estabelecidas. A possibilidade se aplica em determinadas situações envolvendo crimes sem violência e com pena mínima inferior a quatro anos.
Após os atos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, a PGR ofereceu o acordo em casos envolvendo pessoas acusadas de incentivar ou apoiar os acontecimentos, mas sem participação direta nos atos de vandalismo.
Neymar sinalizou neste sábado (6) que a Copa do Mundo de 2026 será a última de sua carreira, ao deixar um comentário em uma postagem do perfil oficial do torneio com fotos do camisa 10 da seleção brasileira na atualidade e nas edições de 2014, 2018 e 2022.
– The last dance (“A última dança”) – respondeu o atacante, em alusão ao título do documentário que narra o último título da NBA que Michael Jordan conquistou com o Chicago Bulls.
Neymar, de 34 anos, está em processo de recuperação de uma lesão na panturrilha direita que provavelmente o impedirá de atuar na estreia do Brasil na Copa, contra Marrocos, no próximo dia 13.
Apesar das lesões que o jogador sofreu nos últimos meses, o técnico Carlo Ancelotti optou por convocá-lo após observar sua evolução física nos últimos meses e sua sequência de partidas pelo Santos.
Neymar disputou 13 partidas em três Copas do Mundo, com um saldo de oito gols, e teve como melhor campanha a eliminação nas semifinais em 2014 – edição em que, devido a uma lesão na coluna sofrida na vitória sobre a Colômbia na fase anterior, não esteve em campo na impiedosa goleada de 7 a 1 aplicada pela Alemanha e na derrota por 3 a 0 para a Holanda na decisão do terceiro lugar.
Jurados afastaram a acusação de homicídio doloso contra a mãe do menino, enquanto Jairinho foi condenado a mais de 43 anos de prisão
Ao ler a decisão, a magistrada afirmou que Monique foi submetida a uma reação social ‘desproporcional’ desde a morte do filho | Foto: Brunno Dantas/TJRJ
A juíza Elizabeth Machado Louro determinou, nesta quinta-feira, 4, a expedição do alvará de soltura de Monique Medeiros logo depois da leitura da sentença do julgamento pela morte de Henry Borel. A magistrada anunciou a decisão depois que os jurados afastaram a acusação de homicídio doloso contra a mãe do menino e concluíram que esta agiu sem intenção de matar o filho.
O julgamento, encerrado depois de 11 dias de sessões no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, resultou na condenação do ex-vereador Jairinho a 43 anos, nove meses e 20 dias de prisão pelos crimes de homicídio qualificado, tortura e coação no curso do processo. Monique, por sua vez, teve a imputação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo e recebeu perdão judicial.
Apesar do benefício concedido pela juíza, Monique não foi absolvida integralmente. Os jurados reconheceram sua responsabilidade por omissão diante das agressões e da tortura sofridas por Henry. A pena fixada foi de um ano e quatro meses de detenção. Como Monique permaneceu presa preventivamente durante parte da tramitação do processo, a juíza considerou a sanção cumprida e determinou sua soltura.
A fundamentação adotada por Elizabeth Louro para conceder o perdão judicial tornou-se um dos pontos mais debatidos da sentença. Ao ler a decisão, a magistrada afirmou que Monique foi submetida a uma reação social “desproporcional” desde a morte do filho. Segundo a juíza, a professora enfrentou um “massacre” público, sofreu agressões durante o período em que esteve presa e foi julgada sob critérios influenciados por preconceitos de gênero.
Elizabeth Louro sustentou que a sociedade exige da mulher a figura da “mãe perfeita” e afirmou que um homem submetido às mesmas circunstâncias dificilmente enfrentaria tratamento semelhante. Para a magistrada, o sofrimento decorrente da perda do único filho, somado à exposição pública do caso, ultrapassou os limites normalmente associados à punição penal.
Entenda o caso Henry Borel
O caso Henry Borel mobiliza a opinião pública desde março de 2021, quando o menino de 4 anos morreu em um apartamento na zona oeste do Rio de Janeiro. As investigações concluíram que a criança sofreu sucessivas agressões. Laudos periciais apontaram hemorragia interna e laceração hepática provocadas por ação contundente. A repercussão do caso levou à aprovação da chamada Lei Henry Borel, que ampliou mecanismos de proteção para crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica.
Na sentença de Jairinho, a juíza descreveu a violência praticada contra Henry como desproporcional e destacou a extrema vulnerabilidade da vítima. A magistrada afirmou que o ex-vereador demonstrou elevado grau de periculosidade e ressaltou a crueldade empregada contra uma criança de apenas quatro anos.
A decisão referente a Monique provocou reação imediata da acusação. Leniel Borel, pai de Henry, informou que pretende recorrer. Em nota divulgada depois do julgamento, afirmou que buscará a anulação da decisão que beneficiou a ex-mulher. O advogado Cristiano Medina, assistente de acusação no processo, também declarou que pretende questionar judicialmente o resultado alcançado em relação à mãe da criança.
Enquanto os recursos começam a ser preparados, Jairinho permanecerá preso para cumprir a pena imposta pelo Tribunal do Júri. Monique, por sua vez, deverá deixar o sistema prisional depois da formalização do alvará de soltura.
Nesta terça-feira (2), o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), destacou que irá apresentar uma representação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A ação ocorre porque mais cedo o petista chamou o parlamentar de “traidor” e citou a morte de Tiradentes.
O parlamentar alega ameaça e incitação ao crime.
– Flávio Bolsonaro irá denunciar ainda hoje ao Supremo Tribunal Federal crimes praticados por Lula. Em 02.06.26, Lula afirmou que o senador deveria ter o mesmo destino que Tiradentes e ser morto por enforcamento. De acordo com Flávio Bolsonaro, a fala do presidente configura crime de ameaça e de incitação ao crime – informou a assessoria do senador.
Mais cedo, nesta terça, durante um evento em Catalão (GO), Lula criticou a proposta do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Ao comentar a medida, o petista atribuiu a responsabilidade ao clã Bolsonaro e mencionou o encontro do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizado na última terça (26).
Durante o discurso, o petista comparou integrantes da família Bolsonaro a Tiradentes que morreu enforcado.
– São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado (sic) – declarou.
A afirmação, porém, contém um erro histórico. Quem foi executado em 1792 foi Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes.
Na sequência, Lula acusou Flávio e Eduardo Bolsonaro de tentarem buscar a interferência de um país estrangeiro em assuntos internos do Brasil. Segundo o presidente, essas pessoas devem ser chamadas de “traidores” e “vendilhões da pátria”.
A deputada federal Carol de Toni (PL-SC), ao lado de parlamentares da oposição, protocolou uma nova ofensiva contra ministros do governo Lula (PT), apelidada de “Impeachmaço 2.0”. A medida ocorre após o arquivamento de pedidos anteriores pela Procuradoria-Geral da República (PGR), decisão que gerou forte reação entre os parlamentares.
Em fevereiro, a oposição havia protocolado pedidos de impeachment contra 16 ministros do governo por descumprimento do prazo constitucional para responder requerimentos de informação enviados pelo Congresso Nacional. A Constituição Federal estabelece prazo de 30 dias para resposta e prevê crime de responsabilidade em caso de não atendimento.
No entanto, a PGR arquivou os pedidos adotando uma interpretação considerada inédita pela oposição. Na prática, o órgão entendeu que o atraso, por si só, não seria suficiente para caracterizar crime de responsabilidade. —
Segundo a decisão, seriam necessários três elementos simultâneos: — que o requerimento tivesse sido regularmente encaminhado pela Mesa da Câmara, Senado ou comissão; — que houvesse atraso injustificado; — e que existissem indícios de conduta dolosa, ou seja, intenção deliberada de ocultar informações.
Além disso, a decisão considerou que uma resposta enviada fora do prazo constitucional poderia afastar a configuração do crime.
Para Carol de Toni, a interpretação esvazia a função fiscalizatória do Congresso.
– Estamos diante de uma situação muito grave. A Constituição fala em 30 dias. Não fala em 300 dias, nem em mil dias, muito menos em vários anos. Se o governo pode responder quando quiser e ainda assim não acontecer nada, então o instrumento de fiscalização do Parlamento perde completamente a eficácia – afirmou.
Diferentemente dos pedidos anteriores, a nova iniciativa foi estruturada justamente com base nos parâmetros utilizados pela própria PGR.
MARGARETH MENEZES Um dos casos envolve a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Segundo os parlamentares, diversos requerimentos aprovados regularmente pela Câmara permanecem sem resposta até hoje. Somados, os atrasos ultrapassariam 3.688 dias acumulados sem qualquer justificativa formal apresentada, envolvendo questionamentos sobre execução de emendas, recursos da Lei Rouanet e programas públicos ligados à cultura.
Situações semelhantes teriam ocorrido em outras pastas do governo federal. De acordo com o levantamento apresentado pela oposição, a soma de atraso de alguns requerimentos da ministra Anielle Franco totalizam 1.514 dias de atraso em respostas; de Luiz Marinho, 1.129 dias; de Margaret Menezes, 3.688 dias; de Sidônio Palmeira, 488 dias; e de Vinícius Carvalho, 795 dias.
Para a oposição, a reiteração das omissões e o longo período de silêncio afastariam a tese de mero atraso burocrático. Carol ainda relembrou que o cidadão comum está sujeito a multas, juros e sanções por atrasos em obrigações legais e tributárias, sem margem para descumprimentos prolongados, autoridades públicas estariam acumulando meses e até anos de atraso sem consequências proporcionais.
– A própria PGR disse que seria necessária demora injustificada e indícios de intenção deliberada. Então a pergunta é simples: milhares de dias sem resposta, sem justificativa e de forma reiterada podem ser tratados como mera burocracia? – questionou Carol.
Os parlamentares sustentam que não se trata apenas de uma disputa jurídica, mas de uma discussão institucional sobre os limites da relação entre Executivo e Legislativo.
– Quando o Congresso pergunta, não pergunta por curiosidade. Pergunta em nome da população. Ignorar esses instrumentos significa enfraquecer um dos principais mecanismos de controle previstos na Constituição – concluiu.
A expectativa dos deputados é que os novos pedidos obriguem a PGR a esclarecer se os critérios criados no arquivamento anterior serão aplicados de maneira uniforme ou se haverá novo entendimento sobre o tema.
Boa Viagem lidera número de registro de ataques no litoral pernambucano
Uma jovem de 19 anos foi atacada por um tubarão na tarde desta segunda-feira (1º) na praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. A vítima, identificada como Marcela Vitória de Lima Santos, sofreu ferimentos graves na perna direita, passou por cirurgia e permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Restauração.
O incidente ocorreu por volta das 15h10, nas proximidades do cruzamento da Avenida Boa Viagem com a Rua Padre Bernardino Pessoa. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros foram acionadas para prestar socorro. Imagens registradas no local mostram guarda-vidas e banhistas auxiliando no resgate da jovem.
De acordo com relatos de parentes, ela foi retirada da água logo após pedir ajuda. Testemunhas informaram ainda que um médico que estava no local realizou os primeiros atendimentos até a chegada das equipes de emergência.
Após receber os cuidados iniciais em uma unidade de saúde de Boa Viagem, a jovem foi transferida para o Hospital da Restauração. Segundo a direção da instituição, seu estado de saúde é considerado grave. A secretária executiva do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), Danise Alves, afirmou que, pelas características do ataque, o responsável teria sido um tubarão-tigre.
O caso ocorreu apenas um dia após outro ataque registrado no litoral pernambucano. No domingo (31), um menino de 11 anos foi mordido enquanto tomava banho na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. A criança sofreu ferimentos na mão e na coxa esquerdas, teve uma das pernas amputada e foi encaminhada em estado gravíssimo ao Hospital da Restauração.
De acordo com o diretor da unidade hospitalar, o cirurgião Petrus de Andrade Lima, o garoto passou por cirurgia e segue em estado grave, porém estável. O médico relatou que a criança chegou ao hospital após perder uma quantidade significativa de sangue. Segundo o Cemit, o animal envolvido nesse ataque foi um tubarão-cabeça-chata.
Com o registro desta segunda-feira, Pernambuco contabiliza 84 ataques de tubarão desde o início do monitoramento oficial, em 1992. Boa Viagem concentra 25 desses casos, sendo a localidade com maior número de ocorrências. O último incidente semelhante na praia havia sido registrado em 2013.
Policiais cumprem 24 mandados de busca; auditor que vendia facilidades em porto catarinense foi afastado do cargo
Itens aprendidos pela pF na Operação Benaia | Foto: Divulgação/PF
A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Benaia na manhã desta terça-feira, 2, para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro comandado por um ex-chefe da Receita Federal em Itajaí (SC). O servidor público federal recebeu pelo menos R$ 2 milhões em propinas para beneficiar um grupo de empresários dentro do terminal alfandegário. A Justiça Federal determinou o afastamento imediato do servidor de qualquer função pública e autorizou o bloqueio de seus bens.
Os agentes federais saíram às ruas para cumprir 24 mandados de busca e apreensão em diversas cidades dos Estados de Santa Catarina e São Paulo. O principal alvo da investigação usava o cargo de comando no porto catarinense para liberar mercadorias importadas de forma ilegal e acelerar a tramitação de processos de interesse dos criminosos. O auditor utilizou o posto de chefia para desenhar facilidades operacionais no porto a pedido dos empresários que pagavam os subornos.
Empresas em nome de parentes ocultavam propina
Os investigadores descobriram que o servidor público abriu uma rede de empresas registradas em nome de seus próprios familiares. O investigado utilizava essas contas jurídicas para esconder os valores recebidos de forma ilegal e dar uma aparência de legalidade ao enriquecimento patrimonial da família. A farsa contábil ruiu logo que os analistas da PF cruzaram a movimentação bancária com as decisões alfandegárias do ex-chefe.
A Receita Federal enviou fiscais para acompanhar as buscas em endereços comerciais e residenciais com o objetivo de auditar os documentos sonegados. Os policiais federais recolheram computadores, mídias digitais e arquivos de escritórios localizados em Campinas, Guarulhos, Paulínia e na capital paulista. A PF quer usar o material apreendido para rastrear o destino final do dinheiro e identificar outros servidores públicos envolvidos no caso.
O ator Wagner Moura registrou queixa-crime contra o pastor Silas Malafaia por difamação e injúria. A ação, já recebida pela Justiça, aponta que Malafaia ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao chamá-lo de “cretino” e “esquerdista de araque” em postagens no X de janeiro deste ano. O caso foi publicado pela Folha de S.Paulo e confirmado pelo Estadão.
Nas publicações, o pastor fez críticas ao ator, comparando investimentos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na cultura e na educação.
— Para esse artista cretino, governo bom é dar aumento de R$ 18 para professores e R$ 18 bilhões para o que eles chamam de cultura (…) esquerdopatas defendendo artista que mama grana dos contribuintes para fazer propaganda de governo corrupto — afirmou.
A ação classifica as falas como “ofensas injuriosas e difamatórias, com o nítido intuito de macular” a honra do ator. A ação lembra ainda que Malafaia responde por ofensas a generais do Exército, o que demonstraria um padrão de “ataques pessoais que ultrapassam os limites do debate público legítimo”.
Malafaia questionou ter sido escolhido como alvo entre os milhares de usuários que criticaram o artista nas redes após a derrota no Oscar de 2026. Wagner Moura foi o primeiro brasileiro indicado à premiação americana na categoria de ator principal pelo papel em O Agente Secreto. O filme concorreu em quatro categorias na cerimônia, mas não venceu nenhuma.
Procurado pela reportagem, Malafaia classificou a ação como “piada” e “intolerância”. Também negou ter cometido qualquer crime.
— Tem milhares de memes contra ele, até com palavrões. Por que ele me escolheu? (…) É preconceito religioso ou porque eu tenho influência? Eles querem me calar a todo custo — questionou.
O pastor disse não ter sido notificado da queixa-crime até o momento da entrevista e garantiu que não vai recuar. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) confirmou o registro do processo; no entanto, informou que o caso corre em segredo de Justiça.