Medida institui piso salarial para trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo, e cria bonificação para profissionais que comprovarem qualificação técnica
A Câmara dos Deputados analisa um Projeto de Lei (PL) que institui o piso salarial para os trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo e cria uma bonificação para profissionais que comprovarem qualificação técnica.
O texto estabelece dois níveis salariais para uma jornada de 40 horas semanais: o piso base é de R$ 2.500,00 mensais, enquanto o piso qualificado é de R$ 2.750,00. Para receber o piso maior, o trabalhador deverá comprovar a conclusão de, no mínimo, 160 horas em cursos de qualificação profissional, aperfeiçoamento ou técnicos em áreas ligadas à sua função. Os cursos devem ser oferecidos pelo Senac ou por instituições reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC).
A proposta — da deputada Jack Rocha (PT-ES) — prevê ainda que o valor do piso será reajustado anualmente, sempre no primeiro dia de cada ano, seguindo uma fórmula que garante aumento real (acima da inflação) quando o setor crescer:
A fórmula: Variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) (inflação) + 50% do crescimento real da receita do setor de comércio (medido pelo IBGE no ano anterior).
Em caso de crise: Se o setor não crescer ou tiver queda, o reajuste será apenas pelo INPC, para garantir a reposição da inflação.
Segundo a parlamentar, o objetivo do projeto é corrigir uma “distorção histórica” no mercado de trabalho. “O projeto visa corrigir o descompasso entre a importância estratégica do setor de comércio e a baixa remuneração de seus mais de 10,6 milhões de trabalhadores”, defendeu Jack Rocha. Segundo ela, essa é uma “solução estrutural” que beneficia não apenas os trabalhadores, mas o setor como um todo, “gerando um círculo virtuoso de qualificação e produtividade.
A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, divulgou uma nota pública explicando o contrato do seu escritório com o Banco Master. Ela recebeu pouco mais de R$ 80 milhões pelos serviços prestados à instituição presidida por Daniel Vorcaro.
Apesar da nota divulgada não conter os valores do contrato, dados retirados do celular do banqueiro revelam todas as cláusulas, validando os custos do serviço.
Viviane havia assinado o acordo em fevereiro de 2024, com validade de três anos, mas ele foi interrompido após a liquidação do banco, em novembro do ano passado, e a prisão do seu proprietário, no âmbito da Operação Compliance Zero.
Os honorários da advogada eram de R$ 3.646.529,77 mensais, segundo o contrato, que totalizam dentro do período de serviço, o montante de R$ 80.223.654,94. O valor representa quase 80 vezes mais dos que os aplicados por outros escritórios pelo mesmo tipo de serviço, que gira em torno de R$ 3 mil por hora trabalhada.
Em nota, o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados relatou ter realizado 81 reuniões presenciais e outras 13 por videoconferência, totalizando 267 horas. Além disso, a jurista alega ter produzido outros 36 pareceres e opiniões legais e para atender às demandas, outros 15 profissionais participaram dos processos.
O comunicado reforça ainda que os serviços prestados ao banco não tem envolvimento com processos do Supremo Tribunal Federal (STF), o que poderia configurar conflito de interesse com o esposo.
Confira a nota divulgada na íntegra: O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados esclarece que foi contratado, no período entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, pelo cliente Banco Master, para o qual realizou ampla consultoria e atuação jurídica, por meio de uma equipe composta por 15 (quinze) advogados. Para a realização dos serviços, também contratou outros três escritórios especializados em consultoria, que ficaram sob sua coordenação.
As duas equipes jurídicas responsáveis pela consultoria e atuação jurídicas, entre o início do contrato, em 2024, e a liquidação extrajudicial do banco, em novembro de 2025, com o consequente encerramento contratual, realizaram:
94 (noventa e quatro) reuniões de trabalho, sendo: I.1) 79 (setenta e nove) reuniões presenciais na sede do Banco Master, todas com duração aproximada de 3 (três) horas, entre o banco, por meio de suas superintendências de Compliance e Corporativa e gerência de Compliance, e a equipe jurídica do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, para análise de documentos, discussão dos problemas jurídicos e desenvolvimento do objeto do contrato;
I.2) 13 (treze) reuniões com a presidência da instituição e a equipe jurídica, sendo 2 (duas) presenciais na sede do escritório e 11 por videoconferência, com duração aproximada de 2 (duas) horas;
I.3) 2 (duas) reuniões por videoconferência entre o jurídico do Banco Master e a equipe jurídica do escritório Barci de Moraes, com duração aproximada de 2 (duas) horas.
A atuação de uma das equipes jurídicas, juntamente com os consultores contratados, englobou a elaboração de Opiniões Legais nos casos solicitados pelo Departamento de Compliance; Revisão da Política de Captação para o Regime Próprio da Previdência Social – RPPS; Revisão do Programa de Compliance & PLDFT para a obtenção do Selo Pro-Ética, implicando em: Revisão da Estrutura do Departamento de Compliance; Revisão do Código de Ética e Conduta; Elaboração das Políticas necessárias – Política de relacionamento com Poder Público; Política de licitações e contratos; Política de contato com concorrentes; Política de conflito de interesses; Política de Partes Relacionadas, entre outras; Revisão das demais políticas e procedimentos da área de Compliance para adequação ao exigido pela Corregedoria Geral da União – CGU. Foram produzidos 36 (trinta e seis) pareceres e opiniões legais acerca de uma ampla gama de temas, como aspectos previdenciários, contratuais, negociais, trabalhistas, regulatórios, de compliance, proteção de dados e crédito, entre outros. Elaboração e apresentação de processos para certificação de ética e governança, com mapeamento das atividades, levantamento de documentação-base, análise das oportunidades, elaboração e revisão e treinamentos do público-alvo sobre as novas políticas, a partir da revisão do Código de Ética e Conduta, políticas de integridade, estruturação do departamento de compliance e apoio à alta administração. Elaboração e revisão do Manual de Gestão e Captação de Recursos do RPPS, Política de Relacionamento com o Poder Público, Política de treinamento, capacitação e certificação continuada, Política de PLDFT, Política de Risco Operacional, Política de Sucessão de Administradores, Política de Transação com Partes Relacionadas, Política de Canais de Denúncia e Investigações, Política de Gestão de BNDU, Política de fusões e aquisições, Política de Gestão de Consequências, Política de investimentos pessoais, Política de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática, Política de Suitability, Política de Comunicação, Política de Saúde e Segurança no Trabalho, Manual de Contratação de Parceiros, Manual de Procedimentos Conheça seu Parceiro – KYP, Manual de Procedimentos Conheça seu Prestador de Serviço Terceirizado. A equipe jurídica ajudou a implementar o Novo Código de Ética e Conduta do banco, com apresentação presencial às Superintendências, e realizou consultoria sobre temas do mercado financeiro, como questionário AMBIMA, revisão de formulários de Due diligence; a elaboração de modelos de relatório regulatório sobre remuneração; preenchimento de auto avaliação do Pacto Brasil (25 de setembro e 09 de outubro de 2025), entre outros. Outra equipe do escritório Barci de Moraes, juntamente com os consultores, atuou, principalmente, na área penal e administrativa, na análise consultiva e estratégica de inquéritos policiais, ações penais, inquérito civis, ações civis públicas e ações de interesse ou que pudessem produzir reflexos na atuação do Banco Master e de seus dirigentes, vários deles sigilosos, bem como na atuação contenciosa específica em ação penal, cujo ajuizamento ocorreu em 17/10/2024, e inquérito policial federal específico, cuja habilitação se deu em 8/4/2024. O escritório esclarece ainda que nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF (Supremo Tribunal Federal).
O Barci de Moraes Sociedade de Advogados tem uma trajetória de quase duas décadas prestando serviços altamente qualificados para grandes clientes, unindo visão jurídica e abordagem estratégica.
Considerado um dos principais conselheiros do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o empresário Jason Miller utilizou seu perfil no Instagram para provocar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), neste domingo (8), após a divulgação de que o magistrado teria trocado mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Segundo o site, a documentação relacionada aos dois grupos já foi finalizada no Departamento de Estado e passou por análise de diferentes órgãos do governo dos EUA, que deram aval ao material.
O processo segue o mesmo modelo usado recentemente para classificar outros grupos criminosos da América Latina como organizações terroristas, como o Cartel de Jalisco, do México, e o Tren de Aragua, da Venezuela.
Após a conclusão da análise interna pelo órgão chefiado pelo secretário Marco Rubio, o documento deve ser enviado ao Congresso americano e publicado no Registro Federal, etapa final do processo. Esse trâmite deve levar cerca de duas semanas.
A designação oficial como Organização Terrorista Estrangeira (FTO, na sigla em inglês) implica uma série de sanções. Entre elas estão o congelamento de ativos nos Estados Unidos, a proibição de acesso ao sistema financeiro americano e veta qualquer tipo de apoio material, como fornecimento de armas, por cidadãos ou empresas dos EUA.
O combate ao tráfico internacional de drogas, tratado como uma das prioridades da atual administração americana, foi tema de um encontro realizado neste sábado (7) em Miami, que reuniu líderes conservadores da América Latina. O evento foi chamado de Shield of the Americas (Escudo das Américas, em português).
Segundo o UOL, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro teria atuado nos bastidores para estimular a classificação das facções brasileiras como grupos terroristas. De acordo com o veículo, ele teria conversado sobre o tema com os presidentes Javier Milei, da Argentina, e Nayib Bukele, de El Salvador, pedindo apoio à iniciativa.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se posicionado contra a designação das facções brasileiras como organizações terroristas. Autoridades brasileiras argumentam que PCC e Comando Vermelho não possuem motivação política ou ideológica, característica que, segundo a gestão petista, geralmente é associada ao conceito de terrorismo.
Outro ponto alegado pelo atual governo brasileiro é uma suposta preocupação com possíveis impactos sobre a soberania brasileira, especialmente diante do risco de maior atuação de forças americanas em operações contra o crime organizado na região.
Em meio à divulgação de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o marido, Viviane Barci publica nota sobre os termos da contratação de seus serviços pelo banco
Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados divulgou uma nota para explicar os serviços prestados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. A banca tem entre seus sócios Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O contrato foi firmado em 2024. O acordo previa pagamento mensal de R$ 3,5 milhões ao escritório. Em três anos, o valor poderia chegar a R$ 129 milhões, conforme informações publicadas pelo jornal O Globo. No entanto, as partes encerraram o vínculo em novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação da instituição de Vorcaro.
Segundo o comunicado divulgado à imprensa, o Barci de Moraes prestou consultoria e atuação jurídica ao banco entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Nesse período, o escritório realizou 94 reuniões de trabalho relacionadas ao contrato. Do total, 79 encontros ocorreram presencialmente na sede do Master.
O escritório afirma ainda que promoveu encontros com a presidência da instituição financeira. Foram 13 reuniões desse tipo, sendo duas presenciais na sede da banca e 11 realizadas por videoconferência.
Outras duas reuniões ocorreram de forma virtual entre o departamento jurídico do banco e a equipe do escritório.
Além disso, o Barci de Moraes produziu 36 pareceres e “opiniões legais acerca de uma ampla gama de temas, como aspectos previdenciários, contratuais, negociais, trabalhistas, regulatórios, de compliance, proteção de dados e crédito, entre outros”.
Eis a íntegra da nota do escritório de Viviane Barci:
“O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados esclarece que foi contratado, no período entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, pelo cliente Banco Master, para o qual realizou ampla consultoria e atuação jurídica, por meio de uma equipe composta por 15 (quinze) advogados. Para a realização dos serviços, também contratou outros três escritórios especializados em consultoria, que ficaram sob sua coordenação.
As duas equipes jurídicas responsáveis pela consultoria e atuação jurídicas, entre o início do contrato, em 2024, e a liquidação extrajudicial do banco, em novembro de 2025, com o consequente encerramento contratual, realizaram:
94 (noventa e quatro) reuniões de trabalho, sendo:
I.1) 79 (setenta e nove) reuniõespresenciais na sede do Banco Master, todas com duração aproximada de 3 (três) horas, entre o banco, por meio de suas superintendências de Compliance e Corporativa e gerência de Compliance, e a equipe jurídica do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, para análise de documentos, discussão dos problemas jurídicos e desenvolvimento do objeto do contrato;
I.2) 13 (treze) reuniões com a presidência da instituição e a equipe jurídica, sendo 2 (duas) presenciais na sede do escritório e 11 por videoconferência, com duração aproximada de 2 (duas) horas;
I.3) 2 (duas) reuniões por videoconferência entre o jurídico do Banco Master e a equipe jurídica do escritório Barci de Moraes, com duração aproximada de 2 (duas) horas.
A atuação de uma das equipes jurídicas, juntamente com os consultores contratados, englobou a elaboração de Opiniões Legais nos casos solicitados pelo Departamento de Compliance; Revisão da Política de Captação para o Regime Próprio da Previdência Social – RPPS; Revisão do Programa de Compliance & PLDFT para a obtenção do Selo Pro-Ética, implicando em: Revisão da Estrutura do Departamento de Compliance; Revisão do Código de Ética e Conduta; Elaboração das Políticas necessárias – Política de relacionamento com Poder Público; Política de licitações e contratos; Política de contato com concorrentes; Política de conflito de interesses; Política de Partes Relacionadas, entre outras; Revisão das demais políticas e procedimentos da área de Compliance para adequação ao exigido pela Corregedoria Geral da União – CGU.
Foram produzidos 36 (trinta e seis) pareceres e opiniões legais acerca de uma ampla gama de temas, como aspectos previdenciários, contratuais, negociais, trabalhistas, regulatórios, de compliance, proteção de dados e crédito, entre outros.
Elaboração e apresentação de processos para certificação de ética e governança, com mapeamento das atividades, levantamento de documentação-base, análise das oportunidades, elaboração e revisão e treinamentos do público-alvo sobre as novas políticas, a partir da revisão do Código de Ética e Conduta, políticas de integridade, estruturação do departamento de compliance e apoio à alta administração.
Elaboração e revisão do Manual de Gestão e Captação de Recursos do RPPS, Política de Relacionamento com o Poder Público, Política de treinamento, capacitação e certificação continuada, Política de PLDFT, Política de Risco Operacional, Política de Sucessão de Administradores, Política de Transação com Partes Relacionadas, Política de Canais de Denúncia e Investigações, Política de Gestão de BNDU, Política de fusões e aquisições, Política de Gestão de Consequências, Política de investimentos pessoais, Política de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática, Política de Suitability, Política de Comunicação, Política de Saúde e Segurança no Trabalho, Manual de Contratação de Parceiros, Manual de Procedimentos Conheça seu Parceiro – KYP, Manual de Procedimentos Conheça seu Prestador de Serviço Terceirizado.
A equipe jurídica ajudou a implementar o Novo Código de Ética e Conduta do banco, com apresentação presencial às Superintendências, e realizou consultoria sobre temas do mercado financeiro, como questionário AMBIMA, revisão de formulários de Due diligence; a elaboração de modelos de relatório regulatório sobre remuneração; preenchimento de autoavaliação do Pacto Brasil (25 de setembro e 09 de outubro de 2025), entre outros.
Outra equipe do escritório Barci de Moraes, juntamente com os consultores, atuou, principalmente, na área penal e administrativa, na análise consultiva e estratégica de inquéritos policiais, ações penais, inquérito civis, ações civis públicas e ações de interesse ou que pudessem produzir reflexos na atuação do Banco Master e de seus dirigentes, vários deles sigilosos, bem como na atuação contenciosa específica em ação penal, cujo ajuizamento ocorreu em 17/10/2024, e inquérito policial federal específico, cuja habilitação se deu em 8/4/2024.
O escritório esclarece ainda que nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF (Supremo Tribunal Federal).
O Barci de Moraes Sociedade de Advogados tem uma trajetória de quase duas décadas prestando serviços altamente qualificados para grandes clientes, unindo visão jurídica e abordagem estratégica.”
Ao todo, foram apreendidos ao menos oito celulares ligados ao banqueiro
Daniel Vorcaro Foto: Reprodução/YouTube Valor Econômico
A Polícia Federal considerou emergencial o conteúdo encontrado em um dos celulares de Daniel Vorcaro, mesmo após analisar menos de 30% do material armazenado no aparelho. Com base apenas nessa parcela – enviada pela PF -, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Banco Master, determinou a prisão do banqueiro.
De acordo com informações do UOL, um auxiliar do magistrado disse que o ministro teve acesso apenas a “uma gota no oceano” do conteúdo total.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025 e voltou a ser alvo de nova operação na semana passada. Ao todo, ao menos oito celulares ligados a ele foram apreendidos, enquanto a investigação já reúne mais de cem aparelhos sob custódia da Polícia Federal para perícia.
Parte do material vazado mantém o STF no centro da crise. A jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, revelou que o ministro Alexandre de Moraes teria trocado mensagens de visualização única com Vorcaro no dia da primeira prisão. Moraes inicialmente negou a informação e classificou a reportagem como “ilação mentirosa” destinada a atacar o tribunal.
Na sexta-feira (6), após a apresentação de novos prints pela jornalista, o gabinete do ministro divulgou nota afirmando que uma “análise técnica” do material indicaria que Moraes não é o destinatário das mensagens. O STF, porém, não informou quem realizou a perícia nem como o gabinete teve acesso ao conteúdo, que está sob sigilo.
Nesta sexta-feira (6), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) e pediu que seja analisada a possibilidade de prisão preventiva do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
No ofício encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, Nikolas diz que há indícios de uma “eventual relação” entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro.
O parlamentar quer que a PGR adote “as medidas investigativas cabíveis” caso surjam indícios de crimes, de obstrução de Justiça ou de interferência indevida em investigações.
De acordo com Nikolas, informações divulgadas pela imprensa sobre mensagens trocadas entre o ministro e o banqueiro “sugerem a existência de possíveis interações e circunstâncias que merecem esclarecimento institucional”, com o objetivo de preservar a confiança pública nas instituições. As informações são da coluna de Paulo Cappelli, do Metrópoles.
*Pleno.News Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou o cenário de subida e empatou tecnicamente no 2º turno com o presidente Lula (PT) na pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (7). Segundo o levantamento, o petista tem 46% das intenções de voto, contra 43% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Eles empatam na margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para menos.
O levantamento é o primeiro divulgado pelo instituto após Flávio confirmar que é pré-candidato à Presidência com o apoio de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), que está preso na Polícia Federal em Brasília após ser condenado por tentativa de golpe de Estado.
A pesquisa identifica que Flávio Bolsonaro se firmou como principal opositor de Lula. Quando o eleitor é perguntado em quem pretende votar, sem ser apresentado a nomes, o senador fluminense surge com 12% das intenções de voto – ele não era mencionado no levantamento anterior, de dezembro.
O congressista vem se consolidando e já estava empatado com Lula em cenários de 2º turno nos últimos levantamentos da Paraná Pesquisas e da Real Time Big Data, ambas divulgadas no final de fevereiro. A Genial/Quest vai publicar uma nova pesquisa nesta semana.
O Datafolha entrevistou 2.004 eleitores em 137 municípios de 3 a 5 de março. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.
O Datafolha ainda analisou também um cenário com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como o candidato do PT. Ele marca 21% ante 33% de Flávio. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), também foi testado, e ficou com 21% das intenções de voto.
1º turno Na pesquisa estimulada Lula tem 36% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio, 25%.
Entre os demais pré-candidatos e o governadores de Estado, o do Paraná, Ratinho Jr. (PSD) marca 7%, seguido pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 5%. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), tem 3%, mesmo patamar que o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD).
*Jovem Pan com informações do Estadão Conteúdo Foto: PR e Agência Senado
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, de 43 anos, o “sicário” de Vorcaro, não apresenta indicação para o protocolo de morte encefálica, de acordo com o diretor do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte (MG), para onde o réu foi levado nesta quarta-feira (4), após ter tentado tirar a própria vida na Superintendência Regional da Polícia Federal (PF), onde estava sob custódia.
Apesar do recuo com relação a informação inicialmente passada após o paciente dar entrada na unidade, o caso dele segue gravíssimo. O advogado da família confirma a informação de que ele permanece internado no CTI.
Nesta quinta (5), a PF abriu um inquérito para investigar as circunstâncias envolvendo a custódia de Luiz Philipi, preso durante a Operação Compliance Zero. A corporação afirma que ele atentou contra a própria vida enquanto estava preso.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse que toda a ação foi registrada por câmeras, sem pontos cegos. A instituição informou ainda que comunicou o caso ao ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), e enviará os registros em vídeo.
*Pleno.News Foto: Reprodução/Print de Redes Sociais
Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal (PF), indicam que o dono do Banco Master manteve contato frequente com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia em que foi preso pela primeira vez: 17 de novembro de 2025. As informações foram divulgadas pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
De acordo com registros obtidos a partir do aparelho do banqueiro, os dois trocaram comunicações ao longo de todo o dia por WhatsApp, quando Vorcaro tratou de temas como a negociação para a venda do banco e a situação de um inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília, que acabou resultando na prisão dele.
A conversa começou pela manhã, às 7h19, quando Vorcaro informou ao ministro que tentava antecipar uma negociação envolvendo o Banco Master, que estava em tratativas com o grupo Fictor. O executivo explicou que buscava “assinar e anunciar” ainda naquele dia uma parte do negócio, o que poderia levá-lo a “ir pra lá tentar assinatura dos demais investidores estrangeiros”, uma referência a uma possível viagem.
Na mesma mensagem, ele mencionou que informações relacionadas a um caso sensível começavam a vazar, embora sem detalhes, e afirmou ter sido avisado por interlocutores de que jornalistas já buscavam informações.
Em tom de preocupação, o empresário disse que a divulgação antecipada seria negativa, mas poderia servir como “gancho para entrar no circuito do processo”, informação que, segundo Malu Gaspar, parecia ser uma referência ao inquérito sigiloso contra ele na 10ª Vara Federal de Brasília.
– De um lado, acho que o tema de que falamos começou a dar uma vazada, obviamente sem qualquer detalhe. Mas a turma do BRB me disse que tá tendo um movimento de sacanagem do caso. E que a mesma jornalista de antes estava fazendo perguntas lá – disse Vorcaro.
Segundo os dados extraídos do celular, Moraes respondeu cerca de uma hora depois, às 8h16, utilizando o mesmo método de comunicação adotado por Vorcaro: mensagens escritas no bloco de notas do celular, fotografadas e enviadas como imagens de visualização única, que desaparecem após serem abertas. Por causa desse formato, apenas as mensagens produzidas pelo banqueiro permaneceram armazenadas.
Horas mais tarde, por volta das 17h22, Vorcaro voltou a procurar o ministro. Ele relatou ter feito uma “correria” para tentar salvar a operação de venda do banco, afirmando que anunciaria apenas parte da transação. Pouco depois, perguntou diretamente se havia alguma novidade e se o ministro teria conseguido “bloquear” alguma medida, sem especificar qual.
– Fiz uma correria aqui pra tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação – diz o banqueiro.
– Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear? – pergunta Vorcaro a Moraes em seguida.
Moraes respondeu a mensagem alguns minutos depois, novamente por meio de mensagens temporárias. No início da noite, às 20h04, o banqueiro voltou a pedir atualizações. O ministro respondeu com duas mensagens de visualização única, tendo o último contato sido registrado às 20h48, pouco mais de uma hora antes da prisão.
Na mensagem final, Vorcaro comentou que o anúncio do negócio com investidores havia sido antecipado em relação ao planejamento inicial e sugeriu que a divulgação poderia “inibir” algum movimento, sem esclarecer qual. Também disse que viajaria para se reunir com investidores estrangeiros, o que acabou não acontecendo, já que ele foi preso enquanto se preparava para viajar.
– Foi. Seria melhor na sexta junto com os gringos mas foi o que deu pra fazer dentro da situação – escreveu.
– Acho que pode inibir – prosseguiu Vorcaro.
– Amanhã começam as batidas do [André] Esteves [dono do BTG Pactual]. Tô indo assinar com os investidores de fora e estou online – finalizou.
De acordo com os registros, Moraes não respondeu com nova mensagem, mas reagiu com um emoji de polegar levantado. Naquela noite, por volta das 22h, Daniel Vorcaro foi abordado pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos. A prisão ocorreu em investigação sobre um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
As conversas recuperadas do celular também revelaram outro contato entre os dois um mês antes, em 1° de outubro de 2025, além de registros de telefonemas, embora sem conteúdo preservado. Procurado, Alexandre de Moraes afirmou em nota que não recebeu as mensagens citadas e classificou a informação como uma tentativa de atacar o STF. Já a defesa de Daniel Vorcaro disse que não comentaria.
*Pleno.News Fotos: Reprodução/YouTube Esfera Brasil // Luiz Silveira/STF
E-mails mostram corrida para concluir negócio em SP, enquanto ex-banqueiro se reunia com o Banco Central
Ilustração do Vizcaya Itaim, em São Paulo, onde empresa de Daniel Vorcaro tem imóvel | Foto: Reprodução/Vizcaya Itaim
Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) na caixa de e-mails de Daniel Vorcaro revelam uma tentativa acelerada de vender uma cobertura de luxo ainda em construção em São Paulo por R$ 60 milhões no mesmo dia em que o ex-banqueiro foi preso pela primeira vez, em 17 de novembro.
As conversas ocorrem paralelamente a outros movimentos relevantes de Vorcaro naquele dia, como uma reunião com representantes do Banco Central e a divulgação da suposta compra do Banco Master pela gestora Fictor — operação que investigadores consideram uma possível cortina de fumaça para uma tentativa de fuga do empresário.
O imóvel negociado fica no empreendimento Vizcaya Itaim, na Avenida Horácio Lafer. A cobertura triplex projetada pelo arquiteto João Armentano possui 12 vagas de garagem. O complexo é incorporado, construído e administrado pela Lucio Engenharia e pela Bolsa de Imóveis.
O banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso em Guarulhos (SP) | Foto: Divulgação/Esfera Brasil
Como o prédio ainda estava em construção, a transação exigia a intermediação dessas empresas. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo.
A troca de mensagens começa na sexta-feira anterior, 14 de novembro. Naquela tarde, Regiane Bernardes, da Victorino Imóveis, responsável pela negociação a pedido de Vorcaro, enviou um e-mail à Bolsa de Imóveis para organizar a venda.
Ela solicitou a confirmação da quitação do imóvel, a guia para pagamento do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e encaminhou o CNPJ do comprador. No mesmo e-mail, confirmou o valor da operação: “Informo que o valor da cessão é de R$ 60 milhões”.
Depoimentos de Daniel Vorcaro à PF revelam sua versão sobre imóveis nos EUA, relações políticas e a crise do Banco Master | Foto: Reprodução/Jornal Grande Bahia
Em seguida, ressaltou a urgência da negociação. “Sabemos que o prazo é curto para concluir ainda hoje, mas seguimos confiantes de que, com o alinhamento entre todos, será possível avançar da melhor forma.”
A mensagem foi respondida ainda naquela tarde por Bruno Bianco, que foi advogado-geral da União no governo Jair Bolsonaro e atuava na negociação para representar o comprador, cujo nome não aparece nas conversas.
“Estamos bem avançados na negociação, mas impedidos de seguir pela ausência do termo de quitação”, escreveu. “Peço a gentileza de nos encaminharem o quanto antes.”
Cobertura pertence a uma das principais empresas de Vorcaro
De acordo com os e-mails, o imóvel pertence à Viking, uma das principais empresas de Vorcaro. A companhia ficou conhecida por ser proprietária de três aeronaves utilizadas pelo banqueiro, incluindo o jato que ele pretendia usar para viajar ao exterior naquele 17 de novembro.
Vorcaro havia vendido 55% do controle da Viking para um fundo administrado pela Reag em 17 de setembro — dois meses antes da liquidação do banco. Na mesma operação, ele renunciou ao cargo de administrador e transferiu a função para um ex-despachante de Nova Lima (MG), movimento interpretado como uma tentativa de se distanciar formalmente de seu patrimônio.
Apesar disso, as mensagens agora reveladas mostram que Vorcaro ainda mantinha ligação direta com a empresa em novembro. Ele foi incluído na cópia das trocas de e-mails, e a corretora afirmou ter sido designada por ele para conduzir a negociação.
A Polícia Federal solicitou a transferência de Daniel Vorcaro e de outros investigados para o sistema prisional estadual de SP | Foto: Reprodução/TV Vanguarda
Na manhã de segunda-feira, 17 de novembro, antes das 8h, a representante voltou a cobrar agilidade da Bolsa de Imóveis. “Como houve mudança na administração da Viking e precisamos avançar imediatamente, peço com urgência o link digital para que o novo administrador realize a assinatura do compromisso de venda e compra quitado ainda esta manhã”, escreveu.
Uma advogada da incorporadora respondeu com pedido de paciência e explicou que a Lucio Engenharia, parceira no empreendimento, precisava aprovar todos os documentos. A corretora insistiu novamente: “Estamos aguardando o envio e sabemos que o tempo está bem curto e a operação deve ser concluída ainda hoje.”
Bruno Bianco reforçou a cobrança. “Gostaria de reiterar a urgência do termo de quitação. Isso é premissa para a negociação”, afirmou.
Daniel Vorcaro e sua namorada, Martha Graeff | Foto: Reprodução/Instagram/Martha Graeff
Procurado pela Folha, o ex-advogado-geral da União disse que atuou apenas como advogado de um interessado no imóvel, tendo acesso apenas a informações fornecidas pelas partes ou de natureza pública. Ele afirmou ainda que não tinha conhecimento prévio sobre eventual ação do Banco Central, prisão ou bloqueio de bens.
“Nem Bruno Bianco, nem qualquer outro advogado do país com responsabilidade e ética profissional conduziria ou recomendaria a aquisição de um apartamento cujo domínio estivesse sujeito a indisponibilidade previamente conhecida”, declarou.
A Bolsa de Imóveis informou que não pode comentar transações das quais participa sem autorização expressa das partes ou determinação judicial. Regiane Bernardes foi procurada pelo jornal, mas não respondeu.
Na hora do almoço de 17 de novembro, a corretora voltou a pressionar pelo envio do documento e lembrou que Vorcaro a havia incumbido da negociação.
Às 16h35, o dono do Master confirmou por e-mail que ela tinha acesso completo e autonomia para agir em seu nome. Um minuto antes, porém, a Justiça Federal já havia expedido o mandado de prisão contra ele, segundo informações apresentadas pela defesa em um pedido de habeas corpus.
Mais cedo naquele dia, Vorcaro havia se reunido com diretores do Banco Central e, segundo seus advogados, informou que viajaria aos Emirados Árabes Unidos para assinar o contrato de venda do Banco Master à Fictor e a investidores internacionais. A notícia da negociação foi divulgada à imprensa por volta das 17h.
Executivo da financeira Fictor durante apresentação a investidores | Foto: Divulgação/Fictor
Enquanto isso, a corretora seguia tentando acelerar a venda da cobertura. “Estamos o dia todo no aguardo dos documentos”, escreveu Regina. Quando finalmente recebeu a comprovação de quitação, pediu com urgência o link para assinatura digital do compromisso de compra e venda — que acabou não sendo enviado.
Segundo pessoas próximas à negociação, a venda não foi concluída. Vorcaro foi preso naquela mesma noite, e o Banco Master acabou liquidado pelo Banco Central na manhã seguinte.