Ex-banqueiro disse que pretendia relatar situações que, segundo ele, envolveriam pessoas ligadas ao governo; proposta não mencionou financiamento do filme “Dark Horse” nem outras relações políticas

Foto: reprodução internet

O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou em depoimento prestado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a proposta de colaboração premiada que pretendia apresentar tinha como foco pessoas ligadas ao “núcleo do atual governo”.

O depoimento foi prestado na última semana de agosto a um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, relator do processo relacionado ao caso Banco Master. As informações foram divulgadas inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e posteriormente publicadas pelo blog da jornalista Camila Bomfim, no G1, que teve acesso à íntegra do depoimento.

Segundo Vorcaro, as relações que estabeleceu com integrantes do governo teriam ocorrido, de acordo com sua versão, como uma forma de se proteger diante dos ataques que dizia estar sofrendo.

O banqueiro afirmou ainda que pretendia relatar situações nas quais, em sua avaliação, teriam sido ultrapassados limites que classificou como de “moralidade” e “ilicitude”.

Outros nomes e financiamento de filme não foram mencionados

Apesar de falar sobre uma possível colaboração envolvendo integrantes do atual governo, Vorcaro não mencionou, nesse trecho do depoimento, a intenção de relatar suas relações com outras autoridades políticas.

Também não apareceu na proposta apresentada no depoimento referência à participação do banqueiro no financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia relacionada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A ausência desses assuntos chama atenção porque as relações de Vorcaro com diferentes integrantes dos meios político e institucional também passaram a fazer parte do conjunto de informações relacionadas às investigações sobre o Banco Master.

Vorcaro diz ter sofrido intimidações

Durante o depoimento, o ex-banqueiro também relatou ter sofrido ameaças e intimidações e afirmou que esse contexto teria influenciado sua decisão de buscar uma colaboração com as autoridades.

De acordo com informações divulgadas pelo G1, Vorcaro teria interpretado sua prisão como uma forma de intimidação e afirmou que pessoas que classificou como integrantes do “poder” teriam interesse em mantê-lo preso.

O gabinete do ministro André Mendonça confirmou que o depoimento foi realizado a pedido da defesa de Vorcaro. Segundo o gabinete, os advogados alegaram que o cliente estava sofrendo graves intimidações e solicitaram que ele fosse ouvido com urgência. A oitiva foi conduzida por um juiz auxiliar e considerada um ato processual regular.

PGR pediu arquivamento das denúncias

As declarações de Vorcaro também foram analisadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Na quarta-feira (2), a PGR pediu o arquivamento das denúncias apresentadas pelo banqueiro.

Segundo a Procuradoria, Vorcaro não teria apresentado elementos concretos suficientes para dar andamento a novas providências investigativas. A avaliação da PGR é que as afirmações feitas no depoimento não vieram acompanhadas de elementos capazes de conferir sustentação às acusações.

O caso Banco Master continua sendo investigado, e eventuais informações apresentadas por Vorcaro ainda dependem de análise e comprovação pelas autoridades responsáveis.

Fonte: G1, blog da jornalista Camila Bomfim, com informações do depoimento de Daniel Vorcaro e do jornal O Estado de S. Paulo.

Texto reescrito e adaptado para o Rotativo News, sem reprodução do conteúdo original.

Comente pelo facebook:
Comente pelo Blog: