A Polícia Federal encaminhou ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), um relatório que detalha a relação entre o ministro Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, no âmbito da investigação sobre o Banco Master. O documento também abre espaço para a análise de registros que mencionam o ministro Alexandre de Moraes.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, comunicou a Fachin que conversas extraídas do celular de Vorcaro, controlador do Master, trazem referências frequentes a Moraes, incluindo diálogos sobre pagamentos que indicariam proximidade entre o ministro e o empresário. As informações são do jornal O Globo.
Em dezembro, veio a público que Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado, firmou contrato com o banco prevendo repasses de R$ 130 milhões ao longo de três anos para atuação junto a órgãos dos três Poderes. Até o momento, não foram identificadas evidências de serviços compatíveis com o valor estipulado, e nem ela nem Moraes detalharam o acordo.
O relatório envolvendo Moraes ainda não foi oficialmente encaminhado a Fachin. Havia a avaliação de que, se o material permanecesse sob a relatoria de Toffoli – que anteriormente conduzia o caso e proferiu decisões divergentes da linha defendida pela PF – poderia haver arquivamento.
Com a saída de Toffoli do caso, o processo foi redistribuído por sorteio ao ministro André Mendonça, alterando o cenário no tribunal e ampliando a pressão sobre os investigados.
A Polícia Científica já iniciou a realização de novos exames periciais no corpo do animal
Foto: Reprodução / Redes Sociais
O caso da morte do cão comunitário Orelha ganhou um novo desdobramento em Santa Catarina. A Justiça autorizou a exumação do animal, atendendo a uma solicitação do Ministério Público estadual para aprofundar a investigação sobre as circunstâncias da agressão ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis.
A Polícia Científica já iniciou a realização de novos exames periciais no corpo do animal. A medida busca esclarecer pontos que, segundo o MP, ainda precisam de análise técnica complementar.
Paralelamente, o Ministério Público abriu um procedimento para avaliar a atuação do delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, na condução do caso. A 40ª Promotoria de Justiça informou que recebeu representações questionando a condução da investigação e vai analisar se há necessidade de medidas judiciais.
Em nota, a Polícia Civil e a Polícia Científica afirmaram que estão cumprindo as determinações judiciais e reforçaram que o objetivo é reunir provas suficientes para o encaminhamento do caso à Justiça, tanto em relação à morte de Orelha quanto às apurações sobre maus-tratos ao cão Caramelo.
O tribunal estabeleceu um prazo de 60 dias para que o BB apresente medidas que garantam a transparência do contrato
O banco afirmou que prestará informações complementares nos autos do processo assim que receber a notificação oficial | Foto: Reprodução/Redes sociais
O Tribunal de Contas da União (TCU) analisou uma licitação de publicidade do Banco do Brasil e encontrou problemas relevantes no contrato, que alcançou R$ 750 milhões no ano passado.
Nesta quarta-feira 11, a Corte de Contas destacou que os critérios usados para definir o valor careciam de transparência e que a despesa não tinha justificativas detalhadas.
Ao analisar o caso, os ministros do TCU advertiram que a ausência de clareza sobre a aplicação dos recursos em campanhas de publicidade compromete os princípios de transparência, motivação e planejamento.
Os ministros afirmam que “a ausência de detalhamento da quantificação dos recursos aplicados em campanha de publicidade e propaganda, em desacordo com os princípios da transparência, da motivação e do planejamento, representa grave falha de planejamento, que eleva o risco de dano ao Erário por sobrepreço ou superfaturamento na execução contratual”.
Determinações do TCU e abrangência da fiscalização
O tribunal estabeleceu um prazo de 60 dias para que o Banco do Brasil apresente medidas que garantam a execução transparente do contrato.
Além disso, determinou o acompanhamento contínuo dos contratos de publicidade não só do banco, mas também da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Caixa Econômica Federal e Correios.
A apuração teve início depois de questionamentos feitos pelos deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO), que levantaram dúvidas sobre os critérios utilizados em contratos do governo Lula para publicidade, totalizando R$ 3,5 bilhões.
Entre os valores mencionados, além do Banco do Brasil, destacam-se R$ 562,5 milhões para a Secom, R$ 468,1 milhões para a Caixa Econômica Federal e R$ 380 milhões para os Correios.
O que diz o Banco do Brasil
O Banco do Brasil, por meio de sua assessoria, informou que ainda não recebeu notificação oficial sobre a decisão do TCU.
Em nota ao jornal Folha de S.Paulo, a instituição declarou que ‘os valores a serem executados estão em consonância com as limitações impostas pelo art. 93 da Lei n. 13.303/16″.
O banco afirmou que prestará informações complementares nos autos do processo assim que receber a notificação oficial.
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deixou nesta quinta-feira (12) a relatoria de investigações relativas ao Banco Master. A decisão, após reunião dos ministros da Corte, ocorre na esteira dos avanços da investigação da Polícia Federal sobre o caso. Em nota, o STF informou que o ministro – “considerados os altos interesses institucionais” – pediu que o tema fosse redistribuído para outro ministro relatar o caso.
No texto, os ministros do tribunal afirmaram “não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição”, que reconhecem “a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli” e que expressam “apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento”.
Relatório dos investigadores enviado ao Supremo na última segunda-feira (9) trouxe menções sobre o magistrado, a partir de dados do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, informou aos colegas sobre os achados da PF na reunião.
Em nota divulgada nesta quinta-feira, Toffoli esclareceu sua participação societária na empresa Maridt. Também negou relação pessoal ou financeira com o banqueiro Daniel Vorcaro.
O ministro admitiu que integra o quadro societário da empresa, mas que a administração é feita por parentes. A nota afirmava ainda que essa condição é permitida pela Lei Orgânica da Magistratura (Loman), que veda apenas que magistrados exerçam atos de gestão.
As apurações sobre irregularidades na gestão do Banco Master chegaram em dezembro do ano passado ao Supremo Tribunal Federal. Na ocasião, Toffoli decidiu que o caso tramitaria na Suprema Corte.
A apuração inicial tramitava na Justiça Federal em Brasília e envolvia a operação de compra do banco pelo BRB. No âmbito deste caso, Toffoli determinou depoimentos e acareação no penúltimo dia do ano. Em janeiro, autorizou a prorrogação das investigações. Também em janeiro, o ministro autorizou uma operação da Polícia Federal que em outra frente de investigações – desta vez, sobre um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e incluiu buscas em endereços ligados ao controlador da instituição, Daniel Vorcaro, e a familiares, como o pai, a irmã e o cunhado.
Após ter relações com o empresário Daniel Vorcaro expostas, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a ter sua vida revirada pela imprensa. Uma reportagem do Metrópoles mostra que ele, a filha Pietra Ortega Toffoli e a ex-mulher Roberta Rangel reúnem imóveis no Distrito Federal avaliados em cerca de R$ 26 milhões.
Segundo a publicação, a compra mais recente atribuída à família foi feita em fevereiro deste ano. Pietra, de 25 anos, teria adquirido um apartamento de 154 metros quadrados no Setor Noroeste por R$ 2,5 milhões, sem indicação de financiamento na escritura.
Ainda de acordo com a reportagem, o imóvel mais recente em nome do próprio ministro é um apartamento de 47 m², também no Noroeste. A propriedade teria sido comprada em abril de 2024 e foi avaliada por corretores em cerca de R$ 600 mil, embora o valor declarado na escritura tenha sido de R$ 183 mil.
O texto diz que, no ato da compra, os antigos proprietários teriam cedido o direito de “usufruto vitalício” a uma mulher de 50 anos, identificada no documento como empregada doméstica.
A matéria também afirma que, em maio de 2022, Toffoli comprou uma quitinete de 31 m² no Lago Norte. O valor declarado teria sido de R$ 79,5 mil, embora, na época, o imóvel fosse avaliado entre R$ 240 mil e R$ 250 mil.
Hoje, segundo corretores ouvidos pela reportagem, a mesma quitinete seria avaliada em torno de R$ 350 mil. O documento, conforme a publicação, transfere o “usufruto vitalício” a outra mulher, de 54 anos, também descrita como empregada doméstica.
A reportagem relata ainda que essa mulher informou como um de seus endereços anteriores uma casa de 451 m² no Lago Norte, com dois andares e piscina, que atualmente estaria em nome de Pietra.
O imóvel, segundo o texto, foi comprado por Toffoli em 2006 por R$ 700 mil. Em 2023, ele teria transferido a propriedade para a filha, declarando o valor de R$ 2,3 milhões.
Corretores especializados, porém, teriam informado que uma casa com metragem semelhante na mesma quadra não sai por menos de R$ 4,2 milhões.
No levantamento do Metrópoles, Roberta Rangel também aparece como proprietária de imóveis no DF. Um deles seria um apartamento de 83 m² no Setor Noroeste, comprado à vista em outubro de 2023.
Na época, o valor declarado na escritura teria sido de R$ 669 mil. Hoje, um imóvel semelhante no mesmo prédio seria anunciado por R$ 1,25 milhão, segundo a reportagem.
O texto afirma ainda que, em dezembro passado, após o fim do relacionamento com Toffoli, Roberta comprou uma cobertura de 259 m² na Asa Norte. Um imóvel no mesmo prédio, de alto padrão, estaria anunciado por R$ 4,1 milhões.
A reportagem também aponta que o escritório Rangel Advogados, que já teve Toffoli como sócio, possui imóveis em Brasília. Um deles seria um terreno de 1.875 m² no Lago Norte, comprado em dezembro de 2009 por R$ 1 milhão e avaliado hoje em pelo menos R$ 7 milhões.
A publicação descreve que o local é conhecido no mercado como “ponta de picolé”, por ficar no fim da rua e ter acesso direto ao Lago Paranoá. O terreno estaria vazio e tomado pelo mato. Segundo o texto, um vizinho afirmou que o terreno seria “da sogra do Toffoli”.
O escritório também comprou, em agosto de 2009, um conjunto de salas que somam 295 m² em um prédio ao lado dos tribunais superiores. Esse imóvel estaria avaliado em pelo menos R$ 4,4 milhões.
Procurado por meio da assessoria, Toffoli afirmou que “todas as receitas e patrimônios do ministro estão devidamente declarados e aprovados em suas declarações anuais à Receita Federal do Brasil”.
Vale lembrar que nesta quinta-feira (12), Toffoli também admitiu, em nota, ser sócio de dois irmãos em uma empresa chamada Maridt Participações S.A., que teria sido dona de 17% do Tayayá Resort até março deste ano.
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse a interlocutores que recebeu valores da empresa Maridt, que integrou o quadro de proprietários do Tayayá Resort, por ser sócio do negócio ao lado de familiares. A explicação surgiu após a Polícia Federal (PF) passar a investigar repasses financeiros ligadas ao caso.
Segundo Toffoli, a Maridt é uma empresa familiar da qual ele participa há anos. O nome dele não aparece em registros públicos porque a companhia é uma sociedade anônima em um modelo no qual a lista de acionistas não é divulgada. Apenas dois irmãos do ministro figuram formalmente como administradores.
A empresa possuía 33% do Tayayá Resort e vendeu sua participação em 2021 ao fundo Arleen, ligado à estrutura financeira associada ao Banco Master. De acordo com o magistrado, os valores recebidos decorrem dessa operação e foram lícitos, declarados à Receita Federal e com origem e destino rastreáveis.
Toffoli também afirmou que, posteriormente, o próprio fundo teria revendido as ações do resort a terceiros, obtendo lucro. O ministro ressaltou ainda que, no exercício de sua função no Supremo, deferiu pedidos da Polícia Federal em investigações relacionadas ao Banco Master, incluindo medidas como buscas e apreensões.
SOBRE OS REPASSES Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mencionam supostos pagamentos ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação, que consta em perícia concluída nesta quarta-feira (11), foi divulgada pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil.
De acordo com apuração da CNN Brasil, autoridades públicas aparecem citadas em conversas extraídas dos aparelhos do banqueiro. Em alguns trechos, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que também é investigado, faz referência a transferências de valores que estariam relacionadas ao magistrado.
Investigadores relataram à CNN que o próprio Toffoli também teria feito menções a pagamentos, mas de forma cifrada. A linha de apuração da PF busca esclarecer se eventuais repasses teriam origem em uma empresa que foi sócia de um fundo ligado ao Banco Master no resort Tayayá, empreendimento frequentado pelo ministro e que pertenceu a seus irmãos.
O gabinete de Dias Toffoli se manifestou e afirmou que o pedido de suspeição do ministro, formulado no contexto das investigações sobre o banco, se baseia em “ilações” e não possui respaldo jurídico. Segundo a nota, a Polícia Federal não teria legitimidade para requerer a medida por não ser parte no processo, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil.
A defesa de Daniel Vorcaro também se pronunciou e demonstrou preocupação com o que classificou como vazamentos seletivos de informações. Em nota, os advogados afirmam que a divulgação de trechos das investigações gera “constrangimentos indevidos”, favorece “a construção de narrativas equivocadas” e prejudica o direito de defesa.
– A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no regular funcionamento da Justiça, destacando que o esclarecimento completo das questões em análise depende de apuração técnica, equilibrada e conduzida com respeito às garantias fundamentais – dizem os advogados de Vorcaro.
Confira, na íntegra, a nota emitida pelo ministro sobre o caso na manhã desta quinta-feira (12):
A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.
O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.
A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.
Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição.
A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro.
Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.
*Pleno.News Fotos: Nelson Jr./SCO/STF // Divulgação/Tayayá (site)
Gabinete do magistrado afirmou que pedido de suspeição do ministro se baseia em “ilações”
Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal Foto: Gustavo Moreno/STF
Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mencionam supostos pagamentos ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação, que consta em perícia concluída nesta quarta-feira (11), foi divulgada pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil.
De acordo com apuração da CNN Brasil, autoridades públicas aparecem citadas em conversas extraídas dos aparelhos do banqueiro. Em alguns trechos, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que também é investigado, faz referência a transferências de valores que estariam relacionadas ao magistrado.
Investigadores relataram à CNN que o próprio Toffoli também teria feito menções a pagamentos, mas de forma cifrada. A linha de apuração da PF busca esclarecer se eventuais repasses teriam origem em uma empresa que foi sócia de um fundo ligado ao Banco Master no resort Tayayá, empreendimento frequentado pelo ministro e que pertenceu a seus irmãos.
O gabinete de Dias Toffoli se manifestou e afirmou que o pedido de suspeição do ministro, formulado no contexto das investigações sobre o banco, se baseia em “ilações” e não possui respaldo jurídico. Segundo a nota, a Polícia Federal não teria legitimidade para requerer a medida por não ser parte no processo, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil.
A defesa de Daniel Vorcaro também se pronunciou e demonstrou preocupação com o que classificou como vazamentos seletivos de informações. Em nota, os advogados afirmam que a divulgação de trechos das investigações gera “constrangimentos indevidos”, favorece “a construção de narrativas equivocadas” e prejudica o direito de defesa.
– A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no regular funcionamento da Justiça, destacando que o esclarecimento completo das questões em análise depende de apuração técnica, equilibrada e conduzida com respeito às garantias fundamentais – dizem os advogados de Vorcaro.
Investigação aponta vendas fictícias, uso indevido de dados e prejuízo milionário aos cofres públicos
Segundo apuração, investigados simulavam a venda de medicamentos que nunca chegavam aos pacientes | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Uma operação conjunta da Polícia Federal (PF), da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal revelou um esquema de fraudes milionárias no programa Farmácia Popular, uma das principais políticas públicas de acesso a medicamentos no país. A ação mobilizou equipes em diversos Estados e mirou empresas e pessoas suspeitas de integrar uma rede estruturada para desviar recursos federais.
Batizada de “Over the Counter/Sem prescrição”, a ofensiva cumpriu mandados de busca e apreensão e resultou no bloqueio de bens de investigados. A suspeita é de que o grupo tenha provocado prejuízo que pode chegar a R$ 30 milhões aos cofres públicos, por meio de mecanismos considerados sofisticados de fraude.
PF: vendas fictícias e uso indevido de dados
Segundo as investigações, o esquema funcionava com a simulação de vendas de medicamentos que nunca chegaram aos pacientes. Farmácias credenciadas ao programa registrariam transações fictícias para obter reembolsos do governo federal. Para dar aparência de legalidade às operações, os suspeitos teriam usado nomes e CPFs de terceiros sem autorização.
Em alguns casos, o grupo comprava CNPJs de estabelecimentos já habilitados no sistema e transferia a titularidade para pessoas exploradas como “laranjas”. A partir daí, eram lançadas vendas inexistentes no sistema do programa, o que garantia o recebimento indevido de valores públicos.
A investigação começou após denúncias de cidadãos que identificaram o uso irregular de seus dados pessoais em compras de medicamentos que nunca fizeram. Esse tipo de prática levantou suspeitas sobre a dimensão do esquema e acelerou a atuação das autoridades.
As diligências ocorreram simultaneamente em diferentes regiões do país, com cumprimento de ordens judiciais em cidades de pelo menos quatro Estados. Além das buscas, houve bloqueio de bens e valores vinculados aos investigados, medida considerada essencial para evitar a dissipação do patrimônio.
O programa Farmácia Popular opera com base no ressarcimento a farmácias credenciadas, depois da confirmação da venda de medicamentos. É justamente esse modelo que teria sido explorado pelo grupo, que registrava operações falsas para receber pagamentos do governo.
A atuação integrada entre PF, CGU e Receita Federal busca não apenas responsabilizar os envolvidos, mas também reforçar o controle sobre o sistema. O objetivo é evitar novas fraudes e proteger recursos destinados ao atendimento da população que depende de medicamentos subsidiados ou gratuitos.
A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (11) indicou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é desaprovado por 49% dos brasileiros e aprovado por 45% da população, enquanto 6% dos entrevistados não souberam responder. Os números fazem parte de um levantamento realizado entre os dias 5 e 9 de fevereiro.
A desaprovação manteve o resultado numérico apresentado na rodada anterior da pesquisa, divulgada em janeiro. Já a aprovação oscilou dois pontos percentuais para baixo.
Segundo a pesquisa, 39% dos brasileiros avaliam o governo Lula como negativo. Outros 33% acham a gestão federal positiva. Para 26%, a administração é regular, enquanto 2% não responderam. Em relação ao levantamento anterior, todos os índices oscilaram dentro da margem de erro.
A Genial/Quaest entrevistou 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais entre os dias 5 e 9 de fevereiro. A margem de erro é de dois pontos porcentuais e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00249/2026.
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (10) o projeto de lei que cria a Universidade Federal do Esporte (UFEsporte), com sede em Brasília, para atuar na área do conhecimento relativa à ciência do esporte. A proposta será enviada ao Senado.
O texto aprovado em plenário é um substitutivo do relator, deputado Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF). Ele retirou do texto expressões como misoginia, racismo e gênero no trecho sobre as finalidades da nova universidade ligadas ao enfrentamento dessas questões no esporte.
Pela proposta, fica permitida a abertura futura de campi em outros estados.
O estatuto da nova autarquia definirá sua estrutura organizacional e forma de funcionamento, observado o princípio de não separação das atividades de ensino, pesquisa e extensão. A instituição poderá utilizar formas alternativas de ingresso, estratégias de atendimento e fomento, respeitadas as normas de inclusão e de cotas.
“A criação da UFEsporte se justifica pelo fato de o Brasil carecer de profissionais qualificados nas áreas de gestão, ciência do esporte e políticas públicas, situação que contrasta com a reconhecida capacidade do país em descobrir grandes talentos esportivos”, destacou o relator, ao ler seu voto em plenário.
Além de outros bens, legados e direitos doados, a UFEsporte contará com bens móveis e imóveis da União que o projeto permite doar para a instituição começar a funcionar administrativamente. A autarquia contará ainda com receitas eventuais, a título de remuneração por serviços prestados compatíveis com sua finalidade; e de convênios, acordos e contratos celebrados com entidades e organismos nacionais e internacionais.
Parte da receita de apostas em bets também poderá ser direcionada pelo Ministério do Esporte.
Segundo o que prevê o projeto, caberá ao governo federal nomear o reitor e o vice-reitor com mandato temporário até que a universidade seja organizada na forma de seu estatuto. Caberá ao reitor temporário estabelecer as condições para a escolha do reitor de acordo com a legislação.
Dentro de 180 dias da nomeação do reitor e vice-reitor temporários, a instituição enviará ao Ministério da Educação propostas de estatuto e regimento geral.
“A oferta pública e gratuita de cursos de tecnólogos, graduação e pós-graduação, com abrangência em todas as regiões do país, enfocando a qualidade da formação de novos profissionais e assegurando condições de acesso e permanência a atletas estudantes, parece-nos bastante positiva e tende a suprir uma carência histórica dos profissionais do setor”, continuou o deputado Julio César Ribeiro, em seu voto.
Após autorização de lei orçamentária, a instituição poderá organizar concurso público de provas e de títulos para o ingresso na carreira de professor do magistério superior e na carreira de técnico-administrativo.
Para o líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), a criação da universidade é muito mais uma demanda da sociedade do que iniciativa do governo.
“Isso vem sendo discutido há muito tempo. Todos os esportistas brasileiros pedem que essa universidade exista, inclusive como formadora de atletas e de diretrizes para o esporte brasileiro nas suas variadas modalidades”, disse.
Contrário à proposta, o deputado Alberto Fraga (PL-DF), vice-líder da oposição, afirmou que o projeto é “eleitoreiro e populista”.
“O governo anuncia a criação sem colocar um centavo no Orçamento. É marketing puro, é uma promessa vazia que gera manchete hoje e será esquecida amanhã”, disse.
A deputada Julia Zanatta (PL-SC) criticou o fato de o governo criar universidades sem conseguir manter as instituições de ensino já existentes.