Com a antecipação da aplicação da segunda dose travada em ao menos seis estados do país, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, comemorou a logística de distribuição do governo federal e disse que há “excesso de vacinas” no país.
Além dos estados que não têm imunizante para antecipar a segunda dose, há ainda aqueles que tiveram de atrasar o intervalo entre aplicações por falta de vacina. Ainda assim, Queiroga negou nesta quarta (15) que haja problemas de distribuição.
“Há excesso de vacina na realidade, o Brasil já distribuiu 260 milhões de doses, 210 milhões já aplicadas”, disse o ministro, sem explicar por que há unidades da Federação sem doses disponíveis para seguir o calendário vacinal.
Queiroga esteve no Aeroporto Internacional de Guarulhos na manhã desta quarta para um evento de entrega de novo lote de vacinas da Pfizer que serão enviadas aos estados. Questionado sobre os problemas enfrentados em algumas regiões do país, ele negou que haja problema de entrega da AstraZeneca.
“Precisa acabar com essas narrativas de falta de vacina. Isso não é procedente, o Brasil vai muito bem. O Brasil já é dos países que mais vacinam no mundo”, disse Queiroga.
Com o lote que chegou nesta quarta, o ministro comemorou ter concluído a entrega de 260 milhões de doses aos estados, o que garante, segundo a pasta, a vacinação de todos os brasileiros acima de 18 anos. A entrega ocorre quase nove meses após o início da vacinação no país.
Ainda assim, o ministro afirmou que a velocidade de entrega do país é um sucesso. Ele também elogiou o trabalho de seu antecessor, Eduardo Pazzuelo, por ter firmado a maior parte dos contratos de compra de vacina.
Apesar de ter dito que há “excesso de vacina” no Brasil, Queiroga diz que estados que não seguirem o Plano Nacional de Imunização, ou seja anteciparem a aplicação em alguns grupos, poderão ter dificuldade de seguir o cronograma vacinal.
Ainda que tenha negado o problema de entrega, Queiroga disse que, se houver “eventual carência” de AstraZeneca para a segunda aplicação, os estados podem recorrer à utilização da Pfizer. Secretários de Saude já tomaram essa decisão e pediram para que o Ministério da Saúde apoiasse tecnicamente a combinação de vacinas, o que não foi feito até agora.
“Se não houver AstraZeneca, a intercambialidade [de vacinas] pode ocorrer, ainda que não haja recomendação do PNI, que acontecerá no momento adequado”, disse o ministro. Estudos mostram que não há problemas em misturar imunizantes.
Ele ainda admitiu que pode “haver algum retardo” na entrega de Astrazeneca por seguir a regulação da Anvisa.
“Nós obedecemos a regulação, não damos carteirada na Anvisa. As vacinas com o IFA nacional ainda precisam da validação da Anvisa. Mas, enquanto isso, as vacinas são produzidas na Fiocruz com o IFA originário da China. Em algum momento, pode haver algum retardo. Mas com a Pfizer, ainda vamos receber 150 milhões de doses até o fim do ano.”
Ao menos seis estados descartaram antecipar a segunda aplicação da vacina a partir desta quarta, por falta de doses. São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo e Rio Grande do Norte afirmaram à reportagem que a medida é inviável enquanto não receberem mais imunizantes do governo federal, especialmente da AstraZeneca.
A Secretaria do Tesouro Nacional informou, hoje (15), que 12 estados e o Distrito Federal apresentaram redução real na despesa de pessoal em 2020. Ainda assim, o total desses gastos teve aumento de 3,4%, ou R$ 14,9 bilhões, de 2019 para 2020. As informações são do Boletim de Finanças dos Entes Subnacionais de 2020.
De acordo com o órgão, apesar do aumento dos gastos com pessoal, houve uma redução no ritmo em comparação ao 5,2% (R$ 21,7 bilhões) de crescimento de 2018 para 2019. O resultado também é menor do que a inflação do período, que fechou em alta de 4,52%.
A desaceleração se deve, segundo o Tesouro Nacional, às restrições de atos que provoquem aumento da despesa com pessoal até o fim de 2021, instituídas na Lei Complementar nº 173, de 2020. A medida foi adotada em contrapartida à ajuda financeira do governo federal a estados, municípios e o Distrito Federal para o combate aos efeitos da pandemia da covid-19.
Para o órgão, a reforma da Previdência também impactou no ritmo de crescimento das despesas, já que adiou parte das aposentadorias.
O Tesouro alerta que, como os efeitos dessas restrições terminam ao final deste ano, haverá maior liberdade dos entes federativos em aumentar seus gastos com pessoal, gerando incertezas quanto à trajetória de redução dos gastos.
“Visto que o resultado fiscal subnacional fora positivo em 2020 e a tendência positiva permanece em 2021, o acúmulo de recursos nesses anos poderá ser revertido em aumento estrutural de gasto com pessoal, o que poderá agravar a situação fiscal de alguns estados. Portanto, apesar da leve inflexão na trajetória de gastos com pessoal, ainda é incerta a sua manutenção para os próximos anos”, diz o boletim.
Observando a despesa primária total empenhada, entre pessoal e outros gastos correntes, o aumento do gasto em 2020, no valor de R$ 39,4 bilhões, foi superior ao aumento de R$ 33,4 bilhões do ano anterior.
No ano passado, houve melhora do resultado primário agregado dos estados, na ótica das despesas empenhadas, e constatou-se um superávit de R$ 53,2 bilhões frente um superávit de R$ 33,4 bilhões em 2019. O resultado se deve a um crescimento de 6,8% (R$ 59,2 bilhões) das receitas primárias comparado ao crescimento de 4,7% (R$ 39,4 bilhões) das despesas primárias.
Variação real Um dos estados que conseguiu reduzir o gasto real com pessoal foi Goiás, com queda de 7,9% se comparadas a 2019. O Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Sergipe, Maranhão, Distrito Federal, Mato Grosso, Ceará, Bahia, Pernambuco, Paraná e Piauí também registraram reduções.
Por outro lado, Alagoas e Paraíba apresentaram aumentos de 10,1% e 9,6%, respectivamente, comparados a 2019. No caso de Alagoas, a explicação é, segundo o Tesouro, pela contratação de servidores de concursos homologados antes da pandemia e a regularização de despesas com pessoal dentro do próprio exercício.
Na Paraíba, por sua vez, houve a extinção de contratos com organizações sociais que prestavam serviços terceirizados e o pessoal foi contratado pelo governo do estado. Com isso, houve o deslocamento de parte das despesas anteriormente registradas em “outras despesas correntes”, que reduziram 11,9% em 2020 comparadas a 2019, para a despesa com pessoal.
Limites A Lei de Responsabilidade Fiscal determina que os estados, municípios e o Distrito Federal não podem comprometer mais de 60% das receitas com despesas de pessoal. O Programa de Reestruturação e Ajuste Fiscal (PAF) utiliza um limite mais restritivo, de 57%, como uma das metas a serem adotadas pelos entes signatários.
A apuração dos dados ajustados pelo Tesouro aponta os estados que estariam descumprindo o limite de 57%, mesmo que os dados oficiais divulgados pelos entes não indiquem o descumprimento. De acordo com os dados, somente Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piauí e Rondônia conseguiriam respeitar esse limite.
“Além disso, é possível que esse excesso de gastos com pessoal não captado pelos demonstrativos oficiais estaduais seja parte relevante dos motivos da crise fiscal vivenciada por alguns estados nos últimos anos”, diz o boletim.
Capacidade de pagamento O Boletim de Finanças dos Entes Subnacionais é divulgado anualmente desde 2016 e traz dados e análises sobre as principais informações fiscais dos estados, municípios e o Distrito Federal, bem como as notas para a Capacidade de Pagamento (Capag) dos entes.
De acordo com a simulação da análise da capacidade de pagamento, 20 estados possuem nota A ou B, que permitiriam a esses entes receber garantia da União para novos empréstimos. O número de estados que estariam elegíveis, portanto, aumentou em relação a 2020, com a melhora da nota de 11 entes: Bahia, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Roraima, Santa Catarina e Sergipe.
A análise apura a situação fiscal dos entes, com base na relação entre receitas e despesas e a situação de caixa. O objetivo é apurar se um novo endividamento representa risco de crédito para o Tesouro Nacional.
A Bahia registrou 471 novos casos de Covid-19 e 12 mortes pela doença em 24 horas, segundo o boletim divulgado nesta terça-feira (15) pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab).
No total, o estado acumula 1.227.412 infecções confirmadas desde o início da pandemia, com 26.689 óbitos pela doença.
A taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes adultos com coronavírus está em 29%.
Nesta quarta-feira (15), Feira de Santana registrou 35 casos positivos da Covid-19 e manteve a marca de 46.350 curados da doença, índice que representa 92,7% dos casos confirmados. Enquanto isso, mais 176 exames foram negativos.
Os resultados positivos de hoje são em relação a liberação dos exames acumulados que haviam realizado coleta entre os dias 11 e 13 de setembro que estavam aguardando resultado do laboratório. O boletim epidemiológico contabiliza ainda 33 pacientes internados no município. O informativo também confirma mais duas mortes, ocorridas em 08 e 14 de agosto. As informações são da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde.
Relatório sobre Covid-19 em Feira de Santana NÚMEROS DESTA QUARTA-FEIRA 15 de setembro de 2021
Casos confirmados no dia: 35 Pacientes recuperados no dia: 0 Resultados negativos no dia: 176 Total de pacientes hospitalizados no município: 33 Óbitos comunicados no dia: 2 Datas dos óbitos: 08/08/2021 e 14/08/2021
NÚMEROS TOTAIS
Total de pacientes ativos: 144 (Dados da Sesab) Total de casos confirmados no município: 49.968 (Período de 06 de março de 2020 a 15 de setembro 2021) Total de pacientes em isolamento domiciliar: 2.602 Total de recuperados no município: 46.350 Total de exames negativos: 71.139 (Período de 06 de março de 2020 a 15 de setembro de 2021) Aguardando resultado do exame: 158 Total de óbitos: 983
INFORMAÇÕES TESTES RÁPIDOS
Total de testes rápidos realizados: 25.222 (Período de 06 de março de 2020 a 15 de setembro de 2021) Resultado positivo: 4.883 (Período de 06 de março de 2020 a 15 de setembro de 2021) Em isolamento domiciliar: 0 Resultado negativo: 20.339 (Período de 06 de março de 2020 a 15 de setembro de 2021)
O teste rápido isoladamente não confirma nem exclui completamente o diagnóstico para Covid-19, devendo ser usado como um teste para auxílio diagnóstico, conforme a nota técnica COE Saúde Nº 54 de 08 de abril de 2020 (atualizada em 04/06/20).
São 18 grandes obras anunciadas nas últimas duas semanas
Feira de Santana vai ganhar um Complexo Educacional com o conceito de escola de tempo integral e matriz curricular inovadora, além de mais seis escolas que passarão por grandes reformas. O prefeito Colbert Filho vai apresentar os novos serviços no setor educacional durante visita à na Escola Municipal Maria Antônia da Costa, nesta quinta-feira, 16, às 8h30min. Ele estará acompanhado da secretária de Educação, professora Anaci Paim, e de outros membros da gestão municipal.
A Escola Municipal Maria Antônia da Costa está localizada na rua Rio Madeira, 171, no bairro Santa Mônica. Com as escolas incluídas esta semana, a Secretaria Municipal de Educação chega ao número de 18 grandes obras anunciadas nas últimas duas semanas.
O anúncio incrementa a programação do aniversário de emancipação política de Feira de Santana que transcorre neste sábado, 18. A Princesa do Sertão completa 188 anos em pleno desenvolvimento. Além das reformas de grande porte, 20 novas escolas estão em construção.
Projeto EDUCA
Durante a programação desta quinta-feira, ocorrerá também a entrega simbólica do material didático do projeto EDUCA – Educação para Mobilidade Consciente para um grupo de estudantes da Escola Maria Antonia da Costa.
O programa EDUCA é uma iniciativa do Observatório Nacional de Segurança Viária, ONSV, que tem o objetivo de levar a educação no trânsito como tema transversal para os estudantes do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental.
Inicialmente o programa de educação no trânsito será implementado em seis escolas municipais, contemplando aproximadamente 3 mil estudantes
A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados aprovou hoje (15) a convocação do ministro da Educação, Milton Ribeiro, para dar explicações sobre a criação de dez Institutos Federais de Ensino Superior (Ifes) e a atuação recente do governo na indicação dos reitores.
“Os reitores passaram a ser indicados pelo governo, num verdadeiro desmonte na autonomia universitária. O presidente Jair Bolsonaro já nomeou vários reitores, mesmo não sendo os mais votados nas eleições internas das universidades e Ifes, rompendo uma tradição em vigor desde final dos anos 90”, justificou o deputado Elias Vaz (PSB-GO), que apresentou o requerimento aprovado pelo colegiado.
Para o deputado, a criação dos Ifes precisa ser melhor debatida, uma vez que os institutos federais vêm sofrendo com o corte no Orçamento, que já chegou a 20%, e a criação de cada novo instituto pode gerar custos em torno de R$ 8 milhões/ano.
O requerimento também foi subscrito pelos deputados Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), Leo de Brito (PT-AC) e Hildo Rocha (MDB-MA).
Com a aprovação, o ministro terá até 30 dias para comparecer no colegiado, após receber o ofício de convocação. Diferentemente da modalidade de convite, que pode ser recusada sem que, por isso, haja qualquer sanção; a convocação é obrigatória. Caso não compareça, o ministro poderá responder por crime de responsabilidade.
O padre Lázaro Muniz celebra missa na paróquia Santa Cruz, em Salvador (BA) Imagem: Aurelio Nunes/UOL
São 7h no bairro Engenho Velho da Federação, em Salvador. Escondida pelos fios, ladeada por uma pilha de lixo depositado na calçada, a igreja da Paróquia Santa Cruz quase passa despercebida no vaivém de carros na ladeira da avenida Apolinário Santana. No interior do templo, um grupo de pouco mais de 50 fiéis se reúne. São quase todos negros — em contraste com as imagens das esculturas do altar e dos painéis que decoram uma das paredes, santidades brancas, de cabelos castanhos e olhos claros.
A paróquia Santa Cruz, em Salvador (BA)Imagem: Aurelio Nunes/UOLA paróquia Santa Cruz, em Salvador (BA)Imagem: Aurelio Nunes/UOL
Duas horas depois, estamos no bairro Federação. Apartada do burburinho da avenida Cardeal da Silva por um recuo de 100 metros e por um corredor de árvores frondosas está a Capela Nossa Senhora da Piedade. Colossal para uma capela, foi construída em 1874 para ser a igreja oficial do Cemitério do Campo Santo. A lembrança dos mortos está por toda parte — nos jazigos construídos em seu entorno e nas pedras do piso que estampam os nomes daqueles que tiveram seus restos mortais ali sepultados. É para celebrar a memória de seus antepassados que os pouco mais de 40 fiéis, brancos em sua maioria, estão ali presentes.
Uma vez por semana, o padre Lázaro Silva Muniz, 55, sai de uma região com os piores índices de homicídios de Salvador e vai a outra, a 3 km de distância, que abriga uma classe média alta e o maior campus da UFBA. O papel de mediação entre as duas faces da mesma cidade foi iniciado há menos de 10 anos. Em 2012, ao assumir a paróquia da Catedral Basílica de Salvador, Lázaro herdou, por tabela, a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Centro Histórico. Ali, acolheu como nenhum de seus antecessores os fiéis de dupla pertença — adeptos de mais de uma religião.
Chamou os representantes dos terreiros para um encontro. Queria entender por que encomendavam tantas missas no Rosário dos Pretos. Não recebeu reivindicações, apenas ouviu que as celebrações eram parte de suas obrigações religiosas. Com o canal aberto, o sacerdote não só passou a visitar terreiros, centros espíritas e de umbanda e templos evangélicos, mas também a atrair seguidores de outras crenças para suas missas. Com eles, padre Lázaro passou a promover celebrações inter-religiosas — em especial com católicos candomblecistas, que se sentiram mais à vontade para se expressar nos cultos com a sua forma própria de cantar, de dançar e de se vestir.
A capela Nossa Senhora da Piedade, em Salvador (BA)Imagem: Aurelio Nunes/UOLA capela Nossa Senhora da Piedade, em Salvador (BA)Imagem: Aurelio Nunes/UOL
Nunca houve uma proibição formal dentro do Rosário contra isso, tampouco abertura para um culto tão cantado, dançado e com tanta gente vestida com os torsos e batas brancas quanto naquele momento. A música, entoada com atabaques e agogôs, a oferenda cantada ao ritmo dos afoxés, a decoração da igreja com mais folhas, sementes e água e menos flores dão o toque de africanidade à missa do Rosário.
“Muitas vezes eu saí da homilia de padre Lázaro chorando de emoção. Ele nos trata como gente. Mostrou que irmandade e acolhimento existem de verdade”, contou ao TAB a socióloga Sandra Maria Bispo, 67, ex-priora da Irmandade dos Homens Pretos e yakekere do terreiro Casa de Oxumarê. “Eu tinha muitas diferenças para com a Igreja Católica. O exemplo de Padre Lázaro serviu para que eu me reconciliasse com ela”, diz.
Para o religioso, o sincretismo não é mais necessário, mas ainda merece respeito. “Essas pessoas foram criadas na crença de que para ser boa filha de santo, para viver bem no seu ilê, no seu axé, ela precisa visitar sete igrejas dedicadas a Nossa Senhora. A gente vai cortar isso? Vai matar e vai decepar essa tradição?”, questiona. “Isso seria injusto, desumano até. Precisamos reconhecer e respeitar o sincretismo como um movimento de resistência”, diz o sacerdote.
“A disposição ao diálogo inter-religioso foi onde Lázaro mais se destacou. Entre todos os padres que passaram pelo Rosário, foi aquele que mais se permitiu essa doação e essa entrega ao verdadeiro Cristo”, opina William Justo, 28, primeiro secretário da Irmandade dos Homens Pretos.
O padre é um dos personagens da série Preto à Porter do UOL, que destaca a participação de personalidades negras na luta contra as desigualdades provocadas pelo racismo. Assista ao episódio aqui.
Mudança de hábito
O anúncio da transferência de padre Lázaro do Rosário dos Pretos, em dezembro de 2018, teve um impacto inédito. Os fiéis enviaram um ofício à Arquidiocese de Salvador pedindo a permanência do pároco. Além disso, criaram uma campanha com a hashtag #ficapadrelazaro, que rapidamente viralizou nas redes sociais, ganhou apoio de artistas e intelectuais e repercussão na mídia. De nada adiantou. Lázaro deixou o Rosário dos Pretos em 21 de fevereiro de 2019, com uma missa campal celebrada no Pelourinho, na presença de irmãos católicos, de dupla pertença e lideranças de outras religiões.
Oficialmente, a igreja promove um rodízio entre os padres. Não há um tempo determinado para isso, mas a tradição é de que a dança das cadeiras paroquiais ocorra no período entre seis e nove anos. padre Lázaro ficou sete anos no Rosário dos Pretos. Tem gente que até hoje não se conforma com sua transferência.”Sincera e honestamente, eu acho que foi mais por despeito, porque nunca se viu uma igreja tão mesclada e tão lotada como era com ele na terça-feira da benção”, opina Sandra Bispo.
De fato, a popularidade de Lázaro junto aos fiéis do Rosário dos Pretos cresceu na mesma proporção em que as denúncias anônimas chegavam ao arcebispo primaz de então, D. Murilo Krueger. “Criticavam porque tinha muita dança. Criticavam a devoção dos pães na terça-feira da benção. Mas o que há de pecado nisso? Não tinha nada de objetivo”, diz o religioso.
Quando toca no assunto, padre Lázaro não muda o tom sereno de voz, mas a fala ganha contundência. Até hoje o religioso não sabe quem são seus detratores, mas conhece muito bem suas motivações. “A intolerância religiosa é um processo intimamente ligado às religiões de matriz africana, de desrespeito à negritude. Existem brigas internas das outras religiões cristãs, mas sempre na perspectiva de corrigir, estruturar, consertar. Com o candomblé, é diferente: querem exterminá-lo”, diz ao TAB.
O padre Lázaro Muniz, na capela Nossa Senhora da Piedade, em Salvador (BA)Imagem: Aurelio Nunes/UOL
Caruru
Soteropolitano, Lázaro nasceu e foi criado com nove irmãos às margens da avenida Vasco da Gama, bem próxima à sua paróquia atual. O pai, Osvaldo, era servidor público; a mãe, Maria de Lurdes, católica e baiana de acarajé.
A pior das lembranças da infância pobre foi aos 11 anos, quando a família ficou alojada no ginásio Antonio Balbino, anexo à antiga Fonte Nova, depois que a casa foi inundada em uma enchente; as melhores envolvem todos os anos em que era escolhido como um dos sete meninos para comer o Caruru completo — um banquete composto por sete pratos oferecidos aos orixás que, antes de ser compartilhado, precisa ser servido a sete crianças, representando os ibejis, gêmeos sincretizados com os santos católicos Cosme e Damião.
Foi nesse ambiente carente em recursos financeiros, mas rico em diversidade cultural e religiosa que o sacerdote cresceu. Ingressou no seminário em 1987, incentivado por um amigo. Na época, achou que não duraria nem um mês, mas quem acabou saindo mais cedo foi o colega, que lhe pediu para fazer seu casamento assim que se ordenasse, o que acabou acontecendo 10 anos depois. Passou por várias paróquias, mas foi somente quando assumiu o Rosário dos Pretos que se transformou em uma referência de diálogo inter-religioso.
“Na condição de porta-voz de grupos religiosos discriminados e mal entendidos, padre Lázaro foi alçado à condição de representante da face de um Jesus que é a expressão do povo negro, uma representatividade não só política como social”, define a historiadora Solange Palazzi, 54, coordenadora da Rede Nacional das Irmandades Negras e da Pastoral Afro de Ouro Preto (MG). “Ele tem essa característica bonita de ser sereno até no momento mais complicado. Saber que ele é uma pessoa amorosa, acolhedora e que ao mesmo tempo faz um movimento sério e incisivo é algo que nos encanta e que faz dele uma liderança muito boa pra congregar”, resume.
Sem erguer a voz, Lázaro segue sua peregrinação entre os contrários, os que não se cruzam, como uma espécie de missionário da tolerância.
Presidente do TSE deverá falar com autoridades russas sobre o voto eletrônico
Luís Roberto Barroso ficará alguns dias em Moscou, na Rússia Foto: STF/Carlos Moura
O ministro Luís Roberto Barroso chegará em Moscou nesta quinta-feira (16). Na qualidade de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele vai acompanhar as eleições legislativas russas, como observador. O detalhe é que, na Rússia, o voto é impresso.
O processo eleitoral acontece entre sexta-feira (17) e domingo (19) e escolherá os representantes da Duma, o equivalente à Câmara dos Deputados.
De acordo com o TSE, Barroso foi convidado pela Federação Russa e, além de acompanhar o processo eleitoral nos centros de votação, ele também cumprirá “agenda bilateral, que inclui encontros com integrantes do governo russo, além de reuniões com analistas políticos e com membros da CCE, que é o órgão encarregado de organizar e conduzir as eleições na esfera federal”.
Barroso deverá falar com autoridades russas sobre o voto eletrônico. Os compromissos do magistrado no país europeu inclui também uma palestra para alunos da Academia Diplomática Russa, que prepara jovens para serem diplomatas. O tema será “Democracia Sob Pressão”.
Resultado impressionou os pesquisadores: os bezerros aprenderam ainda mais rápido que as crianças
Resíduos deixados por bovinos contribuem para o efeito estufa e a poluição de lençóis freáticos Foto: Kristyn Lapp | Unplash
Um grupo de cientistas buscou uma solução inusitada para reduzir a poluição que as fezes e urinas de vacas podem causar ao meio ambiente: ensinar o gado a usar um banheiro. Após 10 sessões de treinamento, o resultado impressionou, pois os bezerros aprenderam ainda mais rápido que as crianças.
As fezes dos bovinos contribuem para o aquecimento global devido à presença de gás metano intestinal, um tipo de gás estufa ainda mais forte que o gás carbônico. Na atmosfera, essas substâncias gasosas absorvem a radiação infravermelha emitida pelo Sol e impedem que ela escape para o espaço, mantendo a Terra aquecida.
E os prejuízos não param por aí: a urina do gado também é prejudicial, pois pode penetrar os lençóis freáticos e contaminar a água, ameaçando a saúde humana.
Assim, pesquisadores decidiram ensinar 16 bezerros a usarem um banheiro adaptado à anatomia desses animais: um pequeno cercado com grama sintética e latrina. A cada vez que os bezerros faziam suas necessidades no cercado, ganhavam um prêmio, como melaço ou cevada.
Por outro lado, se os animais usassem outro cercado para urinar ou defecar, eles eram atingidos com pequenos esguichos de água por três segundos, o que é considerado desconfortável para os bezerros.
Os pesquisadores ficaram surpresos ao constatarem que, após 10 sessões de treinamento, 11 dos 16 bezerros já usavam o “banheiro” 77% das vezes.
– Foi fascinante o quão rápido eles aprenderam. A média foi de 20 urinações do começo ao fim. Foi inacreditável – disse Lindsay Matthews, co-autor da pesquisa, que foi publicada no periódico Current Biology.
A próxima missão dos cientistas é difundir o treinamento em fazendas e criadouros de gado de forma acessível.