Estabelecimentos comerciais estão com atividades suspensas ou flexibilizadas em função da data.
Foto: Joaquim Neto/Bom Dia Feira
O feriado de São João, suspenso neste ano em função da pandemia do novo coronavírus, foi transferido para esta segunda-feira (18), em Feira de Santana. Além disso, também nesta segunda, é comemorado o Dia do Comerciário. Com isso, estabelecimentos comerciais estão com atividades suspensas ou flexibilizadas em função da data.
Confira o que abre e o que fecha em Feira nesta segunda:
Série bateu recorde e se tornou a produção mais assistida da plataforma
Round 6 é grande sucesso da Netflix Foto: Reprodução Netflix
O sucesso da série coreana Round 6 deve render uma fortuna à Netflix. Uma estimativa da empresa aponta que a produção pode gerar até 900 milhões de dólares (cerca de R$ 4,9 bilhões) em valor.
Os dados constam em um documento divulgado pela Bloomberg.
Lançada em 17 de setembro, Round 6 conta a história de 456 pessoas endividadas que se envolvem em jogos mortais inspirados em brincadeiras infantis para ganhar um prêmio bilionário. O sucesso da série foi tanto que ela acabou se tornando a produção mais assistida da Netflix, vista em 111 milhões de lares.
No documento obtido pela Bloomberg, a Netflix estima que 89% das pessoas que começaram a ver Round 6 assistiram pelo menos 75 minutos da série, o equivalente a mais de um episódio. Além disso, 66% dos espectadores terminaram de assistir a produção nos primeiros 23 dias do lançamento.
Como a série custou 21,4 milhões milhões de dólares (cerca de R$ 116 milhões) para ser produzida, a empresa estima que Round 6 deve criar 891,1 milhões (R4,86 milhões) em valor de impacto, métrica usada pela Netflix para avaliar o desempenho de suas produções.
O lançamento da série fez as ações da empresa subirem quase 7%.
Auxílio Brasil deve beneficiar 17 milhões de pessoas Foto: Agência Brasil/Marcello Casal Jr
O Auxílio Brasil, programa de transferência de renda que deve substituir o Bolsa Família em novembro, deve beneficiar perto de 17 milhões de pessoas, e ficar na média em R$ 300 ao mês, reafirmou na noite deste domingo (17) o ministro da Cidadania, João Roma, em entrevista à TV Brasil, garantindo que o governo terá “zelo fiscal” na implementação da medida. Os dois números são maiores do que o programa atual, que atende 14,6 milhões de pessoas, com pagamento mensal de R$ 190 na média.
Mesmo tendo que ampliar os gastos do governo para bancar o aumento do benefício a população de menor renda, uma das bandeiras de Jair Bolsonaro para as eleições de 2022, o ministro afirmou que o governo não vai perder o controle das despesas.
– Precisa ter muito cuidado e muito zelo na responsabilidade no quesito fiscal – disse ele.
A maior dificuldade do governo é conseguir fontes de recursos para bancar o novo programa. Roma ressaltou que se discute no Congresso duas formas de financiamento e a expectativa é que sejam aprovadas. São elas a PEC dos Precatórios, que pretende liberar parcela de recursos dentro do teto para bancar o gasto maior, e a Reforma do Imposto de Renda (IR).
– A pandemia está passando, mas efeitos sociais da pandemia não estão passando. É natural que estado brasileiro dê essa resposta. O Auxílio Brasil é uma evolução dos programas de renda executados no governo federal – afirmou o ministro.
AUXÍLIO BRASIL X BOLSA FAMÍLIA Roma destacou que o novo programa vai integrar políticas públicas para a população de baixa renda ou em situação de vulnerabilidade, com transferência de recursos e capacitação profissional.
Uma das principais diferenças do novo programa com o Bolsa Família, segundo ele, é oferecer proteção social e a possibilidade de transformação social, via capacitação das pessoas para acesso ao mercado de trabalho. Para isso, o governo deve ter apoio do Sistema S, que inclui o Sesc e o Senac.
Para estimular que as pessoas se capacitem sem medo de perder o benefício, o ministro da Cidadania disse que o novo programa deve ter uma regra de permanência em que a beneficiário do auxílio, mesmo conquistando um emprego, possa ficar com o benefício por até dois anos, disse no programa da TV Brasil.
Renan Calheiros, relator da CPI da Covid Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), pretende pedir indiciamento de no mínimo 50 pessoas por crimes de pandemia, infração de medida sanitária, emprego irregular de dinheiro público, falsificação de documentos, prevaricação, crimes contra a humanidade e crimes de responsabilidade.
Uma lista preliminar obtida pelo Antagonista, contém 53 nomes, mas ainda poderá sofrer mudanças. Renan pretende fazer uma exposição mais detalhada dos crimes e participação de todos ao longo da pandemia.
O primeiro nome da lista, o presidente Jair Bolsonaro, é alvo de pelo menos 11 acusações, entre elas homicídio qualificado. Nomes como Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Allan do Santos também aparecem na vasta relação.
Veja a lista completa:
1 – Presidente Jair Bolsonaro;
2- Senador Flávio Bolsonaro;
3 – Deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP);
4 – Vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ);
5 – Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga;
6 – Ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni;
7 – Ministro da Defesa (e ex-ministro da Casa Civil), Walter Braga Netto;
8 – Líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR);
9 – Deputado federal Osmar Terra (MDB-RS);
10 – Deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ);
11- Deputada federal Bia Kicis (PSL-DF);
12 – Deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP);
13 – Deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ);
14 – Deputado federal General Girão (PSL-RN);
15 – Ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello;
16 – Ex-ministro de Relações Exteriores Ernesto Araújo;
17 – Ex-ministro de Comunicações Fábio Wanjgarten;
18 – Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho no Ministério da Saúde;
19 – Regina Célia de Oliveira, fiscal do contrato da Covaxin;
20 – Ex-secretário executivo da Saúde Elcio Franco;
21 – Ex-diretor de logística do Ministério da Saúde Roberto Dias;
22 – Ex-diretor da Anvisa José Ricardo Santana;
23 – Marcelo Augusto Xavier da Silva, presidente da Funai;
24 – Robson Santos da Silva, secretário especial de saúde indígena;
25 – Arthur Weintraub, ex-assessor especial da Presidência;
26 – Médica Nise Yamaguchi;
27 – Virologista Paolo Zanoto;
28 – Tenente-médico da Marinha Luciano Dias Azevedo;
29 – Empresário Luciano Hang;
30 – Empresário Carlos Wizard;
31 – Secretário de ciência, tecnologia, inovação e insumos estratégicos do Ministério da Saúde, Hélio Angotti Neto;
32 – Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos;
33 – Emanuela Medrades, diretora da Precisa Medicamentos;
34 – Coronel Marcelo Bento Pires, ex-coordenador de logística do Ministério da Saúde;
35 – Danilo Trento, diretor de relações institucionais da Precisa Medicamentos;
36 – Marcos Tolentino, dono da FIB Bank;
37 – Raimundo Brasil, sócio da VTCLog;
38 – Andrea Lima, CEO da VTCLog;
39 – Cabo da PM Luiz Paulo Dominguetti, representante da Davati;
40 – Cristiano Carvalho, representante da Davati;
41 – Coronel Helcio Bruno Almeida, proprietário do Instituto Força Brasil;
42 – Pedro Batista Júnior, diretor executivo da Prevent Senior;
43 – Marcellus Campelo, ex-secretário de Saúde do Amazonas;
44 – Túlio da Silveira, advogado da Precisa Medicamentos;
45 – Emanuel Catori, diretor-presidente da Belcher Farmacêutica;
46 – José Alves Filho, representante da farmacêutica Vitamedic;
47 – Otávio Fakhoury, vice-presidente do Instituto Força Brasil;
48 – Allan dos Santos;
49 – Paulo Enéas;
50 – Carlos Adriano Ferraz;
51 – Roberto Goidanich, ex-presidente da Fundação Alexandre Gusmão;
52 – Marconny Faria, lobista ligado a Jair Renan Bolsonaro;
53 – Mauro Luiz de Britto Ribeiro, presidente do Conselho Federal de Medicina.
Trabalhadores informais e inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) nascidos em outubro podem sacar, a partir de hoje (18) a sexta parcela do auxílio emergencial 2021. O dinheiro foi depositado nas contas poupança digitais da Caixa Econômica Federal no último dia 1º.
Os recursos também podem ser transferidos para uma conta corrente, sem custos para o usuário. Até agora, o dinheiro apenas podia ser movimentado por meio do aplicativo Caixa Tem, que permite o pagamento de contas domésticas (água, luz, telefone e gás), de boletos, compras em lojas virtuais ou compras com o código QR (versão avançada do código de barras) em maquininhas de estabelecimentos parceiros.
Em caso de dúvidas, a central telefônica 111 da Caixa funciona de segunda a domingo, das 7h às 22h. Além disso, o beneficiário pode consultar o siteauxilio.caixa.gov.br.
O auxílio emergencial foi criado em abril do ano passado pelo governo federal para atender pessoas vulneráveis afetadas pela pandemia de covid-19. Ele foi pago em cinco parcelas de R$ 600 ou R$ 1,2 mil para mães chefes de família monoparental e, depois, estendido até 31 de dezembro de 2020 em até quatro parcelas de R$ 300 ou R$ 600 cada.
Neste ano, a nova rodada de pagamentos, durante sete meses, prevê parcelas de R$ 150 a R$ 375, dependendo do perfil: as famílias, em geral, recebem R$ 250; a família monoparental, chefiada por uma mulher, recebe R$ 375; e pessoas que moram sozinhas recebem R$ 150.
Regras
Pelas regras estabelecidas, o auxílio é pago às famílias com renda mensal total de até três salários mínimos, desde que a renda por pessoa seja inferior a meio salário mínimo. É necessário que o beneficiário já tenha sido considerado elegível até o mês de dezembro de 2020, pois não há nova fase de inscrições. Para quem recebe o Bolsa Família, continua valendo a regra do valor mais vantajoso, seja a parcela paga no programa social, seja a do auxílio emergencial.
O programa se encerraria com a quarta parcela, depositada em julho e sacada em agosto, mas foi prorrogado até outubro, com os mesmos valores para o benefício.
De acordo com o ministro, o novo programa vai interligar ferramentas do Estado e integrar políticas públicas para a população de baixa renda ou em situação de vulnerabilidade.
Foto: Divulgação
Anunciado em agosto deste ano, o novo programa de transferência de renda, o Auxílio Brasil, deve substituir o Bolsa Família em novembro.
De acordo com o ministro, o novo programa vai interligar ferramentas do Estado e integrar políticas públicas para a população de baixa renda ou em situação de vulnerabilidade.
Segundo ele, o principal diferencial do Auxílio Brasil é oferecer não apenas proteção social, mas também a possibilidade de transformação social que se dará por meio da capacitação para acesso ao mercado de trabalho. Roma diz que, para isso, contará com o apoio do Sistema S.
O programa também trará mecanismos para proteção da primeira infância e de segurança alimentar com o aperfeiçoamento de iniciativas já existentes como o Criança Feliz e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
Com o objetivo de estimular as pessoas a buscarem novos caminhos sem medo de perder o benefício, está sendo viabilizado, segundo Roma, uma regra de permanência em que a pessoa, mesmo conquistando um emprego, por exemplo, possa permanecer por até dois anos sem perder o auxílio.
A ideia é que o valor possa ser reajustado, passando dos atuais R$ 190 para cerca de R$ 300. O auxílio, que hoje comtempla cerca de 14 milhões de famílias, deve passar a atender 17 milhões.
O ministro falou também sobre outros programas da pasta como o Brasil Fraterno, que combate a insegurança alimentar e nutricional, e o Bolsa Atleta, auxílio essencial para cerca de 7 mil atletas brasileiros.
Categoria pretende ‘pressionar’ o governo, sobretudo pela alta do diesel
Caminhoneiros esperam a diminuição do preço do diesel Foto: Reprodução/CNN
Depois de declararem “estado de greve” a partir deste sábado (16), representantes de caminhoneiros afirmam que uma eventual paralisação ocorrerá “principalmente” em Santos, caso não haja resposta do governo acerca de reivindicações, principalmente a queda do preço do diesel.
– Se não houver resposta concreta [do governo] em cima dos direitos dos caminhoneiros autônomos, no dia 1º de novembro o Brasil todo [ficará] parado, principalmente Santos – disse o presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), Luciano Santos, em pronunciamento no encerramento de encontro nacional da categoria.
No fim de julho, transportadores da região interromperam as atividades durante um dia, sem impactos à operação do Porto de Santos.
De acordo com representantes dos transportadores rodoviários, a categoria vai iniciar paralisação nacional em 1º de novembro, caso o governo federal não atenda às reivindicações do setor em 15 dias, contabilizados a partir deste sábado.
– Tem de haver resposta concreta para o caminhoneiro. A resposta está na mão do governo – disse o presidente do Sindicam.
A decisão foi tomada durante assembleia no 2º Encontro Nacional dos Caminhoneiros Autônomos e Celetistas, realizado no Rio de Janeiro.
– Estado de greve significa dizer para o governo Bolsonaro que o prazo de três anos que ele teve para desenvolver e melhorar a vida do transportador autônomo não foi cumprido. Ainda serão dados mais 15 dias para que a pauta de reivindicações seja aplicada para os caminhoneiros – afirmou também em discurso no evento o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), Carlos Alberto Litti Dahmer.
No pronunciamento, Litti disse que a pauta da categoria já é de conhecimento “há muito tempo” do ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e do governo Bolsonaro.
– A categoria passa por momento de dificuldade nunca visto como em três anos de desgoverno Bolsonaro. É esse chamamento que tem respaldo de 1 milhão de trabalhadores e da sociedade que virá conosco – afirmou Litti.
O encontro foi organizado pela Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), pelo Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) e pela CNTTL Segundo as lideranças, o encontrou contou com a presença de sindicatos, cooperativas e federações de todo o país.
A discussão de uma possível paralisação não estava na pauta do encontro. O mote do evento era “em prol da unificação da categoria, e em busca de melhorias para o setor de transporte de cargas e logística brasileiro”.
Caso ocorra a paralisação em 1º de novembro, será o primeiro movimento em conjunto destas entidades desde a greve de maio de 2018.
Inclusão do nome do ex-deputado ocorreu neste sábado
Renan Calheiros incluiu Roberto Jefferson em relatório da CPI da Covid Foto: Agência Senado/Waldemir Barreto /Felipe Menezes/PTB Nacional
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid, vai pedir o indiciamento do ex-deputado Roberto Jefferson em seu parecer por divulgação de fake news sobre a “disseminação e o tratamento precoce contra a Covid”.
O nome do presidente nacional do PTB foi incluído neste sábado (16).
– Estou concluindo o relatório. Recomendamos a continuidade da apuração e os nomes podem ser indiciados na justiça – afirmou Renan à CNN Brasil.
A defesa de Roberto Jefferson ainda não se manifestou sobre a inclusão do nome do ex-deputado no relatório final da CPI. Ele encontra-se preso há quase dois meses, por determinação do ministro do STF Alexandre de Moraes.
Embora ainda não seja consenso na cúpula da CPI, Calheiros disse que mantém o nome do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, entre os pedidos de indiciados. Ele responderia pela época em que atuava como ministro da Casa Civil, no início da pandemia.
A lista de indiciados da CPI da Covid contém mais de 50 nomes indicados por Calheiros. O parlamentar pretende indiciá-los por crimes de pandemia, infração de medida sanitária, emprego irregular de dinheiro público, falsificação de documentos, prevaricação, crimes contra a humanidade e crimes de responsabilidade.
Neste domingo (17), o relator anunciou que a leitura do parecer final da comissão foi adiada. Segundo ele, a decisão foi foi tomada pelo presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM).
O documento seria lido na próxima terça-feira (19). Ainda não foi estipulada uma nova data para a apresentação do texto.
INTP, ESTJ, ESFP… O questionário que classifica pessoas em categorias demarcadas por quatro letrinhas é tratado como algo sacrossanto por departamentos de recursos humanos e parte dos psicólogos. Mas, afinal: ele funciona mesmo?
Henrique Petrus/Superinteressante
Ilustração Henrique Petrus Design Natalia Sayuri Lara
Carl Gustav Jung e Sigmund Freud eram grandes amigos no começo do século 20. Os pesos-pesados da psicologia moderna se conheceram pessoalmente em 1907, em Viena. O austríaco Freud, 19 anos mais velho, encantou-se com a genialidade do suíço Jung, que, aos 32, trabalhava como psiquiatra e professor universitário.
Eles continuaram a se encontrar e a trocar centenas de cartas. Pelo trabalho de Jung, Freud o considerava seu sucessor na recém-criada psicanálise: ele seria o jedi; Jung, o padawan.
Mas não foi bem assim. Jung não concordava que as motivações da mente partiam da sexualidade, enquanto Freud (ateu convicto) se opôs completamente ao misticismo que há na psicologia de Jung. Essas divergências teóricas levaram, em 1912, a um rompimento digno de música sertaneja. O suíço passou os três anos seguintes na sofrência: recluso, sem ler, escrever ou dar aulas.
Nesse período dark, Jung refletiu sobre a sua relação com Freud. E chegou a uma conclusão: as divergências rolaram porque os dois tinham personalidades diferentes. Concluiu que Freud era um extrovertido – alguém que se sente à vontade em uma multidão, e que prefere compartilhar com outras pessoas os seus problemas para resolvê-los; e que ele, Jung, seria introvertido – alguém que opta pelo mundo interior, que usa a solidão como combustível para recarregar as energias.
A relação extroversão versus introversão foi a base para o livro Tipos Psicológicos (1921). Ali, Jung destrincha essa e outras duas supostas duplinhas de tipos funcionais da nossa personalidade: sensação x intuição (relacionadas à maneira como percebemos e buscamos informações); sentimento x pensamento (a base para as tomadas de decisão).
Do outro lado do Atlântico, a americana Katharine Briggs se encantou pelo livro de Jung e passou anos estudando formas de aperfeiçoar a teoria do suíço, e de torná-la mais acessível. Mesmo sem formação em psicologia, ela criou (com a ajuda da filha, Isabel Briggs Myers) um questionário de personalidade para ajudar as pessoas no trabalho e na vida de modo geral.
Nascia ali o Myers-Briggs Type Indicator (MBTI). Registrado em 1943, ele fornece 16 tipos de personalidade. Cada uma mistura quatro letrinhas, com base em quatro eixos: introversão (I) e extroversão (E), sensação (S) e intuição (N), pensamento (T) e sentimento (F), julgamento (J) e percepção (P). Este último par foi uma adição de Myers e Briggs à teoria junguiana e tem a ver com o modo que levamos a vida (se é num estilo mais regrado ou mais espontâneo, respectivamente).
No fim, você ganha um conjunto de quatro letras que supostamente descreve sua personalidade. Você pode terminar “diagnosticado” como ESFJ (extrovertido, sensorial, sentimental, regrado), INTP (introvertido, intuitivo, racional, espontâneo) ou qualquer outra das 16 combinações possíveis.
No final da Segunda Guerra, a família Briggs conseguiu que o MBTI fosse aplicado em agentes do Escritório de Serviços Estratégicos dos EUA, que antecedeu a CIA. Em 1975, Mary McCaulley, professora de psicologia da Universidade da Flórida, juntou-se a Isabel (Katharine morreu em 1968) e ajudou a popularizar o teste em empresas e instituições.
Hoje, existem mais de 2 mil testes de personalidade – uma indústria que pode valer US$ 500 milhões (há quem estime US$ 2 bilhões). Motivo não falta. “Os seres humanos gostam de obter informações sobre si mesmos”, diz Gabriel Gaudencio Rego, membro do Laboratório de Neurociência Cognitiva e Social do Mackenzie. “Quando um teste nos coloca um rótulo de algum jeito, sentimos que nos conhecemos um pouco melhor.”
O MBTI segue como um dos testes mais populares: traduzido para 29 idiomas, cerca de 2 milhões de pessoas realizam, todos os anos, a versão oficial do questionário – é preciso pagar por isso. Ele é usado, sobretudo, por departamentos de recursos humanos, inclusive em 88% das empresas do S&P 500, o clube das companhias mais valiosas dos EUA.
Tudo isso sem que dê para saber ao certo se funciona mesmo. Mas, calma, já discutiremos isso. Primeiro, vamos entender como ele funciona.
O provão
Desde a sua primeira versão, o MBTI já passou por várias atualizações, nomeadas por letras. A mais usada hoje é a M, que tem 93 questões. Mas há outras mais extensas (como a Q, com 144 perguntas). Quanto mais longo o questionário, mais detalhado será o resultado final.
Há dois tipos de questões no MBTI – sempre com apenas duas alternativas de resposta. O primeiro tipo pergunta como você normalmente agiria ou se sentiria em determinada situação (uma festa com muita gente, um prazo apertado no trabalho, um fim de semana todo planejado). Já o segundo é mais direto: entre duas palavras (“abstrato” ou “concreto”, “fazer” ou “criar”), você deve escolher apenas uma.
Devo confessar que é um tanto cansativo completar o teste (fiz o de 144 questões). Certas perguntas soam parecidas, e várias palavras se repetem. E às vezes fica difícil se ater às alternativas que o teste dá. Na questão “O que te dá mais energia? Ficar sozinho ou em grupo?”, parece faltar a terceira via: um sonoro “depende”.
Mas há uma razão para essa estrutura polarizada. “Em testes do tipo, nós temos o impulso de tentar controlar o resultado, então algumas questões são placebo – estão ali só para confundir”, explica a psicóloga Tania Casado, diretora do Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da USP (ECar). Nos anos 1980, ela foi uma das primeiras a estudar o Myers-Briggs no Brasil. “A versão F do MBTI, por exemplo, tem 166 perguntas, mas só 90 são levadas em conta.”
Ao final do teste, eu recebo o meu resultado (deu ESFJ), além de uma extensa explicação sobre os quatro elementos (e seus opostos). O MBTI é cuidadoso: ele diz que essas não são características definitivas, mas sim as que, provavelmente, aparecem com mais frequência na sua vida.
Há outros cuidados, como reforçar o tempo todo que não há personalidades “certas” e “erradas” – todos os elementos seriam igualmente valiosos. Durante a explicação, o MBTI se preocupa também em esclarecer algumas concepções equivocadas, como dizer que pessoas espontâneas não podem ser organizadas, ou que introvertidos não conseguem assumir cargos de liderança.
Toda essa experiência tem um preço: US$ 50 – mais de R$ 270. Salgado. Não à toa, a versão mais famosa do MBTI, na verdade, não é o MBTI, mas sim o 16Personalities, um teste rápido, disponível na internet – e gratuito.
O 16Personalities tem 60 questões e leva poucos minutos para ser feito. Ao contrário do MBTI, as respostas para perguntas de situação estão em uma escala (de “concordo totalmente” a “discordo totalmente”). E, sim, dá para ficar no meio do muro – um alívio para os indecisos.
Depois da experiência com o MBTI oficial, você percebe que o 16Personalities talvez seja menos completo – e preciso. Mas é divertido: cada personalidade possui a sua respectiva cor e personagem (ENFJs são “Protagonistas”, ISFJs são “Defensores”, ENTPs são “Inovadores”). Junto ao relatório final, o teste mostra celebridades e figuras históricas que, de acordo com os organizadores do teste, carregariam uma sigla igual à sua. Puro chute, claro. Meu teste deu que estou no mesmo clube da Beyoncé, da Rainha Elizabeth e do Vin Diesel.
Em suma, não passa de diversão. Para evitar processos, o 16Personalities não menciona em nenhum momento o MBTI nem a família Briggs.
Quem quiser aplicar o MBTI para valer não pode colocar o teste na internet, já que é preciso pagar direitos autorais à família Briggs. No Brasil, o único autorizado a traduzir e vender o teste é a consultoria Fellipelli, que começou a aplicá-lo por aqui em 1996.
“Foi feita toda uma validação, sobretudo com a tradução, para ver se o conteúdo estava de acordo com a realidade sociocultural brasileira”, conta a psicóloga Adriana Fellipelli. É como um trabalho de dublagem: às vezes, é mais negócio mudar a piada (em vez de traduzi-la ao pé da letra) para preservar o sentido original. A Fellipelli também capacita consultores, que podem aplicar e explicar os resultados do MBTI em empresas, escolas e consultórios. Não é preciso ser psicólogo para obter essa certificação.
Testando os testes
Um hemograma não tem erro. A agulha entra, o sangue sai e, em poucos dias, você descobre se o seu colesterol está alto ou baixo. Avaliações psicológicas, contudo, são mais complicadas. Afinal, como medir precisamente conceitos abstratos como felicidade, criatividade – ou, nesse caso, personalidade?
O campo que se encarrega disso é a psicometria, que usa a estatística para tentar compreender o nosso funcionamento psicológico. E pode acreditar: construir um teste leva bastante tempo.
Primeiro, deve-se partir de alguma teoria relativamente consagrada; no caso do MBTI, a junguiana. Depois, é preciso aplicá-lo em diversas pessoas, para criar uma base de dados consistente. Isso será vital para a fase de validação, que acontece em duas etapas. A primeira é a de conteúdo: avaliar se o teste mede, de fato, o que ele se propõe a medir; por exemplo: se um paciente que diversos profissionais descrevem como “extrovertido” obtém de forma consistente “introvertido” como resultado do teste, talvez seja preciso recalibrá-lo.
A segunda parte analisa se é possível fazer alguma inferência ao resultado do teste – no caso do MBTI, contextualizar as quatro letrinhas que você recebeu. “Essa é uma etapa importante. Imagine receber uma pontuação em um questionário que mede ansiedade, mas não saber se você está acima ou abaixo da média”, esclarece Josemberg Andrade, membro da Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica (CCAP), grupo criado em 2003 pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP).
O CCAP é o órgão responsável por aprovar testes do tipo no Brasil. Uma equipe de especialistas, escolhida por edital público, analisa se eles atendem aos critérios científicos mínimos de precisão. A aprovação vale por 20 anos.
Tudo fica registrado no site do Satepsi (Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos), que mantém duas listas: testes favoráveis e não favoráveis para o uso de psicólogos. Em 2008, ele foi reprovado por falta de dados estatísticos suficientes. Em 2013, a Fellipelli realizou uma nova submissão – e o teste foi aprovado.
Mas e aí? O MBTI funciona mesmo?
Pontos fracos
Faz décadas que se questiona a eficácia do MBTI. Entre os anos 1970 e 1980, estudos analisaram voluntários que se submeteram ao teste. Cinco semanas depois, eles refizeram o questionário – o resultado foi diferente em 50% dos casos (em seu site oficial, o MBTI argumenta que essas pesquisas dizem respeito a uma versão antiga do teste, que não é mais usada). Por essas, a Associação Americana de Psicologia destaca que o MBTI tem pouca credibilidade entre psicólogos e pesquisadores.
Eu mesmo fiz dois testes MBTI, a versão em português e a em inglês. E obtive duas personalidades diferentes (ENFJ e ESFJ). Normal. Como dissemos aqui, há diferenças entre os dois, e o em português seria mais adequado para quem vive no Brasil. Mas a coisa complica quando leio a descrição dos dois tipos e, bingo, me identifico (em algum nível) com ambos. Isso também aconteceu com o meu resultado no 16Personalities (ISFJ).
Uma possível explicação para isso está no Efeito Forer, que acontece quando nos identificamos com descrições vagas e gerais, que poderiam ser aplicadas a qualquer pessoa – o segredo do sucesso do horóscopo.
Isso não quer dizer que o MBTI seja pseudociência. Significa que a psicologia não é uma ciência exata. “Nenhum instrumento psicológico é capaz de descrever o todo de uma pessoa”, ressalta Andrés Antúnez, professor do departamento de psicologia clínica da USP. “Cada teste se baseia em uma das diversas teorias da psicologia – e nenhuma delas é dona da verdade.”
Henrique Petrus/Superinteressante
Conhece-te a ti mesmo
Em 2017, a Universidade de Oklahoma revisou uma série de estudos sobre o MBTI (a maioria conduzida em estudantes de idade universitária) e concluiu que os resultados referentes às duplas introversão/extroversão, sensação/intuição e pensamento/sentimento apresentaram 75% de confiabilidade (considerado satisfatório). Já o eixo julgamento/percepção, justamente o criado pela família Briggs, alcançou só 61%.
Décadas de discussão sobre a sua eficácia tornaram o MBTI cauteloso. Hoje, o teste é apresentado, sobretudo, como uma ferramenta de desenvolvimento pessoal – a Myers-Briggs Company, empresa que administra o teste, desaconselha que ele seja usado como um funil para selecionar, contratar (e demitir) funcionários.
Ao descrever os tipos psicológicos, Carl Jung defendeu que a plenitude da vida não se resumia a simples dicotomias, mas sim em balancear os traços. Extrovertidos podem tirar proveito de momentos de introversão e vice-versa. Para Jung, é indispensável aprender a dominar a sombra – o lado reprimido da nossa personalidade.
Ou seja: o MBTI, aplicado sob orientação de um bom profissional, pode ser um bom ponto de partida para o autoconhecimento. Só não pode ser a linha de chegada.
Feira de Santana vem registrando números importantes no combate à Covid-19. Pelo segundo dia consecutivo, o município não registra nenhuma morte causada pela doença e atingiu a marca de 47.939 curados, índice que representa 94,5% dos casos. Enquanto isso, neste domingo (17), 44 exames foram negativos e 16 positivos.
O boletim epidemiológico não registra nenhuma morte por Covid-19 e contabiliza ainda 21 pacientes internados no município. As informações são da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde.
Relatório sobre Covid-19 em Feira de Santana NÚMEROS DESTE DOMINGO 17 de outubro de 2021
Casos confirmados no dia: 16 Pacientes recuperados no dia: 0 Resultados negativos no dia: 44 Total de pacientes hospitalizados no município: 21 Óbito comunicado no dia: 0
NÚMEROS TOTAIS
Total de pacientes ativos: 159 (Dados da Sesab) Total de casos confirmados no município: 50.740 (Período de 06 de março de 2020 a 16 de outubro 2021) Total de pacientes em isolamento domiciliar: 1.783 Total de recuperados no município: 47.939 Total de exames negativos: 75.762 (Período de 06 de março de 2020 a 16 de outubro de 2021) Aguardando resultado do exame: 89 Total de óbitos: 997
INFORMAÇÕES TESTES RÁPIDOS
Total de testes rápidos realizados: 26.080 (Período de 06 de março de 2020 a 16 de outubro de 2021) Resultado positivo: 5.041 (Período de 06 de março de 2020 a 16 de outubro de 2021) Em isolamento domiciliar: 3 Resultado negativo: 21.039 (Período de 06 de março de 2020 a 16 de outubro de 2021)
O teste rápido isoladamente não confirma nem exclui completamente o diagnóstico para Covid-19, devendo ser usado como um teste para auxílio diagnóstico, conforme a nota técnica COE Saúde Nº 54 de 08 de abril de 2020 (atualizada em 04/06/20).