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A princesa do sertão vai ficar ainda mais verde. É que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam) anunciou um amplo projeto de arborização para Feira de Santana. A primeira etapa prevê o plantio de mil árvores. O primeiro local a ser contemplado é o prolongamento da avenida Ayrton Senna até a estrada da Mantiba no próximo domingo, 12, às 9h.

Também serão contemplados o Parque Linear, na avenida Rubens Francisco Dias; a área de preservação permanente da lagoa da prainha, no cruzamento entre a Rubens Francisco Dias com a Ayrton Senna e o prolongamento da avenida Francisco Fraga Maia, sentido Papagaio.

O projeto “Princesa Mais Verde” pretende, a longo prazo, atingir o percentual de pelo menos três árvores por habitante do município. A iniciativa é uma tentativa de reduzir os impactos das mudanças climáticas e o aquecimento global.

Tudo será desenvolvido em parceria com a Secretaria de Serviços Públicos (SESP), por meio do Departamento de Áreas Verdes. “A área será avaliada para determinar que tipos de espécie o solo vai receber, qual a mais apropriada para cada região. Tudo de forma planejada, estudada e organizada”, explica o secretário de Meio Ambiente, José Carneiro.

Serão mudas de espécies variadas, como quaresmeiras, jacarandá, lanterneiro, pata de vaca, escova de garrafa e entre outras. O secretário destaca ainda que também será disponibilizado para a comunidade mudas para o plantio em jardins e quintais, para quem mora no município.

“Neste caso, o morador deve observar a fiação, a distância do passeio e do recuo do término da rua, por conta da visibilidade dos condutores. Ele também pode encontrar, na sede da Semmam, a orientação de técnicos para o plantio adequado”, afirma José Carneiro.

*Secom


Em Feira de Santana, a taxa de ocupação pediátrica dos leitos Covid é de 78%. O índice chama a atenção para o aumento dos casos da doença entre crianças e foi destacado como medida necessária a ampliação da vacinação para este público pelo prefeito Colbert Filho, durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira, 6.

O aumento das internações mostra que, por não estarem vacinadas ainda, as crianças “são potenciais transmissoras e, agora, estão apresentando infecções respiratórias, com necessidade de internação em leitos de UTI pediátrica”, afirma o prefeito, que já solicitou a ampliação da faixa etária da vacinação ao Ministério da Saúde.

Neste momento, a aplicação da primeira dose no município é destinada para o público de 12 anos acima. Na avaliação do médico Francisco Mota, ex-diretor do desativado Hospital de Campanha, é natural que ocorra esse aumento de casos na população não vacinada. “É uma preocupação no país inteiro. Normalmente as crianças não desenvolvem a doença na forma grave, mas são agentes de transmissão”, explica.

Apesar disso, os dados de vacinação da população são satisfatórios. Em Feira de Santana, 470.381 mil habitantes tomaram a primeira dose da vacina contra Covid. Desse total, 392.122 estão vacinados com a segunda aplicação. Isto significa que 93% da população que deve tomar vacina já recebeu a primeira dose.

Diante dos riscos com a chegada da variante Ômicron no país, o prefeito Colbert Filho descarta a possibilidade de desobrigar o uso da máscara, mesmo que seja em ambientes abertos.

“Estamos realizando a genotipagem dos exames e até o momento não identificamos a variante no município. No mundo, 18 países já confirmaram a presença do vírus e no Brasil são seis casos. Tudo indica que tem alto poder de infecção, mas de baixa letalidade. Mesmo assim, a proteção mecânica, como a máscara, ainda é necessária”, afirma Colbert Filho.
O secretário municipal de Saúde, Marcelo Brito, comparou a quantidade de pessoas que ainda não tomaram a primeira dose à capacidade de um estádio de futebol.

“São em torno de 40 mil pessoas que precisam tomar a vacina. As medidas de prevenção, como uso da máscara e higienização das mãos, são muito importante mas a vacina é extremamente eficaz. Então peço a quem ainda não se vacinou que procure a unidade de saúde”, apelou.

*Secom


Alexandre Baldy ocuparia cargo de articulação política no Ministério da Economia

João Doria ao lado de Alexandre Baldy Foto: Divulgação/CPTM

O presidente Jair Bolsonaro decidiu vetar o nome do ex-secretário dos Transportes do governo de João Doria em São Paulo, Alexandre Baldy (PP-GO), para um posto de articulação política dentro do Ministério da Economia. A informação foi revelada por fontes do governo a diversos veículos de imprensa.

A pasta do ministro Paulo Guedes deve anunciar nesta semana algumas mudanças, que incluem a troca de dois secretários e a criação de uma nova secretaria dentro do ministério. Nesta reestruturação, estaria a ida de Baldy para um cargo de assessor especial de Guedes, cuja responsabilidade seria cuidar da relação com o Congresso Nacional.

O presidente Jair Bolsonaro, porém, não aceitou o nome do político pelo fato dele ter sido secretário de Transportes no governo João Doria, em São Paulo, que é adversário político do presidente e pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo PSDB. Baldy também aparece como pré-candidato ao Senado em Goiás, onde Bolsonaro tem a intenção de emplacar outro nome.

Vale lembrar que Alexandre Baldy, que também foi deputado federal por Goiás e ministro das Cidades no governo do ex-presidente Michel Temer, chegou a ser preso em agosto de 2020 por atos suspeitos antes de assumir a pasta no governo de São Paulo. Segundo a investigação, Baldy usou da influência dos cargos de deputado e ministro para intermediar contratos, sobre os quais ganharia um percentual.

Informações Pleno News


A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) continua a aplicação da primeira, segunda e terceira doses da vacina contra a Covid-19 nesta segunda-feira, 6, nas unidades de saúde. Confira os grupos e locais de vacinação:


PRIMEIRA DOSE PARA MAIORES DE 18 ANOS (NASCIDOS ATÉ 6 DE DEZEMBRO DE 2003)
A vacinação para esse público pode ser realizada, exclusivamente, na Unidade de Saúde da Família, Parque Ipê I, II e III, vinculada ao Programa Saúde na Hora, das 8h às 21h. É necessário apresentar RG, CPF e comprovante de residência. Para puérperas e gestantes é necessário levar uma prescrição médica após avaliação individualizada de riscos e benefícios.


PRIMEIRA DOSE EM ADOLESCENTES ENTRE 12 E 17 ANOS
Adolescentes entre 12 e 17 anos podem receber a primeira dose da vacina contra a Covid-19 nos distritos, nas Unidades Básicas de Saúde Irmã Dulce, Cassa, Mangabeira, Caseb I, Serraria Brasil, Dispensário Santana e Subaé, das 8h às 16h e nas Unidades de Saúde da Família, vinculadas ao Programa Saúde na Hora, das 8h às 21h.
Também haverá imunização para esse público nas Unidades de Saúde da Família, Centro Social Urbano (CSU), Caseb II, Baraúnas, Jardim Cruzeiro, Alto do Papagaio, Asa Branca III, Campo limpo II, Aviário I e II, Parque Ipê I, II e III, Conceição II, Feira VI-I e II, Francisco Pinto, George Américo III, IV e Campo Limpo IV, Rua Nova II, III e Barroquinha, Santo Antônio dos Prazeres I e II, Tomba I e III, das 8h às 16h.
O adolescente tem que ter 12 anos completos, não sendo possível vacinar quem ainda não completou a idade recomendada pelo Ministério da Saúde.

SEGUNDA DOSE DA PFIZER COM APRAZAMENTO ATÉ 12 DE DEZEMBRO
A segunda dose da vacina Pfizer será aplicada nos distritos e nas Unidades Básicas de Saúde Irmã Dulce, Cassa, Mangabeira, Caseb I, Serraria Brasil, Dispensário Santana e Subaé, das 8h às 16h.
Também haverá imunização nas Unidades de Saúde da Família vinculadas ao Programa Saúde na Hora, das 8h às 21h e nas Unidades de Saúde da Família Centro Social Urbano (CSU), Parque Ipê I, II e III, Caseb II, Baraúnas, Jardim Cruzeiro, Alto do Papagaio, Asa Branca III, Campo limpo II, Aviário I e II, Conceição II, Feira VI-I e II, Francisco Pinto, George Américo III, IV e Campo Limpo IV, Rua Nova II, III e Barroquinha, Santo Antônio dos Prazeres I e II, Tomba I e III.
É obrigatório levar o cartão de vacina com a comprovação da primeira dose, RG, CPF, cartão do SUS e comprovante de residência. Vale salientar que não será possível antecipar a vacinação para além desta data. Somente aqueles que estão no período recomendado, de acordo com a caderneta de vacinação, poderão receber a segunda dose.


SEGUNDA DOSE CORONAVAC E ASTRAZENECA/OXFORD
A vacinação das pessoas que estão no período recomendado para aplicação na segunda dose das vacinas Coronavac e Astrazeneca/Oxford até o dia 12 de dezembro, será nos distritos e nas Unidades de Saúde da Família Centro Social Urbano (CSU), Caseb II, Parque Ipê I, II e III, Baraúnas, Jardim Cruzeiro, Alto do Papagaio, Asa Branca III, Campo limpo II, Aviário I e II, Conceição II, Feira VI-I e II, Francisco Pinto, George Américo III, IV e Campo Limpo IV, Rua Nova II, III e Barroquinha, Santo Antônio dos Prazeres I e II, Tomba I e III, das 8h às 16h.
Também haverá vacinação para esse grupo nas Unidades Básicas de Saúde Irmã Dulce, Cassa, Mangabeira, Caseb I, Serraria Brasil, Dispensário Santana e Subaé, das 8h às 16h, e nas Unidades de Saúde da Família vinculadas ao Programa Saúde na Hora, das 8h às 21h. É obrigatório apresentar o cartão de vacina com a comprovação da primeira dose, RG, CPF, cartão do SUS e comprovante de residência.


DOSE DE REFORÇO PARA PESSOAS ACIMA DE 18 ANOS
A dose de reforço destinada a pessoas a partir de 18 anos, que tenham tomado a segunda dose há 5 meses será aplicada nos distritos e nas Unidades Básicas de Saúde Cassa, Caseb I, Dispensário Santana, Irmã Dulce, Mangabeira, Serraria Brasil e Subaé, das 8h às 16h.


Também haverá vacinação para este público, nas Unidades de Saúde da Família Centro Social Urbano (CSU), Caseb II, Jardim Cruzeiro, Parque Ipê I, II e III, Alto do Papagaio, Asa Branca III, Campo limpo II, Aviário I e II, Conceição II, Feira VI-I e II, Francisco Pinto, George Américo III, IV e Campo Limpo IV, Rua Nova II, III e Barroquinha, Santo Antônio dos Prazeres I e II, Tomba I e III, a imunização acontece das 8h às 16h e nas Unidades de Saúde da Família vinculadas ao Programa Saúde na Hora, das 8h às 21h.
Para receber a terceira dose é preciso, além de estar no período recomendado pelo Ministério da Saúde, apresentar RG, CPF, caderneta de vacinação com a comprovação da segunda dose e comprovante de residência.


Pacientes imunossuprimidos, que tenham 28 dias que tomaram a segunda dose (é necessário apresentar relatório médico), também podem ser vacinados.


Confira o endereço das Unidades de Saúde da Família Saúde na Hora:
USF Campo Limpo I, V e VI: Rua Hosita Serafim, S/N, bairro Campo Limpo.USF Liberdade I, II e III: Rua El Salvador, S/N, bairro Feira VII.USF Queimadinha I, II e III: Rua Pernambuco, S/N, bairro Queimadinha.USF Parque Ipê I, II e III: Rua Ilha do Retiro, S/N, bairro Parque Ipê.USF Videiras I, II e III: Rua Iguatemi, S/N, bairro Mangabeira.


Empresários temem retirada do Simples, podendo ficarem inviabilizados pela carga tributária

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Em um setor em que quase todos os empresários estão enquadrados no Simples Nacional, 46% dos bares e restaurantes estão em atraso com os pagamentos e 84% desses temem ser desenquadrados do regime por conta disso. O pedido mais urgente é pelo Refis da Covid, que espera apreciação da Câmara dos Deputados desde agosto.

Os dados são de uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) entre os dias 17 e 26 de novembro com 1.315 empresários e publicada pelo Globo.

Um dos empresários que está em débito com o Simples, Matheus Daniel mantém há 12 anos, junto com a sua mãe, a marmitaria BH, um restaurante que trabalha com delivery na capital de Minas Gerais.

A história dele nesses últimos dois anos é de frustração. Logo no início de 2020, eles haviam feito um investimento grande para expandir a cozinha e melhorar o atendimento, mas não contavam com a chegada da pandemia. Em março de 2020, a primeira parcela do Simples ficou para trás.

“A gente descapitalizou totalmente, passamos de seis para dez funcionários na época que a gente inaugurou e logo depois veio a pandemia. Por estar descapitalizado, a gente já não conseguiu pagar o Simples do mês de fevereiro”, conta o empresário, que até hoje tem faturamento 40% inferior ao da pré-pandemia.

Segundo ele, sem o Refis o negócio que sustenta a família fica inviabilizado para 2022. “A gente não conseguiu mais ter o faturamento que a gente tinha, caiu em torno de 40% e isso inviabiliza. Se a gente for desenquadrado, sinceramente não sei, é quase melhor a gente fechar e procurar emprego”, disse.

O projeto, que foi aprovado pelo Senado em agosto, prevê a possibilidade de parcelamento de débitos tributários em até 144 vezes (12 anos), além de desconto de até 90% nos juros e multas. O texto ainda estabelece que empresas que tiveram mais perdas no faturamento tenham descontos maiores.

Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, defendeu a aprovação rápida do Refis porque caso as empresas saiam do Simples, elas terão uma carga muito maior de impostos a pagar, além do que já está atrasado. Segundo ele, a não aprovação do Refis causaria uma grande insolvência no setor porque 35% das empresas já estão operando no prejuízo e outras 35% no equilíbrio.

“Essas que estão no equilíbrio vão todas cair no prejuízo, dois terços das empresas em situação de prejuízo é obviamente uma coisa que não se sustenta”, pontuou.

Informações Bahia.ba


Pintura do desembarque de Cabral em Porto Seguro
Para pesquisadora, chave para entender os contrastes entre os dois países não está no tipo de colonização

Assim como muitos americanos, a historiadora Brodwyn Fischer não chegou a aprender muito sobre o Brasil quando estava na escola. O primeiro contato mais profundo veio no início da faculdade, 30 anos atrás e, desde então, ela não parou mais de pesquisar sobre a história brasileira.

“Uma das coisas que mais me fascinaram foi que começar a estudar história do Brasil me fez olhar diferente para a própria história dos Estados Unidos, porque os dois países têm muitas características básicas e estruturais, digamos assim, em comum.” 

São dois países de dimensões continentais, ricos em recursos naturais, formados por populações originárias de três continentes, moldados pelo colonialismo e pela escravidão. No papel, Brasil e EUA são marcados por semelhanças – e, no entanto, tomaram caminhos completamente diferentes. 

Há cerca de 10 anos Fischer explora essas questões com seus alunos em uma disciplina ministrada inicialmente na Universidade Northwestern e hoje na Universidade de Chicago, onde foi batizada de Brazil: Another American History (“Brasil: Outra História Americana”, em tradução literal).

Em 18 aulas, o programa é uma imersão na história brasileira, passando pelo período colonial e o regime escravista à industrialização e formação das grandes cidades. Entre as leituras obrigatórias há desde clássicos da literatura, como Vidas Secas, de Graciliano Ramos, até autores fundamentais para entender o Brasil, como Sérgio Buarque de Holanda (O Homem Cordial) e Celso Furtado (Formação Econômica do Brasil).

A BBC News Brasil conversou sobre alguns desses temas com a professora, que é Ph.D pela Universidade de Harvard e foi diretora do Centro de Estudos para a América Latina da Universidade de Chicago entre 2015 e 2020.

Mapa Província do Brasil, de 1666, de autoria de João Teixeira Albernaz II
Disciplina aborda desde o período colonial até o Brasil moderno

Parecidos, mas tão diferentes

De forma geral, as comparações entre Brasil e Estados Unidos costumam ser permeadas por generalizações e exageros que colocam os dois países em polos opostos que muitas vezes não existem, avalia Fischer. 

É o que a historiadora chama de “ideias hiper-reais” – algo que nunca existiu de fato, mas acaba sendo colocado no debate como a essência de um determinado conceito.

Uma dessas “ideias hiper-reais” seria justamente a razão que levou Brasil e EUA a se tornarem nações tão diferentes, apesar das semelhanças estruturais. No Brasil, muita gente reproduz a ideia de que a explicação está centrada no tipo de colonização a que os dois países foram submetidos – a portuguesa, implantada no Brasil, teria sido mais brutal e restritiva, enquanto a inglesa, levada aos EUA, teria dado aos americanos maior grau de liberdade, usado para desenvolver instituições e uma democracia mais sólidas. Uma divergência que teria selado o destino dos dois países.

“Acho que uma das coisas com as quais a gente se depara no Brasil, mesmo entre pessoas com maior escolaridade, é essa ‘ideia hiper-real’ do que são os Estados Unidos. (A questão da colonização) é exatamente isso, mas os historiadores americanos não pensam mais dessa forma sobre sua história.” 

O que explica então as diferenças tão profundas?

Para Fischer, uma das razões remonta ao século 19 e tem uma ligação estreita com “as relações entre indivíduos e os direitos de cidadania”.

Em ambos os países, ela diz, a escravidão foi brutal, “algo que, moralmente, não deveria ter sido institucionalizado”. O Brasil, contudo, viveu uma situação particular depois de 1831, quando o tráfico de escravizados foi proibido por lei – mas não acabou na prática. 

“A partir daí, a elite e o Estado passam a conspirar para que a escravidão continuasse, ainda que ilegalmente. Entre 1831 e 1850 (ano da promulgação da Lei Eusébio de Queiroz, que reafirmava a proibição ao tráfico), algo entre 700 mil e 800 mil pessoas foram trazidas ilegalmente para o Brasil para serem escravizadas. E toda a estrutura do Estado durante esses anos foi desenvolvida para ajudar as pessoas a contornar a lei.”

“Acho que essa é uma diferença fundamental. Nos Estados Unidos, nós tendemos a legalizar as brutalidades. Tornamos legal a possibilidade de que as pessoas andem armadas na rua, por exemplo. Então muitas das coisas que aparecem nos dois países acontecem dentro da lei nos EUA e fora da lei no Brasil”, acrescenta.

“Acredito que isso, de diversas formas, ajudou a moldar a maneira como o país opera. Um dos pontos que argumento é que o poder informal se desenvolveu muito cedo no Brasil, para preservar a ‘casa grande’ (termo usado para se referir aos grandes proprietários rurais do Brasil colonial), de forma que muita gente simplesmente não tem acesso a direitos políticos e civis básicos ou tem acesso limitado a direitos econômicos e sociais, quando estes entram em cena.”

Sem esses direitos básicos, a forma como essas pessoas que estão fora do círculo das elites têm acesso ao poder, por sua vez, é fora da estrutura do Estado e da lei. “E acho que o fato de que isso absorve uma fatia tão relevante das relações de poder no Brasil, em comparação ao que tradicionalmente se viu nos EUA, explica boa parte das divergências entre os dois países”, conclui a professora.

Algumas dessas ideias estão na tese de doutorado de Fischer, resultado de uma pesquisa na cidade do Rio de Janeiro, que ganhou no ano 2000 o Harvard University Gross Prize como melhor dissertação em História. O trabalho virou livro em 2010, publicado pela Stanford Press University e intitulado A Poverty of Rights: Citizenship and Inequality in Twentieth-Century Rio de Janeiro(“Pobreza de Direitos: Cidadania e Desigualdade no Rio de Janeiro do Século 20”, em tradução literal).

Escravos por Debret
Relações informais de poder ajudaram a moldar o Brasil, diz Fischer

O jeitinho brasileiro

Uma das ferramentas em um país em que o poder informal tem muita relevância é justamente o “jeitinho brasileiro”, que se relaciona com o conceito do “homem cordial” de Sérgio Buarque de Holanda, que está na bibliografia do curso ensinado por Fischer.

Na visão da historiadora, contudo, o “jeitinho” é outra “ideia hiper-real”, uma espécie de exagero, na medida em que está longe de ser uma exclusividade do Brasil.

“Quando há estudantes brasileiros nas minhas aulas, eles são os primeiros a mencionar o ‘jeitinho’ e dizer: ‘Ah, nós somos bastante diferentes dos EUA!’. E aí o que eu tento fazer é mostrar as diversas maneiras pelas quais as pessoas nos Estados Unidos usam o ‘jeitinho’. Não chamamos de ‘jeitinho’, mas a ideia de alguém tentar contornar as normas que não lhe favorecem é universal.”

Fischer ilustra essa discussão com um comentário sobre o antropólogo Roberto da Matta, um dos “intérpretes do Brasil” mais lidos nos Estados Unidos, que chegou a escrever que o trânsito caótico no Brasil e o hábito dos motoristas brasileiros de “fechar” e “furar” são, em certa medida, reflexos do “jeitinho”.

“Ele morava numa cidade pequena em Indiana, onde viveu quando lecionava na [Universidade de] Notre Dame, e tinha essa ideia de que nos EUA as pessoas respeitam as leis de trânsito – mas, se você estiver em qualquer grande cidade, vai ver que isso não é verdade. As pessoas atravessam fora da faixa o tempo todo, estão quebrando regras, vendendo produtos ilegalmente na rua… Todas essas coisas acontecem em toda parte aqui, então é mais uma daquelas ‘ideias hiper-reais’.”

A diferença, ela diz, é muito mais uma questão sobre como um povo vê a si mesmo.

“Acho que tem a ver com a discussão sobre como a autopercepção de uma nação de fato acaba lhe dando forma. Se você é brasileiro, a ideia de que o ‘jeitinho’ está no centro do seu mundo o legitima e o transforma em algo que as pessoas estão dispostas a fazer com maior frequência.”

“Aqui nos EUA, a ideia ‘hiper-real’ do que nos tornava diferentes era a lei e a ordem, de que nós seguimos as regras. Não era verdade, mas era como pensávamos sobre nós mesmos. Acho que isso começa a se desintegrar – nos EUA, mais e mais pessoas não confiam nas leis e no Estado. Mais pessoas não acham que a melhor forma de resolver seus problemas é respeitando as normas. A ideia do ‘jeitinho’ aqui tem cada vez mais se tornado senso comum, na forma como o tem sido há tanto tempo no Brasil.” 

Foto de Revert Henry Klumb retrata lavadeiras na Tijuca por volta de 1860
Lavadeiras na cidade do Rio por volta de 1860: regime de escravidão no Brasil tinha níveis de mobilidade maiores que dos EUA

O contraste na questão racial

Uma das diferenças mais complexas entre Brasil e EUA se dá no campo das relações raciais, destaca a professora. Apesar de ambos os países terem instituído sistemas brutais de escravidão, o Brasil passou por um processo intenso de miscigenação entre brancos, negros e índios, que não se viu na mesma medida nos EUA. 

Um dos fatores que ajudam a explicar os contrastes, diz a historiadora, é a própria demografia. O Brasil recebeu um volume muito maior de africanos escravizados, aproximadamente 5 milhões, ante cerca de 250 mil desembarcados nas 13 colônias que formariam os EUA, conforme a plataforma Slave Voyages, um grande banco de dados mantido por pesquisadores da Universidade de Emory, nos EUA.

Isso foi determinante para que o Brasil se tornasse um país de maioria negra, que hoje corresponde a cerca de 50% da população, conforme a classificação do IBGE que reúne quem se declarou preto ou pardo no Censo de 2010. Nos EUA, ainda que haja regiões no sul em que a população negra seja predominante, no país como um todo ela é minoria – algo entre 12% e 13% do total, atualmente.

“Acho que isso às vezes é minimizado”, diz a professora, que se prepara para lançar o livro The Boundaries of Freedom: Slavery, Abolition, and the Making of Modern Brazil (“Os Limites da Liberdade: Escravidão, Abolição e a Construção do Brasil Moderno”, em tradução livre) em coautoria com a historiadora brasileira Keila Grinberg. Prevista para 2022, a obra é editada pela Cambridge University Press.

Com uma proporção elevada de pessoas escravizadas, foram diferentes os mecanismos de controle social colocados em prática no Brasil para manter o sistema escravista vivo durante três séculos. Ainda que fosse brutal e violento, ele incorporou, por exemplo, o instrumento das alforrias. Menos recorrentes nos EUA, aqui elas foram mais largamente utilizadas, concedidas não apenas pelos “senhores de escravos”, mas compradas pelos próprios escravizados, por organizações abolicionistas e de caridade.

Outra diferença importante e que teria reflexos profundos na formação das relações raciais no Brasil foi a relativa mobilidade que corria em paralelo à lógica de violência e sujeição que marcou o regime escravista. 

No Brasil, um escravizado poderia passar a vida cortando cana-de-açúcar e ver seu filho trabalhando como escravo doméstico, exemplifica a historiadora. Ela lembra as obras do pintor francês Jean-Baptiste Debret, que chegou a retratar uma espécie de “hierarquia” entre os escravizados que viviam no ambiente urbano.

Além dos escravizados que se dedicavam aos afazeres domésticos na casa de seus “senhores”, havia, por exemplo, os escravos de ganho, que trabalhavam fora – como vendedores ambulantes ou prestando serviços a terceiros – e repassavam parte do que auferiam a seus proprietários. Pesquisas como a da historiadora Ynaê Lopes dos Santos, professora de História das Américas na Universidade Federal Fluminense (UFF), apontam ainda que, no Rio de Janeiro do século 19, alguns escravizados chegavam a morar fora da casa dos “senhores”, em cortiços e imóveis alugados.

“Essa foi uma dimensão importante. Era um certo nível de mobilidade que poderia ser conquistado sem um confronto aberto à instituição da escravidão”, pontua Fischer. 

Nos EUA, especialmente nas colônias do sul, essa mobilidade era praticamente inexistente e as tensões sociais, muitas vezes mais visíveis.

“A polarização era tão grande que não havia muita alternativa a não ser criar grupos de solidariedade e eventualmente movimentos pelos direitos civis.”

Pessoas escravizadas desembarcadas no Brasil e nos EUA. Total por intervalos de 25 anos entre 1501 e 1875.  .

O caso da miscigenação à brasileira

Os EUA implementaram uma série de normas e leis racistas que desencorajavam a miscigenação. O casamento interracial, por exemplo, foi proibido em diversas partes do país até 1967, quando uma lei do Estado da Virginia foi derrubada na Suprema Corte. 

Outro exemplo prático foi a chamada “one drop rule” (“regra de uma gota”, em tradução literal), adotada em vários Estados: independentemente do fenótipo, um indivíduo com qualquer antepassado de origem africana era classificado como negro, com todas as implicações legais que isso acarretava no país. Nenhum outro grupo étnico era identificado dessa forma.

Já no Brasil, a miscigenação muitas vezes foi vista como instrumento de mobilidade social – e, nesse sentido, é fundamental para entender a forma particular de racismo que se desenvolveu aqui, que se manifesta muitas vezes de forma velada.

“Faço muita pesquisa com ações judiciais do século 19, e essa é uma das coisas mais dolorosas com as quais tenho que trabalhar como historiadora”, comenta Fischer. 

“Nesses processos você consegue ver todo tipo de estratégia que as pessoas usavam para tentar melhorar um pouco suas vidas. E uma das coisas que se pode observar são pessoas que tentavam clarear a pele dos filhos. Elas querem que os filhos sejam chamados de pardos, alguns querem que eles sejam reconhecidos como brancos na certidão de nascimento. Há uma espécie de racismo internalizado, que funciona de forma parecida com a da mobilidade dentro do sistema escravista, de forma que não se confronta o racismo como sistema.” 

“Então você pode ir de negro, a pardo e branco, e o racismo ainda está completamente colocado – está sendo reforçado, na verdade.”

Essas dinâmicas, completamente diferentes do racismo institucionalizado que se via em países como EUA e África do Sul, culminam na “democracia racial”, a ideia de que não havia discriminação racial no Brasil, disseminada por teóricos como o sociólogo Gilberto Freyre, autor de Casa Grande e Senzala, obra que reforça essa visão.

A historiadora comenta que a “ilusão” da democracia racial aparece inclusive na imprensa negra americana, em artigos de jornais como o Chicago Defender, que ela apresenta aos alunos no curso. 

Jornalistas e sociólogos como W. E. B. Du Bois, ativista pelos direitos civis, vieram ao país no início do século 20, após a visita do presidente americano Theodore Roosevelt, e chegaram a escrever que o Brasil seria um exemplo a ser seguido no contexto das relações raciais. 

“Você vê negros americanos dizendo: ‘Olha, eu fui lá e vi médicos negros, políticos, Machado de Assis, um grande escritor negro… O que eles não percebem é que essas pessoas não necessariamente são vistas como negras.” 

“E isso foi muito antes de a ideia da democracia racial emergir mais formalmente no Brasil nos anos 1940.”

Esse conceito seria desmistificado por intelectuais brasileiros como Abdias do Nascimento, ativista pelo direitos dos negros e que também faz parte da bibliografia do curso de Fischer, com a obra Brazil: Mixture or Massacre (“Brasil: Mistura ou Massacre” em tradução livre).

De volta à questão do poder informal, a historiadora argumenta que ele é chave para entender o racismo no Brasil e é um dos instrumentos usados até hoje para reforçá-lo.

“Nos Estados Unidos, essa questão (sobre como o racismo é reforçado) tem um pouco mais a ver com o fato de que as instituições são abertamente e claramente racistas em suas práticas. É uma comparação interessante, porque, no fim do dia, se você é negro e pobre no Brasil, é baixa a probabilidade que você tenha acesso a direitos, e o mesmo vale para os EUA. Existe uma semelhança em relação aos resultados, mas os caminhos para se chegar a eles são bem diferentes – e tentar entender isso pode trazer benefícios para os dois países”.

Informações BBC News Brasil


Atração comandada por Huck tem marcado abaixo dos 15 pontos de média na Grande SP

Luciano Huck Foto: Reprodução/TV Globo

Após três semanas marcando médias abaixo de 15 pontos na Grande São Paulo, o Domingão com Huck tem chamado a atenção da cúpula da Rede Globo. Segundo o site O Antagonista, a emissora estaria em “alerta amarelo” quanto ao desempenho do programa dominical.

Em novembro, o único bom resultado de audiência da atração ocorreu no tributo a Marília Mendonça, quando o Domingão marcou 19,1 pontos. Nos demais fins de semana do mês, o ibope oscilou entre 13,4 e 14,6 pontos. Cada ponto corresponde a 205. 377 teslespectadores.

A preocupação não envolve apenas o programa comandado por Huck, mas também o Fantástico. A emissora avalia que a revista eletrônica poderia estar próxima dos 21 ou 22 pontos caso recebesse uma audiência melhor do Domingão. Em vez disso, marcou 19,6 na última semana.

Enquanto isso, a Record TV, vice-líder de audiência, tem demonstrado um crescimento discreto, e chega a perto de 9 pontos no mesmo horário.

Informações Pleno News


Dal apareceu com o ex-prefeito de Salvador nas cidades de Gandu e Wenceslau Guimarães

Foto: Divulgação

O deputado estadual Dal (PP), da base do governador da Bahia, Rui Costa, participou neste domingo (5) de duas agendas do maior rival do PT no estado, o pré-candidato do DEM ao Palácio de Ondina, ACM Neto.

Dal apareceu com o ex-prefeito de Salvador nas cidades de Gandu e Wenceslau Guimarães. Na última cidade ainda discursou, durante inauguração do estádio municipal.

Com a possível ida de Dal ao grupo de Neto, o governo na Assembleia Legislativa do Estado (AL-BA) já tem ao menos três baixas. Junta-se a Robinho (PP) e Mirela Macedo (PSD), esta última ainda não declarou oficialmente, mas a deputada de Lauro de Freitas já estaria com os dois pés fora do grupo da situação na Casa. Samuel Junior (PDT) também pode voltar à base oposicionista.

Informações B News


Foto: Divulgação Assembléia Legislativa


Nesta segunda-feira (6), o deputado estadual Kelps Lima será entrevistado no programa Rotativo News com Joilton Freitas, a partir das 15h, na Rádio Sociedade News FM 102.1. Kelps é presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Covid-19) na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, que visa investigar supostos desvios de dinheiro nas operações encabeçadas pelo Consórcio Nordeste.

Na última quarta-feira (1), o secretário de Saúde Pública do Rio Grande do Norte, Cipriano Maia, foi ouvido. O depoimento durou mais de 7 horas e só acabou após às 21h, foi o mais longo registrado desde o início da comissão.

Na condição de investigado, Cipriano foi questionado sobre contratos e ações do governo durante a pandemia. Falou da reversão de leitos de UTI, que foram utilizado para o tratamento da Covid e depois foram destinados para outras doenças.

*Com informações do G1 RN


Presidente anunciou que a redução nos preços devem seguir nas próximas semanas

Posto de combustível
Preço dos combustíveis deve ficar mais barato Foto: Agência Brasil/Marcello Casal jr

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse neste domingo (5) que a Petrobras anunciará a diminuição no preço dos combustíveis a partir desta semana. Sem entrar em detalhes sobre o percentual de redução, o líder explicou que a queda deve seguir por algumas semanas. A declaração foi dada ao site Poder 360.

Nos últimos meses, Bolsonaro reclamou com frequência da alta nos preços dos combustíveis e afirmou que os culpados eram os governadores, que aumentaram a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que varia de acordo com o valor na bomba, em razão da subida dos preços.

– Eu não reajustei, mantive congelado desde 2019, o valor do PIS/Cofins, que é o imposto federal. Os governadores mantiveram o percentual, que varia de acordo com o valor na bomba. E mais que dobraram o valor arrecadado com o ICMS. Querem criticar, critiquem. Mas a pessoa certa – disse o líder.

Bolsonaro compareceu na manhã deste domingo à final do campeonato de futebol do Minas Brasília Tênis Clube, em Brasília. A partida foi realizada entre dois times internos do clube e o presidente da República deu o pontapé inicial da disputa.

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