Neste sábado, 18, comemora-se a fundação da Escola de Cirurgia da Bahia. A instituição, fundada em 1808 por Dom João VI, deu origem à Faculdade de Medicina da Bahia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde o prefeito Colbert Martins Filho e a primeira dama Adenilda Martins se formaram.
Na época, a escola funcionava no antigo Hospital Real Militar da cidade do Salvador, que ocupava o prédio do Colégio dos Jesuítas, construído em 1553, no Terreiro de Jesus.
Em 1º de abril de 1813 a Escola se transformou em Academia Médico-Cirúgica. Em 03 de outubro de 1832 ganhou o nome de Faculdade de Medicina, que guarda até hoje.
O prefeito destaca os milhares de testes e estudos realizados, que deram início às pesquisas tropicalistas, médico-legais, psiquiátricas e antropológicas, determinando a expansão da cultura médica nacional e procedimentos avançados no tratamento de doenças típicas do país.
“Tenho muito orgulho de ter me graduado nesta importante instituição, que tanto contribuiu para o avanço da medicina no país”, destacou.
Copa do Nordeste: Bahia busca empate com o CSA com direito a golaço; VEJA melhores momentos (4:15)
O Bahia conviveu, nas últimas semanas, com especulações de que poderia ser adquirido pelo Grupo City e ser mais um tradicional clube do futebol brasileiro a ter um dono, seguindo os passos de Cruzeiro e Botafogo ao se tornarem Sociedades Anônimas do Futebol (SAF).
O clube, que neste sábado visita o Fortaleza na Copa do Nordeste, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+ às 17h45 (de Brasília), de fato, estuda a possibilidade de se tornar SAF. Segundo apurou o ESPN.com.br, no entanto, existem apenas sondagem de possíveis investidores, sem contato oficial de nenhuma empresa até o momento.
Não será de uma hora para outra, inclusive, que o Bahia mudará seu modelo de gestão. No último mês de janeiro, o Esquadrão de Aço criou uma comissão provisória, com a presença de sete conselheiros deliberativos, para estudar e avaliar diferentes modelos de SAF. A intenção é entender a melhor forma de administração e gestão de possíveis investidores externos.
Em um período inicial de seis meses, esse grupo deve se debruçar sobre diferentes materiais e estudos sobre Sociedades Anônimas e levas essas informações ao restante do Conselho Deliberativo tricolor no meio do ano. Até lá, haverá também a realização de eventos transmitidos pelo canal oficial do clube para que o sócio tenha acesso direto ao trabalho.
A reportagem apurou ainda que conselheiros do Bahia têm entrado em contato com profissionais de Botafogo, Cruzeiro e América-MG para entenderem melhor como tem funcionado cada processo e ter uma visão de pessoas integradas ao dia a dia de uma SAF no futebol brasileiro – o Coelho é o único dos três ainda em busca de um investidor.
Tamanha cautela para avançar como SAF tem origem em dois principais motivos: o Bahia já teve uma experiência como Sociedade Anônima que não foi positiva; e também pretende manter-se como um clube democrático a seus associados e torcedores, mesmo em caso de venda de ações para empresas investidores.
A Bahia S/A e a disputa que hoje ameaça ‘fechar o clube’
Em 1998, um ano após ser rebaixado à Série B do Campeonato Brasileiro, como foi em 2021, o Bahia assinou um contrato válido por 25 anos com o Banco Opportunity, através da empresa Liga Futebol. No acordo, os investidores assumiam 51% do Bahia S/A, enquanto o clube ficava com 49%. O comando do futebol seguiu com o então presidente Marcelo Guimarães.
O que pareceria, porém, ser um grande passo acabou se transformando em caos para o Bahia. A expectativa de receber investimentos e de crescer ainda mais foi ruindo após seguidas temporadas sem conseguir retornar à primeira divisão. Em 2000, com a Copa Havelange, o clube até voltou à elite, mas caiu novamente em 2003.
Só que, em 2005, a situação piora: o Bahia cai para a Série C e não sobe no ano seguinte. Foi então que o clube procurou dar fim à parceria. Para acabar com a S/A, o Esquadrão de Aço assumiu uma dívida, na época, de R$ 40 milhões.
A equipe ainda se comprometeu a repassa ao banco percentuais de venda de atletas. Esse valor iria aumentando gradualmente – 10% em 2007, 20% em 2008 e 30% de 2009 até 2023. O problema é que o Opportunity nunca foi pago, e o caso foi parar na Justiça. A parceria foi encerrada oficialmente em 2008, e até hoje o caso não tem solução. A dívida, atualmente nas mãos do Superior Tribunal de Justiça (STJ), está avaliada em R$ 100 milhões.
Em julho de 2021, durante uma transmissão em uma das plataformas oficiais do Bahia, o presidente Guilherme Bellintani disse que esse débito poderia “fechar o clube”.
É por conta de todo esse cenário que o Bahia, em 2022, quer ter nas mãos todas as possíveis questões envolvendo a transformação do clube em uma SAF e os impactos que qualquer negociação com investidores poderá causar na instituição nos próximos anos.
O exemplo do Bayern de Munique
Outro ponto que o Bahia considera importante hoje para adotar o modelo de clube-empresa é conseguir fazer com que as principais decisões sigam passando pelas mãos dos sócios – assim como será a própria possível chegada de um investidor. Para a atual gestão, a transformação democrática vivida a partir de 2013 deve mantida a todo custo.
Segundo apurou o ESPN.com.br, o Bahia não se empolgou até o momento com os formatos de investimentos realizados em Botafogo e Cruzeiro, por exemplo, com a chegada da figura de um “dono” – o norte-americano John Textor e Ronaldo Fenômeno, respectivamente.
Um modelo estudado com mais carinho vem de fora do Brasil, mas não tem qualquer relação com o Grupo City: é o adotado pelo Bayern de Munique, na Alemanha.
Os gigantes bávaros são uma empresa, mas 75% das ações são da Bayern AG, que é uma sigla para a palavra alemã “Aktiengesellschaft”. O nome nada mais é do que um equivalente em português para sociedade anônima. A questão é que os acionistas “donos” da maior parte do clube são os próprios sócios, que têm voz ativa em grandes decisões; mas toda a gestão é feita por executivos – hoje, o CEO da equipe é o ex-goleiro Oliver Kahn.
Os outros 25% das ações do Bayern estão divididas entre três empresas que aportaram milhões de euros por uma participação de 8,33% cada: Audi, Adidas e Allianz. O modelo consolidado e de sucesso do Bayern faz com que o Bahia mire este exemplo para o futuro. Manter as decisões mais importantes nas mãos dos associados e conseguir empresas renomadas, com potencial para aportes financeiros, para impulsionarem o Esquadrão de Aço.
O cenário do Bahia para 2022
Apesar das preocupações com dívidas passadas, o Bahia havia se consolidado, nos últimos anos, como o maior gerador de receitas do Nordeste. A queda para a Série B, contudo, trará um impacto significativo para 2022, e não retornar à elite pode ser catastrófico.
O cálculo da equipe tricolor, segundou apurou a reportagem, é de perder cerca de R$ 70 milhões em receitas na comparação com 2021. A possibilidade de se tornar SAF, e conseguir novas fontes de arrecadação, também tem de ser analisada dentro desse contexto.
Apesar de todos os estudos realizados, o ESPN.com.br apurou ainda que o Bahia não negaria de imediato uma proposta para se tornar SAF. Qualquer oferta recebida pelo clube seria repassada aos sócios para uma decisão conjunta, sem a necessidade de se aguardar o fim dos estudos para que seja tomada alguma decisão.
Hoje, a atual gestão do Bahia entende que não precisa se apressar para virar SAF e equalizar as contas, em movimentos semelhantes aos de Botafogo e Cruzeiro. Para evitar repetir os erros do passado, os tricolores são cautelosos. Mas, como quase tudo no futebol, a bola entrar ou não na temporada pode fazer com que as coisas mudem mais rapidamente do que o previsto.
A história é por demais conhecida. Mas não custa relembrá-la. Foi em 1958, durante a Copa do Mundo. Horas antes do jogo contra a União Soviética, o técnico da Seleção Brasileira, Vicente Feola, reuniu a equipe para as últimas instruções e orientou o que considerava uma jogada matadora: enquanto Zito e Didi trocavam passes no meio do campo, Vavá partiria em disparada para o lado esquerdo, atraindo a defesa russa; só que o lançamento seria feito para direita, em direção a Garrincha, que driblaria o zagueiro e entregaria a bola redondinha para Pelé fazer o gol.
– Tudo bem? Todos entenderam? – perguntou Feola.
– Entendi, seu Feola. Mas o senhor já combinou tudo isso com os russos? – indagou Garrincha, em sua santa ingenuidade.
A lição ficou. Hoje é senso comum que é preciso sempre combinar previamente com os russos – os quais, evidentemente, nem sempre concordam com a combinação proposta.
Senão, vejamos. O governador Rui Costa não quer ficar sem mandato – e sem foro privilegiado, of course – após entregar o cargo, em janeiro próximo, e comunicou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seu desejo de ser o candidato a senador na chapa governista que disputará as eleições de outubro.
Lula gostou da ideia. Convicto de que será o próximo presidente da República, ele vem defendendo que o PT dê prioridade à formação de uma base parlamentar forte. Mesmo que isso signifique abrir mão de candidaturas a governador em favor de partidos aliados. Teme ficar refém do próximo Congresso, como ocorre hoje com o presidente Jair Bolsonaro em relação ao Centrão.
Mas faltava combinar o jogo com os russos. Foi o que se tentou na quarta-feira passada, em São Paulo, durante um encontro que reuniu Lula, Rui, os senadores Jaques Wagner e Otto Alencar, o vice-governador João Leão e a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann.
A combinação seria a seguinte: o senador Jaques Wagner, virtual candidato à sucessão de Rui, retiraria sua candidatura, abrindo espaço para o também senador Otto Alencar, do PSD, ser o candidato a governador do grupo.
Rui renunciaria ao cargo em abril, desincompatibilizando-se para ser o candidato a senador, no lugar de Otto. Com isso, o vice-governador João Leão, do PP, ganharia nove meses de mandato como titular, realizando seu sonho de encerrar a carreira política como chefe do Executivo baiano, e ainda indicaria o candidato a vice na chapa.
Tudo bonitinho e com um benéfico efeito colateral: o fato de o PT baiano abrir mão da indicação do candidato a governador em favor de Otto adoçaria a boca de Gilberto Kassab, o presidente nacional do PSD, partido cujo apoio Lula deseja e vem tentando obter, como reforço fundamental em busca de uma vitória logo no primeiro turno.
Não deu certo. Os russos não aceitaram a combinação.
Wagner saiu da reunião dizendo que continua candidato a governador – e recebeu o apoio, em declarações à imprensa, de petistas de diversos calibres do campo mais à esquerda do partido, que não admitem outra conformação para a chapa que não seja com alguém do PT na cabeça.
Otto, por sua vez, vendo a resistência de Wagner, disse que não queria ser candidato a governador. Reafirmou o desejo de renovar seu mandato no Senado e ratificou seu apoio à candidatura do amigo petista.
Já Leão, esse até que aceita a retirada do nome de Wagner, mas desde que o candidato ao governo seja ele. Também aceita a candidatura de Otto a governador, mas desde que ele seja o candidato a senador, sua segunda opção. Enfim, é Leão sendo Leão.
Em um último esforço para convencer Otto a aceitar ser o candidato a governador, Rui propôs colocá-lo já à frente do governo e na condição de candidato à reeleição. Para tanto, porém, seria preciso fazer a bola circular pelos pés de um maior número de jogadores antes do tiro a gol.
Seria assim: Rui e Leão, seu sucessor imediato, renunciariam no mesmo dia, em abril. Com isso, assumiria o governo o presidente da Assembleia, deputado Adolfo Menezes, do PSD, que também renunciaria. O próximo na linha de sucessão seria o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Nilson Soares Castelo Branco, que assumiria interinamente até a eleição de um novo governador pela Assembleia.
O candidato governista – sim, porque a oposição também poderia apresentar o seu – nesta eleição indireta seria Otto. Eleito, seria candidato à reeleição, sem precisar deixar o cargo de governador.
Tal combinação, evidentemente, não foi adiante. Com tantos russos para combinar, qualquer falha poderia ser fatal. Além disso, trazia em seu bojo uma certa astúcia: reeleito em outubro, Otto não mais poderia ser candidato em 2026, deixando o caminho livre para Rui, quem sabe, tentar retornar ao Palácio de Ondina.
O governador Rui Costa anunciou, nesta quinta-feira, um novo prazo para anunciar a chapa governista: 13 de março. Até lá, aceitam-se sugestões de novas combinações. Vale tudo, exceto aquilo que a lei proíbe.
*José Carlos Teixeira é jornalista, graduado em comunicação social pela Universidade Federal da Bahia e pós-graduado em marketing político pela Universidade Católica do Salvador.
O vice-governador João Leão é presidente estadual da sigla
Foto: Divulgação
O prefeito de Ipupiara, Ascir Leite (PP), declarou nesta sexta-feira (18) apoio ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) na corrida pelo governo do estado nas eleições deste ano. O pré-candidato a governador visita o município nesta sexta dentro do movimento “Pela Bahia”.
“Eu acredito no projeto de Neto, foi um dos melhores prefeitos do Brasil. Acredito na vitória de Neto, vim para somar e buscar convidar os meus colegas que ainda estão indecisos para que venham para o lado de cá, porque realmente é com homens sérios que fazemos as políticas públicas de verdade”, afirmou Leite.
“Levei as minhas demandas a Neto, falando que hoje Ipupiara você só chega e não tem para onde voltar. O meu sonho, o sonho de Ipupiara, é de nós buscarmos a ligação com Barra do Mendes, que liga à cidade de Irecê. Levei essa demanda e ele analisou com muito carinho. Senti com muita seriedade que ele fará todos os esforços para que possamos fazer essa estrada”, declarou o antigo apoiador de Rui Costa.
Diversos ministros devem deixar o governo até abril para concorrer às eleições de outubro
Presidente Jair Bolsonaro já definiu novos ministros Foto: PR/Alan Santos
O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (18) que já tem nomes para compor a Esplanada a partir de abril, quando alguns de seus ministros vão entregar os cargos para disputar as eleições
– Serão ministérios temporários, tampões, não haverá grande negociação política nisso aí – garantiu o presidente em live nas redes sociais, sem revelar os nomes escolhidos. Ele disse ainda que não vai aceitar a indicação de alguns ministros-candidatos sobre quem deveria substituí-los.
Por outro lado, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, terá influência. “O nome que ele sugerir terá peso fortíssimo”, afirmou o presidente, após elogiar o trabalho do pré-candidato ao governo de São Paulo à frente da pasta. A figura mais cotada para assumir o Ministério é o atual secretário-executivo, Marcelo Sampaio – genro do ministro da Secretaria-geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos.
Ainda sobre eleições, Bolsonaro declarou na live que pretende conquistar com aliados cerca de 20 das 70 vagas para deputados federais em São Paulo, a partir de candidaturas “com certo potencial eleitoral”, e acenou para composições com outras legendas. “Seria bom se mais partidos estiverem conosco”, declarou.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário no pleito deste ano, tampouco foi poupado das críticas. -Tem apoio porque já negocia ministérios e estatais. […] No tempo do Lula, se comprava carne mais barata? Sim, mas ele não enfrentou pandemia – declarou.
Bolsonaro ainda afirmou que a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, busca formas de lançar linhas de financiamento para agricultores que perderam a primeira safra em razão de desastres naturais.
O Concurso 2.455 da Mega-Sena deve pagar neste sábado (19) o prêmio de R$ 31 milhões a quem acertar as seis dezenas.
O sorteio será realizado às 20h no Espaço Loterias Caixa, do Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo.
Ninguém acertou as seis dezenas no último concurso, realizado quarta-feira (16), e o prêmio acumulou.
As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site da Caixa Econômica Federal – acessível por celular, computador ou outros dispositivos. É necessário fazer um cadastro, ser maior de idade (18 anos ou mais) e preencher o número do cartão de crédito.
A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 4,50. Caso queira acrescentar mais um número, o valor vai para R$ 31,50. No limite de 15 números, a aposta sai por R$ 22.522,50.
O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato a governador da Bahia, ACM Neto (DEM), cumpriu agenda no interior do estado nesta sexta-feira (18). Na companhia do ex-prefeito de Feira de Santana e possível candidato a vice-governador ou a senador, José Ronaldo (DEM), Neto visitou diversas cidades.
“Ao lado do pré-candidato ACM Neto, participamos de diversas reuniões nos municípios de Barra, Buritirama e Mansidão. Estiveram presentes os deputados Pedro Tavares, Arthur Maia e o pré-candidato, Luciano Ribeiro. Além de lideranças dos respectivos municípios: Em Barra, o ex-prefeito Dionísio; Em Butirirama, o prefeito Arival Viana, vereadores e lideranças; Em Mansidão, presença do líder político, Dr° Júvio, vereadores e lideranças”, ressaltou Ronaldo.
Em suas redes sociais, Ronaldo agradeceu pela receptividade e acolhimento que tanto ele quanto Neto receberam durante as visitas.
“Em todas as agendas, fomos recebidos com muito carinho e entusiasmo pela população que sinaliza a vontade de novos rumos em nossa Bahia”, finalizou José Ronaldo.
Toda manifestação artística parte do pressuposto de que já foi um fato em algum momento. Os quadros, mesmo quando abstratos, retratam as
impressões da mente de alguém, que por sua vez se originaram de suas vivências, conscientes ou não; as histórias que o cinema conta necessitam de eventos com o mínimo de realidade para se manterem de pé, ainda que abertamente delirantes; e de igual modo a literatura, com seu caráter idiossincrásico de embalar tramas inventadas em âmbitos concretos, mantêm o homem numa condição permanente de enlevação espiritual, ao passo que tenta se fixar no chão da vida, tanto para compreender a história que se desenrola frente a seus olhos, no caso do leitor, como para conferir melhor aproveitamento ao que pretende descrever, se a perspectiva inverter-se e mirar quem a elabora. A verdade é que a criação artística é um mistério; por mais talentoso que alguém possa vir a ser, nem sempre lhe é dado conhecer a alquimia da composição perfeita, e, por outro lado, indivíduos nitidamente medíocres se saem muito bem ao “apenas” observar a sutileza da vida se desdobrando à sua volta e transpor o que absorve para a forma com que deseja eternizá-lo. A vida não é justa e a arte não foi feita para reparar iniquidades.
Adaptado da novela de Javier Cercas, “O Autor” disseca as misérias com que todo escritor (ou aspirante a escritor) se depara em algum momento da vida, para não dizer pelo menos uma vez por dia — a depender da regularidade de sua produção. Lançado em 2017, o filme de Manuel Martín Cuenca assume a ponto de vista de um homem comum que se descobre dono de uma aptidão espantosa: manipular as pessoas. A partir dessa descoberta, Álvaro — um dos trabalhos mais viscerais de Javier Gutierrez, Goya de Melhor Ator pelo papel —, um notário de quarenta e poucos anos abandona o emprego e decide investir nesse dom inusitado. Na verdade, Álvaro não é capaz de domar sua vida, como muita gente; seus constantes atrasos e seu rendimento insuficiente levam seu chefe, Alfonso, de Alberto González, a sugerir que se ausente por algum tempo, o que ele faz prontamente. Acaba se retirando por dois meses e quando volta, por perceber que não cai dinheiro algum em sua conta há algum tempo, recebe a notícia de que tinha sido despedido, e sem direito a nada, uma vez que foi ele quem decidira sair. Antes disso, se desentendera com a mulher, Amanda, vivida por Maria Leon, essa, sim, escritora consagrada, mesmo que de folhetins açucarados, de “literatura para as massas”, como gosta de dizer. Amanda estava aos beijos com o sujeito que lhe entregara o prêmio por “Os Segredos dos Homens”, dentro de um carro no meio de uma rua de Sevilha, quando fora surpreendida, primeiro por Bruno, o labrador do casal, e na sequência pelo próprio marido. Mesmo um sujeito pacato como ele reage a certas investidas e Álvaro se muda para outro apartamento. Era o estímulo que lhe faltava a fim de começar a tentar dar à sua vida o rumo que sempre quis. A maneira como Cuenca encaminha o turbilhão de conflitos que assolam seu protagonista repentinamente denota um interesse quase mórbido de aprisionar Álvaro no novo apartamento, e sua obsessão pelo ofício que se apossa dele é tamanha que não tem sequer o cuidado de mobiliar a casa. A neutralidade do diretor cede lugar a um assumido tom de humor bizarro, primeiro com a entrada em cena de Lola, a zeladora carente de Adelfa Calvo — mais um Goya do filme, de Melhor Atriz Coadjuvante —, momento em que a personalidade doentia de Álvaro começa a se manifestar e quando o suspense do roteiro de Cuenca e Alejandro Hernandez também desponta.
A mudança para o prédio de que Lola toma conta — com desvelo de tal modo excessivo que só poderia mesmo degringolar num desfecho trágico, não para ela, mas para o próprio Álvaro e Felipe, o velho protofascista de Rafael Téllez — se presta ao exercício de busca da verdade proposto por Juan, o professor de escrita criativa, participação afetiva e sempre vívida de Antonio de la Torre. Depois de uma carraspana de Juan, motivada precisamente devido a seu péssimo hábito de querer contar histórias que, no fundo, não existem, Álvaro se lança a sério na empreitada de escrever sua novela, seguindo ao pé da letra o conselho do professor e escrevendo com os colhões, como recomendara Hemingway, trecho de comicidade questionável e que só descamba para o apelativo, quando não era necessário. Atento à movimentação no apartamento ao lado, dos imigrantes mexicanos Irene, personagem de Adriana Paz, e Enrique, de Tenoch Huerta, prestes a deixar o edifício por apuros de dinheiro, Álvaro dá, enfim, substância a “O Autor”. Fica evidente sua natureza psicótica, que o autoriza a não medir as consequências de seus disparates ao tentar captar o espírito de seu possível livro; hipnotizado por essa sua habilidade de se imiscuir na vida alheia com toda a discrição, pensando não fazer mal algum, o personagem de Gutierrez é levado a cometer um desatino atrás do outro, a ponto de Álvaro estimular a consumação de um crime, de que todos os moradores do prédio são suspeitos, mas ele é quem vai preso, uma reviravolta que chega meio tarde, mas admiravelmente engenhosa de Cuenca e Hernandez, que lembra “Quem com Ferro Fere” (2019), do também espanhol Paco Plaza.
“O Autor” se vale de todos os elementos à mão a fim de levar a cabo a trama, decerto uma das mais dotadas de espírito do cinema recente. O excesso de personagens poderia ser um empecilho ainda maior quanto a se administrar a história, por parte do diretor, e se processá-la, pela audiência. Não é preciso ser do ramo para se ter claro que escrever pode ser penoso, como qualquer atividade laboral, mas genuinamente prazeroso, mormente quando o texto flui. Às vezes, talento significa uma paciência sem limite. Às vezes, não.
Filme: O Autor Direção: Manuel Martín Cuenca Ano: 2017 Gênero: Comédia/Drama/Suspense Nota: 9/10
Realizado em uma ecovila na Bahia, o festival “Sexsibility Brasil” reuniu 120 participantes, a maioria mulheres Imagem: Felipe Brêtas
“Não queremos anular a rapidinha da sua vida, mas provar que sexo não é só um ato de alívio físico.”
É fim de tarde e cerca de 50 pessoas dispostas em círculo ouvem atentas os ensinamentos de uma terapeuta sexual, que mostra técnicas para “alcançar o êxtase” através da “arte do prazer próprio”. Primeiro passo: respiração. Os participantes inspiram lentamente o ar e soltam um gemido orgástico enquanto expiram. “A arte do autoprazer começa pela respiração, mas o toque, o som e o movimento também são importantes”, garante.
Depois de 20 minutos compartilhando suas experiências e explicando o significado de sexualidade sadia, ela lança: “Agora, vamos para a prática”. É nessa hora que pede aos presentes que fiquem de quatro. A nudez está liberada.
“Simulem um círculo com o ‘rabo’ de vocês. Vamos! Quero ouvir a respiração, mais alto”, estimula a terapeuta. O movimento tem que partir do cóccix e seguir até o pescoço. “Tocar-se é um exercício de meditação.”
Os dias amanheciam com uma meditação, às 7h. Quem se sentisse confortável, podia fazer as práticas despidosImagem: Felipe Brêtas
A palavra “masturbação” não é mencionada. “Fomos condicionados a achar que autoprazer é algo feito rápido, por puro tesão. Aqui, vamos desconstruir esse conceito juntos. “Quem se sentir à vontade, pode deitar no chão.” Imediatamente, o círculo se fecha e corpos nus se espalham pelo espaço. Os toques nas genitais são lentos.
O workshop de quase duas horas culmina com alguns alcançando o clímax e dá uma prévia do que está por vir.
Das genitais vêm o poder do coração
No início de fevereiro, Universa passou quatro dias no “Sexsibility Brasil”, primeira edição nacional do festival de sexualidade positiva que acontece há 12 anos na Suécia. “Comecei esse trabalho porque eu era neurótico com relação à sexualidade”, conta o sueco Lorenzo Stiernquist, de 50 anos, fundador do movimento.
Ele relembra: “Terminei um casamento de 14 anos, perdi o emprego e tinha dois filhos para criar. Fiquei perdido. E resolvi olhar para a minha vida sexual”. Depois de ler um livro que falava sobre o “poder do orgasmo no empoderamento feminino”, decidiu criar eventos que exploravam a temática. Logo se tornou professor de tantra, coach de sexualidade e fundou o Sexsibility Festival.
A prática da nudez fica restrita a algumas áreas por causa de desavenças com a comunidade da vila ecológica da Bahia escolhida para receber o eventoImagem: Felipe Brêtas
Trazido por um brasileiro que participou do festival sueco em 2019, ele pede para não ser identificado por trabalhar no mercado financeiro. Ainda assim, na abertura do evento, sobe ao palco e declara: “Para mim, é um sonho sendo realizado. Nesses dois anos e meio eu descobri meu propósito de vida: fomentar a sexualidade saudável no mundo”.
As condutas e normas são claras: é vetado o uso de qualquer substância de expansão de consciência (drogas, álcool ou cigarro) e a prática da nudez fica restrita a algumas áreas por causa de desavenças com a comunidade da vila ecológica da Bahia escolhida para receber o evento.
Quanto à camisinha, uma regra básica: o usuário deve jogar o “fluído sagrado” (sêmen) na natureza, lavar o objeto e descartá-lo em caixas de papelão disponíveis. A promessa era a de que o lixo produzido viraria material para bioconstrução.
O evento de abertura se encerra sob um forte coro de respiração orgástica e um pedido de Lorenzo: colocar uma das mãos sobre a genitália e a outra sobre o coração. “Das genitais vêm o poder do coração.”
Sexualidade enquanto “tratamento espiritual”
Encravada entre o rio e o mar, a área do festival é composta por três “ocas” temáticas, onde acontecem as palestras e workshops, além dos espaços reservados para a troca sexual: um playroom e um centro tântrico que só funcionam à noite. As atividade são classificadas por desenhos de “chillis” (pimentas), que variam de acordo com sua intensidade.
Kamila Camillo estava há três anos sem ter relações sexuais: “Vim para um processo de cura”Imagem: Felipe Brêtas
Entre as opções, palestra sobre “sexo sagrado solo com respiração”, aula sobre “cordas (shibari) tântricas” para casais e um workshop sobre pornografia pessoal. Em comum, a abordagem espiritual do assunto. “Vim para um processo de cura”, conta a consultora de projetos digitais Kamila Camillo, de 29 anos, que estava havia três anos sem transar. Depois de uma desilusão amorosa, decidiu “focar” a energia sexual em outras áreas, como a profissional.
O celibato, segundo ela, funcionou. Só que tinha chegado a hora de quebrar o jejum de sexo. “Não vim para cá esperando nada do festival, mas sim de mim. Acho que aqui consigo ser quem eu sou e viver a sexualidade da maneira que quiser”, afirma.
Acredito que só dá para alcançar a cura através da liberdade. E a verdadeira liberdade só a sexualidade pode trazer Kamila Camillo
A carioca Vanessa também chegou atrás de um tratamento espiritual para a própria sexualidade. “É uma área que venho curando dentro de mim. Entrei nesse mundo porque descobri que tinha o chacra da sexualidade bloqueado. Queria aprender ferramentas e atividades para me curar”, explica.
A carioca VanessaImagem: Felipe Brêtas
Ela, que é massoterapeuta tântrica e tem 22 anos, descobriu esse descompasso entre o “yin and yang” por causa de relacionamentos passados. “Era muito dominadora com meus parceiros. Sentia que os caras não eram suficientes para mim. Não sabia comunicar como gostava de ser tocada, era traumatizada por causa da minha infância violenta”. No festival, ela garante estar sendo tratada.
Para receber o “tratamento”, Vanessa desembolsou R$ 1.900 pelo ingresso do festival, que chegava a R$ 5 mil para quem optasse por uma suíte particular (com refeição inclusa).
Playroom com forró e centro tântrico
Uma meditação abria os dias, às 7h. Quem se sentisse confortável, podia fazer as práticas despidos. Um time de facilitadores oferecia atendimento emocional aos participantes — o “emoteam”. Diariamente, também aconteciam as “partilhas”, momento em que um grupo de participantes conversava sobre suas vivências no festival.
A pornógrafa paulistana Luiza Tormenta Imagem: Felipe Brêtas
Para a pornógrafa e educadora sexual Luiza Tormenta, de 30, sexualidade nunca foi um problema. Pelo contrário: “Claro que a sexualidade pode ser doentia, mas os debates que o festival levanta vão além do sexo, como é o caso das rodas e palestras sobre consentimento que acontecem aqui”.
Existe algo de espiritual no prazer. No ápice do orgasmo é quando me sinto mais próxima de Deus Luiza Tormenta
Foi em busca dessa plenitude espiritual que a americana Kristina Caltabiano aterrizou no litoral sul da Bahia. “Meu propósito é repensar a maneira como vejo a minha sexualidade. Em uma relação com homens, me entrego demais e esqueço de olhar para mim. Aqui, estou buscando redefinir meus limites com o outro”, desabafa. Para ela, participar do evento é um “ato de amor próprio”.
Solteira aos 32 anos, nômade digital e com uma vida sexual ativa, Kristina revela ter dificuldades em algumas atividades. “Quando estou em um grupo só de mulheres, me sinto segura. Com homens, meu corpo responde instantaneamente”, reflete.
Facilitadora conduz atividade com participantesImagem: Felipe Brêtas
Dos 120 participantes do evento, cerca de 80 são mulheres. Ainda assim, a presença masculina é marcante. A maioria héteros, brancos e cisgêneros, traziam barba no rosto, usavam coque, falavam sobre poliamor e praticavam yoga.
O desconforto de Kristina é compreensível. Apesar das palestras sobre consentimento e a importância de respeitar a vontade alheia, alguns homens dirigiam seus olhares para os corpos das mulheres de maneira possessiva.
Em workshops que envolviam toque físico — ainda que limites fossem traçados — participantes insistiam para romper esses pactos. “Não estou te abraçando, este é — na verdade — um exercício do tantra”, ouvi de um deles.
Julia Flores (à esquerda), nossa repórter, participou do eventoImagem: Felipe Brêtas
Só foi possível experimentar o tesão coletivo ao escolher uma parceira do sexo feminino para realizar oficinas. “Olhe para ela como se fosse uma deusa. Trate-a como algo inalcançável, sinta desejo, dance para ela, honre-a”, instigava a facilitadora. E assim foi feito.
A prática da penetração não era estimulada em oficinas nem workshops; só era permitida no “playroom”, uma cabana temática formada por folhas de bananeira, luz neon e corpos nus. No ar, o cheiro de incenso. Gemidos e barulhos de tapa contrastavam com o som do forró que vinha do fundo da casa.
“Vá para o playroom mesmo que não faça nada; vá e fique olhando. Ainda que você se ache um estranho no ninho, é importante se habituar. Com o tempo, ficará mais confortável com o ambiente”, pregavam os facilitadores. Foi o que fiz. Para tentar entrar no clima, deixei me levar pelo ritmo do forró enquanto, no quarto ao lado, casais transavam. A sintonia com o parceiro de dança não foi das melhores — a energia não bateu. Naquela noite, fui para a cama sozinha.
Penetração energética
Embora não tenha gozado do festival na sua plenitude, a experiência foi positiva. Nunca imaginei participar de uma oficina sobre “penetração energética”, em que um grande pênis dourado e imaginário “ocupava” a sala.
Ver tantas mulheres em um só lugar celebrando a própria sexualidade, questionando padrões, se tocando, foi libertador. As palestras e rodas de conversa sobre consentimento também foram importantes — olhar para si mesma e questionar os próprios limites é enriquecedor.
Sem dúvidas, aproximei ainda mais o coração da genitália, como ensinou Lorenzo. “Ano que vem queremos realizar o festival novamente”, planeja ele.
Nesta sexta-feira (18), 60 pessoas estão hospitalizadas com Covid-19 em Feira de Santana. O município registrou mais 151 casos positivos da doença e confirmou mais três mortes, ocorridas em 23, 29 e 31 de janeiro.A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) ressalta que a inclusão dos registros de óbito é feita quando a ficha de notificação e resultado do exame positivo para a doença chegam à Vigilância Epidemiológica.
Feira de Santana atingiu a marca de 49.682 curados da doença, índice que representa 75,3% dos casos confirmados. Relatório sobre Covid-19 em Feira de Santana
NÚMEROS DESTA SEXTA-FEIRA 18 de fevereiro de 2022Casos confirmados no dia: 151 Pacientes recuperados no dia: 52 Resultados negativos no dia: 85 Total de pacientes hospitalizados no município: 60 Óbitos comunicados no dia: 3 Datas dos óbitos: 23/01/2022, 29/01/2022 e 31/01/2022NÚMEROS TOTAIS
Total de pacientes ativos: 466 (Dados da Sesab) Total de casos confirmados no município: 65.948 (Período de 06 de março de 2020 a 18 de fevereiro de 2022) Total de pacientes em isolamento domiciliar: 15.146 Total de recuperados no município: 49.682 Total de exames negativos: 100.662 (Período de 06 de março de 2020 a 18 de fevereiro de 2022) Aguardando resultado do exame: 182 Total de óbitos: 1.060
INFORMAÇÕES TESTES RÁPIDOS
Total de testes rápidos realizados: 26.287 (Período de 06 de março de 2020 a 18 de fevereiro de 2022) Resultado positivo: 5.208 (Período de 06 de março de 2020 a 18 de fevereiro de 2022) Em isolamento domiciliar: 0 Resultado negativo: 21.079 (Período de 06 de março de 2020 a 18 de fevereiro de 2022)O teste rápido isoladamente não confirma nem exclui completamente o diagnóstico para Covid-19, devendo ser usado como um teste para auxílio diagnóstico, conforme a nota técnica COE Saúde Nº 54 de 08 de abril de 2020 (atualizada em 04/06/20).