
BBC News Brasil conversou com pessoas que disseram ter as relações familiares abaladas por conta das eleições, que terminaram em discussões, brigas e até afastamentos.
Um dia após a vitória de Lula nas eleições presidenciais de 2022, *Gustavo (nome fictício), de 32 anos, conta ter sido ignorado pelos irmãos, desprezado pelo pai e xingado pela própria mãe por ter votado no petista. Em entrevista à BBC News Brasil, o paranaense conta, sob a condição de anonimato, que se sente humilhado e planeja pedir demissão da empresa da família, na qual trabalha há quatro anos.
“Comemorei a vitória com todas as minhas forças. Eu trabalho com meus pais, mas moro sozinho. No dia seguinte, quando cheguei na empresa para trabalhar, meu pai – bolsonarista – me cumprimentou normalmente e fez zero comentários sobre o pleito. Por mim, tudo bem. Minha mãe, por outro lado, tão logo sentou em sua mesa, passou a me atacar. Disse que, se eu voto em ladrão e corrupto, não sou mais bem-vindo na empresa da família”, conta ele à reportagem.
Gustavo disse ter ficado muito abalado pelas frases ditas pela mãe dele, mas a que mais incomodou foi a mãe dizer que “eu preciso dela mais do que ela precisa de mim, então devo calar a boca”. A maneira como ela reagiu e olhou para o próprio filho foi o que mais o abalou.
“Foi um choque ver que minha mãe não estava me vendo como filho, mas como inimigo político. Ela foi cruel nas palavras. Ela pegou em pontos pesados. Ela falou com raiva. Ela falou com cólera no olhar”, lembra ele.
A eleição mais acirrada e polarizada da história da democracia brasileira dividiu o país, distanciou amigos e rompeu laços afetivos. A BBC News Brasil conversou com pessoas que disseram ter brigado com familiares por conta das eleições deste ano. Todos os depoimentos foram enviados por meio de um formulário, que recebeu mais de 50 relatos.
Gustavo não está apenas com vontade de deixar a empresa da família, mas também processá-los por assédio moral.
“Mas seria injusto com meu pai e meu primo, que de forma nenhuma me destrataram por conta da minha opção política. Eu só quero sumir daqui. Todo esse ódio, essa cólera desmedida, está me fazendo muito mal. Estou segurando meu choro há duas horas já. Não darei esse gostinho para minha mãe e seus devaneios fascistoides”, diz Gustavo à reportagem.
Ele conta que sempre houve divergências políticas na família dele. No entanto, desde o início da campanha, as discussões se tornaram mais ríspidas por conta principalmente do volume de mensagens que eles passaram a receber por meio do WhatsApp. Ele relata que pesquisava na internet e, juntos, eles identificavam as notícias falsas.
“Ela recebia mensagens dizendo que o filho do Lula tem uma Ferrari de ouro. Ela acredita que o Brasil vai virar comunista. Que a gente vai comer cachorro, que vamos fechar as igrejas e vão atear fogo nos padres. Mas, a partir da metade da campanha, eu acho que começaram a intensificar os disparos de maneira perversa. E chegou o momento em que meus pais não me perguntavam mais se aquilo era verdade ou não. Eles aceitavam aquilo como verdade”, relata.
Com o passar do tempo, Gustavo relata que as discussões sobre política no trabalho se intensificaram e ficaram cada vez mais acaloradas.
“Ficava um clima horrível para trabalhar o resto do dia. Chegou ao ponto de eu pegar e mudar o meu computador para a parte de cima do escritório, para ficar distante da minha mãe. Mas não tinha tomada no escritório em cima e tive de voltar a sentar na frente dela”, conta ele.
“Ela falou que eu sou um filhinho de papai que trabalha na empresa dos pais e que eu deveria me mudar para o Nordeste porque lá só tem vagabundo e petista”, relata.
Ao ser questionado sobre uma bandeira branca e um sinal de paz e reconciliação com a mãe, Gustavo diz que vai esperar até o início da próxima semana para saber como será o futuro da relação entre eles.
“Eu sou rancoroso, mas eu consigo ver uma possibilidade de reaproximação. Se ela tiver a maturidade de vir pedir desculpas, eu talvez releve o ser perverso que ela revelou ser. Mas a maior probabilidade de acontecer é que eu já estou procurando outro emprego para sair de lá o quanto antes”, afirma.
Pedro*, que mora em Brasília, disse que é o único na casa dele que não votou em Bolsonaro nestas eleições. E que tem pouco espaço para discutir política no mesmo ambiente onde mora com os pais e a irmã.
“Quando expliquei que talvez o Bolsonaro tenha perdido apoio por causa da maneira como ele lidou com a pandemia, a minha irmã começou a chorar e falar que ‘agora não importa mais esse tanto de morte já que o aborto vai ser legalizado’. Desde então, fiquei de boca fechada para tudo o que eles falavam”, afirma ao se dizer triste por não conseguir impedir que os familiares dele acreditem em notícias falsas.
Ele acreditava que a relação com os familiares melhoraria após o resultado das eleições.
“Com a vitória do Lula, agora o papo é outro. De eleições roubadas a intervenção federal. Não sinto que adianta eu explicar para eles que isso é inconstitucional porque ouço como resposta que “é obrigação das Forças Armadas proteger o país”. Não aguento mais isso, me sinto um refém na minha própria casa”, relata.
Moradora de Curitiba, no Paraná, Clarice* disse que assistiu à apuração do segundo turno das eleições ao lado da mãe e do filho de 9 anos. Segundo ela, o clima passivo-agressivo tomou conta do ambiente durante boa parte do tempo.
A mãe dela, bolsonarista, fazia constantes críticas ao voto da filha no Lula. Mas quando o pleito foi definido e Lula foi declarado presidente eleito, o clima mudou de maneira drástica.
“O ódio foi despejado aos gritos. Minha mãe me chamou de comunista, me agrediu verbalmente e não conseguiu manter o verniz religioso que sustenta a imagem bolsonarista. Ela não se importou nem em ser avó, destilando maldade na frente do meu filho. Usou até meu pai, morto durante a pandemia e enterrado nu em um saco plástico, para me entristecer, afirmando que ele não me aceitaria”, conta ela à BBC News Brasil.
Clarice relata que a mãe dela, com os dentes cerrados, disse que o país se tornará uma Venezuela, o que a deixou extremamente triste.
“Parece que tudo aquilo que estava compactado ali há anos veio à tona. Então foi. Foi uma hecatombe. Jamais fui petista e lulista. Apenas me posicionei contra a política de Bolsonaro. Enfim, venceu a democracia nas urnas, mas perdeu muito a humanidade nos últimos quatro anos, destruindo as famílias até o último voto apurado”, diz.
No ponto de vista dela, a mistura entre religião e política prejudicou ainda mais o debate na casa dela, pois a mãe é religiosa e deslegitima todos os argumentos dela por não frequentar a igreja.
Para Clarice, o clima ruim entre ela e a mãe deve perdurar “por um bom tempo”. A solução para ela, pelo menos por enquanto, será o distanciamento.
“Infelizmente, estou me afastando da minha mãe, para curar minha saúde emocional e a do meu filho. Penso em me mudar nas próximas semanas. Espero que em algum momento, no futuro, isso possa ser diferente.”
*O nomes usados nesta reportagem são fictícios para preservar a imagem dos entrevistados
– Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63509500

Movimento de apoio LGBT se manifestou contrário à declaração da atriz Cássia Kis que, em entrevista recente, disse que “homem com homem não faz filho”.
O Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT acionou o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro ao apresentar uma Ação Civil Pública contra Cássia pelo crime de homofobia. O movimento pede reparação coletiva da ordem de R$ 250 mil, “para fins de promoção de políticas e programas direcionados ao enfrentamento da discriminação”. Há também o pedido por retratação pública.
O Arco-Íris também entregou a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância uma notícia-crime relatando os mesmos fatos. O pedido é para que seja apurada a ocorrência de crime por parte de Cássia, com a possível abertura de ação penal.
“Não existe mais homem e mulher, mas mulher com mulher e homem com homem, e homem com homem não dá filho, nem mulher com mulher”, constatou a atriz. “Como a gente vai fazer?”
Cássia criticou ainda o ensino da ideologia de gênero nas escolas, considerada fake newspela imprensa tradicional. “Eu recebo as imagens inacreditáveis de crianças de 6, 7 anos se beijando”, observou. “Duas meninas dentro de uma escola se beijando, onde há um espaço chamado beijódromo.”
No perfil oficial de Cássia Kis no Instagram, esquerdistas chamaram a atriz de “homofóbica”, “bêbada”, “drogada” e que “vai pagar pelos comentários”.
Em nota, a Globo manifestou-se, ao reforçar seu “compromisso com a diversidade e a inclusão e repudia qualquer forma de discriminação”.
Informações TBN

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso precisou ser escoltado após ser visto em um restaurante na noite dessa quinta-feira (3/11) em Porto Belo, Litoral Norte de Santa Catarina. Ele jantava no bairro Perequê quando um grupo de manifestantes se reuniu no entorno do estabelecimento e começou a xingá-lo.
Testemunhas contaram à reportagem que manifestantes o seguiram até a residência onde o ministro estava hospedado. A Polícia Militar precisou ser chamada ao local e ajudou a equipe de segurança do STF a fazer uma escolta para que o ministro deixasse o imóvel de madrugada, já por volta das 4h.
Informações TBN

Rafael Marques
“Ninguém é candidato de si próprio. Eu sou oposição ao governo que está aí, que já passou por muitos, mas é um sistema. E a grande liderança desse sistema é o ex-prefeito. Ele disse que não tem nenhuma responsabilidade com o governo atual. Não tem? Como é isso? É a mesma coisa que ele fez com Tarcizio. É um jogo pesado, não topei jogar esse jogo, mas todos conhecem como funciona os interesses distante da nossa realidade e do povo”, disparou.

“Feliz e com grande carga de gratidão. Foram mais de 128 mil votos, uma vitória importante para o nosso mandato”, agradeceu o deputado federal reeleito Zé Neto (PT), em entrevista ao programa Rotativo News com Joilton Freitas (Sociedade News FM – 102.1), na tarde desta sexta-feira (4). O parlamentar também comentou sobre o processo de transição de governo entre Bolsonaro e Lula, Rui e Jerônimo.
“É preciso ter serenidade, já chega algumas situações que ainda estão sendo enfrentadas por causa de algumas pessoas que não se deram conta que o processo eleitoral deve ser encerrado no palanque e no resultado final, e não ter um 3º turno como eles querem”, criticou.
Ouça a entrevista completa em nosso podcast

Em Feira de Santana, não há registro de óbitos por covid-19 há 37 dias. O último ocorreu no dia 27 de setembro. Entre janeiro e outubro deste ano, foram contabilizadas 87 mortes. Nesse mesmo período, em 2021, foram 604 – a redução é de 85,5%. O balanço é da Secretaria Municipal de Saúde.
Conforme o boletim epidemiológico divulgado na quarta-feira, 02, há sete pacientes em isolamento domiciliar, desses apenas um aguarda o resultado do Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia-LACEN. Não há registro de pessoas internadas com complicações graves da doença no município.
Vale destacar que os dados são inseridos conforme a ficha de notificação, atestado de óbito, investigação do mesmo e resultado positivo do exame que chegam à Vigilância Epidemiológica (VIEP).
LOCAIS DE TESTAGEM
Pessoas com sintomas gripais ou da Covid devem procurar as unidades de saúde de seu bairro de abrangência para fazer o teste de antígeno- que colhe amostra nasal e apresenta resultado em menos de 20 minutos. O exame é realizado de segunda a sexta-feira.
Também é possível realizar o RT-PCR (resultado em alguns dias) e o teste de antígeno (resultado imediato) nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e policlínicas municipais. O serviço é disponibilizado gratuitamente todos os dias, das 7h às 19h.
*Secom
Com Frei Jorge Rocha
Tema: O uso do ’Q’

Nesta sexta-feira (4), o deputado federal reeleito José de Cerqueira Neto (PT), será entrevistado ao vivo no programa Rotativo News com Joilton Freitas, na Rádio Sociedade News FM 102.1.
Será a partir das 15h.

O governador da Bahia eleito, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou, na manhã desta sexta-feira (4), que cuidará, pessoalmente, da Educação no estado. O petista foi titular da pasta no governo de Rui Costa (PT). A performance de Jerônimo como secretário da Educação se tornou objeto rotineiro de ataques de adversários políticos durante o período eleitoral.
“Eu vou cuidar pessoalmente da educação da Bahia. Ainda na transição do governo de Rui Costa para o nosso governo, vamos conversar com os municípios para aprimorar o processo de alfabetização dos baianos e baianas.”, escreveu o governador eleito nas redes sociais, em meio à transição de governos.
De acordo com o petista, a missão, nos próximos quatro anos, é ‘retomar o crescimento do país’. “Estaremos com a comissão de transição e teremos muitas entregas no primeiro semestre de 2023. Ao mesmo tempo, já faremos novas ações. Vamos em frente!”, finalizou.
*Bahia.ba

A queda do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – foi revisada, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para 3,3%. Anteriormente, foi divulgado que a economia brasileira recuou 3,9% no primeiro ano da pandemia. De acordo com o IBGE, em 2019, o PIB brasileiro havia avançado 1,2%. As informações são da Agência Brasil.
A revisão foi divulgada nesta sexta-feira (4) pela pesquisa 2020 Sistema de Contas Nacionais Brasil, que traz um detalhamento maior da economia do que aquele apresentado pelas Contas Nacionais Trimestrais, que traz dados preliminares.
A revisão foi feita, principalmente, pela incorporação de novas informações sobre os serviços, que passaram de uma queda de 4,3% nos dados preliminares para um recuo de 3,7% nos dados consolidados divulgados hoje.
A principal revisão ocorreu em outras atividades de serviços, que passou -12,3% nos dados para -9,3%.
A queda da Indústria foi revisada de -3,4% para -3%, enquanto o crescimento da agropecuária foi revisado de 3,8% para 4,2%.
Demanda
Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias caiu 4,5% enquanto o consumo dos governos recuou 3,7%. A formação bruta de capital fixo, isto é, os investimentos, teve queda de 1,7% em 2020.
Entre os investimentos, houve quedas em máquinas e equipamentos (-4,3%) e produtos de propriedade intelectual também teve retração (-2,3%). Por outro lado, apresentaram crescimento os grupos construção (0,6%) e outros ativos fixos (1,9%).
Outros destaques da pesquisa foram a queda da necessidade de financiamento da economia em 66,6% em relação a 2019 e o crescimento de 29,4% nos benefícios sociais recebidas pelas famílias também na comparação com 2019.
*Bahia.ba