Um teste sorológico feito em um bebê espanhol detectou anticorpos contra o novo coronavírus (Sars-CoV-2). O bebê, nascido na última sexta-feira (23) havia testado positivo para Covid-19 num primeiro teste, mas depois testou negativo em um segundo exame.
O primeiro teste feito no bebê foi o PCR, o teste rápido. Após o protocolo de espera de 48h para um novo exame, o bebê testou negativo em um outro tipo de exame, que coleta amostras do nariz ou garganta com cotonetes.
De acordo informações da imprensa espanhola, a mãe do bebê testou positivo ao dar entrada no hospital. Como bebês não possuem capacidade de desenvolver anticorpos contra o coronavírus, eles podem ter sido transmitidos pela placenta durante a gestação. O fenômeno é conhecido como “transmissão vertical”.
A Sociedade Espanhola de Neonatologia informou que o caso é “muito raro” e será investigado pelos cientistas.
O governo federal se movimentou na manhã desta quarta-feira (28) para tentar explicar melhor a possibilidade de privatização de unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), depois que a publicação de um decreto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na terça-feira (27), ganhou grande repercussão.
“A medida não representa qualquer decisão prévia, pois os estudos técnicos podem oferecer opções variadas de tratamento da questão, que futuramente serão analisados pelo Governo Federal”, diz a nota divulgada pela Secretaria-Geral da Presidência da República – pasta comandada pelo ministro que assumirá uma das cadeiras do Tribunal de Contas da União (TCU), Jorge Oliveira.
Segundo o órgão da Presidência, o objetivo desses estudos técnicos seria o de “alimentar o governo de dados e informações sobre a atual situação das Unidades Básicas de Saúde (UBS)” dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, para uma avaliação posterior sobre a “possibilidade de parcerias com a iniciativa privada e, por fim, a viabilidade (ou inviabilidade) de aplicação concreta daquelas alternativas”.
A nota do governo explica ainda que o decreto, assinado por Bolsonaro na segunda (26) e publicado no Diário Oficial da União na terça (27), apenas oficializa a “concordância” do presidente da República com a proposta aprovada ano passado pelo Conselho do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) – colegiado que toma as decisões sobre privatizações federais.
E que “podem ser estudados arranjos que envolvam a infraestrutura, os serviços médicos e os serviços de apoio, de forma isolada ou integrada, sob a gestão de um único prestador de serviços”.
Em uma publicação no início da tarde desta segunda-feira (26), o presidente Jair Bolsonaro voltou a falar sobre a “judicialização” de questões envolvendo a produção e distribuição de vacinas contra a Covid-19. Na postagem, a exemplo do que já havia conversado de manhã com apoiadores, o presidente afirmou que a questão deve ser resolvida pelas autoridades de saúde.
O Supremo vai discutir a vacinação após partidos políticos acionarem a Corte para julgar as controvérsias em torno do tema. Uma das ações quer impedir o governo de prejudicar o andamento de qualquer pesquisa de imunizante no Brasil. Outras duas discutem a legalidade de impor a vacinação obrigatória à população. Pela manhã, o presidente respondeu a apoiadores que um juiz não poderia decidir quem tomaria, ou não, uma vacina.
– Eu entendo que isso não é uma questão de Justiça, isso é questão de saúde acima de tudo. Não pode um juiz decidir se você vai ou não tomar a vacina, isso não existe – afirmou.
Nesta segunda, a farmacêutica AstraZeneca anunciou que a vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford produz resposta imunológica similar em adultos mais velhos e mais jovens e tem reações adversas menores entre os idosos. Bolsonaro declarou que quer aguardar a comprovação, inclusive com publicação em revista científica, para decidir sobre a questão.
– O que a gente tem que fazer é não querer correr, é não querer atropelar. Não querer comprar desta ou daquela sem nenhuma comprovação ainda – declarou o mandatário ao fazer referência ao anúncio sobre a vacina de Oxford.
Nas últimas 48h, Feira de Santana não registrou nenhum óbito por Covid-19 e manteve a marca de 10.639 curados da doença desde o início da pandemia, índice que representa 91% dos casos confirmados. Enquanto isso, 47 pessoas que aguardavam resultado do exame testaram negativo e 54 novos casos de Coronavírus foram positivos hoje.
O boletim epidemiológico contabiliza ainda 34 pacientes internados no município e 778 casos ativos, ou seja, pessoas que ainda estão com a doença. A informação é da Vigilância Epidemiológica através da Secretaria de Saúde neste domingo (25).
Relatório sobre Covid-19 em Feira de Santana:
NÚMEROS DESTE DOMINGO – 25 de outubro de 2020 Casos confirmados no dia: 54 Pacientes recuperados no dia: 0 Resultados negativos no dia: 47 Alta hospitalar no dia: 0 Óbitos comunicados no dia: 0
A Secretaria de Saúde ressalta que a inclusão no boletim dos registros de óbito por covid-19 é feita quando a declaração de óbito, ficha de notificação e resultado do exame positivo para a doença chegam à Vigilância Epidemiológica.
NÚMEROS TOTAIS Total de pacientes ativos: 778 Total de casos confirmados no município: 11.659 (Período de 06 de março a 25 de outubro de 2020) Total de pacientes em isolamento domiciliar: 744 Total de pacientes hospitalizados no município: 34 Total de recuperados no município: 10.639 Total de exames negativos: 12.987 (Período de 06 de março a 25 de outubro de 2020) Aguardando resultado do exame: 353 Total de óbitos: 242
INFORMAÇÕES TESTES RÁPIDOS Total de testes rápidos realizados: 16.749 (Período de 06 de março a 23 de outubro de 2020) Resultado positivo: 3.036 (Período de 06 de março a 23 de outubro de 2020) Em isolamento domiciliar: 18 Resultado negativo: 13.753 (Período de 06 de março a 23 de outubro de 2020)
O teste rápido isoladamente não confirma nem exclui completamente o diagnóstico para covid-19, devendo ser usado como um teste para auxílio diagnóstico, conforme a nota técnica COE Saúde Nº 54 de 08 de abril de 2020 (atualizada em 04/06/20).
A vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, contra a Covid-19, gera uma resposta robusta na imunidade entre os idosos. Esse é o resultado obtido pelos testes clínicos que serão divulgados em breve em revistas científicas. A informação foi divulgada na manhã desta segunda-feira (26) pelo jornal Financial Times.
A vacina de Oxford faz parte de um acordo com o governo federal no Brasil, em uma parceria que envolve a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Segundo o colunista do UOL, Jamil Chade, a Organização Mundial de Saúde já havia recebido informações prévias sobre a imunização e, por isso, já havia se declarado “otimista” nos últimos dias.
Segundo o Financial Times, a vacina de Oxford desencadeia anticorpos protetores entre os mais idosos, justamente o grupo considerado como prioritário em uma primeira fase de vacinação. O jornal cita duas fontes que fazem parte do projeto. Durante o ano, o mesmo grupo já havia indicado que a gerou “respostas imunológicas robustas” entre adultos saudáveis.
A notícia chega alguns dias depois que os testes com a vacina foram retomados nos EUA, depois de uma pausa por questões de segurança e diante de um efeito colateral registrado em um dos voluntários que participa dos testes.
O Ministério de Ciência e Tecnonologia apresentou os resultados da pesquisa sobre o uso da nitazoxanida, conhecida popularmente como Annita, no tratamento precoce de pacientes leves da Covid-19. O medicamento foi capaz de reduzir a carga viral em pacientes contaminados pela doença, o que, em tese, ajudaria a diminuir a possibilidade de contágio por meio de pacientes infectados pelo vírus. A droga, no entanto, não conseguiu evitar complicações da doença.
Com o estudo, que ainda não foi publicado em revistas científicas e não contou com a revisão de especialistas, o Ministério da Saúde deverá decidir se inclui a nitazoxanida no protocolo de tratamento da Covid-19.
“Nós fazemos a nossa parte, de pesquisa, depois vamos passar o bastão para o Ministério da Saúde. Eles que vão decidir sobre o uso ou não nos protocolos”, afirmou o ministro da ciência, tecnologia e inovações Marcos Pontes.
1575 voluntários iniciaram o estudo e apenas 392 concluíram. 194 receberam o antiviral, que também é usado como vermífugo, e 198 tomaram o placebo. Foram administradas três doses diárias de nitazoxanida em pacientes que apresentavam quadros mais leves da doença entre o primeiro e terceiro dias de sintomas. A pesquisa também indicou que o antiviral, sete dias depois do fim do tratamento, promoveu uma redução no número de pacientes com sintomas provocados pela infecção. Ao fim desse período, 78% dos pacientes que tomaram a droga estavam assintomáticos. Já entre os que ingeriram o placebo esse percentual foi de 57%.
Os pesquisadores também concluíram que o número de pacientes negativados para SARS-CoV-2 depois do tratamento de cinco dias foi de 30% para o grupo que tomou a medicação, contra 18% para os pacientes que ingeriram o placebo.
A nitazoxanida também se apresentou uma terapia segura, segundo os pesquisadores. “A substância não tem eventos adversos graves muito comuns na maioria dos antivirais que nós temos no mercado no momento”, afirmou a coordenadora da pesquisadora Patricia Rocco, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Outubro se tornou um mês conhecido para alerta e prevenção do câncer de mama. Por isso, a partir do dia 24 o IHEF Clínica de Imagem vai realizar um mutirão de mamografia para mulheres em situação de vulnerabilidade social. A ação acontecerá em quatro dias, sempre aos sábados, começando no dia 24 de outubro e indo até o dia 14 de novembro. Para ter acesso ao exame, as mulheres deverão se inscrever através de questionário que está disponível no site www.ihef.com.br. Este é o terceiro ano de realização do mutirão, que é uma parceria do IHEF com a clínica AMO.
Após completar o preenchimento do questionário, há um prazo de 72h em que o IHEF entrará em contato sobre a manutenção ou não da candidatura desta mulher ao mutirão. Em caso positivo, neste mesmo contato ela receberá orientação quanto ao dia e horário em que precisará comparecer na clínica para realização do exame. A expectativa é de realização de 25 mamografias por sábado, totalizando 100 atendimentos. Estes atendimentos gratuitos são viabilizados a cada 8 mamografias realizadas de forma particular ou via plano de saúde no IHEF Clínica de Imagem, durante os meses de outubro e novembro.
“O mutirão é o ponta pé para o rastreamento e tratamento do câncer caso a doença seja detectada. Algum exame mostrando alteração no resultado, encaminhamos a paciente para consulta com mastologista ou oncologista na Clínica AMO e, a partir daí, ela será direcionada para tratamento na UNACON, pela rede SUS”, explica Albert Brandão, gerente operacional do IHEF Clinica de Imagem.
“O ponto alto do nosso mutirão solidário é a abrangência do atendimento prestado ao paciente. A realização da mamografia, aliada ao atendimento em consulta com especialistas de mastologia e oncologia, prezam pela resolutividade, oferecendo ao paciente, desde a prevenção, diagnóstico até as melhores alternativas de tratamento”, afirma Adriana Saraiva, Coordenadora de operações da Clínica AMO de Feira de Santana.
Para Albert, a importância da realização desse tipo de ação num momento de pandemia é “justamente porque as outras doenças não pararam. Estudos apontam que algumas doenças até pioraram porque nesse período as pessoas deixaram de fazer seus exames de rotina. No caso do câncer, a prevenção e o diagnóstico precoce são essenciais”, destaca.
Ele também salienta que este ano a ação precisou ser modificada pelos protocolos sanitários necessários. Para evitar aglomeração, a inscrição será realizada através de formulário online.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou,nesta sexta-feira (23), a importação de 6 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 CoronaVac.
A CoronaVac é uma vacina chinesa, criada pelo laboratório Sinovac e produzida em parceria com o Instituto Butantan, em São Paulo.
A Anvisa, no entanto, só liberou a importação. A distribuição do imunizante depende ainda da autorização do final dos testes.
A expectativa é que, até o fim do ano, o instituto consiga produzir outras 40 milhões de doses.
A questão da obrigatoriedade da vacina contra a Covid-19 será analisada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta sexta-feira (23), o ministro Ricardo Lewandowski decidiu levar diretamente ao plenário três ações relatadas por ele que tratam do tema.
Em sua decisão, Lewandowski apontou a “importância da matéria e emergência de saúde pública decorrente do surto do coronavírus”.
Além disso, o ministro também pediu manifestações da Presidência da República, da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Procuradoria Geral da República (PGR) sobre o tema.
A polêmica sobre a vacina da Covid-19 envolve a questão da obrigatoriedade da imunização. Um dos mais vocais nesta direção é o governador de São Paulo, João Doria, que disse que pretende obrigar a população a se imunizar. O presidente Jair Bolsonaro, no entanto, é contra a obrigatoriedade.
Atualmente, são quatro ações sobre o tema no STF: uma do PDT; uma da Rede; uma apresentada por vários partidos de oposição (PSOL, Cidadania, PT, PSB e PCdoB) e uma do PTB.
A taxa de mortos entre os infectados pelo novo coronavírus é inferior a 0,20% na maioria dos locais do mundo, indica trabalho recém-publicado por um dos principais especialistas em epidemiologia e em medicina baseada em evidências, o professor de Stanford John Ioannidis.
O cálculo da chamada taxa de letalidade por infecção é importante, diz o professor, porque baseia políticas públicas de grande impacto na vida das pessoas e na evolução social e econômica dos países, como confinamentos, toques de recolher e fechamento de escolas.
“Algumas intervenções rigorosas podem ser apropriadas se a letalidade for alta. Se essa taxa for baixa, porém, essas medidas podem ficar aquém dos limites aceitáveis de risco-benefício”, diz Ioannidis.
Os cálculos foram feitos com base em estudos de soroprevalência, que medem a proporção de pessoas que desenvolveram anticorpos para o Sars-Cov-2. Esses números indicam com mais precisão quantos foram infectados, pois incluem também os que não tiveram sintomas ou não perceberam que haviam sido contaminados.
Ioannidis partiu de 61 estudos e 8 pesquisas nacionais, num total de 82 estimativas em 51 locais diferentes. Com base nelas, projetou que havia mais de meio bilhão de pessoas infectadas até 12 de setembro de 2020, 17 vezes os 29 milhões de casos confirmados na ocasião.
O trabalho do pesquisador (no original) encontrou uma taxa mediana de letalidade por infecções de 0,23%, ou seja, houve 23 mortes para cada 10 mil pessoas contaminadas pelo Sars-Cov-2.
Como já há muitas evidências de que a doença mata idosos em proporção muito maior, ele calculou também a taxa de letalidade considerando apenas menores de 70 anos. Nessa faixa etária, o índice é de 0,05% (ou 5 mortos a cada 10 mil infectados), na mediana.
Os números, porém, variaram bastante de local para local. Entre os menores de 70 anos, a variação foi de 0,00% a 0,31% nos 51 locais estudados.
Na população como um todo, o resultado foi menor (0,09%, ou 9 a cada 10 mil infectados) em locais com taxas de mortes por população menores do que a média global (menos de 118 mortes por 1 milhão de habitantes).
Já nos que registravam mortes por Covid-19 acima da média (mais de 500 mortos/milhão de habitantes), a taxa de letalidade foi bem maior: 0,57%, ou 57 mortos a cada 10 mil infectados.
Segundo Ioannidis, a disparidade pode refletir diferenças na estrutura de idade da população e na idade dos infectados e mortos, entre outros fatores. Ainda assim, diz ele, todas as taxas inferidas ficaram muito abaixo das estimadas no início da pandemia, de mais de 4%, embora pesquisadores, entre eles o próprio Ioannidis, apontassem para a baixa qualidade dos dados disponíveis.
Modelos matemáticos sugeriram que, com o avanço da pandemia, o número seria reduzido para algo mais próximo de 1,0% ou 0,9%.
Os cuidados tomados por Ioannidis na seleção dos estudos e dados usados em seus cálculos foram conservadores, ou seja, excluíram casos que poderiam subestimar a letalidade e incluíram alguns em que ela pode ter sido superestimada.
O pesquisador observa também que a maioria dos estudos usados em seu trabalho é de locais com taxas de mortalidade por Covid-19 superiores à média global, e não são totalmente representativos de todos os países e locais no mundo.
“Se uma amostra pudesse ser igual em todos os locais do mundo, a taxa média de mortalidade por infecção pode ser substancialmente inferior aos 0,23% observados em minha análise, e pode ser ainda mais reduzida com medidas que protejam seletivamente populações vulneráveis e ambientes de alto risco”, diz ele.
São números comparáveis às taxas de letalidade da gripe sazonal e da pneumonia: 0,13% e 0,2%, respectivamente, em países de alta renda.
O artigo de Ioannidis, já revisado por pares, foi publicado na quarta-feira passada (14) no boletim da Organização Mundial da Saúde. Entre os trabalhos analisados estavam seis estudos feitos no Brasil, no Maranhão, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e em 133 cidades diferentes.