CNN Brasil- Por unanimidade, a diretoria da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou, com ressalvas, neste domingo (17), o uso emergencial das vacinas de Oxford/AstraZeneca e da Coronavac. Com a decisão, as vacinas poderão agora ser aplicadas na população brasileira.
Para a liberação do uso emergencial dos imunizantes eram necessários três votos dos cinco possíveis na diretoria da Anvisa. Antônio Barra Torres, Cristiane Rose Jourdan Gomes, Alex Machado Campos, Romison Rodrigues Mota e Meiruze Freitas, relatora da solicitação, deram parecer favorável.https://d-3475684067343938942.ampproject.net/2012301722001/frame.html
A diretora da Anvisa Meiruze Freitas, relatora dos pedidos de uso emergencial das vacinas, foi a primeira a votar neste domingo, e deu parecer favorável à aprovação do uso emergencial temporário dos imunizantes. Ela foi seguida, então, pelos seus colegas, inclusive o diretor-presidente da agência, Antônio Barra Torres, que fechou a votação.
“Ressalvadas algumas incertezas pelo estágio das vacinas em desenvolvimento, os benefícios das duas candidatas superam os riscos e ambas atendem os critérios de eficácia e segurança”
Meiruze Freitas, diretora da Anvisa e relatora da análise dos pedidos
Os votos seguiram as recomendações de três áreas técnicas da Anvisa: a Gerência-Geral de Medicamentos, a Coordenação de Inspeção e Fiscalização de Insumos Farmacêuticos e a Gerência-Geral de Monitoramento de Produtos Sujeitos à Vigilância Sanitária.
Em suas recomendações, as áreas técnicas afirmam que aprovaram o uso, mas que será preciso acompanhar a evolução das duas vacinas.
“Confie na Anvisa, confie nas vacinas que a Anvisa certifica”
Antônio Barra Torres, diretor-presidente da Anvisa
Análise da eficácia das vacinas
O gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes, disse que, apesar da falta de dados sobre as vacinas, o uso das mesmas teria benefícios pelo estágio da pandemia no Brasil e ausência de uma alternativa terapêutica contra a Covid-19.
A área técnica do órgão regulador recomendou neste domingo a aprovação do uso emergencial das duas vacinas. Nos dois casos, a recomendação foi para aprovação com monitoramento das “incertezas e reavaliação periódica” dos dados o imunizante.
A eficácia geral da vacina de Oxford/AstraZeneca é de 70,42%, calculou a agência. O dado considera mais de uma forma de aplicação e intervalo entre doses. No Brasil, com duas doses, a eficácia ficou em 62%. No caso da Coronavac, a eficácia calculada é de 50,39%.
Mendes apontou ainda uma série de lacunas de dados para comprovar que o produto importado da Índia é equivalente ao que a AstraZeneca pretende, no futuro, registrar no Brasil. “Pode constituir produtos diferentes, ainda que possuam categorias similares”, disse.
Mendes afirmou também que há dúvidas sobre a eficácia dos imunizantes na população acima de 65 anos e sobre resultados do uso de doses mais baixas ou da aplicação de apenas uma dose.
Mendes ainda afirmou que os dados não permitem conclusões sobre a eficácia na forma mais grave da doenças. “Existe tendência favorável à proteção, mas precisamos acompanhar mais de perto.”
CNN Brasil- A Gerência-Geral de Medicamentos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recomendou a aprovação do uso emergencial da vacina Coronavac. A informação foi dada por Gustavo Mendes Lima, gerente-geral de medicamentos e produtos biológicos da Anvisa neste domingo (17).
A recomendação aconteceu durante a reunião que vai decidir pela aprovação ou não das vacinas Coronavac, da farmacêutica Sinovac, produzida pelo Instituto Butantan, e da Oxford/AstraZeneca, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). O encontro segue em andamento.
Essa foi a recomendação de uma das três áreas técnicas da Anvisa. Mais duas áreas ainda devem apresentar seus pareceres: a Coordenação de Inspeção e Fiscalização de Insumos Farmacêuticos e a Gerência-Geral de Monitoramento de Produtos Sujeitos à Vigilância Sanitária.
“A situação que nós estamos vivendo é de muita preocupação, de muita tensão por conta dos insumos necessários para o enfrentamento da doença, por isso, a Gerência-Geral de Medicamentos recomenda a aprovação do uso emergencial da Coronavac”, disse Lima.
Para ele, a recomendação está condicionada a um monitoramento e ao acompanhamento da vacina, além de reavaliação períodica. “A nossa recomendação é que se a gente não olhar com muito cuidado e de maneira muito próxima em como vai ser o desempenho dessa vacina ao longo do tempo, nós temos um risco de não conhecermos a eficácia real com dados robustos.”
Cinco diretores da Anvisa participam da reunião. Para aprovação, são necessários ao menos três votos a favor do uso emergencial.
As autoridades sanitárias da Noruega alertaram para o risco de efeitos colaterais em idosos debilitados das vacinas anti-Covid feitas com a tecnologia do RNA mensageiro (mRNA).
A agência de medicamentos do país nórdico divulgou na última sexta-feira (15) um comunicado que sugere que efeitos adversos comuns após a aplicação de imunizantes de mRNA, como febre e náusea, “podem ter contribuído para um desfecho fatal em pacientes frágeis”.
Até o momento, duas vacinas de mRNA estão aprovadas para uso emergencial em países da Europa: a da Biontech/Pfizer e a da Moderna. O RNA mensageiro é uma sequência genética sintética que instrui as células humanas a produzirem a proteína spike, espécie de “casca de espinhos” utilizada pelo coronavírus Sars-CoV-2 para atacar.
Ao perceber a presença da proteína spike no organismo, o sistema imunológico produz os anticorpos que, mais tarde, servirão para enfrentar uma eventual infecção pelo vírus.
Efeitos adversos
O último relatório da agência sobre efeitos colaterais da imunização contra a Covid-19 contabiliza 29 episódios adversos, sendo 13 com morte, embora isso “não implique uma relação causal entre o evento e a vacina”.
“Não podemos excluir que reações adversas ocorridas poucos dias após a vacinação (como febre e náusea) possam ter contribuído para um desenvolvimento mais sério e desfecho fatal em pacientes com graves doenças subjacentes”, afirma o documento.
Segundo a agência, os estudos da vacina da Biontech/Pfizer não incluíram pacientes com doenças “instáveis ou agudas” e tiveram poucos participantes com mais de 85 anos.
No entanto, o próprio órgão ressaltou que, como a campanha de imunização é voltada a hóspedes de asilos com patologias graves, “é esperado que algumas mortes possam ocorrer perto da vacinação”.
“Na Noruega, morrem em média 400 pessoas por semana em casas de repouso”, diz o comunicado. Segundo a agência Bloomberg, a Pfizer e a Biontech estão trabalhando com as autoridades do país nórdico para investigar as mortes.
Até 14 de janeiro, a Noruega já havia vacinado 42 mil pessoas, de acordo com o portal Our World in Data.
Sem alarme
O presidente do comitê de vigilância da vacinação da Agência Italiana de Medicamentos (Aifa), Vittorio Demicheli, disse neste sábado (16) que, até o momento, “não existem razões de alarme” por conta dos efeitos reportados na Noruega.
“Não há indícios que nos façam duvidar da escolha feita. Estamos protegendo os mais frágeis com o melhor produto que temos. Na Itália, não foi assinalado nada de grave”, acrescentou.
Segundo Demicheli, os países estão vacinando pessoas que já têm uma “probabilidade mais alta de morrer”. Até o momento, a Itália imunizou 1.072.086 pessoas, sendo 95.974 em asilos, todas com vacinas de mRNA.
Nas últimas 24h, Feira de Santana não registrou nenhum óbito por Covid-19. Até agora, são exatamente 20.694 pacientes curados, índice que representa 93% dos casos confirmados. Além disso, foram registrados 178 exames negativos para o vírus e 45 casos positivos. O boletim epidemiológico contabiliza ainda 62 pacientes internados no município e 1.177 casos ativos, ou seja, pessoas que ainda estão com a doença. A informação é da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde neste sábado (16).
Relatório sobre Covid-19 em Feira de Santana NÚMEROS DESTE SÁBADO 16 de janeiro de 2021
Casos confirmados no dia: 45 Pacientes recuperados no dia: 52 Resultados negativos no dia: 178 Total de pacientes hospitalizados no município: 62 Óbito comunicado no dia: 0
A Secretaria de Saúde ressalta que a inclusão no boletim dos registros de óbito por Covid-19 é feita quando a declaração de óbito, ficha de notificação e resultado do exame positivo para a doença chegam à Vigilância Epidemiológica.
NÚMEROS TOTAIS
Total de pacientes ativos: 1.177 Total de casos confirmados no município: 22.258 (Período de 06 de março de 2020 a 16 de janeiro de 2021) Total de pacientes em isolamento domiciliar: 1.115 Total de recuperados no município: 20.694 Total de exames negativos: 30.800 (Período de 06 de março de 2020 a 16 de janeiro de 2021) Aguardando resultado do exame: 240 Total de óbitos: 389
INFORMAÇÕES TESTES RÁPIDOS
Total de testes rápidos realizados: 20.545 (Período de 06 de março de 2020 a 15 de janeiro de 2021) Resultado positivo: 3.676 (Período de 06 de março de 2020 a 15 de janeiro de 2021) Em isolamento domiciliar: 7 Resultado negativo: 16.869 (Período de 06 de março de 2020 a 15 de janeiro de 2021)
O teste rápido isoladamente não confirma nem exclui completamente o diagnóstico para covid-19, devendo ser usado como um teste para auxílio diagnóstico, conforme a nota técnica COE Saúde Nº 54 de 08 de abril de 2020 (atualizada em 04/06/20).
Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana
Decisão ocorre neste domingo e será transmitida ao vivo
Foto: Divulgação
Pleno News- Neste domingo (17), cinco diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se reúnem para analisar os pedidos de uso emergencial da vacina Oxford/AstraZeneca e CoronaVac. A decisão caberá ao colegiado porque o processo ocorre fora do registro convencional de vacinas no país.
A reunião terá início às 10h e será transmitida em tempo real por meio das plataformas digitais do órgão fiscalizador. O tempo estimado da análise é de cinco horas. Para que os pedidos sejam aprovados, é necessário o aval de ao menos três integrantes do colegiado.
SAIBA QUEM SÃO OS DIRETORES QUE COMPÕEM A MESA
Diretor-presidente Antonio Barra Torres Contra-almirante da Marinha, Antonio é médico pela Fundação Técnico-Educacional Souza Marques. Assumiu o cargo como presidente interino em 2019, e foi efetivado em 2020. Seu mandato vai até dezembro de 2024.
Segunda-diretora Meiruze Sousa Freitas Formada em farmácia com habilitação em Análises clínicas pela Universidade Federal de Minas de Gerais, está na Anvisa há 13 anos. Atuou como adjunta de diretor, gerente geral de Toxicologia e gerente da área de medicamentos.
Terceira-diretora Cristiane Rose Jourdan Gomes Médica também formada na Fundação Técnico-Educacional Souza Marques, e bacharel em direito, Cristiane defende o tratamento precoce contra a Covid-19. Trabalhou na gestão no Ministério da Saúde e na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Seu mandato vai até julho de 2022.
Quarto-diretor Romison Rodrigues Mota Servidor da Anvisa há 15 anos, Romison é economista pela pela Universidade Estadual de Goiás. É Gerente Geral de Gestão Administrativa e Financeira da Anvisa desde 2015, e diretor substituto no órgão desde abril de 2020.
Quinto-diretor Alex Machado Campos Graduado em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco, Alex foi técnico legislativo na Câmara dos Deputados e chefe de gabinete do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.
Durante a reunião, serão levados em conta quatro critérios fundamentais: a qualidade da vacina, as boas práticas de fabricação, estratégias de monitoramento e controle, além dos resultados provisórios dos ensaios clínicos.
Caso o uso emergencial seja aprovado, os imunizantes poderão ser disponibilizados ao sistema público de saúde, e o governo poderá começar a executar o Plano Nacional de Imunização. A comercialização das vacinas, entretanto, seguirá proibida. A decisão pode ser revogada a qualquer momento pela Anvisa.
Bahia Notícias- A Itália anunciou neste sábado (16) que vai suspender os voos do Brasil como uma resposta a uma nova cepa de coronavírus. É o segundo país que decide barrar a entrada de pessoas vindas do território brasileiro por causa da variante encontrada no Amazonas. As informações são do portal G1.
Segundo o ministro da Saúde da Itália, Roberto Speranza, qualquer pessoa que tenha transitado pelo Brasil nos últimos 14 dias também está proibida de entrar no país. E quem chegar à Itália do Brasil será obrigado a fazer um teste para detectar o vírus. “É fundamental que nossos cientistas estudem a nova cepa. Nesse ínterim, estamos tomando uma abordagem muito cautelosa”, disse ele nas redes sociais.
Na quinta-feira, o Reino Unido decidiu barrar viajantes oriundos do Brasil, Portugal e de outros 14 países por conta da nova variante do coronavírus. A proibição passou a valer já na sexta (15).
Documento de 23 de novembro apontou que pasta tinha conhecimento do aumento da demanda
Governador do Amazonas, Wilson Lima Foto: Divulgação/Secom
Pelo menos desde o dia 23 de novembro, a Secretaria de Saúde do Amazonas sabia que a quantidade de oxigênio hospitalar disponível seria insuficiente para atender a alta demanda provocada pela pandemia de Covid-19.
A informação consta de projeto básico, que foi elaborado pela própria pasta, para a última compra extra do insumo, realizada no fim do ano passado. A White Martins informou que, se o contrato tivesse previsto um pedido maior na oportunidade, a empresa teria conseguido atendê-lo.
O contrato original para aquisição de gases medicinais do sistema de saúde é de 2016 e foi assinado com a White Martins, a principal fornecedora no Amazonas, com valor mensal informado de R$ 1,3 milhão. Inicialmente, o acordo previa o atendimento de até dois mil pacientes respiratórios.
Em 2018, ainda antes da pandemia, a secretaria chegou a assinar dois aditivos que, juntos, representavam acréscimo de 3,1% do valor. Como o teto permitido é de até 25% (acumulado) em cada contrato, o Estado ainda tinha uma margem de 21,9% para adquirir insumos em 2020, sem a necessidade de abrir um novo processo de contratação.
Toda essa cota, no entanto, foi usada na última compra extra em novembro. Na ocasião, a pasta ainda informa a inclusão “com urgência” do Hospital Geraldo da Rocha, em Manaus, na lista de unidades atendidas.
O projeto para o aditivo é de 23 de novembro. No documento, a secretaria também admite que os casos do novo coronavírus já estavam em alta na época e que o volume de oxigênio contratado não seria suficiente para dar conta da demanda.
– No Estado do Amazonas os casos de Covid-19, no mês de setembro, vêm apresentando alta crescente de casos confirmados. O percentual de 21,9152% disponível para aumento não atende as necessidades desta Secretaria, a alta crescente nos números de casos confirmados da Covid-19 e o pronunciamento até a presente data da Diretora da FVS (Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas) quanto a uma possível 2ª onda da pandemia – dizia a pasta.
Segundo o Portal da Transparência do Amazonas, os itens do aditivo incluíam um total de 307 mil metros cúbicos de oxigênio líquido e 6,1 mil na forma de gás, que são usados para pacientes internados por coronavírus. Também foram comprados outros gases hospitalares para procedimentos médicos diversos.
SECRETARIA DE SAÚDE DIZ QUE COMPROU TODO O INSUMO Questionada sobre quais as medidas foram tomadas para evitar o desabastecimento e se houve tentativa de novas compras emergenciais ou buscas por novos fornecedores no período, a pasta não respondeu às perguntas e disse que “sempre contratou todo o insumo que a White Martins foi capaz de produzir”.
A secretaria afirma, ainda, que “sempre trabalhou” com previsão de maior demanda por oxigênio nesse período por causa da pandemia e da sazonalidade de outras síndromes gripais. Também diz que, até o último dia 7, “desconhecia” que “a capacidade máxima produtiva na planta de Manaus da White Martins era de cerca de 25 mil metros cúbicos por dia.
Ainda conforme a nota, em ofício enviado ao Comitê de Crise do governo, no último dia 9, a White Martins disse que sua planta operava no limite e classificou o momento como “sem precedentes”
WHITE MARTINS DIZ QUE PEDIDO FOI ATENDIDO Questionada se teria capacidade de atender um pedido maior por oxigênio se ele tivesse sido feito em novembro, a White Martins respondeu que possuía a capacidade de buscar formas de viabilizar o aumento da oferta em patamares mais elevados, como está fazendo nesse momento e no período da primeira onda da pandemia.
Em nota, a White Martins explicou que ao longo de 2020 já havia passado por processos de ampliação para aumentar significativamente sua capacidade de produção local.
-É importante esclarecer ainda que, na data de 01/01/21, a planta da White Martins tinha em estoque produto suficiente para abastecer os hospitais da região pelo período de sete a oito dias de acordo com o consumo diário de dezembro de 2020 – detalhou.
Pedido foi feito pelo Ministério da Saúde ao Instituto Butantan
Foto: Reprodução
Nesta sexta-feira (15), o Ministério da Saúde enviou um ofício ao Instituto Butantan solicitando a “entrega imediata” de 6 milhões doses importadas da CoronaVac, vacinachinesa da Covid-19. O documento foi assinado pelo diretor do Departamento de Logística em Saúde, Roberto Ferreira Dias, e enviado ao diretor do instituto, Dimas Covas.
“Solicitamos os bons préstimos para disponibilizar a entrega imediata das 6 milhões de doses importadas e que foram objeto do pedido de autorização de uso emergencial perante a Anvisa” disse a Pasta no documento.
O ministério ressaltou ainda a “urgência na imediata entrega do quantitativo contratado e acima mencionado, tendo em vista que este ministério precisa fazer o devido loteamento para iniciar a logística de distribuição para todos os estados da federação de maneira simultânea e equitativa, conforme cronograma previsto no Plano Nacional de Operacionalização da vacinação contra a Covid-19”.
Sobre o pedido, o Butantan informou ter recebido o documento disse que “para todas as vacinas destinadas pelo instituto ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), é praxe que uma parte das doses permaneça em São Paulo, estado mais populoso do Brasil. Isso acontece, por exemplo, com a vacina contra o vírus influenza, causador da gripe. Portanto, o instituto aguarda manifestação do Ministério também em relação às doses da vacina contra o novo coronavírus”.
A CoronaVac foi desenvolvida pelo Butantan em parceria com a Sinovac.
Primeiro grupo foi transferido na manhã de hoje para Teresina
Agência Brasil-
Foto: Divulgação/ Força Aérea Brasileira (FAB)
O governo do Amazonas informou nesta sexta-feira (15) que 235 pacientes com covid-19 serão transferidos da rede pública hospitalar de Manaus para sete estados e para o Distrito Federal. Um primeiro grupo que estava na internado na rede estadual foi removido na manhã de hoje para continuar o tratamento na capital piauiense, Teresina.
Segundo o Ministério da Saúde, as transferências ocorrerão por via aérea e estão garantidos – de imediato – 149 leitos: 40 em São Luís (MA); 30 em Teresina (PI); 15 em João Pessoa (PB); 10 em Natal (RN); 20 em Goiânia (GO); 04 em Fortaleza (CE); 10 em Recife (PE) e 20 no Distrito Federal.
A pasta informou ainda que os pacientes que serão trasladados atendem a critérios clínicos definidos pela equipe médica. O transporte será feito em parceria com o Ministério da Defesa por duas aeronaves da Força Aérea Brasileira com capacidade de 25 pacientes deitados em macas.
Situação nos estados
Teresina é a primeira capital que receberá pacientes de covid-19 oriundos de Manaus. O estado do Piauí tem atualmente 52,1% de ocupação em leitos de UTI (146) e conta com 134 leitos disponíveis. Até o momento, o estado já registrou 2.930 mortes provocadas pelo novo coronavírus.
Segundo o governo do Piauí, o estado tem 801 leitos ativos (entre UTI e enfermaria). Atualmente, os leitos de covid-19 estão 44% ocupados. O sistema informa que há 153 leitos de UTIs ocupados e outros 152 disponíveis.
De acordo com o Painel Covid-19 atualizado pelo governo do Maranhão, o estado tem 62,22% dos leitos exclusivos para o novo coronavírus ocupados. Atualmente, há 84 leitos livres, o correspondente a 37,78%. O estado registra 245 pacientes internados por coronavírus em leitos de UTI na rede pública hospitalar.
Dados da Secretaria de Saúde da Paraíbaapontam que o estado tem 801 leitos ativos (entre UTI e enfermaria). Atualmente, os leitos para covid-19 estão 44% ocupados. O sistema informa que há 153 leitos de UTIs ocupados e outros 152 disponíveis. O município com maior número de leitos é João Pessoa, com 139 leitos de enfermaria e 59 leitos de UTI.
O Rio Grande do Norte tem atualmente 64,29% dos leitos de UTI para tratamento de covid-19 na rede pública hospitalar ocupados. Segundo o governo do estado, 11 leitos de UTI e 9 leitos clínicos estão bloqueados para atendimento de pacientes. Esse bloqueio pode ser realizado por fatores como manutenção, rede de gases em manutenção, vazamentos ou falta de pessoal.
A secretaria de Saúde do estado de Goiásinformou que a taxa de ocupação de leitos de UTI para tratamento de covid-19 estão com taxa de ocupação de 59,29%. A capital goiana tem 295 leitos, dos quais 197 estão ocupados (66,78%). O município deve receber cerca de 20 pacientes de Manaus.
Segundo o governo do Ceará, no estado os leitos de UTI registram uma ocupação de 64,8% e estão com tendência de alta. Os dados disponíveis no sistema, contudo, ainda são referentes à dezembro de 2020.
Os dados sobre internação em Pernambuco englobam informações sobre pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e indicam que há uma ocupação de 83% dos leitos de UTI na rede hospitalar do estado, com 973 pessoas em tratamento. Outros 892 pacientes ocupam leitos de enfermaria nos hospitais para tratamento de covid-19.
A capital federal deve receber cerca de 20 pacientes de Manaus. Atualmente, o Painel Covid-19 no Distrito Federal registra 68,12% de ocupação em leitos públicos com suporte de ventilação mecânica. A rede inclui leitos em hospitais particulares do DF. Segundo o sistema, quase 80% dos pacientes permanecem até 15 dias em internação.
Vanessa Centamori/Colaboração para VivaBem- Joana*, 22, passava por tratamento intensivo, mas não se sentia viva. Enquanto tomava altas doses de medicamentos psiquiátricos, ficava dias a fio deitada na cama, só comia quando estava prestes a desmaiar e apenas saía de casa para ir a consultas médicas.
Aqueles momentos de sofrimento eram fruto de um problema de saúde já conhecido: o transtorno afetivo bipolar, distúrbio que ela trata desde os dez anos de idade, quando tentou suicídio pela primeira vez. Os medicamentos psiquiátricos, todavia, só fizeram efeito até a pré-adolescência, embora tenham sido experimentadas várias formas e doses de medicação, além de terapia cognitivo-comportamental e outras linhas.
Consequentemente, a jovem foi internada diversas vezes em clínicas psiquiátricas por novas tentativas de tirar a própria vida. Então, em outubro de 2019, veio mais uma tentativa de suicídio —a ingestão dos próprios medicamentos se mostrava um risco. Percebendo isso, a psiquiatra da jovem deu a sugestão: “vamos tentar ECT (eletroconvulsoterapia)”? A carga do “eletrochoque” A princípio, aquilo não soou bem para a paciente. Isso porque a ECT era antigamente conhecida como “eletrochoque” e já foi uma prática desumana, usada pelos nazistas alemães, na ditadura militar brasileira e no famoso caso do “Holocausto Brasileiro”, no Hospital Colônia de Barbacena, fundado em Minas Gerais no ano de 1903.
Mas a ciência foi desenvolvendo uma técnica menos barbárica, ainda que lentamente. Nos anos 1930, o médico húngaro Von Meduna começou a estudar o uso de cânfora (substância extraída da árvore canforeira) para injetá-la em pacientes epiléticos, causando convulsões na esperança de evitar psicoses.
Oito anos depois, as convulsões continuaram a ser estudadas, mas, dessa vez, foram implementadas via estímulos elétricos cerebrais para tratar condições psiquiátricas, em experimentos de dois médicos da Universidade de Roma: Ugo Cerletti e Lucio Bini.
Todavia, foi só após o surgimento do tratamento medicamentoso na psiquiatria, no fim dos anos 1950, que pesquisadores retomaram os estudos de eletroconvulsoterapia para pacientes que não respondiam aos medicamentos, entre 1970 e 1980. Finalmente, em 1985, o Instituto Nacional de Saúde e a Conferência Nacional de Saúde Mental dos EUA deram um “aval cauteloso” para a ECT, estimulando estudos e critérios novos.
Hoje, a eletroconvulsoterapia é um tratamento clínico legalizado, que deve seguir parâmetros controlados e rigorosos por motivos de segurança —como, por exemplo, a exigência de anestesia e o monitoramento do paciente antes e durante o procedimento.
Quem deve fazer ECT?
No filme ‘Um Estranho no Ninho’, personagem de Jack Nicholson é submetido a eletrochoque sem anestesia como punição
A eletroconvulsoterapia deve ser indicada somente em casos mais graves ou refratários. Ou seja, quando não há resposta satisfatória a medicamentos psiquiátricos e outras intervenções terapêuticas —como foi o caso de Joana. Além de servir para tratar transtorno afetivo bipolar (seja em ciclos de depressão ou mania), a ECT é aplicada também em pessoas com depressão severa, esquizofrenia, em alguns casos de epilepsia e nos de catatonia.
As situações de catatonia são emergências médicas, quando os pacientes estão tão graves e acamados que nem se comunicam, comem ou evacuam. Isso pode piorar ainda mais e gerar um quadro infeccioso, em que a pessoa pode até morrer, de acordo com o psiquiatra José Gallucci Neto.
O especialista é coordenador do serviço de eletroconvulsoterapia do IPq (Instituto de Psiquiatria) do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e recebe pacientes catatônicos e casos muito sérios diariamente.
“Os remédios antidepressivos demoram, em média, de três a quatro semanas para fazer efeito. Com a ECT, você tem melhoras em uma ou duas semanas”, explica Neto. “Para a catatonia, nas primeiras duas ou três aplicações já há uma melhora absurda. Salva a vida na grande maioria dos casos”, acrescenta.
Tratamento não traz cura, mas remissão
Em episódios de depressão, várias revisões e estudos já estimaram que a remissão do quadro com a ECT se dá em mais de 80% das vezes. Isso contra 60 a 70% de sucesso se são usadas em vez disso apenas drogas antidepressivas.
Portanto, para as pessoas com ideação suicida que não melhoram ao tomarem remédios, a ECT pode ser uma alternativa emergencial para trazer alívio —embora não seja uma cura definitiva. Joana, por exemplo, diz que teve remissão do grave estado depressivo em que estava e “teve a vida de volta” depois de passar por 15 sessões da técnica em 2019.
Hoje ela segue com outros tratamentos psiquiátricos conforme retoma a rotina.”Voltei a ser ativa, sair para conversar, me encontrar com meus amigos. Retomei a academia, voltei a viver, de fato. Antes, no período em que estava com depressão, não vivia”, relata a garota.
O procedimento é seguro?
Protocolos internacionais exigem que a ECT seja feita em ambiente hospitalar, sob efeito de anestesia e supervisão de médicos e enfermeiros capacitados. Em termos de risco de mortalidade, a literatura médica mostra que é muito baixo: o mesmo de se submeter a uma anestesia comum (entre uma a quatro mortes a cada 100 mil tratamentos).
Isso significa que a taxa de suicídio no Brasil é maior do que a chance de morrer durante uma sessão de eletroconvulsoterapia. Por aqui, são seis suicídios a cada 100 mil habitantes, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde).
Outro fato relevante é que, do passado de tortura para cá, a segurança virou um requisito a ser seguido. Tanto que o procedimento é indolor —graças a anestésicos obrigatórios e hoje aperfeiçoados— e há exigência de avaliação clínica completa do paciente, para identificar possíveis contraindicações.
Por último, o próprio aparelho para induzir estímulos elétricos mudou. O instrumento é usado com parâmetros para controlar a carga elétrica e o comprimento de onda específicos para cada pessoa. Mas deve haver cuidado, pois a máquina é complexa de ser manipulada e é preciso haver profissionais bem treinados —o que nem sempre é a realidade do sistema de saúde brasileiro.
O mecanismo de ação em si da eletroconvulsoterapia é desconhecido e alvo de debates, assim como ocorre com remédios psiquiátricos. O que se sabe é que o procedimento consiste em colocar eletrodos nas têmporas de uma pessoa, iniciando um estímulo elétrico que provoca convulsões leves, enquanto o paciente está anestesiado.
De modo geral, os cientistas acreditam que a corrente elétrica do estímulo reativa os neurônios em algumas regiões do cérebro, pois atua em neurotransmissores (mensageiros químicos dos neurônios). Assim, como resposta, a ECT faria o sistema nervoso voltar a funcionar de modo regulado.
“Enquanto os antidepressivos fazem um aumento de balanço de neurotransmissores ao longo de semanas e meses, a eletroconvulsoterapia faria isso de maneira mais rápida”, explica o psiquiatra José Gallucci Neto.
São normalmente recomendadas pelo menos 12 aplicações, de duas a três vezes por semana, mas esse número pode chegar a até 20 sessões se for necessária uma resposta adicional. Por último, o tratamento pode ter ainda uma fase de manutenção, de uma ECT por mês, por exemplo.
Contraindicações A eletroconvulsoterapia possui risco de complicação cardiovascular e há aumento da pressão arterial durante o procedimento, por isso é contraindicada para:
• Quem possui aumento de pressão intracraniana, tenha sido diagnosticado com tumor cerebral ou aneurisma
•Tenha tido infarto do miocárdio recente •Hipertensão arterial descontrolada •Arritmias cardíacas graves •Descompensações clínicas importantes, como um quadro infeccioso grave ou hipotireoidismo grave
Efeitos colaterais
Não necessariamente o paciente sofre todos os efeitos colaterais na ECT. Joana, por exemplo, teve só um deles: dor de cabeça passageira, que é tratável com analgésico convencional. Além desse incômodo, há chances baixas de náusea e também é possível ter déficit de memória recente, causado tanto pelo estímulo elétrico da ECT quanto pelo anestésico.
Conforme mostra a maioria dos estudos sobre o assunto, a “perda” de memória atinge principalmente o período circunscrito a cada sessão de eletroconvulsoterapia —ou seja, não há risco de se esquecer o que se fez no passado. “Tem paciente que acorda e fala, ‘doutor e aí? Vamos lá para o procedimento?’, mas já foi realizado. Ou pode ser que ele não se lembre do que fez no dia anterior, o que comeu. Ou se você pergunta se ele lembra de ter ido lá [no hospital], ele diz ‘mais ou menos’. A memória fica meio borrada”, descreve o psiquiatra.
Todavia, Neto explica que todos os cuidados são tomados para evitar esse déficit de memória, que é o efeito mais recorrente. Por exemplo, além de exames de memória, usa-se a chamada técnica unilateral (com um eletrodo apenas) e também se manipula o comprimento de onda elétrica para prevenir essa perda.
Se ECT causa convulsão, o corpo todo contorce?
Não há nenhuma contorção assustadora do corpo, como ocorria no passado, pois o anestesista aplica um relaxante muscular para evitar que a convulsão se manifeste de modo físico.
A droga atua na placa motora, entre o neurônio e o músculo. Com isso, se liga no mesmo lugar que o neurotransmissor se ligaria e os movimentos involuntários, quando ocorrem, são, na verdade, bem leves. Todavia, na primeira sessão de ECT esses movimentos sutis podem provocar um efeito peculiar.
Alguns músculos do crânio, ao serem afetados pelo relaxante muscular, podem dar a “sensação de a pessoa ter mastigado um alimento um pouco mais firme em uma refeição”, segundo Gabriel Guimarães, anestesista especializado em eletroconvulsoterapia. Outra sensação possível nessa primeira aplicação é o paciente sentir como se “tivesse malhado” devido à reação muscular à medicação. “No dia seguinte, ele não sente mais isso, pois o corpo já terá se adaptado àquela atividade muscular”, explica Guimarães, que atua no Instituto Castro e Santos e também no Hospital Sírio-Libanês de Brasília.
O que pode ocorrer também, segundo o anestesista, é o uso de um aparelho para impedir que o relaxante muscular chegue nos pés. Dessa maneira, só os pés se movem e é possível identificar a convulsão ocorrendo. Mas, claro, isso não significa que os parâmetros da pessoa deixarão de ser monitorados em um eletroencefalograma. Até porque existem também convulsões sem crises motoras.
O que dizem os críticos da ECT? Apesar de a eletroconvulsoterapia ser prática regulamentada no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina (resolução CFM nº 2057/2013), em 2019 o tema causou alvoroço após a publicação de uma “nota técnica” do Ministério da Saúde que, entre outros fatores, autorizava a compra de equipamentos para ECT no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde).
O texto foi mais tarde retirado do ar, mas reforçou uma linha crítica, da qual faz parte o psiquiatra Paulo Amarante, coordenador do LAPS/ENSP/Fiocruz (Laboratório de Atenção Psicossocial da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca).
Amarante condena a falta de consenso na hora de se explicar o mecanismo de funcionamento da ECT. E ainda critica o fato de que o método seja um “ato de desespero e não terapêutico” usado por instituições médicas que não seguem parâmetros humanizados.
“É um mecanismo facilmente relacionado às situações de violência e violação de direitos humanos. Os aparelhos de eletroconvulsoterapia acabam sendo usados sem a devida prescrição profissional adequada. É um equipamento que teria que ter um controle mais rigoroso”, opina o profissional. O especialista também é contra o que ele chama de “lobby da indústria de equipamentos”, dentro de um contexto precário do sistema de saúde público. “O aparelho de eletroconvulsoterapia não tem necessidade na rede pública que não tem médicos para aplicá-lo ou não tem anestesia ou nem sequer médico anestesista para fazer a indução”, argumenta.
Falta de acesso Por outro lado, o psiquiatra José Gallucci Neto acredita que já ocorre um subuso da ECT, já que, segundo ele, muitos pacientes possuem dificuldade de ter acesso a instituições que a apliquem de modo responsável.
“Não é concebível que atualmente o Brasil ainda esteja em uma política de saúde mental que exclui a eletroconvulsoterapia e pune os pacientes a não terem um tratamento que pode salvar vidas”, opina.
A paciente Joana relata que encontrou dificuldade para conseguir passar pela eletroconvulsoterapia mesmo na rede privada. O plano de saúde da jovem negou o procedimento por não ter sido considerado “essencial”.
“Acredito que só consegui [a reversão da negativa] porque meu pai é promotor de Justiça”, recorda, e acrescenta que ainda há um “estigma” acerca do método terapêutico.
Referências: DE OLIVEIRA, Walter Ferreira. Eletroconvulsoterapia (ECT)/Eletrochoque: A produção de evidencias sobre seu uso, eficácia e eficiência. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental/Brazilian Journal of Mental Health, v. 11, n. 28, 2019.
SIENAERT, Pascal. Based on a true story? The portrayal of ECT in international movies and television programs. Brain stimulation, v. 9, n. 6, 2016.