O Brasil registrou o primeiro caso de um tipo de câncer de mama extremamente raro associado a implante mamário de silicone. O carcinoma espinocelular foi descrito pela primeira vez na medicina em 1992 e, desde então, apenas 20 mulheres no mundo foram diagnosticadas com a doença.
O caso brasileiro foi relatado por uma equipe coordenada pelo mastologista Idam de Oliveira Junior, do Hospital de Amor, em Barretos (SP), em uma publicação no Annals of Surgical Oncology, em 23 de julho. Além de identificar o caso, o estudo propõe uma forma inédita de padronizar o estadiamento e o tratamento da doença, muito associada ao uso das próteses por longos períodos sem a realização da troca, quando recomendada.
“Devido ao número limitado de ocorrências, os fatores de risco para o desenvolvimento deste tipo de tumor altamente agressivo são desconhecidos. Estamos diante de uma doença de comportamento agressivo. O diagnóstico precoce permite um tratamento mais eficiente com maior sobrevida para a paciente”, observa o mastologista Oliveira Junior em comunicado da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
A paciente brasileira, de 38 anos, tinha a prótese de silicone desde os 20 anos. Ela foi ao médico após sentir dores e o aumento do volume em uma das mamas. O exame revelou acúmulo de líquido ao redor da prótese e alterações na cápsula.
O material foi enviado para biópsia, que confirmou a presença do carcinoma. A mulher passou pela retirada da prótese e mastectomia, mas logo em seguida houve o retorno do tumor e ela acabou falecendo dez meses após o novo diagnóstico.
Segundo Oliveira Junior, a ocorrência é rara, mas exige atenção. “A cada ano, temos mais mulheres vivendo por longo tempo com próteses de silicone. Neste sentido, é importante que qualquer alteração apresentada nos implantes seja considerada e investigada”, afirma o especialista.
O que é o câncer causado pelo silicone? Descrito pela primeira vez em 1992, o carcinoma espinocelular ligado à prótese mamária é um tipo agressivo de câncer de mama e tem prognóstico preocupante. Dos 17 casos analisados pelos médicos brasileiros em seu estudo, nove tiveram recorrência dos tumores ainda no primeiro ano de doença e seis faleceram nos primeiros dois anos. A taxa média de sobrevida global foi de 15,5 meses, e a de sobrevida livre de progressão, de 13,5 meses.
De uso oral e diário, o vorasidenibe tem abordagem menos invasiva em comparação com outras opções tradicionais
Técnicos da Anvisa afirmam que processo poderia ocorrer antes do registro da atualização da mutação da vacina | Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo
Nesta semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do vorasidenibe. Trata-se de um medicamento comprimido, de uso oral e diário, para tratamento de câncer no cérebro de humanos.
A autorização marca um novo cenário na luta contra determinados tumores cerebrais em jovens e adultos, pois o remédio tem uma abordagem menos invasiva em comparação com outras opções tradicionais.
Sob o nome comercial Voranigo, o vorasidenibe foi aprovado para pacientes com pelo menos 12 anos, que tenham tipos específicos de gliomas difusos. Entre eles, astrocitomas e oligodendrogliomas de baixo grau, classificados como grau 2.
O medicamento, desenvolvido pela farmacêutica Servier, é administrado em comprimidos diários e destina-se a pacientes que já passaram por cirurgia, mas que não apresentam indicação imediata para radioterapia ou quimioterapia.
Ação e benefícios do medicamento aprovado pela Anvisa
Embalagem do Voranigo, remédio que trata câncer no cérebro | Foto: Reprodução/Internet
Segundo informações da Servier, o medicamento age de modo a impedir a ação de enzimas IDH1 e IDH2 mutadas. Elas são responsáveis por estimular a multiplicação das células tumorais. O bloqueio dessas enzimas reduz o risco de progressão do câncer e oferece uma alternativa a tratamentos mais agressivos.
O oncologista Fernando Maluf afirmou à Agência Brasil que esta aprovação representa “o maior avanço na área de gliomas dos últimos 20 anos”. “Gliomas são os tumores cerebrais mais comuns que existem”, disse o médico.
“Os de baixo grau acometem preferencialmente uma população muito jovem, que começa a desenvolver esse tumor desde a infância e adolescência até adulto jovem. Os tumores de baixo grau só têm rádio e quimio como alternativas. Essa medicação coloca uma alternativa muito especial para tentar evitar novas cirurgias, radioterapia ou medicamentos mais agressivos. Ela consegue reduzir, de forma muito importante, o risco de progressão da doença às custas de uma boa tolerabilidade.”
Maioria dos diagnósticos acontece em fases muito avançadas da doença
Estudo projeta aumento de 36% em mortes por câncer colorretal até 2040 (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels/Tima Miroshnichenko
A mortalidade por câncer colorretal deve crescer 36,3% nos próximos 15 anos no Brasil. A projeção está no 9º volume do Boletim Info.oncollect, da Fundação do Câncer, divulgado, nesta terça-feira (5), que marca o Dia Nacional da Saúde.
Segundo o estudo, o crescimento dos óbitos entre os homens será de 35% até 2040 e, entre as mulheres, de 37,63%. A Região Sudeste deverá ter um aumento de 34% nos óbitos e também irá concentrar o maior número absoluto de mortes.
De acordo com o coordenador da pesquisa, Alfredo Scaff, os dados mostram que a maioria dos diagnósticos acontece em fases muito avançadas da doença.
– Em nosso levantamento, 78% das pessoas que vieram a óbito foram diagnosticadas já nos estágios três ou quatro, o que reduz drasticamente as chances de cura – alerta Scaff.
Segundo o coordenador, muitas vezes a doença se desenvolve de forma lenta, a partir de pequenos pontos que ao longo de anos podem se transformar em câncer. Além de sangue nas fezes, os sinais de alerta incluem mudanças do hábito intestinal, como as fezes em fita ou diarreicas, dores abdominais persistentes e perda de peso sem causa aparente.
– As informações obtidas a partir do boletim evidenciaram que homens e mulheres que foram a óbito pela doença tiveram seus diagnósticos nos estágios mais avançados – complementa.
Os cânceres de cólon e reto, que atingem o intestino, são os terceiros mais frequentes do Brasil, com cerca de 45 mil novos registros por ano, de acordo com a estimativa do Instituto Nacional do Câncer para o triênio de 2023 a 2025.
Para Scaff, o alto índice de letalidade também demonstra a falta de uma política de detecção precoce do câncer colorretal. O diagnóstico da doença pode ser feito através do exame de sangue oculto nas fezes e da colonoscopia.
– Estudos internacionais mostram que em países com programas estruturados de rastreamento, a sobrevida em cinco anos pode ultrapassar 65%. Já no Brasil, os índices são inferiores: 48,3% para câncer de cólon e 42,4% para câncer de reto, revelando deficiências no acesso a diagnóstico precoce e tratamento oportuno – diz o coordenador.
Entre as recomendações dos especialistas, além do rastreamento, é que homens e mulheres a partir dos 50 anos façam exame, como os testes de sangue oculto nas fezes e, se necessário, a colonoscopia. Pessoas com histórico familiar e outras condições de risco devem iniciar esse acompanhamento mais cedo, conforme a orientação médica.
– Para mudar esse cenário, é urgente que o Brasil adote um programa nacional organizado de rastreamento. Diferente de outros tipos de câncer, como mama e como colo do útero, ainda não temos um sistema que convoque de forma sistemática a população alvo para exames de de intestino e isso precisa mudar. A responsabilidade é coletiva – complementa Scaff.
Por terem sintomas parecidos com os de outras condições, casos de tumor cerebral costumam ser diagosticados tardiamente pelos médicos
Embora não sejam tão comuns quanto outros tipos, o tumor cerebral costuma ser mais letal devido ao diagnóstico tardio. Como os sintomas da condição costumam ser inespecíficos, o paciente não desconfia dos sinais, atrapalhando a investigação médica e ajudando a doença a progredir de forma mais agressiva.
Segundo o neurocirurgião e professor de neurologia Marcelo Valadares, tumores benignos e malignos causam sintomas semelhantes, podendo ser confundidos com os de outras condições mais comuns e menos graves, como dores de cabeça fortes e enxaquecas.
“Os tumores malignos têm maior chance de se desenvolverem rapidamente, provocando maior frequência de dores de cabeça, convulsões e alterações neurológicas”, explica o profissional da Universidade de Campinas (Unicamp).
Nem todo caso de tumor é maligno, porém é necessário fazer uma investigação para afastar qualquer possibilidade de câncer. Nessas ocasiões, os neurocirurgiões realizam exames neurológicos, ressonâncias magnéticas e tomografias computadorizadas, além de procedimentos cirúrgicos, como a biópsia, para determinar possíveis alterações nocivas.
No entanto, mesmo em casos de alterações suspeitas relacionadas à condição, qualquer diagnóstico deverá ser confirmado após avaliação médica rigorosa.
Veja os 4 sinais mais comuns que você não deve ignorar
1- Dores de cabeça frequentes
Pessoas com tumores cerebrais costumam apresentar dores de cabeça frequentes e intensas. Indivíduos que não conviviam com o problema com frequência começam a ter o problema com regularidade. Já quem já possuía histórico desse tipo de queixa, vê mudanças na dor, com intensidade maior e aumento nas ocorrências.
2- Alterações nos sentidos
É importante estar atento a mudanças nos cinco sentidos – tato, olfato, paladar, visão e audição. Mudanças na fala ou na capacidade intelectual, como compreensão, raciocínio, escrita, cálculo e reconhecimento de pessoas podem indicar problemas neurológicos e precisam ser investigados.
“Alterações no cérebro podem afetar até mesmo o comportamento, causando apatia, agitação ou agressividade em relação ao padrão normal da pessoa. É muito importante que sintomas neurológicos não sejam negligenciados”, destaca a médica oncologista clínica Patrícia Schorn, coordenadora de Oncologia e Hematologia do Hospital Santa Lúcia.
Na visão, os indicativos estão ligados a perda visual, manchas ou visão embaçada. Os sinais podem ser causados por tumores no cérebro ou em outras partes do sistema nervoso.
3- Crises epiléticas ou convulsões
A ocorrência do sinal, especialmente em quem nunca teve esse tipo de crise ou não tem diagnóstico de epilepsia, deve ser investigado. Em casos de convulsões, a atividade anormal cerebral pode vir acompanhada de dormência e formigamentos.
4- Perda de equilíbrio
Casos de perda de equilíbrio, tonturas e outras alterações na coordenação motora podem indicar a presença de tumores cerebrais. A impossibilidade de se equilibrar em uma perna só para pessoas que não tem dificuldade para executar a posição também é exemplo de sinal a ser analisado por profissionais médicos.
Causas de tumores cerebrais
A maioria dos casos de tumor cerebral têm causas não tão claras. Atualmente, a doença é considerada multifatorial, podendo ser ocasionada por várias alterações genéticas e até fatores ambientais.
Algumas dessas mudanças são adquiridas ao longo da vida, por predisposição ou exposição a razões determinantes para o desenvolvimento da doença. Outras estão relacionadas a motivos hereditários, como algumas síndromes familiares associadas a problemas no sistema nervoso central.
Nesta segunda-feira, 28 de julho, o Rotativo News conversou com o médico oncologista Dr. Tércio Guimarães sobre a campanha Julho Verde, voltada à conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço um dos tipos mais frequentes no Brasil, mas ainda pouco discutido fora dos ambientes hospitalares.
Segundo o especialista, os principais fatores de risco são o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, e a combinação desses dois hábitos eleva de forma alarmante a chance de desenvolver a doença. “O tabagismo por si só já aumenta em até 10 vezes o risco de câncer de cabeça e pescoço. Quando associado ao etilismo, esse risco pode saltar para 35 vezes mais”, alerta o médico.
Ele também chama atenção para o avanço dos casos relacionados à infecção pelo vírus HPV. Entre os tipos mais comuns de câncer de cabeça e pescoço estão os que afetam a cavidade oral, a faringe, a laringe e os seios da face. Porém, o câncer de pele também se destaca como recorrente na região.
Fique atento aos sinais
O Dr. Tércio enfatiza a importância de estar atento a feridas na boca que não cicatrizam por mais de 15 dias, especialmente quando são indolores, além de manchas brancas ou vermelhas persistentes. Outros sinais incluem rouquidão prolongada, dor para engolir, nódulos no pescoço ou rosto e lesões na pele que também não cicatrizam. “Esses sintomas, muitas vezes negligenciados, podem indicar a presença da doença em estágio inicial”, ressalta.
Diagnóstico precoce salva vidas
Apesar dos avanços tecnológicos no tratamento, como as terapias-alvo e cirurgias de alta precisão, o oncologista reforça que o diagnóstico precoce é o principal aliado da cura.
“Quando identificado no início, o câncer de cabeça e pescoço pode ter até 80% de chance de cura. Mas, infelizmente, mais da metade dos pacientes chegam com a doença já em estágio avançado, o que reduz essa taxa para cerca de 40%”, afirma.
A campanha Julho Verde, promovida pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), busca justamente informar a população e incentivar a procura por avaliação médica diante de qualquer sinal persistente. “Agradeço à imprensa pelo espaço. Informação é a nossa maior ferramenta de combate ao câncer”, conclui o especialista.
Anvisa determinou a retirada de oito lotes de suplemento após erro no prazo de validade. Veja a marca e os lotes que foram afetados
A Anvisa suspendeu, nesta quarta-feira (23/7), oito lotes do suplemento D-Ômega, uma combinação de ômega 3 e vitamina D. O produto é fabricado pela DVN Pharma, da empresa Divina Distribuidora de Vitaminas Naturais Ltda. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União.
O motivo da medida de interrupção da venda foi a declaração incorreta do prazo de validade nos rótulos. O erro foi notado pelo próprio fabricante, que identificou a falha e a comunicou à Anvisa. A empresa iniciou o recolhimento voluntário dos produtos, conforme previsto pela legislação sanitária.
A Anvisa determinou a suspensão imediata de comercialização, distribuição e uso dos lotes706200124, 706200225, 706200325, 706200425, 706200525, 706800125, 706800225 e 706800325.
Validade errada compromete segurança
O erro no prazo de validade, segundo a Agência, compromete a segurança do uso. A ingestão de suplementos vencidos ou com validade duvidosa pode afetar a saúde, principalmente em produtos com ácidos graxos, como o ômega 3. Dependendo do tempo e das condições de armazenamento, a oxidação desses compostos pode gerar substâncias tóxicas.
A vitamina D, por sua vez, perde estabilidade com o tempo, reduzindo a eficácia do produto e impactando pessoas com deficiência nutricional. O erro no prazo de validade compromete tanto a segurança quanto o benefício nutricional do suplemento.
Cápsulas de ômega 3 podem ser tóxicas se consumidas fora da validade, diz a Anvisa
Suplementos lideram alertas da Anvisa
A suspensão dos lotes do D-Ômega ocorre em meio a um ano de maior fiscalização da agência governamental sobre alimentos e suplementos. Apenas em 2025, a Anvisa puniu mais de 100 marcas, retirando diversos produtos do mercado por problemas de qualidade e riscos sanitários.
Entre os casos mais graves estão suplementos com presença de microrganismos nocivos e produção sem controle sanitário. A falta de transparência na origem e no processo de fabricação tem sido um dos principais alvos da agência.
A lista de suspensões inclui itens populares, como azeites, cafés e temperos. Em muitos casos, os problemas envolviam adulterações, como mistura com substâncias não declaradas ou diluição com produtos de qualidade inferior.
Setor de suplementos movimenta bilhões
O mercado de suplementos cresceu nos últimos anos. Estima-se que o setor movimente mais de R$ 6 bilhões por ano no Brasil, com destaque para vitamina D, ômega 3 e colágeno.
Essa expansão levou à entrada de novas empresas, nem sempre com estrutura adequada para produção. A falta de padronização entre marcas torna a fiscalização mais complexa. Por isso, a Anvisa promete manter o foco em controle e rastreabilidade.
A agência também aconselha o consumidor a desconfiar de promessas exageradas. Produtos que alegam curas, emagrecimento instantâneo ou reforço imediato da imunidade sem comprovação científica não seguem os critérios regulatórios da Anvisa.
Lista de alimentos e suplementos punidos pela Anvisa de 2025
100% Full Whey (marca Fullife Nutrition) – Lote 2408J5. Motivo: havia na composição glúten que não foi declarado.
Whey Protein Piracanjuba (sabor chocolate) – Lote 23224. Motivo: contaminação pela bactéria Staphylococcus aureus.
Toda a linha Power Green (diversos suplementos vendidos on-line). Motivo: presença de ingredientes proibidos e alegações terapêuticas irregulares.
Todos os suplementos com ora-pro-nóbis(Pereskia aculeata) Motivo: não é autorizado comercializar a planta em formato de suplementos.
Produtos da linha Mushdrops da empresa Mush Mush Club. Cogumelos: Turkey Tail, Chaga, Juba de Leão, Reishi e Cordyceps. Motivo: ausência de registro de autorização sanitária para comercialização.
Canela-da-China em pó (marca Kinino) – Lote 371LAG2419. Motivo: presença de amido e de materiais estranhos não relatados nos ingredientes.
Polpa de morango (marca De Marchi) – Lote 09437-181. Motivo: presença de matérias estranhas não identificadas.
Champignon inteiro em conserva (marcaImperador) – Lote 241023CHI. Motivo: excesso de dióxido de enxofre (conservante).
Molho de alho (marca Qualitá) – Lote 29. Motivo: presença indevida de dióxido de enxofre (conservante).
Sorvetes da marca AICE – sabores: Milk Melon, Juju Apple, Frutyroll, Nanas e Berry Chocomax. Motivo: ausência de declaração de alérgenos e corantes na embalagem.
Pós para bebida sabor café, os cafés fake. Marcas: Master Blends, Melissa e Pingo Preto. Motivo: contaminação com ocratoxina A e rotulagem fraudulenta que induzia o consumidor a pensar se tratar de café.
Azeites fake. Marcas: Serrano, Málaga, Campo Ourique, La Ventosa, Santorini, Vale dos Vinhedos, Quintas d’Oliveira, Alonso, Escarpas das Oliveiras, Almazara. Motivo: origem desconhecida, CNPJ irregular ou análises laboratoriais insatisfatórias.
Suplemento alimentar líquido marca Abstiny. Motivo: produto de origem desconhecida.
Suplementos da empresa Cibos Suplementos. Motivo: irregularidades na fabricação.
Suplementos e energético da Ozotonek. Motivo: falta de comprovação da eficácia e segurança desses produtos.
Linha de suplementos da Status Verde. Sabores: 7 Magnésios, Amora Miura, Amora Miura com Isoflavona, Chlorella, Maracujá, Maracujá com Camomila e Semente de Abóbora. Motivo: alegações terapêuticas e funcionais não aprovadas e enganosas.
Vitamina A, C, D, E em cápsulas da Alemed Nutracêutica. Motivo: irregularidades na produção.
Suplementos contendo piperina e pimenta negra. Motivo: ingredientes não são autorizados para uso em suplementos alimentares no Brasil.
Suplementos das marcas KN Nutrition, Lander Fit, Life Extension, Natrol, Now, Puritan’s Pride. Motivo: irregularidades na fabricação e ausência de registro.
Suplementos falsificados da marca Bionutri. Produtos: Coenzima Q10 + L-Triptofano, Magnésio Dimalato Natural, Magnésio L-Treonato Puro, Magnésio Quelato, Ora Pro-Nóbis e Vitamina D3 10.000 UI Motivo: falsificação frequente de lotes.
Infecção provoca febre alta e dores articulares intensas, que podem durar semanas ou até meses; em casos graves, leva à morte
A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta nesta semana sobre a ameaça de uma nova grande epidemia de Chikungunya, doença viral transmitida por mosquitos que já se espalhou por 119 países e coloca 5,6 bilhões de pessoas em risco.
Segundo a entidade, os sinais atuais são semelhantes aos observados antes do último grande surto global, há cerca de 20 anos, e exigem ações urgentes por parte dos governos. “A Chikungunya não é uma doença amplamente conhecida, mas sua disseminação global é real e preocupante”, afirmou Diana Rojas Alvarez, especialista da OMS.
A infecção provoca febre alta e dores articulares intensas, que podem durar semanas ou até meses, e em casos mais graves, pode levar à morte. A OMS pede a intensificação de medidas de vigilância, controle de vetores e campanhas públicas de conscientização para evitar uma escalada nos casos.
Em 2023, o país havia deixado esse ranking, após avanços na cobertura vacinal
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O Brasil voltou a figurar entre os países com maior número de crianças não vacinadas no mundo, segundo levantamento divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O relatório mostra que o número de crianças brasileiras que não receberam a primeira dose da vacina tríplice bacteriana (DTP), que protege contra difteria, tétano e coqueluche, saltou de 103 mil em 2023 para 229 mil em 2024.
Com o aumento, o Brasil passou a ocupar a 17ª posição entre os 20 países com maior número de crianças não imunizadas, atrás de nações como Mianmar, Camarões e Costa do Marfim. Em 2023, o país havia deixado esse ranking, após avanços na cobertura vacinal.
Segundo o relatório, mais da metade das crianças não vacinadas do mundo está concentrada em apenas nove países: Nigéria, Índia, Sudão, República Democrática do Congo, Etiópia, Indonésia, Iêmen, Afeganistão e Angola.
A análise também destaca dificuldades em outras campanhas de imunização. A vacina contra o HPV, por exemplo, alcançou apenas 31% da cobertura entre adolescentes em 2024, distante da meta global de 90% até 2030. Já em relação ao sarampo, a cobertura da primeira dose subiu de 83% para 84%, e da segunda, de 74% para 76%, ainda abaixo dos níveis registrados antes da pandemia.
A luta contra o celular nas salas de aula: proibição da prática é uma arma contra uma realidade que vem gerando uma epidemia de ansiedade
*O artigo foi escrito pela doutoranda em educação Andriessa Santos e pela pedagoga e pesquisadora em comunicação Patrícia Leite, ambas do Instituto Singularidades, e publicado na plataforma The Conversation Brasil.
Nunca, na história da civilização, nossa atenção foi tão disputada. Redes sociais, aplicativos e empresas de tecnologia competem para nos manter conectados usando sistemas que capturam nosso tempo para gerar lucro. Essa sobrecarga afeta a memória, a aprendizagem e a saúde mental.
A crise de atenção, muitas vezes confundida com lapsos de memória, revela um modelo de vida exaustivo, com estímulos constantes e sem pausas. Enfrentá-la exige intenção e ambientes que favoreçam o foco, o silêncio e o pensamento crítico. Em tempos de dispersão, refletir sobre o papel da atenção no cotidiano e na aprendizagem é essencial para recuperar a concentração, o bem-estar e a capacidade de aprender de maneira significativa.
A hiperconexão acelerou nosso ritmo, causando ansiedade e adoecimento. O filósofo e urbanista francês Paul Virilio (1932-2018) chamou essa urgência de “Dromologia”, ou o impacto da velocidade nas nossas vidas. Virilio é autor de diversos livros sobre as tecnologias da comunicação.
Crianças e adolescentes estão cada vez mais cansados, dormem mal e se sentem sozinhos. Em seu best-seller A Geração Ansiosa (Ed. Companhia das Letras), o filósofo e psicólogo social Jonathan Haidt revela que a “infância baseada no celular” rouba tempo livre, imaginação e o brincar. Meninas enfrentam pressão por validação; meninos buscam refúgio em videogames e pornografia. O resultado é uma geração fragilizada, que precisa de cuidado, calma e foco.
Em seus estudos, Haidt aponta que, entre 2010 e 2015, com a popularização dos smartphones, a depressão entre meninas nos Estados Unidos dobrou e a automutilação quase triplicou. Adolescentes que passam mais de três horas diárias nas redes têm o dobro do risco de ansiedade e depressão, agravado pelo uso precoce, que expõe o cérebro vulnerável à dependência da validação social.
A minissérie Adolescência (Netflix) também mostra essa realidade: Jamie, 13 anos, sofre bullying e cyberbullying, tem o sono interrompido por notificações e vive disperso, isolado mesmo em família. Isso evidencia a urgência de resgatar espaços de calma, escuta e presença, para evitar perder tempo de qualidade, capacidade de sonhar e vínculos verdadeiros.
A lógica dos feeds infinitos e das microrecompensas bloqueia o foco profundo, a reflexão e o pensamento crítico. O cérebro fragmentado fica mais suscetível à manipulação e menos capaz de fazer análises complexas.
Em síntese, expostos à vulnerabilidade das comparações digitais e sujeitos à captura contínua da atenção pelos dispositivos eletrônicos, crianças e jovens estão ansiosos e acelerados, em uma sobrecarga que nenhum cérebro aguenta.
Porta de entrada da aprendizagem
A atenção vai além da simples concentração; é cuidado, respeito e presença, um gesto de afeto e zelo. A palavra vem do latim attendere, que significa “estar presente”, e está historicamente ligada ao foco em algo importante, como o conhecimento ou Deus.
Já no século 19, para o filósofo e psicólogo americano William James, “focalização, concentração da consciência são sua essência”. Implica o afastamento de algumas coisas para ocupar-se efetivamente de outras; uma seleção crucial para o aprendizado, porque sem atenção o cérebro não filtra estímulos nem cria memórias duradouras.
Em 1971, o economista Herbert Simon alertou que “uma riqueza de informação cria uma pobreza de atenção”. O excesso de dados disputa nossa limitada capacidade de foco, tornando vital saber para onde direcioná-la. De fato, ela pode ser guiada por professores, contextos ou perguntas instigantes, ativando os processos cerebrais que consolidam novas conexões.
Héctor Ruiz Martín, psicólogo cognitivo, reforça que a atenção ativa fortalece as conexões cerebrais e facilita a memória de longo prazo. Assim, a qualidade do nosso foco é preponderante para o quanto aprendemos e aplicamos.
Ambientes propícios
Cultivar a atenção, portanto, é a porta de entrada para qualquer processo de aprendizagem. E isso exige cuidado, intencionalidade e escolhas pedagógicas. A médica, educadora e cientista italiana, Maria Montessori, pioneira na pedagogia moderna, já compreendia esse princípio quando criou os “ambientes preparados”: espaços organizados com materiais sensoriais e mobiliário acessível, que convidam à exploração livre e favorecem o foco sustentado. Nesse cenário, a criança desenvolve os circuitos neurais responsáveis pelo controle atencional, aprendendo a dirigir sua própria curiosidade com a mediação sensível do educador.
Não por acaso, para o neurocientista francês Stanislas Dehaene, atenção é o primeiro dos quatro pilares da aprendizagem, a porta de entrada do conhecimento que determina o que será processado profundamente. Ela se soma ao engajamento ativo, o feedback de erros e a consolidação.
Esses pilares operam de forma interdependente. Sem atenção, nada é registrado. É ela que abre para o engajamento, que transforma o ato de aprender em uma construção ativa. O feedback de erros, por sua vez, fortalece as conexões quando há retorno da aprendizagem durante o próprio processo. E tudo isso só se consolida quando o cérebro descansa, no sono ou em pausas, fixando o que foi construído.
Como afirmou Haidt no best-seller já mencionado, o mundo digital vem comprometendo seriamente esse ciclo. Notificações constantes rompem o foco, substituem o engajamento profundo por respostas rápidas e superficiais, e ainda prejudicam o sono, etapa essencial para consolidar qualquer aprendizagem. O resultado é um cérebro hiperestimulado, mas desconectado dos processos que sustentam o aprendizado.
Transformar esse cenário é urgente. Pensadores importantes para a educação, como Paulo Freire e John Dewey, reforçam que o interesse do estudante é o motor para a construção de conhecimento, o que passa por redesenhar o cotidiano escolar e criar ambientes que promovam o diálogo, pilar estruturante da obra freireana.
Além disso, podemos considerar as pausas para respiração consciente, estações com materiais manipuláveis, interações com feedback imediato e, sobretudo, espaços sem telas, com descanso e integração e trocas do que foi vivido como práticas que contribuem para o processo atencional.
O cérebro é plástico. Ele se adapta ao ambiente que encontra. Nesse sentido, contextos que equilibram liberdade e estrutura, ação e pausa, concentração e descanso, oferecem o terreno fértil para que a curiosidade se transforme em reflexão e a reflexão, em aprendizagem relevante.
Como favorecer a atenção
Apesar dos avanços da neurociência, faltam pesquisas que relacionem diretamente atenção e aprendizagem em contextos diversos do Brasil. Ainda assim, professores criam, na prática, pequenos laboratórios em sala de aula, onde observam, testam e revisitam estratégias que alimentam seu saber e melhoram a atenção dos alunos.
A atenção é uma habilidade aprendida, construída nas relações e no sentido de pertencimento que a escola oferece. Fanny Sznelwar Minerbo, especialista em Desenvolvimento de Metodologias e Projetos, e Beatriz Peres Rios, professora de Projetos de Humanidades, ambas da Educação Básica, defendem que desenvolver o foco exige práticas intencionais: rotina clara, ambientes organizados, materiais acessíveis e estratégias que acolhem diferentes perfis, como o uso de mensagens (post-its) para reforçar etapas.
Propõem também preparar o cérebro com respiração guiada, música calma, pausas e utilização de blocos de atenção, a exemplo do método Pomodoro. E valorizam Rotinas do Pensamento (Project Zero – Harvard) como práticas que ajudam a organizar o raciocínio, aprofundar a atenção e favorecer a construção do pensamento crítico.
A atenção não surge do comando, mas de um ciclo que envolve organização, relações, regulação emocional e construção de sentido. Portanto, promover a atenção é criar experiências que combinem vínculo, participação e sentido, fundamentos indispensáveis para uma aprendizagem viva e significativa.
Estudo da Sociedade Brasileira de Cefaleia alerta: remédios usados sem prescrição podem piorar as crises e gerar cefaleia crônica diária
Um levantamento da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe) acende o alerta sobre os riscos do uso frequente e sem orientação médica de analgésicos para dores de cabeça. De acordo com a entidade, até 70% dos pacientes com enxaqueca fazem automedicação e, entre eles, uma parte significativa evolui para um quadro de cefaleia crônica diária por abuso de medicamentos — condição caracterizada por dor em mais de 15 dias por mês, por três meses consecutivos ou mais.
A médica neurologista Patrícia Schettini, especialista em medicina interativa e longevidade, reforça a preocupação. “Falar com você, mulher, mãe, que acumula múltiplas tarefas e convive com dores de cabeça frequentes, é um chamado à conscientização. Tenho acompanhado casos em que, por adiar o diagnóstico, essas dores impactam diretamente a vida profissional, familiar e até matrimonial das pacientes”, relata.
Segundo a especialista, o uso diário e contínuo de analgésicos sem acompanhamento adequado pode agravar a situação. “Esse abuso pode, paradoxalmente, intensificar a frequência e a intensidade da dor, transformando-a em uma doença de difícil controle”, afirma. Ela cita como exemplo o caso de uma paciente que, após anos de automedicação, desenvolveu cefaleia crônica diária. “Mas nem tudo estava perdido. Com o diagnóstico correto e uso de terapias injetáveis, conseguimos reverter o quadro. Hoje, essa paciente tem crises esporádicas e voltou a ter uma vida plena.”
A médica ressalta que o tratamento adequado exige orientação especializada e, em muitos casos, vai além dos medicamentos tradicionais. “Terapias como bloqueios, toxina botulínica e ajustes no estilo de vida fazem parte do plano terapêutico. Dor de cabeça frequente não é normal. E o uso excessivo de remédios, além de ineficaz, pode ser perigoso”, reforça.
A recomendação é clara: diante de dores recorrentes, o mais seguro é procurar ajuda médica. Somente o acompanhamento com especialista pode garantir um diagnóstico preciso e o controle efetivo da enxaqueca — antes que ela se torne uma condição crônica e incapacitante.