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Governador de São Paulo afirmou que o presidente ‘nunca tocou nesse assunto’ e apenas lamentou o resultado das eleições de 2022

Tarcísio de Freitas e Bolsonaro
O governador de SP, Tarcísio de Freitas, e o ex-presidente Jair Bolsonaro | Foto: Alan Santos/Arquivo/Secom

Em depoimento à 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), negou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tenha tratado sobre um golpe de Estado ao perder as eleições de 2022.

Durante a sessão na manhã desta sexta-feira, 30, o advogado Celso Vilardi, que integra a defesa de Bolsonaro, indagou Tarcísio se nas visitas ao ex-presidente houve o assunto do suposto golpe. O governador foi incisivo: “Jamais, nunca”.

“Assim como nunca tinha acontecido no meu período do ministério”, explicou Tarcísio, que foi o titular da Infraestrutura de 2019 a 2022. “Nesse período, em novembro e dezembro de 2022, o presidente jamais tocou nesse assunto. Ele estava triste e resignado. Na primeira visita tive a oportunidade de ver o seu estado de saúde. Esse assunto nunca veio à pauta.”

Bolsonaro tinha “preocupação óbvia com o futuro”

Ainda em depoimento, Tarcísio relatou que o “único comentário” de Bolsonaro sobre as eleições foi no sentido de “lamentar” e de demonstrar sua “preocupação de que as coisas desandassem”. 

O governador explicou que os encontros com o presidente de honra do PL ocorreram em prol da “montagem do secretariado aqui em São Paulo”. “A gente sempre conversava sobre isso”, disse. 

“O presidente sempre esteve comigo no sentido de orientar”, declarou. “Ele sempre procurou transmitir a experiência dele. Mas é claro que ele tinha uma preocupação óbvia com o futuro.”

Ao ser indagado em relação à transição do governo federal, Tarcísio sinalizou que Bolsonaro já havia designado o então ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, para liderar o trabalho. “Lembro até de uma live dele dizendo que a vida continuava”, acrescentou.

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Tese é de que o andamento do processo hoje difere do contexto no qual houve a autorização da detenção

O ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto: acesso restrito a documentos e pressão do STF | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A defesa do general da reserva Walter Braga Netto voltou a solicitar ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a revogação da prisão preventiva do militar. A tese é de que o andamento do processo hoje difere do contexto no qual houve a autorização da detenção.

O advogado José Luis Oliveira Lima protocolou o pedido nesta quarta-feira, 28. Segundo ele, depois de mais de 160 dias de prisão, não há justificativa para descartar medidas alternativas, já que a investigação não está mais em curso e não existe sigilo sobre a delação de Mauro Cid.

Argumentos da defesa do general Braga Netto ao STF

Ministro Alexandre de Moraes na Primeira Turma do STF que julga denúncia sobre o núcleo 3 da PET 12.100 (20/5/2025) | Foto: Fellipe Sampaio/STF
Ministro Alexandre de Moraes na Primeira Turma do STF | Foto: Fellipe Sampaio/STF

A defesa de Braga Netto argumenta que “atualmente, é incontestável que não há investigações em curso a serem protegidas, da mesma forma que, há meses, já não há mais qualquer sigilo sobre a delação premiada de Mauro Cid”. 

“Ainda, já foram ouvidas as testemunhas de acusação, as testemunhas do colaborador e as testemunhas comuns entre acusação e defesa; estando a instrução em estágio avançado”, defende Oliveira Lima. 

A prisão do general ocorreu em 14 de dezembro de 2024, sob a suspeita de ele tentar acessar a colaboração premiada do tenente-coronel Mauro Cid. Seu objetivo seria supostamente interferir nas investigações sobre o caso do suposto golpe de Estado, em 2022. 

Os advogados destacam que Braga Netto, como militar da reserva, não apresenta histórico de desobediência judicial e nem condutas que justificariam medida tão rígida. A defesa acrescenta que, caso não haja a concessão do pedido de soltura, solicita que o agravo vá para a 1ª Turma do STF. 

“Manter Braga Netto preso preventivamente sob o fundamento de uma situação fática supostamente inalterada a esta altura significa permitir que o agravante siga privado de sua liberdade para proteger o avanço de uma investigação já acabada, o sigilo de uma delação que já foi tornada pública pelo relator, ou a higidez de uma instrução processual que já avançou com a produção de toda a prova acusatória”, diz o documento.

No dia 22 de maio, Moraes rejeitou o pedido anterior da defesa. Nessa segunda negativa, o ministro destacou que a situação jurídica permanece igual à época da prisão e que a instrução criminal exige a manutenção da custódia do general para garantir a ordem processual.

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Não houve mudanças em relação ao texto aprovado na Câmara dos Deputados, que segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Fachada do Congresso Nacional, a sede das duas Casas do Poder Legislativo brasileiro, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal
Fachada do Congresso Nacional, a sede das duas Casas do Poder Legislativo brasileiro, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal | Foto: Leonardo Sá/Agência Senado

A autorização para reajuste salarial de servidores do Executivo federal avançou no Congresso depois de o Senado aprovar, nesta quarta-feira, 28, o projeto de lei que trata do tema. 

A medida passou na Casa sem mudanças em relação ao texto aprovado pela Câmara dos Deputados, no dia 21 de maio. Agora, o projeto depende apenas da sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A proposição incorpora os termos de uma medida provisória (MP) editada pelo governo no fim do ano passado que formalizou 38 acordos com carreiras civis do funcionalismo federal durante 2024. A validade da MP se esgota no início de junho.

Senado aprova medida que tem impacto no Orçamento

Lula
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva decide se aprova ou rejeita medida | Foto: Ricardo Stuckert / PR 

O reajuste aprovado contempla servidores ativos, aposentados e pensionistas da União, de modo a estabelecer os novos salários para 2025 e 2026. Entre 2023 e 2026, o aumento médio acumulado será de 27%, já incluindo os 9% concedidos em 2023. Para 2024, não houve reajuste.

De acordo com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o impacto previsto no Orçamento é de R$ 17,99 bilhões em 2025, R$ 26,76 bilhões em 2026 e R$ 29,17 bilhões em 2027.

Durante a votação na Câmara, houve a apresentação de mais de 60 emendas. Contudo, o relator, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), rejeitou a maioria delas. Segundo ele, “as emendas não integram o acordo político ou geram despesas obrigatórias contínuas”.

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Projeto restringe o horário de divulgação dos jogos de apostas e proíbe que influencers façam propagandas para as plataformas

Plenário do Senado
Plenário do Senado Federal aprovou a matéria nesta quarta-feira, 28 | Foto: Jonas Pereira/Agência Senado

O plenário do Senado aprovou o relatório do senador Carlos Portinho (PL-RJ) do Projeto de Lei 2.985/2023, o qual estabelece novas regras para a publicidade das chamadas bets, como são conhecidas as plataformas de jogos de azar e apostas esportivas on-line.

A proposta que regulamenta a publicidade das betsno país, foi aprovada por unanimidade na noite desta quarta-feira, 28. O projeto impõe uma série de restrições de horário, conteúdo e participação de personalidades públicas nas campanhas de divulgação dessas plataformas. 

Senador Carlos Portinho
Senador Carlos Portinho apresentou o relatório sobre a regulamentação das propagandas das bets na semana passada | Foto: Divulgação/Equipe Portinho

Ao defender a aprovação da proposta, o senador Portinho afirmou que o Senado enfrenta “um problema social que atinge especialmente os jovens e famílias brasileiras”. “É necessário garantir que a propaganda dessas empresas tenha limites claros”, destacou.

Com a aprovação na Casa Alta, a matéria agora segue para apreciação da Câmara dos Deputados. 

As restrições para publicidades das bets

Entre os principais pontos do texto, está a limitação de horário para veiculação das propagandas, de acordo com o meio de comunicação. Na televisão, os anúncios só poderão ser exibidos entre 19h30 e 0h. 

Para transmissões esportivas fora desse intervalo, será permitido exibir propagandas de apostas até 15 minutos antes e 15 minutos após o fim das partidas. 

No rádio, a propaganda será permitida das 9h às 11h e das 17h às 19h30. Já nas redes sociais, a veiculação será permitida apenas entre 19h30 e 0h, com restrição para maiores de 18 anos e possibilidade de cancelamento gratuito da assinatura ou visualização.

Outra medida considerada central no projeto é a proibição da participação de atletas em atividade, membros de comissões técnicas, artistas, comunicadores, influenciadores e figuras públicas de notório reconhecimento nas campanhas das bets. O objetivo, segundo Portinho, é proteger o público, especialmente o mais jovem, da influência de celebridades na adesão às apostas.

A proposta também proíbe ações e programas que ensinem técnicas de apostas e impede a exibição de cotações (odds) a qualquer horário. Para reforçar a conscientização, todas as propagandas deverão conter a advertência: “Apostas causam dependência e prejuízo a você e à sua família”.

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Nikolas Ferreira pode ser favorecido com a redução da idade mínima para concorrer à Presidência
O STF analisa a validade de um artigo do Marco Civil da Internet que impede a retirada de conteúdo sem decisão judicial | Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que vai acionar a Justiça contra a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, por interferência no funcionamento do Congresso Nacional.

A crítica ocorre depois de Janja defender a regulação das redes sociais. Ela comparou o modelo brasileiro ao da China durante reunião com o ditador Xi Jinping, no início de maio.

Segundo Nikolas, a primeira-dama, ao abordar o tema sem exercer cargo público, usurpa funções do Legislativo e compromete a separação dos Poderes.

“Janja — sempre ressaltando não possuir cargo público algum — solicitou presencialmente ajuda do Presidente da China para censurar brasileiros no TikTok”, escreveu o parlamentar em suas redes sociais.

Além das críticas a Janja, Nikolas acusa a Advocacia-Geral da União (AGU) de articular uma “manobra jurídica” para deslocar o debate sobre redes sociais do Parlamento para o Supremo Tribunal Federal (STF).

O STF analisa atualmente a validade de um artigo do Marco Civil da Internet que impede a retirada de conteúdo sem decisão judicial.

Em contrapartida, a AGU protocolou na Corte um pedido para que medidas urgentes sejam adotadas no combate à desinformação e à violência digital nas plataformas.

A proposta, segundo o deputado, busca contornar o processo legislativo e ampliar o poder do STF sobre o conteúdo publicado por usuários.

Declaração criticada por Nikolas gerou mal-estar diplomático 

O episódio ganhou repercussão depois de vir à tona a fala de Janja durante a visita oficial à China, em 13 de maio.

Na ocasião, ela questionou por que seria tão difícil regulamentar redes sociais no Brasil, usando o modelo chinês como comparação. A oposição reagiu com acusações de tentativa de censura.

Internamente, o comentário teria causado desconforto entre os presentes. O presidente Lula tentou minimizar a situação ao dizer que o tema partiu dele, embora tenha admitido que a primeira-dama pediu a palavra para falar com Xi Jinping.


Novo quer saber se ministro Alexandre de Moraes é protegido do governo Lula | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Novo quer saber se ministro Alexandre de Moraes é protegido do governo Lula | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na véspera da oitiva do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, na Câmara dos Deputados, o partido Novo reagiu aos indícios da atuação do Itamaraty, a pedido do governo Lula, em defesa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O Novo desconfia que o governo do presidenteLuiz Inácio Lula da Silva atua para blindar o magistrado, que pode ser alvo de sanções do governo dos Estados Unidos. Além disso, a legenda monitora o caso e questiona a suposta interferência direta do Palácio do Planalto.

Em primeira mão, a coluna acessou o teor de um requerimento preparado pelo partido. Assinado pelos três deputados do Novo, o documento contém uma série de questionamentos ao Ministério das Relações Exteriores. 

“O Itamaraty manifestou preocupação com os possíveis impactos negativos à imagem internacional do Brasil?”, questiona. A legenda também aborda o peso sobre “as relações bilaterais, caso o governo brasileiro seja percebido como atuando em defesa pessoal de um magistrado”.

O Novo também cobra esclarecimentos sobre supostos contatos diplomáticos contra a atuação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

“Qual foi a orientação dada pelo Presidente da República ao Itamaraty sobre a condução diplomática do caso envolvendo o Ministro Alexandre de Moraes?”, escreve o Novo. “Houve comunicação formal? Em caso positivo, favor encaminhar cópia integral da comunicação.”

O partido quer saber se Alexandre de Moraes interferiu ou consultou diretamente o Itamaraty sobre a ofensiva diplomática.

Deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), líder do Novo questiona governo Lula sobre ofensiva do Itamaraty | Foto: Pedro França/Agência Senado
Deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), líder do Novo questiona governo Lula sobre ofensiva do Itamaraty | Foto: Pedro França/Agência Senado

Além disso, os três parlamentares — Adriana Ventura (SP), Marcel van Hattem (RS) e Luiz Lima (RJ) — pedem detalhes sobre a orientação do Planalto ao Itamaraty e questionam se houve comunicação formal. Caso exista, solicitam o envio do documento na íntegra.

Encomenda do governo Lula ao Itamaraty 

De acordo com fontes do Palácio do Planalto e do Senado, o governo Lula pediu ao Itamaraty uma ofensiva contra o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Rubio admitiu que o governo norte-americano pode reagir ao juiz do STF.

No entanto, a resposta não seguirá o tom encomendado pelo governo petista. Assim, a estratégia busca evitar um confronto direto com a equipe do presidente Donald Trump.

Mesmo com reservas, nesse caso, a diplomacia brasileira segue atuando em uma causa considerada partidária.

A oposição se prepara para questionar Vieira, nesta quarta-feira, 28, na Comissão Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional.

Outro ponto abordado diz respeito à legitimidade da atuação do Itamaraty. O partido indaga se a defesa de um magistrado com o governo dos Estados Unidos seria responsabilidade do Itamaraty.

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Deputados e senadores argumentam que a medida do governo petista prejudica a economia e afronta a segurança jurídica

Congresso Nacional cedeu ao lobby de entidades sindicais e flexibilizou regra para coibir fraudes no INSS | Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Para tramitarem, projetos precisam de decisão dos presidentes da Câmara e do Senado | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Desde que o governo Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, na última quinta-feira, 22, o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), deputados e senadores apresentaram, no Congresso, 20 projetos para tentar derrubar a medida. O foco das propostas é suspender o aumento, que amplia a alíquota sobre compra de dólar em espécie e remessas ao exterior.

A maioria das iniciativas parte de parlamentares da oposição, especialmente do PL, mas também há propostas de deputados da base aliada, como Paulinho da Força (Solidariedade-SP). Dezenove projetos tramitam na Câmara dos Deputados e apenas um foi apresentado no Senado Federal, por Rogério Marinho (PL-RN).

As propostas foram protocoladas entre a última sexta-feira, 23, e esta segunda-feira, 26, e, agora, aguaram decisão das presidências das duas casas legislativas para começarem a tramitar nas comissões técnicas.

Para aumentar o IOF, a equipe econômica de Lula argumenta que a arrecadação extra pode chegar a R$ 20,5 bilhões em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026. A mudança eleva de 1,1% para 3,5% o imposto sobre compra de moeda estrangeira em espécie e fixa alíquota de 5% nos planos VGBL ou previdência privada com aportes mensais acima de 50 mil. 

Argumentos dos parlamentares nos projetos contra o IOF

“O brasileiro não suporta mais aumento de impostos!”, afirmam os deputados da bancada do Novo no projeto para sustar o decreto de Lula. “O aumento abrupto do imposto arrecadatório onera operações de crédito essenciais ao desenvolvimento produtivo, eleva o custo de seguros e eleva o custo de remessas cambiais, prejudicando a competitividade do Brasil e a segurança jurídica.”

Segundo os deputados do Novo, os efeitos do aumento do IOF, “longe de atender a uma função extrafiscal — como controle de liquidez e mitigação de riscos sistêmicos —, revelam-se instrumento de aperto fiscal, incompatível com as boas práticas de governança macroeconômica.”

Deputado Marcel Van Hattem (RS) integra a bancada do Novo, que apresentou projeto para sustar decreto de Lula | Foto: Pedro França/Agência Senado

Já o senador Rogério Marinho afirmou que o aumento para investidores chega a ser “praticamente” dez vezes maior do que o anterior. De acordo com Marinho, “as normas em questão propõem aumento de mais de 60% na arrecadação do IOF, o que claramente extrapola a natureza extrafiscal e regulatória deste imposto”, explicou o líder da oposição no Senado Federal. 

Na justificativa do Projeto de Decreto Legislativo para sustar a medida de Lula, Marinho afirma, também, que “não se trata de mera divergência sobre política tributária”, mas de um texto com vício formal e material “que impõe ônus fiscal bilionário à economia, prejudica a competitividade das empresas brasileiras, penaliza investimentos no exterior e compromete a credibilidade da política econômica”.

Os partidos contrários também argumentam que a medida pode tornar as operações internacionais mais caras, prejudicar a competitividade do país e comprometer a segurança jurídica. Segundo os documentos, aumentos de tributos deveriam depender de autorização do Congresso Nacional.

Também apresentaram projetos para revogar os decretos sobre o IOF, como autores principais, os deputados Evair Vieira de Melo (PP-ES), Julia Zanatta (PL-SC), Cobalchini (MDB-SC), Maurício Carvalho (União-RO), Fabio Schiochet (União-SC), Mario Frias (PL-SP), Gustavo Gayer (PL-GO), André Fernandes (PL-CE), Rodolfo Nogueira (PL-MS), Capitão Alberto Neto (PL-AM), Carlos Jordy (PL-RJ), Daniela Reinehr (PL-SC), Nikolas Ferreira (PL-MG), Rodrigo da Zaeli (PL-MT) e Zucco (PL-RS).

Alguns parlamentares também protocolaram projetos para convocar o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para prestar esclarecimentos sobre as medidas.

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Ex-ministro de Bolsonaro é acusado de supostamente integrar organização criminosa que tentou deslegitimar as eleições de 2022 e manter o ex-presidente no poder

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General Augusto Heleno durante depoimento à CPMI do 8 de Janeiro — 26/9/2023 | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Supremo Tribunal Federal (STF) vai dar continuidade, nesta segunda-feira, 26, às oitivas das testemunhas de defesa no inquérito que apura uma suposta tentativa de golpe para manter Jair Bolsonaro (PL) no poder, mesmo derrotado nas eleições de 2022. A fase atual concentra os depoimentos das testemunhas do general Augusto Heleno, que comandou o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo Bolsonaro.

Responsável pelo processo, o ministro Alexandre de Moraes conduz as audiências. A programação do dia inclui dez testemunhas indicadas pela defesa do militar.

Parte dos depoentes aparece em listas conjuntas e falará em outros momentos

Nem todas, porém, foram agendadas para hoje. Parte dos depoentes aparece em listas conjuntas e falará em outros momentos. Na sexta-feira 23, o senador e ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS) prestou depoimento como testemunha a favor de Heleno.

Entre os depoentes de maior peso estão o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga e o general Carlos José Russo Penteado. Este último ocupou a vice-chefia do GSI durante a gestão de Gonçalves Dias, o G. Dias, já no governo Lula.

O STF já recebeu depoimentos de testemunhas arroladas pela Procuradoria-Geral da República (PGR), pelo delator Mauro Cid, além de defensores do general Braga Netto, do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) e do ex-comandante da Marinha, Almir Garnier Santos.

Fazem parte da lista de testemunhas convocadas pela defesa de Augusto Heleno para esta segunda-feira, a partir das 15h:

A denúncia contra Heleno revela que o general participou de uma organização criminosa. Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o grupo atuava para impedir a saída de Bolsonaro do cargo. Na peça apresentada em fevereiro, Gonet cita uma reunião realizada em 2022, onde Heleno teria supostamente articulado a divulgação de informações falsas contra o sistema eleitoral.

Consta no processo uma agenda apreendida durante a Operação Tempus Veritatis. O material reúne anotações que fazem referência a estratégias para desacreditar as urnas eletrônicas.

A defesa do general argumenta que o caso não deveria tramitar no STF

Na contestação, a defesa do general argumenta que o caso não deveria tramitar no Supremo. Os advogados afirmam que, como os fatos ocorreram durante o exercício do cargo, mas sem que os acusados ocupem funções públicas atualmente, a competência seria da Justiça Federal de primeira instância em Brasília.

O time jurídico reforça essa tese ao comparar com o caso do presidente Lula na Operação Lava Jato. 

“Em situação processual muito similar, o atual presidente da República foi, no passado, denunciado e julgado em primeira instância pela Justiça Federal de Curitiba por fatos ocorridos durante seu mandato e em razão do mandato, mas, por não ser mais presidente, foram julgados e processados em primeiro grau”, disse a defesa de Heleno. “Tal qual na presente situação, onde os fatos ocorreram durante o mandato e em função, mas os denunciados não exercem mais o cargo no momento da denúncia!”

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Parlamentar interpelou o governo Lula, que criticava Bolsonaro, sobre segredo em papéis que deveriam ser públicos

carla zambelli
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) acionou a Controladoria-Geral da União (CGU) para ter acesso a documentos classificados como sigilosos pelo Ministério da Gestão e da Inovação.

Protocolada na sexta-feira 17, com base na Lei de Acesso à Informação (LAI), a ação mira convênios firmados entre o governo federal, Estados, municípios e ONGs.

Os contratos em questão envolvem cerca de R$ 600 bilhões em recursos públicos, boa parte deles oriundos de emendas parlamentares. De acordo com Carla, tornar esses documentos sigilosos compromete os princípios da administração pública e levanta suspeitas sobre a finalidade desses repasses.

Carla Zambelli: documentos sigilosos comprometem a fiscalização

“A ocultação dessas informações fere frontalmente os princípios da publicidade, moralidade e legalidade previstos na Constituição”, disse a parlamentar. No documento enviado à CGU, ela argumenta que a decisão do governo pode configurar desvio de finalidade e extrapolação de competência, o que tornaria os atos passíveis de nulidade, conforme estabelece a Lei da Ação Popular.

Carla Zambelli solicita à CGU a relação completa de todos os contratos e convênios sigilosos, as justificativas formais para o sigilo e o envio das informações ao seu gabinete de maneira oficial. A deputada declarou que vai acompanhar pessoalmente o trâmite do pedido e que tomará medidas legais caso não receba resposta dentro do prazo previsto.

“A transparência é inegociável”, disse. “Quando o governo esconde documentos que envolvem bilhões de reais, o controle social e a fiscalização parlamentar ficam comprometidos. É revelador que Lula, que tanto estufou o peito para dizer que não haveria sigilo em seu governo, agora adote essa prática como método de gestão.”

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Ex-vice-presidente falou em omissão. Ministro Alexandre de Moraes interrompeu depoimento

General Mourão apontou omissão do ministério da Defesa | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Hamilton Mourão apontou omissão do ministério da Defesa | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro irritou o ministro Alexandre de Moraes durante a tomada de depoimento do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira, 23.

Vice-presidente da República na gestão Bolsonaro, Mourão prestou depoimento como testemunha no inquérito que investiga atribuições que culminaram nos atos do 8 de janeiro de 2023. Ele foi testemunha do tenente-coronel Mauro Cid e do general Augusto Heleno.

Mourão respondeu advogado de Bolsonaro 

O advogado Paulo Amador Cunha Bueno questionou Mourão sobre a existência de uma sessão do Exército especializada em análises de cenário de risco e alertas que resultam de relatório de inteligência.

O senador falou da competência das Forças Armadas para alertar sobre a iminência dos atos do 8 de janeiro. Mourão apontou para a omissão do Ministério da Defesa em relação aos ataques.

“É a sessão de inteligência encarregada de analisar as informações que chegam”, disse o ex-vice-presidente. “Por óbvio que isso perdura até os dias de hoje e deveria ter acionado os meios respectivos.”

Durante o depoimento, o ex-vice-presidente culpou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela omissão do governo atual.

Reação de Moraes 

Moraes interrompeu o advogado que seguia perguntando se o 8 de janeiro teria sido orquestrado. O ministro proibiu a indagação e disse que Mourão não é “perito” para fazer análises de cenário. O relator ainda insistiu que a defesa deveria se ater aos fatos.

Mourão negou durante a oitiva a existência de uma reunião em que tenha participado de debates sobre suposta preparação golpista.

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