Foto: Reprodução YouTube/TV Brasil

O presidente Jair Bolsonaro prestigiou, nesta terça-feira (2), em Pistoria, na Itália, a cerimônia de homenagem aos soldados brasileiros que perderam a vida na Segunda Guerra Mundial. Na ocasião, 467 combatentes brasileiros foram sepultados no Cemitério Militar Brasileiro na Itália, e lá ficaram entre os anos de 1945 e 1960, quando os restos mortais foram transportados de volta ao Brasil. Atualmente, eles estão alocados no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.

Em seu discurso, Bolsonaro relembrou suas origens italianas. O presidente defendeu a atuação do Brasil na Segunda Guerra e a luta pela liberdade, que, segundo ele, “é sagrada”.

– Pela primeira vez, estou em solo italiano. Solo este, nesse momento, sagrado para nós. Onde rememoramos aqueles que tombaram em luta por aquilo que é de mais sagrado entre nós: a nossa liberdade. Esta é a terra também de meus antepassados. Hoje um sétimo da população brasileira, 30 milhões de pessoas, tem origem italiana. Em 1943, um dever nos chamava a voltar para a Itália e lutar por liberdade. Assim, 25 mil soldados brasileiros cruzaram o Atlântico, muitos de origem italiana, e para cá vieram. Dois anos depois, quase 500 brasileiros aqui pereceram, mas a vitória se fez presente. Ouso dizer: mais importante que a própria vida, é a nossa liberdade – disse.

Bolsonaro também exaltou a boa relação do Brasil com a Itália, país com o qual o presidente tem amplo diálogo.

– Ouvi aqui a palavra gratidão. Ela tem mão dupla. Apesar de o Oceano Atlântico nos separar, nos sentimos mais que vizinhos, nós somos irmãos. A todos vocês, nossos irmãos italianos, a minha continência, o meu orgulho de estar aqui e a satisfação de estarem ao nosso lado ontem, hoje e sempre. Brasil e Itália sempre juntos – conclui, fazendo sinal de continência com a mão direita.

*Pleno.News


Foto: EFE/Laurent Gillieron

O ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça Sergio Moro divulgou nas redes sociais, na manhã desta terça-feira (2), o convite para o ato de sua filiação ao Podemos. O evento está marcado para o dia 10 de novembro, às 9h.
No banner, o tradicional slogan de Moro, “Faça a coisa certa, sempre”, foi substituído por “Juntos, Podemos construir um Brasil justo para todos”.

O ex-ministro chegou ao Brasil nesta segunda-feira (1º), mesma dia em que o Podemos confirmou oficialmente a filiação de Moro. O partido aguardava o anúncio da rescisão do ex-juiz com o escritório norte-americano Alvarez & Marsal.

Em nota, a ex-contratante de Moro justificou o encerramento do contrato por causa da “vida pública” do ex-colaborador. O escritório disse ainda que o rompimento foi “em comum acordo”.

– Hoje, os objetivos entre ambos são distintos. Ademais, a A&M não mantém profissionais que tenham uma vida pública – disse o comunicado.

*Pleno.News


Ministro e presidente da Petrobras terão que explicar política de preços da estatal

Ministro da Economia Paulo Guedes e o presidente da Petrobras, Joaquim Luna e Silva Foto: Ministério da Economia/Washington Costa/Agência Brasil/Antônio Cruz

O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), afirmou nesta segunda-feira (1º) que irá protocolar um requerimento de convocação do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna.

Segundo informações do site O Antagonista, Guedes e Luna serão convidados a explicar a política de preços praticada pela estatal, incluindo os sucessivos aumentos no preço dos combustíveis, e também declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre a companhia.

Recentemente, o presidente chamou a Petrobras de “problema” e disse que está avaliando a possibilidade de sua privatização. Ainda hoje, na Itália, Bolsonaro comentou que sabia “extraoficialmente” que haverá um novo aumento dos combustíveis em 20 dias – informação esta que, a princípio, Bolsonaro não devia ter conhecimento.

A comissão do Senado quer esclarecer se a declaração do presidente teve como intuito prejudicar o valor da companhia.

Em nota enviada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Petrobras afirmou que não divulga informações prévias sobre reajustes de preços dos combustíveis.

Uma sessão marcada para o dia 9 deste mês irá votar os requerimentos de convocação.

Informações Pleno News


Bancado do partido pediu o afastamento do senador após denúncia de uma suposta rachadinha

Senador Davi Alcolumbre, presidente da CCJ do Senado Foto: Agência Senado/Pedro França

Após o presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) , senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), ser alvo de denúncia acerca de suposto envolvimento em esquema de rachadinha, a bancada do Podemos no Senado fez uma nota, nesta segunda-feira (1º), pedindo seu imediato afastamento da presidência da CCJ.

“Tendo em vista as graves denúncias veiculadas na imprensa no último final de semana, o Podemos defende o imediato afastamento do Senador Davi Alcolumbre da Presidência da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal”, ressalta a nota publicada pelo partido.

Segundo a bancada do Podemos, a medida tem o propósito de não prejudicar o regular andamento dos trabalhos da mais importante comissão da Casa.

“O PODEMOS considera necessário que a Presidência do Senado Federal determine um calendário para as votações das indicações de autoridades no Plenário da Casa, cumprindo a pauta e auxiliando a distensionar as divergências.”, acrescenta.

Na última sexta-feira (29), Alcolumbre teve seu nome vinculado a um suposto esquema de rachadinha praticado em seu gabinete no Senado. De acordo com a reportagem da revista Veja, o senador ficou durante anos com o salário de seis assessoras. A revista afirma que o total desviado foi de aproximadamente R$ 2 milhões. O esquema teria funcionado entre janeiro de 2016 e março de 2021.

Em nota divulgada, Alcolumbre afirmou que “vem sofrendo uma campanha difamatória sem precedentes”, citando a denúncia de suposta rachadinha em seu gabinete. “Nunca, em hipótese alguma, em tempo algum, tratei, procurei, sugeri ou me envolvi nos fatos mencionados”.

O senador também alega que está sendo alvo de “orquestração por uma questão política e institucional da CCJ e do Senado Federal”.

Alcolumbre também vem sendo alvo de críticas por não marcar a sabatina de André Mendonça, indicado do presidente Jair Bolsonaro para ocupar o Supremo Tribunal Federal (STF). Um dos principais críticos da demora de marcar a sabatina é o senador Alvaro Dias (Podemos), em entrevista à CNN, ele enfatizou que “não compete ao presidente da Comissão, Davi Alcolumbre, engavetar, arquivar ou protelar”.

Os senadores do Podemos que assinaram o pedido de afastamento de Alcolumbre foram: senador Alvaro Dias(PR), senador Eduardo Girão (CE), senador Flávio Arns (PR), senador Jorge Kajuru(GO), senador Lasier Martins(RS); senador Marcos do Val(ES), senador Oriovisto Guimarães(PR), senador Reguffe(DF), senador Styvenson Valentim(RN).

*AE


Governo federal baixa portaria que proíbe demissões por falta de vacina
Foto: Marcello Casal Jr

O governo federal publicou, nesta segunda-feira (1), uma portaria a fim de proibir a demissão ou a não contratação de servidores por conta da não apresentação de certificado atestando a imunização contra a Covid-19. 

A política de admissão ou continuidade dos funcionários em seus cargos condicionada a vacinação já é uma prática implementada ou estudada em estados e municípios. Em São Paulo, três pessoas em cargos comissionados e que se recusaram a tomar vacinas contra a Covid-19 foram demitidas e concursados serão alvos de processos administrativos.

Segundo a coluna Painel, da Folha de São Paulo, a portaria do governo federal, assinada pelo ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni, prevê que a obrigatoriedade de certificado de vacinação em processos seletivos de admissão de trabalhadores, bem como a demissão por justa causa de empregado em razão da não apresentação do certificado, é descrita como prática discriminatória.

O documento ainda diz que o rompimento da relação de trabalho pelo motivo descrito dá ao empregado o direito a reparação por dano moral e a possibilidade de optar entre a reintegração com ressarcimento integral de todo o período de afastamento ou o recebimento, em dobro, da remuneração do mesmo período.

Em vídeo, Onyx Lorenzoni disse que “tanto a Constituição brasileira como a consolidação das leis do trabalho não fazem essa exigência” do comprovante de vacinação. “Ao contrário, há o livre arbítrio, há uma decisão que é de foro íntimo de cada pessoa”.

Informações Bahia Notícias


O presidente foi a Anguillara Veneta, cidade de um de seus antepassados que hoje é governada por um partido de extrema-direita, para receber título de cidadão honorário.

Jair Bolsonaro durante uma visita a Anguillara Veneta, no nordeste da Itália, onde foi premiado com a cidadania honorária  — Foto: PIERO CRUCIATTI / AFP

Jair Bolsonaro durante uma visita a Anguillara Veneta, no nordeste da Itália, onde foi premiado com a cidadania honorária — Foto: PIERO CRUCIATTI / AFP 

Manifestantes contrários e favoráveis ao presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foram à cidade de Anguillara Veneta, no norte da Itália, na tarde desta segunda-feira (11) onde ele recebeu o título de cidadão honorário da cidade em uma cerimônia oficial. 

Inicialmente programada para acontecer na sede da prefeitura, a cerimônia foi transferida para uma residência do século 17 da região. Bolsonaro recebeu o título diante de quase 200 convidados, incluindo parentes e vereadores do município. 

“Estou emocionado por estar aqui. Acho que dá para ver. Daqui saíram meus avós. Tenho o prazer de estar entre tantas pessoas boas”, disse Bolsonaro no início do encontro, segundo a agência italiana AGI, já que a maioria dos veículos de imprensa tiveram o acesso impedido. 

Bolsonaro é recebido em cidade italiana com manifestações contra e a favor

Bolsonaro é recebido em cidade italiana com manifestações contra e a favor 

Um bisavô de Bolsonaro emigrou de Anguillara Veneta para o Brasil. Hoje, a cidade tem cerca de 4 mil moradores e é governada pela Liga, partido de extrema-direita. 

“Deus quis que eu fosse presidente do Brasil e estou honrando a família nesse país. Temos muito apoio popular. Estamos fazendo um grande trabalho, que o povo reconhece, ao contrário dos meios de comunicação”, acrescentou o presidente no ato que durou cerca de quatro horas. 

Depois do evento, o presidente brasileiro foi almoçar com vários membros da família Bolsonaro, alguns parentes próximos, em uma elegante residência do século 17 da região. 

A chegada do presidente mobilizou militantes de esquerda e de organizações antifascistas, contrários a sua política de extrema-direita, assim como um setor da comunidade brasileira que mora na Itália. 

Manifestações a favor e contra o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em Anguillara Veneta, na Itália, em 1º de novembro de 2021 — Foto: Piero Cruciatti /AFP

Manifestações a favor e contra o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em Anguillara Veneta, na Itália, em 1º de novembro de 2021 — Foto: Piero Cruciatti /AFP 

Manifestações contrárias

Sob uma chuva persistente e em meio à neblina, representantes de vários partidos de esquerda, de sindicatos e da associação antifascista ANPI protestaram com bandeiras e cartazes contra a honraria ao presidente brasileiro. 

“Que visite a cidade de onde vem sua família é justo, mas não que o apresentem como um modelo a seguir com a concessão do título de cidadão honorário”, disse Antonio Spada, vereador da oposição. 

“Fora Bolsonaro”, afirmava um cartaz, enquanto outro, escrito a mão, declarava “Anguillara ama o Brasil, mas não Bolsonaro”. 

Imagem de protesto contra o presidente Jair Bolsonaro em  Anguillara Veneta — Foto: Piero Cruciatti / AFP

Imagem de protesto contra o presidente Jair Bolsonaro em Anguillara Veneta — Foto: Piero Cruciatti / AFP 

Entre os manifestantes mais indignados estava o missionário italiano Massimo Ramundo, que viveu por 20 anos no Brasil, sendo 12 deles no Maranhão (estado que tem 34% do território ocupado pela floresta amazônica).

“É uma vergonha. Estou furioso com a prefeita desta cidade. Ela não sabe o que Bolsonaro fez e disse, não escutou suas declarações de teor racista, contra os indígenas, os vacinados, as mulheres. Além disso, ele quer que a Amazônia seja um negócio. Não respeita os valores do papa Francisco”, afirmou o religioso. 

Em  Anguillara Veneta, mulheres fixam faixa em italiano onde se afirma que o título de cidadão honorário não deveria ser dado como um presente, mas, sim, conquistado; manifestantes protestaram contra o presidente Jair Bolsonaro, em 1º de novembro de 2021 — Foto: Piero Cruciatti/ AFP

Em Anguillara Veneta, mulheres fixam faixa em italiano onde se afirma que o título de cidadão honorário não deveria ser dado como um presente, mas, sim, conquistado; manifestantes protestaram contra o presidente Jair Bolsonaro, em 1º de novembro de 2021 — Foto: Piero Cruciatti/ AFP 

Manifestantes pró-Bolsonaro

Grupos de simpatizantes do presidente também se manifestaram. “Estou aqui para dizer que não está sozinho”, declarou Silvana Kowalsky, 50 anos, que viajou de Vicenza, a 85 quilômetros de distância, para expressar seu apoio. 

Com chapéus e bandeiras do Brasil, os simpatizantes do presidente preparam-se para defender a homenagem.

“É um grande presidente e tem o direito, porque é descendente de italianos. Tudo o que a CPI (do Senado) fala dele é mentira”, afirmou o brasileiro Cláudio Resende, de 65 anos, que mora na Itália há 17 anos. 

Manifestantes a favor de Jair Bolsonaro em Anguillara Veneta, na Itália, em 1º de novembro de 2021 — Foto: Piero Cruciatti / AFP

Manifestantes a favor de Jair Bolsonaro em Anguillara Veneta, na Itália, em 1º de novembro de 2021 — Foto: Piero Cruciatti / AFP

Informações G1


Foto: José Dias/PR
Foto: José Dias/PR

Compartilhar no FacebookCompartilhar no WhatsappCompartilhar no TwitterCompartilhar no Messenger Compartilhar no Telegram Compartilhar no Parler 

Na Itália para participar do G20, o encontro de líderes das maiores economias do mundo, o presidente Bolsonaro foi mais uma vez aclamado pelo povo.

As imagens são impressionantes, você não vai ver isso na Globo, que certamente deve estar procurando um militante esquerdista em algum esquina da capital italiana.

Não é a primeira que o presidente do Brasil é recebido com festa no exterior, e certamente não será a última.

Aqueles que lutam por liberdade, se identificam com Jair Messias Bolsonaro.

Cada vez mais, ele marca seu nome na história, como um dos maiores governantes que nosso país já teve.

Confira:

Informações Jornal da Cidade


Pelo menos por enquanto é assim

Lula está em Brasília

Jair Bolsonaro dá-se ao luxo de só bater em Lula, e de orientar sua tropa a fazer o mesmo. Lula é seu adversário preferido. Nas contas dele, seria o mais fácil de derrotar ano que vem.

De resto, bater em nomes que ainda carecem de apoio em massa só serviria para fortalecê-los. Seria uma jogada burra, primária, amadora, não à altura da experiência acumulada por ele.

O que Bolsonaro mais teme é um candidato da dita terceira via que venha a consolidar-se como tal. Porque, nesse caso, ele correria o risco de ficar de fora do segundo turno, quiçá do primeiro.

Pela terceira via, o nome que mais o ameaça é o do ex-juiz Sergio Moro, o paisano dono da maior coleção de condecorações militares desde que a Operação Lava-Jato foi deflagrada.

Bolsonaro torce para que venha pela terceira via o governador João Doria, de São Paulo, que a seu juízo teria dificuldades de unir seu próprio partido, o PSDB, quanto mais os outros.

Em resumo: é tempo de Bolsonaro seguir batendo em Lula, e só uma vez ou outra em quem mais puser a cabeça de fora. Lá pelo fim do primeiro trimestre de 2022, escolherá também outro alvo.

Informações Blog do Noblat – Metrópoles


Bolsonaro caminha na rua rodeado de assessores e seguranças
Bolsonaro em Roma; presidente receberá homenagens na Itália, ao mesmo tempo que é alvo de protestos

A concessão da cidadania honorária do vilarejo italiano de Anguillara Veneta ao presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, se tornou o mais recente símbolo da disputa histórica entre a extrema direita e a extrema esquerda na Itália. Manifestações foram marcadas para o mesmo dia (1º/11) em que o mandatário foi homenageado, logo após o encontro do G20 (20 maiores economias do mundo) em Roma.

A prefeitura de Anguillara Veneta, comandada por políticos considerados de direita e de extrema direita, acabou depredada por um grupo ambientalista como “resposta” à homenagem a Bolsonaro, que conseguiu atrair críticas de diversos grupos de esquerda na Itália por outros motivos, como o desmatamento da Amazônia e as acusações da CPI da Covid contra sua gestão da pandemia, todas refutadas pelo presidente.

Mas o que Bolsonaro tem a ganhar com todo esse imbróglio? Segundo David Magalhães, professor de relações internacionais da PUC-SP e da Faap e coordenador do Observatório da Extrema Direita, “receber uma homenagem de uma liderança política conservadora, por menor que seja a importância, ajuda a energizar a base radical interna de Bolsonaro, que de tempos em tempos precisa de combustível para manter sua militância engajada, principalmente nas redes sociais, enquanto constrói-se uma narrativa de que o presidente não está isolado, que ele é admirado e que quem o rejeita é uma elite progressista nacional e internacional”.

Para o cientista político italiano Fabio Gentile, professor da Universidade Federal do Ceará especializado em fascismo, a homenagem ao presidente brasileiro por causa de seu bisavô também é cercada de laços simbólicos e históricos relacionados a uma bandeira tradicional da direita e da extrema direita na Itália: a concessão de cidadania italiana a descendentes nascidos em outros países.

“Numa lógica de propaganda política, Bolsonaro seria o valor simbólico de uma italianidade no mundo, de um nacionalismo italiano que se espalhou há muitas décadas, e esse é um dos grandes temas da direita italiana. Tanto que ela criou há muitos anos as organizações dos italianos no mundo. Isso passa pela ideia de uma suposta raça italiana, como se eles tivessem herdado pelo sangue uma suposta raça italiana, seus valores e sua capacidade”, afirma Gentile.

Segundo ele, não é uma coincidência que a prefeita que concedeu a homenagem, Alessandra Buoso, seja filiada ao partido Liga, liderado por Matteo Salvini, senador nacionalista de direita próximo da família Bolsonaro. Essa sigla herdou a bandeira política da italianidade sanguínea defendida por outros partidos de direita e de extrema direita a partir dos anos 1980, como o Movimento Social Italiano, fundado por ex-integrantes do regime fascista liderado por Benito Mussolini.

Matteo Salvini de perfil, perto de holofote
Salvini é próximo da família Bolsonaro e está no mesmo partido de prefeita que concedeu homenagem ao presidente brasileiro

A cidadania italiana é regulamentada por uma lei de 1992. Baseia-se no princípio do jus sanguinis – termo em latim para direito de sangue – e pode ser transmitida a todos que têm ascendência italiana em todas as gerações. Podem ser filhos, netos, bisnetos ou mesmo descendentes de gerações mais distantes.

Por outro lado, não há o princípio do jus soli, ou direito de solo, em que a nacionalidade é concedida de acordo com o lugar de nascimento. Filhos de estrangeiros que nasceram na Itália podem pedir cidadania após completarem 18 anos, mas precisam atender a diversos pré-requisitos. Em geral, são políticos de esquerda que defendem cidadania mais ampla para esses imigrantes, como o deputado ítalo-brasileiro Fausto Longo (Partido Democrático).

Gentile afirma que esses dois princípios de cidadania estão na raiz da relação entre o identitarismo racista dos últimos anos contra imigrantes (em especial da África e do Oriente Médio) e a defesa de uma suposta raça italiana se espalhando no mundo, mesmo que o povo italiano seja um dos mais miscigenados da Europa em sua origem.

Segundo o pesquisador, o partido nacionalista Liga, que chegou a adotar um lema de raiz fascista para se defender das críticas à sua posição anti-imigratória (“muitos inimigos, muita honra”), conseguiu mobilizar a seu favor a insatisfação racista de parte da população italiana contra o conflituoso processo de integração de cidadãos de ex-colônias, agravado pela recente crise dos refugiados.

Esse tema, aliás, foi tratado em encontro na Itália entre Salvini e o deputado federal Eduardo Bolsonaro. Questionado pelo filho do presidente sobre os dois princípios de cidadania, o italiano respondeu que os únicos imigrantes que interessam à Itália são os descendentes de italianos que vivem em outros países, como Brasil e Argentina.

Essa reunião foi intermediada pelo deputado ítalo-brasileiro Luis Roberto Lorenzato (Liga), que apoia o presidente Bolsonaro e a concessão do título de cidadão honorário a ele e critica o uso do termo “extrema direita” para caracterizar políticos de seu partido.

O parlamentar defende o direito de sangue e refuta o direito de solo porque “se nasce italiano”. 

“A verdadeira riqueza da Itália são os 60 milhões de italianos por direito de sangue (jus sanguinis), que vivem particularmente no Brasil, e são bem qualificados na classe média brasileira e que devem poder criar um verdadeiro relacionamento com a pátria mãe nossa Itália investindo, realizando negócios e até o sonho de ter a ‘prima casa’ na Itália e assim garantir de forma perene a identidade cultural e histórica do povo italiano”, disse em sua campanha eleitoral.

Bolsonaro caminha de máscara em tapete vermelho, rodeado por militares
Recepção a Bolsonaro no palácio Quirinale, em Roma

Para se ter uma ideia, a grande imigração italiana no final do século 19 levou para o Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 1,2 milhão de pessoas no período de 1876 a 1920. Um deles foi Vittorio Bolzonaro, que nasceu em Anguillara Veneta e emigrou para o Brasil em abril de 1888, aos dez anos, na companhia do pai, da mãe e de outros dois irmãos.

Angelo, filho de Vittorio nascido no Brasil anos mais tarde, casou-se com uma brasileira descendente de alemães, e em 1927 o casal teve Percy Geraldo. Vinte e oito anos depois, nascia o terceiro dos seis filhos de Percy, Jair Messias Bolsonaro.

Protestos de movimentos de esquerda e extrema-esquerda ao título de Bolsonaro

A homenagem a Bolsonaro tem gerado fortes reações de grupos de esquerda e representantes da Igreja Católica desde que foi anunciada pela prefeita Alessandra Buoso e aprovada pela Câmara Municipal. A mandatária negou motivações políticas no ato, mas isso não foi suficiente para desmobilizar os opositores.

O episódio serviu de estopim para aglutinar diversos grupos de extrema esquerda críticos do presidente. Outros dois combustíveis para movimentos contra ele foram as acusações da CPI da Covid, que repercutiram muito na imprensa italiana, e a ausência de Bolsonaro na COP26, cúpula do clima na Escócia que discute medidas e metas concretas contra o aquecimento global.

“Sua presença nesta cidade é indesejável; basta lembrar a gestão criminosa da pandemia realizada pelas autoridades brasileiras, e a comissão parlamentar de inquérito que pediu que ele fosse julgado por crimes contra a humanidade. Nos últimos anos, Bolsonaro se tornou um dos principais baluartes da negação – tanto pandêmica quanto climática – do racismo mais vulgar, colonialismo e sexismo”, afirma um grupo que convoca protestos contra Bolsonaro em Pádua e em Anguillara Veneta, no norte da Itália. 

Segundo Luca Dall’Agnol, representante do sindicato ADL Cobas, sua entidade participará dos protestos contra Bolsonaro e a decisão da prefeitura de conceder o título honorário a ele como um ato de solidariedade a todos que tem se mobilizado no Brasil contra o presidente nos últimos anos. “Suas políticas levaram à aceleração do desmatamento da Amazônia e a uma escalada de ataques contra comunidades indígenas, e sua resposta negacionista à pandemia de covid-19 levou à perda de muitas vidas.”

Para o sindicalista, Bolsonaro é um “fascista de nosso tempo”. “Fica claro pelo seu desprezo pela democracia que a única coisa que o impede de assumir poderes autoritários é o equilíbrio social de poder existente hoje e a resistência que vem sendo feita pelos cidadãos brasileiros”.

Fabio Gentile, da Universidade Federal do Ceará, afirma que o antifascismo permeia a Constituição italiana desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. “Existe uma cultura antifascista dentro da formação do Estado italiano republicano contemporâneo, que se tornou também uma rede de associações que, a partir das décadas de 1940, 1950, estão defendendo os valores antifascistas da Constituição italiana. A maior delas é a Anpi (Associação Nacional dos Partisans da Itália, que também protestará contra Bolsonaro).”

Segundo o pesquisador, a luta entre fascismo e antifascismo se arrasta há décadas no país, mas “é claro que existe um uso bastante ideológico desses conceitos, porque nem tudo que a extrema-esquerda está combatendo é fascismo”.

De todo modo, Gentile avalia que os atos contra Bolsonaro também possam estar sendo usados como uma resposta desses movimentos à invasão da sede da Confederação-Geral Italiana do Trabalho, o principal sindicato italiano, no início de outubro.

O local foi invadido em ato liderado pelo partido de extrema direita Força Nova e por manifestantes antivacina, que criticavam o sindicato por não ter lutado contra a obrigatoriedade de vacina para todos os trabalhadores do país. “A meu ver, o que os movimentos antifascistas estão pensando? É realmente uma coisa absurda dar uma cidadania para um cara como Bolsonaro, que é contra vacina, associa vacina à Aids e fala outras coisas sem embasamento científico que acabam incentivando e mobilizando movimentos negacionistas e antivacinas.”

Bolsonaro foi o único líder do G20 que declarou não ter se vacinado contra a covid-19.

Informações BBC News


Foto: Reprodução/Record TV

presidente da República, Jair Bolsonaro, recebeu nesta segunda-feira (1°) o título de cidadão honorário de Anguillara Veneta, comuna da província de Pádua, no interior da Itália, onde nasceram e viveram os antepassados do chefe do Executivo.

A outorga da homenagem foi aprovada pelo Poder Legislativo local. Após a cerimônia, que contou com a presença de parentes distantes do presidente, Bolsonaro foi recebido em um almoço organizado pela prefeita Alessandra Buoso, filiada ao partido de direita Liga e autora do projeto de homenagem.

Antes da cerimônia, o presidente atendeu um grupo numeroso de apoiadores que o aguardavam aos gritos de “mito”. No local, o líder acenou para o grupo em registro que foi filmado e compartilhado nas redes sociais do presidente.

*Pleno.News