Rio de Janeiro já tem concentração de manifestantes, e São Paulo deve ter maior presença de presidenciáveis nos atosFoto: Lucas Neves/CNN Brasil (2.out.2021)
Manifestações de protesto contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ocorrem neste sábado (2) em diversas cidades brasileiras. No Rio de Janeiro, os manifestantes começaram a se concentrar na Candelária, região central da capital, por volta das 10 horas.
Por volta das 10h30, os manifestantes começaram a caminhar pela avenida Presidente Vargas, que já está interditada. A expectativa é que eles caminhem até a Cinelândia onde há um palco.
Os atos de hoje contam com a adesão de mais de 20 legendas partidárias. Segundo os organizadores, há eventos confirmados em 251 cidades brasileiras e em 16 países.
As principais lideranças políticas, além de artistas, devem se concentrar na Avenida Paulista, região central de São Paulo, a partir das 13h (horário de Brasília). A abertura da manifestação na capital paulista será feita por líderes de diversas religiões.
Candidato do PT em 2018, o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad, assim como os presidenciáveis Luiz Henrique Mandetta (DEM) e o senador Alessandro Vieira (Cidadania), confirmaram presença na Paulista. Também provável candidato em 2022, Ciro Gomes (PDT) anunciou que estará nos atos em São Paulo e no Rio de Janeiro. O governador de São Paulo, João Doria, não comparecerá por estar em campanha das prévias do PSDB, em Minas Gerais.
Não há previsão de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) compareça nos atos de São Paulo. No entanto, ele tem sido pressionado pelas centrais sindicais a participar ao menos por vídeo. A presidente do partido, Gleisi Hoffmann, anunciou que estará presente.
Há ainda a previsão de que parlamentares participem por meio de vídeos que serão exibidos próximo ao Masp (Museu de Arte de São Paulo). A senadora Simone Tebet (MDB), o senador José Anibal (PSDB), os deputados Junior Bozzella (PSL) e Fabio Tradi (PSD) e o fundador do Novo, João Amoedo, devem falar por vídeo.
Os protestos de hoje foram organizados em conjunto pela campanha Fora Bolsonaro (que promoveu os atos anteriores e reúne centrais sindicais, movimentos populares e partidos de esquerda), pela entidade civil Fórum pela Democracia Direitos Já! e por lideranças dos nove partidos que assinaram pedidos de impeachment do presidente (PSOL, PCdoB, PT, PDT, PSD, Rede, PV, Cidadania e Solidariedade).
Em 12 de setembro, atos convocados pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e pelos grupos Vem Pra Rua e Livres aconteceram em 18 capitais e no Distrito Federal, mas tiveram baixa adesão.
As manifestações também contaram com apoio de políticos da direita, do centro e de esquerda. O PT e outras legendas de esquerda não participaram e já se articulavam para os atos deste sábado. Doria, Ciro, Mandetta e Amoêdo participaram dos atos no último dia 12 na Paulista.
Presidente vetou artigos que permitiam ampliar número de candidatos
Foto: Antônio Augusto
O presidente Jair Bolsonaro sancionou nesta sexta-feira (1º) o projeto de lei, aprovado pelo Congresso Nacional, que redefiniu os critérios para distribuição das sobras eleitorais, como são chamadas as vagas não preenchidas nas eleições proporcionais depois da divisão dos votos pelo número de cadeiras. As eleições proporcionais são aquelas que definem vereadores, deputados estaduais ou distritais e deputados federais.
Para a definição dos candidatos eleitos nesses pleitos, o partido deve alcançar o quociente eleitoral, que é um número encontrado pela divisão do número de votos válidos pelo número de vagas na Câmara dos Deputados (e, da mesma maneira, nas assembleias legislativas e câmaras municipais), desprezada a fração. O cálculo era feito tomando-se a votação de cada partido dividida pelo quociente eleitoral. Geralmente, após essa divisão, ainda sobram algumas vagas, as sobras eleitorais, que eram então divididas apenas de acordo com o partido que obtinha mais votos. Na prática, essa regra poderia eleger um candidato com menos votos se no mesmo partido houvesse um candidato puxador de votos, que fosse eleito com um número muito grande de votos, carregando candidatos da mesma sigla menos votados.
A lei aprovada pelo Congresso e agora sancionada pelo presidente condiciona a distribuição dessas sobras com base em um limite mínimo de votos obtidos pelo partido. De acordo com o texto, poderão concorrer à distribuição das sobras de vagas apenas os candidatos que tiverem obtido votos mínimos equivalentes a 20% do quociente eleitoral e os partidos que obtiverem um mínimo de 80% desse quociente.
Vetos
O presidente decidiu vetar dois dispositivos da nova lei. Um deles previa que, nas unidades da Federação em que o número de lugares a preencher na Câmara dos Deputados não exceder a 18, cada partido poderia registrar candidatos a deputado federal e a deputado estadual ou distrital no total de até 150% das respectivas vagas. O outro estabelecia que, nos municípios de até 100 mil eleitores, cada partido poderia registrar candidatos a vereador no total de até 150% do número de lugares a preencher.
Na justificativa do veto, o governo alegou que a medida tem o “propósito de evitar o aumento dos recursos partidários, de racionalizar o processo eleitoral, de facilitar a identificação do eleitor com os candidatos, de otimizar distribuição dos recursos do fundo partidário e o acesso gratuito ao tempo de rádio e de televisão e de evitar a pulverização de candidaturas, de modo a aumentar a legitimidade dos candidatos eleitos e sua representatividade”.
Ex-ministro visa ao Senado Federal ou à Câmara dos Deputados
General Carlos Alberto dos Santos Cruz Foto: Wikimedia Commons
Ex-ministro da Secretaria de Governo da gestão Bolsonaro, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz confirmou que irá concorrer às eleições em 2022. De acordo com o militar, sua decisão tem como objetivo “não deixar que o presidente arraste as Forças Armadas para ser uma ferramenta de uso político pessoal”.
À colunista Bela Megale, do jornal O Globo, Santos Cruz disse que ainda não decidiu se irá concorrer ao Senado Federal ou à Câmara dos Deputados. Ainda assim, o ex-ministro conta já ter recebido diversos convites.
O militar visa ainda apoiar a chamada “terceira via”, a fim de “acabar com a polarização”. Em sua visão, o nome escolhido como alternativa a Jair Bolsonaro e a Lula precisa “representar um projeto de país, e não um projeto de show, como estamos assistindo”.
Trio elétrico Demolidor é bastante usado em Salvador Foto: Divulgação/Trio Demolidor
A manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro, marcada para este sábado (2), em São Paulo, contará com o trio elétrico Demolidor, que já foi usado em blocos famosos no Carnaval, como no de Ivete Sangalo e nos de outros artistas.
De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o aluguel do veículo custou R$ 100 mil aos organizadores do protesto. O trio elétrico, com 24 metros de comprimento, possui camarins com luz de cromoterapia, decoração interna baseada no feng shui, área VIP, quatro banheiros, caixas de som com 343 mil watts de potência e elevadores hidráulicos.
Cerca de 80 movimentos sociais envolvidos no protesto comunicaram que vão dividir o valor a ser bancado com recursos de doações via Pix. Dirigentes confirmaram a presença dos candidatos ao Planalto Ciro Gomes (PDT) e Alessandro Vieira (Cidadania), além de lideranças e parlamentares de 21 siglas como PT, MDB, PSL, PSOL, PSDB, DEM e Novo.
O ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, foi nomeado como assessor especial da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República. A informação foi divulgada pela coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo.
Segundo a publicação, a mudança de cargo foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (1º) e é assinada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira.
O ex-ministro da Saúde ocupava o cargo de secretário da mesma pasta há quatro meses, mas na terça-feira (28) foi extinto do cargo.
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, nesta sexta-feira (1º), durante conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, ser “zero” a chance de filiação ao Aliança pelo Brasil.
“Esquece! É impossível. Zero chance de se formar o Aliança”, disse Bolsonaro, reforçando em seguida: “O que é possível, a gente tenta fazer aqui. O que é impossível, deixa para Deus”, apontou, ao ser questionado por um apoiador sobre a possibilidade.
Bolsonaro tentou criar a Aliança, mas só conseguiu reunir metade das 500 mil assinaturas necessárias.
O mandatário tentou negociação para se filiar no PSL, no entanto, a sigla sofreu um racha e teve o presidente Adilson Barroso, principal articulador de chegada ao partido, deposto.
Bolsonaro mantém conversas com o Progressistas, do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e com o PTB, de Roberto Jefferson, mas ainda não se decidiu.
Perguntado, sobre qual legenda deverá ingressar, o político não respondeu.
Opositores protestaram contra Bolsonaro em Belo Horizonte
Presidente Jair Bolsonaro ‘cutuca’ a esquerda Foto: PR/Alan Santos
Cumprindo agenda em Belo Horizonte nesta quinta-feira (30), o presidente Jair Bolsonaro foi xingado de “assassino” por uma mulher contrária ao seu governo, enquanto discursava. O chefe do Executivo afirmou que não ofenderia a mulher, declarando inclusive que não entendeu a fala dela.
– Calma aí, pessoal! Vamos lá. É bom que isso aconteça. Eu não vou ofender essa senhora que proferiu essas palavras aqui que nem deu para entender – disse o presidente.
Em seguida, Bolsonaro disse que quem continua partidário da esquerda mesmo depois dos 30 anos, “não tem cérebro”.
– Diz o velho ditado: quem até os 30 (anos) não foi de esquerda não tem coração. Quem depois dos 30 continua na esquerda não tem cérebro – declarou.
Em contrapartida, apoiadores presentes gritaram “Queremos Bolsonaro presidente outra vez”.
– Se vocês soubessem da dificuldade disso. Mas obrigado pela confiança – respondeu o presidente.
– Não vim aqui falar de política, mas se, porventura, eu vier candidato no ano que vem, terei o maior prazer de debater com o candidato dessa senhora – completou.
O ex-prefeito de Feira de Santana e possível candidato a vice-governador ou a senador, José Ronaldo (DEM), participará da Convenção Nacional do Democratas, que será realizada no dia 06 de outubro em Brasília.
Entre os assuntos a serem tratados no evento estão, a fusão do Democratas com o Partido Social Liberal (PSL), aprovação do programa e estatuto comuns, a eleição da Comissão Executiva Nacional Instituidora responsável pelo registro do novo partido no Tribunal Superior Eleitoral, além de outros assuntos de interesses partidários.
Presidente Nacional do Democratas fala sobre escolha do nome para a nova sigla
O presidente nacional do Democratas, ACM Neto, explicou, nesta quinta-feira (30), que a escolha do nome do partido que nascerá da fusão do DEM com o Partido Social Liberal (PSL) – União Brasil – tem em sua essência a capacidade de unir, com respeito, diferentes formas de pensar, diferentes ideologias e entendimentos que vão além dos extremos.
“A ideia de ter um novo partido é exatamente para trazer uma nova mensagem ao país. Hoje, enxergamos que a grande maioria dos brasileiros que não se identifica com esse quadro de polarização quer que deixemos de lado as brigas, os tensionamentos, os radicalismos e extremos. Quer um país unido”, ressaltou ACM Neto durante coletiva de imprensa realizada em Valença.
De acordo com o presidente do DEM, essa parcela da população brasileira deseja governos de resultados, com políticos que querem trabalhar e tenham compromisso com a palavra. E destacou: “Nesse contexto, o objetivo principal do novo partido é ter candidato próprio à Presidência da República nas eleições de 2022”.
“O propósito principal é tentar construir uma nova alternativa além dos extremos para o país”, ponderou aos presentes.
Após mais de dois meses de discussão interna entre as lideranças, o nome da nova sigla foi definido em reunião realizada na última quarta-feira (29), em Brasília. A fusão será oficializada no próximo dia 6, durante Convenção Nacional de ambos os partidos.
O União Brasil já nasce como o maior partido do país. “Enxergamos que há uma janela de oportunidades aberta para avançar com projetos consistentes e vitoriosos nos Estados. Além disso, vamos trabalhar para ter a maior bancada na Câmara, uma das maiores do Senado e ter candidato próprio a presidente no próximo ano”, disse.
Neto antecipou ainda que a sigla pretende lançar 10 candidaturas aos governos estaduais no próximo pleito. A ideia é fortalecer as bases regionais e criar um partido com capilaridade em todo o Brasil.
Após a confirmação da fusão pelas Convenções Nacionais, o registro do União Brasil será protocolado no Tribunal Superior Eleitoral. A tramitação do processo na Corte pode durar, em média, quatro meses.
Presidente respondeu a uma manifestante durante discurso em Belo Horizonte
Presidente Jair Bolsonaro Foto: PR/Alan Santos
Nesta quinta-feira (30), o presidente Jair Bolsonaro discursou na Cidade Administrativa, sede do governo de Minas Gerais, em Belo Horizonte. O chefe do Executivo federal está na capital mineira para anunciar investimentos para o metrô da cidade e também para comemorar os mil dias de seu governo.
Bolsonaro disse estar disposto a, caso seja candidato à reeleição, participar dos debates e comparar sua gestão ao período em que o PT comandou o país.
– Não venho aqui para falar de política. Mas se, porventura, eu vier candidato no ano que vem, terei o maior prazer de debater com o candidato dessa senhora. Vamos comparar os 14 anos de governo do PT com os 4 anos do nosso governo – declarou.
A declaração de Bolsonaro ocorreu após manifestações contra o governo interromperem seu discurso. O chefe do Executivo afirmou que não ofenderia a mulher responsável pela sua interrupção, declarando inclusive que não entendeu a fala dela.
– Calma aí, pessoal! Vamos lá. É bom que isso aconteça. Eu não vou ofender essa senhora que proferiu essas palavras aqui que nem deu para entender – disse o presidente.
Acompanharam a comitiva presidencial os ministros da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, e da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos, além do ministro da Cidadania, João Roma, e o do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.