Medida foi tomada um dia depois de integrantes da comissão comparecem na sede da PGR
Procurador-Geral da República, Augusto Aras Foto: STF/Rosinei Coutinho
O procurador-geral da República, Augusto Aras, determinou na noite desta quinta-feira (28) a abertura de uma investigação preliminar, por meio da chamada notícia de fato, para apurar os crimes imputados pelos senadores da CPI da Covid ao presidente Jair Bolsonaro e aos outros doze políticos indiciados pelo relatório final de autoria do senador Renan Calheiros (MDB-AL).
A medida foi adotada um dia após o G7 – grupo majoritário da CPI – comparecer presencialmente à sede da Procuradoria-Geral da República (PGR) para entregar o relatório a Aras, a quem cabe apresentar denúncias criminais contra autoridades com foro privilegiado.
Além da investigação, Aras determinou o compartilhamento das informações com todos os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) responsáveis por investigar casos relacionados à pandemia de Covid-19.
No despacho, o PGR também solicita a verificação da existência de todos os procedimentos correlatos às denúncias da CPI que estejam sob investigação da Procuradoria-Geral, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) – estejam eles em curso ou encerrados.
Juristas comentaram o pedido feito pela CPI da Covid para afastar o presidente de suas redes sociais
Presidente Jair Bolsonaro Foto: Isac Nóbrega/PR
A intenção da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de banir o presidente Jair Bolsonaro das redes sociais não deve prosperar. De acordo com juristas ouvidos pelo jornal Gazeta do Povo, o pedido aprovado pela CPI é inconstitucional.
O senadores aprovaram um requerimento para afastar o presidente das redes após sua live da semana passada. Na ocasião, Bolsonaro citou uma matéria sobre a possível relação entre vacinas contra Covid-19 e a Aids. O pedido foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
No entanto, para o jurista Dário Júnior, doutor em Direito Processual, não é aceitável “violar o sigilo do presidente da República” com a justificativa de “preservar a população de falas que seus críticos consideram nocivas”.
– Se uma rede social, que é privada, resolver banir um usuário (igual o Twitter fez com Donald Trump, por exemplo), ficamos sem amparo. Agora, se o Judiciário vier a tomar uma atitude dessa, ele deverá fundamentar de tal forma que comprove que essa utilização das redes sociais está provocando um dano tão grande que precisa ser interditado, precisa ser retirado […] Se nem mesmo o cidadão comum pode sofrer uma devassa irrestrita em suas comunicações privadas, não é aceitável violar o sigilo do presidente da República desta maneira a pretexto de preservar a população de falas que seus críticos consideram nocivas – explicou.
Já Marcos Paulo Fernandes de Araújo, doutor em Fundamentos Teórico-Filosóficos do Direito, afirmou que o pedido da CPI fere a liberdade de expressão.
– O presidente da República é figura pública, e suas transmissões audiovisuais em tempo real são públicas. Sem entrar no mérito das intenções de quem as determinou, não se afigura a menor necessidade de quebra de sigilos a fim de que “não se destruam provas” […] Em seus próprios termos, a medida é desproporcional e contraditória: ou as falas do presidente são públicas e notórias e, portanto, passíveis de gerar o mencionado “caos”, ou é necessário evitar que se apaguem elementos probatórios. Mas aquilo que é público e notório não carece de comprovação. Uma coisa não pode ser e não ser evidente ao mesmo tempo – afirmou.
Outro que se manifestou sobre a intenção da CPI foi Taiguara Fernandes de Sousa, professor de Filosofia do Direito e de Ciência Política. Ele apontou que a medida seria uma tentativa feita pelo Estado de controlar debates e quais assuntos seriam permitidos ou proibidos.
– Quando o controle passa a ser institucional, estatal, abrimos o precedente perigoso de que sejam os agentes públicos a definir o que pode ser discutido ou não. Isso impediria até mesmo, por medo de alguma represália, a discussão científica de novas teses, o que é natural nesse tipo de debate […] Esse tipo de atitude, na prática, pode ter a consequência de inibir o debate científico, por lançar contra uma opinião polêmica os mecanismos investigativos do Estado. Isso é contraproducente no curto e médio prazo – destacou.
Voto de Carlos Horbach acompanhou entendimento de relator e dois ministros, que apontaram faltas de provas que culpariam chapa por disparos no WhatsApp
Foto: Reprodução
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria, nesta quinta-feira (28), para arquivar o pedido de cassação da chapa vencedora nas eleições presidenciais de 2018, formada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seu vice, o general Hamilton Mourão.
A acusação é baseada em matérias publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo durante o pleito. A análise dos casos foi iniciada na última terça (26), quando foi suspensa com o placar em 3 a 0 contra a cassação. Com o voto o ministro Carlos Horbach, houve consolidação de maioria com o entendimento do relator do caso.
Logo após Horbach, o vice-presidente do TSE, ministro Edson Fachin, também acompanhou o relator no entendimento de arquivamento das ações. Ainda faltam os pareceres do presidente do TSE Luís Roberto Barroso e do ministro Alexandre de Moraes.
Os pedidos foram apresentados pela Coligação O Povo Feliz de Novo, do PT, e sugerem que a chapa cometeu abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação ao terem realizado disparos em massa de mensagens.
Em seu voto, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral e relator das ações, ministro Luis Felipe Salomão, votou contra a cassação da chapa. O ministro avaliou que houve uso indevido do WhatsApp para atacar adversários, mas não enxergou provas de que os disparos foram capazes de desequilibrar o pleito.
O entendimento havia sido seguido pelos ministros Mauro Campbell e Sérgio Banhos antes da retomada do julgamento nesta quinta.
“No que concerne à efetiva participação dos candidatos no ilícito, embora se façam presentes indícios de ciência pelo primeiro representado, hoje Presidente da República, entendo que a falta de elementos mínimos quanto ao teor dos disparos em massa e à sua repercussão comprometem sobremaneira a análise desses fatores no caso dos autos”, pontuou Salomão.
“Em outras palavras, embora a ciência de candidato acerca da prática de ilícitos eleitorais em seu benefício constitua aspecto qualitativo que deve ser levado em conta para fins de gravidade, faltam, no caso, outros dados imprescindíveis para assentar o preenchimento desse requisito”, declarou.
O relator propôs ainda que a Corte Eleitoral fixe uma tese estabelecendo que o uso de aplicativos de mensagens instantâneas “para realizar disparos em massa, promovendo desinformação, diretamente por candidato ou em seu benefício e em prejuízo de adversários políticos, pode configurar abuso do poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social”.
A sessão marca também a despedida do ministro Luis Felipe Salomão do cargo de corregedor-geral da Justiça Eleitoral. Ele será sucedido pelo ministro Campbell.
Nesta quarta-feira (27), o senador Flávio Bolsonaro usou uma rede social para expressa apoio ao jogador de vôlei Maurício Souza, que teve contrato rescindido com o Minas Tênis Clube por declarações consideradas homofóbicas.
Apesar de o atleta ter vindo a público pedir desculpas, patrocinadores da equipe consideraram as retratações “insuficientes” e pressionaram para que o Minas encerrasse o contrato com Maurício. Entre as empresas parcerias do Minas estão a Fiat e a Gerdau.
Diante das informações, Flávio Bolsonaro apontou que as empresas são contra a liberdade de opinião.
– Não compre produtos da Fiat e da Gerdau, são contra a liberdade de opinião! Estes patrocinadores do vôlei do Minas Tênis Clube são os responsáveis pela perseguição ao grande Maurício Souza! Comer o pão que o diabo amassou pra vencer na vida, pelos próprios méritos, não vale nada para esses patrocinadores. Toda minha solidariedade a você, Maurício! Não vai faltar time querendo seu talento e respeitando suas opiniões – declarou o senador.
Segundo o chefe do Executivo, decisão da comissão é “ilegal e inconstitucional”
Presidente Jair Bolsonaro Foto: PR/Alan Santos
O presidente Jair Bolsonaro entrou com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o pedido de quebra de sigilo telemático que foi aprovada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid.
O mandado de segurança, impetrado pela Advocacia-Geral da União (AGU), em nome de Bolsonaro, pede que a decisão da CPI seja suspensa imediatamente. As informações são do portal UOL.
O pedido da CPI quer que Google, Facebook e Twitter forneçam informações sobre as redes sociais do chefe do Executivo.
Para Bolsonaro, a decisão da comissão é “ilegal e inconstitucional”.
– A quebra de sigilo de dados telemáticos do impetrante sequer poderia ter figurado como testemunha, tampouco como investigado – aponta um trecho do texto entregue ao STF.
Ainda de acordo com o presidente, a CPI usa a estratégia chamada de “fishing expedition”, com “investigações genéricas para buscar elementos incriminatórios aleatoriamente, sem qualquer embasamento prévio”.
Ânimos se exaltaram durante transmissão da Jovem Pan
André Marinho alfineta Bolsonaro em entrevista Foto: Reprodução/Youtube Pânico Jovem Pan
Durante sua participação no programa Pânico, da Jovem Pan, nesta quarta-feira (27), o presidente Jair Bolsonaro se irritou com provocações do humorista André Marinho. Antes de uma pergunta capciosa, o humorista começou com “floreios”.
– Você, que, muito além de presidente da República, é o nosso mito… – iniciou Marinho.
– Está todo mundo aqui realmente muito preocupado com o retorno do PT ao poder, que vendeu o governo para o centrão, comprou base parlamentar com emenda, tinha milícia digital para atacar opositor. Ninguém quer ver esse horror voltar à tona – continuou.
Após essa introdução, Marinho chegou ao cerne da provocação, questionando sobre as chamadas “rachadinhas”.
– Eu tenho uma denúncia de uma prática que tem acontecido direto no meu Rio de Janeiro, que são vários deputados que estão roubando a torto e a direito, desviando dinheiro público. Eu te pergunto, presidente: rachador tem que ir para cadeia ou não?
Bolsonaro disse que ele poderia responder apenas pelos seus próprios atos.
– Marinho, você sabe que sou presidente da República e respondo pelos meus atos. Então não vou aceitar provocação sua. Você recolha-se ao seu jornalismo […] Seu pai quer a cadeira do Flávio Bolsonaro – disse o presidente em referência ao pai do humorista, que é suplente de Flávio Bolsonaro no Senado.
Depois de Bolsonaro responder a uma pergunta de Adriles Jorge, o humorista insistiu no assunto, dizendo que o presidente só aceitava pergunta de “bajulador”.
– O PT não pode voltar. Então, por favor, responda à pergunta que te fiz, cara. Por quê? Só quer pergunta de bajulador? – disparou Marinho.
Ofendido, Adriles respondeu calorosamente ao colega, sendo instaurada a confusão que culminou no abandono de Jair Bolsonaro da entrevista ao vivo.
– O presidente cedeu seu tempo gentilmente e foi embora. Parabéns aos dois – ironizou Emílio Surita.
Prefeito destaca o projeto Novo Centro, retorno 100% das aulas presenciais da rede pública municipal e manifestação em frente à empresa Rosa
Foto: Washington Nery
O prefeito de Feira de Santana, Colbert Filho (MDB) destacou alguns assuntos referentes à educação, pandemia e transporte público municipal, durante uma entrevista ao programa Rotativo News (Sociedade News FM) com Joilton Freiras.
“Estamos voltando às aulas presenciais, algumas escolas podem ter algum tipo de restrição, mas retomaremos a partir da primeira semana de novembro”, revelou.
“Temos um problema com uma das empresas [Rosa] que abandonou algumas linhas da zona rural. Estamos fazendo o que é possível fazer. As dificuldades existem e faremos todo o esforço possível. São 109 linhas, destas, a empresa devolveu 4. Vindo o processo, agora, vamos convocar uma nova empresa de forma emergencial”, disse Colbert.
Pandemia
“O Hospital de Campanha foi desativado, o Dom Pedro de Alcântara não registrou novos casos, e há também o avanço da vacinação. A paralisação no transporte prejudica a vacinação. Muita gente foi prejudicada hoje”.
O prefeito também comentou sobre os protestos realizados pelos vendedores ambulantes da cidade.
“O centro da cidade é do povo de Feira. As pessoas que estavam lá, vão se adequar ao seu trabalho.
Questionado sobre a conclusão do projeto Novo Centro, Colbert informou que houve uma interrupção no financiamento.
“Houve uma interrupção no financiamento em razão de ações acontecidas em Brasília, e desde agosto que não temos recursos federais para pagar os trabalhos. Espero que seja resolvido para que possamos colocar o funcionamento adequado”, explicou.
O gestor destacou, também, a exigência do chamado “Passaporte da Vacina”, em locais públicos.
“Nas atividades que vamos voltar a fazer, exigiremos que as pessoas mostrem que foram vacinadas”.
O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump divulgou nesta terça-feira (26), um comunicado oficial em apoio ao presidente Jair Bolsonaro. A iniciativa do republicano ocorreu no mesmo dia em que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 aprovou seu relatório definitivo, elaborado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL).
A mensagem de Trump foi divulgada inicialmente por e-mail, mas não demorou a ser amplamente compartilhada por diversos usuários nas redes sociais. Intitulado Endosso ao presidente Jair Bolsonaro, o texto traz diversos elogios ao presidente brasileiro, chamado por Trump de “grande amigo”.
– O presidente Jair Bolsonaro e eu nos tornamos grandes amigos ao longo dos últimos anos. Ele luta duro e ama o povo do Brasil – assim como eu faço pelo povo dos Estados Unidos – disse o republicano.
Leia a íntegra do comunicado: O presidente Jair Bolsonaro e eu nos tornamos grandes amigos ao longo dos últimos anos. Ele luta duro e ama o povo do Brasil – assim como eu faço pelo povo dos Estados Unidos. O Brasil é sortudo de ter um homem como Jair Bolsonaro trabalhando por eles. Ele é um grande presidente e nunca vai decepcionar as pessoas do seu país!
O deputado Angelo Almeida (PSB) cumpriu agenda em diversas cidades da Bahia nos últimos dias. Ele esteve em reunião da Coordenação de Desenvolvimento Agrário (CDA), com o prefeito de Brejões, Sandro Correia, o vice-prefeito, Mário Silva, e a vereadora Jamile Queiroz.
Ele se reuniu na terça e quarta-feira (19 e 20), por meio de articulação do mandato, com o secretário de Educação do município de Queimadas, Rogério Reis, e do diretor da Secretaria de Esporte, Cultura e Lazer, Josiel Batista, participaram, de reuniões na Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), com o chefe de gabinete, Diogo Rios, e na Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, com a chefe de gabinete, Cristiane Taquari.
Em viajem para o Litoral Sul baiano, o deputado Angelo Almeida participou, na quarta-feira (20), de encontro na Câmara de Vereadores do município de Camacã, com o prefeito Paulo do Gás, o vice-prefeito Rai de Panelinha, os vereadores Índio, Juliano Ferreira, Fábio da Bios, Sinha de Jacareci, Eudes Rocha, a suplente de vereadora, Adriana Araújo, além dos secretários de Agricultura, Everton Silva, e de Educação, Maurício Pimenta. Reunião muito produtiva, com discussões importante em torno de projetos para melhorar a vida dos moradores da cidade e pelo desenvolvimento do município.
Em Itapetinga, Angelo Almeida participou de reunião coordenada pela presidente do PSB no município, Keylla Reis, e o secretário-geral Fred Reis. Participaram, além do vereador de Itapetinga, Gegê, os vereadores de Caatiba, Tio Felipe e Berg Dias; e de Itororó, Dilson Brancin.
No sábado (23), foi dia de agenda em Feira de Santana. Em encontro com a turma do mandato do vereador Galeguinho SPA, o deputado Angelo Almeida debateu importantes pautas da cidade e da política, para alinhamento sobre os caminhos que serão trilhados para o fortalecimento do PSB no município.
Em São Gonçalo dos Campos, no sábado (23), o deputado Angelo Almeida recebeu mais um grande apoio, do vereador Sérgio de Dezinho.
“Agradeço a confiança do vereador, que une forças em nossa jornada. Esteve comigo o companheiro Pedro Machado, que junto com o presidente da Câmara de Vereadores, meu companhei- ro Joca Oliveira, tiveram importância fundamental na construção do bom diálogo. Seguimos na luta!”, declarou o deputado.
No domingo, o deputado esteve novamente em Brejões, na manhã esportiva promovida por prefeito Sandro Correia. Muita gente e empatia distribuída entre a comunidade na segunda edição do baba dos Prefeitos Boleiros na cidade.
“Eu tive a oportunidade de conhecer grandes craques que acompanhei jogando, ora pelo Vitória, ora pelo Bahia e Fluminense de Feira. Marcelo Ramos, Emo , Robson Luis, Bebeto Campos e outros. Descontraímos e ficamos felizes pela oportunidade de participar desta atividade”, comemorou Angelo.
Presidente foi acusado de ser o responsável pelo agravamento da pandemia de coronavírus
Cúpula da CPI da Covid formada pelos senadores Randolfe Rodrigues, Omar Aziz e Renan Calheiros Foto: Agência Senado/Jefferson Rudy
A CPI da Covid aprovou seu relatório final nesta terça-feira (26), após seis meses de trabalho, e manteve o foco no pedido de indiciamento de Jair Bolsonaro. O presidente é acusado de ser o responsável pelo agravamento da pandemia de coronavírus, que ‘deixou mais de 600 mil mortos’ no país.
Com 1.288 páginas, o relatório do senador Renan Calheiros (MDB-AL) – que passou com um placar de sete votos a favor e quatro contrários – também pede o indiciamento de mais 77 pessoas e duas empresas.
– Há um homicida no Palácio do Planalto – disse Renan, em um duro discurso no qual afirmou que Bolsonaro agiu como “missionário enlouquecido para matar o próprio povo”.
Em seu último discurso, o senador afirmou que “bestas feras” tentaram ameaçar a CPI, mas não obtiveram sucesso.
Votaram a favor do relatório que agrava a crise do governo os senadores Eduardo Braga (MDB-AM); Humberto Costa (PT-PE); Omar Aziz (PSD-AM); Otto Alencar (PSD-BA); Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Tasso Jereissati (PSDB-CE), além do próprio relator.
Já os votos contrários vieram dos senadores Eduardo Girão (Podemos-CE); Jorginho Mello (PL-SC); Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Marcos Rogério (DEM-RO).
No caso de Bolsonaro, o texto final aprovado pede o indiciamento do presidente por nove crimes. Os crimes comuns nos quais ele é citado são epidemia com resultado morte; infração de medida sanitária; charlatanismo; incitação ao crime; falsificação de documento particular; emprego irregular de verbas públicas e prevaricação, conforme definidos pelo Código Penal; os crimes contra a humanidade são de extermínio, perseguição e outros atos desumanos, arrolados no Tratado de Roma, do qual o Brasil é signatário.
A CPI ainda pediu o indiciamento de Bolsonaro por crimes de responsabilidade – violação do direito social e quebra de decoro do cargo.
A lista encabeçada por Bolsonaro segue com os pedidos de indiciamento de seus três filhos com carreira política – o senador Flávio (Patriota-RJ), o deputado Eduardo (PSL-SP) e o vereador carioca Carlos (Republicanos). O texto também pede o indiciamento de empresários apoiadores de Bolsonaro, jornalistas de direita que teriam disseminado desinformação na pandemia, dirigentes do Ministério da Saúde e especialistas que integraram o chamado “gabinete paralelo”, núcleo de assessoramento do presidente durante a pandemia.
As últimas mudanças no relatório de Renan foram decididas em uma reunião do grupo majoritário da CPI na noite desta segunda-feira (25). O encontro, realizado no apartamento funcional do presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM), se estendeu pela madrugada. Na ocasião, os senadores decidiram pela inclusão do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), no rol de indiciados, além do ex-secretário de Saúde, Marcellus Campêlo, entre outros.
Antes das inclusões, o número de indiciados era de 70 pessoas. Várias delas tiveram seus nomes incluídos e removidos do relatório nas sucessivas versões. A última leva de indiciamentos foi patrocinada pelo vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).
Na manhã desta terça, a lista chegou a 79 pessoas: Renan incluiu o senador Luis Carlos Heinze entre os indiciados. Depois, atendendo a uma questão de ordem de Alessandro Vieira, o nome do gaúcho acabou retirado da lista. Ao incluir o colega de CPI, o alagoano disse que Heinze “reincidiu” na divulgação de informações falsas.
– Pela maneira como incitou o crime em todos os momentos, eu queria, nesta última sessão, dar um presente a vossa excelência: (…) será o 81º indiciado desta comissão – disse o relator, anotando em seguida o nome de Heinze no relatório, à caneta.
A participação de Heinze na CPI ficou marcada pela defesa de teses como uma eficácia do “tratamento precoce” na cidade de Rancho Queimado (SC).
O relatório da CPI deve ser apresentado ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), na manhã desta quarta-feira (27). Depois, as conclusões da comissão serão enviadas ao Ministério Público: a parte que diz respeito a Bolsonaro será encaminhada à Procuradoria-Geral da República (PGR); outras partes da apuração serão apresentadas às unidades do MPF nos Estados e aos MPs de cada unidade da Federação, a depender do tipo de crime e das pessoas envolvidas.
Uma reunião dos senadores da CPI com o procurador-geral da República, Augusto Aras, também está marcada para a manhã desta quarta (27); semanas atrás, Aras disse que tomará providências e que não será omisso diante dos fatos levantados pela comissão.
Caso o procurador-geral da República não dê sequência às investigações, os integrantes da CPI estudam ingressar com uma ação penal privada subsidiária no Supremo Tribunal Federal (STF)
Segundo o advogado criminalista Fernando Castelo Branco, o pedido de indiciamento da CPI é diferente daquele feito pela polícia.
– A CPI é um poder investigatório, criado para apurar fatos e a responsabilidade por esses fatos. O efeito prático (do pedido de indiciamento) é dar, no relatório final, um destaque para esses personagens. No final, caberá ao Ministério Público proceder ao acolhimento ou não dessas acusações, para fazer uma denúncia (formal) – diz ele, que é professor de processo penal no curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
O vice-presidente do colegiado, Randolfe Rodrigues, falou sobre os trabalhos da CPI.
– O que motivou esta Comissão Parlamentar de Inquérito foi, em janeiro deste ano, vermos irmãos morrendo. Foram (…) as trágicas cenas de Manaus. Foram as filas do desespero pelos cilindros de oxigênio (…) Quantas mesas de jantar nas casas das famílias brasileiras estão incompletas no dia de hoje por causa do descaso? Já foi dito aqui: pelo menos 200 mil irmãos nossos poderiam estar entre nós. Quantos amigos e parentes não poderiam estar neste momento na sala de TV assistindo a conclusão deste trabalho? E isso não foi por acaso: teve responsabilidade [do governo federal] – ressaltou.
O senador Alessandro Vieira também fez comentários.
– O crime central que encontramos foi fartamente demonstrado: o crime de epidemia agravado pelo resultado morte (…). É evidente que o presidente da República não criou o vírus, mas é tão evidente quanto que o presidente se esforçou para acelerar a propagação do vírus – destacou.
RELATÓRIO ACUSA SEM PROVAS, DIZ GOVERNISTA Ao justificar seu voto contrário, o senador Marcos Rogério disse que o relatório de Calheiros era “fake news processual”.
– Voto contra, primeiro, porque essa CPI se revelou um estelionato político; e segundo, porque o relatório, para mim, é um grande fake news processual. Estelionato porque esta CPI nasceu para investigar, mas não investigou, e protegeu acusados de corrupção nos Estados e municípios. E o relatório é um grande fake news processual porque acusa sem provas, e se ancora numa narrativa do jogo pré-eleitoral – disse ele.
Em sua última manifestação na CPI, o senador Flávio Bolsonaro leu uma relação de 21 crimes “supostamente cometidos” por Renan durante a pandemia, entre eles o de “perseguição”. O senador também disse que o relatório final era uma “peça política” e defendeu o governo de seu pai comparando-o com o de Dilma Rousseff (PT).
Mesmo votando contra o relatório, o senador Eduardo Girão admitiu que Bolsonaro errou ao provocar aglomerações e ao “dar declarações infelizes sobre a vacina”.
– Errou sim. Mas esse relatório [de Renan Calheiros] se perdeu, errou a mão. E isso deslegitima até algumas coisas que poderiam ser vistas com seriedade. Ultrapassou o limite de uma vingança pessoal, regional, com interesses políticos. Isso ficou evidente – observou ele.