Mais cedo, o presidente democrata havia culpado seu antecessor por invasão ao Capitólio
Ex-presidente Donald Trump Foto: Zach Gibson/EFE
O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trumpafirmou nesta quinta-feira (6) que seu sucessor e atual ocupante do posto, Joe Biden, que mais cedo o culpou pelo ataque ao Capitólio, sede do Congresso, ocorrido há um ano, usou seu nome “para dividir” o país.
– Ele usou meu nome hoje para tentar dividir ainda mais os Estados Unidos. Todo esse teatro político é apenas uma distração para o fato de Biden ter falhado completa e totalmente – disse Trump em um comunicado.
Na última terça-feira, ele cancelou uma entrevista coletiva que havia programado para hoje, em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida, alegando “parcialidade total” do comitê que investiga o ataque ao Capitólio.
Biden culpou seu antecessor por criar uma “teia de mentiras” sobre as eleições de 2020 e incitar seus apoiadores a invadir o Capitólio, complexo em Washington onde fica o Congresso.
– Seu ego ferido é mais importante para ele do que nossa democracia e nossa Constituição – disse Biden em um discurso no Capitólio, no primeiro aniversário do ataque que deixou cinco mortos e 140 agentes de segurança feridos.
Em resposta, Trump também reiterou a acusação de que a eleição presidencial de 2020 – na qual ele perdeu para Biden – foi “fraudada” e deveria ser discutida.
– Eles escaparam impunes, e isso está levando à destruição de nosso país – afirmou o ex-presidente.
O empresário e político alegou que o atual mandatário está destruindo o país com “políticas malucas de fronteiras abertas, eleições corruptas, políticas energéticas desastrosas, mandatos inconstitucionais e devastadores fechamentos de escolas”.
O ex-presidente Trump também criticou a imprensa por referir-se à acusação de fraude eleitoral como “Grande Mentira”.
Cirurgião disse que o presidente ligou “chorando de dor”
Presidente Jair Bolsonaro, acompanhado do médico Dr. Antônio Luiz de Macedo, durante declaração à imprensa Foto: Reprodução
O médico cirurgião Antonio Luiz de Macedo, que acompanha o presidente Jair Bolsonaro, fez um relato dramático do momento em que o presidente o procurou para informar sobre o recente problema de saúde no intestino, sequela da facada sofrida em 2018.
Em entrevista ao jornal O Globo, Macedo relatou que o presidente telefonou para ele “chorando de dor”. No momento, o cirurgião estava nas Bahamas, em viagem com a família.
– Ele me ligou chorando de dor. Falou “estou morrendo, Macedo. A coisa está ruim”. Mandei ele ir na hora para o Vila Nova Star, liguei para o Pedro (Pedro Henrique Loretti, diretor do hospital), que orquestrou tudo com muita competência. Quando cheguei, analisei a tomografia, os exames de sangue e toquei na barriga dele. Quando apalpei, vi que o intestino não estava rasgando e estava mais molinho. Foi muito bom. Porque qualquer cirurgia que for feita nessa região dificilmente vai durar menos de 12 horas – afirmou.
Ainda segundo o médico, o caso de Bolsonaro é “sempre perigoso”, mas desta vez foi “menos grave”.
– Foi menos grave. Ele se recuperou rapidamente. Mas não existe “pequena obstrução” no caso do presidente. O intestino está todo colado na parede devido a vários fatores — a própria facada, as cirurgias, os sangramentos e infecções já ocorridos. É sempre perigoso, portanto. Na hora que passamos a sonda nele, saiu um litro de suco gástrico do estômago. Se ele vomitasse, o líquido entrava nos pulmões e ele morria – declarou Macedo.
O cirurgião também elogiou a “força” de Bolsonaro, e admitiu se tratar de um quadro que causa dores severas no paciente.
– A dor é pavorosa. É como alguém bater com um martelo na barriga com força. O presidente é forte.
“Manipula números e transfere toda culpa para o execrável e igualmente culpado Bolsonaro”, disparou o pedetista
Foto: Evaristo Sa/AFP
O pré-candidato à presidência da República, Ciro Gomes (PDT), utilizou as redes sociais, na manhã desta quarta-feira (5), para criticar duramente o artigo do ex-ministro da Economia, Guido Mantega, publicado na Folha de S.Paulo.
“A síntese do pensamento econômico do lulismo, pobre e cinicamente produzida por Guido Mantega, hoje na Folha, é uma das peças mais hipócritas e ambíguas já vistas. É uma mistura de ‘Carta aos Brasileiros’ envergonhada e nacional desenvolvimentismo de araque. Se o Brasil depender destes senhores para sair do atoleiro, vamos afundar de vez. A questão central – mudança do modelo de econômico – vira uma pergunta minúscula e covarde”, escreveu Ciro.
No artigo, Mantega afirma que no possível governo Lula, o Brasil retomará as políticas de incentivos industriais e os investimentos a tecnologia. O ex-ministro diz, ainda no artigo, que o governo de Jair Bolsonaro (PL) tem piorado a condição de vida dos brasileiros e a política econômica de Paulo Guedes só levou o país à regressão social.
“(No artigo) esconde vergonhosamente Dilma, manipula números e transfere toda culpa para o execrável e igualmente culpado Bolsonaro. Ou seja, fugindo das suas culpas que são imensas, o lulismo já reedita o famoso álibi da ‘herança maldita’, agora com sinal invertido e duplicado. Quem temia a proposta econômica do petismo fosse o ‘mais do mesmo’ ficou ainda mais frustado: é o ‘menos do mesmo’”, concluiu Ciro.
Esconde vergonhosamente Dilma, manipula números e transfere toda culpa para o execrável e igualmente culpado Bolsonaro.
Texto foi aprovado em 2017 no governo do ex-presidente Michel Temer
Gleisi Hoffmann e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva Foto: AGPT/Lula Marques
Nesta terça-feira (4), o ex-presidente Luiz Inácio Lula e a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), falaram em revogar a reforma trabalhista brasileira. As mudanças foram aprovadas em 2017, no governo do ex-presidente Michel Temer.
Os comentários foram feitos após a Espanha anunciar que aprovou uma nova reforma para “revogar” as mudanças realizadas no país em 2012, que não trouxeram o resultado esperado na questão de empregos e salários.
Já a reforma brasileira promovida pelo governo Temer foi baseada na reforma feita pela Espanha, com a promessa de gerar milhões de empregos.
Ao falar sobre as mudanças promovidas no Brasil, Gleisi afirmou que as mudanças “não criaram empregos, só precarizam os direitos” trabalhistas.
– Notícias alvissareiras desse período: Argentina revoga privatização de empresas de energia, e Espanha, reforma trabalhista que retirou direitos. A reforma espanhola serviu de modelo para a brasileira, e ambas não criaram empregos, só precarizaram os direitos. Já temos o caminho – ressaltou.
Já o ex-presidente Lula falou que a Espanha está recuperando os direitos dos trabalhadores.
– É importante que os brasileiros acompanhem de perto o que está acontecendo na Reforma Trabalhista da Espanha, onde o presidente Pedro Sanchez está trabalhando para recuperar direitos dos trabalhadores – apontou.
Com o começo do ano em que haverá eleições, inicia-se uma sucessão de etapas e procedimentos que culminarão na eleição de 2 de outubro, data do primeiro turno, quando milhões de brasileiros devem ir às urnas para a escolha de presidente, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais.
Pelo calendário oficial aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o segundo turno ocorre em 30 de outubro, caso nenhum dos candidatos a presidente alcance a maioria absoluta dos votos válidos (excluídos brancos e nulos). O mesmo ocorre nas disputas para o cargo de governador.
Já desde 1º de janeiro, as pesquisas eleitorais precisam ser devidamente registradas junto à Justiça Eleitoral, e os órgãos públicos têm limitadas as despesas com publicidade, por exemplo. Há também restrições quanto à distribuição gratuita de bens e valores aos cidadãos e cidadãs.
A campanha eleitoral com comícios, distribuição de material gráfico, propagandas na internet e caminhadas deverá ocorrer a partir de 16 de agosto. Já as peças publicitárias em horário gratuito de rádio e televisão ficam liberadas entre 26 de agosto e 29 de setembro.
Entre as datas mais importantes para os candidatos está a janela partidária, entre 3 de março e 1° de abril. Esse é o único período em que parlamentares podem mudar de partido livremente, sem correr o risco de perder o mandato.
Outra data importante é 2 de abril, exatamente seis meses antes da eleição. Essa é a data limite para que todos os candidatos estejam devidamente filiados aos partidos pelos quais pretendem concorrer.
O 2 de abril é também a data a partir da qual os ocupantes de cargos majoritários – presidente, governadores e prefeitos – renunciarem aos mandatos caso queiram concorrer a cargo diferente do que já ocupam.
As convenções partidárias devem ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto, quando todas as legendas devem oficializar a escolha de seus candidatos. Os registros de todas as candidaturas devem ser solicitados até 15 de agosto.
No caso do eleitor, uma das datas a que se deve ficar mais atento é o 4 de maio, quando se encerra o prazo para emitir ou transferir o título de eleitor. Em 11 de julho, a Justiça Eleitoral deve divulgar quantos cidadãos encontram-se aptos a votar. O número serve de base para o cálculo do limite de gastos na campanha.
O calendário completo, com todas as etapas até a diplomação dos eleitos, mês a mês, pode ser conferido no portal do TSE.
De acordo com o hospital Vila Nova Star, ainda não há previsão de alta
Presidente Jair Bolsonaro no hospital Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Nesta terça-feira (4), o presidente Jair Bolsonaro retirou a sonda nasogástrica que estava utilizando desde que deu entrada no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo. Bolsonaro foi internado após um quadro de obstrução intestinal.
De acordo com o boletim médico divulgado na tarde desta terça, o presidente “evoluiu com boa aceitação da dieta líquida ofertada durante o dia”. Além disso, o hospital informou que “o trato digestivo do paciente mostra sinais de recuperação”.
Mais cedo, médicos examinaram Bolsonaro e descartaram a necessidade de uma cirurgia.
Texto foi enviado a Felipe Moura Brasil, colunista do UOL
Bolsonaro e o Dr. Antônio Luiz Macedo, que o operou após a facada Foto: Divulgação/PR
Beatriz Macedo Lopes, filha do médico-cirurgião de Jair Bolsonaro, Antônio Luiz Macedo, enviou uma carta a Felipe Moura Brasil, colunista do UOL. No texto, ela faz um desabafo a respeito do que tem sido veiculado sobre seu pai e a saúde do chefe do Executivo.
– Desculpe incomodar, Felipe. Meu pai é o médico do Bolsonaro e estão mentindo e falando um monte de absurdo a respeito dele, e isto é muito injusto. Votei no presidente, me decepcionei e não [o] apoio mais, mas, independentemente de política, aprecio caráter e sei que você é bom caráter, então vou lhe escrever, porque é muito cruel mentirem. Aprecio seu trabalho e gostaria de lhe passar a versão real dos fatos – disse ela ao colunista.
Na carta, Beatriz afirma que a facada sofrida por Bolsonaro foi real. Ela destacou ainda que seu pai faz desde cirurgias simples até complexas.
– Meu pai, Dr. Antônio Luiz Macedo, é médico e faz desde cirurgias simples, como apendicite e vesícula, até complexas, como câncer do aparelho digestivo; mas ele não é um oncologista, e, sim, um cirurgião gastroenterologista. A facada, como você sabe, foi real e causou sequelas que provavelmente acompanharão Bolsonaro pelo resto da vida. As cirurgias foram complexas, e, por muito pouco, ele conseguiu retirar a bolsa de colostomia, mas sobraram inúmeras aderências que eventualmente causam suboclusão intestinal, obstrução; então, de fato, ele passou mal. Não é um atestado médico, é real. O presidente teve de ser sondado (sonda nasogástrica) e se encontra em tratamento clínico e observação para ver se o intestino volta a funcionar sozinho. Não se sabe ainda se precisará de uma nova cirurgia, mas meu pai acredita que provavelmente não. Em casos como o dele, são comuns estas suboclusões e provavelmente se repetirão.
Ela também relatou parte da trajetória pessoal e profissional do médico-cirurgião.
– Meu pai sofreu um acidente com 12 anos e teve uma paralisia facial. Ele sofreu muito e é um vencedor, alguém que se fez sozinho na vida. Faz em média 600 cirurgias por ano, opera pessoas de graça também, e tudo que conquistou foi por mérito dele. É um workaholic que sacrificou a vida e o convívio conosco pela profissão. Não tira férias e, às vezes, viaja na semana de Ano Novo para descansar. Está sempre 24 horas no hospital. Sai de casa às 6h da manhã e volta meia-noite/1h de domingo a domingo. Ele não descansa, trabalha direto a semana inteira. Viajou com o dinheiro dele, não do governo. Nunca utilizou verba pública, nunca recebeu favor algum do governo. É um cidadão sério que estava em Nassau, Bahamas, Caribe, e de lá não saem voos todos os dias; só às terças e quintas. Como era urgente, ele precisou sair na terça de lá; então, o hospital em que ele trabalha enviou o avião para buscá-lo. Não foi avião da FAB, não foi avião pago pelo governo, nada disso. Meu pai tampouco estava nas Maldivas, nem no prostíbulo Bahamas. Pagou a viagem a Nassau com o dinheiro dele, como fez e faz em tudo na vida. Aliás, eu que organizei esta viagem.
– E meu pai teve que voltar porque foi ele o cirurgião que mexeu na barriga do Bolsonaro, que é uma barriga difícil em virtude da facada e de todos os procedimentos posteriores a que ele foi submetido. Então, caso se tornasse cirúrgico, nenhum assistente dele que estava aqui se sentiu apto a operar, a cuidar do presidente sem meu pai. Foi isso. Não existe qualquer mentira ou segredo. Tem exames, laudos, tudo das cirurgias. Um detalhe: o voo dele foi São Paulo/Panamá/Nassau na ida e deveria ser assim na volta, mas, como é uma ilha pequena, só existem esses voos às terças e quintas. Aliás, meu pai nunca recebeu um real por ter tratado do Bolsonaro, jamais cobrou nada. O governo, nem ninguém, nunca pagou nada a ele – acrescentou.
O conteúdo da carta de Beatriz foi dividido em partes pelo colunista. A filha do Dr. Antônio Luiz Macedo disse ainda que acha triste a honra de seu pai seja colocada em xeque.
– Então, acho muito triste que coloquem a honra e o caráter dele em xeque, misturando política com medicina. De fato, na época da outra eleição, o então candidato estava fragilizado e não tinha como participar de debates. Não foi golpe algum, apenas conduta médica que ele achou pertinente no momento. Política e ideologias à parte, quer acreditem ou não, houve uma facada que trouxe sequelas, e, eventualmente, este quadro poderá se repetir, mas as pessoas são tão ignorantes que não pesquisam, não se informam, julgam sem saber da parte técnica. […] Da mesma maneira, acho bizarro o que estão fazendo com o Felipe Neto, que está com depressão. Gente, as pessoas são tão fanáticas que desprezam a vida dos outros, a saúde, por ideologia e política. Ofendem um médico que é um orgulho para o país, não um marqueteiro, político, e, sim, uma pessoa reconhecida internacionalmente pelos feitos na medicina.”
O texto foi finalizado com a lembrança de uma situação difícil enfrentada pelo médico.
– Só para finalizar: quando ele era jovem e tinha entrado na faculdade, um professor disse ao meu pai que ele jamais seria um cirurgião devido ao defeito na face, que deixou um olho dele com a necessidade de usar um pesinho para fechar. E este mesmo professor, anos depois, foi operado por ele e teve a vida salva. Que país é esse em que não valorizam uma história linda de superação e se atentam [sic] a ofender e ridicularizar um defeito no rosto que tanto trouxe tristeza e sofrimento para ele e para todos nós, sua família!? Obrigada por me ouvir! Abraço – concluiu.
Especialista decidiu que o tratamento do presidente seguirá sem a necessidade de intervenção cirúrgica
Presidente Jair Bolsonaro Foto: PR/Alan Santos
O cirurgião Antônio Luiz Macedo, que atende o presidente Jair Bolsonaro desde que o líder sofreu uma facada em setembro de 2018, decidiu na manhã desta terça-feira (4) que seguirá com o tratamento clínico do chefe do Executivo e descartou, por enquanto, a necessidade da realização de uma cirurgia. A decisão teria sido tomada pelo fato de a obstrução no intestino já ter se desfeito.
A informação foi divulgada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, e já teria sido comunicada por Macedo aos colegas de equipe. De acordo com a publicação, o presidente começou a receber antibióticos e alimentação por meio de sonda e hidratação para que seu intestino voltasse a funcionar.
Macedo chegou ao Hospital Vila Nova Star, na Zona Sul de São Paulo, na manhã desta terça-feira (4). O médico estava de férias nas Bahamas e viajou de volta para o Brasil em um avião fretado pelo hospital.
Já Bolsonaro estava em férias em Santa Catarina e foi levado para São Paulo na madrugada de segunda-feira (3). De acordo com o presidente, por meio de uma publicação em suas redes sociais, o mal-estar começou a ser sentido após o almoço de domingo (2).
– Comecei a passar mal após o almoço de domingo. Cheguei ao hospital às 03h00 de hoje [segunda, 3]. Me colocaram sonda nasogástrica. Mais exames serão feitos para possível cirurgia de [reparo da] obstrução interna na região abdominal – escreveu.
Hospital diz que o presidente está sem febre ou dor abdominal
Foto: Antonio Cruz
O presidente da República, Jair Bolsonaro, apresentou melhora clínica após a passagem de uma sonda nasogástrica, segundo boletim médico divulgado na noite desta segunda (3) pelo hospital Vila Nova Star, onde está internado desde a madrugada, na zona Sul da capital paulista. De acordo com o boletim, o presidente evolui sem febre ou dor abdominal. Ainda não há, no entanto, avaliação definitiva quanto à necessidade de intervenção cirúrgica.
“O Hospital Vila Nova Star informa que o Senhor Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, apresentou melhora clínica após a passagem da sonda nasogástrica, evoluindo sem febre ou dor abdominal. O paciente fez uma curta caminhada pelo corredor do hospital e permanece em tratamento clínico”, diz o hospital.
Bolsonaro foi internado na madrugada de hoje em razão de dor abdominal. Nas primeiras informaçõesdivulgadas hoje pela manhã, os médicos que atendem o presidente informaram que Bolsonaro tem um quadro de obstrução intestinal.
O presidente desembarcou em São Paulo por volta de 1h30, após deixar o Forte Marechal Luz, em São Francisco do Sul, no litoral de Santa Catarina, onde passou a virada do ano.
Receio de uma futura traição ou a busca por dividendos eleitorais tem conduzido a discussão para a escolha do candidato a vice-presidente pelos dois nomes mais bem posicionados até agora nas pesquisas de intenção de voto
Foto: Isac Nóbrega/PR e Foto: Alan Santos/PR
Geraldo Alckmin é cogitado como candidato a vice em possível chapa com Lula, enquanto Hamilton Mourão não deve repetir a dobradinha com Bolsonaro Isac Nóbrega/PR e Foto: Alan Santos/PR
“Eu sou vice-presidente. Então, não sou nada, mas posso ser tudo”. O diplomata americano John Adams classificava o posto de vice-presidente, que ocupou durante o mandato de George Washington, como um cargo sem efetivo poder. O prestígio político obtido com a função, no entanto, contribuiu para a sua eleição a presidente, em 1797.
Como Adams, no Brasil, dez vice-presidentes chegaram ao posto de presidente, seja por meio de renúncia, morte, impeachment ou eleição. O caso mais recente foi o de Michel Temer (MDB), que substituiu Dilma Rousseff (PT) em 2016. Como o processo de articulação teve participação de aliados do emedebista, ele foi chamado de algoz da petista.
O posto de número dois na hierarquia presidencial, contudo, nem sempre é um fardo ou um trampolim para o Palácio do Planalto. Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por exemplo, tiveram colegas de chapa considerados trunfos eleitorais.
No caso, primeiro Marco Maciel (do então PFL, hoje DEM) e depois José Alencar (do então PR, hoje Republicanos) contribuíram para a construção de uma imagem de moderação ao cabeça de chapa, atraindo o apoio de segmentos conservadores às duas gestões.
Para a disputa presidencial de 2022, o receio de uma futura traição ou a busca por dividendos eleitorais tem conduzido a discussão para a escolha do candidato a vice-presidente pelos dois nomes mais bem posicionados até agora nas pesquisas de intenção de voto.
O presidente Jair Bolsonaro (PL) já informou a um grupo de aliados que não pretende ter ao seu lado um nome com prestígio no Congresso Nacional. Nas conversas relatadas à , ele relembra o impeachment de 2016 e afirma que não vislumbra ter em sua chapa eleitoral um político profissional.
Além disso, o presidente tem salientado, em conversas reservadas, que almeja um nome que não lhe faça um contraponto, em referência ao atual vice-presidente Hamilton Mourão. Em julho, ao ser perguntado sobre o general da reserva, Bolsonaro o comparou a um cunhado. “Você casa e tem que aturar”, resumiu.
Com o perfil definido, Bolsonaro cogita dois auxiliares para a função: o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, e o ministro da Defesa, Braga Netto. Além de buscar nomes de confiança e com afinidade, o presidente pretende consolidar o apoio em um de dois segmentos que foram cruciais em sua eleição em 2018: o militar e empresarial.
Com experiência na negociação parlamentar, e prevendo reeditar aliança com o bloco do centrão que lhe garanta maioria congressual, Lula focou sua estratégia em um resultado em curto prazo, ou seja, que tenha impacto eleitoral. Em busca de apoio em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, o petista negocia uma dobradinha com o ex-governador Geraldo Alckmin, seu principal adversário na disputa eleitoral de 2006, o que surpreendeu a classe política.
Fora do PSDB, Alckmin calcula anunciar sua filiação ao PSB em fevereiro, quando Lula deve oficializar sua candidatura ao Palácio do Planalto. A estratégia também envolve a tentativa de repetir o impacto causado em 2002 com a escolha do empresário José Alencar para o posto de vice-presidente, ou seja, trazer uma imagem de moderação ao petista.
Nas palavras de um aliado de Lula, a ideia é que Alckmin seja, em 2022, uma espécie de nova “Carta ao Povo Brasileiro”. O documento foi lançado por Lula em 2002 na tentativa de acalmar o mercado financeiro, que receava uma postura radical na condução da política econômica.
A aproximação entre Lula e Alckmin vem após um histórico de enfrentamento. Pouco mais de três anos atrás, Geraldo Alckmin afirmou que não existia “a menor chance de aliança com o PT”. Em 2006, enfrentaram-se diretamente na disputa ao Planalto e trocaram acusações.
Com a definição do quadro eleitoral, as atenções no começo deste ano se voltam para as estratégias de escolha dos candidatos a vice-presidente, que, sejam trunfo sejam algoz, funcionam como uma espécie de “salva-vidas em momentos de crise”, como definiu o ex-presidente José Sarney (MDB), que substituiu Tancredo Neves em 1985.
As escolhas, no entanto, carregam ônus. Caso feche uma aliança com Alckmin, Lula será cobrado a explicar ao seu eleitorado de esquerda o motivo de celebrar um “casamento” político com um nome identificado com a centro-direita.
Já Bolsonaro, que tem cogitado auxiliares sem trajetória política, corre o risco de fazer uma dobradinha com um nome com pouco potencial de lhe trazer dividendos eleitorais.