Presidente da Câmara dos Deputados deu as declarações ao conceder entrevista à GloboNews.
Lira sobre Lula: ‘Nunca fiz críticas, nem pessoais nem políticas’
O deputado Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados e candidato à reeleição, afirmou nesta terça-feira (31) que tem uma relação “tranquila” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que críticas feitas a Lula no passado “nunca” foram pessoais.
Lira deu as declarações ao conceder entrevista ao “Estúdio i”, da GloboNews.
No ano passado, Lira apoiou a reeleição do então presidente Jair Bolsonaro (PL), mas, desde que Lula venceu Bolsonaro nas urnas, ele teve diversas reuniões com o petista.
“Nunca fiz críticas ao presidente Lula, nem pessoais, nem políticas. Eu as rebatia quando vinham críticas a respeito do Orçamento. Eu fazia isso de maneira muito clara. Nada na política interfere. No meu ponto de vista, eu não deixo que os problemas locais de Alagoas interfiram no discernimento do que é melhor para o país e para os partidos”, afirmou Lira.
Arthur Lira, presidente da Câmara, em entrevista à GloboNews — Foto: Reprodução
“A relação [com Lula] é tranquila, é amistosa”, declarou.
A votação para presidente da Câmara está marcada para esta quarta-feira (1º) e, também em entrevista à GloboNews, o adversário de Lira na disputa, Chico Alencar (PSOL-RJ), disse que o governo pode pagar “caro” pelo apoio do PT a Lira.
Na ocasião, Alencar argumentou que, quanto mais votos Lira receber, maior será a força do deputado do PP para, por exemplo, exigir ministérios de Lula.
Lira voltou a defender as emendas de relator, conhecidas como orçamento secreto, mecanismo de distribuição de verbas com critérios pouco transparentes que foi derrubado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Para Lira, isso reduz a capacidade do governo de fidelizar a base no Congresso, já que a equipe de Lula não terá controle sobre o empenho e a execução das verbas.
“Esse governo inicia já com metade do orçamento municipalista [secreto] impositivos, de emendas individuais. Portanto, na minha visão, o governo que se inicia perdeu metade da sua mobilidade de conseguir a sua base no Congresso Nacional no que vai demandar muito mais trabalho”, afirmou Lira.
“O Orçamento do rp9 não era impositivo. Ou seja, só era cadastrado se o governo quisesse, empenhado se o governo quisesse, e pago se o governo quisesse”, disse.
Lira disse ainda não ter tido acesso à minuta golpista encontrada pela Polícia Federal na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, durante busca e apreensão no âmbito do inquérito que o investiga nos atos de 8 de janeiro.
“Esse assunto nunca chegou no Parlamento, na Câmara dos Deputados, com certeza. A esta presidência também não. Nunca ninguém teve essa ousadia de tratar sobre um assunto como esse. Teria tido nossa rechaça imediata”, disse. “A Câmara dos Deputados nunca compactuaria com qualquer tipo de acinte à nossa democracia, ao Estado Democrático de Direito.”
Questionado na entrevista sobre a medida provisória editada pelo governo Lula que devolveu o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) ao Ministério da Fazenda, Lira disse que a posição “majoritária” de deputados com quem ele tem conversado é de devolver o Coaf ao Banco Central.
“Com relação ao Coaf, a posição majoritária com deputados, que ouço e com quem converso, é que tendem a devolvê-lo para o Banco Central”, afirmou Lira.
Perguntado se é a favor de o Congresso transferir o Coaf para o Banco Central, Lira respondeu: “Eu penso que a maioria dos deputados, hoje, pensa assim”. “Mas na hora da apreciação da MP a gente deve ter uma fotografia mais ampla deste assunto.”
O Coaf é uma unidade de inteligência financeira e atua principalmente para combater o crime de lavagem de dinheiro.
Até o governo Michel Temer, o Coaf era vinculado ao Ministério da Fazenda. No governo Jair Bolsonaro, o órgão foi transferido para o Ministério da Justiça, depois voltou para a Fazenda (à época Ministério da Economia) e, posteriormente, foi transferido para o Banco Central.
Lira também foi questionado sobre a possibilidade de o governo Lula apresentar um novo “arcabouço” fiscal para o país.
“Esse texto [a ser enviado pelo governo] tem que ser amadurecido para que tenha uma quantidade de votos igual ao quórum [para mudança] constitucional. Tem que vir um texto médio, um texto que tenha responsabilidade fiscal, que tenha limites para gastos públicos no Brasil, mas que permita ao mesmo tempo o avanço dos programas sociais”, afirmou.
Expectativa é de que nove parlamentares do MDB votem em Rodrigo Pacheco. Nelsinho Trad, Lucas Barreto e Dr. Samuel Araújo divergem do PSD e anunciam apoio a Rogério Marinho.
Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Rogério Marinho (PL-RN) vão disputar presidência do Senado — Foto: Geraldo Magela/Agência Senado e Luis Macedo/Câmara dos Deputados
O MDB declarou nesta terça-feira (31), um dia antes da eleição do Senado, apoio ao atual presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O partido faz parte da base aliada do governo Lula, que trabalha pela reeleição de Pacheco.
▶️ Votos da bancada do MDB: No dia do pleito, o partido será a terceira maior bancada do Senado, com 10 senadores.
Apenas uma senadora da legenda, Ivete da Silveira (MDB-SC), disse que vai escolher o adversário de Pacheco na eleição, Rogério Marinho (PL-RN).
A expectativa é de que os outros nove senadores da sigla votem em Pacheco.
Como a votação é secreta, por mais que um partido feche questão em torno do nome de um candidato, traições costumam acontecer.
Se Pacheco vencer, o acordo é para que Veneziano Vital do Rêgo (PB), do MDB, continue na primeira vice-presidência. A primeira- secretaria deve ficar com Rogério Carvalho (SE), do PT, sigla que também pleiteia alguma comissão permanente.
O líder do partido, Eduardo Braga (AM), pontuou que a bancada está “unida”. Para ele, o atual presidente do Senado tem “compromisso com a democracia” e com “programas de geração de emprego e renda”.
A eleição está marcada para esta quarta-feira (1º), às 16h.
▶️ ‘Traições’ no PSD: Três senadores do partido de Rodrigo Pacheco, o PSD, anunciaram que votarão no principal adversário do mineiro na disputa, Rogério Marinho.
Nelsinho Trad (PSD-MS), que era líder da bancada, Lucas Barreto (PSD-AP) e Dr. Samuel Araújo (PSD-RO) declararam voto ao lado de Marinho em coletiva de imprensa.
O PSD é a maior bancada da Casa, com 15 senadores.
Uma liderança do PL disse, nos bastidores, que espera 7 votos do partido do Pacheco.
Contudo, a sigla ainda faz parte da base do governo, que apoia o atual presidente do Senado.
▶️ Votos do União Brasil: Na segunda (30), o líder do partido e principal cabo eleitoral de Pacheco, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou independência da bancada.
Isso aconteceu porque ao menos dois senadores da legenda devem votar em Marinho.
Os votos contra Rodrigo Pacheco no União Brasil devem vir dos senadores Alan Rick (AC) e Sérgio Moro (PR).
Principal articulador da reeleição do mineiro, Alcolumbre é motivo de insatisfação dentro do partido de Pacheco. Senadores do PSD querem mais espaço na Mesa e nas comissões e se sentem preteridos nas negociações de Alcolumbre.
Alcolumbre, que foi aliado de Bolsonaro, já estabeleceu uma boa relação com o presidente Lula, e conseguiu indicar três aliados para ministérios.
▶️ Pacheco: nesta terça, afirmou que “não abre mão da independência do Legislativo” e disse que sua candidatura “representará nos próximos dois anos o esteio de estabilidade, de diálogo, de cooperação com os demais poderes”.
Pacheco se distanciou do bolsonarismo radical à medida que o primeiro escalão do governo Jair Bolsonaro intensificou as ameaças golpistas e o questionamento ao resultado das urnas.
▶️ Marinho: argumenta que o Senado assumiu posição “omissa” diante do Judiciário que, para ele, legisla sobre matérias que competem ao parlamento. Nesta terça, Marinho disse que quer fazer com que a Casa seja “protagonista”.
O ex-ministro de Bolsonaro se beneficia da presença de uma ala bolsonarista na Casa e do descontentamento com a política de Alcolumbre na gestão Pacheco. O PL, partido do ex-presidente da República, é a segunda maior bancada, com 13 congressistas.
▶️ Marinho: tem mais apoios públicos individuais. Até agora, manifestaram publicamente voto no candidato do PL:
Alan Rick (União-AC), Sergio Moro (União-PR), Ivete da Silveira (MDB-SC), Dr Samuel Araújo (PSD-RO), Nelsinho Trad (PSD-MS), Lucas Barreto (PSD-AP), Izalci Lucas (PSDB-DF), Marcos do Val (Pode-ES).
Outro que sinalizou voto no senador eleito é Alessandro Vieira (PSDB-SE). Dessa forma, ninguém do PSDB deve votar em Pacheco, já que Plínio Valério (PSDB-AM) disse que votará no terceiro candidato da disputa, Eduardo Girão (Pode-CE).
▶️ Pacheco: o atual presidente do Senado é alvo de uma campanha de bolsonaristas nas redes sociais contrários à sua reeleição. Uma senadora relatou que recebeu mais de 2 mil e-mails em apenas um fim de semana com as frases: “mal elemento vota em Pacheco” e “você será expulsa da vida política”.
Veja como está a divisão dos partidos
▶️ Apoio à reeleição de Rodrigo Pacheco: até agora seis partidos declararam apoio ao senador mineiro. As bancadas representam 42 senadores, mas nem todos os parlamentares devem seguir o voto defendido por suas legendas. Confira a seguir:
▶️ Apoio à eleição do senador Rogério Marinho: por enquanto, três partidos declararam ser favoráveis a Marinho. Juntos, eles somam 23 senadores. O número de votos pode aumentar, pois senadores de outras siglas já anunciaram apoio à sua candidatura. Veja abaixo:
PL: 13 senadores;
PP: 6 senadores;
Republicanos: 4 senadores.
▶️ Partidos independentes: outros três partidos declararam independência da bancada, sem orientação para a escolha entre os candidatos à presidência do Senado. As legendas somam 16 senadores. Confira quais são:
O Tribunal Superior Eleitoral manteve a decisão do TRE-BA que desaprovou as contas de campanha dos candidatos da chapa majoritário do PSD, referentes às Eleições de 2020, quando concorreram aos cargos de prefeito e vice-prefeito Cláudio Serrada e Itamar respectivamente, e confirmou a determinação de restituição da quantia de R$ 31.200,00 ao Tesouro Nacional, em razão do repasse irregular de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para candidatos a vereador de partidos políticos distintos.
A decisão baseia-se em norma jurídica que veda às coligações nos sistemas proporcionais, ou seja, eleições para vereadores. Constatou-se que o PSD partilhou verba do fundo de campanha entre os vereadores dos partidos políticos da coligação majoritária, quando na verdade só poderia repassar tal recurso entre os próprios vereadores do PSD, o que não é permitido pela legislação eleitoral.
Uma vez que, demonstrada a irregularidade do repasse da verba de fundo eleitoral para a proporcional (vereadores) , essa decisão teria o condão de afetar as eleições Municipais quanto as cadeiras da Câmara de Vereadores de Ruy Barbosa?
Com base no processo e na decisão do Tributal Superior Eleitoral, os candidatos que, de alguma forma, se socorrerem do judiciário por se sentiram prejudicados, poderiam entrar com ação judicial. A possibilidade de uma decisão favorável é significativa. Se a justiça entender que houve uma desigualdade financeira na corrida eleitoral, o candidato derrotado em 2020 poderia assumir uma vaga após uma possível decisão procedente.
GSI solicitou autorização para que sargento entrasse armado no saguão do aeroporto, mas teve pedido negado pela Polícia Federal
Foto: Arquivo Pessoal/Instagram
Filho 02 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) solicitou ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) reforço de sua segurança ao deixar o país rumo aos Estados Unidos, em dezembro do ano passado, pouco antes da viagem do pai.
De acordo com informações de Daniel Haidar, no portal Terra, um sargento foi escalado para acompanhar o edil no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, no dia 23 de dezembro de 2022. Conforme a publicação, o GSI pleiteou autorização para que o militar andasse armado no saguão de embarque, mas teve a demanda vetada pela Polícia Federal, por se tratar de algo proibido.
A segurança de familiares do presidente em exercício de mandato é uma prerrogativa, mas, segundo a coluna, no ofício ao qual o site teve acesso o GSI não especifica quais riscos concretos Carlos estaria exposto. Além disso, no pedido de autorização para ingresso do sargento armado o órgão omite o nome do vereador.
“Conforme análises de risco e planejamentos de segurança realizados, se faz necessário o ingresso do agente de segurança pessoal nos saguões de embarque e desembarque dos aeroportos (…)”, diz o documento.
Conforme apurou a publicação, a escolta chamou a atenção de policiais federais pelo fato do GSI tentar esconder da própria PF a identidade de Carlos Bolsonaro, o que só foi revelado após cobrados esclarecimentos. Outro ponto de estranhamento foi o pedido para a circulação de um homem armado em local que já é protegido por policiais federais e seguranças privados.
Além disso, chamou atenção o contexto da saída do país, no momento em que Jair Bolsonaro e os filhos tentam se desvincular dos atentados ocorridos em dezembro de 2022 e nos atos golpistas de 8 de janeiro deste ano.
Procurado pela coluna, o advogado de Carlos Bolsonaro afirmou que o vereador “não tem encaminhado informações/respostas sobre esse tipo de demanda da viagem dele”.
O ex-presidente falou com apoiadores nos Estados Unidos
Foto: reprodução GloboNwes
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) conversou com apoiadores em Orlando, nos Estados Unidos, na manhã desta terça-feira (31). Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-mandatário elenca pontos positivos de sua gestão e diz que, durante os quatro anos de seu governo, as pessoas ‘acordaram para a política no Brasil’.
“Ao longo de quatro anos, o pessoal acordou para a política no Brasil. Triplicamos o Bolsa Família, com responsabilidade fiscal. O Brasil é o segundo país mais digital do mundo no meu governo. O pix é uma coisa fantástica. Vários países querem o nosso pix. Não taxamos o pix.”, diz Bolsonaro no vídeo.
“Anistiamos uma parte considerável do FIES. Habilitação de cinco para dez anos. O MST praticamente não invadiu nada. Vocês não ouviram falar do MST porque nós titulamos terras, prestigiando o assentado. Levamos internet para as aldeias.”, completa.
O petista encaminhou o pedido ao Congresso Nacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional uma mensagem com a retirada de 17 indicações que haviam sido feitas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para chefiar embaixadas, ocupar cargos em agências reguladoras e para o comando da Defensoria Pública da União.
As nomeações dependem de aval do Legislativo. Agora, o petista deve fazer novas indicações, a serem analisadas pelo Parlamento.
Lula revogou, por exemplo, a escolha de André Chermont para embaixador do Brasil nos Emirados Árabes; de Miguel Franco para chefiar a embaixada do país na Turquia; de Paulino Neto para embaixador na França; de Fernando Magalhães para a Embaixada da Itália, entre outros nomes.
Também retirou a indicação de Bolsonaro feita em novembro para recondução de Daniel Macedo para defensor público-geral da União. Ele estava no cargo desde 2020, quando ficou em segundo colocado na lista tríplice escolhida por voto da categoria.
O petista revogou, ainda, a indicação de José dos Santos para a presidência da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear; de Ronaldo Lima para mais um mandato como diretor da Agência Nacional de Mineração; de Edgar Dias para a Ouvidoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária; de André Ruelli para ser o ouvidor da Agência Nacional de Energia Elétrica; entre outros.
Presidente do PL é suspeito de destruir documentos com teor golpista
A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Rosa Weber, enviou ao procurador-geral da República, Augusto Aras, pedido de abertura de um inquérito para investigar o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, suspeito de ter destruído documentos com teor golpista.
A Petição 10.949 faz referência a uma “possível prática de crime” previsto no Artigo 305 do Código Penal. O artigo prevê reclusão de até seis anos, além de multa, àquele que “destruir, suprimir ou ocultar, em benefício próprio ou de outrem, ou em prejuízo alheio, documento público ou particular verdadeiro, de que não podia dispor”.
Em declarações recentes, ao comentar a minuta de golpe apreendida na residência do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o presidente do PL disse que documentos com teor similar circulavam entre interlocutores do governo Bolsonaro, e que ele próprio teria recebido documentos desse tipo, mas que os teria destruído.
Na petição assinada por Rosa Weber, é também requerida à PGR “a realização de diligência pela Polícia Federal, para que seja tomado depoimento do representado [Valdemar Costa Neto]”.
Esse pedido de manifestação da PGR é um procedimento comum e tem como origem uma representação apresentada pelo líder do PT no Senado, Fabiano Contarato, junto ao STF.
Há ainda quem acredite que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha aprendido alguma lição dos problemas que viveu nos últimos anos e que o aconteceu o tornasse mais experiente e confiável. Há 15 dias, por exemplo, Lula jurou que não interferiria na eleição da Câmara e do Senado. Recuou para garantir a eleição de seus escolhidos, exonerou, na segunda-feira (30), todos os ministros que têm cargo de deputado ou senador. Não quer correr o risco de ver um adversário vencer a disputa.
Para garantir a reeleição de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Arthur Lira (PP-AL) como presidentes do Senado e da Câmara, respectivamente, o presidente Lula liberou seus ministros para a empreitada de “vitória ou vitória”: aqueles que possuem ou assumirão mandato no Parlamento se licenciam nesta semana para assegurar votos aos aliados do Planalto. A posse dos senadores e deputados eleitos ocorre na quarta-feira, 1º de fevereiro, seguida pela votação à presidência e demais cargos das mesas diretoras de ambas as casas legislativas.
O arranjo foi decidido no final de semana De acordo com Alexandre Padilha (PT-SP), ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, a orientação do Planalto não vale apenas para quem assume mandato, mas para quem já tem e não precisa se afastar do cargo na quarta.
Esse é o caso de vários ministros deputados e senadores eleitos em outubro de 2022.
“Ele [Fávaro] não toma posse, o mandato dele é de oito anos, mas a orientação é se licenciar e votar”, comentou Padilha na Câmara dos Deputados, após um evento do PT. O próprio secretário de Relações Institucionais é deputado federal reeleito e será empossado na quarta. Estará na Câmara para assegurar a reeleição de Lira.
Além da eleição da mesa diretora, os ministros e secretários licenciados devem permanecer no Parlamento até a quinta-feira (2 de fevereiro), dia para o qual está prevista a votação para definir o novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). O favorito é Jhonatan de Jesus (Republicanos), que faz uma espécie de “dobradinha” com Arthur Lira.
Vão se licenciar de seus ministérios: O senador Carlos Fávaro (PSD-PR), ministro da Agricultura
O senador eleito Camilo Santana (PT-CE)
O senador eleito Wellington Dias (PT-PI), ministro da Educação do Desenvolvimento Social
O senador eleito Renan Filho (MDB-AL), ministro dos Transportes
O senador eleito Flávio Dino (PSB-MA), ministro da Justiça
O deputado reeleito Alexandre Padilha (PT-SP), secretário de Relações Institucionais
O deputado eleito Paulo Teixeira (PT-SP), ministro do Desenvolvimento Agrário
O deputado eleito Luiz Marinho (PT-SP), ministro do Trabalho
O deputado reeleito Paulo Pimenta (PT-RS), secretário de Comunicação
A deputada eleita Daniela Carneiro (União-RJ), do Turismo
O deputado reeleito Juscelino Filho (União-MA), das Comunicações
Simone Tebet (MDB-MS), ministra do Planejamento e Orçamento, não vai se ausentar porque seu mandato de senadora é encerrado nesta quarta. Ela foi eleita em 2014.
O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) completa um mês nesta terça-feira (31) marcado por decisões que remontam à época em que o Brasil emprestou dinheiro para ditaduras da América Latina que até hoje devem ao país e por crises políticas.
Logo na primeira agenda internacional do chefe do Executivo federal, quando visitou a Argentina, há uma semana, Lula disse que fará um “esforço” para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) volte a financiar projetos de países vizinhos.
Ele pretende ampliar financiamentos do banco principalmente em países da América Latina, mas os parceiros atuais do BNDES somam R$ 5,1 bilhões em dívidas com a instituição. Os principais calotes são dos governos ditatoriais de Cuba (R$ 1,1 bilhão) e Venezuela (R$ 3,5 bilhões).
Tropeços em acordos comerciais internacionais
O presidente brasileiro tentou atrapalhar as negociações do Uruguai com a China para firmar um tratado de livre-comércio com a nação asiática. Junto com Argentina e Paraguai, o Brasil passou a questionar o acordo e teme que o Uruguai possa ter resultados mais positivos por importar produtos fora da Tarifa Externa Comum, um pacote de taxas que é aplicado em produtos e serviços negociados por todos os países do Mercosul.
Apesar da investida de Lula, o presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, garantiu que “o Uruguai vai avançar nas suas negociações com a China”. “O Brasil pode paralelamente fazer seu caminho e, após isso, nós vamos compartilhar tudo o que foi negociado, e o Uruguai pode se ajustar ao que o Brasil propuser.”
Atrito com militares
O primeiro mês do governo de Lula ainda teve episódios polêmicos envolvendo as Forças Armadas. Depois do ataque de extremistas a Brasília em 8 de janeiro, o presidente afirmou estar convencido de que algum militar facilitou a ação dos vândalos. “Teve muita gente conivente, muita gente da PM conivente, muita gente das Forças Armadas conivente.”
O episódio de vandalismo na capital federal gerou um mal-estar do presidente com o general Júlio César de Arruda, que comandava o Exército — ele acabou exonerado. Outro fator que contribuiu para a saída dele foi a resistência a impedir a promoção do tenente-coronel Mauro Cid, que foi ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Até o momento, Lula já dispensou 95 militares que atuavam na Presidência da República, entre eles vários servidores que trabalhavam no Palácio da Alvorada e na Granja do Torto.
Polêmica com golpe
Ao longo de janeiro, por diversas vezes o presidente tratou o impeachment de Dilma Rousseff (PT) como golpe e se referiu ao ex-presidente Michel Temer (MDB) como “golpista”.
Em visita à Argentina nesta semana, o chefe do Executivo federal criticou o processo conduzido pelo Congresso Nacional. “Vocês sabem que depois de um momento auspicioso no Brasil, quando governamos de 2003 a 2016, houve um golpe de Estado. Se derrubou a companheira Dilma Rousseff com um impeachment. A primeira mulher eleita presidenta da República do Brasil”, disse Lula.
As falas dele fizeram com que ao menos dois deputados apresentassem pedidos de impeachment. Além disso, a Advocacia-Geral da União (AGU), o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) foram acionados para investigar as declarações de Lula.
Ministra do Turismo
O presidente enfrentou críticas pelas denúncias contra a ministra do Turismo, Daniela Carneiro, conhecida como Daniela do Waguinho (União Brasil), por ligação com Juracy Alves Prudêncio, o Jura, condenado por chefiar uma milícia na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.
Além disso, Daniela usou dinheiro público para alugar um escritório no Rio de Janeiro por um valor aproximadamente três vezes maior do que a média cobrada nos imóveis da região. Em quatro anos, foram gastos por ela R$ 141 mil com aluguel em Belford Roxo (RJ). A despesa foi paga pela Câmara dos Deputados.
O ex-presidente Jair Bolsonaro solicitou um visto de seis meses para continuar morando na Flórida, de acordo com o Financial Times.
Bolsonaro solicitou um visto de visitante de seis meses na sexta-feira (28), já que seu visto diplomático deve expirar nesta terça-feira (31) segundo o FT, citando o advogado de Bolsonaro, Felipe Alexandre.Os Estados Unidos receberam seu pedido na sexta-feira, disse seu advogado, Felipe Alexandre, acrescentando que Bolsonaro permanecerá nos Estados Unidos enquanto seu pedido estiver pendente.
“Ele gostaria de tirar uma folga e aproveitar como turista nos Estados Unidos por alguns meses antes de decidir qual será o próximo passo”, disse Alexandre à Reuters.
“Se ele usará ou não os seis meses completos, caberá a ele e qualquer estratégia que concordarmos em embarcar com base em seus planos conforme eles se desenvolvem”, acrescentou Alexandre.
Bolsonaro mora em uma casa em Kissimmee, Flórida – perto do Walt Disney World – desde alguns dias antes de seu mandato terminar em 1º de janeiro. Ele viajou para os Estados Unidos no dia 30 de dezembro de 2022.