Alexandre de Moraes soube construir uma situação em que não tem rivais, não tem freios e não tem controles, e na qual está livre para governar o Brasil segundo o que acha que está “certo”, e não segundo o que diz a lei
J. R. GUZZO
Onde o ministro Alexandre de Moraes acertou? Ele é hoje, ao mesmo tempo, condutor do Supremo Tribunal Federal, governador-geral do Brasil e único brasileiro que tem o poder de revogar, mudar ou escrever leis por conta própria, sem necessidade alguma de aprovação do Congresso Nacional. É óbvio, à essa altura, que acertou em alguma coisa para chegar ao lugar em que está. Provavelmente, acertou muito, e em muitas coisas — ninguém consegue se tornar o homem mais importante de um país com 200 milhões de habitantes e PIB de quase 2 trilhões de dólares, segundo FMI, cometendo erros, ou mais erros do que acertos. Pode-se “gostar” ou “não gostar” do ministro, como ele próprio comentou em relação à lei que permite o indulto presidencial. Mas o fato é que ele manda e todo mundo obedece, a começar pelo presidente da República — e se mandar mais vão obedecer mais.
Alexandre Moraes, hoje, decide mais que o Congresso Nacional inteiro; decreta, pessoalmente ou através dos outros ministros, que leis aprovadas legitimamente pelos deputados e pelos senadores não valem mais, ou cria as leis que os parlamentares não aprovaram, mas que ele quer — como é o caso, agora, da lei da censura na internet. Vale, sozinho, mais que as três Forças Armadas juntas. Pode fazer, e faz, coisas ilegais. Prende cidadãos. Bloqueia contas bancárias. Viola o sigilo de comunicações. Nega o exercício do direito de defesa. Dá multa de 22 milhões de reais a um partido político de oposição. Proíbe qualquer pessoa ou empresa (qualquer uma; até membros do Congresso) de se manifestar pelas redes sociais. Eliminou as funções do Ministério Público. Enfiou na cadeia um deputado federal na vigência do seu mandato. Indiciou pessoas por conversarem num grupo de WhatsApp. Comanda no momento dois inquéritos ilegais de natureza policial (que podem ser seis, ou até mais; são tantos que ninguém consegue mais fazer a conta exata), nos quais se processa qualquer tipo de crime que o ser humano possa cometer, tudo junto e tudo misturado — do golpe de estado ao passaporte de vacina. Criou, e usa, algo que não existe no direito universal: o “flagrante perpétuo”. Muito bem: um homem assim manda ou não manda mais que todos os outros?
A ascensão de Moraes ao topo da vida pública brasileira não aconteceu pelos meios comuns. Ele não teve uma campanha eleitoral milionária, com “Fundo Partidário”, apoio fechado do TSE e outras vantagens; aliás, não teve um único voto, e nem precisou. O ministro não vem de nenhuma família que vive às custas de suas senzalas políticas. Não é um bilionário como esses banqueiros de investimento “de esquerda” que vivem dando entrevista na televisão. Não precisou de apoio da imprensa, embora tenha se tornado um ídolo para a grande maioria dos jornalistas brasileiros — é tratado hoje como uma espécie de Che Guevara que lidera as “lutas democráticas” neste país. (O que provavelmente deve deixar o ministro achando muita graça.) Sua origem não tem nada a ver com o PT. Moraes foi nomeado para o cargo por Michel Temer, que Lula chama de “golpista” e é visto pela esquerda nacional como portador de alguma doença infecciosa sem cura. O passado político do ministro, ao contrário, o coloca como secretário de Geraldo Alckmin, nos tempos em que ele não usava boné do MST e era uma figura de piada para Lula, os intelectuais e os artistas da Globo.
Apesar de tudo isso, o ministro Moraes está lá. Como foi acontecer um negócio desses? Ou, de novo: onde ele acertou? Acertou em muita coisa, essa é que é a verdade — e a primeira delas é que entendeu melhor do que ninguém a força e a utilidade da coragem num país em que o ecossistema político é habitado majoritariamente por covardes. Moraes é um homem destemido — assume riscos, enfrenta adversidades e não foge da briga. No Brasil de hoje, faz toda a diferença. O segundo ponto a favor é que soube escolher o lado certo da disputa política atual: percebeu, no momento adequado, que é mais rentável ficar a favor do Brasil do atraso, centrado no Sistema Lula, do que a favor do Brasil do progresso. (Imaginem se tivesse ficado com Bolsonaro e feito as coisas que fez — se tivesse, por exemplo, trancado na Papuda 1.500 agentes do MST que invadem fazendas e destroem propriedade pública. Estaria hoje no Tribunal Internacional de Haia, respondendo por crimes contra a humanidade.) Entendeu, também, que as instituições brasileiras são amarradas com barbante — e iriam se desfazer diante do primeiro homem decidido a falar grosso, desde que tivesse apoio da esquerda e vendesse a ideia de que está violando a lei para salvar a “democracia”. Com instituições fortes Moraes simplesmente não seria o que é; sua carreira já teria acabado por decisão do Senado Federal.
Passou para o lado da confederação anti-Lava Jato que levou Lula ao poder e, aí, soube assumir o papel de astro do filme — entre outras coisas, como presidente do TSE, foi quem realmente colocou o chefe do PT na Presidência da República
O ministro, igualmente, descobriu que não precisava ter medo de militar — e que isso é uma vantagem decisiva. O regime militar já acabou há quase 40 anos, mas o político brasileiro continua pensando nas Forças Armadas como se elas decidissem alguma coisa — os políticos e as multidões que foram para a frente dos quartéis após as eleições de 2022, na ilusão de que estavam “do mesmo lado”. (O Exército estava, como se viu, do lado da polícia.) Moraes nunca perdeu seu tempo com isso. Foi fazendo o que achou que tinha de ser feito, sem se preocupar com o que poderiam pensar os generais de Exército ou os almirantes de esquadra — e hoje deve estar convencido de que leu acertadamente as coisas. Por que não? Moraes acaba de colocar na cadeia um tenente-coronel da ativa, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, algo expressamente proibido em lei — ele só poderia ter sido preso em flagrante, e não houve flagrante algum. O comandante do Exército não deu um pio. Não se tratava de desafiar o STF, ou quem quer que seja; bastaria dizer que o Exército exige o cumprimento das leis em vigor no Brasil. Ele não vive dizendo que é a favor da “legalidade?” Então: era só cumprir o que diz. Não aconteceu nada.
Outra vantagem para o ministro é a sua capacidade de ignorar a opinião pública. Poucas vezes na história deste país uma autoridade do Estado conseguiu ter uma imagem tão horrível quanto a de Moraes — mas ele não faz nem deixa de fazer nada por causa do que “estão pensando”. O político brasileiro médio passa mal quando se vê fazendo, ou tentando fazer, alguma coisa que pode desagradar o eleitorado — afinal, é dos seus votos que ele vive. O ministro não liga a mínima; não é assim, simplesmente, que ele funciona. Ao contrário, fica mais radical, agressivo e perigoso a cada contrariedade. Ele deixou isso muito claro, entre outros episódios, com sua reação às imensas manifestações de rua do ano passado, e de antes, a favor de Bolsonaro — a quem escolheu como seu inimigo número 1. Em vez de se assustar com aquelas multidões todas, resolveu meter as multidões na cadeia. Deu certo, afinal: a 8 de janeiro ele conseguiu prender 1.500 pessoas de uma vez só, como “exemplo”, e de lá para cá ninguém mais pensou em acampar na frente de quartel. Para o ministro Moraes gente na rua é uma turbina sem potência — faz barulho, mas não tira o avião da pista. Tem dado certo até agora, do seu ponto de vista: está mandando mais, hoje, do que em qualquer outro momento da sua carreira.
Moraes, enfim, tem demonstrado que sabe fazer política do lado que ganha — é o contrário de Augusto Matraga, e isso quer dizer um mundo de vantagens para quem tem ambições de subir na vida pública. No momento mais indicado, soube trocar a direita “autoritária”, onde nasceu, pela esquerda que seria levada ao poder no movimento mais poderoso que já se viu até hoje na política brasileira: a guerra de extermínio contra a Lava Jato e o enfrentamento à corrupção. Passou para o lado da confederação anti-Lava Jato que levou Lula ao poder e, aí, soube assumir o papel de astro do filme — entre outras coisas, como presidente do TSE, foi quem realmente colocou o chefe do PT na Presidência da República. É certo, também, que manda mais do que ele. Vivem os dois, hoje, num contrato de assistência mútua. Moraes dá proteção a Lula, defende os interesses do seu sistema e garante a segurança do universo lulista — para ficar num exemplo só, não incomodou, em quatro anos com os seus inquéritos policiais, um único simpatizante da esquerda. Quer dizer que ninguém do PT, para não falar do próprio Lula, divulgou uma fake news, nem umazinha, nesse tempo todo? É puro Moraes. Em compensação, nem Lula, nem a esquerda e nem ninguém do governo está autorizado a incomodar o ministro no que quer que seja. É a harmonia entre os Poderes.
Como em relação aos militares e à opinião pública, o medo que Alexandre de Moraes tem de Lula é de três vezes zero. Ele sabe, de um lado, que Lula não tem peito para encará-lo, e de outro, que está mais interessado em hotéis com diárias de 37.000 reais, discursos idiotas e o “liberou geral” para o assalto à máquina pública. Também não se assusta com a esquerda, o MST e os Boulos da vida. Sabe que todos têm pavor de bala de borracha; imagine-se então de bala de verdade. Suas preocupações com a Câmara e o Senado são equivalentes — ou seja, absolutamente nulas. O resumo de toda essa opera é o seguinte: o ministro soube construir uma situação em que não tem rivais, não tem freios e não tem controles, e na qual está livre para governar o Brasil segundo o que acha que está “certo”, e não segundo o que diz a lei. Moraes se arriscou muito; poderia perfeitamente ter perdido, várias vezes, a começar pelo dia em que encarou Jair Bolsonaro. Mas o fato é que levou todas, e hoje é isso que todos estão vendo — só não manda naquilo em que não quer mandar. Nada poderia representar tão bem essa situação quanto sua última erupção de onipotência. Proibiu o aplicativo de mensagens Telegram de publicar sua opinião sobre a lei de censura que o governo Lula e ele próprio querem impor ao Brasil — e o obrigou a publicar a opinião dele, Moraes. Desde quando alguém neste país está proibido de dizer o que pensa sobre um projeto em debate no Congresso Nacional? E desde quando alguém é obrigado a dizer o contrário do que pensa? Desde Alexandre de Moraes. O caso Telegram é mais uma prova de que no Brasil de hoje não existe mais lei. O que existe é o ministro Moraes — e, para piorar, o resto do STF.
Uma visita ao Feiraguay, na sexta (12), mostrou o ex-prefeito José Ronaldo em uma típica ação de pré-candidato à sucessão municipal, ano que vem. Ao seu estilo, saiu de boxe em boxe cumprimentando e abraçando vendedores.
Vídeos nas redes sociais mostram uma bem sucedida incursão no mais badalado entreposto comercial do Nordeste, do político que já governou o município quatro vezes e elegeu dois sucessores, portanto, invicto vai fazer 24 anos na disputa eleitoral pela Prefeitura.
A visita acontece na semana em que o Feiraguay sofreu talvez a maior fiscalização de sua história, por parte da Receita Federal, que levou caminhões cheios de mercadorias desprovidas de Nota Fiscal. Foi, portanto, um gesto de solidariedade.
Em sua andança no local, Ronaldo fez propaganda para uma vendedora de pãezinhos (que lhe prometeu votar nele de novo). Ouviu de um eleitor a forte frase: “jamais vou trair este homem”, enquanto um outro cidadão, mais entusiasmado, confessou: “me arrupio (sic) todo quando (em discurso de campanha) vejo este homem dizer, ‘eu voltarei”.
Estratégia ou não, o ex-prefeito estava vestindo uma camisa de tom muito parecido com o vermelho do PT. Bem ao estilo “sandálias de Lampião”, como sempre lhe é atribuído pelo decano do rádio Dilson Barbosa: para confundir inimigos, reza a lenda, o cangaceiro usava sandália com a frente pra trás.
Se era para despistar ou não, o fato é que José Ronaldo está caminhando.
Foto: Valter Pontes/Prefeitura de Salvador e Carla Carniel/AFP.
Ao chamar ACM Neto de “grampinho” em evento na Bahia, Lula jogou gasolina no fogo que a ala anti-PT do União Brasil vem tentando espalhar na legenda e não contribuiu com o caminho para compor com o partido, dizem lideranças da sigla.
A estocada mirando o secretário-geral do União Brasil e ex-prefeito de Salvador ocorreu a dias de uma reunião entre Palácio do Planalto e o comando da sigla, justamente para buscar aproximação.
O encontro atende a um pedido de Lula, que cobrou seu time da articulação política a organizar a base o quanto antes.
“Esse episódio, sinceramente, mostra que Lula não está bem. Ou desaprendeu a fazer política. Um ataque de graça. Mexendo em quem tá quieto”, diz um integrante da cúpula do União Brasil sobre a fala do presidente na Bahia.
Quadros do partido próximos a ACM Neto classificaram, nos bastidores, a fala de Lula “de ataque vil” e “episódio lamentável”.
O apelido “Grampinho” faz menção ao escândalo dos grampos, protagonizado pelo avô de ACM, Antônio Carlos Magalhães.
Um aliado diz que, em tempos de críticas a falas capacitistas e etaristas, Lula deveria ser cobrado por se referir de forma jocosa à estatura de ACM Neto.
O grupo de “oposição ferrenha” ao governo Lula dentro do União Brasil é minoritário, mas é barulhento e, com esse episódio, tem motivo para comprar briga, avaliam parlamentares ouvidos pela CNN.
O deputado Mendonça Filho, por exemplo, apresentou requerimento para convocar o ministro Rui Costa a se explicar no plenário da Câmara sobre declarações acerca da privatização da Eletrobras. O chefe da Casa Civil disse que a privatização, aprovada pelo Congresso Nacional, tem “cheiro ruim”.
O problema do Planalto, hoje, é que a maior parte da bancada do União Brasil na Câmara, com 59 deputados, está no grupo chamado internamente de “flutuante”. Ou seja, não milita contra Lula, mas não vai aderir facilmente à base.
O grupo tem dado trabalho ao Planalto, que ainda busca um modelo de governabilidade.
“Um carguinho no Dnit do estado não arrasta mais ninguém para a base. Emenda até pode ajudar”, diz um experiente deputado do União Brasil.
Um ruído com parte da legenda não ajuda em nada neste momento. A avaliação é que o Planalto vai precisar de mais aliados na legenda além de Luciano Bivar, que não tem controle sobre a bancada, caso queira avançar em outros temas além da pauta econômica.
Na votação do marco fiscal, por exemplo, a sigla vai entregar votos. Mas em “pautas da esquerda”, parlamentares afirmam que, atualmente, não há ambiente para apoio amplo.
É a primeira vez que o ex-governador do Ceará fala sobre o terceiro mandato do petista.
Sete meses após o fim do primeiro turno, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) voltou à cena política nesta sexta-feira (12). Ele participou de um evento na Universidade de Lisboa (ULisboa), em Portugal, voltado a acadêmicos do curso de Direito.
Em sua fala, o pedetista disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o “responsável pelo reacionarismo no Brasil” e que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está “entregue à banqueirada”.
Esta é a primeira declaração pública de Ciro Gomes sobre o governo Lula desde o início do terceiro mandato do petista. Em seu discurso, voltou a criticar o PT e sua forma de fazer política.
“Caramba, o Lula foi parar na cadeia. Será possível que não aprendemos nada? Ou nós acreditamos que Lula foi inocentado? Ele não foi. O Lula teve direito à presunção de inocência restaurada. É diferente de ser inocentado em um julgamento”, declarou ele.
Ao comentar sobre o atrito com o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou que Lula não tem interesse em substitui-lo do cargo, direcionando críticas a Haddad por indicar Gabriel Galípolo para a diretoria do BC.
“Esta demissão [do Campos Neto] tem que ser provocada pelo Conselho Monetário Nacional. Quem é? É o governo, é o ministro da Fazenda completamente entregue à banqueirada, que está indicando um banqueiro para direção nova do Banco Central, se chama Galípolo”, completou.
Em entrevista à CNN Brasil nesta sexta-feira (12), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciou que irá processar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após declarações feitas pelo petista em Salvador, na Bahia (BA). Durante evento sobre a Lei Paulo Gustavo, Lula afirmou que Bolsonaro teria uma mansão nos EUA, no valor de US$ 8 milhões, em nome do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid.
À emissora, o ex-presidente negou que tenha uma casa nos EUA em nome do ex-ajudante de ordem.
“Vou processar [Lula] com duas ações: civil e criminal”. Uma ele diz que, das 700 milhões de pessoas [mortas pela Covid-19], eu matei 300 milhões e a outra eu teria uma mansão nos Estados Unidos em nome do coronel Cid”, afirmou Bolsonaro à CNN.
AS DECLARAÇÕES DE LULA SOBRE BOLSONARO
“Acabaram de descobrir uma casa, de 8 milhões de dólares, do ajudante de ordem do Bolsonaro. Certamente, uma casa de 8 milhões dólares não é para o ajudante de ordem. Certamente, é para o paladino da discórdia, para o paladino da ignorância, para o paladino do negacionismo”, afirmou o petista durante o evento.
Lula disse em outro momento que Bolsonaro foi responsável por “300 milhões de mortes” de brasileiros durante a pandemia de Covid-19.
“Dos 700 milhões [sic] de brasileiros que morreram da Covid, 300 milhões [sic] morreram por culpa de um governo negacionista que não tem a menor sensibilidade de respeitar a ciência, a medicina”, afirmou Lula.
Centrão, tanto na Câmara quanto no Senado, é a faixa de partidos que mais demora para indicar nomes
Magno Malta (PL-ES) é um dos principais nomes da oposição a Lula (PT) no Senado
Até o início da tarde desta 5ª feira (11.mai.2023), 22 nomes, entre titulares e suplentes, foram indicados para compor a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do 8 de Janeiro. Oposicionistas ao Palácio do Planalto somam 14 indicações.
As escolhas tanto da Câmara quanto do Senado incluem nomes da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), bem como de sua oposição, a qual responde pelo maior número de ofícios entregues à SGM (Secretaria Geral da Mesa) do Congresso, onde ocorre a tramitação de colegiados mistos. Ao todo, são 32 cadeiras de titulares e igual número de suplentes.
O Poder360 adiantou ao longo desta semana nomes confirmados para ter assento na comissão. Apesar do total formalizado até o momento, o presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), só poderá regimentalmente dar sinal verde pleno à CPI do 8 de Janeiro quando somar pelo menos 17 nomes titulares.
O Centrão, que está concentrado em blocos, tanto na Câmara quanto no Senado, é a faixa de partidos que mais demora para indicar seus nomes. O PSD, que embora não seja base assumida, é a legenda de centro que mais vai favorecer ao governo, sobretudo no Senado, onde concentra mais cadeiras reservadas para a CPI.
União Brasil, assim como o PSD, também é o mais numeroso do colegiado, mas ainda é uma incógnita sobre como vai se posicionar nos trabalhos de investigação parlamentar. Apesar de ter 3 ministérios, a sigla tem sido uma dor de cabeça a Lula no momento da entrega de votos nos plenários de ambas as Casas.
O PT, conforme adiantou o Poder360, ficou com 5 assentos, número máximo de lugares que poderia ocupar.
Eis os nomes indicados até o momento:
Esperidião Amin (PP-SC) – titular Damares Alves (Republicanos-DF) – titular Luis Carlos Heinze (PP-RS) – suplente CleitinhoAzevedo (Republicanos-MG) – suplente
André Fernandes (PL-CE) – titular Delegado Ramagem (PL-RJ) – titular Filipe Barros (PL-PR) – titular Marco Feliciano (PL-SP) – suplente Nikolas Ferreira (PL-MG) – suplente Eduardo Bolsonaro (PL-SP) – suplente
O Portal da Transparência divulgou recentemente que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a primeira-dama Janja da Silva e sua comitiva gastaram mais de R$ 1,3 milhão em hospedagem no hotel JW Marriott de Londres para prestigiarem a coroação do Rei Charles III.
Não foram disponibilizadas as faturas ou uma descriminação dos valores, o que impede a população de saber quanto foi gasto em diárias de suítes ou em consumo de alimentos e/ou bebidas.
Regra vale para quem tenha contribuído por, pelo menos, 15 anos com a Previdência Social
O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (10) projeto que permite aposentadoria especial para quem exerce função de alto risco para a saúde. Agora, projeto vai para votação da Câmara dos Deputados.
Com a medida, trabalhadores expostos a agentes químicos, físicos e biológicos têm direito à aposentadoria. Regra vale para àqueles que tenham contribuído por, pelo menos, 15 anos com a Previdência Social.
Foto: O deputado Federal Helio Lopes (PSL-RJ) | Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados | Foto: Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados
O juiz Marcos Augusto Ramos Peixoto, da 37ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, negou mais um recurso do Ministério Público do Estado no caso envolvendo um homem que chamou o deputado Helio Lopes (PL-RJ), aliado de Bolsonaro, de “capitão do mato”. Segundo o magistrado, a expressão “pode ser dirigida com igual ofensividade tanto a negros quanto a brancos (ou pardos, ou amarelos, a qualquer raça)”.
“A expressão se refere a agente que perseguia pessoas escravizadas e, por extensão, atualmente, a pessoa que de uma forma ou outra persegue pessoas negras não lhes conferindo o valor devido em condição de igualdade com todas as demais tratando-se, assim, de um possível xingamento, sem dúvida, mas não com conotação racial no sentido exigido pela lei”, argumentou Peixoto, sobre o caso Helio Lopes. “Exemplificando: chamar alguém de ‘racista’ é ofensivo e injurioso, mas se chamo uma pessoa negra de ‘racista’ não estou cometendo injúria racial só por isso — o mesmo se aplica à expressão ‘capitão do mato’.”
O vereador Fernando Holiday, durante sessão na Câmara Municipal de São Paulo | Foto: Afonso Braga/Câmara Municipal de São Paulo
Nesta semana, a mulher do ex-ministro Ciro Gomes teve os bens bloqueados, no âmbito de uma ação movida pelo vereador Fernando Holiday (Republicanos-SP). Durante uma entrevista em 2018, Gomes chamou o parlamentar de “capitãozinho do mato”. “A pior coisa que tem é um negro que é usado pelo preconceito para estigmatizar, que era o capitão do mato do passado”, disse, à época. “Não há a menor chance da gente superar essas contradições sem violentar determinados princípios.”
A reunião entre o secretário de Relações Institucionais do governo, Luiz Caetano (PT-Foto), e os líderes da base aliada na Assembleia Legislativa da Bahia para discutir a distribuição de cargos no interior terminou em impasse anteontem. Os deputados estaduais se opuseram à proposta apresentada pelos presidentes dos partidos da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) na última quinta-feira (4) de dividir os espaços municipais no interior com os deputados federais. O líder do governo na Assembleia, Rosemberg Pinto (PT), também se opôs à proposta. Os deputados estaduais afirmaram que a proposta original apresentada pelo governo na reunião do conselho político, na qual o critério para a distribuição nos cargos municipais leva em conta apenas a votação dos parlamentares eleitos da Assembleia, é a mais justa. Eles argumentaram que os deputados federais têm outras fontes de poder, como emendas impositivas e de relator, além dos espaços oferecidos nos órgãos da União na Bahia. Caetano pediu aos deputados estaduais que levem o posicionamento para os presidentes dos partidos, a fim de tentar solucionar o impasse. Uma nova reunião do conselho político para discutir o assunto está prevista para a próxima semana, porém, conforme apurou a Tribuna com envolvidos, a data ainda não está definida. Os líderes na Assembleia defendem que, segundo o critério por eles proposto, quem obteve mais votos na eleição proporcional de 2022 para o Legislativo baiano tem direito às melhores escolhas na cidade, priorizando os aliados de primeira hora que estão com Jerônimo desde as eleições. A Tribuna procurou os parlamentares da base governista, que optaram por não comentar o assunto. A reportagem também contatou Luiz Caetano, mas, segundo a sua assessoria, o secretário está em viagem com o governador Jerônimo, e não retornou. Na reunião da última quinta-feira, conforme publicou o site Política Livre, alguns dirigentes, como a deputada federal Lídice da Mata e o secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Davidson Magalhães, defenderam que a bancada baiana na Câmara também participe do rateio dos cargos municipais, mesmo que os deputados estaduais tenham mais peso nas escolhas. Lídice afirmou que os principais cargos federais estavam sendo entregues apenas a adversários de Jerônimo na Bahia. Vale lembrar que, na gestão do ex-governador Rui Costa (PT), os deputados federais também participavam das indicações nos cargos municipais. Além dessas estruturas, há ainda os espaços regionais, aqueles que englobam mais de uma cidade, na qual o critério é a votação proporcional dos partidos da base, que fazem as indicações. Nesse caso, não há impasse. Além de Rosemberg Pinto, participaram da reunião de hoje com Luiz Caetano os deputados estaduais Alex da Piatã (PSD), Robinson Almeida (PT), Rogério Andrade (MDB), Luciano Araújo (Solidariedade), Niltinho (PP) e Fabrício Falcão (PCdoB). (Por Mateus Soares/Trbn) .