Criminosos do Hamas invadiram território israelense, além de realizar sequestros e lançar mísseis contra civis
Registro de um dos ataques no Oriente Médio | Foto: Reprodução/Twitter/X
O conflito deflagrado a partir do ataque organizado pelo grupo terrorista Hamas contra Israel já contabiliza 1,2 mil mortos, informam autoridades internacionais.
Até o início desta segunda-feira, 9, cerca de 700 pessoas foram assassinadas em Israel desde sábado 7. Muitas delas eram civis. O número de feridos, a saber, é de 2,1 mil. Na ocasião, terroristas do Hamas invadiram o território israelense em área próxima à Faixa de Gaza. Além disso, os criminosos do grupo extremista realizaram sequestros e lançaram mísseis contra o país judaico.
De acordo com as forças militares israelense, 260 corpos foram encontrados somente no local onde ocorria um festival musical — e que acabou como alvo de terroristas. Nesta segunda, o Hamas afirma que, além de ser responsável por dezenas de assassinatos, mantém mais de 100 reféns.
Com o ataque terrorista, o governo israelense declarou “estado de guerra”. Em carta, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que deixará em ruínas as localidades onde os militantes do Hamas estiverem.
Alvo de ataque terrorista, Israel age contra Hamas
Na carta, Netanyahu disse que as cenas de terror deste sábado não mais se repetirão | Foto: Reprodução/Facebook
O governo de Israel não ficou, contudo, parado. Diante do ataque terrorista, as forças militares do país partiram para cima do Hamas. Nesse sentido, Israel informou que a Faixa de Gaza está fechada. Além disso, as autoridades israelenses realizaram ataques contra 653 bases do grupo extremista, que conta com apoio público do Irã.
Conforme informações de agências internacionais, 493 pessoas morreram na Faixa de Gaza desde o ataque terrorista de autoria do Hamas. Ainda de acordo com a imprensa estrangeira, o número de mortos na Cisjordânia, área ao leste de Israel e que é controlada por autoridades palestinas, está em sete.
Centenas de foguetes foram lançados contra Israel a partir da Faixa de Gaza no sábado (7), anunciou o Hamas após um ataque-surpresa que elevou as tensões no Oriente Médio. Para minimizar os estragos, os israelenses contam com um escudo, conhecido como “Domo de Ferro”.
De acordo com as forças militares de Israel, parte dos ataques do Hamas foi interceptado pelo Domo de Ferro, que é um sistema de defesa antimíssil. Ainda assim, vários foguetes atingiram diferentes cidades do país.
Desenvolvimento: As pesquisas para a instalação de um sistema de defesa aérea começaram há mais de 35 anos.
À época, Israel assinou um contrato com os Estados Unidos para participar de um projeto de defesa estratégica.
Segundo o Ministério da Defesa de Israel, em 1986 foi tomada a decisão para o desenvolvimento de um sistema que pudesse atender as necessidades de segurança do país.
Ferramentas de defesa foram criadas nos anos seguintes, a partir das pesquisas. No entanto, o desenvolvimento do atual “Domo de Ferro” começou em 2007.
Início das operações: Foi apenas em março de 2011 que o sistema se tornou operacional.
Antes disso, o escudo passou por diversos testes, sendo aprovado.
Em abril de 2011, o Domo de Ferro derrubou um míssil lançado contra uma cidade do sul do país.
Desde então, novos testes foram feitos, com ataques interceptados.
Míssil interceptor explode foguete inimigo lançado da Faixa de Gaza contra Israel, em 8 de outubro de 2023 — Foto: REUTERS/Amir Cohen
Como funciona: Basicamente, o sistema conta com diversos instrumentos de monitoramento, como radares, que conseguem identificar ataques inimigos.
Quando um ataque é identificado, a tecnologia calcula a trajetória do foguete inimigo e verifica se uma área urbana será bombardeada.
O sistema, então, lança um míssil interceptor que explode o artefato inimigo ainda no ar.
A ferramenta é móvel, podendo funcionar e ser instalada em qualquer lugar do país.
As baterias com os mísseis interceptores podem ser instaladas em veículos militares, por exemplo.
Eficiência: Segundo o Ministério da Defesa, o Domo de Ferro consegue interceptar cerca de 90% dos ataques inimigos. O sistema continua em evolução, com apoio dos Estados Unidos.
Veículo militar com sistema do “Domo de Ferro”, no Aeroporto de Ben Gurion, Israel, em 2020 — Foto: Jim Garamone/Departamento de Defesa dos Estados Unidos
Israel x Hamas
No sábado (7), terroristas do Hamas anunciaram que estavam iniciando uma grande operação de retomada de território. Um alto comandante do grupo chegou a dizer que mais de 5 mil foguetes tinham sido lançados contra Israel a partir da Faixa de Gaza.
Sirenes foram ouvidas em várias partes de Israel, incluindo grandes cidades, como Tel Aviv e Jerusalém. Os ataques atingiram prédios e veículos, causando estragos em diversas regiões do país.
Pela terra, pelo ar e pelo mar, terroristas armados do Hamas invadiram o território israelita na região sul do país. Agências internacionais relataram que esses homens atiraram contra pessoas que estavam nas ruas.
Também há relatos de dezenas de moradores israelenses sendo levados como reféns para a Faixa de Gaza.
Após a ofensiva, o primeiro-ministro israelense convocou uma reunião de emergência e lançou a operação “Espadas de Ferro”, prometendo uma resposta ao Hamas.
O governo de Israel pediu para que os cidadãos sigam instruções de segurança. A recomendação é para que as pessoas fiquem próximas de espaços protegidos.
O último balanço das autoridades indica que mais de 1.000 pessoas morreram em Israel e na Faixa de Gaza. Há milhares de pessoas feridas. Os bombardeios continuam nesta segunda-feira (9).
Oficiais de segurança do Irã ajudaram o Hamas a planejar a ofensiva contra Israel do sábado (7), de acordo com o jornal “Wall Street Journal”. Esse foi o mais violento ataque contra o território israelense em 50 anos.
O conflito mais recentes entre Israel e o Hamas entrou em seu segundo dia neste domingo. O balanço mais atual das autoridades locais indica que ao menos 1.120 pessoas morreram, sendo 700 em Israel, 413 na Faixa de Gaza e sete na Cisjordânia. Milhares de pessoas ficaram feridas.
A disputa começou depois que o Hamas realizou neste sábado um ataque-surpresa contra o território israelense. A partir da Faixa Gaza, foram lançados 5 mil foguetes.
Segundo o “Wall Street Journal”, os iranianos também deram autorização para o ataque em um encontro que aconteceu em Beirute, no Líbano, na última segunda-feira.
A reportagem credita a informação a pessoas do Hamas e também do grupo libanês Hezbollah.
Membros da Guarda Revolucionária do Irã começaram a trabalhar com o Hamas em agosto para organizar o ataque do último sábado.
O plano da Guarda Revolucionária seria criar ameaças a Israel em várias frentes: no norte, os israelenses seriam atacados pelo Hezbollah, e no sul e na Cisjordânia, pelo Hamas e pela Frente de Liberação da Palestina
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, fez declarações públicas sobre os ataques. Ele afirmou que o “regime sionista será erradicado pelas mãos do povo palestino e por todas as forças de resistência na região”.
Este domingo (8/10) marca o segundo dia de conflitos entre Israel e o grupo Hamas. De acordo com o último balanço divulgado, 620 pessoas morreram após o início dos ataques.
Segundo as informações divulgadas na madrugada deste domingo (8/10), 300 pessoas morreram em Israel; 313 na Faixa de Gaza; e 7 na Cisjordânia.
O Ministério da Saúde da Palestina informou que são 1.990 pessoas feridas após o início dos ataques.
Novos ataques a Israel
Neste segundo dia de conflitos, novas explosões foram registradas na Faixa de Gaza. A Reuters reportou que militares israelenses também registraram ataques ao norte de Israel a partir do Líbano.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou, em comunicado, que o conflito deve gerar uma “longa e difícil guerra”.
“Começamos a ofensiva, que seguirá sem limitações e descanso até que os objetivos sejam cumpridos”, disse Netanyahu.
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou hoje (7), durante pronunciamento, que dará “toda a ajuda” a Israel. Um bombardeio deixou ao menos 200 mortos e mil pessoas feridas, segundo serviços de emergência israelenses citados pela imprensa local. O grupo islâmico Hamas assumiu a autoria do ataque.
O que aconteceu
Biden disse que os Estados Unidos vão garantir que os cidadãos israelenses tenham “toda a ajuda que precisarem”. “Os ataques estão matando não só soldados, mas civis nas ruas, nas casas, assassinadas. Famílias inteiras sendo levadas como reféns pelo Hamas”.
Mais cedo, Biden havia publicado em suas redes sociais que conversou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu para manifestar apoio ao país. “Disse a ele que os EUA seguem apoiando, ao lado de Israel, contra os terroristas. Israel tem o direito de se defender e a sua população também.”
O presidente norte-americano afirmou também que as imagens do ataque são “lamentáveis, com milhares de foguetes sendo lançados em algumas horas”.
O presidente disse que “não há justificativa para os ataques.” “Esse não é o momento para nenhuma parte hostil a Israel tentar levar vantagem sobre o que está acontecendo. O mundo está olhando. Conversei para garantir que Israel tenha tudo que precisar. Orientei para que minha equipe tenha contato com toda a região”, afirmou.
É uma terrível tragédia no nível humano, famílias quebradas por conta da violência. Estamos rezando pelas famílias impactadas pela violência, estamos de luto por aqueles que estão chorando por seus mortos, esperamos que se recuperem logo os feridos. Que não haja nenhuma dúvida: os Estados Unidos seguem ao lado do governo de Israel. Joe Biden
Como ocorreu o ataque
O comandante militar do Hamas, Mohammad Deif, informou que 5 mil foguetes foram lançados da Faixa de Gaza. Sirenes de alerta de bombardeios soaram no sul e no centro de Israel, inclusive em Jerusalém.
“Vários terroristas infiltraram-se no território israelita a partir da Faixa de Gaza”, informaram os militares de Israel sobre o ataque de homens armados, que teriam atirado em pedestres.
O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu convocou uma reunião de emergência com autoridades de segurança. “Estamos em guerra e venceremos”, disse o premiê israelense em pronunciamento publicado nas redes sociais. “O inimigo pagará um preço que nunca conheceu”, afirmou.
Netanyahu acrescentou que também decidiu convocar reservistas e pediu aos cidadãos israelenses que sigam as instruções de segurança.
O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, disse que o grupo islâmico palestino lançou uma “guerra” contra Israel. “Cometeu um grave erro”, afirmou.
Este é o incidente mais grave desde que Israel e o Hamas travaram uma guerra de 10 dias em 2021. O ataque ocorre no momento em que Israel marca o festival judaico de Simchat Torá, celebrando a conclusão do ciclo anual de leituras públicas da Torá.
‘Civis nunca devem ser alvo de ataques’, diz ONU
O alto comissionário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, disse em comunicado que está “chocado e horrorizado” com os relatos do ataque. “Esse ataque está causando um impacto terrível para a população israelense. Civis não devem ser alvo de ataques”, afirmou o diplomata.
Eu pontuo também que as forças israelenses responderam com ataques na Faixa de Gaza, matando ao menos cinco pessoas, segundo relatos. Eu peço que elas tomem todas as precauções para evitar mais mortes de civis. Peço uma pausa imediata na violência, e apelo que todos os lados envolvidos e países da região evitem mais derramamento de sangue. Volker Türk, alto comissionário da ONU para Direitos Humanos
Hezbollah parabeniza ‘operação heroica’ em Israel
O Hezbollah, o movimento libanês pró-Irã, parabenizou o grupo islâmico palestino Hamas por sua “operação heroica em grande escala” contra Israel.
“O Hezbollah felicita o povo palestino e os seus aliados nas Brigadas al-Qasam e no Hamas” por “esta operação heroica em grande escala” e “vitoriosa”, afirmou o partido xiita libanês em um comunicado.
O Hezbollah é um inimigo jurado de Israel e um ator importante na vida política libanesa, que mantém boas relações com o Hamas, o movimento que governa a Faixa de Gaza.
“O comando da resistência islâmica no Líbano […] está em contato direto com o comando da resistência palestina no país e no exterior, e avalia continuamente os desenvolvimentos e a condução das operações”, acrescentou o Hezbollah.
*UOL com informações da AFP, Reuters, Deutschwelle
Muhammad Al-Deif, comandante militar do grupo Hamas, convocou um levante geral contra Israel em uma mensagem gravada nesta sábado (7).
“Se você tem uma arma, use-a. Esta é a hora de usá-la – saia com caminhões, carros, machados. Hoje começa a melhor e mais honrosa história.”
O chefe do grupo disse que o ataque a Israel foi uma resposta aos ataques às mulheres, à profanação da mesquita de al-Aqsa e ao cerco a Gaza.
Muhammad apelou aos povos árabes e islâmicos para que viessem à “libertação de al-Aqsa”, a mesquita em Jerusalém.
“‘Tempestade Al-Aqsa”
O Hamas afirma ter disparado 5.000 mísseis contra Israel, segundo mensagem de Muhammad Al-Deif, gravada nesta sábado, anunciando a operação “Tempestade Al-Aqsa”. Ele afirmou que o grupo militante palestino “alvejou as posições inimigas, aeroportos e posições militares com 5.000 foguetes”.
Forças de Defesa de Israel mobilizam soldados e declaram “alerta de estado de guerra”. A Defesa também disse que o Hamas “enfrentará as consequências”.
Vítimas do ataque
Pelo menos 100 pessoas ficaram feridas em Israel nos ataques, segundo dados de dois hospitais.
Pelo menos 80 pessoas com vários graus de ferimentos foram transferidas para o Soroka Medical Center, um importante centro médico na cidade de Be’er Sheva, no sul de Israel, informou o hospital em comunicado.
O Centro Médico Kaplan em Rehovot, uma cidade no centro de Israel, disse que está tratando pelo menos 21 pessoas feridas no sábado, incluindo duas em estado grave, quatro em estado moderado e 15 com ferimentos leves.
Alguns dos feridos sofreram ferimentos de bala. Outros foram feridos por estilhaços, disse o Centro Médico Kaplan.
Incidente ocorreu às 1h25 da manhã deste sábado (16). Palácio atualmente está em obras, e rei Charles III estava na Escócia.
Uma raposa passa correndo pelo Palácio de Buckingham no primeiro aniversário da morte da Rainha Elizabeth II, em Londres, em foto de 8 de setembro de 2023. — Foto: REUTERS/Hollie Adams/File Photo
A polícia de Londres prendeu um homem de 25 anos neste sábado (16), depois de ele ter sido visto escalando os Estábulos Reais adjacentes ao Palácio de Buckingham, no Reino Unido.
Os agentes de segurança foram alertados à 1h25 da manhã no horário local após relatos de que o homem estava invadindo o edifício, que faz parte dos jardins do Palácio.
A polícia informou ainda que o homem foi detido do lado de fora do prédio, onde é administrada toda a organização de viagens terrestres do Rei Charles III e de outros membros da família real britânica.
O Palácio de Buckingham, que tem cerca de 300 anos, atualmente está em obras, e, na ocasião do incidente, o monarca britânico estava na Escócia.
A campanha de Donald Trump afirma ter arrecadado US$ 7,1 milhões (cerca de R$ 35 milhões) desde que o ex-presidente foi fichado em uma prisão de Atlanta na quinta-feira (24).
Foto: Fulton County Sheriff’s Office.
O total de arrecadação de fundos de Trump nas últimas três semanas, após sua acusação em Washington e depois sua rendição e fichamento na prisão do condado de Fulton, em Atlanta, na Geórgia, está perto de US$ 20 milhões (R$ 100 milhões), disse um funcionário da campanha de Trump.
Na sexta-feira (25), um dia após sua prisão na Geórgia, Trump arrecadou US$ 4,18 milhões (cerca de R$ 21 milhões), o dia de maior faturamento de toda a campanha, disse a fonte.
Os números da arrecadação de fundos foram divulgados primeiro pelo Politico.
Após a prisão de Trump, sua campanha começou imediatamente a vender mercadorias com a foto do ex-presidente. As vendas contribuíram para o total arrecadado, segundo a fonte.
Analistas avaliam possíveis cenários para o grupo Wagner e para a própria política externa da Rússia no curto, médio e longo prazo após a morte de Prigozhin.
Prigozhin estava liderando uma expansão do grupo Wagner pelo mundo. Sua morte interromperá isso? — Foto: REUTERS
Yevgeny Prigozhin passou quase uma década construindo o grupo mercenário Wagner.
O grupo se tornou fundamental na campanha da Rússia na guerra na Ucrânia. As tropas de Prigozhin também ajudaram a Rússia a espalhar sua influência por outros países, apoiando aliados do presidente Vladimir Putin na África e na Síria.
Agora, a morte de Prigozhin gerou uma onda de especulações sobre o futuro do grupo. As autoridades de segurança ocidentais se questionam sobre quem ocupará o lugar dele e o que acontecerá com os mercenários que ele outrora liderou.
Quem será o próximo líder?
A doutora Joana de Deus Pereira, pesquisadora sênior do instituto Royal United Services Institute (Rusi), disse ao programa World Tonight da BBC que a morte de Prigozhin provavelmente levará a “alguma reformulação” do grupo.
Mas Pereira acredita que, em linhas gerais, as operações do grupo Wagner provavelmente continuarão da mesma forma que sob a liderança de Prigozhin.
“A organização continuará no futuro provavelmente com outro nome, mas ela já provou que tem capacidade de adaptação e de transformação”, diz ela.
“Temos que olhar para o grupo Wagner não apenas como [centrada em] um único homem, mas como um ecossistema, como uma hidra com muitas cabeças e muitos interesses variados na África.”
Ruslan Trad, analista de segurança do centro de pesquisas Atlantic Council, concorda. Ele diz à BBC que a morte de Prigozhin provavelmente fará com que alguém com conexões com o serviço de inteligência militar da Rússia seja colocado para liderar o grupo em seu lugar.
Mas, para Trad, o principal desafio de Putin será encontrar alguém com recursos suficientes para financiar as operações paramilitares sem que isso represente um enorme gasto para Moscou.
“Eles tentarão encontrar um novo financiador porque Prigozhin era a principal pessoa com dinheiro lá”, afirma Trad.
“Acho que será mais difícil encontrar um novo financiador porque [o Wagner] tem bons comandantes, mas o dinheiro é importante aqui. Talvez eles [coloquem] alguém do círculo próximo a Putin.”
Benoît Bringer, jornalista cujo documentário The rise of Wagner (“A ascensão de Wagner”, em tradução livre) traçou a ascensão dos mercenários, disse à BBC que um dos principais candidatos à liderança do Wagner é o general do Departamento Central de Inteligência Andrey Averyanov.
“É provável que Putin precisasse de tempo para organizar secretamente a transição. Isto explicaria por que ele esperou dois meses para se livrar de Prigozhin”, acrescentou.
Emily Ferris, também do Rusi, observa que Moscou “provavelmente terá aprendido a lição de que personalidades como Prigozhin, com suas próprias ambições perigosas, são uma carta arriscada”.
Ela acrescenta que “qualquer novo líder [do Wagner] provavelmente será alguém escolhido a dedo pelo Kremlin”.
O que acontecerá com as tropas Wagner em Belarus e na Ucrânia?
Durante grande parte do ano passado, o grupo Wagner foi a força de combate mais eficaz da Rússia na Ucrânia, com suas tropas tomando com sucesso as cidades de Soledar e Bakhmut após batalhas sangrentas.
Mas Ferris avalia ser improvável que a morte de Prigozhin tenha um impacto sério no curso da guerra.
“As tropas Wagner têm estado fora de ação na Ucrânia desde a rebelião [liderada por Prigozhin no final de junho, motivada por críticas ao Kremlin], então ou suas tropas ficaram em Belarus, ou foram absorvidas de volta pelo Ministério da Defesa”, explica a especialista.
“Por isso, o impacto imediato na guerra na Ucrânia, onde as forças russas ainda estão contendo a contraofensiva ucraniana, provavelmente será mínimo por enquanto.”
Ferris acrescenta que parece ser improvável que as tropas Wagner regressem ao campo de batalha na Ucrânia, pelo menos a curto prazo.
Cerca de 8.000 soldados do grupo Wagner estariam baseados em campos em Belarus, tendo seguido Prigozhin até lá após sua revolta fracassada de junho.
Entretanto, imagens de satélite analisadas pela BBC Verify (setor de checagem e verificação da BBC) mostram que várias das tendas do principal acampamento Wagner em Osipovichi, em Belarus, estão sendo desfeitas. Algumas foram total ou parcialmente removidas.
As imagens foram capturadas pela empresa Planet Labs, com sede nos EUA. Não está claro exatamente quando os trabalhos começaram e se os ocupantes das tendas estão alojados em outro local de Belarus ou se já deixaram o país.
O grupo de mídia Radio Free Europe/Radio Liberty, financiado pelos EUA, informou na quinta-feira (24/08) que 101 das 273 tendas do acampamento já haviam sido desmontadas.
Belarus, um importante aliado russo na invasão da Ucrânia, não se posicionou publicamente até agora sobre o assunto.
Ainda assim, o futuro dos combatentes do Wagner não é claro. Alguns relatos nas redes sociais sugerem que vários soldados fizeram ameaças explícitas contra Putin, pelo que alegaram ter sido o papel do presidente russo na morte de Prigozhin.
As tropas Wagner na África e na Síria poderão continuar lutando?
Igualmente incerto é o futuro das tropas Wagner em outros países. O grupo tornou-se um pilar fundamental da política externa russa, com seus combatentes ajudando a apoiar governos na Síria, no Mali, na República Centro-Africana e na Líbia em troca de lucrativos direitos de exploração mineral.
Acredita-se que Prigozhin tenha estado na África Ocidental muito recentemente. Analistas acreditam que o grupo esteja tentando alargar o seu alcance a outros países, incluindo o Níger, onde acaba de ocorrer um golpe de Estado.
Alguns especulam que a morte do líder do grupo pode forçar a Rússia a reavaliar seus esforços para influenciar na região, mas muitos especialistas acreditam que o comando descentralizado do grupo no continente deve permitir-lhe continuar as suas operações no continente sem maiores percalços por conta da morte de Prigozhin.
Há relatos de que, após o motim de junho, oficiais russos teriam viajado para a Líbia para se encontrarem com Khalifa Haftar, o general renegado que desafia o governo reconhecido pelas Nações Unidas em Trípoli. Os russos teriam assegurado a continuidade do apoio do grupo Wagner, independente do destino de Prigozhin.
Trad avalia que o grupo Wagner está tão fortemente integrado à infraestrutura de defesa de países africanos que as suas operações não seriam perturbadas pela morte de Prigozhin.
“Os comandantes baseados na Síria, na República Centro-Africana ou no Mali já têm modelos muito bons e têm autonomia para agir”, avalia o especialista.
“Os comandantes locais não serão afetados porque as operações são conduzidas separadamente, têm recursos diferentes. Mesmo agora, estão recrutando para operações na Síria e na África”.
Para o analista, o relacionamento do grupo com a inteligência russa continuaria sendo uma ferramenta valiosa para Moscou, permitindo-lhe operar na “zona cinzenta” — onde se pode trabalhar pelos interesses da Rússia e ao mesmo tempo permitir que as autoridades neguem oficialmente o envolvimento.
Bringer afirma que o grupo Wagner é “essencial na África” para os interesses russos.
“A estrutura certamente continuará a existir lá, talvez não mais sob o nome de Wagner, mas com um novo chefe leal ao Kremlin”, avalia.
Anton Mardasov, acadêmico no programa sobre a Síria do Instituto do Oriente Médio Oriente, diz que após a revolta fracassada de Prigozhin na Rússia, os comandantes do grupo Wagner no estrangeiro escaparam às represálias do Kremlin para que a “posição de Moscou não fosse enfraquecida”.
Mas ele lembra que outros grupos mercenários rivalizam cada vez mais com as tropas Wagner na Síria. Após o motim de junho, foi oferecida a vários soldados do Wagner a transferência para um grupo concorrente chamado PMC Redut, diz Mardasov.
“O Redut trabalha na Síria em paralelo com o Wagner há muito tempo”, explica o especialista à BBC. “É com o Redut que os militares apostam na Síria, mas eles tinham medo de passos rápidos”.
O grupo Wagner desaparecerá da memória?
A médio prazo, portanto, parece improvável que as operações do grupo Wagner sejam significativamente afetadas pela morte de seu líder. Mas, a longo prazo, as operações da organização parecem destinadas a tornar-se algo novo, analisa Emily Ferris, da Rusi.
“O mais provável é que o Wagner se divida em dois, com as tropas restantes em Belaurs e sem liderança dissolvidas, e outra facção ativa no estrangeiro, que pode se transformar em uma ferramenta da política externa russa.”
Quanto ao legado de Prigozhin, Bringer diz que o grupo Wagner demonstrou “ao Kremlin como um exército privado obscuro, capaz de operar totalmente fora da lei, pode ser útil nas suas guerras híbridas, bem como para ganhar influência no exterior”.
“O nome Wagner pode desaparecer, mas não os mercenários em campo e nem o método que ele criou.”
Líder do grupo Wagner morre em acidente de avião na Rússia: conheça outras mortes suspeitas de opositores de Putin
A cervejaria espera ter uma perda total de € 300 milhões (R$ 1,58 bilhão) com o negócio. O Grupo Arnest assumiu a responsabilidade pelos 1.800 funcionários da Heineken na Rússia, e garantiu que manterá os empregados nos próximos três anos.
Garrafas de cerveja da marca Heineken — Foto: REUTERS/Daniel Becerril
O grupo holandês de cerveja Heineken anunciou nesta sexta-feira (25) a conclusão da venda de suas operações na Rússia ao Grupo Arnest. A empresa vendeu toda sua operação por apenas 1 euro (R$ 5,26).
O anúncio da saída ocorreu em 28 de março de 2022. À época, a empresa disse que estava muito chocada e triste ao “observar que a guerra na Ucrânia continua e está se intensificando”. O conflito na Ucrânia acontece há aproximadamente 1 ano e meio.
A cervejaria espera ter em uma perda total de € 300 milhões (R$ 1,58 bilhão) com o negócio. Vale destacar que segundo a agência de notícias holandesa ANP, o mercado russo respondia por menos de 2% das vendas mundiais da Heineken, quando decidiram sair do país.
“Em resposta à contínua escalada da guerra, a Heineken vai interromper a produção, a promoção e a venda de sua marca na Rússia”, disse o CEO do grupo, Dolf van den Brink, em comunicado divulgado um mês após começar a guerra na Ucrânia.
O Grupo Arnest assumiu a responsabilidade pelos 1.800 funcionários da Heineken na Rússia, e garantiu que manterá os empregados nos próximos três anos. Além disso, a produção da Amstel será descontinuada dentro de 6 meses na Rússia.
Centenas de empresas ocidentais fecharam suas lojas e escritórios na Rússia desde o início da guerra.
Em nota, a Heineken disse que: o Grupo Arnest possui um importante negócio de embalagens de latas e é o maior fabricante russo de cosméticos, utensílios domésticos e embalagens metálicas para o setor de bens de consumo rápidos
“Concluímos agora a nossa saída da Rússia. Os desenvolvimentos recentes demonstram os desafios significativos enfrentados pelas grandes empresas industriais ao saírem da Rússia. Embora tenha demorado muito mais tempo do que esperávamos”, afirmou o Dolf van den Brink, em nota.