Ofensiva contra milícias xiitas ligadas ao Irã ocorre em retaliação à morte de três soldados norte-americanos, em bombardeio à base Torre 22, no nordeste da Jordânia, em 28 de janeiro
Os Estados Unidos atacaram, na noite desta sexta-feira (horário local), alvos ligados a milícias xiitas pró-Irã na Síria. A ofensiva militar foi uma primeira retaliação à morte três soldados norte-americanos, durante bombardeios de drones à Torre 22, uma base militar usada pelos Estados Unidos no nordeste da Jordânia, na fronteira com a Síria. Drones atingiram o alojamento da Torre 22, no domingo (28/1). A organização não-governamental Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) informou que seis combatentes pró-iranianos foram mortos na onda inicial de resposta dos Estados Unidos.
Na última quinta-feira, o secretário da Defesa dos EUA, Lloyd Austin, tinha confirmado que os planos de retaliação estavam aprovados e que o início dos ataques dependia apenas das condições climáticas na região. Por sua vez, o presidente Joe Biden havia sinalizado que não desejava uma escalada do conflito no Oriente Médio. O ataque à Síria ocorreu poucas horas depois de Biden receber os corpos dos três soldados na Base Aérea Dover, em Delaware.
Na quarta-feira (31), Christopher Wray, diretor do FBI, a agência nacional de investigações dos Estados Unidos, emitiu um alerta destacando que hackers chineses estão se mobilizando para provocar impactos significativos e danos concretos nos Estados Unidos.
“Os hackers da China estão se posicionando na infraestrutura americana, se preparando para causar estragos e danos no mundo real aos cidadãos e comunidades americanas, se ou quando a China decidir que chegou a hora de atacar”, disse Wray ao Comitê Selecionado da Câmara sobre o Partido Comunista Chinês.
Embora as autoridades cibernéticas tenham advertido anteriormente sobre as capacidades cibernéticas ofensivas da China, o alerta público de Wray sublinha o enorme nível de preocupação no topo do governo dos EUA sobre a ameaça que eles representam para infraestruturas críticas em todo o país.
O chefe da Agência de Segurança Nacional dos EUA e outros funcionários de alto escalão também comentaram sobre a atividade cibernética chinesa.
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Os hackers apoiados pelo governo chinês, segundo Wray, têm como alvo, entre outras coisas, estações de tratamento de água, infraestrutura elétrica, oleodutos e gasodutos.
Eles estão trabalhando “para encontrar e se preparar para destruir ou degradar a infraestrutura civil crítica que nos mantém seguros e prósperos. E sejamos claros: as ameaças cibernéticas à nossa infraestrutura crítica representam ameaças do mundo real à nossa segurança física”, destacou o diretor do FBI.
O governo chinês negou acusações sobre hackeamento.
Esforços para aliviar tensão entre os EUA e China
A sessão na Câmara ocorre simultaneamente a significativos esforços por parte das autoridades dos Estados Unidos e da China para reduzir as tensões nas relações entre as duas superpotências.
Durante uma reunião em novembro do ano passado, o presidente chinês, Xi Jinping, assegurou pessoalmente ao presidente dos EUA, Joe Biden, que a China não interferiria nas eleições de 2024, conforme revelou com exclusividade a CNN nesta terça-feira (30).
Essa garantia foi reafirmada pelo ministro das Relações Exteriores chinês ao conselheiro de segurança nacional de Biden no último final de semana, conforme informaram fontes à CNN. As autoridades norte-americanas estarão atentas para verificar se Xi Jinping mantém sua palavra.
Questionado sobre essa garantia na audiência desta quarta, Wray disse: “A China prometeu muitas coisas ao longo dos anos, por isso acho que acreditarei [somente] quando acontecer”.
O foco da sessão não foram as eleições nos EUA, mas a forma como os hackers chineses estão supostamente se infiltrando em redes informáticas em portos, centrais energéticas e outras infraestruturas importantes no país.
“A verdade é que os ciberatores chineses tiraram partido de falhas muito básicas na nossa tecnologia. Facilitamos as coisas para eles”, ponderou Jen Easterly, que lidera a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos EUA, aos legisladores.
“Infelizmente, a tecnologia que sustenta a nossa infraestrutura crítica é inerentemente insegura, porque há décadas os desenvolvedores de software não são responsabilizados por tecnologias defeituosas”, afirmou Easterly.
“Isso levou a incentivos onde os recursos e a velocidade de lançamento no mercado foram priorizados em relação à segurança, deixando nossa nação vulnerável à invasão cibernética. Isso tem que parar”, complementou.
O foco na prevenção de campanhas prejudiciais do governo chinês e de hackers tem sido destacado tanto pelo FBI quanto pelo Departamento de Justiça. Segundo a CNN, nos últimos meses, autoridades federais utilizaram uma ordem judicial para permitir que o Departamento de Justiça remova códigos maliciosos ou proteja centenas de dispositivos nos EUA relacionados à campanha de hackers chineses contra a infraestrutura americana.
Apesar desses esforços, suspeita-se que os hackers estejam profundamente infiltrados na infraestrutura dos Estados Unidos. A iniciativa do Departamento de Justiça e do FBI faz parte de uma abordagem mais abrangente do governo para minimizar o impacto das ações dos hackers chineses. As autoridades dos EUA expressam preocupação de que tais ataques possam prejudicar uma possível resposta militar americana em caso de uma invasão chinesa a Taiwan.
Acredita-se que os hackers estejam utilizando o acesso a alguns dispositivos para penetrar em infraestruturas críticas, como portos e redes de transporte. Um dos desafios enfrentados pelas autoridades americanas é o grande número de agentes cibernéticos chineses em comparação com os do FBI, sendo estimado que superem em pelo menos 50 para 1.
Além disso, o general Paul Nakasone, chefe da Agência de Segurança Nacional, destacou perante legisladores que expulsar os hackers das redes críticas dos EUA é uma preocupação constante.
“Precisamos ter uma vigilância contínua. Esta não é uma ameaça periódica que vamos enfrentar. Isso é persistente”, disse Nakasone.
Wray comentou que os esforços da China vão além da tecnologia, alertando que “eles visam as nossas liberdades, alcançando dentro das nossas fronteiras, através da América, para silenciar, coagir e ameaçar os nossos cidadãos e residentes”.
Benjamin Netanyahu diz que UNRWA está ‘totalmente infiltrada’ pelo Hamas; funcionários do órgão são acusados de envolvimento nos ataques de 7 de outubro
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu o fim da missão da UNRWA | Reprodução/Redes sociais
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu nesta quarta-feira, 31, o fim da missão da Agência de Assistência e Obras das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA, na sigla em inglês).
“É momento de a comunidade internacional e a ONU [Organização das Nações Unidas] entenderem que a missão da UNRWA tem de terminar”, afirmou Netanyahu a uma delegação de embaixadores da ONU.
É a primeira vez que o primeiro-ministro pede o fim da missão. Ele também ressaltou que a agência foi “totalmente infiltrada” pelo Hamas.
Primeiro-ministro de Israel quer o fim de agência
Netanyahu insistiu recorrer a “outras agências da ONU e outras organizações humanitárias” para substituir a UNRWA.
Depois da investigação de funcionários acusados de envolvimento nos atos terroristas do Hamas em 7 de outubro, vários países deixaram de financiar a agência.
Benjamin Netanyahu declarou que muitas alegações feitas nas acusações de genocídio apresentadas pela África do Sul no Tribunal de Haia foram apresentadas por funcionários da agência da ONU | Foto: Kobi Gideon, GPO
O primeiro-ministro ressaltou que a ONU não tem sido uma “organização estelar” em relação a Israel.
De acordo com Netanyahu, muitas alegações feitas nas acusações de genocídio apresentadas pela África do Sul contra o governo israelense na Corte Internacional de Justiça foram apresentadas por funcionários da UNRWA.
“A pior coisa que posso dizer é isto: que muitas das acusações são falsas e infundadas, que foram levantadas contra nós em Haia [nos Países Baixos]”, afirmou. “Foram apresentadas por funcionários da UNRWA.”
Sherri Ann Charleston teria plagiado estudo do próprio marido
Sherri Ann Charleston teria feito plágios desde 2009 | Foto: Divulgação/Harvard
Sherri Ann Charleston, diretora de diversidade e inclusão da Universidade Harvard, foi alvo de 40 acusações de plágio relacionadas ao seu trabalho acadêmico, incluindo uma alegação de que ela não teria citado adequadamente um estudo de seu próprio marido.
Na última segunda-feira, 29, Harvard recebeu uma reclamação anônima com uma lista de ao menos 40 exemplos de suposto plágio de Sherri. Os exemplos datam de 2009, uma década antes de ela ingressar na universidade da Ivy League.
Harvard tem passado por várias polêmicas recentes. Há algumas semanas, a presidente da universidade, Claudine Gay, renunciou ao cargo depois de não combater o antissemitismo no campus e também ser acusada de plágio.
Sherri Ann Charleston teria plagiado estudo do próprio marido em 2014
A reitora da Universidade Harvard, Claudine Gay, pediu desculpa pelos comentários antissemitas durante audiência no Congresso dos Estados Unidos | Foto: Reprodução/X/Twitter
Segundo o portal conservador The Washington Free Beacon, que fez uma análise própria da queixa, Sherri Ann Charleston citou ou parafraseou uma dúzia de acadêmicos sem atribuição adequada na sua dissertação na Universidade de Michigan em 2009.
Em 2014, ela teria feito plágio de um estudo de seu marido, LaVar Charleston, produzido em 2012. LaVar Charleston é vice-reitor para diversidade e inclusão da Universidade de Wisconsin-Madison, segundo o jornal The New York Post.
“Você não pode simplesmente republicar um artigo antigo como se fosse um artigo novo”, disse Lee Jussim, psicólogo social da Universidade Rutgers ao veículo. “Se você fizer isso, isso não é exatamente plágio; é mais como uma fraude.”
Representantes de Harvard ainda não confirmaram se estão investigando as alegações. A queixa também foi apresentada à Universidade de Michigan e à Universidade de Wisconsin-Madison.
O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, afirmou, nesta terça-feira (30), que as tropas “estão prontas e preparadas para uma campanha no norte”, após semanas de fogo cruzado com o Hezbollah na fronteira libanesa após o início da guerra em Gaza.
– Chegará o momento em que a nossa paciência acabará e teremos que agir com contundência para impor a paz na fronteira norte – disse Gallant em seu perfil na rede social X, ex-Twitter, durante uma avaliação da linha de frente na cidade de Haifa, no norte de Israel.
Isto será feito “para mudar a situação de segurança e a segurança dos cidadãos de Israel”, acrescentou o ministro, advertindo que uma campanha militar “seria complexa para Israel, mas devastadora para o Hezbollah e o Líbano”.
Nesta terça pela manhã, aviões de guerra israelenses realizaram ataques contra um “centro de comando do Hezbollah e um posto de observação”, segundo um comunicado militar, na cidade de Khiam, no sul do Líbano.
Pouco antes, um projétil lançado do Líbano atingiu as proximidades de Arab al-Aramshe, uma comunidade localizada a algumas centenas de metros da fronteira, onde, segundo o Exército israelense, “não houve relatos de feridos”.
O risco de um confronto aberto entre Israel e Hezbollah é cada vez mais elevado após 115 dias de fogo cruzado na fronteira, que vive seu pico de tensão mais elevado desde a guerra de 2006 e onde já morreram mais de 230 pessoas, a maioria nas fileiras do Hezbollah, que confirmou 176 vítimas, algumas na Síria.
Do lado israelense, 18 pessoas morreram na fronteira norte, incluindo 12 soldados e seis civis, enquanto no Líbano morreram cerca de 20 membros de grupos insurgentes palestinos, um soldado e 23 civis (incluindo três crianças e três jornalistas).
O empresário Elon Musk anunciou, nesta segunda-feira (29), que um paciente humano recebeu o primeiro implante de chip cerebral da Neuralink. A informação foi divulgada por meio do próprio perfil do bilionário no X, antigo Twitter. De acordo com Musk, o procedimento foi realizado no último domingo (28).
Ainda segundo o bilionário, o primeiro produto da Neuralink foi batizado de Telepathy (Telepatia, em português) e permite que humanos controlem quase qualquer dispositivo eletrônico apenas com o pensamento. Musk disse que os primeiros usuários serão aqueles que perderam o uso dos membros.
– Imagine se Stephen Hawking pudesse se comunicar mais rápido do que um digitador rápido ou um leiloeiro. Esse é o objetivo – destacou.
Os estudos com implantes cerebrais em humanos já tinham sido autorizados em maio do ano passado pela Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês). Quatro meses depois, a empresa abriu inscrições para voluntários.
No estudo da Neuralink, um robô introduz um implante de Interface Cérebro-Computador (ICC) por meio de um procedimento cirúrgico. O dispositivo é inserido em uma região do cérebro que controla a intenção de movimento. No primeiro teste, o objetivo da empresa será avaliar segurança do implante e do próprio robô que fez o procedimento cirúrgico.
O Papa Francisco afirmou nesta segunda-feira (29) que “está pronto para iniciar um diálogo” com o presidente e conterrâneo argentino, Javier Milei.
“Sei que ele pediu um encontro para conversar comigo. Eu aceitei e é por isso que nos veremos. E estou pronto para iniciar um diálogo, conversar e ouvir com ele”, declarou Francisco em entrevista ao jornal italiano La Stampa.
Segundo o jornal, o encontro dos dois deve ocorrer em fevereiro.
Ainda na entrevista de hoje, o líder religioso também afirmou que não ficou chateado com as críticas de Javier Milei durante a campanha presidencial do país vizinho.
“As palavras na campanha eleitoral vão e vêm”, afirmou.
Durante a campanha eleitoral que culminou na vitória de Milei, o então candidato à Presidência chamou o papa, de “imbecil que defende a justiça social” e “representante maligno”. Sobre o caso, Javier afirmou ter se desculpado com o pontífice.
Criadas por inteligência artificial, imagens pornográficas falsas de Taylor Swift viralizaram nas redes sociais e revoltaram fãs da cantora e até políticos americanos. Uma das imagens foi vista 47 milhões de vezes no X (ex-Twitter) antes de ser removida. Segundo a imprensa americana, a publicação ficou visível na plataforma por aproximadamente 17 horas, na semana passada.
Os tais “deepfakes” (imagens falsas, mas extremamente realistas) pornográficos de celebridades não são novidade. Contudo, ativistas e autoridades estão preocupados que ferramentas fáceis de usar, que utilizam inteligência artificial (IA) generativa, criem uma avalanche incontrolável de conteúdo tóxico ou prejudicial.
“O único lado positivo de isso ter acontecido com Taylor Swift é que ela provavelmente tem poder suficiente para aprovar uma legislação que acabe com isso. Vocês estão doentes”, escreveu a influenciadora Danisha Carter no X — rede social que é uma das maiores plataformas de conteúdo pornográfico do mundo.
Em comunicado, o X esclareceu que “publicar imagens de nudez não consensual (NCN) é estritamente proibido” em sua plataforma. E completou: “Temos uma política de tolerância zero para esse tipo de conteúdo”.
Já Yvette Clarke, congressista democrata de Nova York que apoiou uma lei para combater fotos pornográficas falsas, ressaltou que “com os avanços em IA, criar deepfakes está mais fácil e barato”. E Tom Keane, legislador republicano, alertou que “a tecnologia de IA está avançando mais rápido do que as barreiras necessárias”.
O presidente da LVMH tem atualmente patrimônio líquido de US$ 207,6 bilhões e o CEO da Tesla, de US$ 204,7 bilhões
Foto: Redes Sociais
O francês Bernard Arnault tornou-se o homem mais rico do mundo nesta sexta-feira (26), após as ações do grupo de artigos de luxo LVMH terem subido 13% na manhã de sexta. Com isso, o patrimônio líquido do bilionário atingiu US$ 207,8 bilhões (R$ 1,02 trilhão), devido ao acréscimo de US$ 23,6 bilhões (R$ 115,9 bilhões) com a subida das ações, de acordo com o ranking da revista Forbes.
A alteração é decorrência do momento atravessado pelas principais empresas dos dois bilionários. Na quinta-feira (25), o grupo LVMH anunciou um recorde de vendas e faturamento ao atingir 86 bilhões de euros (cerca de US$ 93,4 bilhões ou R$ 458,69 bilhões) e 15,2 bilhões de euros (US$ 16,5 bilhões ou R$ 81,03 bilhões), respectivamente. Em vendas, houve aumento de 9% em relação ao ano anterior, enquanto o lucro líquido cresceu 8%.
O LVMH controla marcas como Louis Vuitton, Christian Dior, Tiffany, Tag Heuer e Chandon. Na semana, Arnault também divulgou que dois de seus filhos (Alexandre, 31, e Frédéric, 29) entraram no conselho de administração do grupo. Os cinco filhos do bilionário também são responsáveis por dirigirem empresas do conglomerado.
Por outro lado, Musk viu as ações da Tesla despencarem mais de 12% em valor de mercado na quinta-feira, um dia depois de o bilionário divulgar que o crescimento de vendas da fabricante de carros elétricos diminuirá neste ano e que irá priorizar a fabricação de um novo modelo.
A desvalorização resultou na perda de US$ 80 bilhões (R$ 392,88 bilhões) em apenas um dia para a empresa, sendo que Musk viu o patrimônio líquido cair US$ 18 bilhões (R$ 88,39 bilhões), de acordo com a Forbes.
“As manchetes da Tesla foram essencialmente de mal a pior”, disseram os analistas da TD Cowen, observando que a receita e o lucro do quarto trimestre também ficaram abaixo das expectativas. A Tesla também perdeu o posto de líder em vendas no ramo, sendo ultrapassada pela BYD. Musk também enfrenta problemas no X, que é alvo de questionamentos sobre o seu combate à desinformação.
Com esta mudança, Arnault volta a liderar o ranking da Forbes após sete meses. Ele esteve na frente da lista em quase todo o primeiro semestre de 2023, sendo ultrapassado por Musk em 8 de junho de 2023.
Veja a lista dos dez mais ricos do mundo, segundo a Forbes:
A China está consolidando sua posição na liderança do desenvolvimento ferroviário global, inaugurando recentemente a primeira linha de alta velocidade construída sobre água. Em apenas uma década, o país asiático construiu quase 40 mil km de estradas de alta velocidade, ultrapassando o restante do mundo combinado, e tem como meta atingir 70 mil km até 2035.
A nova linha ferroviária, com 277 km de extensão, conecta as cidades costeiras de Fuzhou, Zhangzhou e Xiamen, na região de Fujian, próxima ao Estreito de Taiwan. A escolha estratégica desta rota está relacionada ao papel geopolítico de Fujian, que é a parte da China continental mais próxima da ilha autônoma de Taiwan.
A velocidade máxima dos trens nesta rota é de 350 km por hora, atravessando 84 pontes e 29 túneis, com uma seção de 20 km sobre o mar utilizando robôs inteligentes e aço resistente à corrosão. O projeto enfrentou desafios devido à geografia montanhosa do terreno.
A China Railway, operadora ferroviária estatal, destaca que a obra faz parte da iniciativa ferroviária “Oito Horizontais e Oito Verticais”, lançada em 2016, que promove diversos projetos de infraestrutura ferroviária.
A diferença no nível de desenvolvimento ferroviário entre a China e o resto do mundo é atribuída, em parte, aos custos de investimento mais baixos no país asiático. Enquanto um quilômetro de ferrovia de alta velocidade custa entre 15 e 18 milhões de euros na China, na Europa o custo varia entre 22 e 34 milhões de euros. Especialistas apontam que a China pode mobilizar mão de obra e materiais de construção mais acessíveis, além de utilizar recursos locais, como aço e alumínio, impulsionando sua economia.
A Europa, por outro lado, enfrenta desafios para desenvolver uma rede ferroviária de alta velocidade unificada, uma vez que as iniciativas são nacionais e individuais, em vez de cooperativas internacionais. A China, ao investir em ferrovias de alta velocidade, busca não apenas conectar seu território, mas também facilitar a defesa em regiões autônomas e demonstrar seu poder tecnológico global.
Desde a inauguração da primeira rota de comboios de alta velocidade em 2003, a China se tornou líder no transporte ferroviário, superando outros meios de transporte em número de viagens, e cancelando até voos diretos em algumas rotas devido à preferência pelo transporte ferroviário.