Israel impõe toque de recolher no sul do Líbano e pede calma no retorno para casa
Pouco mais de 24 horas após o cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah entrar em vigor no Líbano, ambas as partes se acusaram nesta quinta-feira (28) de violação do acordo de trégua.
Fontes da agência de notícias Reuters no Líbano afirmaram que tanques israelenses fizeram nesta manhã duas rodadas de disparos na cidade libanesa de Markaba, no sul — pelo acordo de cessar-fogo, os dois lados se comprometaram a interromper conflitos por 60 dias e se retirar do sul do Líbano, onde os confrontos vinham acontecendo.
Já o Exército de Israel alegou que reagiu ao descobrir que veículos com suspeitos estavam em “diversas áreas” do sul do Líbano, o que “constitui uma violação” do acordo de cessar-fogo por parte do Hezbollah.
No fim da noite de quarta-feira (27), Israel impôs um toque de recolher a moradores do sul do Líbano para poder controlar a possível movimentação de tropas do Hezbollah.
A alegação de Israel de que o Hezbollah rompeu o acordo se baseia em um dos pontos mais questionados do acordo, o de que as forças israelenses poderiam reagir caso julgassem que o grupo extremista segue com operações no sul do Líbano.
Pelo acordo, as tropas dos dois lados se retirarão gradualmente do sul do Líbano, a região que faz fronteira com Israel e que é reduto do Hezbollah. Agora, tropas do próprio Exército libanês e da ONU serão responsáveis pela segurança da região, com supervisão dos Estados Unidos e da França, que mediaram o acordo.
A guerra no Líbano, que acontece desde setembro deste ano, estourou após as tensões aumentarem entre Israel e o Hezbollah, grupo extremista financiado pelo Irã que surgiu no sul do Líbano com o objetivo de lutar contra tropas israelenses.
A ideia do cessar-fogo é dar um fim gradual ao atual conflito, que, segundo o Ministério da Saúde do Líbano, já deixou mais de 3.500 civis mortos, a maioria durante bombardeios de Israel no sul e na capital Beirute.
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Já na Faixa de Gaza, onde os conflitos não cessaram, Israel bombardeou diversas áreas do território nesta quinta-feira. A ofensiva deixou 17 mortos, segundo o Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas.
Os bombardeios aconteceram em Beit Lahiya, no norte de Gaza, em Khan Younes, no extremo sul, e no campo de refugiados de Nurseirat.
Na quarta-feira, o Hamas, grupo terrorista que controlava a Faixa de Gaza antes da guerra, se disse pronto para uma trégua também em Gaza. O presidente dos EUA, Joe Biden, afirmou que faria uma nova tentativa de um acordo para o território palestino.
O produto brasileiro foi alvo de discursos depreciativos durante votação simbólica contra acordo entre UE e Mercosul
O Brasil é o maior exportador de carne bovina do planeta | Foto: Reprodução/Mapa
A Assembleia Nacional da França rejeitou, por 484 votos contra 70, o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, na noite desta terça-feira, 26. Embora o resultado não tenha efeito prático, já que os Parlamentos nacionais não têm poder para interferir nas negociações entre blocos, a votação demonstrou a união dos partidos políticos franceses. De diferentes espectros ideológicos, todos se posicionaram contra o texto.
Durante a sessão, a carne brasileira foi o principal alvo de críticas. Diversos discursos a mencionaram com termos depreciativos. O deputado Vincent Trébuchet, do partido UDR, declarou que os pratos franceses não são “latas de lixo”.
“Nossos agricultores não querem morrer e nossos pratos não são latas de lixo”, disse o parlamentar.
Antoine Vermorel-Marques, deputado dos Republicanos, fez uma comparação entre a tradicional vaca charolesa francesa, descrita como “rústica e maternal”, e os exemplares da mesma raça criados na América do Sul.
“Aglutinada em fazendas de 10 mil cabeças, engordada, condenada aos ferros, comendo soja transgênica, em um hectare onde antes havia a Floresta Amazônica, abatida sem dó nem piedade e empacotada em um cargueiro refrigerado”, enfatizou Marques. “Seu destino? Nossas mesas, nossas cantinas, vendida à metade do preço, financiada ao custo da nossa saúde, alimentada com um pesticida proibido na Europa, que fragiliza a gravidez e ataca a saúde dos recém-nascidos.”
O ministro brasileiro da Agricultura comentou o caso
No mesmo dia, o ministro brasileiro da Agricultura, Carlos Fávaro, comentou a polêmica que envolveu a carne brasileira. Ele destacou o compromisso do Brasil com sustentabilidade e transparência. Além disso, enfatizou ações como a recuperação de milhões de hectares de pastagens.
“Estamos fazendo a recuperação de 40 milhões de hectares de pastagem”, disse o ministro. “Em hipótese alguma vamos aceitar que alguém venha falar da qualidade de nosso produto, que venha deturpar o que fazemos com excelência.”
A deputada Hélène Laporte, do partido RN, criticou a competitividade do modelo brasileiro. Ela atribuiu essa vantagem ao desmatamento, ao uso intensivo de antibióticos e à concentração do mercado. Segundo Laporte, mesmo a pequena cota de carne do Mercosul prevista no acordo, inferior a 2% do consumo europeu, poderia desestabilizar o mercado francês.
“Uma ultraconcentração da produção, com três empresas que dividem 92% da produção destinada à exportação”, comentou a deputada. “Desmatamento maciço e uso de antibióticos sem moderação. Vamos usar a pecuária brasileira como modelo? Para o RN, a resposta é não.”
A França discutirá o acordo nesta quarta-feira, 27, de forma simbólica
Nesta quarta-feira, 27, o Senado francês também discutirá o acordo. O resultado da votação será meramente simbólico. Para barrar o texto, a França precisa do apoio de quatro países que representem juntos 35% da população da União Europeia. Além da França, a Polônia já declarou oposição.
O debate, por outro lado, abordou preocupações com populações indígenas e agricultores brasileiros. Além disso, deputados reforçaram críticas ao livre-comércio e destacaram seus impactos negativos.
Por exemplo, eles mencionaram acordos recentes da União Europeia, como o que abriu o mercado para carne ovina da Nova Zelândia, e solicitaram uma revisão de termos para a importação de tomates do Marrocos. Contudo, partidos historicamente protecionistas ironizaram a adesão de outros grupos a essa posição e demonstram contradições no discurso político.
Trégua com o Hezbollah foi definida na noite desta terça-feira, com intervenção dos EUA e da França, e terá duração de 60 dias
Netanyahu agradeceu a Biden pela contribuição para o acordo | Foto: Reprodução/GPO
O gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou um cessar-fogo no Líbano nesta terça-feira, às 22h30 (horário de Israel), depois de uma votação com 10 votos favoráveis e um contra. O presidente dos Estados Unidos (EUA), Joe Biden, informou que o acordo entrará em vigor às 4h desta quarta-feira, 27, de acordo com o The Jerusalem Post.
Biden e o presidente da França, Emmanuel Macron, declararam, em uma nota conjunta, que tanto os Estados Unidos quanto a França trabalharão para garantir que o cessar-fogo seja totalmente implementado. A trégua terá duração de 60 dias.
Em declaração do gabinete, Netanyahu conversou com Biden “e o agradeceu pelo envolvimento dos EUA no processo de desenvolvimento do acordo de cessar-fogo no Líbano e pela compreensão de que Israel manterá liberdade de ação.”
Antes da definição do cessar-fogo, as Forças de Defesa de Israel (FDI) realizaram ataques em grande escala na cidade de Beirute, nesta terça-feira, 26, poucas horas antes do anúncio da trégua nos combates com o Hezbollah.
O objetivo dos bombardeios, realizados poucas horas antes do cessar-fogo, reflete a intenção de Israel de enfraquecer o grupo terrorista e pressionar pela interrupção das hostilidades.
Foram atingidos 20 alvos estratégicos em Beirute, que incluem instalações militares e infraestruturas financeiras do Hezbollah. A ofensiva foi um dos mais contundentes golpes contra a organização em semanas de intensos confrontos, relata o Israel Hayom.
Entre os alvos, estavam 13 pontos em Dahiyeh, reduto de apoio do Hezbollah, além de unidades de defesa aérea, centros de comando e controle, depósitos de armas e locais associados à infraestrutura terrorista.
Também foram atingidos sete alvos fora de Dahiyeh, entre os quais sedes e filiais da Al-Qard Al-Hassan Association (AQAH), um braço financeiro do Hezbollah, utilizado para coletar, armazenar e lavar fundos destinados a atividades terroristas.
As FDIbuscam, com isso, desestabilizar a capacidade financeira do grupo e dificultar sua compra de armamentos.
Sirenes acionadas em cidades de Israel
Do ponto de vista militar, as forças israelenses eliminaram uma célula de comando do Hezbollah no sul do Líbano. O local vinha sendo responsável por lançar ataques contra o norte de Israel, incluindo a cidade de Metula.
Durante a operação, os militares israelenses localizaram e destruíram longos mísseis anti-tanque, veículos equipados com lançadores móveis de foguetes e outros armamentos pesados.
No último domingo 24, o Hezbollah lançou cerca de 250 foguetes contra Israel. Sete pessoas ficaram feridas, em uma das maiores ofensivas recentes grupo. Alguns foguetes atingiram Tel-Aviv, no centro de Israel.
Na noite desta terça-feira em Israel, a ameaça do Hezbollah continuava presente. Sirenes forma acionadas em cidades como Hadera, segundo informações obtidas por Oeste, para alertar sobre possíveis novos bombardeios do grupo terrorista.
O governo brasileiro e a Embaixada da França tentam resolver a crise entre a rede de supermercados e a indústria de carnes
Rede Carrefour no Brasil | Foto: Divulgação/Carrefour
O CEO global do Carrefour, Alexandre Bompard, planeja emitir um pedido formal de desculpa ao ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Fávaro. Essa decisão ocorre por causa da suspensão no fornecimento de carnes por frigoríficos brasileiros ao Grupo Carrefour Brasil.
As declarações recentes de Bompard — que disse que as lojas da França não mais comercializariam carnes do Mercosul — desencadearam essa situação. O objetivo é entregar a carta diretamente ao ministro. No entanto, a entrega depende da disponibilidade em sua agenda.
O governo brasileiro e a Embaixada da Françabuscam uma solução para a crise entre o Carrefour e a indústria brasileira de carnes. Nesta segunda-feira, 25, houve avanços no diálogo. O embaixador francês Emmanuel Lenain se reuniu com o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua. Apesar disso, ainda não houve uma resolução definitiva para o impasse.
No encontro, realizado no final da tarde no ministério, Lenain teria apresentado a carta de Bompard. O embaixador deixou o local sem dar declarações à imprensa. Ele não se encontrou com Carlos Fávaro, que chegou mais tarde, depois de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto.
O boicote dos frigoríficos começou depois que Bompard anunciou que as lojas do Carrefour na França não venderiam carnes provenientes do Mercosul. Ele justificou a decisão ao mencionar o “descontentamento e a raiva” de agricultores franceses, que se opõem ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul.
Conselheiros do Carrefour no Brasil afirmaram ter recebido as declarações de Bompard com surpresa
Fávaro declarou que não solicitou ao setor de carnes a interrupção do fornecimento. No entanto, elogiou a postura firme da indústria. Conselheiros do Carrefour no Brasil afirmaram ter recebido as declarações de Bompard com surpresa. Para eles, as falas foram “pouco diplomáticas” e focadas em questões políticas, sem considerar os impactos nos negócios.
A crise escalou com a suspensão das vendas ao Carrefour Brasil e suas redes associadas. A retomada do fornecimento depende de uma retratação pública do CEO sobre a qualidade da carne brasileira, que foi questionada em suas declarações.
Apesar de alguns avanços, o teor atual da carta de Bompard não atende completamente às exigências do governo nem da indústria de carnes. O principal ponto de tensão envolve a defesa da qualidade e da sanidade das carnes brasileiras. Novas negociações estão programadas para esta terça-feira, 26, com o objetivo de alcançar um entendimento.
Marisa e o marido, Dylan, e as três filhas, Charlotte, Collins e Kendall, ainda no hospital Imagem: Arquivo pessoal
A americana Marisa Christie, de 30 anos, deu à luz trigêmeas enquanto estava clinicamente morta e não tem lembranças do parto.
O que aconteceu
A jovem mãe de Tomball, no estado do Texas, teve uma parada cardíaca no meio da cesariana.Ao acordar, o marido contou a ela que o parto havia acontecido e as crianças passavam bem. “Eu fiquei totalmente apavorada. Como eu não me lembraria de ter meus bebês?”, questionou ao site do programa Today, da rede americana NBC.
Marisa passou uma semana desacordada e quase não sobreviveu. O que a mãe não sabia é que ela havia sofrido uma embolia de fluido amniótico, uma complicação rara, mas que costuma ser fatal. Emergência aconteceu quando a médica separou a placenta do útero, logo após a retirada dos bebês. Ela parou de respirar.
Médicos fizeram manobras de ressuscitação enquanto Marisa tinha hemorragia. Enquanto o anestesista Ricardo Mora, do hospital texano Memorial Hermann The Woodlands Medical Center, tentava manter seu coração batendo, a especialista em medicina fetal Amber Samuel tentava fechar seu útero para impedir que o sangramento progredisse. Ela ainda recebeu transfusões.
Marisa Christie durante a gravidez das trigêmeas Imagem: Arquivo pessoal
Pulmões e coração artificial. O cirurgião torácico e cardiovascular Stephen Maniscalco foi chamado para colocar Marisa em uma máquina de ECMO — que substitui o funcionamento do coração e dos pulmões enquanto o corpo se recupera. Uma hora depois de seu coração ter parado, era a ECMO que circulava seu sangue.
“Clinicamente morta”. Ao veículo, o anestesista contou que Marisa “essencialmente perdeu o que consideramos todo o volume do seu sangue. Nós substituímos todo o sangue dela. Então, por 45 minutos, ela estava clinicamente morta”. No entanto, já na UTI, ela começou a sangrar novamente e os médicos levaram a mãe de volta à mesa de cirurgia.
Útero teve que ser retirado. Os médicos não queriam ter que submeter Marisa a uma cirurgia grande, especialmente com a hemorragia fora de controle, mas a única forma com que conseguiram parar o sangramento foi tirando o órgão.
Gravidez já havia tido complicação. Marisa recebeu injeções de hormônios para engravidar e acabou à espera de trigêmeas. Durante exames, médicos encontraram um quarto bebê que não sobreviveu — mas estava “roubando” sangue de uma das irmãs com que dividia o saco amniótico. Ela teve que passar por um procedimento para a remoção do falecido, porque o “fluxo inferior de sangue colocou muito estresse no coração do [outro] bebê”.
A delicada recuperação
Marisa permaneceu na UTI sedada e ainda na ECMO por uma semana. Os médicos a visitavam na esperança de ver sinais de melhora, pois temiam que houvesse dano cerebral após tantas dificuldades de circulação do sangue. “Eu precisava que ela vivesse para criar os filhos. Então era algo pessoal pra mim”, se emocionou o anestesista ao “Today”.
Marisa e Dylan com as trigêmeas e o filho mais velho, de quatro anos Imagem: Arquivo pessoal
“Sonho”. Durante este período, a equipe do hospital colocava as bebês sobre o seu peito para que as filhas e a mãe pudessem ter contato. Marisa lembra desta parte de sua internação, mas ela acreditava ser um sonho. Aos poucos, ela começou a exibir para os médicos sinais de que pudesse estar ouvindo as pessoas à sua volta.
De volta à vida. Marisa foi retirada da ECMO e acordou ainda confusa. Aos poucos, ela percebeu que o parto tinha acontecido e a experiência de seus “sonhos” era real. “A dor que senti, pensei que não tinha jeito de que aquilo não fosse real. Foi o primeiro pensamento coerente que lembro de ter”.
Mãe não sentia ligação com as filhas após o parto traumático. “Eu lembro de pensar ‘não conheço estes bebês’. É muito estranho. Parecia que elas não eram reais, que não eram minhas. Elas tinham mais de uma semana de vida quando as conheci… Demorou um pouco para ter esta conexão com elas.”
Filhas reconheciam a mãe. Enfermeiros colocavam cobertores de bebês sobre a pele da mãe quando ela estava na UTI e depois enrolavam as trigêmeas neles, para que elas pudessem saber qual era o cheiro da mãe. “Elas sabiam que eu era a mãe delas. Elas respondiam a mim quando eu falava em vez de [reagir] a outras pessoas.”
Marisa e filhas tiveram período de ajuste. A mãe voltou para casa e ficou uma semana em repouso devido aos seus ferimentos após o parto antes que a primeira das bebês recebesse alta — as trigêmeas seguiram no hospital para ganharem peso. Aos poucos, a família foi inteiramente reunida e a mãe pode recuperar as forças para cuidar delas.
O que é embolia amniótica
Quadro raro de complicação no parto. Considerada rara, a embolia amniótica é uma complicação que ocorre com uma a cada 100 mil gestantes quando o líquido amniótico, que nutre o bebê no interior da placenta, entra na corrente sanguínea da mãe.
Quando o líquido amniótico vai para a corrente sanguínea, não é apenas uma gota: ele vai em abundância. Ao chegar a algum vaso pequeno, ele obstrui a circulação.
Dois problemas ao mesmo tempo. A complicação é muito agressiva, com coágulos se formando em alguns locais e hemorragias acontecendo em outros. Isso afeta o funcionamento de coração e pulmões.
Quadro não dá nenhum sinal prévio. De repente, a mulher pode ter uma parada cardiorrespiratória: o coração para, ela começa a ter falta de ar. Mesmo ao colocar oxigênio, a paciente pode não respirar, porque os pulmões estão cheios de líquido.
Teoricamente, a embolia pode acontecer em qualquer momento da gravidez, mas é mais comum no trabalho de parto. O útero é grande, tem a circulação sanguínea e o líquido está lá, parado. Mas, no trabalho de parto isso é mexido e pode ser forçado, aumentando o risco.
Em uma cesárea, o corte da cirurgia pode abrir um vaso sanguíneo. Por isso, existe a chance de algum elemento estranho, como o líquido amniótico, entrar na corrente sanguínea.
Fatores de risco. Embora não dê para prever uma embolia durante a gestação, alguns fatores representam um risco maior para desenvolver o problema. Engordar mais de 15 kg durante a gravidez, hipertensão, diabetes gestacional e polidrâmnio, que é a quantidade aumentada de líquido amniótico, são alguns deles.
Fonte: Élvio Floresti Junior, ginecologista e obstetra formado pela Universidade Federal de São Paulo.
Capa da revista ‘Time’ mostra as realizações de Elon Musk — Foto: Ian Caldas/GloboNews/Reprodução
O bilionário Elon Musk estampa a próxima edição da revista americana “Time” com o título “Cidadão Musk — qual será o próximo tópico na lista de tarefas?”.
A capa traz os itens já cumpridos por Musk até agora, como “se tornar o homem mais rico do mundo”, “comprar o Twitter”, “lançar foguetes”, “fazer com que Donald Trump seja eleito” e “trabalhar de Mar-a-Lago”, onde o presidente eleito tem uma mansão.
Mas a lista ainda tem itens pendentes, como “reduzir US$ 2 trilhões”, meta dele no governo republicano, e “voar para Marte”.
O texto editorial questiona “Quem acabamos de eleger?”, e afirma que a chapa republicana era liderada por Donald Trump e J.D. Vance, mas um novo ator tomou o centro das atenções na corrida eleitoral e pode impactar o destino de milhões de americanos.
Agora, o escolhido de Trump para liderar uma comissão de “eficiência governamental” entra no domínio da política, liderando comícios e nomeações governamentais, moldando a agenda do próximo Presidente dos EUA.
A revista destaca que já conhecemos diversos papéis exercidos por Musk ao longo dos anos: o cara que comprou o Twitter e demitiu mais da metade da equipe, o inventor que trouxe de volta à vida o programa espacial, o fabricante de automóveis modernos.
Um dos homens poderosos do mundo, o bilionário já fez os mercados dispararem e despencarem com meras publicações nas redes sociais. Ele também é responsável por levar astronautas para fora do planeta em naves espaciais e auxiliar exércitos a avançar com os sinais de satélites desenvolvidos por empresas do bilionário.
A revista chega a recuperar capas antigas em que Musk também era o destaque da publicação. As capas de 2013, 2022 e 2023 destacam a influência de Musk, a escolha do bilionário como “personalidade do ano” e a influência dele em empresas de tecnologia.
Netanyahu discursa na Assembleia Geral da ONU, em 27 de setembro de 2024 — Foto: Reuters/Mike Segar/File Photo
Os mandados de prisão do Tribunal Penal Internacional para o premiê israelense Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant por crimes de guerra e contra a humanidade em Gaza ampliam de forma drástica o isolamento de Israel e o rótulo de pária no cenário internacional.
Na prática, o primeiro-ministro enfrentará severas restrições de viagem, semelhantes às do presidente da Rússia, Vladimir Putin, correndo o risco de ser preso se pisar num dos 124 países signatários do Estatuto de Roma, que criou o TPI.
A decisão unânime de três juízes contra líderes de um país democrático e aliado do Ocidente acaba por ser inédita nos 22 anos de existência da corte internacional.
O tribunal ordenou também a prisão de Mohammed Deif, líder militar do Hamas, que teria sido morto por Israel, sem confirmação da organização terrorista. Outros dois líderes do Hamas, Ismail Haniyeh e Yahya Sinwar, a quem o promotor do TPI, Karim Khan, pediu a prisão em maio passado, estão mortos.
Embora o TPI não tenha poderes para prender Netanyahu nem possa julgá-lo à revelia, já que para tanto depende da ação dos países-membros, a acusação de criminoso de guerra será como um fardo para o primeiro-ministro israelense.
Ele não será detido em Israel, EUA, Índia, China, Rússia e outros países que não integram o TPI, mas enfrentará constrangimentos para planejar cada viagem ao exterior, ainda que vá para países que o acolham.
Países europeus parceiros de Israel, como Alemanha, França e Reino Unido, serão obrigados a cumprir os mandados de prisão.Canadá, Holanda e Itália já fizeram saber publicamente que respeitarão a decisão do TPI.
O chefe de política externa da União Europeia, Josep Borrell, lembrou que os mandados de prisão são vinculativos para todos os estados-membros do bloco. Já o presidente da Argentina, Javier Milei, rejeitou a ação do TPI e foi solidário a Israel.
São remotas as chances de Netanyahu e Gallant acabarem sentados no banco de réus em Haia.Assim como parece ser irreal a probabilidade de o premiê ser derrubado do cargo pela ordem internacional de prisão.
Internamente ele saiu fortalecido, já que todos os partidos políticos israelenses condenaram, como injusta e infundada, a decisão do TPI. “Esses mandados são uma recompensa pelo terrorismo”, afirmou o líder da oposição, Yair Lapid, e um dos maiores desafetos do premiê.
O maior trunfo de Netanyahu ainda parece ser o apoio do maior aliado, os EUA, e a pressão que o governo americano poderá exercer sobre os países europeus para evitar que cumpram a ordem de prisão.
O premiê conta, sobretudo, com o respaldo do presidente eleito, Donald Trump, um crítico contumaz do TPI.
Em seu primeiro mandato, o ex-presidente americano autorizou sanções econômicas e restrições de viagem contra funcionários da corte internacional que investigaram tropas americanas por possíveis crimes de guerra no Afeganistão. As sanções, que incluíam o promotor Khan, foram suspensas pelo sucessor Joe Biden.
Sob esse aspecto, os EUA são o porto-seguro de Netanyahu para tentar esvaziar a ação do TPI. O atual e o ex-futuro presidente americano coincidiram na condenação dos mandados de prisão.
“Não há equivalência — nenhuma — entre Israel e o Hamas. Sempre estaremos com Israel contra ameaças à sua segurança”, afirmou Biden, com quem o premiê mantém uma relação desgastada.
Indicado por Trump para comandar o Conselho de Segurança Nacional, Michael Waltz adotou o tom ameaçador: “O TPI não tem credibilidade, e essas alegações foram refutadas pelo governo americano. Vocês podem esperar uma forte resposta ao viés antissemita do TPI e da ONU em janeiro”.
Procuradoria da Corte Internacional de Justiça pede prisão de Benjamin Netanyahu e líderes do Hamas
ABIR SULTAN/Pool via REUTERS
O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu nesta quinta-feira (21) um mandado de prisão internacional para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu por crimes de guerra.
O TPI também expediu mandados para Mohammed Deif, líder do Hamas que Israel diz já ter matado, e para o ex-ministro da Defesa de Israel Yoav Gallant, demitido há duas semanas por Netanyahu.
O TPI disse ter evidências suficientes de que todos condenados cometeram crimes de guerra por deliberadamente atacarem alvos civis, de um lado e de outro. As condenações também incluem os crimes de “indução à fome como método de guerra”, pelo lado de Israel, e “exterminação de povo”, pelo lado do Hamas.
Os mandados de prisão foram emitdos para todos os 124 países signatários do TPI — inclusive o Brasil — e significa que os governos desses países se compromentem a cumprir a sentença e prender qualquer um dos condenados caso eles entrem em territórios nacionais.
A senteça acatou um pedido da Procuradoria do tribunal feito em maio, o primeiro trâmite da Justiça internacional contra Netanyahu.
O premiê israelense ainda não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem, mas o líder da oposição, Yair Lapid, chamou o mandado de prisão a Netanyahu de “uma recompensa ao terorrismo”. O ex-primeiro-ministro israelense Naftali Benett, também criticou a decisão.
Esta reportagem está em atualização.
Pedido da Procuradoria
O pedido original de prisão de Netanyahu, Gallant foi feito em maio deste ano pelo procurador do TPI, Karim Khan, quetambém pediu a prisão emitida contra o presidente russo, Vladimir Putin. Na ocasião, Khan também pediu a prisão dos então três principais chefes do Hamas. Israel diz já ter matado os três, mas o Hamas só confirmou a morte de dois deles:
Yahya Sinwar, o ex-chefe do Hamas na Faixa de Gaza morto em Gaza por Israel;
Mohammed Deif, comandante da ala militar e quem arquitetou o ataque de 7 de outubro ao sul de Israel. Segundo o Exército israelense, ele morreu em um ataque em agosto;
Ismail Haniyeh, chefe político do grupo e que vivia no Catar, morto por Israel no Irã.
Segundo o procurador, do lado do Hamas, os seguintes crimes foram cometidos:
Exterminação de povo;
Assassinato de civis;
Sequestrar e fazer civis reféns;
Tortura;
Estupro e atos de violência sexual;
Tratamento cruel e desumano
Já do lado de Israel, Kham disse ter identificado os seguintes crimes:
Indução à fome como método de guerra;
Sofrimento deliberado na população civil;
Assassinato de civis;
Ataques deliberados a civis;
Exterminação de povo;
Perseguição e tratamento desumano.
“Agora, mais do que nunca, precisamos demonstrar coletivamente que o direito internacional humanitário, a base fundamental para a conduta humana durante o conflito, se aplica a todos os indivíduos e se aplica igualmente a todas as situações abordadas pelo meu escritório e pelo tribunal”, disse Khan.
As decisões feitas pelo TPI devem ser cumpridas por todos os 124 países signatários do acordo que criou a Corte — o Brasil é um deles.
No entanto, o tribunal não tem uma força policial que cumpra os mandados de prisão, e depende do comprometimento de cada Estado para prender um condenado que entre em seu território.
Tanto o governo de Israel quanto o Hamas criticaram a decisão do procurador do TPI.
Netanyahu criticou o pedido:
“Eu rejeito essa comparação nojenta do procurador em Haia entre a democracia de Israel e os assassinos em massa do Hamas. Que audácia você compara o Hamas, que matou, queimou, fatiou, decapitou, estuprou e sequestrou nossos irmãos e irmãs e os soldados das Forças de Defesa de Israel, que lutam uma guerra justa”.
Já o Hamas disse, em comunicado, que o pedido de Khan “iguala a vítima ao carrasco” e disseram querer que a Procuradoria anule a solicitação de prisão para seus líderes.
Outro desafio é que Israel e seu principal aliado, os Estados Unidos, não são membros do TPI, assim como a China e a Rússia.
Ao todo, 66 países decidiram não se posicionar, incluindo todos os integrantes do Brics
Brasil decidiu não se posicionar contra repressões do Irã | Foto: Foto: Ricardo Stuckert/Secom
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu se abster em uma resolução que condena o Irã pela repressão contra mulheres, pela violência usada para silenciar manifestantes e pela onda de penas de morte pelas autoridades em Teerã. Nenhum país do Brics votou por condenar o Irã na Organização das Nações Unidas (ONU).
Nesta quarta-feira, 20, a entidade analisou uma resolução de condenação apresentada por europeus e norte-americanos. O texto recebeu o apoio de 77 países e foi aprovado com os votos de outros governos de esquerda, como Chile, México, Espanha e Colômbia.
Integrante do Brics, o Irã observou que todos os seus parceiros no grupo de economias emergentes evitaram aprovar uma condenação relacionada à situação dos direitos humanos no país. Ao todo, 28 nações votaram contra a resolução, incluindo Rússia e China, que também fazem parte do bloco.
Outros 66 países decidiram pela abstenção, entre eles Brasil, África do Sul, Egito, Índia, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Arábia Saudita, todos integrantes do Brics.
No início do ano, o Itamaraty avaliou que o isolamento do Irã, defendido pelas potências ocidentais, apenas intensificaria o radicalismo em Teerã, além de acelerar o desenvolvimento de uma arma nuclear pelo país.
Em abril, por exemplo, o Brasil optou por se abster em uma votação da ONU que ampliava o mandato da entidade para investigar violações de direitos humanos no Irã, especialmente após os protestos liderados por mulheres a partir de 2022.
Essa iniciativa, contudo, foi aprovada no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, com 24 votos favoráveis, 15 abstenções e oito contrários.
Brasil justifica abstenção sobre Irã
Em um discurso nesta quarta-feira, a delegação brasileira explicou sua decisão de abstenção. Segundo o Itamaraty, o Brasil “reconhece os esforços do Irã para acolher uma das maiores populações de refugiados do mundo, com mais de 3,7 milhões de refugiados afegãos”.
O governo também mencionou a diretriz de novembro de 2023, a “Referência a convenções internacionais Convenções Internacionais de Direitos Humanos em Decisões Judiciais”.
O Itamaraty elogiou ainda “o envolvimento do Irã com os órgãos de tratados de direitos humanos, ao mesmo tempo em que reiteramos nosso apelo para que o governo iraniano também colabore com os procedimentos especiais do Conselho de Conselho de Direitos Humanos”.
Em explicação à abstenção, o Itamaraty acrescentou que “continua preocupado com os relatos de violações contra mulheres, defensores dos direitos humanos e minorias religiosas e étnicas”.
“Há também a necessidade de revogar as leis discriminatórias de gênero existentes e promover os direitos das mulheres e das meninas”, disse.
Apesar das preocupações, o Brasil optou pela abstenção.
“No entendimento de que o Irã está comprometido a fortalecer seus esforços para melhorar a situação dos direitos humanos no país, e no espírito de um diálogo construtivo, o Brasil se absterá”, completou.
Cidadãos norte-americanos estão em alerta; eles foram orientados a buscar abrigos
Embaixada dos Estados Unidos em Kiev, na Ucrânia, vai permanecer fechada nesta quarta-feira, 20 | Foto: Reprodução/X
Sob ameaça de um “forte ataque aéreo”, o governo dos Estados Unidos anunciou que a sua embaixada em Kiev, na Ucrânia, vai permanecer fechada nesta quarta-feira, 20. A medida consiste em um ato de precaução.
Um alerta de segurança foi emitido para cidadãos americanos em toda a Ucrânia, não apenas na capital, onde está localizada a representação oficial.
“A Embaixada dos EUA recomenda que os seus cidadãos estejam prontos para se abrigar imediatamente caso surja um alerta de ataque aéreo”, orienta o comunicado.
Orientações para os cidadãos dos Estados Unidos
Recentemente, um míssil russo atingiu o maior hospital infantil da Ucrânia. o alvo foram jovens pacientes com câncer | Foto: ZelenskyyUa/Fotos Públicas
Os cidadãos receberam orientações para acompanhar a mídia local para atualizações. Eles devem identificar locais de abrigo com antecedência e seguir as instruções das autoridades ucranianas e dos socorristas em caso de emergência.
Esse alerta ocorre depois de a Ucrânia ter usado mísseis ATACMS, artefatos de longo alcance com selo dos Estados Unidos, para atingir território russo. Houve parra isso a permissão do governo Joe Biden. A Rússia alerta o Ocidente sobre considerar o uso desses mísseis como um envolvimento direto da região na guerra.
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que responderia aos ataques feitos a partir de armas americanas.
Reações internacionais e ações militares
O Ministério da Defesa da Rússia informou que Kiev lançou seis mísseis ATACMS em direção a Bryansk, no sudoeste da Rússia, na madrugada de terça-feira, 19. Militares conseguiram interceptar cinco mísseis e destruir parcialmente o sexto. Apenas destroços caíram perto de uma área militar, causando um incêndio sem danos estruturais ou vítimas.
Fontes do governo americano e do Exército ucraniano confirmaram o ataque à agência de notícias Reuters. É comum Kiev não comentar alegações de ataques em solo russo.
Situação atual da guerra na Ucrânia
A guerra na Ucrânia completou mil dias na terça-feira 19, sem perspectiva de fim ou negociações de paz. Cerca de 20% do território ucraniano está sob controle russo, mas sem avanços significativos. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou um plano para expulsar tropas russas, mas não forneceu detalhes de como pretende executar o seu plano.