O Vaticano publicou, nesta segunda-feira, uma nota de esclarecimento em que reafirma que a Igreja Católica não pode dar bênção às uniões entre pessoas do mesmo sexo, depois que o tema surgiu em alguns ambientes eclesiásticos.
– Não é lícito dar uma bênção às relações ou mesmo aos casais estáveis que envolvem práticas sexuais fora do casamento (ou seja, fora da união indissolúvel de um homem e uma mulher abertos, em si mesmos, à transmissão da vida), como é o caso das uniões entre pessoas do mesmo sexo – aponta a Congregação para a Doutrina da Fé.
O posicionamento, chamado “Responsum ad dubium”, ou seja, resposta a uma dúvida, foi dado a partir de questionamento surgido entre diversos sacerdotes, referente ao poder da Igreja de dar bênção às uniões entre pessoas do mesmo sexo.
– Alguns ambientes eclesiásticos estão difundindo projetos e propostas de bênçãos a uniões de pessoas do mesmo sexo. Esses projetos estão motivados por uma sincera vontade de acolhimento e acompanhamento de pessoas homossexuais, às quais se propõem caminhos de crescimento na fé – diz o texto divulgado pelo Vaticano.
A Congregação para a Doutrina da Fé, dirigida pelo cardeal Luis Francisco Ladaria Ferrer, afirmou, no entanto, que “Deus ama cada pessoa, como também [o] faz a Igreja, rechaçando toda discriminação injusta”.
Inclusive, é feito um apelo na resposta emitida hoje, dirigido à “comunidade cristã e aos pastores para acolher com respeito e delicadeza as pessoas com inclinações homossexuais” e “saber encontrar as modalidades mais adequadas”.
RESPOSTA APÓS DOCUMENTÁRIO Recentemente, em um documentário sobre o papa Francisco, do diretor Evgeny Afineevsky, o pontífice afirmou que os homossexuais “têm direito a formar uma família”, referindo-se às leis de união civil.
A declaração provocou grande repercussão, inclusive com críticas da ala mais conservadora da Igreja Católica.
Na realidade, a frase surgiu a partir de respostas diferentes em uma entrevista, que foram editadas e incluídas no documentário, como se fossem uma, sem contexto, em que o papa se referia à lei promulgada na Argentina.
Casa Branca afirmou que prioridades são os norte-americanos
EUA decidem negar doação de vacina a países que pediram imunizante Foto: EFE/Chris Kleponis
A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou nesta sexta-feira (12) que os Estados Unidos negaram todos os pedidos de doação de vacinas contra a Covid-19 feitos por outros países.
– A prioridade do presidente Joe Biden é vacinar os americanos – declarou a assessora durante uma coletiva de imprensa.
Psaki foi questionada sobre o estoque de doses do imunizante da AstraZeneca que os EUA detêm, já que o produto ainda não recebeu autorização para uso emergencial no país.
De acordo com a porta-voz, o objetivo é ter “flexibilidade” na vacinação.
Mais cedo, o coordenador da resposta da Casa Branca à pandemia, Jeff Zients, também havia comentado o assunto.
– Temos um pequeno estoque da AstraZeneca para que, se aprovado, possamos enviar esse estoque ao povo americano o mais rápido possível – afirmou.
Na quinta-feira (11), em pronunciamento à nação, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que orientará os estados norte-americanos a tornar todos os cidadãos adultos do país aptos para vacinação contra a Covid-19 até 1º de maio.
Negociação foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Municipal de Minneapolis (EUA)
George Floyd e policial que o matou, em 2020 Foto: Reprodução
A cidade norte-americana de Minneapolis chegou a um acordo civil com a família de George Floyd – homem assassinado em 2020 por um policial – pelo valor recorde de US$ 27 milhões (cerca de R$ 150 milhões). A negociação foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Municipal de Minneapolis nesta sexta-feira (12) e é o maior acordo pré-julgamento em um caso de morte por negligência em direitos civis na história americana.
– A morte horrível de George Floyd, testemunhada por milhões de pessoas em todo o mundo, desencadeou um anseio profundo e uma demanda inegável por justiça e mudança – disse Ben Crump, o advogado dos direitos civis que representa a família Floyd, em um comunicado.
– Envia uma mensagem poderosa de que a vida dos negros é importante e a brutalidade policial contra pessoas de cor deve cessar – completa.
A negociação foi alcançada enquanto ainda ocorre a seleção do júri para o julgamento do policial acusado de assassinar Floyd. Ela também prevê o repasse de US$ 500 mil para o bairro onde Floyd foi preso.
Floyd foi declarado morto em 25 de maio de 2020 depois que o então policial Derek Chauvin ajoelhou sobre seu pescoço por cerca de nove minutos.
A morte de Floyd desencadeou protestos violentos em Minneapolis e outras cidades, levando a uma discussão nacional sobre racismo.
Em julho de 2020, a família Floyd processou a cidade e os quatro policiais implicados em sua morte, alegando que os policiais violaram os direitos da vítima e a cidade permitiu que uma cultura de força excessiva, racismo e impunidade florescessem em sua força policial.
O Comitê Olímpico da China está oferecendo doses de vacina contra o novo coronavírus (covid-19) para os participantes da Olimpíada de Tóquio deste ano e para os Jogos de Inverno de Pequim de 2022, informou o Comitê Olímpico Internacional (COI) nesta quinta-feira (11).
A Olimpíada de Tóquio foi adiada por causa da pandemia de covid-19, mas foi remarcada para o período de 23 de julho a 8 de agosto deste ano.
Devido ao atraso, agora os Jogos de Pequim ocorrerão só seis meses depois de Tóquio.
Ele não deu detalhes sobre o número de doses. A Olimpíada envolve mais de 10 mil atletas, ao mesmo tempo que, geralmente, dezenas de milhares de outras pessoas também estão envolvidas nos Jogos, como treinadores, imprensa, voluntários e autoridades.
Bach tratava da apresentação digital da nova chefe da Olimpíada de Tóquio, Seiko Hashimoto, sua primeira ao COI desde que tomou posse, mais de três semanas atrás.
Os Jogos de Tóquio serão realizados com medidas de saúde rígidas e a ausência provável de visitantes estrangeiros, e o COI exortou os Comitês Olímpicos nacionais a vacinarem os atletas.
O presidente executivo da Tóquio-2020, Toshiro Muto, disse estar ciente do que Bach havia dito, mas se recusou a fazer comentários, alegando aos repórteres que não estava “em posição de fazer um comentário sobre isso”.
Quando indagado sobre como a Tóquio-2020 responderia a uma oferta chinesa de doses de vacinas, Muto disse que “o processo de vacinação é gerenciado pelo governo japonês, então nós no comitê organizador Tóquio-2020 não estamos em posição de comentar”.
Atriz também revelou em entrevista que chegou a pensar em suicídio durante o período em que viveu com a realeza britânica
Harry e Meghan Markle em entrevista concedida para Oprah Winfrey Foto: Reprodução/CBS
A aguardada entrevista concedida pela atriz Meghan Markle e pelo príncipe Harry à apresentadora Oprah Winfrey foi ao ar na noite deste domingo (7), nos Estados Unidos, e trouxe diversas revelações sobre os motivos que levaram o casal a deixar o Reino Unido e morar na América do Norte.
Na conversa, Meghan expôs uma série de conflitos que teve com integrantes da família, como a duquesa Kate Middleton, e afirmou que chegou até a pensar em suicídio por conta da relação conturbada.
– Eu simplesmente não queria mais estar viva. E esse era um pensamento constante, muito claro, real e assustador – revelou.
Meghan, que é afro-americana, também contou que a família real se preocupava sobre “quão escura” seria a pele de seu filho Archie, o primeiro com o príncipe Harry, quando ele nascesse. Os dois estão esperando seu segundo filho e revelaram que a bebê é uma menina.
– Naqueles meses em que estava grávida, tivemos uma série de conversas sobre “ele não teria segurança, ele não teria título” e também preocupações e conversas sobre o quão escura sua pele ficaria quando ele nascesse – disse Meghan.
Ainda sobre a relação com Kate, a atriz revelou durante a entrevista que, diferente do que circulou, foi Kate quem a fez chorar. Meghan, porém, não quis entrar em maiores detalhes e disse que atualmente a situação está resolvida entre as duas.
– Ela me fez chorar, me magoou. Não acho justo entrar em detalhes, porque ela me pediu desculpas, e eu aceitei. Mas foi difícil ser culpada por algo que não fiz. As pessoas do castelo sabiam a verdade. Acho importante as pessoas saberem a verdade. Ela é uma pessoa boa – destacou.
Ao contrário da relação conflituosa com outros membros da família real, a esposa de Harry destacou que ela e a rainha Elizabeth sempre mantiveram uma boa relação. Segundo Meghan, Elizabeth II a fazia lembrar sua avó “sempre muito acolhedora e amorosa”. Ela também contou que, no primeiro encontro entre ela e a monarca, não existiram muitas formalidades.
– A rainha sempre foi maravilhosa comigo. Eu amava estar na companhia dela. Tive momentos com ela que me faziam lembrar da minha avó. Ela sempre foi muito acolhedora e amorosa – relatou Meghan.
Harry, por sua vez, disse que se sentiu decepcionado com seu pai, o príncipe Charles, e que sua falecida mãe Diana teria ficado zangada e chateada com a forma como a família real britânica tratou sua esposa Meghan.
– Eu me sinto muito desapontado porque ele passou por algo semelhante. Ele sabe como é a dor. Eu sempre vou amá-lo, mas muitas mágoas aconteceram – completou Harry.
O papa Francisco deixou hoje (8) o Iraque, após a primeira visita de um chefe de Estado do Vaticano ao país. Não foram registrados incidentes em territórios marcados pela guerra, informaram os repórteres da AFP.
Desde sexta-feira (5) o papa percorreu o Iraque, tendo passado por Bagdá, Mossul, Qaragosh, Ur e Erbil.
O chefe de Estado do Vaticano defendeu uma das mais antigas comunidades cristãs do mundo perante o aiatolá Ali Sistani, referência religiosa dos muçulmanos xiitas do Iraque.
“O Iraque vai continuar para sempre comigo, no meu coração”, disse nesse domingo o papa Francisco, de 84 anos, perante milhares de fiéis que se juntaram num estádio de Erbil, Curdistão iraquiano, para uma cerimónia religiosa.
Os cristãos no Iraque são atualmente 01% da população, depois de terem constituído cerca de 06% dos habitantes do país, há duas décadas.
A viagem foi o primeiro deslocamento de Francisco ao estrangeiro nos últimos 15 meses.
Devido à pandemia de covid-19 e com exceção da missa de Erbil, ele só se encontrou com algumas centenas de pessoas ao longo da viagem.
O papa percorreu 1.445 quilômetros em território iraquiano, a maior parte do tempo de avião ou de helicóptero sobrevoando zonas onde se encontram células clandestinas de grupos de extremistas islâmicos.
Quando se dirigiu ao país, o chefe da Igreja Católica disse que o “terrorismo abusa da religião”, apelou à paz e à unidade no Oriente Médio e lamentou a saída de cristãos da região, obrigados a procurar refúgio em outros países.
Francisco participou de uma cerimónia ecuménica, com diversas confissões de religiosos do Iraque.
A missa ocorreu em Ur, a cidade natal do patriarca Abraão.
Comitiva brasileira está no país para conhecer spray contra o coronavírus desenvolvido no país
Brasil e Israel assinam acordo de cooperação contra a Covid-19 Foto: Divulgação/MRE
Brasil e Israel assinaram neste domingo um acordo bilateral de cooperação na luta contra a pandemia da Covid-19 e em áreas como tecnologia e segurança, durante um evento em Jerusalém com seus respectivos ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo e Gabi Ashkenazi.
– Além da parte médica, concordamos em trabalhar juntos nas áreas de tecnologia, inovação, segurança, agricultura, ciência e espaço. Ajudaremos o Brasil de todas as maneiras possíveis e estudaremos formas de aprofundar a pesquisa e desenvolvimento de medicamentos e outras soluções para lidar com o vírus – anunciou Ashkenazi em uma aparição conjunta com o diplomata brasileiro.
Araújo lidera a delegação brasileira em visita oficial a Israel até terça-feira (9). Entre eles está o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, que nos últimos anos fortaleceu os laços com o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
A cerimônia começou com a assinatura de uma declaração conjunta dos dois ministros, que expressaram sua simpatia mútua e elogiaram os laços entre as autoridades israelenses e brasileiras.
Araújo descreveu Israel como “um parceiro-chave em áreas absolutamente decisivas para o Brasil”, como novas tecnologias e a estratégia para enfrentar o coronavírus.
– Israel está dando o exemplo liderando o caminho na vacinação e na luta contra a pandemia. O Brasil também tem iniciativas interessantes em termos de pesquisa e quer compartilhá-las. Queremos ser um parceiro (de Israel) para o desenvolvimento de vacinas e medicamentos – destacou o ministro.
Ainda ontem, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que há uma vacina contra a Covid-19 sendo desenvolvida por cientistas brasileiros e que os resultados preliminares dos estudos serão apresentados ao governo israelense pela missão chefiada por Araújo. Está programado um encontro da delegação com Netanyahu amanhã.
Mais da metade da população de Israel já recebeu pelo menos uma dose do imunizante fabricado pela farmacêutica americana Pfizer. O país lidera a campanha de vacinação mais rápida do mundo e pretende que a maioria de sua população de 9,2 milhões de habitantes seja inoculada até o final deste mês.
País concedeu “passe verde” para cidadãos imunizados
Com vacinação avançada, Israel começa a retomar atividades Foto: EFE/EPA/Atef Safadi
Com mais de 50% de sua população imunizada com pelo menos a primeira dose da vacina contra a Covid-19, Israel começou a reabrir bares e restaurantes. Desta forma, o país dá o passo mais importante de sua desaceleração pós-vacinação, com a reabertura desses estabelecimentos, o relaxamento de restrições e retorno às salas de aula das universidades, entre outras medidas que priorizam os imunizados contra o novo coronavírus.
Os restaurantes de Israel, por exemplo, poderão receber clientes que apresentam o chamado “passe verde”, concedido a quem se recuperou da doença ou já recebeu a segunda dose, pelo menos uma semana atrás.
A ocupação não pode ultrapassar 75% e aqueles que não apresentarem o certificado necessário para entrar podem sentar-se nas mesas ao ar livre.
A partir deste domingo (7), também podem ser abertos os salões de eventos culturais, que não podem ultrapassar 50% de sua capacidade e só podem ser acessados por quem tem o passe verde e um percentual limitado de pessoas que apresentam exames negativos para o novo coronavírus.
Além dos estudantes universitários, os alunos de 11 a 14 anos que frequentam escolas nas cidades do país classificadas como verdes ou amarelas também poderão retornar às aulas com base em suas baixas taxas de infecção e vacinação, enquanto os alunos de instituições religiosas somente poderão voltar às aulas presenciais se tiverem o passe verde.
Os locais de culto também podem receber fiéis que apresentem este certificado, embora em quantidades limitadas. Aqueles que aceitarem receber pessoas que não possuem o passe verde terão limites mais rígidos e não poderão acomodar mais de 20 pessoas em ambientes internos e 50 externos.
Estádios e auditórios terão capacidade para receber grande número de pessoas, com limites entre 500 e 1.500 pessoas dependendo da sua capacidade e se estão abertos ou fechados.
Finalmente, os novos regulamentos também se estendem à entrada e saída de passageiros pelo Aeroporto Internacional Ben Gurion, que tem operado de forma muito limitada desde o fim de janeiro e poderá receber até 1 mil cidadãos israelenses por dia a partir deste domingo, um número que nos próximos dias deve aumentar para 3 mil.
Dessa forma, Israel elimina quase completamente as restrições implementadas durante o terceiro bloqueio, que durou seis semanas desde o fim de dezembro e vem diminuindo lentamente desde meados de fevereiro.
A campanha de vacinação rápida do país, com quase cinco milhões de pessoas inoculadas com a primeira dose da vacina da Pfizer e quase quatro milhões também com a segunda dose, foi essencial para o avanço da desaceleração.
Nas últimas semanas, Israel, com pouco mais de nove milhões de habitantes, registrou uma queda acentuada no número de infecções e pacientes em estado grave, e atualmente tem pouco mais de 40 mil casos ainda ativos, de um total de 800 mil identificados desde o início de a pandemia.
Presidente fez críticas à decisão do governo do Texas de retirar a obrigatoriedade do acessório contra a Covid-19
Presidente dos Estados Unidos Joe Biden tenta reaproximação com a OMS Foto: EFE/EPA/Shawn Thew
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fez nesta quarta-feira (3) duras críticas à decisão do Texas e do Mississippi de suspender a obrigação do uso máscaraspara proteger contra o coronavírus.
– Eu acho que é um grande erro. Espero que todos percebam agora que essas máscaras fazem a diferença – declarou Biden a repórteres na Casa Branca, quando perguntado sobre a decisão dos governadores do Texas, Greg Abbott, do Mississippi, Tate Reeves, de revogar a ordem de uso de máscaras nesses estados.
– Conseguimos avançar. Tudo para que, até o final de maio, haja o suficiente para que todo americano adulto possa receber uma dose de vacina [contra a Covid]. A última coisa que precisamos é o pensamento Neanderthal que, enquanto isso, diz: “Tudo bem, tirem suas máscaras”. Esqueça isso – bradou o chefe de governo antes de uma reunião com integrantes do Congresso sobre a luta contra o câncer.
O presidente repetiu até quatro vezes a palavra “vital” para ressaltar que os líderes estatais devem seguir as recomendações dos cientistas, tais como lavar as mãos, usar máscara facial e manter distanciamento social.
Os governadores justificaram a decisão de suspender a obrigatoriedade do uso de proteção facial pela queda no número de casos e de internações por Covid-19 e pelo ritmo das vacinações contra a doença, que eles consideram bom.
Pouco mais de 4 milhões de russos receberam até agora uma dose da Sputnik V, vacina contra a covid-19 desenvolvida pelo Centro de Pesquisas Gamaleya de Moscou. O número está abaixo da meta do Ministério da Saúde da Rússia, que pretendia vacinar 60% de todos os adultos em 6 meses.
O país, de cerca de 145 milhões de habitantes, lançou a campanha de vacinação em massa em dezembro de 2020, de acordo com o Poder 360.
Segundo uma pesquisa realizada por sociólogos no Levada Centre, o motivo pode ser a desconfiança da população com o imunizante. O estudo revelou que apenas 30% dos russos estão dispostos a se vacinar com a Sputnik V, apesar da eficácia de 91,6%. Outros 62% disseram que não querem receber as doses do imunizante.
Os jovens são os menos propensos a se vacinar com a Sputnik V. Entre os entrevistados de 18 a 24 anos, 19% querem receber o imunizante e 75%, não. Entre o grupo de 25 a 39 anos, 22% disseram que aceitam a vacina e 73%, não. Entre as pessoas com 55 anos ou mais, os números são de 40% e 49%, respectivamente.
A pesquisa foi realizada de 18 a 24 de fevereiro de 2021, com amostra representativa de todos os residentes urbanos e rurais russos. Foram feitas entrevistas presenciais com 1.601 pessoas acima dos 18 anos em 137 municípios de 50 regiões da Rússia.
Sobre os motivos para não querer a vacina russa, 37% dos entrevistados disseram que têm medo de efeitos colaterais; 30% preferem esperar o fim dos testes; 16% não veem sentido em se vacinar; 12% têm alguma contraindicação; 10% são contra qualquer vacina; 6% citaram outros motivos e 2% não souberam precisar a razão para não se imunizar com a Sputnik V.
Quando os dados da Sputnik V foram publicados na revista científica The Lancet, em fevereiro de 2021, os professores Ian Jones e Polly Roy resumiram o debate por trás da vacina. “O desenvolvimento da vacina Sputnik V foi criticado por ter ocorrido às pressas e pela ausência de transparência”, afirmaram.
Mas há também outra questão que impulsiona a desconfiança dos russos. Muitos acreditam que a vacina é apenas uma ferramenta política. “Você pode dizer que é armamento russo, ou a vacina é apenas uma vítima do fundo político, mas definitivamente a política está mais explicitamente representada no caso da vacina russa do que qualquer outra produzida no mundo hoje”, observou Andrei Kortunov, do Conselho de Assuntos Internacionais russo.
Tatiana Stanovaya, da empresa de análise R.Politik, também disse acreditar que a vacina foi uma questão importante para a promoção do presidente russo, Vladimir Putin. “Para Putin, criar a vacina foi uma maneira de provar ao mundo que a Rússia é um país desenvolvido e importante, que é capaz de alcançar grande sucesso em esferas que exigem muita habilidade e tecnologia”, declarou.
“Quando você decide comprar a vacina russa, parece que você investe ou aprova as conquistas do regime de Putin ou do próprio Putin”, comentou. O RDIF, fundo estatal que apoiou o desenvolvimento da Sputnik, diz que 39 países já registraram sua vacina e até mesmo a União Europeia está considerando comprar unidades.
Mas a aprovação na UE continua incerta. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que o bloco não recebeu qualquer pedido de autorização de comercialização da Sputnik V.