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Foto: Benhur Arcayan/ Malacañang Photo Bureau/EBC
Foto: Benhur Arcayan/ Malacañang Photo Bureau/EBC

O Papa Francisco lamentou neste domingo (6) as invasões feitas pela Russia na Ucrânia e pediu a instauração de corredores humanitários para a população civil.

“Na Ucrânia correm rios de sangue e lágrimas, não se trata apenas de uma operação militar, e sim de uma guerra que semeia morte, destruição e miséria”, disse o papa, que solicitou ainda a instauração de “verdadeiros corredores humanitários” para ajudar a população. “As vítimas são cada vez mais numerosas, assim como as pessoas em fuga, em particular mães com seus filhos. A necessidade de ajuda humanitária neste país martirizado aumenta a cada hora de uma forma dramática”.

Na Rússia, é proibido se referir aos acontecimentos na Ucrânia como uma guerra. Nesta sexta-feira (4), isso passou a ser crime, com punição de até 15 anos de prisão.

“Faço um apelo do fundo do coração para que sejam instaurados verdadeiros corredores humanitários, e que isto seja uma garantia e se facilite o acesso da ajuda às zonas cercadas para dar um alívio aos nossos irmãos e irmãs oprimidos pelas bombas e pelo medo”, disse Francisco.

O papa defendeu o fim dos ataques e a retomada das negociações, do senso comum e o respeito ao direito internacional.

*Bahia.ba


Foto: Getty Images

Por Joilton Freitas

No final de fevereiro o presidente russo, Vladimir Putin, fez o que prometeu: invadiu a Ucrânia. O mundo assiste assustado uma potente máquina de guerra avançar sobre o território de um inimigo que quase não oferece resistência. A inferioridade bélica da Ucrânia é imensa. Isso, só para ficarmos em armas tidas como de uso de qualquer exército de um país que tenha uma força regular.

Putin sabia que a resistência militar seria quase que insignificante, as forças russas ainda não dominaram a Ucrânia totalmente, para evitar um número alto de mortes de civis. Sabia também que os países Ocidentais fariam o que pudessem para ajudar a Ucrânia. Mas, na ajuda não estão incluídas as forças armadas de seus países contra os russos. Chefes de estados liderados por Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, muito antes da invasão, já ameaçavam a Rússia, caso ela resolvesse colocar o seu plano em ação.

A ajuda que o Ocidente tem oferecido à Zelensky, presidente ucraniano se resume a dinheiro, um pouco de armamento bélico e sanções, muitas sanções. Além, do corpo diplomático de cada país trabalhando nos organismos internacionais para dizer ao mundo que estão fazendo algo. O Ocidente está usando a máxima da viúva: choro, mas não desço a sepultura.

Trocando em miúdos: O Ocidente mandou Zelensky enfrentar Putin. Mas na hora da ajuda que o presidente ucraniano esperava ela não veio. Tenho certeza se o presidente da Ucrânia soubesse que isso aconteceria, ele teria negociado com Putin, antes que a guerra tivesse começado. A frase dele demonstra a frustração: o Ocidente nos deixou sozinhos.

Macron, Biden, Johnson, têm procurado fazer o máximo de zoada possível, principalmente com a imprensa que conhece e faz o jogo deles, para não ficarem como covardes em seus países. Eles sabem que subestimaram Putin. Mas fora às decisões acima, nada mais farão. Mesmo às sanções deve ter limite. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, mandou um recado: Biden sabe muito bem que a opção para sanções sem limite é a terceira guerra, disse o velho chanceler. Diante das ameaças dos russos, espero, que os líderes ocidentais tenham lido o livro A Arte da Guerra, Sun Tzu. Nunca deixe seu inimigo sem uma saída. Principalmente, se seu inimigo for a poderosa Rússia.


Líderes conversaram por telefone nesta quinta-feira

Presidente Jair Bolsonaro e o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson Foto: PR/Alan Santos

O presidente Jair Bolsonaro e o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, conversaram por telefone nesta quinta-feira (3) sobre a guerra na Ucrânia. Os líderes concordaram sobre a necessidade de um “cessar-fogo urgente” no país, segundo informou Downing Street.

Os dois políticos destacaram que “a paz deve prevalecer” na Ucrânia, conforme descreveu um porta-voz do escritório oficial de Johnson após a conversa.

Johnson disse a Bolsonaro que a invasão ordenada pelo presidente russo, Vladimir Putin, “não pode ser bem-sucedida”, enfatizando que “civis inocentes estão sendo mortos e cidades estão sendo destruídas”.

– O Brasil foi um aliado vital na Segunda Guerra Mundial, e sua voz mais uma vez foi crucial neste momento de crise – destacou Johnson a Bolsonaro.

“Juntos, o Reino Unido e o Brasil devem pedir o fim da violência”, acrescentou o primeiro-ministro, segundo seu porta-voz oficial.

Os dois líderes também concordaram com a “importância da estabilidade global”, enquanto Johnson salientou sua disposição de colaborar estreitamente com Bolsonaro em questões como segurança e comércio.

*EFE


A medida serve para controlar ainda mais os cristãos no país, que está entre os que mais perseguem os evangélicos

china partido comunista
China está na lista de países que mais perseguem cristãos Foto: Portas Abertas

A organização Portas Abertas informou que uma nova lei entrou em vigor na China tornando ilegais reuniões e cultos online de igrejas. A organização afirma que a medida serve para controlar ainda mais os cristãos no país, que está entre os que mais perseguem os cristãos.

O grupo também analisou que o acesso legal a internet só será concedido aos que os chineses definem como Cinco Religiões Autorizadas. A Igreja Católica Romana e outras três religiões consideradas protestantes estão incluídas na lista. Ainda assim, tais denominações terão seus conteúdos monitorados pelas autoridades para garantir que tudo estará de acordo com o governo chinês.

– Já observamos que em nossa área, as reuniões online com um grande número de participantes desapareceram. Até agora, conseguimos realizar pequenas reuniões online, com alguns membros da igreja participando de cada vez. Continuaremos nossas reuniões online, onde houver espaço. vamos dar um jeito – afirmou uma fonte do Portas Abertas.

As igrejas que descumprirem a lei podem ser punidas com advertências administrativas.

– O Partido há muito vê a religião como uma ameaça em potencial. Quando percebeu que não podia acabar com os cristãos no país, tentou contê-lo. Eles temem que os cristãos sejam leais a outra instituição ou tenham outra devoção que não seja ao Partido Comunista Chinês – afirmou Marco Cruz, secretário-geral da Portas Abertas Brasil.

Informações Pleno News


Ator esteve no país gravando um documentário

Sean Penn Foto: EFE/CLEMENS BILAN

O cineasta e ator Sean Penn estava na Ucrânia, trabalhando em um documentário sobre o ataque russo ao país. Ele compartilhou em suas redes sociais como fez para cruzar a fronteira para a Polônia, na última segunda-feira (28).

– Eu e dois colegas caminhamos por milhas até a fronteira polonesa, depois de abandonar nosso carro na beira da estrada – escreveu em seu Twitter junto a uma foto em que aparece caminhando em uma estrada.

Na imagem, também é possível ver alguns carros.

– Quase todos os veículos estão com mulheres e crianças apenas; a maior parte sem sinal de bagagem, sendo o carro seus únicos bens – disse o ator.

Durante a sua passagem pela Ucrânia, Penn gravou imagens da guerra e de bastidores das declarações das autoridades ucranianas. No último sábado (26), o cineasta pediu, em seu Twitter, para que os Estados Unidos tivessem uma participação mais efetiva no conflito.

– Já é um erro brutal com vidas ceifadas e corações destroçados, e, se ele não ceder, acredito que Putin terá cometido um erro terrível para toda a humanidade. O presidente Zelensky e o povo ucraniano ergueram-se como símbolos históricos de coragem e princípios – escreveu.

– A Ucrânia é a ponta da lança para o abraço democrático dos sonhos. Se permitirmos que ela lute sozinha, nossa alma, como Estados Unidos da América, está perdida – completou o artista.

Na última semana, Penn esteve presente em coletivas do governo do país do leste europeu. Inclusive, o gabinete do presidente Zelensky emitiu uma nota elogiando os esforços do ator norte-americano.

*AE


Ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, deu declarações durante entrevista à rede de televisão Al Jazeera

Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov Foto: EFE/EPA/CHRISTIAN BRUNA

Nesta quarta-feira (2), o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, disse que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, sabe que a única alternativa às sanções econômicas contra seu país é uma Terceira Guerra Mundial, que seria “uma guerra nuclear devastadora”.

Em entrevista à rede de televisão Al Jazeera, Lavrov declarou que Biden “tem experiência e sabe que não há alternativa às sanções, a não ser a guerra mundial”.

O ministro russo também disse que seu país estava “pronto” para enfrentar as sanções impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia pela invasão da Ucrânia, mas que não esperava que visassem atletas, intelectuais, artistas e jornalistas.

Entretanto, apesar das medidas tomadas contra ela, “a Rússia tem muitos amigos e não pode ser isolada”, advertiu o ministro.

Lavrov reiterou a disponibilidade de seu país de realizar uma segunda rodada de negociações com o governo ucraniano e o acusou de atrasar essas negociações “sob ordens americanas”.

Sobre as razões do atual conflito com a Ucrânia, Lavrov alegou que os países ocidentais se recusaram a atender às exigências da Rússia para a formulação de uma nova arquitetura de segurança europeia.

A ofensiva militar russa, de acordo com ele, tem como objetivo desarmar a Ucrânia e impedir que ela adquira uma arma nuclear.

– Não podemos permitir a presença de armas ofensivas na Ucrânia que ameacem nossa segurança – acrescentou.

*EFE


Ukraine-Russia talks in Belarus

Negociações entre representantes da Rússia e da Ucrânia começaram nesta segunda-feira (28) na fronteira da BIelorrússia, no momento em que a Rússia enfrenta o aumento do isolamento econômico quatro dias depois de invadir a Ucrânia, no maior ataque a um país europeu desde a Segunda Guerra Mundial.

As forças russas capturaram duas pequenas cidades no Sudeste da Ucrânia e a área em torno de uma usina nuclear, informou a agência de notícias Interfax, mas enfrentam dura resistência em outras partes do país.

As conversas começam com o objetivo de um cessar-fogo imediato e a retirada do Exército russo, disse a Presidência da Ucrânia, depois de um avanço da Rússia considerado mais lento que o esperado.

A Rússia tem sido cautelosa sobre as negociações, e o Kremlin se recusa a comentar qual o seu objetivo. Não está claro se será possível ter algum progresso depois de o presidente Vladimir Putin por as forças nucleares russas em alerta nesse domingo (27).

As negociações estão ocorrendo na fronteira da Bielorrússia, aliado russo, onde foi aprovada ontem nova Constituição que retirou do país o status de não nuclear, no momento em que o aliado russo se tornou plataforma de lançamento de ataques contra a Ucrânia.

“Queridos amigos, o presidente da Bielorrússia me pediu para dar as boas-vindas a vocês e facilitar o trabalho o máximo possível. Como foi acordado com os presidentes (Volodymyr) Zelenskiy e Putin, podem se sentir completamente seguros”, disse o ministro das Relações Exteriores da Bielorrússia, Vladimir Makei,, no início das reuniões, de acordo com postagem do ministério no Twitter.

Explosões foram ouvidas na madrugada desta segunda-feira na capital Kiev e em Kharkiv, disseram autoridades ucranianas. Mas as tentativas das forças terrestres russas de capturar os principais centros urbanos foram repelidas, acrescentaram.

O Ministério da Defesa da Rússia, no entanto, informou que suas forças tomaram as cidades de Berdyansk e Enerhodar, na região de Zaporizhzhya, no Sudeste da Ucrânia, bem como a área ao redor da usina nuclear de Zaporizhzhya, informou a Interfax. A Ucrânia negou que a usina nuclear tenha caído em mãos russas, de acordo com a agência.

Dezenas de pessoas foram mortas hoje em ataques por foguetes russos em Kharkiv, disse o assessor do Ministério do Interior ucraniano, Anton Herashchenko.

Pelo menos 102 civis na Ucrânia foram mortos desde quinta-feira(24) e 304 ficaram feridos, mas teme-se que o número real seja “consideravelmente maior”, afirmou a chefe de Direitos Humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet.

Mais de meio milhão de pessoas fugiram para países vizinhos, segundo a Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados.

Houve combates ao redor da cidade portuária ucraniana de Mariupol durante toda a noite, informou Pavlo Kyrylenko, chefe da administração regional de Donetsk.

Um alto funcionário de defesa dos EUA afirmou que a Rússia disparou mais de 350 mísseis contra alvos ucranianos desde quinta-feira, alguns atingindo infraestrutura civil.

“Parece que eles estão adotando mentalidade de cerco. E qualquer estudante de tática e estratégia militar lhe dirá: quando você adota táticas de cerco, aumenta a probabilidade de danos colaterais”, disse o funcionário, sob condição de anonimato.

Parceiros da aliança de defesa da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), liderada pelos Estados Unidos (EUA), estão fornecendo à Ucrânia mísseis de defesa aérea e armas antitanque, disse o secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg em um tuíte.

O Kremlin acusou a União Europeia de comportamento hostil, acrescentando que o fornecimento de armas para a Ucrânia estava desestabilizando a região e provou que a Rússia estava certa em seus esforços para desmilitarizar o vizinho.

“Não apenas na administração presidencial, mas em toda a Rússia, a grande maioria da população tem amigos ou parentes que moram na Ucrânia. Naturalmente, o coração de todos está dolorido pelo que está acontecendo com esses parentes”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Ele se recusou a comentar se havia risco de confronto entre a Rússia e a Otan. Uma das exigências da Rússia para supostamente evitar o conflito era que a Otan nunca admitisse a Ucrânia.

O governo alemão informou que aumentaria maciçamente os gastos com defesa, eliminando décadas de relutância em igualar seu poder econômico com influência militar.

Sanções
O rublo da Rússia despencou quase 30% em relação ao dólar nesta segunda-feira, depois que nações ocidentais anunciaram no sábado sanções abrangentes, incluindo o bloqueio de alguns bancos russos do sistema de pagamentos internacionais SWIFT.

O Banco Central russo elevou a taxa de juros para 20%, saindo de 9,5%, em medida de emergência, e as autoridades disseram às empresas voltadas à exportação que estejam prontas para vender moeda estrangeira. Também ordenou aos corretores que bloqueassem a tentativa de estrangeiros de vender títulos russos.

Várias subsidiárias europeias do Sberbank Rússia, de propriedade majoritária do governo, estavam falindo ou provavelmente a caminho de falir devido ao custo reputacional da guerra na Ucrânia, disse o Banco Central Europeu.

O Reino Unido informou que está tomando novas medidas contra a Rússia, em conjunto com os Estados Unidos e a União Europeia.

Gigantes corporativos também entraram em ação, com a petrolífera britânica BP, o maior investidor estrangeiro na Rússia, afirmando que abandonaria sua participação na petrolífera estatal Rosneft ROSN.MM a um custo de até US$ 25 bilhões.

Protestos
Protestos contínuos foram feitos em todo o mundo contra a invasão, inclusive na Rússia, onde quase 6 mil pessoas foram detidas em manifestações contra a guerra desde quinta-feira, informou o monitor de protestos OVD-Info.

O site da agência de notícias estatal russa TASS foi invadido, mostraram verificações da Reuters de vários dispositivos, com o site regular substituído por uma mensagem antiguerra.

“Pedimos que pare com essa loucura”, dizia a mensagem.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU concordou com o pedido da Ucrânia de realizar um debate urgente nesta semana sobre a invasão da Rússia, minutos depois que o enviado de Kiev disse ao Fórum de Genebra que algumas das ações militares de Moscou “podem ser crimes de guerra”.

O conselho, de 47 membros, adotou a proposta por 29 votos a favor e cinco contra, incluindo Rússia e China.

Zelenskiy à União Europeia que permita que a Ucrânia se torne membro imediatamente.

“Nosso objetivo é estar com todos os europeus e, o mais importante, ser igual. Tenho certeza de que merecemos”, disse ele em mensagem de vídeo compartilhada nas redes sociais.

O presidente dos EUA, Joe Biden, conversará com aliados e parceiros para coordenar uma resposta unida, afirmou a Casa Branca.

A Rússia chama suas ações na Ucrânia de “operação especial” que, segundo ela, não foi projetada para ocupar território, mas para destruir a capacidade militar do vizinho do Sul e capturar o que considera nacionalistas perigosos.

A UE proibiu a circulação de todos os aviões russos fora de seu espaço aéreo, assim como o Canadá, forçando a companhia aérea russa Aeroflot a cancelar todos os voos para destinos europeus até novo aviso.

*Agência Brasil


Horas depois de rejeitar uma negociação com a Rússia em Belarus, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, mudou de ideia e decidiu que vai negociar com Moscou “sem pré-condições”. Zelensky, que acusa Belarus de servir de plataforma para Moscou, confirmou ter telefonado ao presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko.

Em seu canal oficial no Telegram, Zelensky afirmou que os dois lados se encontrariam perto do rio Pripyat, mas não divulgou um horário para a reunião. Uma delegação enviada de Moscou chegou neste domingo (27) em Gomel, cidade do sudeste da Bielorrússia, também perto da fronteira.

– Concordamos que a delegação ucraniana se reuniria com a delegação russa sem pré-condições na fronteira ucraniana-bielorrussa, perto do rio Pripyat – afirmou o presidente ucraniano.

O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, disse às agências de notícias russas que representantes dos ministérios das Relações Exteriores, Defesa e do Gabinete presidencial chegaram à Belarus para as negociações. O Kremlin também afirmou que o premier israelense, Naftali Benett, propôs mediar a conversa.

*Pleno.News


Foto: REUTERS/Antonio Bronic

Aumento das pressões inflacionárias e redução das perspectivas de crescimento econômico serão alguns dos efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia na economia brasileira, segundo especialistas consultados pela Forbes.

Na madrugada de hoje (24), o presidente russo Vladimir Putin ordenou uma invasão total da Ucrânia por terra, ar e mar, dando início ao maior conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Putin disse que não tinha outra opção a não ser ordenar o que chamou de uma operação especial contra a Ucrânia, dizendo que todas as tentativas anteriores de Moscou para alterar a situação de segurança não deram em nada.

Os mercados acionários globais amanheceram em território de baixa, e até mesmo o bitcoin caiu para seu menor nível em um mês, a US$ 34.324, refletindo o movimento de venda de ativos mais arriscados.

Confira os demais efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Aumento dos preços do petróleo

A Rússia é o terceiro maior produtor e segundo maior exportador de petróleo do mundo, e um conflito envolvendo o país prejudica o fornecimento da commodity. Os efeitos da diminuição da oferta podem ser ainda mais devastadores por conta do crescimento da demanda por combustíveis com a reabertura das economias pós-pandemia.

Hoje, os preços dos petróleos Brent e WTI atingiram os níveis mais altos desde agosto e julho de 2014, respectivamente. O Brent subia 5,37% para US$ 102,25 o barril às 15h35 do horário de Brasília, enquanto o WTI avançava 3,65% para US$ 95,46 o barril.

O aumento dos preços impulsionou os papéis da Petrobras (PETR3 e PETR4), que registram ganhos na tarde de hoje.

Roberto Dumas, professor de economia internacional do Insper, aponta que o repasse desses aumentos deve encarecer ainda mais os combustíveis no Brasil, o que, por sua vez, pode reforçar argumentos para a privatização da petroleira.

“Podemos ter uma pressão maior do Executivo para intervir na Petrobras, principalmente por causa das eleições”, argumenta ele. Desde o ano passado, o presidente Jair Bolsonaro expressa interesse em privatizar a estatal e alterar a política de preços de combustíveis da petrolífera.

Cláudio Mastella, diretor-executivo de comercialização e logística da Petrobras, afirmou nesta manhã que a empresa avaliará os impactos da alta volatilidade da commodity no mercado internacional antes de tomar qualquer decisão sobre os preços domésticos.

Sobem os preços do gás natural e, consequentemente, dos alimentos

A Rússia é a maior fornecedora de gás natural para a Europa – o país é responsável por cerca de 35% da oferta ao continente. Por isso, o início de um conflito, bem como a imposição de sanções a Moscou, terá efeitos negativos sobre o setor energético da zona do euro.

Apesar de não depender do fornecimento russo, o Brasil também fica suscetível à redução da oferta de gás natural.

Pedro Brites, professor da escola de relações internacionais da FGV (Fundação Getulio Vargas), explica que a maior parte dos fertilizantes importados pelo Brasil vem da Rússia. Esses produtos são produzidos a partir de gás natural – especialmente os nitrogenados, fosfatados e o cloreto de potássio.

O gás natural chegou a registrar alta de 40% na Europa no pregão de hoje. Com o repasse desses aumentos, a agricultura brasileira também deve ser impactada, e os preços dos alimentos devem subir.

Brites também chama atenção para o fato de o Brasil possuir uma participação significativa no mercado de importação de trigo. “Mais de 80% do trigo importado pelo nosso país vem da Argentina. Mas como esses preços são cotados internacionalmente, surge uma pressão inflacionária sobre os alimentos também.”

A Rússia e a Ucrânia respondem por 29% das exportações globais de trigo, 19% do fornecimento mundial de milho e 80% das exportações mundiais de óleo de girassol.

Busca por ativos de maior segurança

Tradicionalmente, períodos de incerteza na economia mundial elevam a busca por mercados e ativos considerados mais seguros, como ações de empresas norte-americanas, dólar e ouro.

Após acumular perdas de 2,5% no início da semana, o dólar voltou a subir frente ao real, e opera em alta de mais de 2% nesta tarde. O mesmo avanço foi observado em outros países emergentes, como a Turquia, que viu a lira cair mais de 5% frente à divisa norte-americana neste pregão.

Esse movimento interrompe o recente fluxo de entrada de recursos estrangeiros na Bolsa brasileira. “A narrativa da busca por ativos de ‘valor’, a despeito da fuga de tecnologia e empresas ainda sem lucro, contribuiu para que o Brasil recebesse um fluxo muito positivo nos últimos meses”, comenta João Beck, economista e sócio da BRA.

“Essa narrativa foi reforçada pela alta das taxas de juros globais, que prejudicou empresas com previsão de lucro mais à frente e reforçou a busca por empresas de valor – característica mais presente no Ibovespa”, complementa.

Às 15h35 do horário de Brasília de hoje, o Ibovespa registrava queda de 2,16%.

Juros em alta e crescimento em baixa

Segundo os especialistas, diante das pressões inflacionárias observadas principalmente no setor energético, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia deve intensificar ainda mais a política monetária contracionista no Brasil.

Em sua última reunião, no início do mês, o Copom (Comitê de Política Monetária) elevou a Selic, taxa básica de juros, em 1,5 ponto percentual pela terceira vez consecutiva, a 10,75% ao ano. Economistas esperam, agora, que ela chegue a 12,25% no final de 2022, enquanto analistas do Citi citam 12,75% como o patamar máximo do atual ciclo de aperto monetário.

“Se nós víamos um PIB [Produto Interno Bruto] estável em 2022, ou com avanço de 0,3%, agora eu já aposto em um recuo de 0,5% diante desse cenário contracionista”, afirma Dumas.

Os conflitos no leste europeu não devem trazer benefícios ao cenário macroeconômico brasileiro, embora algumas empresas de exportação, que têm receita em dólar, possam encontrar algumas vantagens.

“Não temos muitos precedentes recentes de guerras que aconteceram no coração da Europa”, comenta Brites. “Mas podemos citar o conflito entre o Irã e os EUA há alguns anos, que também provocou a elevação do barril de petróleo.”

O professor explica que os demais impactos econômicos vão depender do agravamento da crise: “Se houver uma participação mais efetiva dos países europeus e dos Estados Unidos no conflito, por exemplo, o cenário pode ficar mais crítico.”

Informações Forbes


Forças Armadas também convocaram cidadãos para defender o país

Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky Foto: EFE/EPA/SERGEY DOLZHENKO

Nesta quinta-feira (24), o governo da Ucrânia utilizou as redes sociais para pedir à população do país que ajude o Exército a economia. A iniciativa ocorre após a Rússia invadir o país.

A invasão ocorreu na madrugada desta quinta-feira (24), após semanas de tensão na fronteira da Rússia com a Ucrânia. O anúncio da “operação militar no leste da Ucrânia” foi feito pelo presidente russo, Vladimir Putin, em um discurso transmitido na televisão. De acordo com ele, o “objetivo é proteger as pessoas que são submetidas a abusos, genocídio de Kiev durante oito anos, e, para isso, buscaremos desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia e levar à Justiça aqueles que cometeram vários crimes sangrentos contra pessoas pacíficas, incluindo cidadãos russos”.

– Não cometa erros. Os ucranianos prevalecerão. Lutamos contra os impérios russo e soviético no passado e — sempre — a liberdade e a democracia venceram. Nós precisamos do seu apoio agora. Apoie o exército e a economia ucranianos. Vamos #ParaaAgressãodaRússia juntos – disse a Ucrânia em sua publicação.

Na mesma publicação, o governo ucraniano colocou um link pedindo doações financeiras. Os recursos serão destinados ao “apoio logístico e médico das Forças Armadas da Ucrânia”.

Já em outra publicação, as Forças Armadas ucranianas convocaram cidadãos para a luta contra a Rússia. “Quem estiver pronto para manter as armas, junte-se às fileiras das Forças Armadas da Ucrânia. Simplificamos todos os procedimentos. Tudo o que precisa é de um passaporte. Apenas um passaporte. Damos as armas a todos os patriotas que estão prontos para usá-las contra o inimigo sem hesitação! Mantendo a calma!”, disse o ministro da Defesa, Oleksii Reznikov.

Informações Pleno News

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