O OceanGate Titan, com cinco pessoas, está desaparecido desde domingo
O OceanGate Titan, um veículo submersível que costuma transportar turistas para ver os destroços do Titanic, é operado por um controle de videogame que pode ser encontrado na internet por 42 euros (cerca de R$ 219).
Em um vídeo gravado para o canal CBC no ano passado, Stockton Rush, o CEO da OceanGate Expeditions, mostra o interior do submarino e sua composição. Dentro do submersível há três telas, apenas um botão, um banheiro improvisado e uma única vista direta para o oceano.
Rush mostra um aparelho que lembra uma manete de videogame e explica que a embarcação é controlada por ele, um modelo Logitech F710, lançado em 2011. De acordo com o jornal The Mirror, o equipamento sofreu algumas alterações para ser utilizado na embarcação.
CEO mostra controle que controla submarino Foto: Reprodução/CBC NL
O repórter David Pongue, da CBS News, passou pela experiência de viajar no Titan no ano passado, e revelou que a embarcação ficou perdida por duas horas e meia.
– Tudo parecia amador – disse.
A Guarda Costeira dos Estados Unidos e as forças armadas do Canadá estão envolvidas na busca e salvamento do submarino, que transportava cinco pessoas. A empresa cobra 250 mil dólares (R$ 1,19 milhão) dos passageiros por um lugar nessa expedição.
Em meio à elevação do nível do mar e ao crescimento das metrópoles, como manter nossas cidades habitáveis? Esse é o enigma que os designers japoneses da N-Ark se propuseram a resolver com sua iniciativa revolucionária: a Cidade de Dogen.
Composta por três partes essenciais, essa cidade flutuante é um farol de resiliência e inovação, sinalizando um possível futuro onde podemos precisar trocar o solo firme pelos altos mares.
O Nascimento de uma Metrópole Flutuante
Para a N-Ark, as cidades do futuro precisam ser mais do que apenas funcionais – elas precisam ser autossuficientes e adaptáveis. Surge então a Cidade de Dogen: uma “cidade flutuante inteligente voltada para a saúde” projetada para operar de forma independente em caso de desastre natural.
Oferecendo um lar para 40.000 pessoas, um quarto das quais seriam residentes permanentes, essa cidade está pronta para redefinir a vida urbana.
O layout da Cidade de Dogen consiste em três zonas únicas. O anel externo abriga áreas residenciais e infraestrutura-chave para água, esgoto e energia. A segunda zona apresenta edifícios flutuantes que podem se mover livremente, acompanhados de um sistema de trânsito de barcos que se assemelha a um metrô aquático.
A terceira zona mergulha abaixo da superfície da água, oferecendo um centro científico submerso, equipado com um centro de dados subaquático e instalações de pesquisa médica.
Apesar de seu tamanho compacto, a cidade foi projetada para resistência, sua forma circular projetada para resistir a condições climáticas severas e até mesmo tsunamis. Com uma circunferência de 4 quilômetros e um diâmetro de aproximadamente 1,58 quilômetros, seria uma façanha de engenharia de grande escala.
Mais do que uma Cidade na Água
A Cidade de Dogen não se trata apenas de sobrevivência – é sobre florescer. Embalada dentro de sua circunferência de 4 quilômetros, a cidade está repleta de vegetação, dedicando espaços à produção de alimentos, escolas, áreas esportivas, hospitais, parques, estádios, hotéis e escritórios. A N-Ark também imagina a cidade como um centro de tecnologia, com planos de incluir um local de lançamento e aterrissagem para foguetes.
Apesar de seu tamanho compacto, a Cidade de Dogen foi projetada pensando na expansão, graças à sua natureza modular. O quadro externo da cidade imita o corpo de um navio, proporcionando uma camada adicional de defesa contra tsunamis.
Além da infraestrutura física, a cidade adota uma abordagem progressista para a saúde e o bem-estar. Os moradores poderiam “receber telemedicina diariamente através da gestão e análise de dados da área residencial a partir de dispositivos anelares, coleta de sangue, análise genômica e do sistema operacional da cidade”, de acordo com o comunicado à imprensa da N-Ark.
A combinação de dados médicos e genômicos oferece cuidados médicos personalizados e avançados, incluindo simulações de descoberta de medicamentos e cirurgia robótica remota.
No entanto, construir uma cidade no mar não vem sem desafios. As estimativas da N-Ark projetam um consumo de cerca de 2 milhões de litros de água por ano, além de lidar com 3.288 toneladas de lixo anualmente. Eles também preveem a produção de quase 7.000 toneladas de alimentos e a geração de 22.265.000 kW de energia. Essas demandas substanciais de infraestrutura exigem planejamento cuidadoso e inovação.
A N-Ark pretende completar Dogen até 2030, embora os detalhes específicos das fases de construção, custos e a futura localização da cidade permaneçam em segredo.
Apesar dessas incertezas, a audácia por trás da Cidade de Dogen é inegável. É um testemunho de nossa capacidade de sonhar grande e nos adaptar ao nosso mundo em constante mudança – mesmo que isso signifique se aventurar em águas desconhecidas.
Papa Francisco tem alta hospitalar, diz Vaticano Imagem: Reprodução/Facebook Vatican News
O papa Francisco, de 86 anos, hospitalizado em Roma, capital da Itália, desde 7 de junho por causa de uma cirurgia abdominal, teve alta na manhã hoje (16), anunciou o Vaticano.
O que aconteceu:
O papa Francisco foi operado em 7 de junho por causa de uma laparocele, espécie de hérnia que se forma na cicatriz de uma operação anterior feita em 2021.
A cirurgia no intestino a que Francisco foi submetido “desenvolveu-se sem complicações e durou três horas”, conforme declaração do Vaticano.
O pontífice teve de receber anestesia geral durante a operação, realizada no Hospital Policlínico Universitário Agostino Gemelli, em Roma, capital italiana.
Durante sua internação, o papa Francisco foi submetido à fisioterapia respiratória para se recuperar da cirurgia.
A Prefeitura da Casa Pontifícia, que administra sua agenda, cancelou todas as atividades do papa até o próximo dia 18.
Seguidores acreditavam que encontrariam Jesus Cristo
No Quênia, país localizado no leste africano, uma seita que fez centenas de pessoas jejuarem para “encontrar Jesus Cristo” foi responsável por 303 mortes. Autoridades locais informaram, na terça-feira 13, que o número pode crescer significativamente.
No total, mais de 600 pessoas ainda estão desaparecidas. Esse número aumentou, depois de 19 corpos serem exumados em valas na floresta de Shakahola, no sudeste do Quênia. Houve uma expansão nas buscas, para cobrir uma área maior daquele território. Em abril, dezenas de corpos foram encontrados no mesmo local.
Cerca de 65 fiéis da seita foram acusados de tentativa de suicídio — visto que participaram do jejum — e homicídio. No Quênia, a tentativa de tirar a própria vida é crime cabível de multa e pode resultar em detenção de até dois anos. As vítimas se recusaram a comer entre 6 e 10 de junho, durante a permanência em um centro de acolhimento e resgate.
A seita é liderada pelo pastor Paul Mackenzie Nthenge, um ex-taxista que, depois de “ouvir o chamado do Senhor”, decidiu tornar-se pastor, em 2003.
Além do “jejum mortal” no Quênia
Pastor Paul Mackenzie Nthenge, acusado de levar seus seguidores à morte por inanição | Foto: Reprodução/Redes sociais
Na África, Mackenzie é líder e pastor da Igreja Internacional das Boas Novas, entidade que conta com mais de 3 mil membros. O caso ficou conhecido nas redes sociais em abril, quando autoridades encontraram diversos corpos, a maioria crianças, enterrados na floresta de Shakahola.
Mackenzie levou seus seguidores à morte por inanição depois de um longo jejum. Ele instruía os fiéis a não se alimentarem, para que pudessem “entrar no céu”. O início do jejum foi em 15 de abril, data que, de acordo com o pastor, o mundo acabaria.
O líder da seita já havia sido preso no começo do ano, sob suspeita de ter matado duas crianças por sufocamento e fome. Mas foi solto logo depois. Atualmente, está preso sob acusação de fazer “lavagem cerebral” nos cidadãos.
Saulo Jucá é pernambucano, tem cidadania portuguesa e se mudou para a cidade de Braga em 2021. Ataque aconteceu em uma cafeteria.
Um brasileiro foi agredido em Portugal, por um homem que questionou a nacionalidade dele, durante um ataque xenofóbico em Braga, cidade onde mora. O pernambucano Saulo Jucá é engenheiro civil, tem cidadania portuguesa e trabalha com fiscalização de obras.
Ele estava em uma cafeteria e conversava com o proprietário do estabelecimento quando foi abordado pelo agressor. “Ele me agrediu, chutou minha cara e minhas costelas”, disse.
O ataque aconteceu no sábado (10), data em que se comemora o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, feriado nacional do país. Nesta segunda-feira (12), Saulo contou ao g1 que tinha saído com dois amigos nas proximidades de sua casa.
Depois que se despediu dos amigos, Saulo permaneceu na área externa da cafeteria, enquanto conversava com a namorada por videochamada. Ele contou que tinha percebido o homem que o agrediu com sinais de embriaguez antes da confusão.
“Eu notei um movimento estranho do outro lado da rua. Tinha um homem visivelmente embriagado acompanhado da mãe, que não queria que ele bebesse. Era o Dia de Portugal, e eu nem sabia disso. Entrei no café porque não achei uma ‘vibe’ boa”, afirmou o engenheiro.
O brasileiro conversava com o dono do café quando o homem entrou alterado no estabelecimento. “Ele notou pelo meu sotaque que eu era brasileiro”, afirmou. O homem questionou a nacionalidade de Saulo e, quando confirmou que se tratava de um brasileiro, iniciou as agressões.
“Enquanto ele me batia, a mãe dele dizia ‘você vai ser preso de novo’. Isso aconteceu entre as 20h e as 21h. Depois disso, eu fui socorrido por uma ambulância, e a polícia chegou na sequência. Eu não cheguei a ver os policiais, porque o socorro veio primeiro”, disse a vítima.
Saulo foi internado e permaneceu no hospital até o fim da manhã do domingo (11). Em seguida, procurou uma delegacia para prestar queixa acompanhado do irmão. O exame de corpo de delito foi realizado nesta segunda-feira.
“Eu vou colocar um advogado para cuidar do caso. Existem imagens das câmeras do local e o ataque foi filmado”, declarou.
Segundo Saulo, não é raro ouvir comentários xenofóbicos no cotidiano. “A xenofobia aqui é uma coisa que, para eles, é normal, mas para a gente não é. Eu já tinha presenciado comentários preconceituosos e racistas, mas nunca tinha sofrido xenofobia diretamente”.
Devido à gravidade dos ferimentos, o engenheiro civil vai precisar ficar três semanas em recuperação.
O g1 entrou em contato com a Embaixada Brasileira em Portugal, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Em meio a uma inflação de mais de 100% ao ano no seu país, presidente argentino prepara nova visita a Brasília para o dia 26 de junho
O presidente da Argentina, Alberto Fernández (foto), vai se reunir com Lula (foto) pela quinta vez em menos de seis meses do novo governo do petista, informa o Estadão. Os governos argentino e brasileiro já trabalham para preparar uma visita de Estado de Fernández a Brasília no dia 26 de junho.
Com inflação superior a 100% ao ano no seu governo, o presidente da Argentina disse ter desistido de disputar a reeleição —segundo pesquisas, ele é rejeitado por mais de 70% do país.
A visita acontecerá dois dias depois do término do prazo para a confirmação dos candidatos à Casa Rosada, entre eles o atual embaixador argentino no Brasil, o também peronista Daniel Scioli. Segundo o jornal paulistano, Lula já manifestou preocupação com as intenções de voto no direitista Javier Milei.
O Estadão relata ainda que a comitiva e o programa oficial da visita ainda estão sendo decididos. Dois assuntos discutidos recentemente foram “o apoio do Brasil com financiamento de empresas nacionais que são exportadoras de bens e serviços para a Argentina” e a possível entrada dos argentinos no Banco dos Brics, hoje comandado por Dilma Rousseff.
Silvio Berlusconi, o extravagante bilionário e ex-primeiro-ministro italiano que já se descreveu como o “Jesus Cristo da política”, morreu em um hospital de Milão aos 86 anos, confirmou sua assessoria de imprensa nesta segunda-feira (12).
Berlusconi, que tinha um histórico recente de problemas de saúde, havia sido diagnosticado recentemente com leucemia, informou o Hospital San Raffaele de Milão.
Ele havia sido internado no hospital anteriormente com problemas respiratórios e compareceu a um check-up na sexta-feira (9).
O político, que por muito tempo foi considerado a figura pública mais marcante da Itália, foi eleito primeiro-ministro três vezes e serviu por um total de nove anos, mais do que qualquer outro desde o ditador fascista Benito Mussolini.
Carinhosamente apelidado de “Il Cavaliere” (O Cavaleiro), sua carreira foi marcada por uma série de escândalos políticos, financeiros e pessoais, muitos dos quais o levaram à Justiça.
Ele foi julgado por acusações que vão desde evasão fiscal e suborno até corrupção e sexo com uma prostituta menor de idade. Mas apenas em um caso ficou preso – uma condenação em 2012 por sonegação de impostos em um acordo envolvendo direitos televisivos.
Berlusconi foi eliminado do parlamento em 2013. Mas nunca desistiu da política, ele ressurgiu no início de 2018 como uma espécie de estadista avô, o criador de uma aliança de direita envolvendo seu partido Forza Italia.
Depois que o Tribunal de Milão lhe concedeu “reabilitação” no final daquele ano, suspendendo efetivamente a proibição de reingressar na política que vigorava após sua condenação por fraude fiscal em 2012, ele anunciou que concorreria a uma vaga no Parlamento Europeu.
Foi eleito em maio de 2019, com 83 anos, e permanecia no cargo de Deputado ao Parlamento Europeu à data da sua morte.
Berlusconi também liderou seu partido Forza Italia, que ele reviveu em 2013 depois de deixar o partido Povo da Liberdade, à vitória com a coalizão de centro-direita com Giorgia Meloni e Matteo Salvini em setembro de 2022, embora não tivesse uma pasta no governo.
Berlusconi ainda foi o principal acionista do Milan, um dos clubes de futebol mais tradicionais da Itália e da Europa, entre 1986 e 2017, quando vendeu a operação para um grupo de investimento chinês.
Em publicação no Twitter, o ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, manifestou pesar. “Uma dor grande, enorme. Ele deixa um vazio enorme porque ele foi ótimo. Uma era acabou, uma era está se encerrando”, disse.
Silvio Berlusconi foi eleito primeiro-ministro três vezes / Nicola Marfisi/AGF/Universal Images Group via Getty Images
Beppe Severgnini, colunista e autor de um livro sobre Berlusconi, descreveu o político como um “protopopulista” cujo sucesso abriu caminho para líderes como o húngaro Viktor Orban, o britânico Boris Johnson e o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump.
“Berlusconi era, na verdade, menos arrogante e menos desagradável do que a maioria, mas mesmo assim ele começou tudo”, disse Severgnini.
“O legado de Berlusconi foi que ele podia ler as fraquezas e tentações de uma nação. Isso é o que ele realmente é um mestre. Ele nos absolveu de todos os nossos pecados, fomos absolvidos antes mesmo de cometermos esses pecados, e ele não era um líder, ele era um seguidor de certa forma, ele seguia a ‘pancia’ – as entranhas da Itália”.
Desenvolvedor imobiliário para o poder político
Nascido em Milão em 1936, Berlusconi foi o primeiro a fazer seu nome como magnata dos negócios, chegando a se tornar o homem mais rico da Itália.
Ele notou cedo seu lado showman trabalhando como cantor de salão a bordo de um navio de cruzeiro para ajudar a frequentar a universidade, onde estudou direito.
Vários empreendimentos comerciais de menos rentáveis se seguiram antes que o jovem empresário desfrutasse de seu primeiro sucesso real no desenvolvimento imobiliário no final dos anos 1960, quando se envolveu em um projeto para construir o Milano Two – quase 4.000 apartamentos – fora de Milão.
Depois de acumular uma fortuna com seu portfólio de propriedades na década de 1970, ele diversificou seus interesses abrindo uma empresa de TV a cabo, a Telemilano, e comprando dois outros canais a cabo em um esforço para quebrar o monopólio nacional da TV na Itália. Em 1978, esses canais foram incorporados ao recém-formado grupo Fininvest, que incluía lojas de departamentos, seguradoras e até o Milan – um dos maiores clubes de futebol do mundo, do qual foi proprietário por 31 anos.
Berlusconi voltou sua atenção para a política em 1993, quando formou o partido de centro-direita Forza Italia, batizado em homenagem a “Forza, Italia!” (Vá, Itália!), um cântico ouvido nos jogos da seleção italiana de futebol.
No ano seguinte, em uma eleição antecipada, ele se tornou primeiro-ministro. No entanto, uma disputa com seus parceiros de coalizão de direita do Partido da Liga do Norte, bem como uma acusação por suposta fraude fiscal, encerrou o mandato de Berlusconi no cargo após apenas sete meses. Ele foi absolvido em apelação em 2000, depois que o estatuto de limitações expirou.
Após a derrota nas eleições de 1996 para seu inimigo político, Romano Prodi, ele se envolveu em outros escândalos financeiros, incluindo a acusação de subornar inspetores fiscais. Ele negou qualquer irregularidade e foi inocentado novamente em recurso em 2000.
Sua sorte mudou novamente em 2001, quando ele foi empossado como primeiro-ministro pela segunda vez. Mas Prodi – um ex-presidente da Comissão Europeia – encerrou o reinado mais bem-sucedido de Berlusconi com sua vitória da coalizão de centro-esquerda da União em 2006. Naquela época, o magnata presidia o governo italiano mais antigo do pós-guerra.
Apesar de ter implantado um marca-passo para regular seus batimentos cardíacos depois de desmaiar durante um comício político, ele se recusou a desacelerar.
Ostentando um transplante de cabelo, cirurgia estética e um bronzeado, Berlusconi voltou ao poder pela terceira vez em 2008 sob a bandeira do recém-criado partido Povo da Liberdade, que ele deixou em 2013 quando criou seu partido Forza Italia.
Autoridade vazante
O ano seguinte foi de extremos para o político veterano. Ele foi elogiado por ter lidado com o terremoto devastador que atingiu a cidade italiana de L’Aquila em abril de 2009 e sobreviveu às críticas depois de pedir aos sobreviventes que encarassem sua situação como “um fim de semana de acampamento”.
Mas no mês seguinte, a segunda esposa de Berlusconi, Veronica Lario, pediu o divórcio – alegando que seu marido, então com 73 anos, mantinha um relacionamento inadequado com uma aspirante a modelo de 18 anos, cuja festa de aniversário ele havia comparecido. Berlusconi disse que ela era filha de um amigo e que ele não fez nada de errado.
Em dezembro daquele ano, um homem com histórico de transtorno mental atingiu Berlusconi no rosto com uma réplica da catedral de Milão em um comício de campanha, quebrando vários dentes e fraturando o nariz. O ministro da Defesa à época, Ignazio La Russa, disse ao jornal italiano Corriere della Sera que o irreprimível Berlusconi continuou a apertar a mão de apoiadores por “alguns minutos” depois de ser atingido.
Com a economia do país cambaleando em meio à crise financeira, a pressão sobre Berlusconi aumentou. Gianfranco Fini – um ex-aliado do partido – atacou, acusando-o de falta de atenção à economia e às reformas estruturais de que a Itália precisava. O primeiro-ministro sobreviveu a três votos de confiança no Parlamento durante 2010 e 2011, ganhando um por apenas três votos, mas sua autoridade continuou diminuindo.
Economistas disseram que Berlusconi não tinha autoridade política suficiente para aprovar cortes de gastos nem autoridade moral para espremer mais impostos dos italianos enquanto enfrentava julgamento por várias acusações. Outros líderes europeus o criticaram por não implementar a reforma econômica com urgência suficiente.
Ele renunciou em novembro de 2011, horas depois que a Câmara Baixa do parlamento italiano aprovou uma série de medidas de austeridade exigidas pela Europa para fortalecer a confiança na economia do país.
Enquanto isso, o político enfrentou um sério desafio pessoal com acusações de sexo com uma dançarina de boate menor de idade em suas luxuosas festas “bunga-bunga”.
Ele foi considerado culpado em 2013 por pagar por sexo com uma menor, Karima el Mahroug, de 17 anos, e abuso de poder. Ele foi condenado a sete anos de prisão, mas um tribunal de apelações anulou a condenação.
Após sua condenação por fraude fiscal em 2012, Berlusconi foi condenado a quatro anos de prisão. No entanto, ele escapou com um ano de serviço comunitário porque, na Itália, pessoas com mais de 70 anos geralmente não vão para a prisão.
Berlusconi também ganhou as manchetes em 2022, quando revelou que havia restabelecido uma amizade com Vladimir Putin depois que o presidente russo lhe enviou 20 garrafas de vodca em seu aniversário. Mais tarde, ele criticou o presidente da Ucrânia, Volodymr Zelensky, por “iniciar a guerra”, o que o colocou em desacordo com seu parceiro de coalizão e o primeiro-ministro Giorgia Meloni.
Johnson deixou o posto de deputado depois de receber os resultados da investigação sobre as festas realizadas em seu gabinete na época do lockdown, quando era primeiro-ministro.
O ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson é visto no Aeroporto de Gatwick, perto de Londres, na Inglaterra, em 22 de outubro de 2022 — Foto: REUTERS/Henry Nicholls
O ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, renunciou nesta sexta-feira (9) ao cargo de deputado. Johnson deixou o posto no parlamento depois de receber os resultados da investigação que apura declarações enganosas feitas por ele sobre o caso das festas realizadas em seu gabinete, ainda quando era premiê, durante o lockdown provocado pela pandemia da Covid-19.
Em nota, Johnson acusou os adversários de tentar expulsá-lo.
“É muito triste deixar o parlamento – pelo menos por enquanto”, disse Johnson em um comunicado. “Estou sendo forçado a sair por um pequeno punhado de pessoas, sem nenhuma evidência para apoiar suas afirmações e sem a aprovação nem mesmo dos membros do partido conservador, muito menos do eleitorado em geral”, disse.
Johnson renunciou ao cargo de primeiro-ministro em 2022 em meio a uma série de escândalos, mas permaneceu como legislador no parlamento britânico.
Reuniões com convites enviados para mais de 100 funcionários do gabinete de Johnson ocorreram no jardim da residência oficial do governo, em Downing Street, durante um período de regras rígidas de lockdown no Reino Unido em 2020 e 2021 devido à Covid-19.
Naquela época, visitas eram proibidas e encontros de duas pessoas só podiam ocorrer ao ar livre, com distanciamento de dois metros. As imagens das festas foram divulgadas pela imprensa e revoltaram os britânicos. O caso ficou conhecido como Partygate.
A polícia investigou 12 encontros. Tanto Boris quanto sua esposa, Carrie, acabaram multados.
Esse foi um dos estopins para renúncia do cargo de primeiro-ministro britânico, em julho de 2022.
A companhia aérea Flybondi adiou os voos por três por causa de restrições cambiais do governo da Argentina. Com isso, mais de 5,5 mil passageiros serão afetados. A medida vale por três dias.
Em comunicado, a companhia aérea argentina afirmou que não consegue cumprir com as rendas e o pagamento de serviços especializados que tem de contratar no estrangeiro, segundo divulgou a agência de notícias Associated Press.
O problema está na falta de acesso ao dólar para quitar os débitos com Air Castle, empresa que arrenda as aeronaves. O governo argentino estabelece restrições à moeda americana para preservar as baixas reservas do Banco Central do país e defender o peso, a moeda local.
“Existem atualmente medidas oficiais restritivas para empresas que precisam ter acesso à moeda estrangeira para efetuar pagamentos no exterior. Na Flybondi, contratamos diversos serviços especializados no exterior e que são pagos em dólares. Para tal, devemos solicitar autorização periodicamente, mas nos últimos dois meses não recebemos as aprovações”, informou a companhia. “Assim, fomos acumulando quebras nos contratos e a mais crítica é o pagamento do aluguel dos aviões.”
Voos cancelados no país
Desde quarta-feira 7, a companhia cancelou 22 voos e teve de remarcar outros dez. Não foram informados os destinos. As viagens seriam feitas pelos dois Boeing 737 entregues para locação pela Air Castle à companhia argentina.
Há cinco anos operando no país, a empresa de baixo custo diz esperar que “o processo de aprovação tenha a agilidade e a rapidez que o setor aéreo precisa”.
A Flybondi não descarta novos cancelamentos e atrasos, caso a situação não volte ao normal.
A Flybondi também opera três rotas para o Brasil, com 17 voos semanais de Buenos Aires para atender Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro.
Oficiais das Forças Armadas da China estão no Brasil | Foto: Reprodução/Xinhua
A China vai construir uma base secreta em Cuba. A informação foi divulgada nesta quinta-feira, 8, pelo jornal norte-americano The Wall Street Journal.
A base secreta chinesa em Cuba será uma instalação de espionagem eletrônica, posicionada a cerca de 160 quilômetros de distância do estado norte-americano da Flórida. publicidade
Segundo o The Wall Street Journal, que cita fontes da inteligência americana, a instalação de espionagem permitiria a Pequim coletar comunicações eletrônicas do sudeste dos Estados Unidos, região que abriga muitas bases militares, bem como monitorar o tráfego de navios.
A sede do Comando Militar Central dos Estados Unidos, por exemplo, fica na cidade de Tampa, na Flórida. Enquanto isso, a maior base militar em território norte-americano, Fort Liberty, está sediada na Carolina do Norte.
Cuba aceita base secreta chinesa em troca de bilhões de dólares
Manifestantes contrários ao lockdown agitam as bandeiras de Wisconsin e dos Estados Unidos durante um protesto em Madison, Wisconsin, EUA, em 24/4/2020 | foto: Shutterstock
Segundo o jornal norte-americano, China e Cuba chegaram a um acordo que prevê a instalação da base de espionagem em troca de “vários bilhões de dólares”. A ditadura comunista cubana teria aceitado a proposta chinesa por causa das sérias dificuldades econômicas que está enfrentando.
Todavia, a Casa Branca questionou a informação. “Nós vimos o relatório. Ele não é correto”, disse John Kirby, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca. Entretanto, o funcionário do governo norte-americano não especificou o que achava que estava incorreto.
Kirby salientou que os Estados Unidos têm “preocupações reais” sobre o relacionamento da China com Cuba e o estão monitorando de perto.
“Embora eu não possa falar sobre esta notícia específica, estamos bem cientes — e já falamos sobre isso muitas vezes — dos esforços da República Popular da China para investir em infraestrutura em todo o mundo que pode ter fins militares, inclusive em nosso hemisfério”, disse Kirby.
As embaixadas chinesa e cubana em Washington não quiseram comentar o assunto.
Tensões montantes entre China e Estados Unidos
Manifestantes contrários ao lockdown agitam as bandeiras de Wisconsin e dos Estados Unidos durante um protesto em Madison, Wisconsin, EUA, em 24/4/2020 | foto: Shutterstock
A possível instalação de umabase chinesa em Cubaocorre em um momento em que Washington e Pequim estão tomando medidas para aliviar as tensões, que aumentaram recentemente. Nos últimos meses, inúmeras incursões de aviões militares chineses no Mar da China Meridional alimentaram a crise entre os dois países.
Em fevereiro um balão de espionagem chinês de grande altitude cruzou o espaço aéreo dos Estados Unidos antes que a Força Aérea Americana o derrubasse.
A notícia também poderia colocar em cheque a visita oficial à China que o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, está planejando para as próximas semanas. Por causa do acidente do balão de espionagem, essa visita já tinha sido cancelada.
Para o senador do Partido Democrata Bob Menendez, membro do comitê de relações exteriores do Senado, se a notícia for confirmada seria “um ataque direto aos Estados Unidos”. “Portanto, espero que o governo pense em como reagirá, se for verdade”, disse o político norte-americano.
Cuba é pivô histórico de espionagem (e de crises)
Bandeira de Cuba | Foto: Pixabay
Cuba, antigo inimigo dos Estados Unidos durante a Guerra Fria, sempre foi um pivô de operações de espionagem.
A Crise dos Mísseis Cubanos quase levou o mundo a uma guerra nuclear em 1962, depois quea União Soviética começou a colocar armas nucleares na ilha. Após um bloqueio naval norte-americano, Moscou recuou e removeu os mísseis.
Na década de 1960, os soviéticos instalaram uma base de espionagem na Ilha de Lourdes, ao sul de Havana, com antenas parabólicas apontadas para os Estados Unidos. O presidente russo, Vladimir Putin, fechou a instalação em Cuba no início dos anos 2000.