O voo QXE2059 estava sendo realizado pela Horizon Air em um avião modelo Embraer 175, bimotor a jato Imagem: Reprodução/FlightAware
Um piloto da companhia aérea Alaska Airlines foi preso ontem (22), sob acusação de tentativa de homicídio contra mais de 80 passageiros e tripulantes, após supostamente tentar desligar os motores de um avião em pleno ar. Ele estava de folga e viajava na aeronave como passageiro.
O que aconteceu:
O voo QXE2059 decolou de Everett, Washington, com destino a São Francisco, às 17h23 de domingo (horário local), segundo informou a Alaska Airlines em um comunicado.
Ele era operado pela Horizon Air, subsidiária da Alaska Airlines, mas teve que ser desviado devido a uma ameaça de segurança referente a uma pessoa que ocupava um assento auxiliar no interior da cabine de comando, apurou a NBC News.
O ocupante do assento auxiliar tentou, sem sucesso, interromper o funcionamento dos motores. O capitão e o primeiro oficial da Horizon responderam rapidamente, a potência do motor não foi perdida e a tripulação protegeu a aeronave sem incidentes Alaska Airlines, em comunicado encaminhado à imprensa
O voo, que decolou por volta das 17h30 (horário local) do domingo, teve que ser desviado e pousou cerca de uma hora depois no aeroporto de Portland, em segurança, segundo dados da FlightAware.
O causador do incidente foi identificado como um piloto da companhia, que estava fora de serviço. O assento auxiliar da cabine de comando é geralmente utilizado por pilotos fora de serviço, que retornam de viagens ou se dirigem a aeroportos para iniciar sua jornada de voos.
Comunicação com a torre:
Um áudio contendo trechos da comunicação do avião com o controle de tráfego aéreo revela uma tentativa de desligar os motores do avião, modelo Embraer 175, bimotor a jato:
Atenção. Temos aqui o sujeito que tentou desligar os motores, de dentro da cabine. Não parece que ele tenha algum problema nas costas agora. Acho que ele foi subjugado. Fora isso, queremos a aplicação da lei assim que chegarmos ao solo e estacionarmos. Trecho da conversa entre o piloto da aeronave e a torre de comando
Após o desembarque, o piloto fora de serviço, Joseph David Emerson, 44, foi preso pela polícia do Aeroporto de Portland, segundo informações da NBC News.
Ele foi autuado por 83 acusações de tentativa de homicídio, 83 acusações de conduta ilícita e imprudente e uma acusação por colocar a aeronave em perigo, segundo os registros do Gabinete do Xerife do Condado de Multnomah.
O FBI disse que está investigando o caso e observou que nenhum ferimento foi relatado. A agência disse que “pode garantir aos usuários de voos nos EUA não haver ameaça contínua relacionada a esse incidente”. Enquanto isso, a FAA (Administração Federal de Aviação) afirmou estar “em comunicação com as companhias aéreas do Alasca e da Horizon” e “apoiando as investigações policiais”.
A FAA enviou alerta às companhias aéreas após o incidente da Horizon Air, dizendo que “um passageiro autorizado a utilizar o assento auxiliar na cabine de comando tentou desativar os motores da aeronave enquanto estava em altitude de cruzeiro, implantando o sistema de supressão de incêndio no motor”.
A tripulação finalmente conseguiu “subjugar o sujeito”, removê-lo da cabine de comando, desviar o avião e pousar com segurança, disse o alerta. Numa segunda notificação, a FAA esclareceu que o evento de segurança não está ligado aos acontecimentos mundiais atuais.
Todos os passageiros puderam viajar em um voo posterior, em direção ao destino inicial: a cidade de São Francisco.
A euforia no bunker de Javier Milei neste domingo (22) esteve longe da vista nas eleições primárias em que saiu vitorioso, em agosto. O ultraliberal, porém, fez questão de se mostrar feliz e esperançoso com o segundo lugar e a possibilidade de ser presidente da Argentina em 19 de novembro.
“Não deixemos de ter a real magnitude do evento histórico frente ao qual estamos. Em dois anos viemos a disputar o poder ao mais nefasto poder da história da democracia moderna”, disse ele, que teve 30,1% dos votos válidos, contra 36,4% do ministro da Economia e peronista Sergio Massa.
Ele também indicou que buscará uma aliança com a coalizão Juntos pela Mudança para o segundo turno: “Hoje eu venho a dar por terminado esse processo de agressões e ataques e estou disposto a fazer tábula rasa para terminar com o kirchnerismo”, discursou.
Já Patricia Bullrich, que está fora da disputa, ecoou o antikirchnerismo e admitiu erros. “Esta noite em que não alcançamos os objetivos que queríamos para a nossa Argentina, viemos para reafirmar com toda a força os valores de nossa causa […] Nossa causa vai além do momento eleitoral e de um momento de derrota. Hoje, a aceitamos.”
Javier Milei e Sergio Massa disputarão 2º turno na Argentina
Foto: Fotos: Foto de Tomas Cuesta/Agustín Marcarian/Pool/Getty Images.
A eleição presidencial na Argentina está oficialmente marcada para um segundo turno, que ocorrerá no dia 19 de novembro. Com mais de 88% das urnas apuradas até o momento, Sergio Massa, o candidato peronista da coalizão Unión por la Patria, lidera a corrida presidencial com 36.26% dos votos. Ele competirá pelo cargo de presidente contra Javier Milei, que representa a ala ultraliberal de direita conhecida como Libertad Avanza, somando 30.20%.
Patricia Bullrich, candidata de centro-direita da coalizão Juntos por el Cambio, encontra-se em terceiro lugar, com 23,8% dos votos, enquanto Juan Schiaretti, da coligação Hacemos por Nuestro País, está na quarta posição com 7% dos votos.
Para evitar um segundo turno, um dos candidatos precisaria obter mais de 45% dos votos válidos ou mais de 40% com uma diferença de 10 pontos percentuais em relação ao segundo colocado.
As eleições realizadas neste domingo (22) registraram a maior taxa de abstenção em eleições presidenciais desde 198.
De acordo com a Direção Nacional Eleitoral, apenas 74% dos eleitores aptos compareceram às urnas. Em contraste, nas eleições de 2019, 80% dos eleitores exerceram seu direito de voto para escolher o presidente do país.
Como a Argentina é um parceiro histórico do Brasil, é natural que a eleição no país vizinho atraia tanta atenção. Porém, neste ano, os ânimos ficaram aflorados com a provável vitória de Javier Milei, o candidato ultraliberal que já foi chamado de Jair Bolsonaro argentino. O candidato de A Liberdade Avança promete romper com o establishment e promete romper com governos comandados por esquerdistas, entre eles o de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Palácio do Planalto já evidenciou a preferência por Sergio Massa, apoiado pelo atual presidente Alberto Fernández, e não esconde a preocupação com a ascensão de Milei, como ficou claro em uma entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Já a oposição surfa na onda mileísta e mostra simpatia pelo líder das pesquisas.
Jair Bolsonaro já havia anunciado seu apoio em agosto, na véspera das eleições primárias, conhecidas como Paso (Primárias, Abertas, Simultâneas e Obrigatórias), que eliminam os candidatos nanicos e definem quem pode participar de fato do pleito. A família Bolsonaro, aliás, já era bem próxima de Milei. Tanto é que Eduardo Bolsonaro viajou a Buenos Aires para sinalizar que está com o outsider que se define como anarcocapitalista. Com ele está Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores do governo Bolsonaro, que por volta das 17h se dirigia ao “buker” da campanha do novo ‘queridinho” da direita brasileira. “A Argentina precisa enfrentar o crime organizado penetrado nas instituições, a insegurança, a violência urbana, a economia esfacelada por medidas da esquerda. A paixão que as pessoas estão botando no Milei vai muito além da economia. Há uma recuperação do sentimento de pátria e de fé”, disse Araújo. Também pegou um avião rumo à capital argentina o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), que foi convidado pelo Liberdade Avança para acompanhar as eleições como observador internacional. Na internet, o senador Sergio Moro disse que Milei e Paticia Bullrich, da coligação de centro-direita Juntos pela Mudança, representam “a oportunidade de ‘adiós’ ao kirchnerismo”.
Já a base governista afirma que a eleição do ultraliberal teria consequências drásticas para a Argentina e também para o Brasil. “Propaganda na TV Argentina faz uma comparação do candidato da extrema-direita à presidência, Javier Milei, com o inelegível genocida do Brasil. Que o povo argentino tenha lucidez e não cometa o mesmo erro que os brasileiros em 2018”, escreveu em seu perfil no X (antigo Twitetr) a deputada federal Fernanda Melchhionna (Psol-RS). Jandira Feghali declarou que “Milei é feito do mesmo material que Bolsonaro: ódio, mentiras, retrocesso e submissão ao capital estrangeiro”. Já o senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), líder do governo no Congresso expressou apenas seu desejo de que a democracia prevaleça. Ainda que repudie Milei, o Planalto não deseja um rompimento total com o país vizinho.
Com uma inflação exorbitante, câmbio descontrolado e uma série de déficits fiscais, especialistas afirmam que chefe de Estado eleito precisará ser pragmático para implementar reformas estruturais no país.
Eleições na Argentina: saiba quem são os três candidatos com chances de serem eleitos
O primeiro turno das eleições presidenciais na Argentina acontece neste domingo (22) – e pode traçar novos direcionamentos para a crise econômica decenária que o país enfrenta.
A leitura de especialistas ouvidos pelo g1 é a de que o novo chefe de Estado do país — seja quem for — terá uma série de desafios a enfrentar pela frente. Em uma pequena lista de principais aspectos da crise econômica que o país enfrenta estão:
uma inflação exorbitante, que já passa dos 130%;
a forte desvalorização cambial do peso argentino;
a contínua emissão de dinheiro por parte do Banco Central local para sustentar o rombo nas contas públicas;
uma dívida externa bilionária, junto a uma falta de reservas internacionais;
os altos níveis da taxa de pobreza na população argentina.
E não é só. Parte do desafio do novo presidente também será formar um capital político relevante para lidar com a falta de consenso nacional sobre o quadro inflacionário e de juros no país, e para conseguir implementar as reformas estruturais necessárias.
Antes de aprofundar a questão econômica da Argentina, veja abaixo quem são os principais candidatos à presidência
Os três principais candidatos à presidência da Argentina, que reúnem mais de 80% das intenções de voto, de acordo com o resultado das eleições primárias do país:
O economista ultraliberal e de extrema direita Javier Milei
Da chapa “A Liberdade Avança”, o economista se autodeclara “anarcocapitalista”. Suas promessas incluem a dolarização da economia (substituir o peso argentino pelo dólar norte-americano) e a extinção do Banco Central local, por exemplo.
O atual ministro da economia argentino, Sérgio Massa
Advogado e político, o argentino é membro da “União pela Pátria” e candidato escolhido para representar o governo peronista, a principal força política da Argentina por décadas. Suas promessas giram em torno do combate à inflação e no potencial de negócios internacionais que o país detém, a partir do petróleo, do gás e do lítio.
A candidata de centro-direita, Patrícia Bullrich
Ex-ministra da segurança, trabalho e segurança social da Argentina, Bullrich é uma das líderes da coalizão “Juntos Pela Mudança”. Suas propostas incluem estabelecer um novo regime cambial, cortar gastos para combater a inflação e reduzir os impostos sobre as exportações agrícolas.
Os desafios econômicos do novo presidente
Com uma inflação exorbitante, altos níveis de pobreza, a falta de reservas e uma forte desvalorização cambial — que leva o país a ter mais de dez cotações vigentes —, o novo chefe de Estado terá uma lista grande de lições de casa.
Para analistas ouvidos pela reportagem, uma postura mais prática, voltada para a eficiência, e que fuja de posicionamentos muito radicais seria desejável para promover as mudanças que o país precisa.
“Depois de eleito, [o novo presidente] precisa necessariamente virar um ser pragmático. Quando você se senta na cadeira da presidência, é muito difícil levar para lados extremados”, diz o economista da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EESP-FGV), Paulo Gala.
Além disso, os especialistas reforçam que o novo presidente precisará enfrentar um Estado ineficiente e ter planos econômicos muito claros. É o caso de uma implementação de reformas fiscal e monetária no país.
Segundo especialistas, parte importante do que explica a atual situação na Argentina é o acúmulo de déficits fiscais. Há mais de 10 anos, os gastos do governo são maiores do que quanto ele consegue arrecadar.
Além dos gastos essenciais, que não podem ser cortados porque garantem o funcionamento do Estado, o governo ainda concedeu uma série de auxílios sociais e subsídios que diminuem, ano a ano, a arrecadação pública.
Sem dinheiro para financiar suas despesas recorrentes, o governo passou a emitir dívida por meio de títulos públicos. Nem assim os recursos foram suficientes.
O Estado que gasta muito não consegue fechar suas contas e, então, passa a imprimir dinheiro. Isso aumenta a inflação e gera uma série de problemas micro e macroeconômicos.
— Alexandre Pires, professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais de São Paulo (Ibmec-SP)
Além disso, o maior volume de pesos nas ruas também gerou uma forte desvalorização da moeda local e incentivou a criação de uma série de regimes cambiais alternativos.
De acordo com o professor de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Roberto Uebel, esse cenário também agravou um problema já visto há anos na Argentina: a forte dependência do dólar norte-americano.
“Escolhas políticas e econômicas feitas nos últimos 30 anos tornaram a economia do país totalmente dependente do dólar, seja para transações simples, como comprar um jornal na esquina, até grandes transações da matriz argentina, como as exportações”, afirma.
“Isso trouxe a existência de várias linhas cambiais, que também acabam minando o poder de compra da população e ajudam a tornar a inflação algo descontrolado”, completa Uebel.
Em agosto, o Fundo Monetário Internacional (FMI) firmou um acordo com o governo argentino, liberando o desembolso de US$ 7,5 bilhões para o país por meio de um programa assistencial.
Essa foi a sexta revisão do acordo entre as partes — a Argentina já tinha assinado um programa de crédito com o fundo no ano passado, de US$ 44,5 bilhões, tendo se comprometido a aumentar suas reservas internacionais e reduzir seu déficit fiscal. Uma nova revisão do acordo está prevista para depois das eleições presidenciais.
Dentre as consequências do déficit fiscal, ficou evidenciada a necessidade de uma reforma monetária no país.
Na primeira quinzena do mês, o Instituto Nacional de Estatísticas da Argentina informou que a inflação no país subiu 12,7% em setembro. Na janela de 12 meses, o indicador chegou a 138,3%.
Em resposta, o Banco Central da República Argentina (BCRA) elevou novamente a taxa básica de juros do país em 15 pontos percentuais (p.p.) — de 118% para 133% ao ano. E, na leitura dos especialistas, o ciclo de altas de juros está só no começo.
“Qualquer plano de reforma monetária vai implicar em uma taxa de juros mais elevada para tentar estabilizar os preços. Se a meta é controlar a inflação, e essa tem sido a prioridade número um dos argentinos, o movimento de alta de juros será necessário”, diz Gala.
Vale lembrar que Javier Milei, candidato vencedor das eleições primárias na Argentina, tem como uma de suas promessas a dolarização da economia.
A medida substituiria o peso argentino pelo dólar norte-americano — e, com isso, o país não apenas precisaria da Casa da Moeda dos Estados Unidos para a importação da moeda, como deixaria as decisões de política monetária dependentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).
Crise no balanço de pagamentos
Outro ponto é a crise no balanço de pagamentos. O termo em “economês” significa que mais dinheiro sai do que entra na Argentina. Parte da sua origem está também nas dívidas externas que o país contraiu ao longo das décadas, mas principalmente na incapacidade de a Argentina atrair capital estrangeiro.
Como se fosse pouco, a Argentina vive um momento de seca histórica em 2023. A falta de chuvas atingiu a última safra de milho, soja e trigo, além de derrubar a produção do país e matar milhares de cabeças de gado.
As tentativas de manipulação do câmbio foram gerando problemas para o comércio exterior e para a inflação. Tem um impacto interno — com empobrecimento da população, complicação das tomadas de decisão para investimentos e redução da produtividade – e externo, que reverberou na capacidade de exportação.
— Alexandre Pires, professor do Ibmec-SP
Atualmente, há mais de dez cotações de dólar vigentes no país. Isso porque houve um aumento do uso da moeda norte-americana pela população, em meio à perda da credibilidade do peso argentino. Sem reservas suficientes para atender a demanda, o governo impôs um limite de compra por pessoa, criando um comércio paralelo.
Os meios não oficiais de compra e venda de dólar têm cotações próprias, e que fogem da fiscalização. Nesse contexto, surgiu a principal cotação paralela do país, o “dólar blue”, que opera em quase o triplo do valor do câmbio oficial argentino.
“O presidente eleito precisará lidar com a raiz dos problemas econômicos da Argentina […] que é a excessiva dependência do dólar. Não há fórmula mágica e a perspectiva é preocupante. É preciso traçar medidas para recuperar a segurança dos investidores e atrair capital”, diz Uebel.
Já para Gala, da FGV, é preciso lembrar que a situação pela qual o país passa é grave – e sua solução demandará tempo.
“É um horizonte de pelo menos dois anos, não é algo que dê para resolver em questão de meses. A Argentina precisa de uma reforma econômica drástica, e infelizmente essa não parece ser uma perspectiva de curto prazo”, completa.
O candidato da ultradireita favorito para vencer o primeiro turno das eleições presidenciais da Argentina no próximo domingo (22), Javier Milei, do partido A Liberdade Avança, encerrou sua campanha em Buenos Aires prometendo transformar seu país em uma “potência mundial”.
Em ato na noite desta quarta-feira (18), Milei também afirmou que se mais argentinos forem às urnas, “é provável” que ganhe o pleito já no primeiro turno.
“Não nos resignemos a que nada mude, a que sermos cada dia mais pobres”, disse o candidato em uma casa de shows da capital argentina, diante de um público majoritariamente jovem.
Milei, que se define como anarcocapitalista, além de propor dolarizar a economia e extinguir o Banco Central, criticou afirmações de seus oponentes sobre o voto nele ser um salto no escuro: “De que salto no escuro vocês estão falando?”
“Do salto no escuro de vocês, ladrões empobrecedores”, acusou, qualificando-se como um “outsider” que teve que entrar na política para que os políticos não continuassem “c*gando” na população, em suas próprias palavras.
A noite foi regada por canções como “que saiam todos, que não fique nenhum”, muito usada na crise de 2001 contra os políticos, e “a casta tem medo”.
Também houve, em diversos momentos, gritos do público conclamando uma vitória de Milei no primeiro turno, além de vaias e xingamentos ao presidente venezuelano Nicolás Maduro e a jornalistas, já que Milei acusa uma parte da imprensa local de receber dinheiro de políticos.
Até um jingle em português brasileiro tomou conta do ambiente: “Ele vai pra cima, vai acabar com a inflação, vai privatizar, dolarizar a nação (…) é o Milei, é o Milei, presidente da Argentina, todos sabem que é o Milei”, dizia a canção, colocada no evento enquanto o público esperava por Milei.
“Na hora de votar, Javier Milei, ‘la casta tiene miedo, arriba!’” (“a casta tem medo, para cima!”, em português), convocou a música, que também mencionou a má gestão e a corrupção na Argentina.
O ultradireitista somente entrou em cena após a projeção de um vídeo com imagens de bombas, explosões, implosões e edifícios desabando.
Para chegar ao palco, o candidato passou no meio do público, cercado de seguranças, ao som da paródia de um rock local que faz menção ao pânico gerado por um “leão”, um dos apelidos pelos quais Milei é conhecido: “Olá a todos, eu sou o leão, rugiu a besta no meio da avenida. Todos correram sem entender, ‘panic show’ a plena luz do dia (…) sou o rei e te destruirei; toda a casta é do meu apetite”.
Enquanto o som tocava, um leão de fogo era projetado no telão. Os presentes, que encheram mas não lotaram o local, vibravam como em um show. Alguns deles, fantasiados de leão. Caso do eletricista Alejandro Llanes, de 32 anos, que veio da província de Santa Fé para o ato de Milei e estava muito suado pelo calor da fantasia.
Oito aeroportos na França precisaram fechar após ameaças de bomba na manhã desta quarta-feira (18/10) e vários foram evacuados. As informações são da autoridade de aviação DGAC.
Os aeroportos afetados foram os de Toulouse, Biarritz, Pau, Nice, Lyon, Lille, Rennes e Nantes, segundo um porta-voz da DGAC e o Ministério do Interior francês.
O Palácio de Versalhes também precisou fechar as portas pela terceira vez em uma semana por motivos de segurança.
⚠️ Oito aeroportos na França são evacuados após ameaças de bomba.
O Palácio de Versalhes também precisou fechar as portas pela terceira vez em uma semana por motivos de segurança.
De acordo com a imprensa europeia, nenhum avião pode decolar destes aeroportos, mas alguns continuam aterrissando. Nesses casos, os passageiros são desembarcados sem passar pelo terminal ou aguardam dentro da aeronave.
A Direção Geral da Aviação Civil confirmou os alertas de bombas e evacuações em vários terminais, incluindo Lille, Lyon, Toulouse e Beauvais, sem divulgar mais detalhes.
Em Nice, no sudeste francês, houve apenas um alerta de pacote suspeito, que resultou na criação de um perímetro de segurança, mas a situação voltou ao normal, conforme informado pelo aeroporto.
No aeroporto comercial de Lyon, “as dúvidas foram dissipadas e o tráfego foi retomado”, de acordo com a administração local.
O Aeroporto de Lille emitiu um comunicado afirmando que os serviços de segurança do estado estão presentes no local e que o terminal foi evacuado às 5h30 (Horário de Brasília). Três voos foram desviados, conforme informou um porta-voz.
“Equipes de segurança do Estado estão no local”, disse o aeroporto no X (antigo Twitter).
Os Estados Unidos vetou a proposta do Brasil para uma resolução sobre o conflito entre Israel e o Hamas em reunião no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (17/10).
A representação dos EUA na reunião justificou o veto por causa de uma mudança no texto da proposta, de incluir um pedido de cessar-fogo imediato. Essa alteração foi feita pela Rússia.
No placar geral, 12 países votaram a favor da proposta brasileira, Rússia e Reino Unido se abstiveram e apenas os EUA votou contra. A representação dos Estados Unidos argumenta sobre a necessidade de uma cláusula sobre o direito de Israel se defender. Membros permanentes do conselho têm poder de veto, independente do resultado da votação. Os EUA é membro permanente.
Países que votaram a favor do texto brasileiro: Albânia, Brasil, China, Emirados Árabes, Equador, França, Gabão, Gana, Japão, Malta, Moçambique e Suíça.
O presidente norte-americano Joe Biden se encontrou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nesta quarta.
Proposta brasileira na ONU
Entre as propostas do texto do Brasil estavam “pausas humanitárias para permitir o acesso humanitário rápido e seguro”.
A proposta da diplomacia brasileira também previa a revogação imediata da ordem de evacuação das áreas ao norte da Faixa de Gaza.
Também era enfatizada a necessidade de fornecer eletricidade, água, alimentos e medicamentos para a população civil de Gaza.
Outro ponto que estava na proposta brasileira era a libertação imediata e incondicional dos reféns civis, sequestrados por integrantes do Hamas no dia 7 de outubro.
“Preocupação humanitária”, diz chanceler
Em coletiva no Itamaraty, o ministro das Relações Internacionais, Mauro Vieira, comentou sobre o veto à proposta brasileira. Segundo ele, os membros do Conselho de Segurança da ONU pediram uma resolução que fosse mais “palatável para todos”. “Isso foi feito”, apontou o chanceler.
“Eu continuei em contato com a nossa equipe em Nova York e apresentamos, depois de intensas e múltiplas consultas, um texto que foi aceito por 12 dos 15 membros. E teve o voto positivo de 12 dos 15 membros”, continuou Vieira.
Segundo ele, o texto focava no fim das hostilidades para a abertura de um corredor humanitário e estabelecia possibilidade de envio de ajuda. “Infelizmente, não foi possível aprovar essa resolução. Ficou claro uma divisão de opiniões, mas acho que do nosso ponto de vista e do governo brasileiro fizemos todo o esforço possível para que cessassem todas as hostilidades e parassem o sacrifício humano”, afirmou Mauro Vieira.
“A nossa preocupação foi humanitária neste momento, e cada país tem a sua inspiração própria”, concluiu o chanceler.
A menos de uma semana das eleições presidenciais na Argentina, a população enfrenta uma nova alta no preço dos alimentos no país, que aumentaram de 25% a 30%, em alguns setores.
Segundo o jornal argentinoClarín, a semana passada foi marcada pela falta de produtos nas prateleiras dos estabelecimentos e, durante 72 horas, alguns locais ficaram sem preços expostos. “Agora, recebemos listas com aumentos entre 25 e 30% em frios, cervejas, chocolates, queijos, refrigerantes e pães lácteos”, disse a funcionária de um comércio de Buenos Aires.
Segunda a mulher, que não quis ser identificada, algumas mercadorias dobraram de preço neste mês. “O açúcar passou de 620 pesos argentinos (cerca de R$ 8,90) para 1.200 pesos (R$17,25), e as lentilhas, de 400 pesos (R$ 5,75) para mais de 1.000 pesos (R$ 14)”, disse.
O proprietário de outro estabelecimento afirmou que nos últimos dias tem recebido aumentos generalizados entre 10% e 15% “em quase todos os produtos de sua loja: tabaco, refrigerantes, cigarros e resmas de papel”.
Além dos consumidores, os donos de estabelecimentos relatam que também sofrem as consequências da escassez de muitos produtos de consumo básico, fruto do programa Preço Justo, criado pelo governo de Alberto Fernández para conter a inflação. A medida impede o aumento de preço superior a 5% ao mês, o que leva muitos comerciantes a retirarem mercadorias das prateleiras para não saírem no prejuízo.
De acordo com oClarín, alguns dos produtos que mais faltam nos mercados são refrigerantes, cervejas, leites, iogurtes, café e chás.
Os últimos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) apontam que o índice de preços ao consumidor (IPC) na Argentina chegou a 138,3% em 12 mesesna medição feita em setembro. Em nove meses, a inflação acumulada chegou a 103,2%.
Eleições presidenciais
No próximo dia 22, os eleitores argentinos participam das eleições presidenciais para definir a nova chefia da Casa Rosada.
Os principais nomes que disputam o cargo são o atual ministro da Economia, Sergio Massa, apoiado pelo governo de Alberto Fernández; o libertário Javier Milei, vencedor das primárias de agosto e líder nas principais pesquisas de opinião no país; e a ex-ministra da Segurança durante o governo de Mauricio Macri, Patricia Bullrich.
Duas pessoas foram mortas esta segunda-feira à noite em Bruxelas, na Bélgica, alvejadas à queima roupa por um atirador armado com uma aparente arma de guerra.
A notícia foi confirmada pelas autoridades belgas, que ativaram um centro de crise, ao qual se juntou o primeiro-ministro e os ministros do Interior e da Justiça, e ainda o presidente da câmara de Bruxelas.
O porta-voz do centro de gestão de crise anunciou que o Orgão de Coordenação para a Anlise de Ameaças (OCAM, na sigla original) aumentou o nível de alerta para “4”,o mais alto, na cidade de Bruxelas, deixando o resto da Bélgica no “3”.
A procuradoria federal belga está a investigar o caso como um ataque terrorista. O atirador colocou-se em fuga, informou a polícia.
Nas redes sociais circulam vários vídeos. Num deles, registado por um morador na zona, é possível ver um homem com um casaco laranja fluorescente, capacete branco e uma arma na mão a disparar no meio da rua.
Depois, o atirador no vídeo persegue duas pessoas que se refugiavam dentro de um prédio e alvejou-as à queima roupa, uma delas quando várias vezes quando já estava no chão.
O terrorista foi ainda filmado em fuga numascooter .
Os jornais belgas dizem que as duas vítimas serão de nacionalidade sueca porque vestiam camisolas da seleção sueca. Deveriam estar em Bruxelas para assistir ao jogo Bélgica-Suécia, marcado para as 20h45 (menos uma hora em Lisboa).
O jogo, a contar para a fase de qualificação do Euro2024, prosseguiu como programado, tendo sido antecedido por um minuto de silêncio pela Federação Belga em nome de “todos os inocentes vítimas da atual violência em Israel, nos territórios palestinianos e em todas as outras partes do mundo”.
Os meios de comunicação belgas noticiaram que o alegado autor dos disparosterá gravado um vídeo onde diz pertencer ao grupo terrorista autoproclamado Estado Islâmico e reivindica o ataque para “vingar os muçulmanos que vivem e morrem” pelo Islão.