Neste domingo (13), mais de 35 milhões de eleitores devem comparecer às urnas na Argentina, entre às 8h e 18h (horário de Buenos Aires e Brasília), para votar para presidente e vice-presidente, senador e deputado federal. Mas ninguém será eleito ainda.
Isso acontece porque a votação define apenas quem está apto a ser candidato nas eleições gerais argentinas, que acontecem no dia 22 de outubro.
São conhecidas como eleições primárias. Ou, para ser mais exato, “Paso” — sigla em espanhol para Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias.
Podem seguir na corrida as agremiações políticas que obtiverem pelo menos 1,5% dos votos válidos no distrito — no caso de deputados federais e senadores — ou em todo território nacional — para presidente e vice-presidente.
No caso da eleição para presidente, os grupos políticos podem lançar mais de um pré-candidato, mas apenas o mais votado vai para as eleições gerais.
Assim, diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos e no Brasil, por exemplo, a seleção das candidaturas não fica reservada apenas aos partidos políticos.
Ela é aberta a todo o eleitorado. Ou seja, o eleitor que irá votar poderá escolher quais candidatos de um determinado partido ou coligação prefere como candidato à Presidência.
Os pré-candidatos que serão escolhidos hoje serão, de fato, os candidatos que concorrerão à Presidência da Argentina no dia 22 de outubro.
Os postulantes precisariam de 45% para vencer a eleição geral já no primeiro turno, ou 40% com uma vantagem de 10 pontos sobre o segundo colocado.
Se nenhum partido conseguir isso, haverá um segundo turno no dia 19 de novembro.
As eleições primárias também são simultâneas: no mesmo dia e no mesmo ato eleitoral, todos os grupos definem conjuntamente as suas candidaturas a todos os cargos eletivos nacionais em disputa.
A presença é obrigatória a todos os eleitores argentinos de 18 a 70 anos que moram no país. Quem não votar, entra no registo de infratores e deve pagar uma multa, exceto se justificar a ausência por motivos de saúde ou distância.
Se o eleitor não explicar sua ausência, ainda assim, não recebe nenhum impedimento para votar nas eleições gerais.
O cenário é um pouco diferente para os grupos políticos. As primárias também são obrigatórias a eles — mas, caso não participem desse pleito, não podem ter candidatos nas eleições gerais.
Grande parte das cadeiras das Câmaras de Deputados e Senadores também está sendo renovada, e há votação para eleger governadores em 21 das 23 províncias, assim como o prefeito de Buenos Aires.
Principais pré-candidatos
No momento, quatro nomes estão entre os mais cotados para chegar à presidência da Argentina.
Um deles é o atual ministro da Economia, Sergio Massa, da coligação União pela Pátria. O equilíbrio fiscal, o superávit comercial, o câmbio competitivo e o desenvolvimento com inclusão são seus eixos principais.
Outros dois integram a corrente Juntos pela Mudança: a ex-ministra de Segurança, Patricia Bullrich, e o atual prefeito de Buenos Aires, Horacio Larreta. Ambos se enfrentam nas urnas neste domingo para saber quem será o indicado da frente para concorrer contra Massa e outros candidatos.
No seu plano de governo, Rodríguez Larreta foca na abertura de novos mercados para exportar e recuperar o acesso ao crédito, assim como a ideia de simplificação tributária para a criação de trabalho em pequenas e médias empresas.
Com base no conceito de “ordem”, Bullrich promete eliminar no menor tempo possível a taxa de câmbio, que impede a livre compra e venda de dólares, e estabelecer uma cotação.
O quarto candidato entre os favoritos é o economista Javier Milei, de extrema-direita, que está à frente da chapa A Liberdade Avança.
Com um discurso inflamado e carregado de polêmicas, ele chama a atenção por propostas como a extinção do Banco Central e a dolarização da economia.
Paso é termômetro das eleições
As Paso foram criadas em 2009, no governo de Cristina Kirchner, sob a justificativa de diminuir o número de candidaturas que concorriam a cada eleição.
Em 2011, aconteceram as primeiras primárias presidenciais. Nesse pleito, a então presidente Cristina Kirchner venceu com 50,24% dos votos válidos. Nas eleições gerais, ela foi reeleita com 54,11%.
Já em 2015, o cenário foi outro. O candidato de Kirchner, Daniel Scioli, ganhou as primárias com 36,69% dos votos, contra 24% de Mauricio Macri. No total, a agremiação política do opositor obteve 28,57%.
Ainda assim, Macri venceu Scioli nas eleições gerais, em uma disputa acirrada que terminou em 51,34% a 48,66%.
Em 2019, o postulante peronista Alberto Fernández obteve 47,78% da votação nas Paso, contra 31,80% do então presidente Mauricio Macri.
Nas eleições gerais, Fernández somou quase o mesmo número de votos, com 47,46%, enquanto Macri teve 39,93%.
Ainda que as primárias não tenham cravado o resultado em todas as oportunidades, são um termômetro para medir quem pode ser o próximo presidente da nação argentina.
O falecido presidenciável equatoriano Fernando Villavicencio (foto), assassinado na noite de quarta-feira (9), era crítico tanto de Lula (PT) quanto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Villavicencio se autodeclarava de esquerda. Ele fez carreira política como líder sindical.
Entretanto, a principal plataforma do equatoriano era o combate à corrupção.
Como líder sindical, Villavicencio foi protagonista na exposição de um escândalo de corrupção na estatal petrolífera, Petroecuador, que atingiu o governo de Rafael Correa, aliado de Lula.
O falecido presidenciável equatoriano demonstrou apoio à Operação Lava Jato com uma série de compartilhamentos nos últimos anos na rede social X, anteriormente conhecida como Twitter.
Na plataforma, Villavicencio chegou a descrever a eleição de Lula no ano passado como “o retorno dos ladrões da lava jato”.
Ele criticou o Bolsonaro em 2019, quando ele impediu a procuradoria do Equador de acessar informações de delações premiadas da Odebrecht. Dois anos antes, o ex-diretor da empreiteira no Equador, José Conceição Filho, delatou propina de 14 milhões de dólares e grampo do então vice-presidente do país, Jorge Glas.
Villavicencio também criticou a corrupção no Brasil na gestão sanitária da pandemia. Ele compartilhou reportagem acusando o ex-presidente de “potencial genocídio”.
A ex-deputada María Corina Machado, principal opositora do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciou novas ameaças que recebeu do regime chavista, nesta quarta-feira, 9.
Na semana passada, enquanto pré-candidatos da oposição assinavam um compromisso para respeitar os resultados das primárias de quem vai enfrentar Maduro, o comandante-geral da Guarda Nacional, Elio Ramon Estrada, ligado a Maduro, se reuniu com soldados para classificar o episódio de “fraude política”. De acordo com Estrada, os opositores são “desqualificados”.
Dias antes, o vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela e braço-direito de Maduro,Diosdado Cabello, instruiu mulheres da legenda a enfrentar María Corina nos lugares onde ela fizer campanha.
Mais ameaças da ditadura contra María Corina Machado
Maria Corina Machado, líder de oposição na Venezuela | Foto: Divulgação
Essas ameaças se somaram às do governador de Trujillo, Gerardo Márquez, que mandou seus seguidores “baterem e chutarem em Machado”, se ela fizer campanha naquele Estado.
“A integridade física de María Corina está em perigo”, afirma a campanha, em nota obtida porOeste. “Em menos de uma semana, essas três graves ameaças se somaram às múltiplas agressões que Machado vem sofrendo desde o início da campanha eleitoral primária. O regime de Maduro continua sitiando sistematicamente a candidata e sua equipe para impedir a participação cívica e pacífica de milhões de venezuelanos.”
Em um programa de TV, nesta segunda-feira (31), presidente venezuelano disse que grupo é uma liderança na construção de um mundo novo.
Maduro é presidente da Venezuela desde 2013 — Foto: EPA
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta segunda-feira (31) que o país enviou uma proposta oficial para entrar no grupo do Brics, composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Maduro afirmou que espera uma resposta positiva.
O Brics é um bloco que existe desde o início dos anos 2000 e busca cooperação, principalmente econômica, entre os países-membros. Atualmente, o grupo possui um banco, que faz empréstimos para investimentos em infraestrutura e sustentabilidade.
Recentemente, o bloco anunciou que está aberto para uma possível expansão, com a adesão de novos membros. No dia 20 de julho, a África do Sul disse que 22 países demonstraram interesse em ingressar no Brics.
Nesta segunda-feira, em um programa de televisão, Maduro afirmou que a Venezuela é um dos países interessados em fazer parte da organização, já tendo oficializado uma proposta para ingressar no bloco.
O presidente venezuelano disse que espera que a proposta seja valorizada positivamente pelos países que fazem parte do grupo, incluindo o Brasil.
“Esperamos uma resposta positiva para que a Venezuela entre o mais cedo possível na dinâmica do Brics a aprender, apoiar e ajudar”, disse.
Maduro afirmou ainda que o Brics tem um papel de liderança na construção de um mundo novo e “multipolar”.
A China é um dos países que defende a ampliação do bloco. No entanto, especialistas afirmam que essa expansão pode não ser interessante para o Brasil, que teme perder influência sobre o grupo.
A próxima cúpula do Brics está marcada para acontecer no fim de agosto, na África do Sul.
Presidência da Colômbia excluiu conteúdo que visava celebrar soberania do país
Gustavo Petro Foto: Reprodução / Twitter
Um vídeo postado pela Presidência da Colômbia em suas redes sociais – e já deletado – que mostra o presidente Gustavo Petro e sua vice, Francia Márquez, vestidos no estilo “Barbie” para comemorar a independência colombiana, provocou uma avalanche de comentários e memes no país.
O vídeo começa com os pés da Barbie descendo dos famosos sapatos de salto alto cor-de-rosa da boneca mais conhecida do mundo para passar para os pés do presidente com botas caminhando por um lugar lamacento.
– Neste dia 20 de julho, o Governo da Mudança chega a San Andrés. Vamos celebrar nossa soberania. Esperamos vocês! – afirma o vídeo, que intercala fotos de Petro e Márquez com cenas do filme da Barbie que será lançado em 20 de julho.
O tradicional desfile das Forças Armadas e os atos protocolares realizados na Colômbia por ocasião do Dia da Independência do país serão transferidos este ano para a ilha de San Andrés, onde o presidente quer comemorar a última decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ) sobre a longa disputa que o país mantém com a Nicarágua.
A decisão da CIJ, divulgada na semana passada, impede a Nicarágua de estender sua plataforma continental além das 200 milhas náuticas que delimitam sua fronteira marítima com a Colômbia.
Isso impede que o arquipélago de San Andrés, Providencia e Santa Catalina fique dentro dos limites da fronteira marítima da Nicarágua e confirma os limites já estabelecidos em novembro de 2012, quando a soberania sobre essas ilhas foi concedida à Colômbia, embora tenha sido obrigada a ceder quase 75 mil quilômetros do Mar do Caribe ao país da América Central.
No Twitter, a hashtag #PetroBarbie rapidamente se tornou uma tendência, quando usuários não apenas compartilharam o vídeo excluído das contas oficiais, como muitos o classificaram como “embaraçoso” e “ridículo”.
Também em outras redes sociais, como o TikTok, o vídeo continua circulando, além das reações de usuários que criticam o paralelo da comemoração do Dia da Independência com o filme da Barbie.
O homem que disse que queimaria a Torá e a Bíblia, em Estocolmo, na Suécia, neste sábado (15), desistiu de seu plano. O ativista, que, na última sexta-feira (14), havia recebido autorização para o protesto, acabou fazendo uma manifestação contra a queima de livros sagrados. As informações são do Estadão.
O manifestante, que tem cerca de 30 anos e reside na Suécia, chegou em frente à Embaixada de Israel segurando uma cópia do Alcorão. Ele se apresentou como muçulmano e jogou no chão um isqueiro que tinha na mão, dizendo que nunca teve a intenção de queimar livros sagrados. O homem falou ao público que tal ação seria contra o Alcorão, o livro sagrado muçulmano e ainda disse que “ninguém deveria fazer isso”.
– Sou muçulmano, não queimamos [livros]. Quero mostrar que temos que respeitar uns aos outros – disse o homem, segundo a emissora pública sueca SVT.
A pré-candidata presidencial venezuelana María Corina Machado, favorita nas pesquisas da oposição, denunciou neste sábado, 15, que pessoas ligadas ao presidente Nicolás Maduro tentaram impedir com paus e empurrões um evento de campanha em Petare, um importante bairro de Caracas. Segundo imagens divulgadas pela mídia local, partidários da ex-deputada, que pode ser a adversária de Maduro nas eleições presidenciais de 2024, chegaram cedo para preparar o evento, mas foram hostilizados por indivíduos, alguns de vermelho (cor tradicional do chavismo), portando paus. Quando Machado, uma radical da oposição, chegou, o assédio aumentou ao tentarem agredi-la enquanto seus seguidores a protegiam. De outro ponto de Petare, a opositora afirmou que o governo de seu país “se dedicou a semear o terror e a violência”.
“Todos vimos o que está acontecendo neste momento, nesta área de Petare, onde centenas de venezuelanos que se reuniam conosco hoje foram ameaçados, intimidados e violentados pelo regime”, disse a pré-candidata, conforme um vídeo publicado no Twitter pelo partido Vente Venezuela. Ela apontou que entre os agressores havia “pessoas armadas” e que o governo quer fazê-la “desistir” de sua intenção de chegar à presidência. Na sexta-feira, Machado passou por outro incidente, quando um grupo de pessoas tentou bloquear a passagem de seu veículo no município de Vargas, onde também fazia campanha. Vários candidatos disputam as primárias de 22 de outubro, incluindo Henrique Capriles, duas vezes candidato presidencial, e Freddy Superlano, que se inscreveu no lugar de Juan Guaidó quando ele fugiu para os Estados Unidos.
Conforme a criação de insetos aumenta na Europa, também aumenta a hostilidade à ideia.
A reporter da BBC Sofia Bettiza experimentou o macarrão de grilo — Foto: BBC
Em uma fazenda perto dos Alpes, no norte da Itália, contêineres com milhões de grilos pulando e cantando alto são empilhados uns sobre os outros.
Esses grilos estão prestes a se tornar comida. O processo é simples: são congelados, fervidos, secos e depois pulverizados.
Aqui na Italian Cricket Farm, a maior fazenda de insetos do país, cerca de um milhão de grilos são transformados em ingredientes para alimentação todos os dias.
Ivan Albano, que administra a fazenda, abre um recipiente para revelar uma farinha marrom clara que pode ser usada na produção de massas, pães, panquecas, barrinhas energéticas – e até isotônicos.
Comer grilos, formigas e vermes é comum em partes do mundo há milhares de anos.
Agora, depois que a União Europeia (UE) aprovou a venda de insetos para consumo humano no início deste ano, haverá uma mudança de atitude em toda a Europa?
Bem, em nenhum lugar da Europa há mais resistência a comer insetos do que na Itália, segundo dados da empresa global de opinião pública YouGov, e as objeções vêm de cima – o governo já tomou medidas para proibir seu uso em pizzas e massas.
“Vamos nos opor, por qualquer meio e em qualquer lugar, a essa loucura que empobrece nossa agricultura e nossa cultura”, escreveu o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini no Facebook.
Mas será que tudo isso está prestes a mudar? Vários produtores italianos vêm aperfeiçoando massas, pizzas e lanches de grilo.
“O que fazemos aqui é muito sustentável”, diz Ivan. “Para produzir um quilo de pó de grilo, usamos apenas cerca de 12 litros de água”, acrescenta, lembrando que produzir a mesma quantidade de proteína de vaca requer milhares de litros de água.
A criação de insetos também requer apenas uma fração da terra usada para produzir carne. Dada a poluição causada pela indústria de carne e laticínios, cada vez mais cientistas acreditam que os insetos podem ser a chave para combater as mudanças climáticas.
Em um restaurante perto de Turim, o chef Simone Loddo adaptou sua receita de massa fresca, que remonta a quase 1.000 anos – a massa agora é 15% de pó de grilo.
O local emana um cheiro forte de nozes.
Alguns dos comensais se recusam a experimentar o tagliatelle de grilo, mas aqueles que o fazem – inclusive eu – ficam surpresos com o sabor.
Tagliatelle de grilo servido com bacon e abobrinha — Foto: BBC
Além do sabor, o pó de grilo é um alimento repleto de vitaminas, fibras, minerais e aminoácidos. Um prato contém mais fontes de ferro e magnésio, por exemplo, do que um bife normal.
Mas essa é uma opção realista para quem quer comer menos carne? A questão principal é o preço.
“Se você quiser comprar comida à base de grilo, vai custar caro”, diz Ivan. “A farinha de grilo é um produto de luxo. Custa cerca de 60 euros (R$ 323) por quilo. Se você levar macarrão de grilo, por exemplo, um pacote pode custar até 8 euros (R$ 48).”
Isso é até oito vezes mais do que a massa normal do supermercado.
Por enquanto, os alimentos com insetos continuam sendo uma opção de nicho nas sociedades ocidentais, já que os agricultores podem vender aves e carne bovina a preços mais baixos.
“A carne que produzo é muito mais barata que a farinha de grilo e é de muito boa qualidade”, diz Claudio Lauteri, dono de uma fazenda perto de Roma que pertence a sua família há quatro gerações.
Mas não se trata apenas de preço. É sobre aceitação social.
Em toda a Itália, o número de pessoas que vivem até os 100 anos ou mais está aumentando rapidamente. Muitos apontam a dieta mediterrânea como o Santo Graal para um estilo de vida saudável.
“Os italianos comem carne há séculos. Com moderação, é definitivamente saudável”, diz Claudio.
Ele acredita que a comida à base insetos pode ser uma ameaça à tradição culinária italiana – algo universalmente sagrado neste país.
“Esses produtos são lixo”, diz ele. “Não estamos acostumados com eles, não fazem parte da dieta mediterrânea. E podem ser uma ameaça para as pessoas: não sabemos o que comer insetos pode fazer com nossos corpos.”
“Sou absolutamente contra esses novos produtos alimentícios. Recuso-me a comê-los.”
Claudio Lauteri diz que alimentos com insetos são uma ameaça à dieta mediterrânea — Foto: BBC
Conforme a criação de insetos aumenta na Europa, também aumenta a hostilidade à ideia.
O assunto passou a ser mais um ponto na guerra cultural e mobiliza a direita radical.
A decisão da UE de aprovar insetos para consumo humano foi descrita por um membro do partido de direitaradical Irmãos da Itália como “beirando a loucura”.
A primeira-ministra Giorgia Meloni, que se referiu à Itália como uma “superpotência alimentar”, criou um ministério para os produtos feitos na Itália quando foi eleita, com o objetivo declarado de “salvaguardar a tradição”.
“Produtos de insetos estão chegando às prateleiras dos supermercados! Farinha, larvas – bom, delicioso”, disse ela em tom de desgosto em um vídeo.
Em meio a preocupações de que os insetos possam ser associados à culinária italiana, três ministros do governo anunciaram quatro decretos buscando reprimir a prática. “É fundamental que essas farinhas não sejam confundidas com alimentos feitos na Itália”, disse Francesco Lollobrigida, ministro da Agricultura.
A alimentação com insetos não está apenas dividindo opiniões na Itália.
Na Polônia, tornou-se um tema quente antes das eleições deste ano. Em março, políticos dos dois principais partidos acusaram-se mutuamente de aprovar políticas que obrigariam os cidadãos a comer insetos – o líder do principal partido da oposição, Donald Tusk, rotulou o governo de “promotor da sopa de minhocas”.
Enquanto isso, Áustria, Bélgica e Holanda são mais receptivos a comer insetos. Na Áustria, eles comem insetos secos como aperitivo, e os belgas estão abertos a comer larvas em shakes e barras energéticas, hambúrgueres e sopas.
“Infelizmente ainda há muita desinformação sobre comer insetos”, diz Daniel Scognamiglio, que dirige o restaurante que serve tagliatelle de grilo.
“Recebi ódio, fui criticado. A tradição alimentar é sagrada para muitas pessoas. Eles não querem mudar seus hábitos alimentares.”
Mas ele identificou uma mudança e diz que mais pessoas – muitas vezes por curiosidade – estão pedindo os produtos à base de grilo de seu cardápio.
Com a população global agora ultrapassando oito bilhões, teme-se que os recursos do planeta não possam atender às necessidades alimentares de tantas pessoas.
A produção agrícola mundial terá que aumentar em 70%, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação.
Mudar para proteínas ecológicas – como insetos – pode se tornar uma necessidade.
Até agora, as possibilidades de produção e comercialização de alimentos para insetos eram limitadas. Com a aprovação da UE, a expectativa é que, com o crescimento do setor, os preços caiam significativamente.
Ivan conta que já recebe muitos pedidos de seus produtos em restaurantes e supermercados.
“O impacto no meio ambiente é quase zero. Somos uma peça do quebra-cabeça que pode salvar o planeta.”
Apesar de leve desaceleração, preços ainda estão disparados no país vizinho
Presidente da Argentina, Alberto Fernández | Foto: Divulgação/Casa Rosada
A taxa anual da inflação na Argentina fechou junho em 115%, de acordo com dados divulgados na quinta-feira 13 pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). A taxa mensal em junho foi de 6%, o que indica uma desaceleração da inflação, ante as taxas de 8,4% e 7,6% em abril e maio, respectivamente. A título de comparação, a inflação acumulada em 12 meses no Brasil é de 3,16% ante os 115% na Argentina.
Os setores com maiores aumentos de preços em junho foram comunicações (10,5%), saúde (8,6%), gastos com habitação, incluindo insumos como gás e eletricidade (8,1%). As menores altas foram em alimentação e bebida (4,1%), roupas e calçados (4,2%) e bebidas alcoólicas e cigarro (4,5%)publicidade
No primeiro semestre do ano, a inflação acumulou alta de 50,7% na Argentina. Em todo o ano de 2022, os preços subiram quase 95%.
As mais recentes previsões de analistas de mercado coletadas mensalmente pelo Banco Central da Argentina (BCRA) revelam que a inflação será de 142,4% neste ano e de 105% em 2024.
Com a inflação disparada, a taxa de juros na Argentina está em 97%, índice mantido na última reunião, de junho. Antes disso, o BCRA vinha aumentando a taxa de juros há meses. Em março, passou de 75% para 78%; em abril, para 81%; em maio, chegou a 97%, depois de ajustes sucessivos.
Avatar 3 e 4 estão entre os trabalhos que provavelmente serão afetados pela paralisação da indústria cinematográfica americana.
‘Avatar 3’ e ‘Avatar 4’ estão atualmente em produção e provavelmente serão afetados pela greve — Foto: 20th Century Studios/Disney
Uma mega-greve de roteiristas e artistas em Hollywood, a Meca do cinema mundial, provavelmente paralisará a produção da maioria dos filmes e de muitos programas de televisão.
A última vez que membros do Screen Actors Guild – Federação Americana de Artistas de Televisão e Rádio (SAG-AFTRA, na sigla em inglês) fizeram uma greve foi em julho de 1980.
Naquela época, parte da briga entre seus membros e as gigantes do entretenimento era sobre os lucros com a venda de programas e filmes feitos para a TV fechada e fitas de vídeo, informou o jornal The New York Times na época.
Quarenta e três anos depois, a nova paralisação — que se soma a uma greve em curso de roteiristas — se concentra em demandas semelhantes relacionadas a material feito para plataformas de streaming e preocupações com inteligência artificial.
Quais filmes serão afetados?
Espera-se que a paralisação cause um impacto na produção e promoção de filmes e programas de TV.
Entre os próximos lançamentos, incluindo eventos promocionais como coletivas de imprensa e estreias no tapete vermelho, estão Mansão Mal Assombrada, As Tartarugas Ninja: Caos Mutantes e A noite das Bruxas.
Alguns dos maiores sucessos de bilheteria que atualmente estão em produção incluem Mulher Maravilha 3, Caça-Fantasmas 4, Mufasa: O Rei Leão e Avatar 3 e 4, de acordo com o Internet Movie Database.
Embora o roteiro desses projetos provavelmente esteja concluído, a greve dos artistas interromperá grande parte do trabalho de produção e causará estragos na programação.
O número de licenças de filmagem para longas-metragens e projetos de televisão, incluindo reality shows, em Los Angeles caiu 64% na semana passada, em comparação com o mesmo período de 2022, segundo dados da FilmLA.
“Em uma semana normal nesta época do ano, haveria dezenas de projetos de televisão com roteiro em produção. Por outro lado, não temos séries de TV com roteiro com permissão para filmar esta semana”, disse a agência.
Produções no exterior, como as filmagens da sequência de Gladiador, da Paramount, em Marrocos e Malta, também devem ser afetadas — Foto: Reuters
Mesmo que a fotografia principal — a maior parte da filmagem em um projeto — esteja concluída, os atores agora não estão disponíveis para solicitações típicas, como refilmagens e substituição de diálogos — onde as falas são regravadas para corrigir erros ou resmungos.
Produções no exterior, como as filmagens da sequência de Gladiador, da Paramount, em Marrocos e Malta, também devem ser afetadas.
Em termos de TV, a Warner Bros Discovery já se gabou por sofrido efeitos mínimos da greve dos roteiristas em projetos da HBO, como a série House of the Dragon, porque os roteiros estavam completos.
Mas a greve dos artistas que são membros do SAG-AFTRA siginifica que muitos roteiros totalmente escritos provavelmente serão suspensos.
Acredita-se que acordos paralelos possam ser fechados entre artistas e produtores da associação para permitir que certos projetos continuem.
Nos Estados Unidos, outros projetos de TV que devem ser produzidos durante o verão no Hemisfério Norte incluem a segunda série de Night Court e Chicago Med, Fire e P.D. na NBC, NCIS e Young Sheldon na CBS, e Family Guy e Os Simpsons na Fox.
À medida que os estúdios nos Estados Unidos e em outras partes do mundo ficam mais silenciosos como resultado da mega-greve de Hollywood, ocorrerão reuniões entre as associações e representantes da indústria do entretenimento.
Em 1980, durante a última greve dos atores, a paralisação durou 10 semanas enquanto os dois lados debatiam os termos de um novo acordo que refletisse as demandas e preocupações de todos.
O custo dessa paralisação foi estimado em cerca de US$ 100 milhões (R$ 480 milhões no câmbio atual) pelo setor, disse o The New York Times na época. Hoje o valor equivaleria a cerca de R$ 1,7 bilhão.
A última vez que roteiristas e atores entraram em greve juntos foi em 1960 — quando os roteiristas pararam de trabalhar por 21 semanas e os atores pararam de trabalhar por seis.
Desta vez, as negociações podem ser ainda mais prolongadas, já que alguns atores incentivam o sindicato a adotar uma abordagem linha-dura, de acordo com a revista Variety.
“Este não é um momento para ficar em cima do muro”, diz uma carta assinada por 2.000 atores.
De sua parte, os empregadores e produtores de Hollywood disseram estar desapontados com a decisão da SAG-AFTRA de entrar em greve.
A Alliance of Motion Picture and Television Producers disse que “certamente não foi o resultado que esperávamos, pois os estúdios não podem operar sem os artistas que dão vida aos nossos programas de TV e filmes”.
“Lamentavelmente, o sindicato escolheu um caminho que levará a dificuldades financeiras para incontáveis milhares de pessoas que dependem do setor”.