Medida pode reduzir preço do combustível e diminuir importações
Ministro de Minas e Energia afirma que nova gasolina com 30% de etanol anidro passou nos testes | Foto: Shutterstock
O governo federal pretende elevar a mistura de etanol anidro na gasolina para 30% ainda em 2025. A medida foi informada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, à TV Globo.
“Acho que temos oferta para chegar no E30 [30% de etanol] rapidamente, ainda neste ano”, declarou o ministro. “O etanol é bem mais barato que a gasolina. Então, à medida que você aumenta, não tenha nenhuma dúvida nem na questão da sustentabilidade, nem na questão econômica, porque ele diminui o preço.”
Além da possível diminuição do preço dos combustíveis para os consumidores, o governo também espera reduzir a dependência ou mesmo se tornar independente das importações de gasolina. O ministro diz acreditar que o Brasil se tornará autossuficiente na produção de combustíveis.
Nova gasolina passou nos testes, garante ministro
O concluiu estudos técnicos que comprovam a viabilidade da medida. Conduzidos pelo Instituto Mauá, os testes sugerem que o aumento da mistura é seguro para os motores.
“Passou com nota 10″, disse Silveira. “Aumenta a octanagem da gasolina, é extremamente seguro, não cria nenhum problema para os motores.”
Atualmente, o etanol anidro corresponde a 27% da gasolina vendida no Brasil. A Lei do Combustível do Futuro permite a adição de até 30%, mas o patamar é inédito no país.
O ministro afirmou que a nova mistura não afeta os veículos flex, que já utilizam etanol hidratado. “Agora, testamos na amostragem de 17% dos veículos, que são importados e nacionalizados movidos a gasolina”, explicou. “Houve aprovação no teste com participação ampla da indústria automobilística nacional.”
A pasta agora vai encaminhar os estudos ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão que assessora a Presidência da República e deve decidir sobre a implementação ainda este ano.
Alta da inflação foi puxada principalmente pela energia elétrica residencial, que exerceu impacto de 0,56 ponto percentual no índice
Os preços de bens e serviços do país subiram 1,31% em fevereiro, maior taxa para o mês desde 2003. O índice representa avanço de 1,15 ponto percentual da inflação em comparação a janeiro (0,16%). O Brasil tem inflação acumulada de 5,06% — ainda acima do teto da meta para este ano, que é de 4,50% (entenda o sistema de metas no fim do texto).
O resultado do mês passado ficou dentro do esperado por analistas do mercado financeiro. As previsões da Warren Investimentos e do relatório Focus eram de alta de 1,28% e 1,35%, respectivamente, em fevereiro.
A guinada da inflação em fevereiro foi influenciada especialmente pelo aumento de 16,80% na energia elétrica residencial, que exerceu impacto de 0,56 ponto percentual no índice geral.
É o que dizem os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — que mede a inflação oficial do país —, divulgado nesta quarta-feira (12/3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O que é IPCA
Refletindo o custo de vida e o poder de compra do cidadão brasileiro, o IPCA é calculado desde 1979 pelo IBGE.
O IPCA é considerado o termômetro oficial da inflação e é usado pelo Banco Central para ajustar a taxa básica de juros, a Selic.
Ele mede a variação mensal dos preços na cesta de vários produtos e serviços, comparando-os com o mês anterior. A diferença entre os dois itens da equação representa a inflação do mês observado.
O IPCA tem por meta pesquisar dados nas cidades, de forma a englobar 90% das pessoas que vivem em áreas urbanas no país.
O índice pesquisa preços de categorias como transporte, alimentação e bebidas, habitação, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação, comunicação, vestuário, artigos de residência, entre outros.
Energia volta a pesar no bolso
Após apresentar recuo significativo de -3,08% em janeiro, o grupo Habitação voltou a acelerar em fevereiro e ficou a 4,44%. Em termos gerais, foi o maior impacto no índice no mês passado, de 0,65 ponto percentual.
Os preços da energia elétrica subiram 16,80% em fevereiro, após caírem 14,21% no mês imediatamente anterior. Isso ocorreu devido ao fim do Bônus de Itaipu.
“Essa alta se deu em razão do fim da incorporação do Bônus de Itaipu, que concedeu descontos em faturas no mês de janeiro. Com isso, o subitem energia elétrica residencial passou de uma queda de 14,21% em janeiro para uma alta de 16,80% em fevereiro”, explica Fernando Gonçalves, gerente do IPCA.
Além do fator das contas de luz, o grupo Habitação registrou alta na taxa de água e esgoto (0,14%), em razão dos reajustes feitos em alguns estados.
Como a inflação se comportou?
Quatro dos noves grupos de produtos e serviços pesquisado concentram 92% do resultado da inflação de fevereiro, de acordo com o IBGE. São eles: Habitação, Educação, Alimentação e bebidas e Transportes.
Confira o resultado, por grupos, do IPCA:
Educação: 4,70%;
Habitação: 4,44%;
Alimentação e bebidas: 0,70%;
Transportes: 0,61%;
Saúde e cuidados pessoais: 0,49%;
Artigos de residência: 0,44%;
Comunicação: 0,17%;
Despesas pessoais: 0,13%;
Vestuário: 0%.
Veja o impacto, por grupos, na inflação em fevereiro:
Habitação: 0,65 ponto percentual;
Educação: 0,28 ponto percentual;
Alimentação e bebidas: 0,15 ponto percentual;
Transportes: 0,13 ponto percentual;
Saúde e cuidados pessoais: 0,07 ponto percentual;
Artigos de residência: 0,01 ponto percentual;
Comunicação: 0,01 ponto percentual;
Despesas pessoais: 0,01 ponto percentual;
Vestuário: 0 ponto percentual.
Educação sobe com início do ano letivo
Os preços do grupo da Educação tiveram alta de 4,70% e impacto de 0,28 ponto percentual no índice geral. O IBGE atribui esse resultado aos reajustes das mensalidades escolares no início do ano letivo.
Os destaques observados vão para: ensino fundamental (7,51%), ensino médio (7,27%) e pré-escola (7,02%).
Alimentação e Transportes
O grupo Alimentação e bebidas avançou pelo sexto mês consecutivo, com preços subindo 0,70%. A alimentação no domicílio (ou seja, o preço dos produtos nos mercados) cresceu 0,79%, o que mostra uma certa desaceleração em comparação a janeiro (1,07%).
Os destaques vão para:
as altas nos preços do ovo de galinha (15,39%) e do café moído (10,77%).
as quedas nos preços da batata-inglesa (-4,10%), do arroz (-1,61%) e do leite longa vida (-1,04%).
“O café, com problemas na safra, está em trajetória de alta desde janeiro de 2024. Já o aumento do ovo se justifica pela alta na exportação, após problemas relacionados à gripe aviária nos Estados Unidos, e, também, pela maior demanda devido à volta às aulas. Além disso, o calor prejudica a produção, reduzindo a oferta”, esclarece Gonçalves.
A alimentação fora do domicílio também arrefeceu em fevereiro, com preços indo a 0,47%. Tanto o lanche (0,66%) quanto a refeição (0,29%) tiveram variações inferiores às de janeiro (0,94% e 0,58%, respectivamente).
No grupo dos Transportes, o resultado foi influenciado pelo aumento nos preços dos combustíveis (2,89%). Entre eles, as altas no óleo diesel (4,35%), etanol (3,62%) e gasolina (2,78%). Por outro lado, apenas o gás veicular (-0,52%) apresentou redução.
INPC tem alta de 1,48% em fevereiro
A inflação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) subiu 1,48%, após registrar variação nula em janeiro. Esta foi o maior valor para fevereiro desde 2003 (1,46%).
Nos últimos 12 meses até janeiro, o INPC acumula alta de 4,87%. No ano, o acumulado é de 1,48%.
O índice serve de referência para o reajuste do salário mínimo e de benefícios sociais.
O INPC é um indicador que mede a variação média dos preços de um conjunto específico de produtos e serviços consumidos pelas famílias com renda entre 1 e 5 salários mínimos mensais.
A inflação para o mercado
O mercado financeiro segue elevando a projeção de inflação referente a 2025. Segundo o relatório Focus mais recente, a estimativa dos analistas consultados pelo Banco Central (BC) para o IPCA passou de 5,65% para 5,68%.
Confira as expectativas dos economistas:
A projeção de inflação para 2026 continua em 4,40%.
Enquanto a estimativa de inflação para 2027 segue a mesma da semana passada: 4%.
A previsão de inflação para 2028 está em 3,78%.
Além do mercado, o próprio BC — que tem o papel de controlar o avanço da inflação por meio da taxa de juros (a Selic) — informou que há 50% de probabilidade de a meta inflacionária ser descumprida neste ano.
Em relatório de dezembro, o órgão avaliou que a chance de a inflação estourar o teto da meta subiu de 28% para 50%.
Novo sistema de metas: meta contínua
A partir deste ano, a meta de inflação do Brasil é contínua, e não mais por ano-calendário. Ou seja, o índice é apurado mês a mês. Se o IPCA acumulado em 12 meses ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, a meta é considerada descumprida.
Em 2025, a meta inflacionária é de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual – isto significa piso de 1,5% e teto de 4,5%. Ela será considerada cumprida se oscilar dentro desse intervalo de tolerância.
O objetivo é estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), formado por:
Se a meta for descumprida, o BC precisa divulgar carta aberta ao ministro da Fazenda — neste caso, Fernando Haddad — explicando as razões para o estouro. A autoridade monetária contém o avanço dos preços por meio da taxa Selic, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) a cada 45 dias. A próxima reunião do Copom será nos dias 18 e 19 de março.
Meta pode ser descumprida em junho, avalia BC
Em janeiro, o BC admitiu a possibilidade de a inflação acumulada em 12 meses ficar acima do teto do intervalo de tolerância da meta durante seis meses seguidos (até junho) — o que caracterizaria o descumprimento da meta inflacionária em 2025.
Se a inflação continuar avançando, o valor acumulado em 12 meses permanecerá “acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta nos próximos seis meses consecutivos”. “Desse modo, com a inflação de junho deste ano, configurar-se-ia descumprimento da meta sob a nova sistemática do regime de metas”, ressaltou o órgão.
Trump oficializou a tarifa de 25% às importações de aço e de alumínio em 10 de fevereiro
Foto: White House Archived
A partir desta quarta-feira (12), a tarifa de 25% sobre as importações de aço e alumínio do Brasil imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrarão em vigor.
Trump oficializou a tarifa de 25% às importações de aço e de alumínio em 10 de fevereiro. O líder dos EUA determinou que a taxação abrangesse todos os países que negociam esses produtos com os americanos.
Em 2024, o Brasil exportou US$ 11,9 bilhões em ferro fundido, ferro e aço, dos quais US$ 5,7 bilhões – 48% do total – foram para o mercado norte-americano.
Segundo os EUA, o Brasil foi o segundo mercado que mais enviou aço para o país (4,5 milhões de toneladas) no mesmo período, atrás somente do Canadá, segundo o Instituto Americano de Ferro e Aço (AISI).
Sobre o alumínio, os EUA foram o segundo principal destino dos embarques brasileiros, um total de US$ 267 milhões em 2024, ou cerca de 17% do total das exportações nacionais, que somaram US$ 1,6 bilhão.
IPCA vai ficar bem acima do teto da meta neste ano, de acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 10
Banco Central | Foto: Raphael Ribeiro/BCB
Analistas de mercado estimam que a inflação vai fechar 2025 a 5,68%, de acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, 10, pelo Banco Central.
O índice é superior à estimativa da semana passada para o IPCA, de 5,65%. O índice corresponde a quase o dobro da meta de inflação, de 3%, e supera o teto da meta, de 4,5%.
Para 2026 e 2027, os analistas que participam do boletim do Banco Central projetam estabilidade: a inflação fica em 4,4% no ano que vem e em 4% daqui a dois anos.
Os demais indicadores da economia permaneceram estáveis neste boletim, em relação à semana passada.
A estimativa é que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) seja de 2,01% em 2025 e de 1,7% em 2026, mesmos índices da semana passada.
Quanto à moeda norte-americana, os analistas afirmam que ela vai fechar este ano a R$ 5,99 e a R$ 6 no ano que vem. Já a taxa de juros será de 15% em 2025 e de 12,5% em 2026.
Essas projeções são as mesmas registradas há uma semana no Boletim Focus.
Dados do Boletim Focus | Foto: Reprodução/BC
Divulgado toda segunda-feira, o Boletim Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação.
O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são do mercado, não do BC.
Geraldo Alckmin anunciou a medida na noite desta quinta-feira, 6
Minas Gerais é o maior produtor de café do Brasil | Foto: Marcello Casal/Agência Brasil
Como estratégia para conter a inflação da comida, o governo anunciou a decisão de zerar o Imposto de Importação para nove categorias de alimentos, entre eles o café. A medida foi comunicada na noite desta quinta-feira, 6, pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.
Os alimentos que estarão isentos de tributos são:
Azeite (hoje 9%);
Milho (hoje 7,2%);
Óleo de girassol (hoje até 9%);
Sardinha (hoje 32%);
Biscoitos (hoje 16,2%);
Macarrão (hoje 14,4%);
Café (hoje 9%);
Carnes (hoje até 10,8%); e
Açúcar (hoje até 14%).
A cota de importação do óleo de palma, que era de 65 mil toneladas, foi ampliada para 150 mil toneladas. De acordo com Alckmin, a redução de tarifas entrará em vigor nos próximos dias, assim que for aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex).
“O governo está abrindo mão de imposto em favor da redução de preço”, afirmou o vice-presidente. As medidas foram anunciadas depois de uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Alckmin, ministros e empresários no Palácio do Planalto.
Para o vice-presidente, a medida não afetará os produtores nacionais, mesmo com a concorrência do alimento importado. “Estamos em um período em que reduzir o imposto ajuda a reduzir preços”, disse. “Não vai prejudicar o produtor, mas beneficiar os consumidores.”
Governo de olho na alta dos ovos e café
Além da redução das tarifas, Alckmin anunciou o reforço dos estoques reguladores da Companhia Nacional de Abastecimento. No mês passado, a companhia havia solicitado R$ 737 milhões para recompor os estoques de alimentos, que foram desmantelados nos últimos anos.
O vice-presidente também destacou que os alimentos da cesta básica terão prioridade no próximo Plano Safra. Segundo ele, os financiamentos subsidiados serão direcionados principalmente à produção de itens essenciais da cesta básica, a fim de incentivar os produtores rurais que abastecem o mercado interno.
Geraldo Alckmin, vice-presidente | Foto: Gabriel Lemes/Ministério do Desenvolvimento
Outra medida anunciada foi a aceleração do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal, que descentraliza as inspeções sanitárias e permite que Estados e municípios assumam essa função.
De acordo com Alckmin, o governo pretende ampliar o número de registros de 1,55 mil para 3 mil. Com isso, produtos como leite, mel, ovos e carnes poderão ser liberados com maior agilidade para comercialização em todo o país.
O sorteio deste sábado acontece às 20h, em São Paulo. A aposta mínima custa R$ 5.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
A Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 42 milhões no concurso 2.835 para os acertadores das seis dezenas, depois que, no concurso da última quinta-feira (27), ninguém levou o prêmio máximo.
O sorteio deste sábado acontece às 20h, em São Paulo. A aposta mínima custa R$ 5 e pode ser realizada também pela internet, até as 19h. É necessário fazer um cadastro, ser maior de idade (18 anos ou mais) e preencher o número do cartão de crédito.
A Mega-Sena tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Segundo o IBGE, esta é a maior alta do IPCA-15 para um mês de fevereiro desde 2016, quando a prévia da inflação avançou 1,42%
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação, mostra que os preços de bens e serviços subiram 1,23% em fevereiro — alta de 1,12 ponto percentual em relação à taxa de janeiro de 2025 (0,11%).
Esta é a maior alta do IPCA-15 desde abril de 2022 (1,73%) e a maior para um mês de fevereiro desde 2016 (1,42%). Os dados foram divulgados nesta terça-feira (25/2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Nos últimos 12 meses até fevereiro, o IPCA-15 acumula alta de 4,95%, acima dos 4,50% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Com isso, o indicador segue acima da meta de inflação, que é de 3% com intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%.
A guinada da prévia da inflação foi influenciada, principalmente, pelos preços do grupo Habitação, com avanço de 4,34% e impacto de 0,63 ponto percentual no total do índice em fevereiro.
O IPCA-15
O IPCA-15 difere do IPCA, que mede a inflação oficial do país, na abrangência geográfica e no período de coleta, que começa no dia 16 do mês anterior. Por essa razão, ele funciona como uma prévia do IPCA.
O indicador coleta dados sobre as famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos. Ele abrange: Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Brasília e Goiânia.
Em janeiro, o IPCA-15 desacelerou em relação a dezembro de 2024 (0,34%) e ficou em 0,11%.
Habitação e Educação em alta
No grupo Habitação, o destaque vai para a energia elétrica residencial — que teve maior impacto no índice (0,54 ponto percentual). A energia elétrica avançou 16,33% em fevereiro, após recuar em janeiro (-15,46%) com a incorporação do “bônus de Itaipu”.
Além da energia elétrica, as taxas de água e esgoto (0,52%) mais caras influenciaram o resultado do IPCA-15 neste mês, enquanto o gás encanado recuou 0,32% em fevereiro.
A segunda maior influência foi do grupo Educação, que subiu 4,78% no mês e teve impacto de 0,29 ponto percentual no IPCA-15. Dentro do grupo, a maior contribuição veio dos cursos regulares (5,69%), por conta dos reajustes no início do ano letivo.
As maiores variações observadas foram:
ensino fundamental (7,50%);
ensino médio (7,26%); e
ensino superior (4,08%).
Preço dos alimentos desacelera, mas segue crescendo
O grupo de Alimentação e bebidas, de maior peso no índice, desacelerou em comparação a janeiro, mas ainda apresentou alta. Em fevereiro, teve elevação de 0,61% e exerceu impacto de 0,14 ponto percentual no IPCA-15.
Ainda no grupo, a alimentação no domicílio aumentou 0,63% em fevereiro — abaixo do resultado registrado em janeiro (1,10%).
Contribuíram para o valor do mês:
a alta nos preços da cenoura (17,62%) e do café moído (11,63%).
a queda nos preços da batata-inglesa (-8,17%), arroz (-1,49%) e frutas (-1,18%).
Por outro lado, a alimentação fora do domicílio desacelerou de 0,93% (em janeiro) para 0,56% (em fevereiro). Os subitens lanche (0,77%) e refeição (0,43%) registraram variações inferiores ao mês anterior (0,98% e 0,96%, respectivamente).
Transportes em alta
No grupo Transportes, que subiu 0,44% no mês e teve impacto de 0,09 ponto percentual, as passagens aéreas mostraram redução de 20,42%.
Enquanto os combustíveis avançaram 1,88% em fevereiro. Houve aumentos nos preços do etanol (3,22%), do óleo diesel (2,42%) e da gasolina (1,71%). O gás veicular recuou 0,41%.
Destaques da prévia da inflação
Variação de cada grupo em fevereiro
Educação: 4,78%.
Habitação: 4,34%.
Alimentação e bebidas: 0,61%.
Saúde e cuidados pessoais: 0,54%.
Transportes: 0,44%.
Artigos de residência: 0,38%.
Despesas pessoais: 0,01%.
Comunicação: -0,06%.
Vestuário: -0,08%.
Impacto de cada grupo no IPCA-15 de fevereiro
Habitação: 0,63 ponto percentual.
Educação: 0,29 ponto percentual.
Alimentação e bebidas: 0,14 ponto percentual.
Transportes: 0,09 ponto percentual.
Saúde e cuidados pessoais: 0,07 ponto percentual.
Artigos de residência: 0,01 ponto percentual.
Comunicação: 0 ponto percentual.
Despesas pessoais: 0 ponto percentual.
Vestuário: 0 ponto percentual.
O IPCA-15
Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 15 de janeiro de 2025 a 12 de fevereiro de 2025 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 13 de dezembro de 2024 a 14 de janeiro de 2025 (base).
O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas de Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.
A próxima divulgação do IPCA-15, referente a março, será em 27 de março.
Projeções do mercado financeiro para a inflação
Os analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central (BC), no relatório Focus dessa segunda-feira (24/2), subiram a projeção da inflação para 2025. O que reflete em uma desancoragem de expectativas, ou seja, um distanciamento entre as projeções de inflação no chamado “horizonte relevante” e da meta inflacionária.
O mercado alterou a projeção da inflação de 2025 de 5,60% para 5,65%. Isso mostra que, para os economistas, o índice continua acima do teto da meta fiscal deste ano, que é de 4,5%.
Assim, os analistas esperam que a inflação fique cada vez mais distante do centro da meta definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3% com variação de 1,5 ponto percentual para cima (4,5%) e para baixo (1,5%).
Confira as demais projeções da inflação:
Para 2026, subiu de 4,35% para 4,40%.
Para 2027, continua a mesma da semana passada: 4%.
Para 2028, recuou de 3,80% para 3,79%.
No ano passado, o IPCA fechou em 4,83%, confirmando o estouro da meta em 2024. Em janeiro, a inflação perdeu força e ficou em 0,16% — menor taxa para o mês desde a implementação do Plano Real, em 1994.
O resultado de janeiro foi influenciado pela queda no valor da energia elétrica residencial (-14,21%) e das altas nos preços das passagens aéreas (10,42%) e alimentos (0,96%).
Em seu relatório, a Conof alerta para trajetória de crescimento da dívida pública e avaliou o resultado preliminar para as contas do Governo Central
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
O Governo Federal deve encerrar o ano de 2025 com um déficit primário de R$ 63,5 bilhões, o equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). É o que apontam projeções da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados (Conof), divulgadas nesta segunda-feira (24) por meio de nota técnica.
Segundo matéria do InfoMoney, a estimativa exclui medidas que poderiam reduzir o déficit primário – como ações extraordinárias de arrecadação, receitas condicionadas ou revisão de gastos, que somam R$ 121,5 bilhões neste ano – e inclui a despesa de R$ 44,1 bilhões em precatórios, que é desconsiderada pelo governo na meta de resultado primário.
A avaliação da Conof considera ainda um cenário de gestores da política fiscal inertes, o que pode ocasionar em uma melhora no resultado primário, a depender de choques exógenos que alterassem o comportamento de despesas e receitas. No entanto, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano determina que o Executivo mire o centro da meta para as decisões de contenção no orçamento.
O governo, por sua vez, persegue uma meta neutra para 2025, com tolerância de 0,25 ponto porcentual do PIB – o que permitiria até um rombo de R$ 31 bilhões.
“As projeções correntes desta Consultoria indicam uma necessidade de limitação de empenho e movimentação financeira da ordem de R$ 19 bilhões, de maneira a perseguir a meta de resultado primário neutro estabelecida para o presente exercício, excluídos os gastos com precatórios excedentes ao sublimite. Assumindo-se, então, uma postura proativa da autoridade fiscal e admitindo-se o abatimento das despesas com precatórios, a probabilidade de cumprimento da meta aproxima-se de 90%”, diz o texto.
A consultoria da Câmara alerta também para a trajetória de crescimento da dívida pública. Avaliando o resultado obtido em 2024, a Conof pondera que, ainda que o desempenho do resultado primário tenha ficado distante da meta zero (considerando pagamento de precatórios e gastos extraordinários), o desempenho representa um ajuste relevante em relação a 2023.
“Para além do curto prazo, deve-se rememorar que, embora as metas de resultado fiscal venham sendo cumpridas ano após ano, tal fato não tem sido suficiente para garantir a estabilização da dívida pública. De fato, a dívida pública está em trajetória de crescimento, a despeito do alcance da meta em comento. Urge, portanto, o estabelecimento de metas anuais que de fato promovam uma trajetória sustentável da dívida pública, por força do disposto na LC 200/2023 (arcabouço fiscal)”, diz a nota.
Resultado de janeiro
O documento da Conof avaliou ainda o resultado preliminar para as contas do Governo Central, considerando dados preliminares extraídos do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). Os cálculos realizados pela consultoria estimam que, em janeiro, o resultado primário do Governo, pela contabilidade acima da linha, será de superávit de R$ 86,6 bilhões – fruto de receita líquida de R$ 258,7 bilhões e despesa total de R$ 172,1 bilhões.
A consultoria alerta também para as despesas do Benefício de Prestação Continuada (BPC), benefícios previdenciários, abono e seguro-desemprego. Já que enquanto as despesas com BPC apresentaram um desempenho em linha com o orçado, os gastos com benefícios previdenciários, abono e seguro-desemprego superaram a projeção da proposta de lei orçamentária.
“Tais desvios, nos dois últimos casos, indicam a necessidade de monitoramento intensivo, podendo desdobrar-se na revisão da despesa prevista para o exercício”, diz o texto.
Especialistas projetam que o ano termine com IPCA em 5,65%; na semana passada, a expectativa era de 5,60%
Projeções de inflação foram divulgadas no Boletim Focus desta segunda-feira, 24 | Foto: Enildo Amaral/BCB
Especialistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central (BC) revisaram para cima a expectativa de inflação para 2025 e 2026. As informações foram divulgadas no Boletim Focus desta segunda-feira, 24.
Os especialistas esperam que o ano termine com inflação em 5,65%. Na semana passada, a expectativa era mais baixa, de 5,60%.
O número também sofreu alterações para o próximo ano e passou de 4,35% para 4,40% em 2026. Para 2027, a projeção se manteve em 4%; para 2028, caiu de 3,80% para 3,79%.
Já para a taxa de juros, o mercado financeiro não fez alterações e manteve a Selic em 15% para 2025 e 12,50% para 2026. Para os dois anos seguintes, a estimativa continua em 10,50% e 10%, respectivamente.
Além de inflação e juros, mercado avaliou câmbio e PIB
Para o Produto Interno Bruto (PIB) do país, a projeção se manteve praticamente a mesma para este ano e para os próximos: 2,01% em 2025, 1,70% em 2026 e 2% em 2027 (ligeira alta de 0,02 ponto porcentual) e 2028.
Já para o câmbio, a expectativa é que o dólar termine 2025 em R$ 5,99, contra R$ 6 do último relatório. Para 2026, a tendência se manteve em R$ 6. Por outro lado, o mercado financeiro subiu a projeção da divisa norte-americana a R$ 5,92 em 2027 e a R$ 5,93 em 2028.
Nos últimos 12 meses, o café moído e torrado aumentou mais de 50%. Os ovos de galinha subiram 40% só na última semana
O preço dos produtos vendidos nos mercados registrou alta de 0,78% em janeiro. Com isso, o valor da cesta dos 35 itens de maior consumo no país passou de R$ 794,56 para R$ 800,75 na média nacional. A elevação, contudo, foi inferior à registrada nos últimos dois meses. Em dezembro, ela ficou em 1,82% e, em novembro, em 3,02%.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a lista dos principais vilões dos aumentos de preços nas gôndolas é encabeçada pelo café torrado e moído. Em média, ele subiu 8,56% só no mês passado.
A disparada nos preços do café, no entanto, foi mais expressiva nas regiões Sul (+12,39%) e Norte (+11,53%). Em 12 meses, a elevação acumulada do produto chega a 50,34% na média nacional.
Ovos dispararam
O caso dos ovos de galinha foi tratado pela Abras com um destaque à parte. A entidade divulgou um alerta sobre o que definiu como um “aumento expressivo no preço” desses produtos, “repassado pelos fornecedores ao varejo”. “Desde a segunda quinzena de janeiro, a combinação de alta demanda e oferta restrita tem levado a reajustes significativos”, disse a associação. “Nesta semana, a elevação já chega a 40% em diversas regiões do país.”
Lista dos vilões
Veja, a seguir, a lista da Abras com os produtos que mais aumentaram de preço nos supermercados, com dados de janeiro e no acumulado dos últimos 12 meses (também até janeiro).
Café + 8,56% em janeiro + 50,34% em 12 meses
Tomate + 20,27% em janeiro – 13,40% em 12 meses
Carne (corte traseiro) + 1,74% em janeiro + 20,61% em 12 meses
Frango congelado + 2,51% em janeiro + 10,33%em 12 meses
Carne (corte dianteiro) – 1,45% em janeiro + 25,97% em 12 meses
Os ovos de galinha não foram incluídos nessa relação porque a pesquisa registrou dados até janeiro, mês em que eles registraram uma alta de 0,89%. O grande salto dos preços foi posterior a esse período.