O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi formalmente notificado por e-mail para responder à ação movida nos Estados Unidos pela plataforma de vídeos Rumble e pela Trump Media & Technology Group, empresa ligada ao presidente americano Donald Trump. A informação foi divulgada na noite deste domingo (24) pelo advogado Martin De Luca, representante das companhias.
– Hoje, de acordo com uma ordem do Tribunal Federal dos EUA, Rumble e Trump Media notificaram o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes por e-mail – escreveu o advogado, nas redes sociais.
Segundo os documentos do processo, Moraes terá prazo de 21 dias para apresentar sua defesa em relação aos fatos trazidos pelas empresas na ação. Caso não haja manifestação da defesa do magistrado dentro do período estipulado, as empresas poderão pedir que o caso prossiga com decretação de revelia. No Brasil, o principal efeito dessa decisão é o reconhecimento de veracidade dos fatos alegados pela parte autora.
A notificação ocorre após a Justiça Federal da Flórida autorizar, na semana passada, a citação do ministro por meio eletrônico, depois de meses de tentativas frustradas de cooperação judicial internacional pelas vias diplomáticas previstas na Convenção de Haia.
As empresas alegaram à Corte americana que o procedimento de cooperação jurídica no Brasil teria ficado paralisado após manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Advocacia-Geral da União (AGU), além de decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que travaram a citação formal de Moraes.
A ação foi apresentada em fevereiro do ano passado pela rede social Rumble e pela Trump Media, grupo responsável pela rede Truth Social, idealizada por Donald Trump. As companhias acusam Alexandre de Moraes de promover censura ilegal contra conteúdos e usuários alinhados à direita brasileira, especialmente o jornalista Allan dos Santos.
No processo, as empresas pedem que ordens emitidas pelo ministro do STF para remoção de contas e conteúdos não tenham validade nos Estados Unidos.
Nesta quarta-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou críticas a comentaristas televisivos, declarando que “eles não valem nada”. O comentário surgiu em meio à discussão sobre a rapidez com que as informações circulam nas redes sociais. Conforme o presidente, hoje em dia, as pessoas já têm suas opiniões formadas antes mesmo da cobertura pela mídia convencional.
Durante um evento do governo federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se disse “assustado” com autonomia gerada pelas redes sociais. Entre as consequências, segundo o petista, os jornalistas e comentaristas acabam “não valendo nada”.
– Me assusta muito a autonomia que nós brigamos por ela, que as pessoas têm – iniciou.
– Antigamente as pessoas esperavam o jornal à noite para saber da notícia. Hoje, a notícia chega primeiro que o jornal, o cara faz a sua própria opinião. Esse pessoal que fica na televisão comentando e dando palpites não valem nada. É esse mundo novo que nós precisamos aprender – declarou.
As declarações foram dadas durante durante o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, no Palácio do Planalto, na quarta-feira (20).
Ainda durante o discurso, Lula teveu elogios a sua mulher, a primeira-dama Janja da Silva, dizendo ser preciso transformar a causa em “compromisso” e “tarefa de honra”
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, pediu nesta quinta-feira (21) ao presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a leitura do requerimento de criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as irregularidades do Banco Master.
Em discurso durante a sessão que analisa vetos presidenciais, Flávio afirmou que “mais do que nunca é necessária” a instalação do colegiado e disse querer a convocação do dono da instituição financeira, o banqueiro Daniel Vorcaro.
– Eu quero Daniel Vorcaro e Augusto Lima sentados naquela CPMI, falando qual é a relação que eles tinham com Flávio Bolsonaro, e também qual é a relação que eles tinham com o Lula, qual é a relação que eles tinham com Alexandre de Moraes. Porque eu não tenho nada a temer. Eu não tenho nada a esconder – declarou o senador.
A manifestação foi feita após o The Intercept Brasil revelar que Flávio enviou mensagens a Vorcaro em que pedia dinheiro para o financiamento do filme Dark Horse, produção que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O pré-candidato também afirmou que parlamentares de esquerda “têm medo dessa CPMI” e comparou o escândalo do Master ao Mensalão e à Operação Lava Jato.
– Nenhum de vocês assinou. Eu assinei todas, porque não tenho nada a esconder. Porque tem uma grande diferença. Vocês entendem muito de corrupção – disse.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do Partido Republicano, convidou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, para uma visita à Casa Branca na próxima semana. A informação foi divulgada pelo site Cláudio Dantas e confirmada pelo Poder360.
Segundo a equipe de pré-campanha, o convite partiu do próprio Trump. O gesto ocorre semanas após o encontro do republicano com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em território norte-americano, movimento visto como relevante no cenário diplomático.
Aliados avaliam que a reunião pode reforçar a imagem de aproximação internacional do pré-candidato, em meio à repercussão da visita de Lula, considerada positiva pelo governo brasileiro.
As tratativas acontecem após a divulgação de um áudio pelo Intercept Brasil, no qual Flávio Bolsonaro pede recursos a Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
Relatórios financeiros mostram que a influenciadora recebeu diversas transferências consideradas suspeitas entre 2018 e 2021
Deolane Bezerra foi presa por lavagem de dinheiro | Foto: Reprodução/Record
Uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil prendeu, nesta quinta-feira, 21, a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra em Alphaville, Região Metropolitana de São Paulo, por suspeita de envolvimento em lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital.
Denominada Operação Vérnix, a ação cumpriu seis mandados de prisão preventiva, além de buscas e apreensões. Entre os principais alvos estão Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, líder do PCC, além de familiares próximos, como seu irmão Alejandro Camacho e dois sobrinhos, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.
Esquema de lavagem de dinheiro
Segundo as investigações, uma rede complexa de ocultação de bens foi estruturada por meio de empresas e terceiros, o que facilitou a movimentação de recursos ligados à facção. A policia identificou uma transportadora de Presidente Venceslau como uma das empresas utilizadas para lavar dinheiro da família de Marcola.
Entre os presos também está Everton de Souza, chamado de “Player”, apontado como operador financeiro do grupo. De acordo com os investigadores, ele era responsável por orientar remessas e indicar contas usadas para movimentações ilegais, conforme mensagens interceptadas durante as apurações.
Movimentações financeiras suspeitas
Relatórios financeiros mostram que Deolane recebeu diversas transferências consideradas suspeitas entre 2018 e 2021, que totalizaram quase R$ 700 mil, parte delas oriunda de um homem da Bahia que recebe salário mínimo e seria utilizado como “laranja” no esquema. O Ministério Público afirma que esses valores não foram declarados oficialmente.
A Justiça decretou o bloqueio de cerca de R$ 27 milhões em contas ligadas à influenciadora, além da apreensão de 39 veículos de luxo que, juntos, superam R$ 8 milhões em valor. No total, os bloqueios de bens ultrapassam R$ 357 milhões, conforme decisão judicial.
Investigação e repercussão internacional
Deolane esteve recentemente em Roma, na Itália, e voltou ao Brasil na quarta-feira 20. Durante o período das investigações, seu nome foi incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol. Mandados de busca também foram executados em propriedades dela em Barueri e em outros endereços de investigados.
Além dos principais alvos, um influenciador digital considerado filho de criação de Deolane e um contador também tiveram seus endereços vistoriados. A investigação teve início em 2019, depois da apreensão de manuscritos e bilhetes de presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, que indicavam ordens internas, movimentações financeiras e conexões no alto escalão do PCC.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (19) uma operação para investigar o vazamento de informações sigilosas relacionadas ao caso do Banco Master. A decisão resultou no afastamento cautelar de um perito da Polícia Federal suspeito de repassar dados da investigação à imprensa.
Segundo nota divulgada pelo STF, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares, incluindo a suspensão do exercício da função pública do policial investigado.
O comunicado não menciona diretamente o conteúdo vazado, mas, segundo apuração do jornal Folha de S.Paulo, a investigação envolve a divulgação de informações sobre o contrato milionário firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
De acordo com pessoas ligadas ao caso, a Polícia Federal já investigava a origem de sucessivos vazamentos ocorridos desde o início da Operação Compliance Zero. A suspeita é de que o agente afastado não apenas tenha compartilhado informações sigilosas, mas também indicado terceiros para disseminar o material.
A investigação foi aberta no Supremo em março, após pedido da defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os advogados alegaram que mensagens extraídas de celulares apreendidos passaram a circular na imprensa antes mesmo de a própria defesa ter acesso ao conteúdo completo do material.
Na decisão que determinou a abertura do inquérito, Mendonça afirmou que a apuração deveria se concentrar em possíveis violações de dever funcional por parte de quem tinha a responsabilidade de custodiar os dados sigilosos, e não na atuação da imprensa ou de jornalistas.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de informações sobre o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes. Segundo documentos revelados pela imprensa, o acordo previa pagamentos de R$ 129 milhões em três anos, equivalentes a R$ 3,6 milhões mensais.
Dados da Receita Federal apontam que o banco declarou pagamentos superiores a R$ 80 milhões ao escritório entre 2024 e 2025. Informações enviadas à CPI do Senado que investigou o crime organizado indicam 11 repasses mensais de R$ 3,6 milhões em 2024, totalizando cerca de R$ 40 milhões naquele ano.
Em nota divulgada anteriormente, o escritório Barci de Moraes afirmou ter prestado serviços de consultoria e atuação jurídica ao Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Segundo a banca, foram realizadas 94 reuniões de trabalho no período, com participação de uma equipe de 15 advogados e apoio de outros três escritórios especializados.
O Instituto Nacional do Seguro Social vai ressarcir, até 20 de junho, aposentados e pensionistas que sofreram descontos indevidos em benefícios após o escândalo das mensalidades associativas. A informação foi confirmada pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, durante entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”.
Segundo o ministro, os descontos podem ser contestados pelo aplicativo Meu INSS, pela Central 135 ou nas agências dos Correios. “Até 20 de junho, a gente está devolvendo a todo mundo que tiver direito e que nos procurar”, afirmou. De acordo com ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou uma atuação direta do governo para evitar prejuízos aos segurados.
Wolney Queiroz afirmou ainda que a fraude foi praticada contra os aposentados e contra o próprio INSS. Até o momento, mais de 6,4 milhões de beneficiários contestaram descontos, enquanto cerca de 4,4 milhões aderiram ao acordo de ressarcimento. Segundo o ministro, R$ 3 bilhões já foram devolvidos aos segurados.
A Polícia Federal (PF) transferiu internamente o banqueiro Daniel Vorcaro para uma cela comum na carceragem da Superintendência do Distrito Federal.
Com isso, ele passa a ser submetido às regras do normativo interno da PF para a visita de advogados. Essas regras permitem duas visitas por dia por um período de meia hora.
Antes, ele estava alocado em uma sala de Estado-Maior que havia sido reformada para abrigar o ex-presidente Jair Bolsonaro no cumprimento de sua prisão. Vorcaro ficou no local para trabalhar na sua proposta de delação premiada com seus advogados e passava quase o dia inteiro reunido com eles.
A PF já havia solicitado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que Vorcaro fosse transferido de volta para um presídio, sob o argumento de que as condições dele na prisão na Superintendência alteravam e afetavam a rotina da administração.
O ministro ainda não proferiu uma decisão sobre essa mudança de endereço, mas autorizou a mudança de celas dentro da PF. Vorcaro está na Superintendência desde o dia 19 de março, quando começou a negociar sua delação premiada.
Como a defesa de Vorcaro já entregou sua proposta de colaboração, a PF decidiu aplicar a ele as regras usadas para todos os demais presos e colocá-lo em uma carceragem comum.
A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda analisam a proposta apresentada. A tendência é que essa proposta seja devolvida aos advogados com um pedido para complemento dos temas abordados.
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (19), a 7ª fase da Operação Compliance Zero para investigar o suposto vazamento de informações sigilosas ligadas às apurações sobre fraudes envolvendo o Banco Master. Segundo informações da jornalista Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, o investigado é o perito criminal federal João Cláudio Nabas.
Investigação do vazamento
A operação teve como alvo um perito da PF suspeito de repassar informações obtidas durante as investigações a um profissional da imprensa. Por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão e aplicadas medidas cautelares.
Entre as medidas autorizadas pela Justiça está o afastamento do servidor de suas funções públicas. As investigações apontam que ele teria compartilhado dados sigilosos relacionados à análise de materiais apreendidos em fases anteriores da operação.
Esquema investigado
A Polícia Federal apura suspeitas de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro, obstrução de Justiça e monitoramento ilegal de autoridades, jornalistas e opositores ligados ao grupo investigado. O caso tramita no STF por envolver servidores federais e pessoas com foro privilegiado.
Até o momento, a PF não informou quais conteúdos teriam sido vazados nem detalhou os materiais analisados pelo perito. A defesa do investigado também não havia se pronunciado até a publicação desta reportagem.
Num momento em que o STF (Supremo Tribunal Federal) tem apenas uma ministra entre seus 10 magistrados, 51% dos brasileiros dizem ser muito importante e 18% um pouco importante a escolha de uma mulher para a corte. Outros 27% afirmam não ser nada importante esse critério.
Além disso, 46% dizem ser muito importante e 16% um pouco importante a indicação de uma pessoa negra, enquanto 34% afirmam que essa condição não tem importância para a composição do tribunal. Atualmente, só dois ministros do STF se declaram pardos (Kassio Nunes Marques e Flávio Dino) —os demais são brancos.
As opiniões foram coletadas em pesquisa Datafolha realizada na semana passada, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número BR-00290/2026. Foram ouvidas 2.004 pessoas em 139 municípios de todo o país, na terça (12) e na quarta (13).
O STF está com a vaga de seu 11º ministro em aberto desde a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025. O presidente Lula (PT) indicou Jorge Messias, advogado-geral da União para substituí-lo, mas sofreu no mês passado uma derrota histórica no Senado —a primeira rejeição, desde 1894, de um escolhido pelo presidente da República para a corte.
Segundo a pesquisa Datafolha, 59% das pessoas não ficaram sabendo que Messias foi rejeitado. Entre os que souberam, 53% afirmam que isso deixou o governo mais fraco, enquanto 7% dizem que ficou mais forte. Para 36%, o episódio não interferiu na força da gestão Lula.
O levantamento do Datafolha aponta que 46% dos brasileiros dizem ser muito importante e 20% um pouco importante que a pessoa escolhida seja religiosa, característica que era apontada como um dos ativos de Messias, evangélico cuja indicação também era vista como aceno do atual presidente a esse segmento. Agora, diante da rejeição dele pelo Senado, há mais uma vez a cobrança de algumas entidades em defesa da indicação de uma mulher negra para o STF. Como mostrou a Folha, porém, Lula manifestou a aliados a intenção de reenviar o nome de Messias, apesar de entraves como uma norma do próprio Senado.
Entre quem pretende votar em Lula, 64% dizem ser muito importante a indicação de uma mulher e 60% de uma pessoa negra. Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), esses índices caem para 41% e 35%, respectivamente. A partir de uma lista com oito itens, o Datafolha perguntou se os entrevistados avaliavam determinadas características como muito, um pouco ou nada importantes para a pessoa escolhida para uma cadeira no Supremo.
O item que teve maior taxa de concordância foi o de conhecimento jurídico. Para 85%, é muito importante que os indicados tenham ótimo saber sobre o direito. Mas 6% avaliaram tal ponto como apenas um pouco importante e outros 6% como nada importante. A Constituição exige “notável saber jurídico” e “reputação ilibada” para ser ministro do STF. Os resultados da pesquisa expõem a valorização de algumas características que não seriam necessárias ou recomendáveis para magistrados do tribunal —diante do papel que devem desempenhar, com imparcialidade e equidistância entre as partes. Para 51%, é muito importante que o indicado ao Supremo tenha lealdade total ao presidente da República que o indicou, enquanto 25% dizem que tal item não é nada importante.
Além disso, 47% veem como muito importante que o nome escolhido para o tribunal tenha afinidade política com deputados federais e senadores. Ao mesmo tempo, em uma aparente contradição, 64% dizem esperar que os ministros do STF sejam independentes de políticos e partidos. Por fim, são 53% aqueles que veem como de muita importância o apoio dos atuais magistrados do Supremo a quem tiver que ocupar a próxima cadeira. No início de seu terceiro mandato, Lula tinha em seu horizonte a perspectiva de indicar dois integrantes ao STF. Diante da aposentadoria antecipada de Barroso, teve esse número elevado para três. A derrota do presidente com a rejeição de Messias ocorreu num contexto em que tanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), quanto uma ala do Supremo tinham outro nome favorito: o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Ao optar por Messias, Lula se contrapôs tanto a esses grupos como aos pleitos de parte de seus aliados por uma mulher na mais alta corte do país. Assim como nas suas duas últimas indicações, o petista também priorizou um nome de sua confiança, em sintonia com seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), que chegou a dizer, à época da escolha de Kassio Nunes Marques, que seu indicado precisava ser alguém que tomasse “uma cerveja” ou “uma tubaína” com ele. Para a primeira vaga aberta, em 2023, Lula nomeou seu advogado pessoal Cristiano Zanin. Na sequência, indicou Flávio Dino, seu aliado e à época ministro da Justiça de seu governo, para o posto até então ocupado pela ministra Rosa Weber. Com isso, a corte que tinha duas mulheres passou a ter apenas Cármen Lúcia. Quanto à pergunta sobre ter lealdade total ao presidente da República que fez a indicação, 63% dos eleitores de Lula avaliam que tal ponto é muito importante, ante 45% dos que preferem Flávio Bolsonaro.
Como mostrou a Folha, caso a indicação de Messias fosse confirmada pelo Senado, o Supremo seguiria com maioria de ministros homens ao menos por quase duas décadas, mesmo que todas as próximas vagas sejam preenchidas por mulheres. Isso considerando a permanência dos ministros na corte até a idade de aposentadoria obrigatória, de 75 anos.
Caso a cadeira deixada vaga por Barroso não seja preenchida neste mandato, quem ganhar as eleições presidenciais deste ano poderá indicar até quatro nomes para o tribunal.