Foto: : ANTONIO MOLINA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Nesta quinta-feira (16), André Mendonça tomou posse como o mais novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Ex-advogado-geral da União, Mendonça foi a segunda indicação do presidente Jair Bolsonaro para a Corte. O novo ministro foi aprovado pelo Senado no início de dezembro. O placar final da votação ficou em 47 votos a 32. Com isso, o ex-advogado-geral da União irá ocupar a vaga que foi do ministro Marco Aurélio de Mello.
Entre os presentes na cerimônia estiveram o próprio Bolsonaro e sua esposa, Michelle Bolsonaro, assim como outras autoridades.
Gladson Cameli (PP) é governador do Acre (AC) e alvo de uma operação da PF Imagem: Gladson Cameli/Facebook/Divulgação
O governador do Acre, Gladson Cameli (PP), é alvo de uma operação da PF (Polícia Federal), realizada com o auxílio da CGU (Controladoria-Geral da União), para desarticular uma suposta organização criminosa, relacionada à alta cúpula do governo estadual, por praticar corrupção e lavagem de dinheiro. A PF confirmou ao UOL que o nome do governador está entre os alvos da Operação Ptolomeu.
Em nota veiculada na agência de notícias do estado (veja a íntegra abaixo), o governo acreano declarou que “se coloca à disposição para colaborar com as investigações da Polícia Federal em relação à Operação Ptolomeu”, mas não citou o nome do governador Cameli no texto.
De acordo com a PF, a investigação tramita no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e foi apontado que um “grupo criminoso, controlado por empresários e agentes políticos ligados ao Poder Executivo estadual acreano, atuava no desvio de recursos públicos, bem como na realização de atos de ocultação da origem e destino dos valores subtraídos”.
Cerca de 150 policiais federais e dez auditores da CGU estão cumprindo 41 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão em dois estados (AC e AM) e no Distrito Federal. Os alvos residem nas cidades de Rio Branco e Cruzeiro do Sul (AC), Manaus e Brasília.
Entre os alvos da operação, além de Cameli, também estão: o Secretário de Estado da Indústria, Ciência e Tecnologia; Chefe e Coordenadora de Gabinete do Governador do Estado do Acre; Representante do escritório de apoio do Governo do Acre em Brasília; e Chefe de Segurança do Governador.
O STJ determinou medidas cautelares relacionadas aos pedidos de prisão, entre elas: “o afastamento da função pública; a proibição de acesso a órgãos públicos e o impedimento de contato entre os investigados”.
A Corte também exigiu o bloqueio de cerca de R$ 7 milhões nas contas bancárias dos alvos da investigação e apreensão de veículos de luxo supostamente adquiridos através da lavagem de dinheiro.
Os policiais federais apreenderam joias, relógios, dinheiro em espécie (reais, dólares e euros) e veículos de luxo na Operação PtolomeuImagem: Divulgação/Polícia Federal do Acre
Segundo a PF, a investigação conseguiu juntar diversas provas que apontam crimes contra a administração pública por parte do suposto grupo criminoso.
“Foram identificadas dezenas de transações financeiras suspeitas em contas correntes, pagamentos de boletos de cartão de crédito por pessoas interpostas, transações com imóveis de alto valor e aquisições subfaturadas de veículos de luxo”, explicou o órgão.
“Verificou-se, ainda, a prática constante de altas movimentações de valores em espécie, inclusive com uso do aparato de segurança pública. A CGU apurou que as empresas envolvidas possuem um grande volume de contratos com o poder público. O valor total empenhado para sete empresas foi de 142 milhões de reais durante o período analisado, sendo 17 milhões oriundos de convênios federais e repasses do SUS e do FUNDEB.”
O órgão ainda explicou que foi constatado que cerca de R$ 800 milhões foram movimentados pelos suspeitos, valor que não corresponde ao patrimônio e atividade empresarial praticada pelos investigados.
O que diz o governo
Em nota, o governo declarou que se coloca à disposição da PF para ajudar nas apurações.
O governo do Estado do Acre se coloca à disposição para colaborar com as investigações da Polícia Federal em relação à Operação Ptolomeu. Na realidade, incentiva essa e todas as ações de combate à corrupção. Prova disso é que foi criada pelo governo do Estado a Delegacia de Combate a Crimes de Corrupção. É a nossa obrigação colaborar com a missão dos agentes públicos em todas as investigações da Polícia Federal, que visam salvaguardar o bom uso de recursos públicos.
Foto: João Gabriel Alves/Agência Enquadrar/Folhapress
A pandemia do novo coronavírus mal foi controlada no Brasil e um surto de gripe se abate sobre cidades de ao menos cinco estados, incluindo as duas maiores capitais brasileiras. Surgido em Hong Kong na década de 1960, o vírus influenza A (H3N2) sofreu uma nova mutação na Austrália este ano, suficiente para aumentar os atendimentos nos prontos-socorros e internações nos hospitais do Rio de Janeiro e São Paulo.
Enquanto a cidade do Rio já contabilizou mais de 23 mil casos da doença nas últimas semanas, na capital paulista foram 19 internações na semana terminada no dia 14, contra 12 casos de março a junho do ano passado. Ontem, a Bahia registrou a primeira morte relacionada ao vírus, que já chegou também a Rondônia e ao Espírito Santo.
À CNN, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que a vigilância epidemiológica notou que os pacientes com gripe se restringem ao primeiro atendimento, em nível ambulatorial, como acontece no Rio.
Não estamos vendo como uma situação de gravidade, por enquanto, e sim de atenção.” Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo
Mas, afinal, o que é preciso saber sobre essa nova variante?
O que é o vírus H3N2?
O vírus H3N2 é um dos subtipos do vírus influenza A. Conhecido oficialmente como influenza A (H3N2), esse vírus é sazonal. Ele circula entre humanos desde uma epidemia em Hong Kong em 1968. Mas foi apenas a partir de 2005 que ele começou a circular pelo mundo mais frequentemente.
Vírus H3N2 não surgiu na Austrália
Embora a H3N2 tenha aparecido em Hong Kong, uma nova mutação foi identificada “há seis meses na Austrália”, diz o virologista da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) José Luiz Proença Módena. A cepa foi batizada de Darwin em referência à cidade em que ela foi sequenciada.
A vacina da gripe protege contra o vírus H3N2?
Como os vírus influenza passam por mais mutações do que o coronavírus, as vacinas precisam mudar todos os anos para garantir eficácia. A vacina contra a gripe usada no Brasil já tem em sua composição a H3N2, mas não se trata da variante Darwin, a que agora circula no Rio e em São Paulo.
Desde que a variante foi encontrada, a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda uma nova formulação para as vacinas contra a gripe que serão aplicadas em 2022, agora com a H3N2 Darwin.
Mesmo assim, a vacina à disposição “ajuda a pelo menos reduzir hospitalização”, diz Cristina Bonorino, imunologista da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia). “Essa variante não está na vacina, mas a H3N2 está. Então a vacina tem alguma proteção.”
Quem são as principais vítimas?
A variante atinge principalmente idosos e —ao contrário do coronavírus— crianças. Nesses grupos, a gripe pode ser ainda mais grave, resultando até em internação.
“O [vírus] influenza atinge crianças, mas ninguém sabe ao certo por quê. É uma grande incógnita que ainda buscamos resposta”, diz a imunologista.
Ela diz, no entanto, que os infectados até o momento pela Darwin são adultos não vacinados, já que “a campanha de vacinação contra a gripe foca em geral em idosos e crianças, o principal grupo de risco”.
Quais os principais sintomas do vírus H3N2?
Os principais sintomas provocados pela Darwin são os mesmos da gripe comum: febre alta, dores nas articulações, nariz congestionado, tosse, inflamação na garganta e fortes dores de cabeça. Pode haver vômito e diarreia principalmente em crianças.
Como se prevenir do vírus H3N2?
A especialista recomenda os mesmos cuidados para fugir da covid-19: usar máscaras, lavar as mãos frequentemente e evitar aglomerações.
Se o paciente apresentar os sintomas dessa gripe, o conselho é se isolar por até seis dias e só sair de casa 24 horas depois que a temperatura tiver caído para 36°C.
Existe tratamento?
Para cuidar do paciente infectado por esse subtipo do vírus, recomenda-se o mesmo tratamento para a gripe comum, com remédios para conter os sintomas. Os casos graves da doença podem precisar de internação.
A médica alerta para o fato de o influenza “conter uma infecção bacteriana associada”. Alguns casos, diz, começam “primeiro com resfriado, depois agrava. O paciente fica bem em seguida, mas volta a piorar e pode acabar com uma pneumonia que precisa ser tratada com antibiótico”.
A queda na vacinação contra a gripe na pandemia tem influência?
Todas as vacinações caíram nos últimos anos, como a da gripe, “e isso pode ajudar a espalhar o vírus agora”. A imunologista acrescenta que a flexibilização das medidas restritivas contra a covid-19 também motiva o aumento de infectados pela H3N2.
“O vírus da gripe está voltando justo agora que começaram a reabrir alguns setores e flexibilizar as medidas de contenção ao coronavírus”, diz.
É a mesma coisa que a covid-19. A gente tem de vacinar todo mundo. Toda vez que a população não se vacina, pode surgir variante nova. Isso acontece todo ano com o influenza.”
Parque Nacional da Serra do Divisor, no Acre, que será impactado por rodovia projetada pelo governo Bolsonaro na Amazônia Imagem: André Dib
A juíza federal substituta da 1ª Vara de Rio Branco (AC), Franscielle Martins Gomes Medeiros, determinou nesta terça-feira (14) que o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) se abstenha de celebrar o contrato para elaboração dos projetos básicos e executivos de engenharia que são o primeiro passo para obras de abertura e asfaltamento de rodovia federal em uma região de grande interesse socioambiental na Amazônia brasileira. A estrada de 110,6 km projetada pelo governo de Jair Bolsonaro pretende rasgar a floresta ao atravessar o Parque Nacional da Serra do Divisor, na fronteira com o Peru.
A juíza acolheu uma ação civil pública ajuizada contra a União, o DNIT e o Ibama por um conjunto de organizações não governamentais que denunciam o empreendimento pela “violação dos direitos socioambientais”, por “risco de extermínio” de povos indígenas isolados, ausência de consulta prévia aos povos indígenas da região, “relação desproporcional entre investimento público e beneficiários” e “improvável ligação” do trecho brasileiro com Pucallpa, no Peru, entre outros pontos.
A obra de prolongamento da rodovia federal BR-364, que ligaria Cruzeiro do Sul (AC) à fronteira com o Peru, ainda não está orçada, mas as entidades estimam o valor total de R$ 500 milhões a R$ 1 bilhão. Os estudos preliminares agora suspensos por ordem judicial custariam cerca de R$ 6 milhões. Procurado pela coluna, o DNIT não havia se manifestado até o fechamento deste texto.
A ação civil pública foi ajuizada pela Associação SOS Amazônia, OPIRJ (Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá), CPI-Acre (Comissão Pró Índio do Acre), Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira) e CNS (Conselho Nacional das Populações Extrativistas).
A ação se soma a um inquérito civil aberto no ano passado e atualmente em andamento no Ministério Público Federal a fim de “apurar as irregularidades na condução do projeto de interligação rodoviária entre os municípios de Cruzeiro do Sul, no Acre, e Pucallpa no Peru”. A apuração do MPF foi aberta após uma representação da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Acre.
Na ação civil pública, as entidades pediram que o DNIT fosse ordenado a não realizar qualquer procedimento licitatório antes da realização dos EVTEAs (Estudos de Viabilidade Técnica e Ambiental), da “consulta prévia, formal, livre e informada nos moldes do que determina a Convenção 169” da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e de trabalhos necessários da Funai “para confirmar a presença de povos indígenas isolados na área de influência do projeto da rodovia BR-364”.
DNIT alegou “segurança nacional” para dispensar estudos
Ao lançar o edital para contratação dos trabalhos preliminares, em maio último, o DNIT dispensou a elaboração dos EVTEAs sob a alegação de que a obra “se encontra em região de fronteira” e que por isso seria “considerada de interesse social e segurança nacional”. O DNIT citou uma lei da ditadura militar (nº 5.917/73), que criou o “Plano Nacional de Viação”, e um decreto de 1987 (nº 2.375), além de uma portaria do próprio órgão, de 2008.
“O argumento apresentado pelo DNIT para não apresentar os estudos e consultas prévios é um grande subterfúgio para fazer cumprir uma agenda política. É uma falácia. A ideia do governo é abrir campo para a ocupação de terra. É uma ocupação da Amazônia nos moldes dos anos 70. Mostramos na ação a total ausência de consulta aos povos indígenas que são afetados pelo empreendimento, por exemplo. E o risco à presença dos povos isolados na região do parque. Além das ameaças ao próprio parque, que tem uma biodiversidade única no país, é um dos poucos ainda intocados naquela região da Amazônia”, disse um dos advogados que atua no processo, Helio Wicher Neto.
As entidades mencionaram que a Constituição de 1988, posterior à lei da ditadura de 1973, conferiu grande importância à “probidade e o zelo com o erário”, que uma lei de 2011, que criou o “Sistema Nacional de Viação”, superou a lei da ditadura de 1973, e que a proteção da segurança nacional deve ser “sempre conjugada com os demais valores constitucionais”.
Wicher Neto disse que as entidades conseguiram demonstrar no processo que o governo do Peru não demonstra interesse em abrir uma ligação com o Brasil via Pucallpa e que as atuais ligações existentes entre os dois países já são suficientes para o comércio bilateral.
“Corre-se o risco de promover investimento público de milhões de reais para elaboração de um projeto de construção de uma estrada para conectar as cidades de Cruzeiro de Sul e Mâncio Lima a um ponto da fronteira entre Brasil e Peru sem qualquer ligação com o restante daquele país. […] O argumento de integração dos municípios no Estado do Acre não tem procedência. Os três municípios mencionados como impactados pela obra já estão interconectados e todos têm ligação asfáltica com a capital Rio Branco e o restante do país”, dizem as entidades na ação civil.
Juíza vê “fundada suspeita de incompatibilidade” com proteção ambiental
Após analisar o pedido da coalizão de ONGs, a juíza federal Franscielle Medeiros determinou, além da suspensão dos trabalhos preliminares pelo DNIT, que o MPF seja ouvido.
“Há risco significativo ao erário na efetivação de contrato destinado à elaboração de projetos básico e executivo, em valor superior a R$ 6 milhões, para a realização de obra de engenharia sobre a qual recai fundada suspeita de incompatibilidade com o regime de proteção de unidades de conservação estabelecido pela Lei n. 9.985/00. De outro lado, sustar a contratação, no aguardo da manifestação do Ministério Público Federal, ente investido da proteção institucional dos interesses aqui controvertidos, não oferece significativo risco de abalo à ordem econômica ou socioambiental”, decidiu a juíza federal Franscielle Medeiros.
A magistrada apontou que é “imprescindível” a manifestação do MPF no processo, pois tramita no órgão, desde 2020, o inquérito civil sobre o mesmo assunto. No entanto, “é iminente” a celebração de um contrato entre o DNIT e o consórcio das empresas vencedoras da licitação (Única-Iguatemi).
“Neste caso, aguardar a manifestação do Ministério Público Federal, ou mesmo a análise judicial das diversas nuances imbricadas no conflito que subjaz à presente demanda, tem o potencial de deflagrar a versão de montante expressivo de recursos públicos à empresa contratada, dando início à realização de levantamentos técnicos com a finalidade de elaborar projetos básico e executivo para a consecução de obra que poderá ser declarada incompatível com a adequada preservação ambiental.”
A juíza citou a lei 9.985/00, “que condiciona a realização de qualquer intervenção em áreas de proteção integral – como é o Parque Nacional da Serra do Divisor – à aferição de sua compatibilidade, com o Plano de Manejo, sujeitando-se à análise empreendida pelo conselho consultivo da unidade e ao órgão gestor”.
Estudo apontou aumento do desmatamento a partir de rodovias
Citado na ação civil pública, um relatório técnico sobre “os impactos socioambientais da rodovia BR-364”, elaborado pelos professores da Universidade Federal do Acre Willian Flores e Sonaira Souza da Silva apontou que 96% de toda a área de influência do empreendimento são formados “por terra públicas da União, destinadas e não destinadas”. O dado é relevante porque, segundo o estudo, “em torno de 87% do desmatamento ocorrido até 2020 na Amazônia ocorreram em terras públicas não destinadas”.
“Além da devastação ambiental, estudos apontam o acirramento de conflitos e da especulação imobiliária, a partir da comercialização de terras de forma irregular dos assentamentos do Incra, com a presença das rodovias.”
Imagem de satélite mostra processo chamado de “espinha de peixe” sobre desmatamento gerado pela abertura de rodoviaImagem: Reprodução
No Acre, diz o estudo técnico, a abertura de rodovias tem desencadeado o processo de “espinha de peixe”, que “estabelece a ocupação do território a partir da abertura de ramais perpendiculares à rodovia principal”. “No Estado do Acre, as rodovias BR-364 e BR-317, após abertura e pavimentação, impulsionaram a expansão de extensa rede de ramais.” De 2007 a 2019, diz o estudo, “a média anual de abertura [dos ramais] foi de 590 km por ano”. “Um dado alarmante trazido pelo Relatório Técnico é que a situação do surgimento de ramais e de desmatamento no padrão espinha de peixe aumenta em momentos de enfraquecimento das políticas públicas. São, portanto, potencializados quando combinados com outras ações governamentais atualmente em curso.”
A região, mesmo sem a estrada, já é palco de conflitos socioambientais, com exploração ilegal de madeira, garimpo ilegal, “aumento da violência, narcotráfico e crime organizado”. Em setembro de 2014, diz o estudo, “quatro indígenas, membros da Comunidade Nativa Alto Tamaya-Saweto, no lado peruando da fronteira, foram mortos por madeireira e traficantes, na fronteira com o Peru, quando se deslocavam pela floresta em direção à aldeia Apiwtxa, na Terra Indígena Ashaninka do Rio Amônia, localizada no lado brasileiro”.
Indígenas isolados serão “afetados diretamente”, diz ação
Segundo a ação civil pública, o “eixo projetado da estrada atravessa o Parque Nacional da Serra do Divisor (PNSD), Unidade de Conservação de Proteção Integral, criado pelo Decreto nº 97.839/1989 e que está incluído no programa ARPA (Programa Áreas Protegidas da Amazônia), a maior iniciativa de proteção de florestas tropicais do mundo, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente”.
Com 843 mil hectares, o parque da Serra do Divisor é apontado na ação “como uma das regiões mais ricas em espécies de toda a Amazônia Brasileira”. “Entre as espécies de alto valor para a conservação” encontrados na região estão “o tatu-canastra, a ariranha, a onça-pintada e o uacari-vermelho”. Entre os pássaros há “espécies notáveis por estarem ameaçadas” de extinção, como “a maracanã-de-cabeça-azul, o gavião-real, o gavião-pato, o bicudo verdadeiro e a mãe-da-lua-parda”.
Imagem aérea do Parque Nacional da Serra do Divisor, no Acre, que será afetado por rodovia federal projetada pelo governo federalImagem: André Dib
As entidades retiraram as informações sobre os animais de um relatório realizado pelo próprio governo brasileiro em 2017, por meio do Ministério do Meio Ambiente, com o propósito de tornar o Parque Nacional da Serra do Divisor um Patrimônio Mundial da Unesco, vinculada à ONU (Organização das Nações Unidas).
De acordo com a ação civil pública, o projeto da rodovia também vai interferir no “nas terras indígenas Nukini, Poyanawa e Jaminawa do Igarapé Preto”. O relatório técnico dos professores da Universidade Federal do Acre apontou uma população total de cerca de 18 mil indígenas no Peru e no Brasil na área de influência do empreendimento, considerando um raio de 40 km do eixo da rodovia.
“Existem ainda registros de grupos indígenas ainda não contatados, chamados ‘isolados’, que usam o território da linha de fronteira no Parque Nacional da Serra do Divisor no Brasil e Reserva Territorial Isconahua no Peru. Por esse motivo, essa área integra os chamados ‘corredores transfronteiriços dos isolados’ e será afetada diretamente pelo empreendimento”, diz a ação civil pública.
De acordo com a ação civil pública, em março de 2021, o coordenador da Funai (Fundação Nacional do Índio) na região foi instado pelo MPF, no bojo do inquérito civil, a se manifestar sobre várias dúvidas que cercam o empreendimento do DNIT. Ele confirmou que há três terras indígenas “na área de incidência” da obra e que a mensuração dos impactos e medidas de redução dos danos só será possível “dentro do processo de licenciamento da obra”. Sobre a aplicação da Convenção 169, o representante da Funai confirmou “não termos conhecimento sobre nenhum procedimento de consulta realizado, nem sobre possível cronograma desta atividade”.
Citando outra documentação da Funai, a ação civil pública aponta que a CGIIRC (Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato) do órgão anexou em março uma informação técnica com informações sobre os “Isolados do igarapé Tapada”.
“O documento […] destaca que os impactos da rodovia ‘serão devastadores para grupos de indígenas isolados que necessitam da floresta como meio de sobrevivência, indígenas em isolamento são caçadores, e/ou coletores, e/ou agricultores, muitas vezes ocupam seus territórios de forma sazonal, essas dinâmicas só são possíveis, devido a preservação dos seus territórios’. E alerta para o fato de que ‘esses grupos possuem uma alta vulnerabilidade epidemiológica e é comum que quando há um contato brusco com agentes externos os mesmos sejam dizimados, em decorrência de doenças ou conflitos.”
A ação civil pública ajuizada pelas organizações não governamentais foi subscrita pelos advogados Helio Wicher Neto e Michael Freitas Mohallem e os advogados indígenas da Coiab Luiz Henrique Eloy, Tito de Souza Menezes, Cristiane Soares e Rogério Srône Xerente.
O DNIT foi procurado pela coluna no início da noite desta quarta-feira (15). Caso o órgão se pronuncie, este texto será atualizado.
O presidente Jair Bolsonaro e o dono do SBT, Silvio Santos, encontraram-se na tarde de quarta-feira (15), na casa do apresentador, no bairro do Morumbi, Zona Oeste da capital paulista. Um registro da visita foi publicado nas redes sociais da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) e mostrou que, além dos dois, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, também esteve na visita. Bolsonaro chegou à capital paulista por volta das 11h30 desta quarta. Em torno das 14h, quatro carros da comitiva do presidente chegaram à casa do apresentador, no Morumbi. A segurança foi feita pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e reforçado pela Polícia Militar.
O ministro das Comunicações, Fábio Faria, é casado com Patrícia Abravanel, filha de Silvio Santos, e chegou ao local cerca de duas horas antes de Bolsonaro. Além de Faria e de Tarcísio, o advogado-geral da União, Bruno Bianco, também esteve presente.
Antes de ir à residência do dono do SBT, o presidente se encontrou com o prefeito de SP, Ricardo Nunes, e fechou um acordo para encerrar a disputa judicial pelo Aeroporto do Campo de Marte.
A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro deflagra nesta quinta-feira (16), a Operação Bergon, contra um grupo extremista que fazia apologia ao nazismo e disseminava ódio a negros e judeus em redes sociais. Até o momento duas pessoas foram presas na ação.
Agentes cumpriram quatro mandados de prisão e 31 de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Em maio deste ano, José Raphael Tomas Zéfiro foi preso por envolvimento com o grupo. No seu celular, havia indícios sobre a existência de grupos de indivíduos que se autodeclaram nazistas, ultranacionalistas e nacional-socialistas, associados para praticar e incitar atos discriminatórios.
O nome da operação faz alusão à freira francesa Denise Bergon, que usou seu convento para abrigar crianças judias entre alunos católicos durante a Segunda Guerra Mundial, evitando serem capturadas pelos nazistas.
Depois de ganhar o Brasileirão pela segunda vez, Galo repete dose no mata-mata; ano mágico termina com Tríplice Coroa. Depois de 90 minutos de futebol na Arena da Baixada, o Atlético-MG venceu o Athletico por 2 a 1, na noite desta quarta-feira.
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Era mera formalidade. Depois de 90 minutos de futebol na Arena da Baixada, o Atlético-MG venceu o Athletico por 2 a 1, na noite desta quarta-feira, e conquistou o bicampeonato da Copa do Brasil – já havia sido campeão em 2014. A vantagem de 4 a 0 obtida no jogo de ida fez o Galo jogar mais leve, mesmo diante da pressão da torcida do Athletico, que ainda acreditava na reviravolta, pressionou (em alguns momentos até passando do ponto, atirando objetos em campo), mas viu o Atlético ser superior novamente. Os gols do título foram dos dois maiores nomes das finais: Keno e Hulk, um em cada tempo – Jaderson diminuiu. Semanas depois do segundo título do Brasileirão, é hora de a torcida atleticana comemorar mais um bi e a Tríplice Coroa – além dos dois títulos nacionais, ganhou o Mineiro.
O Atlético chega à sua segunda conquista de Copa do Brasil, enquanto o Athletico continua com uma, de 2019. O Galo, aliás, conseguiu um feito que não ocorria há 18 anos – desde o rival Cruzeiro, em 2003, um mesmo time não conquistava as duas principais competições nacionais. E melhor: com o título, o Atlético acumula agora R$ 145 milhões em prêmios pelas conquistas da temporada.
Mesmo com o vice, o Athletico fecha outra grande temporada em sua história. O Furacão foi campeão da Copa Sul-Americana pela segunda vez, em final contra o Red Bull Bragantino, garantiu vaga na Libertadores do ano que vem e, depois de leve susto, livrou-se do rebaixamento no Brasileirão sem grandes problemas. Tudo isso reconhecido pela torcida, que lotou a Arena da Baixada e cantou alto nos minutos finais, com o título já perdido, mas celebrando o grande 2021 rubro-negro.
Até os 15 minutos, quase não houve futebol, apenas entradas duras, discussões e muito jogo de cintura por parte do árbitro Anderson Daronco – no primeiro minuto, Christian já havia pegado Jair. Mais tarde, um cotovelo de Renato Kayser que “sobrou” no rosto do mesmo Jair gerou nova polêmica. Até que Daronco chamou os capitães, deu um ultimato e fez o jogo andar um pouco mais. A partir daí, o Athletico passou a pressionar e chegou rapidamente ao gol, com Pedro Rocha, após cruzamento de Cittadini – o VAR, porém, viu toque de mão do atacante e anulou o lance, deixando a torcida ainda mais irritada na Arena da Baixada. A loucura, porém, virou silêncio aos 24 minutos: em contra-ataque perfeito, Vargas rolou para Zaracho, que encontrou Keno livre na área para finalizar e abrir o placar. O Furacão sentiu o gol, a torcida murchou, e restaram apenas mais entradas duras, discussões e cartões amarelos. Hulk quase fez o segundo do Galo, de cavadinha, e Renato Kayser, um dos principais perigos do Athletico, deixou o gramado lesionado e chorando.
Christian e Fernando Canesin entraram no meio-campo do Athletico e até melhoraram o funcionamento ofensivo do time, mas longe de representar uma ameaça ao Galo, que seguiu administrando o ritmo e buscando contra-ataques. O Furacão chegou a assustar num gol de Mingotti, anulado por impedimento, mas foi só. Sempre que o Galo forçou, levou perigo – até os 30 minutos, quando Hulk recebeu de Savarino e, de cavadinha, fez o gol que decretou de vez o título. A torcida do Galo comemorou, a do Furacão cantou alto para celebrar a boa temporada, e Jaderson ainda diminuiu nos minutos finais, deixando o Athletico com um golzinho marcado na decisão.
Em um jogo tenso, de disputas duras e provocações, chamou a atenção o bate-boca entre Hulk e Pedro Henrique. O astro do Galo ironizou e mandou um “Jogou onde?” ao zagueiro do Furacão, que rebateu com palmas no mesmo tom de ironia.
O árbitro Anderson Daronco teve trabalho com discussões, faltas duras e reclamações dos dois lados. E, com auxílio do VAR, anulou gol de Pedro Rocha no primeiro tempo por um toque de mão. De acordo com o comentarista Paulo César de Oliveira, decisão correta, já que o desvio favoreceu o próprio jogador que tocou com a mão na bola – mesmo sendo acidental. O outro lance polêmico foi um possível pênalti de Junior Alonso em Cittadini, que Paulo César também não daria: “Foi um movimento de proteção”. No segundo tempo, novo gol anulado: Mingotti, impedido, finalizou e teve o lance paralisado já em campo – o VAR confirmou a marcação.
Os dois times encerram a temporada do futebol brasileiro, mas o Atlético-MG já tem compromisso marcado para 2022: vai enfrentar o Flamengo, vice-campeão brasileiro, na Supercopa do Brasil.
A Amazon e a Rede Globo anunciaram um acordo para a transmissão dos jogos da Copa do Brasil de 2022. As 36 partidas vão ser transmitidas no Prime Video, plataforma de streaming da companhia. Os 30 primeiros jogos serão exclusivos da Amazon, enquanto os últimos 6, que envolvem semifinais e a final, não terão exclusividade.
– A Copa do Brasil 2022 é um marco para o Prime Video, tornando-se o primeiro evento de futebol ao vivo que a empresa vai transmitir exclusivamente no país. Este é um passo muito importante para expandir e diversificar o conteúdo oferecido aos membros Prime – declarou o gerente da plataforma no Brasil.
De acordo com o site Notícias da TV, a parceria entre as duas empresas rendeu um montante que irá colaborar no pagamento dos direitos da competição, que equivale a cerca de R$ 300 milhões por ano. Os assinantes da plataforma de streaming não vão precisar pagar adicional para ter acesso às transmissões do torneio de futebol nacional.
– Alerta futebolístico passando na sua timeline. É real: todos os assinantes Prime já têm lugar reservado pra assistir à Copa do Brasil 2022, transmitida direto no meu streaming – informou o perfil da Amazon Prime no Twitter.
Justiça determinou que ele terá que arcar com custos de honorários advocatícios do Terça Livre
Ex-ministro da Justiça, Sergio Moro Foto: PR/Isac Nóbrega
Nesta terça-feira (14), Sergio Moro, perdeu um processo na Justiça contra o canal Terça Livre. O ex-juiz queria a remoção do vídeo “O PT quer derrubar André Mendonça?”, que foi publicado em julho de 2020, no YouTube.
Na ação judicial, Moro alegava que o conteúdo é “ofensivo à honra e à imagem do autor”. No entanto, para o juiz Pedro Ivo Lins Moreira, da 10ª Vara Cível da Comarca de Curitiba, o pedido é improcedente. As informações são do Poder360.
De acordo com a decisão do magistrado, Moro terá que arcar com os custos de honorários advocatícios do Terça Livre.
A decisão foi divulgada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro.
– Moro perde ação contra TL [Terça Livre] para derrubar vídeo ‘O PT que derrubar André Mendonça’. Juiz disse que não cabe indenização, nem supressão de conteúdo (censura) e não dá direito de resposta por que Moro não formulou o pedido adequadamente. Moro ainda pagará custos à TL – escreveu o parlamentar, no Twitter.
O plenário da Câmara dos Deputados concluiu, nesta quinta-feira (15), a votação em segundo turno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 46/21. O texto prevê um limite anual para o pagamento de precatórios, as dívidas da União, dos estados, municípios e do Distrito Federal, determinadas por sentença judicial definitiva. Os precatórios podem ser relacionados a impostos, questões salariais e outros. A matéria segue para promulgação.
A proposta abre um espaço final de R$ 43,8 bilhões para a União gastar em 2022, segundo divulgado pelo Ministério da Economia. No ano que vem, a aplicação dos recursos economizados com o limite de pagamento de precatórios deverá ser exclusivamente utilizado em seguridade social e no programa Auxílio Brasil.
Ao ser analisada no Senado, no início de dezembro, parlamentares modificaram o texto, que precisou retornar para análise dos deputados. Entre elas está a redução de 2036 para 2026 do prazo de vigência para esse limite de pagamento de precatórios. Outro ponto foi a inclusão de vinculação da utilização dos recursos obtidos com programas de transferência de renda, saúde, previdência social e assistência social.
Nesta sessão, os deputados analisaram trechos que ainda não haviam sido promulgados. Na semana passada, o Congresso já havia promulgado os outros dispositivos da PEC aprovados nas duas Casas após acordo entre os presidentes de Câmara e Senado para o fatiamento da proposta que acelerou a votação da medida.
Fundef
Os deputados aprovaram um destaque do DEM que anula o cronograma feito pelos senadores para pagamento de precatórios do antigo Fundef, que foi substituído pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
Segundo a PEC, o pagamento desse tipo de precatório ocorrerá sempre em três parcelas anuais a partir de sua expedição: 40% no primeiro ano, 30% no segundo ano e 30% no terceiro ano.