Dois baianos estarão em ação no quinto dia de Jogos Olímpicos nesta noite/madrugada. Na natação, Breno Correia e a equipe do revezamento 4×200 metros livre vão em busca da medalha na final dessa prova, que está marcada para começar às 00h26 (de Brasília). O Brasil tem o oitavo melhor tempo da final, e mesmo um bronze já seria surpreendente. Contudo, também é o recordista mundial do revezamento em piscina curta.
Já o pugilista Keno Marley faz sua estreia no boxe, contra o chinês Chen Daxiang, pela categoria meio-pesado (até 81 quilos), pelas oitavas de final, a partir de 2h12. Keno, de apenas 22 anos, participa de sua primeira Olimpíada na carreira. Ele foi medalha de prata no Pan-Americano de Lima, em 2019, e é uma das esperanças de medalha do Brasil. Na primeira rodada, o chinês venceu Shabbos Negmatulloev, do Tajuquistão, por 4 a 0.
Um pouco mais cedo, também na natação, é importante se atentar à final dos 200 metros livre. O nadador Leonardo de Deus tem o segundo melhor tempo da decisão, vai nadar na raia 5 e é a maior chance de medalha nesta noite. A prova começa às 22h49. Caso suba ao pódio, será a sexta medalha brasileira nos Jogos.
De manhã cedinho, às 5h, a seleção de futebol masculino do Brasil encerra sua participação na fase de grupos contra a Arábia Saudita. Com a liderança da chave D, com 4 pontos, a Canarinho só precisa de um empate para avançar às quartas de final.
Na ginástica artística, dois atletas brasileiros tentam a medalha: Diogo Soares e Caio Souza – este, inclusive, é atual medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos, na mesma categoria.
Quem já está fazendo história e vai em busca de mais é Hugo Calderano, do tênis de mesa. Ele foi o primeiro atleta brasileiro da modalidade a alcançar as quartas de final do torneio olímpico. Às 9h, ele joga contra o alemão Dimitrij Ovtcharov para tentar avançar à semifinal.
O handebol masculino e o vôlei masculino também entram em quadra na manhã desta quinta-feira (28), contra Espanha e Atletas da Rússia, respectivamente. Confira a agenda completa:
Badminton:
22h20 – Zhang Beiwen x Fabiana Silva (fase de grupos)
7h20 – Kanta Tsuneyama (JAP) x Ygor Coelho (BRA) (fase de grupos)
Natação:
22h49 – Leonardo de Deus (final dos 200 metros livre)
00h26 – Revezamento 4×200 metros livre masculino (final)
7h02 – Larissa Oliveira (classificatórias dos 100 metros livre)
7h58 – Vinicius Lanza (classificatórias dos 200 metros medley masculino)
8h12 – Caio Pumputis (classificatórias dos 200 metros medley masculino)
8h34 – Revezamento 4×200 metros livre feminino
Judô:
23h – Rafael Macedo (BRA) x Islam Rozbayev (CAZ) (fase 1/32 avos de final – até 90 kg)
23h45 – Maria Portela (BRA) x Nigata Shaheen (EOR) (fase 1/16 avos de final – até 70 kg)
Vela:
A partir de 00h05 – Henrique Haddad e Bruno Bethlem (classe 470)
A partir de 00h05 – Jorge Zarif (classe finn)
A partir de 00h05 – Marco Grael e Gabriel Borges (classe 49er)
A partir de 00h15 – Patrícia Freitas (classe RS:X feminino)
A partir de 2h35 – Gabriela Nicolino e Samuel Albrecht (classe Nacra 17 misto)
A partir de 2h50 – Martine Grael e Kahena (classe 49er FX)
A partir de 2h50 – Ana Barbachan e Fernanda Oliveira (classe 470 feminino)
Canoagem Slalom C1 feminino:
A partir de 00h50 – Ana Sátila (classificatórias)
Tiro com arco:
1h24 – Marcus Vinicius D’Almeida (BRA) x Patrick Huston (GRA) (fase 1/32 avos de final)
Canoagem Slalom K-1 masculino:
A partir de 1h50 – Pepe Gonçalves (classificatórias)
Boxe:
2h12 – Keno Marley (BRA) x Chen Daxiang (CHI) (oitavas de final do peso meio-pesado)
Tênis:
3h40 – Luisa Stefani/Laura Pigossi (BRA) x Mattek-Sands e Pegula (EUA) (quartas de final)
6h40 – Luisa Stefani/Marcelo Melo (BRA) x Stojanovic/Djokovic (SER) (primeira rodada de duplas misto)
Futebol masculino:
5h – Arábia Saudita x Brasil (rodada 3 da fase de grupos)
Ginástica artística:
A partir de 7h15 – Individual geral masculino (final)
Handebol masculino:
7h30 – Brasil x Espanha
Tênis de mesa:
9h – Hugo Calderano (BRA) x Dimitrij Ovtcharov (ALE)
As ruas do Campo e a Otávio Mangabeira serão interligadas após reivindicações de moradores.
Foto: Zeroaldo Silva
A Prefeitura de Anguera juntamente com a Secretaria de Serviços Públicos desapropriaram um imóvel e iniciaram o processo de demolição para criar uma interligação entre as ruas do Campo e a Otávio Mangabeira. A obra permitirá o acesso de moradores das duas ruas, facilitando a passagem de pedestres e veículos.
A Professora Missilene Sampaio, uma das moradoras da região, disse que a obra vai facilitar seu deslocamento, principalmente para ir até a casa da mãe, que agora de tornará mais perto, devido a interligação das ruas.
“Durante o dia preciso ir diversas vezes a casa da minha mãe, que apesar de ser a poucas dezenas de metros, o percurso se torna muito maior e cansativo pelo fato de ter que passar por duas ruas para dar acesso ao início da Otávio Mangabeira, isso por não ter outra opção”, ressaltou a moradora.
O Secretário de Serviços Públicos, José Luiz Couto, informou que seria difícil prever uma data para a conclusão da obra, mas que estava trabalhando para que o serviço fosse entregue a população o mais rápido possível.
Previsto para esta segunda-feira (26), o retorno das aulas no modelo semipresencial na rede estadual não foi como os estudantes do Colégio Central da Bahia esperavam. Segundo duas alunas do 2º ano da escola localizada no bairro de Nazaré, em Salvador, os professores não apareceram na instituição para as aulas. Elas contam que os alunos foram recebidos, comeram, receberam orientações e foram liberados.
“O protocolo estava certo. Tem álcool em gel em todas as salas, existe distanciamento social. O colégio se preparou. Infelizmente os professores não vieram e estamos voltando para casa”, disse Ana Beatriz Torres, estudante.
“Eu tenho dificuldade de aprender remotamente. Mas, voltaremos. E temos que aguardar eles [professores] fazerem um acordo novamente. Na quarta-feira tem uma reunião para ver o que vai acontecer”, acrescentou.
Um dos alunos chegou atrasado ao colégio e os portões já estavam fechados. Ele não quis falar com a reportagem do Bahia Notícias.
Estudante chegou atrasado e encontrou portões fechados | Foto: Jade Coelho / Bahia Notícias
Chateados por não terem sido avisados da ausência dos professores pela escola, alunos do 1º ano voltaram para casa para ter aula remota ainda nesta segunda. Segundo eles, essa foi a recomendação da escola.
Os estudantes também afirmaram que os professores já haviam avisado ao colégio que não iriam presencialmente. Mesmo assim, a instituição pediu aos alunos para irem.
“Eu acho uma falta de segurança. Vem para cá, quando chega aqui tem que volta para casa, gastar um dinheiro desnecessário”, disse um dos alunos que mora na Suburbana.
No início do mês, o sindicato APLB já havia informado que o governador Rui Costa enfrentaria dificuldade para concretizar o retorno. Uma pesquisa interna realizada pela própria APLB consultou 13 mil profissionais em todo o território baiano. Destes, 97% decidiram que só retornarão as aulas presenciais após concluírem o calendário vacinal com a aplicação da segunda dose.
A Bahia registrou 1.125 novos casos de Covid-19 e 19 mortes pela doença em 24 horas, segundo dados divulgados neste domingo (25) pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesab). Apesar de as mortes terem ocorrido em diversas datas, a confirmação e registro foram realizados hoje.
No total, o estado tem 1.185.439 casos confirmados desde o início da pandemia, com 25.504 óbitos. A taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes adultos com coronavírus é de 54%.
Situação da regulação de Covid-19 – Às 12h deste domingo, 7 solicitações de internação em UTI Adulto Covid-19 constavam no sistema da Central Estadual de Regulação. Outros 2 pedidos para internação em leitos clínicos adultos Covid-19 estavam no sistema. Este número é dinâmico, uma vez que transferências e novas solicitações são feitas ao longo do dia.
A divulgação de notícias falsas – as fake news– resulta a cada ano, em todo o planeta, em prejuízos de quase R$ 500 bilhões. Boa parte desse montante é arcado por empresas. Diante desse cenário e com o objetivo de criar uma espécie de anticorpo social contra o problema – que vem ganhando escala por meio da internet – a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) elaborou um manual que pretende transformar os empregados das empresas “em verdadeiros agentes imunizadores contra notícias falsas na sociedade”.
O Manual Prático de Combate à Desinformação nas Empresas é o primeiro material de educação midiática que a Aliança Aberje de Combate às Fake News disponibiliza para o setor produtivo no Brasil, explica à Agência Brasil o diretor-geral da Aberje, Hamilton dos Santos.
Segundo o diretor, a ideia inicial do projeto foi aproveitar uma “iniciativa inspirada pelas lideranças de comunicação das grandes empresas para promover a instrução informativa dos funcionários dessas mesmas organizações” – todas ligadas à Aberje.
“Trata-se aqui de um universo nada desprezível de 6 milhões de trabalhadores. Em outras palavras, é um esforço inicial para transformar esses empregados em verdadeiros agentes imunizadores contra notícias falsas na sociedade”, detalha.
Manual
O manual apresenta nove capítulos que ajudam as empresas a identificar suas vulnerabilidades informativas, de forma a aumentar o nível de consciência midiática dos seus funcionários, a engajar lideranças contra notícias falsas e, sobretudo, a estabelecer planos de prevenção e contingência em relação a fake news.
Para isso, conta também com um glossário dos principais termos sobre o tema. Possibilita, ainda, que seja feito um check-upinterno para identificar o nível de preparação dessas organizações. Também indica as principais agências de checagem no Brasil e apresenta uma relação de treinamentos e jogos gratuitos.
Custo pesado
Citando um estudo da Universidade de Baltimore, nos Estados Unidos, Santos diz que notícias falsas custam US$ 78 bilhões por ano para toda a sociedade mundial. “É quase meio trilhão de reais. As fake news se tornaram, portanto, um novo e pesado custo de transação na economia mundial”, argumenta ao explicar que os custos de transação são valores necessários à realização de uma atividade, mas que não fazem parte direta do sistema de produção, tais como acerto de contratos, questões regulatórias, burocracias internas, monitoramentos e segurança.
“Quanto mais o setor produtivo é obrigado a pagar por essas questões, menos competitivo ele é”, completa ao explicar que o combate às fake news busca fazer da educação midiática uma ferramenta para eliminar a desinformação, e que, além de divulgar o manual para as empresas, a Aberje pretende em breve lançar um dossiê com os principais desafios e propostas sobre as notícias falsas na sociedade.
De acordo com o diretor, esse dossiê apontará também o papel do setor empresarial como um dos principais árbitros dessa desordem informacional. “Pretendemos investir em mais palestras e em parcerias na checagem de fatos que afetem especificamente o setor organizacional”.
A natação brasileira garantiu uma vaga na disputa por medalhas na manhã deste domingo (25). Com o baiano Breno Correia no time, o revezamento 4×100 metros livre masculino do Brasil passou para a final com o quinto tempo (3:12.59) das eliminatórias. Pedro Spajari, Gabriel Santos e Marcelo Chierighini completam o grupo que ficou atrás apenas dos times da Itália, EUA, Austrália e França.
Ainda na natação, Fernando Scheffer está entre os 16 classificados para as semifinais dos 200 metros livre com o segundo melhor tempo (1:45.05). O próximo desafio acontece ainda neste domingo à noite. Nos 100 metros costas, Guilherme Guido se classificou com o 11º melhor tempo e também disputa uma semifinal, com 53.65.
Já a ginástica artística garantiu vaga na final de quatro aparelhos. Rebeca Andrade de 22 anos conquistou vaga em três finais e vai tentar ser a primeira brasileira medalhista olímpica na ginástica. A ginasta disputa medalhas no individual geral, onde se classificou em segundo lugar, no solo e no salto. Já Flávia Saraiva se classificou para a final da trave. Na apresentação de solo a ginasta sentiu o tornozelo lesionado e teve que desistir dos demais aparelhos.
Rebeca tem a primeira chance de medalha na quinta-feira, às 7h50 (de Brasília), na final do individual geral. A decisão do salto vai ser disputada no próximo domingo, e a do solo no dia 2 de agosto.Já a final da trave, com Flávia, será no próximo dia 3.
Presidente nacional do Democratas participou neste sábado (24) primeiro evento do Move Mulher Empreendedora
O presidente nacional do Democratas, ACM Neto, afirmou neste sábado (24) que as mulheres têm um papel preponderante na construção do futuro da Bahia, ao participar do primeiro evento do movimento Move Mulher Empreendedora, em Periperi. Liderado pela vereadora de Salvador Roberta Caires, o Move Mulher tem como objetivo dialogar com o público feminino de todo o estado, de forma a estimular a potência produtiva delas e movimentar a economia baiana.
“Eu quero fazer um chamado às mulheres de todo o nosso estado: vocês têm um papel preponderante na construção desse futuro, esse futuro tem que ser liderado pelas mulheres. As mulheres precisam estar na linha de frente da construção do futuro da nossa Bahia. O propósito do Move Mulher é exatamente isso, de movimentar, agitar, de provocar no bom sentido, de convidar as mulheres a trazerem a sua contribuição, a sua visão”, ressaltou Neto.
Segundo ele, o Move Mulher terá o empreendedorismo, a inclusão econômica, a empregabilidade, como temas principais. “Todo esse debate vai ter um foco: como podemos construir um projeto de futuro em que a mulher tenha espaço, respeito e condições de trabalhar com dignidade para sustentar a sua família, para ser feliz e realizar os seus sonhos”, destacou.
O presidente do Democratas citou as diversas dificuldades enfrentadas pelas mulheres na Bahia. Neto lembrou do aumento, durante sua gestão em Salvador, das vagas na educação infantil, que saltou de 17 mil em 2013 para mais de 44 mil no ano passado.
“Essa mulher que sofre muitas vezes porque não tem uma creche para deixar o seu filho. E eu tenho visto isso no interior. A gente mudou essa realidade em Salvador, por tudo que pudemos oferecer na educação infantil, em creche e pré-escola. Mas eu vejo a dor e o sofrimento da mulher no interior, que não tem como deixar o seu filho numa creche ou numa pré-escola. Eu vejo a dor e sofrimento da mulher que deseja poder trabalhar para sustentar com dignidade a sua família, mas não tem oportunidade”, frisou.
“Nós vamos conversar com as mulheres de toda a Bahia para entender a sua realidade, para compreender os seus problemas, mas acima de tudo para trazer propostas pro futuro. Como é que a gente vira esse jogo? Como é que a gente muda essa realidade? E como é que a gente oferece oportunidade de verdade para as mulheres? Aliás, esse é o desafio da como um todo”, continuou Neto.
ACM Neto ainda reafirmou que a Bahia é um estado com muita desigualdade social, pobreza e diferença. “Quando a gente olha pro futuro, qual é o nosso principal desejo, a nossa grande aspiração? Mudar a base econômica da Bahia, oferecer uma nova realidade de desenvolvimento pro nosso estado. A gente olha para os últimos anos, a Bahia perdeu a liderança que sempre teve no Nordeste, perdeu posições em termos de Brasil. E eu não vou me contar com nada diferente do que a gente ser líder, estar na frente, dar exemplo”, finalizou.
Morreu nesta sexta-feira (23) o médico e professor catedrático de Urologia da UFBA José dos Santos Pereira Filho. Doutor Santos Pereira, como era conhecido, foi também professor da Bahiana de Medicina e um dos fundadores do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb).
A Universidade Federal da Bahia (UFBA) lamentou a morte do professor em nota de pesar. “Uma autêntica enciclopédia de fatos e histórias da vida política, médica e social baiana”, dizem os amigos. Santos Pereira foi membro do Instituto Bahiano de História da Medicina e Ciências Afins, sediada no Terreiro de Jesus. “Um professor muito querido pelos seus colegas e alunos. Sempre bem-humorado”, afirma nota.
Santos Pereira, 95 anos, foi casado com a enfermeira Radcliff Dourado Santos Pereira, uma das pioneiras na criação da Escola de Enfermagem da UFBA e da enfermagem profissional na Bahia. O professor deixa os filhos Ana Maria, Francisco e Fernando, netos e bisnetos.
Documentos a que VEJA teve acesso estão em poder da CPI da Pandemia. A PF estima total de desvios em 4 bilhões de reais
O DINHEIRO SUMIU - O governador Rui Costa disse à PF que não está entre suas atribuições observar detalhes de contratos: “A mim não cabe checar” – Márcio Lima/Folhapress/.
Cristiana Prestes Taddeo, de 49 anos, sempre foi uma mulher de muitos negócios. Seu portfólio incluía de confecção de peças femininas íntimas a importação de medicamentos à base de maconha. Em abril do ano passado, a Hempcare Pharma, a empresa mais vistosa do grupo, tinha apenas dois funcionários registrados. Apesar de modesta, a firma foi contratada por 48 milhões de reais para fornecer 300 respiradores ao Consórcio Nordeste. O negócio, fechado a toque de caixa através do WhatsApp e com pagamento adiantado, previa a compra e a distribuição dos equipamentos aos nove estados da região. A microempresa, como se sabe, na verdade aplicou um monumental golpe: sumiu com o dinheiro e nunca entregou as máquinas — ampliando a lista de casos de desvio de dinheiro público registrados desde o início da crise sanitária, a partir da costumeira associação entre autoridades negligentes, servidores corruptos e empresários desonestos, como revelam os detalhes das investigações sigilosas de fraudes a que VEJA teve acesso.
Os documentos que mostram a impressionante capacidade de alguns poucos em tirar proveito da miséria de muitos estão em poder da CPI da Pandemia. Além desse notório caso da Bahia, figurões dos governos do Pará e do Amazonas são alvo de investigações no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por suspeita de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Para se ter uma ideia do volume dos trambiques, um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) informa que somente o órgão já realizou mais de cinquenta operações para monitorar o uso ilegal de recursos públicos federais por estados e municípios. São irregularidades que envolvem empresas de fachada, falsificação de documentos, direcionamento de licitação e, claro, superfaturamento e propina. No caso dos respiradores fantasmas da Bahia, a investigação resvalou no governador Rui Costa (PT), que presidia o Consórcio Nordeste à época dos fatos.
O inquérito, inicialmente conduzido pela polícia baiana, apresentou a Hempcare como ponta de uma rede criminosa. O negócio, desde o início, foi planejado para dar errado. Vasculhando o contrato, os investigadores detectaram uma série de ilegalidades para facilitar e agilizar ao máximo a negociação. Só para citar um exemplo: o acordo original previa a contratação de um seguro internacional para garantir a entrega da mercadoria, uma cláusula que visa exatamente a proteger o comprador. No meio do processo, o contrato foi modificado. O seguro passou a valer apenas a partir do momento em que os respiradores deixassem a China, de onde teoricamente seriam importados. Como esse embarque nunca aconteceu e o pagamento foi antecipado, 48 milhões de reais foram para o ralo, numa trama, segundo os policiais, que ultrapassou “os limites da vilania”.
PREJUÍZO - Barbalho: o governador negociou com um amigo detalhes da compra de respiradores que não funcionaram – Marco Santos/AG PARA/.
Por envolver Rui Costa, apontado pela Polícia Federal como “potencial investigado”, o inquérito foi remetido para o STJ, em Brasília. Ouvido pela Polícia Federal, Costa se eximiu de qualquer responsabilidade pela fraude. Segundo ele, não fazia parte das atribuições de um governador observar detalhes de licitação ou de contratos. “A mim não cabe checar. Você imagina, no dia de hoje, quantas compras devem ter sido feitas no estado, milhares”, disse Costa no depoimento obtido por VEJA. É, curiosamente, a mesma justificativa a que o presidente Bolsonaro recorreu ao ser questionado sobre uma negociação suspeita para a compra de vacinas.
Os inquéritos sigilosos do STJ a que VEJA teve acesso também esmiúçam fraudes ocorridas no Pará. Neles, o governador Helder Barbalho (MDB), ao contrário do seu colega baiano, aparece atuando diretamente nas negociações para a compra de equipamentos médicos. O esquema criminoso também envolve irregularidades em contratos para o funcionamento de hospitais de campanha. Os desvios podem chegar a 280 milhões de reais. As apurações revelaram que Helder acertava com empresários detalhes, inclusive financeiros, de compras que seriam autorizadas por ele mesmo logo depois. De acordo com o Ministério Público, dessas conversas emergiram contratos superfaturados e direcionados a determinadas empresas. Os procuradores investigam, entre outros negócios, ilegalidades na aquisição de respiradores e bombas de infusão para hospitais paraenses.
ESCÂNDALO – Mortos na pandemia: a PF estima que golpes ultrapassaram a casa dos 4 bilhões de reais – Michael Dantas/AFP
No inquérito, estão anexadas mensagens trocadas entre o governador e o empresário André Felipe da Silva, então representante comercial da empresa de importação SKN, especializada em equipamentos elétricos e de informática, que funcionava no Rio de Janeiro. Silva é um personagem conhecido em Brasília. Ele é suplente do senador Izalci Lucas (PSDB-DF), vice-presidente do DEM no Distrito Federal e amigo do próprio Helder Barbalho. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o negócio avançou graças a essas relações pessoais. A SKN não possuía sequer autorização de funcionamento da Anvisa, imprescindível para a fabricação, distribuição e importação dos equipamentos. O desfecho do caso foi o mesmo da Bahia, mas com uma variante ainda mais insólita: os equipamentos vendidos dessa vez foram entregues — só que não funcionavam. “Os supostos fatos ilícitos investigados são especialmente graves, uma vez que praticados em estado de calamidade pública, em período de crises sanitária, econômica e social ocasionadas pela pandemia”, observou a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo. Procurado por VEJA, Helder afirmou que o Estado processa a empresa importadora de respiradores e que conseguiu a devolução dos recursos já pagos. “Não houve prejuízo aos cofres públicos”, disse.
ALVO - Wilson Lima, do Amazonas: denunciado pelo Ministério Público por crime de organização criminosa – Edmar Barros/Futura Press/.
Entre os processos encaminhados à CPI, o mais adiantado deles envolve o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC). Ele já é alvo de denúncia apresentada pela PGR por causa da compra de respiradores superfaturados adquiridos de uma loja de vinhos. Lima é acusado de integrar uma organização criminosa que desviou 2,2 milhões de reais durante a pandemia. A Corte Especial do STJ vai decidir nos próximos meses se aceita ou não a denúncia. Os senadores também receberam cópias de processos, inquéritos e auditorias que tratam de irregularidades praticadas em outros oito estados. A Polícia Federal estima que, no total, mais de 4 bilhões de reais podem ter sido surrupiados durante a pandemia. Não é mera coincidência o fato de praticamente todos os casos seguirem o mesmo roteiro: com o agravamento da crise sanitária, autoridades e servidores públicos mal-intencionados aceleraram processos de aquisição de materiais, atropelaram normas, privilegiaram empresas amigas, superfaturaram preços… É a velha aposta na tradição da impunidade. Cristiana Taddeo, da Hempcare, e André Felipe, da SKN, os peixes pequenos da história, chegaram a ficar presos por alguns dias. Resta saber o que vai acontecer com todos os outros envolvidos.
Apontado pela Polícia Federal como “potencial investigado” no caso da compra dos 300 respiradores junto à empresa Hempcare pelo Consórcio Nordeste, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), foi ouvido por policiais federais e se eximiu de quaisquer responsabilidades pela fraude ocorrida no contrato. À Hempcare foram pagos R$ 48 milhões de forma antecipada e o dinheiro foi para o ralo.
Ao ser ouvido pela PF, Rui disse que não fazia parte das atribuições dele como governador observar detalhes de licitação ou de contratos. “A mim não cabe checar. Você imagina, no dia de hoje, quantas compras devem ter sido feitas no estado, milhares”, disse o governador, segundo trecho do depoimento publicado pela Revista Veja. A publicação ressaltou que essa é a mesma desculpa dada pelo presidente Jair Bolsonaro sobre negociação suspeita de vacinas.
Por envolver Rui Costa e outros governadores de estado, o inquérito, corre no Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob segredo de justiça. Inicialmente conduzido pela Polícia Civil da Bahia, a investigação apontou a Hempcare como ponta de uma rede criminosa. Segundo a Revista Veja, a negociação tinha tudo para dar errado e, vasculhando o contrato, os investigadores detectaram uma série de irregularidades que serviram para dar celeridade ao trato e acelerar as negociações.
O acordo original previa a contratação de um seguro internacional para garantir a entrega dos respiradores, mas, no decorrer da negociação, a cláusula foi modificada. O seguro passou a valer apenas a partir do momento em que os respiradores deixassem a China, de onde seriam teoricamente importados. Como os equipamentos jamais deixaram o país asiático, os R$ 48 milhões foram perdidos. Segundo os policiais, foram ultrapassados os “limites da vilania”.
Pelo WhatsApp
Quando a Hempcare fez a negociação com o Consórcio Nordeste, a empresa tinha somente dois funcionários – no portfólio, havia confecção de roupas femininas íntimas e importação de medicamentos a base de maconha. Segundo a revista, o negócio foi fechado a toque de caixa, pelo WhatsApp, e previa a distribuição dos 300 respiradores para os nove estados nordestinos. A documentação está com a CPI da Pandemia que é realizada no Senado Federal. Senadores que defendem investigação mais ampla, cobram a presença de nomes relacionados ao Consórcio Nordeste na comissão parlamentar de inquérito.