Na corrida pela imunização contra o novo coronavírus, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) procuraram a Fiocruz para acertar a “reserva” de vacinas, o que permitiria que os tribunais fizessem as suas próprias campanhas de saúde. No caso do STF, o pedido foi para “verificar a possibilidade de reserva de doses” para 7 mil pessoas, entre elas ministros, servidores e colaboradores. A Fiocruz deve enviar a resposta ao Supremo nesta quarta-feira (23).
Um pedido similar, feito pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), já foi negado pela instituição. A Fiocruz informou à reportagem que não cabe à fundação “atender a qualquer demanda específica”.
Em ofício obtido pelo Estadão, o STF afirma que a reserva das doses possibilitará o cumprimento de dois objetivos: imunizar o maior número possível de trabalhadores do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e “contribuir com o país nesse momento tão crítico da nossa história”, ajudando a acelerar o processo de imunização dos brasileiros.
A medida, segundo o documento do STF, “permitirá a destinação de equipamentos públicos de saúde para outras pessoas, colaborando, assim, com a Política Nacional de Imunização”.
– Considerando se tratar de um produto novo e ainda não autorizado pela Anvisa, [eu] gostaria de verificar a possibilidade de reserva de doses da vacina contra o novo coronavírus, para atender a demanda de 7.000 (sete mil) pessoas – escreveu o diretor-geral do STF, Edmundo Veras dos Santos Filho, em documento assinado no dia 30 de novembro.
Procurado pela reportagem, o STF informou que mantém uma política de promoção da saúde e que realiza ações anuais de vacinação desde 1999.
– A intenção não é se antecipar ao plano nacional de imunização, mas sim dar sequência à política supramencionada, preparando-se tempestivamente para a imunização de seus trabalhadores. Além disso, tais ações também contribuem com o país, pois permitem a utilização dos recursos humanos e materiais disponíveis no Tribunal para ajudar a desafogar outras estruturas de saúde e acelerar o processo de imunização da população – alegou o Supremo.
De acordo com o STF, “como se trata de produto que aguarda aprovação pelos órgãos competentes”, ainda não há uma previsão exata de gastos.
– Também existem outras opções de fornecimento, e a decisão final considerará o custo total, que inclusive pode ser inexistente, como já ocorreu no caso de campanhas de vacinação anteriores – observou o STF.
Desde março, o avanço da pandemia no país impôs uma série de mudanças na dinâmica do Poder Judiciário, que trocou as sessões presenciais por videoconferências. Nos tribunais superiores, a maioria dos magistrados possui mais de 60 anos, pertencendo justamente a uma das faixas etárias mais vulneráveis aos efeitos da doença.
Pelo menos quatro ministros do STF já foram infectados pela covid-19: Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e o presidente da Corte, Luiz Fux. No STJ, contraíram a doença os ministros Luis Felipe Salomão, Antonio Saldanha, Benedito Gonçalves e João Otávio de Noronha.
De acordo com a assessoria do STJ, ao procurar a Fiocruz, o tribunal “pediu a reserva de doses por se tratar de produto novo, ainda não autorizado definitivamente pela agência reguladora, pois há expectativa de grande demanda à rede privada, quando houver a disponibilidade”.
“[O pedido] Está diretamente ligado ao assunto da quantidade à Secretaria de Saúde. A nossa intenção inicialmente era de [nos] habilitar junto aos laboratórios para adquirir, por compras, as vacinas”, disse ao Estadão o presidente do STJ, Humberto Martins. “Sem furar fila e dentro dos mesmos critérios do STF!”, acrescentou.
O pedido do STJ, já recusado pela Fiocruz, dividiu integrantes do tribunal ouvidos pela reportagem. Um ministro, que pediu para não ser identificado, disse que o ideal é seguir a ordem que for estabelecida para todos os brasileiros e alertou para o risco de servidores mais jovens, que não estão entre os grupos prioritários, receberem o mesmo tratamento daqueles mais idosos.
Um outro magistrado apontou que o pedido poderia soar como um privilégio, lembrando a ofensiva de um grupo de promotores de São Paulo, que pediu prioridade à categoria na vacinação. Para um terceiro ministro, não há nada de mais no ofício.
Demanda. Procurada pela reportagem, a Fiocruz informou que, “como uma instituição estratégica do Estado brasileiro, [ela] visa garantir a produção nacional da vacina contra a covid-19 para a população brasileira, pelo SUS, e atender à demanda do Programa Nacional de Imunização (PNI)”.
“A produção dessas vacinas será, portanto, integralmente destinada ao Ministério da Saúde, não cabendo à fundação atender a qualquer demanda específica por vacinas”, alegou a Fiocruz.
Ao participar de audiência no Senado, na semana passada, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que o governo federal prevê receber 24,5 milhões de doses de vacinas em janeiro. Na ocasião, Pazuello afirmou que a Fiocruz deve entregar mais de 200 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca, em 2021.
*Estadão
Em tempos de telas, movimentos rápidos e inúmeros estímulos, é possível se concentrar? O pesquisador em neurociência Jean-Philippe Lachaux, autor de quatro livros sobre o assunto, diz que sim, desde que se exercite no dia a dia. Em seu livro mais recente, “A Magia da Concentração”, ele explica como podemos “educar a concentração” para tirar proveito de cada momento da vida.
Diretor de pesquisa no Instituto Nacional de Pesquisas Médicas (Inserm), Lachaux abre o seu livro com uma citação do tenista Novak Djokovic: “Você precisa se isolar de todas as distrações e se concentrar inteiramente no que está fazendo. Para chegar a este nível de concentração, você precisa de bastante experiência e bastante força mental. A gente não nasce pronto, a concentração é algo que a gente precisa construir”.
Lachaux comenta a frase do seu ídolo: “O que eu retenho da citação de Djokovic é que podemos aprender a nos concentrar. A concentração é algo que podemos construir. Depois, a boa questão é como”.
Segundo o pesquisador, como na prática esportiva, é importante reunir as condições favoráveis para toda e qualquer atividade que realizemos.
“Aprender a esquiar leva tempo, fazer judô, aprender a ficar estável, tudo isso leva tempo. E leva tempo também porque são necessárias as boas condições. É preciso estar numa montanha com os esquis nos pés para esquiar, é preciso estar numa sala com tatame para treinar judô. A gente pode aprender a se concentrar o tempo todo; não importa qual atividade da vida cotidiana permite aprender a se concentrar. A gente tem mais satisfação de fazer as coisas, estar com as pessoas, quando estamos concentrados. Não é um calvário, não é um trabalho”, explica.
“Mentalimentação”
O pesquisador, que se dedica ao tema da concentração há mais de 20 anos, acredita que devemos alimentar o cérebro de atenção.
“Na França, principalmente, tomamos tanto cuidado com os alimentos que damos às crianças, verificamos se é orgânico, se não é muito gorduroso ou açucarado, mas na verdade a atenção é o que guia e alimenta o nosso mental. Então precisamos também nos interessar sobre o que damos de alimentação mental aos nossos filhos, é isso o que chamo de mentalimentação”, recomenda.
Lachaux é criador do “Atole”, um programa para descobrir e aprender a atenção no ambiente escolar. “O objetivo é ajudar os alunos a compreender melhor o seu cérebro e as forças que atropelam a sua atenção no dia a dia, e aprender a responder melhor a eles, não só na aula mas também fora”, diz o site do programa.
Estresse é prejudicial à concentração
Os estudantes Norah Gordon, de 10 anos, e Gabriel Demetrescu, de 15, contam, que têm mais dificuldade de se concentrar quando estão estressados.
“Com certeza é quando eu estou menos estressada que eu consigo me concentrar melhor. Fora da escola, é principalmente na yoga que eu fico bem concentrada. E nas aulas de violão um pouco menos, é mais complicado. A yoga ajuda a relaxar, mas no violão são muitos acordes pra aprender… E, para fazer os deveres de casa, eu também fico meio estressada e isso me desconcentra”, conta Norah.
Gabriel Demetrescu explica como a ansiedade o atrapalha: “Normalmente, nas aulas eu consigo prestar atenção, mas, muitas vezes durante as provas de Matemática eu acabo me desconcentrando por nervosismo e ansiedade, por medo de errar”.
Jean-Philippe Lachaux explica que isso acontece porque o cérebro reage mal ao estresse. Ele diz o que deve ser feito neste caso.
“O que se passa com o estresse é que ele vai mudar o equilíbrio químico no córtex pré-frontal, na parte dianteira do cérebro, que rege justamente a concentração. Quando estamos estressados, estamos menos concentrados. Então, neste caso, a primeira coisa a fazer é desacelerar, tentar respirar e se acalmar um pouco. Porque a gente não consegue se concentrar quando está estressado”, afirma.
“Sem atenção não há aprendizagem possível. Se as novas gerações não têm uma atenção estável, eles não conseguem aprender nada. Imagine que tipo de adulto eles serão”, reitera.
O que fazer, então, para que o aprendizado ocorra? “Coisas simples, como dar instruções bem claras, não dar três instruções ao mesmo tempo, apenas uma. Explicar ao aluno o que se espera que ele faça, para que ele saiba, antes de começar uma tarefa, qual é a intenção deste exercício que ele tem de fazer. Tudo isso vai ajudá-los a se concentrar, é evidente”, explica.
Saúde mental
O pesquisador mostra também que há uma ligação entre o controle da atenção e a saúde mental .
“Se você controlar a sua atenção, por exemplo, ela não vai lhe deixar levar por pensamentos depressivos. O fato de pensar o tempo todo em coisas negativas, é a sua atenção que está presa. Então, se você consegue controlar a sua atenção, você pode dirigi-la para uma outra coisa. Isso se aplica também à dor e à sobrecarga mental. A atenção está no foco da saúde metal”, defende.
Para terminar, o cientista comenta que, em tempos de pandemia e de home office, é compreensível que o nosso nível de atenção caia. O segredo, segundo ele, é definir prioridades.
“É um problema ligado ao lockdown, a presença das crianças em casa, enquanto trabalhamos. Temos de conhecer nossos limites, quer dizer, tem coisas que a gente não consegue fazer num ambiente com muita distração. É melhor nem tentar fazer atividades que requerem muita reflexão”, recomenda.
“Meu conselho prático é que a primeira parte do dia é uma situação de guerra, com as crianças pedindo coisas, pedindo atenção. Tudo o que exige reflexão deve ser feito de manhã cedo, quando eles ainda dormem, ou no final do dia. Fazer uma lista do que precisa ser feito e separá-la em partes, anotar tudo nos mínimos detalhes. E, quando você estiver no meio do dia, pegar da lista uma pequena missão e fazê-la, uma por uma”, conclui o pesquisador.
O Bahia contratou perícia própria para apurar a denúncia de injúria racial feita pelo meio-campo Gerson, do Flamengo, em relação a Índio Ramírez, meia-atacante do clube baiano. A informação foi divulgada pelo Tricolor na noite desta terça-feira, depois que o Rubro-Negro informou ter laudo atestando que o jogador do time baiano ofendeu o atacante Bruno Henrique minutos depois da discussão com Gerson.
Por meio de nota oficial, o Bahia diz que não teve acesso a qualquer laudo a respeito do caso e destaca que contratou um serviço próprio para apurar a situação. O clube ainda promete uma decisão firme e lamenta o contexto de agressividade em campo na partida contra o Flamengo, disputada no último domingo.
Ao sair de campo, Gerson afirmou que foi chamado de “negro” por Ramírez aos 7 minutos do segundo tempo do jogo. Nesta terça, surgiu vídeo de discussão do colombiano com Bruno Henrique aos 20 da segunda etapa.
De acordo com o laudo do Flamengo e um especialista consultado pelo ge, o colombiano chamou Bruno Henrique de “seu negro” durante a discussão. O especialista diz ainda que o atacante rubro-negro chamou Ramírez de “gringo de m…”.
O deputado federal Zé Neto voltou a defender nesta terça-feira (22), a suspensão do recesso de fim de ano do Legislativo para definir o Orçamento de 2021, prorrogação do auxílio emergencial e a vacina contra Covid-19. O recesso no Congresso Nacional começou hoje (23) e vai até 1º de fevereiro.
“Não cabe, neste momento, esta Casa entrar em recesso sem discutir e aprovar pautas prioritárias para o futuro do Brasil, principalmente o auxílio emergencial, já que segundo pesquisa do Datafolha, esse benefício é a única fonte de renda para 36% das famílias que receberam pelo menos uma parcela do auxílio neste ano. Uma indefinição que afeta diretamente o setor produtivo, a economia e o desenvolvimento do país”, afirmou o deputado.
Zé Neto disse estar preocupado com a falta de um plano nacional de vacinação adequado diante da segunda onda da pandemia. “Precisamos exigir do governo federal, o quanto antes, um plano de vacinação adequado contra o coronavírus para evitar que centenas de vidas continuem sendo perdidas”, alertou.
O atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, definiu o nome do deputado Baleia Rossi (MDB) para disputar a presidência da Câmara. O bloco que apoia Maia bateu o martelo sobre Rossi após reunião entre os partidos que formam apoio a Maia.
O nome do deputado Rossi é confirmado após uma longa negociação de Maia com outros partidos, incluindo o PT. Ele disputou a candidatura com Aguinaldo Ribeiro (PP).
Baleia Rossi irá concorrer ao cargo, considerado estratégico para as eleições de 2022, contra o deputado Arthur Lira, líder do centrão e tido como o “candidato de Bolsonaro”.
Baleia Rossi é deputado federal pelo estado de São Paulo e é líder do MDB na Câmara.
O bloco que apoia Rodrigo Maia é composto por 11 partidos: DEM, PSDB, MDB, Cidadania, PSL, PT, PCdoB, PDT, PSB, PV e Rede.
Informações: Pleno News
Foto: Marcelo Camargo
O presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), desembargador Lourival Trindade, exonerou a servidora Carla Roberta Viana de Almeida do cargo de assessor de desembargador da Corte. Ela é esposa do advogado Júlio César Cavalcanti, delator no âmbito da Operação Faroeste, que investiga esquema de venda de sentenças no Judiciário baiano.
Carla era assessora da desembargadora Lígia Ramos e sua colaboração com o Ministério Público Federal (MPF) foi um dos fatores que levou à prisão da magistrada nas 6ª e 7ª fases da Faroeste, deflagradas no último dia 14 de dezembro. Atualmente, ela é testemunha protegida da Justiça.
A servidora comissionada revelou aos investigadores a existência de uma “agenda rosa” com processos de interesse da suposta quadrilha comandada pela juíza. Ela também relatou ter sido intimidada pela desembargadora a apagar provas de seu envolvimento com a venda de decisões judiciais.
Carla contou que Lígia teria ido pessoalmente à residência dela, no intuito de pedir que fossem apagadas as listagens de processos “que ela pedia preferência” – isto teria acontecido após a magistrada saber pela imprensa do acordo de colaboração premiada firmado por Júlio César.
Os dados estariam guardados no computador de um assessor, Danilo Arthur de Oliva Nunes. Ele também foi exonerado do cargo, no mesmo dia em que Carla, conforme publicação no Diário Oficial de Justiça desta segunda (21). Segundo a colaboração, a desembargadora teria pedido que os registros fossem excluídos da máquina “antes da chegada dos demais servidores”.
Informações: Bahia Notícias
Foto: Divulgação
O governador Rui Costa (PT) anunciou hoje (23) o nome do ex-juiz federal de Pernambuco Ricardo Mandarino como novo secretário de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). Ele vai ocupar o lugar deixado por Maurício Barbosa, que foi afastado do cargo no âmbito da Operação Faroeste. O cargo estava sendo ocupado de forma interina por Ary Pereira de Oliveira.
Ricardo Mandarino é formado em Direito pela Universidade Católica de Salvador e foi delegado de Polícia na capital baiana entre 1974 e 1978, além de procurador da Fazenda da Bahia de 1978 a 1991. Como juiz federal substituto da 5ª região, Mandarino ocupou a magistratura em Aracaju-SE e Recife-PE até 2011, quando se aposentou.
Também foi anunciado o novo subsecretário da SSP-BA: Hélio Jorge, que já foi delegado-geral da Polícia Civil e estava como responsável pela segurança do Procurador-Geral da República (PGR), Augusto Aras.
Rui anunciou ainda que a delegada Heloísa Brito vai ocupar a função de delegada-geral da Polícia Civil, cargo ocupado pela primeira vez por uma mulher.
Informações: Metro1
Foto: Elói Corrêa/GOVBA
Haverá uma substancial restrição de participação presencial na posse do prefeito reeleito Colbert Martins, dia 1º de janeiro, às 16 horas, na Prefeitura Municipal de Feira de Santana. A cerimônia vai ser transmitida, ao vivo, pelos canais da Secretaria de Comunicação na internet, inclusive uma entrevista coletiva.
“Lamento e peço desculpas, pois imagino quantas pessoas não gostariam de estar presentes na solenidade. Mas o momento que estamos vivendo, como todos sabem, não permite que os eventos sejam realizados de maneira a ocasionar aglomerações”, lembra o prefeito.
A cerimônia será restrita ao prefeito e à primeira-dama, ao vice-prefeito Fernando de Fabinho e esposa, ao Procurador Geral Carlos Alberto Moura Pinho e esposa, ao presidente da Câmara, José Carneiro, e esposa, bem como aos secretários de Comunicação, Edson Felloni Borges, e de Governo, Denilton Brito.
A transmissão ao vivo será feita por meio do www.feiradesantana.ba.gov.br , https://www.instagram.com/prefeituradefeira/ https://www.facebook.com/prefeituradefeiradesantana
A entrevista coletiva encerrará a solenidade.
Informações: Secom
Com capacidade para atender a uma demanda de 13.300 pessoas, o Posto de Saúde da Família Dr. Wilton José Tavares Lima, inaugurado na manhã desta quarta-feira, 23, pelo prefeito Colbert Martins da Silva Filho, no bairro Jardim Cruzeiro, também vai atender aos moradores da Rua Nova e da Barroquinha.
O equipamento de Saúde vai contar com três equipes de profissionais qualificados, cada uma composta por um médico, enfermeiro, e técnico em enfermagem.
O PSF conta ainda com uma equipe do NASF (Núcleo Ampliado de Saúde da Família), formada por psicólogo, assistente social e educador físico. Voltado à atenção básica, inicialmente o PSF estará aberto ao público de 7H às 17H, com atendimento agendado, bem como a demanda espontânea.
As dependências do Posto estão divididas em salas de atendimento, farmácia, almoxarifado, acolhimento, consultórios médicos e de enfermaria, curativos; salas de vacinação, de reuniões e Educação em Saúde.
Uma homenagem póstuma
A placa inaugural do equipamento (construído com recursos repassados à Prefeitura pelo Governo Federal, ao custou de R$ 683.238,85), foi descerrada por familiares do médico Wilton José Tavares Lima, falecido em 2013, tendo atuação marcante na UBS do bairro Caseb, Sindicato do Comércio, hospitais Cleriston Andrade e Dom Pedro de Alcântara.
Acompanhada de filhos e neto, Arlete Andrade Lima, viúva do patrono do PSF, agradeceu a homenagem ao afirmar que “ onde o espírito de Wilton se encontrar ele estará feliz com esta homenagem”, disse.
O prefeito Colbert Filho ressaltou que “ esta unidade de saúde vai prestar um importante serviço a esta região e, a exemplo de outros PSFs, terá o seu horário de funcionamento estendido até as 21h, e será utilizado como posto de vacinação contra a Covid-19, assim que contarmos com esta vacina”.
O ato contou com as presenças dos secretários Denise Mascarenhas (Saúde), Edson Borges (Comunicação), Paulo Aquino(Chefe de Gabinete), Gilbert Lucas (Presidente da Fundação Hospitalar), e os vereadores Marcos Lima, Correia Zezito e Pastor Valdemir.
Informações: Secom
Assim que deixou o hospital depois de quase um mês de internação por covid-19, a dentista e atleta de crossfit Raquel Trevisi, de 38 anos, decidiu postar sua rotina de recuperação em seu perfil no Instagram. “Cada obstáculo que eu passo, eu mostro. Recebo muitas mensagens e isso me ajuda. É uma troca”. Isso além do apoio que recebeu da família, segundo ela, ajudou a evitar a depressão após a doença, embora não tenha escapado da ansiedade. Os seguidores saltaram de 14 para quase 38 mil, sinal de que o assunto é algo que interessa e afeta a muitos, sobretudo nesse momento de um novo aumento dos casos da doença no Brasil.
O caso de Raquel não é único. Um estudo da Universidade de Oxford, publicado recentemente na revista Lancet Psychiatry, observou que pessoas que tiveram covid-19 correm um risco maior de receber um diagnóstico de transtornos psiquiátricos como ansiedade, depressão, insônia e demência de 14 até 90 dias após a doença.
Mesmo com todo o histórico de atleta, Raquel, passou por maus momentos. Precisou ser intubada e hoje, passado três meses, ainda segue em recuperação para recuperar movimentos finos, algo fundamental em sua profissão. Moradora de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, decidiu montar o Projeto Com.Vida para ajudar outras pessoas que também tiveram a doença, com voluntários médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e nutricionistas, além de distribuir cestas básicas e kits de higiene.
“Graças a Deus eu tenho um suporte financeiro para me recuperar em casa, pagar médicos, tomar suplementos. Ainda no hospital, eu pensava em quem não têm condições financeiras. Como mandam uma pessoa para casa nessas condições?”, diz. “Ajudar o próximo tem me feito muito bem”, completa.
Enxergar a saída é algo fundamental, mesmo que em meio a pandemia ela pareça nebulosa. É esse trabalho que o psicólogo Felipe Giraldi, um dos idealizadores do Dr. Psico, plataforma que conecta profissionais e pacientes – que no começo da pandemia ofereceu atendimento on-line gratuito -tem feito com seus pacientes que, segundo ele, cresceram quase 100% desde que a vida e a rotina das pessoas foram diretamente afetadas pelo temor da covid-19. A ansiedade é uma queixa constante – tanto para quem teve e para quem não foi acometido pela doença. “Tínhamos nossas vidas e, em um piscar de olhos, tudo mudou. Ninguém se preparou para isso. Essa sensação de medo constante invadiu o psicológico das pessoas”, explica.
Para Giraldi, é importante deixar claro para a população a ideia de um futuro possível. “Ele é um dia de sol que vai chegar e se abrir de uma forma bonita depois de uma tempestade. Seremos novamente donos daquela alegria e liberdade de antes, mas será preciso atenção e cuidados, conosco e com os outros. Mostraremos para nossos filhos e netos que passamos por um momento difícil, mas de afeto e união”, diz.
A dona de casa Rica Todeschini, de 47 anos, foi diagnosticada há cerca de um mês com covid-19. Ela não precisou de internação, mas o marido sim, com 45% dos pulmões comprometidos. No hospital, enquanto esperava atendimento, viu muita gente se desesperar com o diagnóstico, mas tentou manter a calma. Em meio ao sentimento de incerteza, recebeu um abraço de uma enfermeira. “O clima é muito ruim, mas eu não tinha muito o que fazer se não tentar amenizar o medo, conversar com as outras pessoas que estavam lá”, diz.
Portadora de ansiedade há anos, Rica se sentiu insegura quando voltou para casa. As crises se confundiram com uma possível piora da doença. “Meu filho (13 anos) estava em casa e eu tinha medo de passar para ele. Ele estava inseguro, e eu não podia abraça-lo. Foi difícil”, conta.
Para ela o que funcionou foi um velho hobby: a costura. “Tenho um ateliê em casa. Comecei a costurar e, da janela desse quarto, conseguia conversar com o meu filho que estava no dele. Foi o que me acalmou”, conta, sobre os dias em que precisou ficar isolada.
Formar uma rede de apoio – assim como Raquel fez ao dividir sua história com seus seguidores, ou Rica, que buscou a companhia do filho, mesmo separada por uma janela – é essencial.
Ajudar um familiar ou um amigo que ficou testou positivo para a covid não é uma tarefa simples, porém, necessária. Se ele estiver em casa, ou, se internado, o contato for possível, mesmo que via chamadas de vídeo ou telefônica, tente levar alívio ao doente, tire o peso e a culpa – sim, contrair covid pode gerar esse sentimento.
“Converse sobre o tema com informações positivas e de qualidade. Seja um ponto de escuta do paciente que está em sofrimento. Coloque-se ao lado e no lugar dele. Diga ‘olha, estou fazendo tudo por você e tenho certeza que você faria o mesmo por mim’. Aproprie o familiar que essa unidade é sólida”, aconselha Giraldi.
Ao estabelecer esse elo, quem cuida poderá perceber se algum transtorno mental se instalou no doente que, a partir desse momento, precisará de ajuda especializada. “Deixe o familiar falar dos seus anseios, medos e dores na forma de um caminho aberto, livre. Não pergunte em excesso, pois isso pode gerar um stress desnecessário e pode se transformar em uma realidade psíquica dele se sentir que está muito mal. Crie um ambiente no qual o diálogo pode acontecer que tudo vem de forma mais natural”, diz o psicólogo.
Quarta onda
O levantamento da Universidade de Oxford analisou os prontuários médicos de mais de 69 milhões de pacientes nos Estados Unidos. Quase um em cada cinco dos recuperados (18%) sofreu algum psiquiátrico. Esse número é quase o dobro de pacientes com outras doenças, como gripes, infecções do trato respiratório e dermatológicas, pedras nos rins e na vesícula e grandes fraturas ósseas.
De acordo com os resultados do estudo, que, embora preliminares, como alerta seus autores, traz as implicações nos serviços clínicos, os distúrbios podem aparecer em função de um efeito direto no sistema nervoso central – a covid-19 tem sido vista com uma doença sistêmica -, do uso de medicações, do impacto psicológico com as consequências da infecção, do trauma de, eventualmente, ter que ficar em uma UTI, além de preocupações mais amplas com os desdobramentos da pandemia.
O psiquiatra Ary Gadelha, da Universidade Federal De São Paulo (Unifesp), é um dos coordenadores do Guia de Saúde Mental Pós-Pandemia Mental no Brasil, do Instituto de Ciências Integradas (INI), que aponta uma “pandemia paralela” que traz o aumento do sofrimento psicológico.
O documento divide as consequências da pandemia de covid-19 em quatro ondas: a primeira está relacionada à sobrecarga do sistema de saúde; a segunda aponta a diminuição dos recursos da saúde para o tratamento de outras doenças; a terceira fala na interrupção do tratamento de doenças crônicas; por fim, a quarta indica o aumento de transtornos mentais e trauma psicológico provocados diretamente pela doença, que vão persistir ainda por um bom tempo após a pandemia.
“Estamos em alerta para essa onda de transtornos mentais que envolve tanto a ação do vírus no sistema nervoso quanto o impacto psicológico das implicações da doença. Pedimos que as pessoas cuidem de sua saúde mental. E as que tiveram covid, tão logo se sintam mais tristes ou ansiosas, busquem a orientação de um psiquiatra ou psicólogo para que o caso seja avaliado”, diz o médico.
Gadelha também é um dos colaboradores do inquérito Coh-Fit, uma investigação sobre os efeitos do isolamento social associado à covid-19 na saúde física e mental que está sendo aplicado em 148 países, incluindo o Brasil. “É um questionário extenso que vai avaliar o quanto as pessoas percebem que a experiência da pandemia mudou seu estado mental. Um relatório preliminar – e outros estudos nacionais e internacionais apontam na mesma direção – mostra um impacto grande na saúde mental e isso só tende a aumentar, já que a mudança de hábito, a rotina interrompida e as implicações sociais e econômicas colocam as pessoas em risco”, diz.
Conforme já explicou o psiquiatra Ary Gadelha, a tristeza e ansiedade não podem ser ignoradas e, se persistentes, é preciso buscar ajuda médica. Porém, é importante que as pessoas cuidem de sua saúde mental ao longo da vida (veja dicas abaixo), comportamento que pode ser determinante nesse momento de pandemia. “Obviamente há sempre o que não controlamos. Mas, se as pessoas fizerem aquilo que está à disposição delas, é possível prevenir ou evitar um transtorno mental pós-covid”, diz Gadelha.
Fique atento aos sinais
O psiquiatra Ary Gadelha diz que é preciso ficar atento a determinados sinais para identificar os transtornos – em si mesmo ou em um familiar:
Ficar triste é normal, mas a tristeza persistente e intensa indica que algo está errado
Muitas pessoas deprimidas não ficam tristes, e sim irritadas
Ansiedade é um sinal de alerta
Cuide da sua saúde mental
O psicólogo Felipe Giraldi dá dicas para manter a saúde mental em dia, mesmo em tempos difíceis.
Preocupar-se é inerente ao ser humano. Aceite esse sentimento como parte de sua vida
Entenda o que você pode ou não controlar
Converse com as pessoas próximas sobre o que está acontecendo com você
Cuide o seu sono, da higiene e da alimentação
Não troque o dia pela noite
Evite o excesso de exposição a notícias
Converse com amigos e família por chamada de vídeo e não apenas por mensagens
Exercite-se
Faça meditação
Arrume a cama e tire o pijama, mesmo se for ficar em casa
Dedique-se a atividades que te tragam gratificação pessoal
Evite o consumo de álcool em excesso. É fácil perder o controle
Não faça a automedicação. Use ansiolíticos apenas com prescrição médica
Respeite a retomada das atividades, não exija demais de si mesmo. Cada um tem seu tempo
Fonte: https://www.terra.com.br/noticias/coronavirus/