Regime ditatorial foi classificado como cartel narco-terrorista pela administração de Donald Trump

Em meio à crescente tensão entre Venezuela e Estados Unidos, autoridades da ditadura de Nicolás Maduro propuseram à administração de Donald Trump concessões significativas em petróleo e minerais, na tentativa de evitar um confronto direto.
As negociações, que se estenderam por meses, permitiriam que empresas americanas tivessem acesso privilegiado aos vastos recursos venezuelanos, segundo fontes próximas às conversas.
O governo Trump, porém, manteve uma postura dura ao classificar o regime do ditador como cartel narco-terrorista, mobilizando forças navais no Caribe e destruindo embarcações suspeitas de tráfico de drogas.
A escalada militar e o rompimento diplomático aumentaram as especulações de que o objetivo final de Washington seria a remoção de Maduro.
Estados Unidos fecha o cerco ao redor de Maduro

No centro da pressão americana, Marco Rubio, secretário de Estado e conselheiro de segurança nacional, liderou o posicionamento contra Maduro, a quem chamou de “fugitivo da justiça americana”. Rubio expressou ceticismo diante das iniciativas diplomáticas conduzidas por Richard Grenell, enviado especial dos EUA para a Venezuela.
Apesar da abordagem rígida de Rubio ter predominado até agora, defensores da diplomacia argumentam que negociações ainda podem avançar, citando mudanças inesperadas de Trump em temas como a guerra da Ucrânia e acordos comerciais com a China e o Irã.
Publicamente, o governo Maduro reagiu à intensificação militar prometendo defender a “revolução socialista” iniciada por Hugo Chávez. Maduro, entretanto, declarou-se aberto ao diálogo e aceitou voos de deportação dos Estados Unidos, enquanto colaboradores próximos ofereciam concessões que suprimiriam o nacionalismo dos recursos, base do chavismo.
Os avanços entre Grenell e autoridades venezuelanas se concentraram em temas econômicos, sem consenso sobre o futuro político de Maduro. O chanceler Yván Gil afirmou no mês passado que Maduro não aceitaria negociar sua saída do poder.
Desde 2013, Maduro reprimiu manifestações e contestou resultados eleitorais, mantendo-se à frente do governo mesmo após alegações de manipulação e violência contra opositores. Ao ser procurado, Grenell não se manifestou sobre o tema, e as autoridades americanas e venezuelanas não responderam aos pedidos de comentário.
Interesses econômicos e retorno das empresas americanas
Em Nova York, María Corina Machado afirmou que empresas americanas poderiam lucrar até US$ 1,7 trilhão em 15 anos com uma transição política. “Queremos vocês aqui produzindo milhões de barris por dia”, disse em junho.
Antes pautado em direitos humanos, o apoio dos EUA a mudanças na Venezuela agora se baseia em interesses econômicos, em linha com estratégias usadas por Trump em países como Ucrânia e Iraque.
As negociações conduzidas por Grenell foram uma das maiores tentativas de diplomacia baseada em recursos naturais durante o governo Trump. O foco era atrair companhias americanas às reservas de petróleo, gás, ouro e coltan.
Maduro, por sua vez, buscou reaproximação com empresas privadas. A Chevron obteve controle total sobre projetos conjuntos e pode expandir operações. A ConocoPhillips também retomou contatos. Fontes dizem que, em maio, houve avanços diplomáticos, com gestos como a libertação de um americano preso.
Embora Maduro tenha aceitado boa parte das condições econômicas, resistiu em cortar laços com China, Rússia e Irã. Para evitar sanções e aumentar receitas, reduziu o envio de petróleo a Cuba.
Marco Rubio se opôs às tratativas, mas a Chevron conseguiu renovar sua licença em julho, revertendo restrições anteriores. Depois, a Shell recebeu autorização para retomar a produção de gás no campo Dragon, em parceria com Trinidad e Tobago.
Rubio garantiu que o projeto não beneficiaria Maduro, enquanto o venezuelano celebrou o acordo e anunciou investimentos sociais pela Shell.
Informações Revista Oeste
