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Regime ditatorial foi classificado como cartel narco-terrorista pela administração de Donald Trump

Ditador da Venezuela, Nicolás Maduro | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em meio à crescente tensão entre Venezuela e Estados Unidos, autoridades da ditadura de Nicolás Maduro propuseram à administração de Donald Trump concessões significativas em petróleo e minerais, na tentativa de evitar um confronto direto. 

As negociações, que se estenderam por meses, permitiriam que empresas americanas tivessem acesso privilegiado aos vastos recursos venezuelanos, segundo fontes próximas às conversas.

O governo Trump, porém, manteve uma postura dura ao classificar o regime do ditador como cartel narco-terrorista, mobilizando forças navais no Caribe e destruindo embarcações suspeitas de tráfico de drogas. 

A escalada militar e o rompimento diplomático aumentaram as especulações de que o objetivo final de Washington seria a remoção de Maduro.

Estados Unidos fecha o cerco ao redor de Maduro

Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio | Foto: Reprodução/X
Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio; conselheiro de segurança nacional adotou postura rígida contra Nicolás Maduro | Foto: Reprodução/X

No centro da pressão americana, Marco Rubio, secretário de Estado e conselheiro de segurança nacional, liderou o posicionamento contra Maduro, a quem chamou de “fugitivo da justiça americana”. Rubio expressou ceticismo diante das iniciativas diplomáticas conduzidas por Richard Grenell, enviado especial dos EUA para a Venezuela.

Apesar da abordagem rígida de Rubio ter predominado até agora, defensores da diplomacia argumentam que negociações ainda podem avançar, citando mudanças inesperadas de Trump em temas como a guerra da Ucrânia e acordos comerciais com a China e o Irã. 

Publicamente, o governo Maduro reagiu à intensificação militar prometendo defender a “revolução socialista” iniciada por Hugo Chávez. Maduro, entretanto, declarou-se aberto ao diálogo e aceitou voos de deportação dos Estados Unidos, enquanto colaboradores próximos ofereciam concessões que suprimiriam o nacionalismo dos recursos, base do chavismo.

Os avanços entre Grenell e autoridades venezuelanas se concentraram em temas econômicos, sem consenso sobre o futuro político de Maduro. O chanceler Yván Gil afirmou no mês passado que Maduro não aceitaria negociar sua saída do poder.

Desde 2013, Maduro reprimiu manifestações e contestou resultados eleitorais, mantendo-se à frente do governo mesmo após alegações de manipulação e violência contra opositores. Ao ser procurado, Grenell não se manifestou sobre o tema, e as autoridades americanas e venezuelanas não responderam aos pedidos de comentário.

Interesses econômicos e retorno das empresas americanas

Em Nova York, María Corina Machado afirmou que empresas americanas poderiam lucrar até US$ 1,7 trilhão em 15 anos com uma transição política. “Queremos vocês aqui produzindo milhões de barris por dia”, disse em junho.

Antes pautado em direitos humanos, o apoio dos EUA a mudanças na Venezuela agora se baseia em interesses econômicos, em linha com estratégias usadas por Trump em países como Ucrânia e Iraque.

As negociações conduzidas por Grenell foram uma das maiores tentativas de diplomacia baseada em recursos naturais durante o governo Trump. O foco era atrair companhias americanas às reservas de petróleo, gás, ouro e coltan.

Maduro, por sua vez, buscou reaproximação com empresas privadas. A Chevron obteve controle total sobre projetos conjuntos e pode expandir operações. A ConocoPhillips também retomou contatos. Fontes dizem que, em maio, houve avanços diplomáticos, com gestos como a libertação de um americano preso.

Embora Maduro tenha aceitado boa parte das condições econômicas, resistiu em cortar laços com China, Rússia e Irã. Para evitar sanções e aumentar receitas, reduziu o envio de petróleo a Cuba.

Marco Rubio se opôs às tratativas, mas a Chevron conseguiu renovar sua licença em julho, revertendo restrições anteriores. Depois, a Shell recebeu autorização para retomar a produção de gás no campo Dragon, em parceria com Trinidad e Tobago.

Rubio garantiu que o projeto não beneficiaria Maduro, enquanto o venezuelano celebrou o acordo e anunciou investimentos sociais pela Shell.

Informações Revista Oeste

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